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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Leitura no lugar(que também pode ser) da musa

E leste? E li? Ó Gina, tu leste? Li?
Li.
Entretanto pus-me a mexer na badana da capa do telemóvel por me encontrar sem condições de continuar a leitura –abre-fecha-abre-fecha-abre-fecha- e uma das septuagenárias pôde ver o meu gesto repetitivo por entre as cadeiras transparentes. Isto da transparência calha a todos.
Seguidamente tenho excerto retirado do livro do momento, 'Um quarto que não é seu', Alicia Giménez Bartlett, da página 19, e tenho também uma foto tirada à chávena de café e ao número que saiu de dentro da minha mala novíssima e lindíssima. Como creio ser consabido, na confeção de roupa, malas, sapatos, os moldes dos ditos são numerados por modo a facilitar que partes juntar a que partes, por modo a montar uma peça convenientemente, por modo a que as pessoas ostentem vestes e acessórios dignamente. Então vá, primeiro o texto, que não é meu e portanto podeis suspirar com alívio e descansar as vossas cabecinhas das repetições tolas que ultimamente tanto apresenta esta que escreve, e ao depois vem a foto, que não classifico, deixando ao critério de quem vem. Porque a foto não existe, afinal, por qualquer motivo a máquina não captou. Mil desculpas. Depois de a ideia estar exposta é que fui abrir a máquina para ver a foto que não vi afinal. Não está lá. Não sei o que se passou. Mil desculpas. Mas há o texto, aquele que não é meu.

«Ouço a respiração da Lottie, que assim que cai na cama dorme que nem uma pedra, nem sequer fica um bocadinho enfiada entre os lençóis a pensar. Assim nem repara como é agradável quando o sono começa a chegar e já não se consegue pensar mais, porque o que vem à cabeça são disparates e uma pessoa deixa-se ir e dorme em paz.»

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Términus



No fim-de-semana passado terminei de ler o livro do momento, 'Estranha Ternura', Miriam Toews. Olhem: gostei muito. É uma história escrita na primeira pessoa, estilo que me agrada há mais de quarenta anos (desde que sei ler, ah ah), muito embora geralmente me esforce no sentido de variar o estilo. Quem conta a história é uma adolescente, nascida e criada numa vila menonita, que depois vai desenrolando toda uma série de acontecimentos, obviamente relacionados com a religião mas sem aquela coisa de Igreja, de Causa, pronto, sem passar pelas inerências de frequentar assiduamente uma igreja, sendo que aqui refiro igreja pelo lado material, as paredes, não os métodos ou os rigores, se bem que a parte espiritual aparece na história, sim senhores, constando portanto a beatice, a murmuração, a inveja, o espanto pelo desplante do próximo. E quantas vezes este espanto pelo desplante é disfarçado com o tal amor pelo próximo que tanto apregoam, como se somente nas igrejas fosse possível manifestar-se esse amor... Ora. Pronto, é uma história que aborda religião e pecado fora das paredes duma igreja.
Todo o livro é atravessado pela solidão. Todo. É da primaira à última página, a solidão da rapariga transparece na maioria das frases. Isso impressionou-me e não foi pouco. Olhem: gostei muito.
Deixo vídeo meu e, se o deixo, garanto que é não querendo comparar a minha solidão
(sempre patética, a minha solidão, jamais conseguirei parecer solitária por sê-lo justamente e sem ademais, tampouco existirá um dia em que não ostente na testa a marca da pobrezinha que se queixa muito, e sobretudo desnecessariamente, da sua vida linda e bem montada)
à da rapariga menonita que foi ficando sozinha e partiu dali, é que nem pensar, mostro-o por considerar que neste livro me cruzei com a personagem.





Entretanto já dei início, também no fim-de-semana passado, à leitura dum outro livro: 'Um quarto que não é seu', Alicia Giménez Bartlett, também escrito na primeira pessoa. Tal como afirmei ao início deste post, costumo variar os estilos literários, contudo nos últimos tempos tenho forçado tanto
(mas tantotantotanto, e gosto eu de ler e gostei eu do livro que andei a ler, olha se não...)
a leitura que o melhor é escolher pelo prazer. Até agora li oito páginas, portanto pouco posso acrescentar acerca, posso contudo revelar que é um romance apoiado nos diários da escritora Virginia Woolf, bem como nos da sua criada, Nelly Boxell, mas ficcionado, ou seja: na altura da leitura em que estou e baseando-me na sinopse, presumo que nada tenha a ver com a vida real das duas mulheres.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Então e que tal vai isso de leituras?

Uma lástima, 'migos, uma lástima tão peganhenta que me nauseia. Há dois dias que não pego no livro – 'Estranha Ternura', Miriam Towes. Sem culpa disso, é certo, tenho tido os intervalos grandes mais ocupados que o costume, de maneiras que o livro fica no estaminé. Sei de antemão que não terei tempo para mais lazer nenhum além do café que bebo prazerosamente no lugar (que também pode ser) da musa e dum apontamentozinho ou outro no bloquinho rudimentar. Ao depois do café, os apontamentozinhos, porque é ao depois do café que as cadeiras transparentes deixam passar os assuntos. Não é nada. É sempre. Ou seja: é antes, durante e depois. É por entre os golos de café. Encho-me e esvazio-me incessantemente, não de café, falo das letras agora, mas não me passa nem rebento. Até hoje, não. E isto agora sou eu mostrando a prova de que qualquer assunto me serve. Pronto, já se percebeu que não sou lá muito criteriosa com assuntos a expor no blogue, não é. É. Que esse é o principal motivo de eu ter sempre montanhas de coisas a registar no blogue, não é. É. Que sou repetitiva cumó caraças, não é. É. Vai daí, repetito despudoradamente a despedida d' ontem:
«O bloquinho rudimentar, aquele onde aponto as coisinhas, continua tão desorganizado como a minha cabeça. Geralmente andam a par. É caso para dizer que se dão bem.»

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Décimo Oitavo

Ainda cá venho, semanas depois*

Eu vi tudo
Havia câmaras a registar o momento. Solene. Não faltava solenidade ao momento, não. Lembrei-me do livro que andei a ler (A Acidental, Ali Smith) em que uma personagem se esfuma, não deixando registos ou imagens, atravessa e marca profundamente toda a história mas no fim não há provas da sua existência. Mas eu vi tudo. Eu e a freira que ia de passagem. E as câmaras captaram. E está registado, aqui e agora. Bendito blogue, o meu. |12 de dezembro de 2013|


Ainda cá venho. O texto acima, encontrado há semanas e portanto relido, fez-me ver que em algumas ocasiões escrevo tão apressadamente, e até encapotadamente, que uns tempos depois, por mais que me esforce no sentido de relembrar que raio estava eu a querer dizer... Eis que não percebo nada, é que nem eu me percebo, percebem. Claro que sim, por isso não continuo.

*...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Tipo eu
(como se eu...)
(ou coisa que o valha, como se eu pudesse valer)



Ó Gina, tu hoje leste, não leste?
Li.
Ó Gina, tu hoje interrompeste a leitura amiúde para apontar as tuas coisinhas em papelinhos, não interrompeste?
Interrompi.
Ó Gina, tu hoje estiveste uns bons dez minutos fitando o algo que te é invisível lá no lugar (que também pode ser) da musa, não estiveste?
Estive.

Estou na reta final da leitura, a dezassete páginas da derradeira, e já estou saudosa, embora saiba que não é livro ou história para ter um final feliz. Há uma certa cumplicidade, ou paixão, que por vezes desenvolvo com os personagens, esse facto é uma das muitas belezas que a leitura pode conter, mesmo que ilusão, mesmo que ficção.

Nota:
O livro do momento, que é também parte dele, o que está na imagem acima, é: 'Estranha Ternura, Miriam Towes

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Lugar (que também pode ser) da musa

Não há medo de ser repetitiva, não no blogue. Sim, li.
Li.
Interrompi a leitura para apontar isto d' agora.
Li.
Interrompi para apontar num papelinho que no veio central das páginas 280/281, onde parara a última vez que me pusera a ler o livro do momento (Estranha Ternura, Miriam Toews), no meio das duas, na junção, havia impurezas que mais pareciam fiapos de borracha de apagar lápis. Pensei um bocado mais, e melhor, e concluí que eram migalhas e partículas doutras espécies que andarão aos rebolões por ali assim dentro da mala, se ademais nos últimos dias o livro viajou, ingloriamente, uma vez que não cheguei a lê-lo, com uma fatura áquatro dobrada em três pelo lado mais comprido, quer isto dizer que havia mais espaço para entrarem impurezas sejam lá que espécie forem.
Li.
Interrompi para apontar num papelinho que já conseguira ler três páginas, que vitória era.
Li.
Interrompi para anotar num papelinho a ideia de pôr asteriscos exatamente em que parte da leitura ou do texto foram entrando pessoas. Tarefa que no momento posterior, que é este, se revela impossível de realizar pela inexatidão de factos com as horas de toda a gente, as minhas letras e as páginas do livro. Contudo, apontei o homem do gelado de copinho, que todos os dias lá vai, um dia fixo se o sabor muda ou então não; apontei muitas senhoras sexagenárias a pedirem café; apontei que o homem do canto, muito velho, se levantou, deixando de fazer número; e agora estou a lembrar-me do homem que lia o jornal com afinco dum tamanhão tal que não lhe cheguei a ver os olhos pousados noutro lugar que não no jornal.
Li.
Interrompi para apontar num papelinho que comecei a sentir-me demasiado inquieta, sou realmente incapaz de permanecer, seja lá onde for, mais do que uns quinze a vinte minutos.
Li.
Interrompi para apontar num papelinho que isso do póstumo, ah, isso do póstumo... Daqui a vinte... sei lá, cinquenta anos será que o meu blogue ainda se deixa ler na internet?
Li.
Parei de ler. Cinco páginas. Mui grande vitória, óié. Fixei o olhar na capa protetora do telemóvel, nos mochos que lá moram: um azul, um rosa, um mocho, uma mocha, a mocha tem até pestanas e, contrariamente ao mocho, tem os olhos fechados, numa atitude vaidosa, senhoril. Mulheres, pá! Pus-me a brincar com a badana de abrir e fechar a capa até me fartar, o que não levou tempo nenhum. Que desassosego. Senti-me da maneira que me sinto inúmeras vezes, especifica e habitual, a maneira. Tenho de observar para me distrair. Tenho de escrever para me distrair. Não é loucura, isso de escrever para me conhecer, para aprender, para compreender. Mas sendo para me distrair... É que não me aguento, percebem. Claro que sim, mas a prosa acaba aqui.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dias (duma grafómana, ou lá que é)

Bom dia. São dez e cinquenta e nove. O lbogue... ai perdão, blogue hoje vai acontecer num post atípico, está bem. Vai ter que estar.


Anteontem andei a fazer uma pesquisa no blogue anterior ao anterior blogue, perceberam. Claro que sim, por isso continuo. Encontrei uma foto de dois mil e nove, para aí na primavera, onde aparece meia árvore amarela, ainda muito verdinha. Não, nessa altura a árvore amarela ainda não era a árvore da minha vida, nem estava amarela, era ainda primavera, pois. Gostei tanto de a encontrar, a árvore amarela já era árvore antes de eu a fixar. Não, não vou deixar aqui a foto, revela o nome da rua mais bonita de Lisboa, e por ora tenho segredos a resguardar.


Anteontem aprimorei alguns dos meus vídeos que, quando prontos, é meu costume ver se está tudo bem e, aquando desse visionamento, planta-se-me do lado direito do ecrã uma lista que convida a ver outros vídeos posteriormente, vídeos esses que quantas vezes calha serem os meus. Os senhores do YouTube (é assim que se escreve, ao que parece tenho andado a escrever isto mal, oh céus) querem mesmo que a gente se transforme nuns narcisos/ególatras do caraças, é o que é. Bom, eu, como qualquer pessoa, afinal, sou também admiradora de mim própria e das minhas facetas de pessoa fixe e bem-disposta e carismática, tudo feique péro andiámo anferram, de maneiras que vi no título do meu próprio vídeo o seguinte: «Do verbo 'poder'», o que me suscitou uma curiosidade imensa por já não me lembrar que raio teria eu dito naquele vídeo e eis que cliquei e eis que me vi começar o vídeo duma maneira inesperada, é que eis que num repente me vi a notar o meu texto espetado na parede da sala (eu disse que era narcisista, já me confessei há pouco, sim, eu tenho um texto meu espetado na minha sala, ao qual ainda ninguém ligou a ponta dum corno) e eis que comecei a tagarelar a partir do que está lá escrito, que é todo um conjunto de fatores opostos por entre o ato de escrever, tão opostos que são disparatados, pronto, assim mais ou menos como são todas as coisas que a gente se lembra de esmiuçar, a gente esmiuçando, estúpidos vamos ficando... porque... não... há... respostas. O mundo não tem respostas nenhumas, 'migos. E eis que algures durante o discurso, titubeante, como todos, digo que «todos os dias tenho de pôr qualquer coisinha no blogue» e eis que vou logo fazer um post dos «Único», porque não iria publicar mais nada, anunciando que havia visto um vídeo meu e tal e tal, a dizer que todos os dias tenho de, portanto aquele era o post do dia, só por dizer que o deixei rascunhado e nunca mais me lembrei de o publicar. Neste momento lá está, incorporando a lista de posts, aumentado-lhe o número, mas rascunhado, perceberam. Claro que sim, por isso continuo. Está rascunhado mas vai deixar de estar porque o vou eliminar, não sem antes o colocar aqui, que eu deitar no lixo o meu lixo literário... é-me dificílimo.
«Boa tarde. São dezoito e cinco. «É muito raro haver um dia em que eu não registe qualquer coisinha no blogue», ouvi-me eu dizer há dois minutos, num vídeo antigo. Então vim ao blogue registar uma coisinha.»


Ontem andei a fazer um pesquisa no anterior blogue por modo a saber umas coisas que depois chegarão também a este blogue, mais em concreto a este post. É que me lembrei ah e tal, já que não tenho tempo para escrever as merdas do costume, vou mas é ver que posts fantásticos (para com os posts publicados, particularmente para com os de longa data, portanto: esquecidos, sinto a obrigação de os perceber como fantásticos, capazes e detentores duma enorme sabedoria, uma vez que já não me pertencem, eh pá, eu vou lá agora ofender os leitores...? nada disso!) terei criado há um ano. Então, vai que, então vá, o que apresentei o ano passado a sete de agosto foi assim como que uma pesquisa usando uma palavra tão fogosa mas tão e tão fogosa que se me acaba com... não sei, olhem, nem sei, percebem. Claro que sim, por isso continuo. A palavra é paixão, o que levou a que a pesquisa resultasse em vários textos. Escrevo imenso acerca de paixão, ah ah. Hum, não é nada, ora essa, é que sou dona de milhares de posts, mal seria não aparecerem vários numa busca. Repesco dois e deixo-os aqui, num falo do impulso/hábito que tenho no registo diário, noutro da solidão que afinal não abandono, o mais que faço é esquecê-la por pedaços de tempo.

«Às vezes escrevo só porque sim. Não sei se acontece o mesmo à outra gente que escreve, que eu estou sozinha neste mundo literário, bem como no outro mundo, o dos pura e somente leitores, ou ainda no mundo dos que não escrevem nem leem, e se não estou sozinha, estou ausente ou apática ou dormente ou outra coisa qualquer que me impede de conviver saudavelmente.
Mas dizia eu: escrevo só porque sim. É comparável ao ato doméstico de despejar o lixo, se não se abolir os destroços diariamente, os mesmos acabarão por ocupar um espaço desnecessário e ademais fede e empesta o ar. A minha cabeça funciona assim, tenho de dar vazão ao escriba, mesmo rabiscando sem prazer, paixão ou amor. Sou muito boa nisto de escrever, afinal, uma vez que consigo fazê-lo sem impulso, ou, ainda, algo contrafeita. Há que persistir.»

«Ontem, depois das sete, fui dar mais um passeio com a cadela, o derradeiro.
Dia de greve geral, a alameda dizia ‘greve geral’ na relva, lá em cima, junto ao IST. Devia ser para avisar os mais distraídos ou isso.
No semáforo oposto avisto a Glória de Matos, esperando o verde, como nós. Pensei dizer ao cão: ‘olha Olívia, vês aquela senhora? É uma atriz conceituada da nossa praça.’
Mas não.
Notei que a senhora se mostrava ansiosa, quase trémula, esperando o verde, e pensei que era tal e qual uma ou outra velhinha que nem são do panorama artístico português nem nada; uma velhinha esperando o sinal verde; uma velhinha igual às outras, até podia ser a dona Lurdes, com os seus medos particulares.
Cruzámo-nos, a atriz agora em passo seguro, ao depois do ligeiro tremor de dúvida: como atravessar; se atravessar; quando atravessar; etecetera, eu e o cão, meros transeuntes; anónimos; transparentes.
Descemos a avenida e fomos dar à praça com nome britânico, virámos à direita para percorrer meia avenida francesa para aí encontrar uma outra praça, com nome de cientista francês.
Ainda pensei levar a cadela a ver a minha rua preferencial e o jardim da minha paixão, e chegadas lá falava outra vez com ela, segredando: ‘olha, Olívia, vês, este é o jardim onde venho coisar’.
Mas não.
Se bem que devia aproveitar o amor da minha cadela, a sua atenção desmesurada e falar-lhe das minhas coisinhas e de como as coiso. Se virasse na rua do poeta contemporâneo de Camões, iriamos lá ter.
Mas não.
E que tal contrariar tudo e apresentar-lhe a bicicleta bê de biragem?
Não.
Sentei-me um pouco. A cadela ficou em pé, não curte ter o rabinho assente em pedras irregulares como são as daquele jardinzinho que sempre me lembra o leite pasteurizado. Sim, o leite e a praça têm tudo a ver… Praça Pasteur. E não ofereço mais referências nenhumas.
Tirei fotos.»


Hoje o lanchinho foi quivi vindo do Chile. Era o que dizia a etiqueta colada na pele peluda do verde fruto, Chile. Comi um quivi chileno, verde na cor, verde na madureza.


Hoje achei que devia dizer à Gina, «ó Gina, vai lá fazer vídeos, vá.» E achei que lhe devia responder «não vou nada, estou triste, seria preciso fingir muito.» Narcisista mas nem tanto.


Nota super importante, super interessante e super tudo e tudo e tudo:
Este post não vai chamar-se «Único», devia chamar-se «Breine storme», mas encontrei um outro título tão melhor... que.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Meio-dia e vinte e um

Vou para almoço não tarda. Não trouxe o livro. Há dias que não trago o livro. Está em casa. Está em casa desde sexta-feira passada, há portanto oito dias que ao livro do momento – Estranha Ternura, Miriam Toews – não avanço a leitura. Aquilo é livro para não se deixar a meio, nada disso de estar muitos dias sem o ler, há um crescendo de emoções e um mundo, um mergulho e um fundo, tenho de estar naquele ponto onde sinto que aquele ponto é o ponto, não posso perder-me noutros meandros, principalmente nos meus, e é precisamento o que está a acontecer.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Uma rua

Há dias passei no meio dos jacarandás daquela rua onde nasceu (ou viveu ou morreu, ou então tudo isso à mistura) o poeta Fernando Pessoa... Pesquiso, vale a pena... Melhor não menosprezar o ilustre poeta... É em Lisboa, na rua Almirante Barroso, no número 12, e afinal viveu nessa casa, não nasceu nem morreu.
E resolvi-me a contá-los. Falo dos jacarandás. Pois. São vinte e sete no primeiro passeio. São vinte e um no segundo passeio. O que perfaz um total de quarenta e oito jacarandás naquela rua. Ok, vá, uns são de tronco e ramos finos, outros muito grossos, possivelmente serão de mais idade, não sei, mas era giro saber. Quarenta e oito. Não podia ter escolhido melhor ano e mês para os contar. Ai não podia, não.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Ofereço-te este livro

Não sou ciosa da minha biblioteca, às tantas nem é minha, sei lá, não me sinto dona de livro nenhum, não me importo nada de dar livros que estejam nas minhas prateleiras, que é lá isso, principalmente se já os tiver lido. Atualmente sinto vontade de oferecer o livro que li no outono de 2013, 'A Acidental', Ali Smith, e isso deve-se ao facto de ter gostado muito deste livro. Infelizmente, ou então não é nada infelizmente, é que eu sou assim e pronto, cada livro que leio, cada esquecimento que o meu cérebro produz. Sério. Geralmente não retenho na memória factos, nomes ou circunstâncias dos livros que leio, a menos que tenha gostado muito de os ler, mas, ainda assim, não retenho coisas de livros. Do livro em questão neste post apenas me lembrava que era acerca duma família que incluía uma miúda. Deixo já a apreciação final que fiz quando terminei a leitura do mesmo e depois apareço no presente logo abaixo do passado, está bem. Vai ter que estar.

Sem ler
Esqueci-me do livro. Caraças, pá.
O livro do momento ('A Acidental', Ali Smith) retrata uma família em férias numa casa de campo, no seio da qual aparece repentinamente uma intrusa que consegue socializar estranhamente com cada um deles, usando artimanhas e mistérios tais que todos se apaixonam por ela, cada um à sua maneira. |31 de outubro de 2013|

Este ano, aquando das férias, fui lembrando pormenores, não da história, mas dum objeto bastante divulgado: uma câmara de filmar, a tal que nunca captou Âmbar, a personagem principal. É que também ando a captar a vida com uma câmara, construindo histórias, pequenos enredos, sendo que, ademais, fiz uns quantos nas ditas férias. Ora bem, isto passou-se mas veio mais:
id est mare
Pois. No livro a miúda refere amiúde (não quero saber de parecenças de palavras) 'id est', que quer dizer 'isto é' e eu, há cerca de dois anos, andava com a pancada do latim e eis que me deu na tola escrever a frase na praia... Fui buscar a foto:





E eis que este ano, na mesma praia e mais ou menos no mesmo lugar, fiz um filme, que pode ver-se aqui, mais concretamente do segundo 32 ao minuto 1:50, porque me lembrei do livro, da expressão da miúda – id est - e da minha própria expressão – id est mare, porque estava junto ao mar.
Mas agora, voltando à carga, gostei tanto mas tanto deste livro (A Acidental, Ali Smith) que teria o maior prazer em oferecê-lo. Quem o quiser que se chegue à frente, deixe recadinho na caixa de comentários, que eu tratarei da expedição.
Entretanto deixo mais uma alusão que fiz no blogue, onde posso esclarecer que não posso esclarecer (não quero saber se repeti palavras e as deixei demasiado próximas) o que terei eu visto de tão extraordinário para fazer este registo...

Eu vi tudo
Havia câmaras a registar o momento. Solene. Não faltava solenidade ao momento, não. Lembrei-me do livro que andei a ler (A Acidental, Ali Smith) em que uma personagem se esfuma, não deixando registos ou imagens, atravessa e marca profundamente toda a história mas no fim não há provas da sua existência. Mas eu vi tudo. Eu e a freira que ia de passagem. E as câmaras captaram. E está registado, aqui e agora. Bendito blogue, o meu. |12 de dezembro de 2013|

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Leitura

Levei o livro do momento (Estranha Ternura, Miriam Toews) mas não avancei a leitura, au eva: li. Não foi debalde que acrescentei quatrocentos gramas de papel ao meu carrego habitual, onde constam sensivelmente dois mil e quatrocentos gramas. Pois. Não foi debalde, não. É que me lembrei de aquando das férias li o trecho que passo a transcrever:

«Travis explicou-me que Kafka ou alguém assim tinha afirmado que a loucura pode ser definida como a tentativa de uma pessoa em reconciliar a necessidade premente de escrever com a premente convicção de que o silêncio é a resposta mais apropriada.» pág 193

(Ressalvo a ausência de vírgulas no trecho.)
… Senti uma vibração em mim porque é a compactação de muitos dos meus medos e prazeres. Portanto não foi debalde que carreguei o carrego. Bom, o que estou a notar neste preciso momento é que só neste post já me repeti um montão de vezes, daí se percebe um montão (hum-hum, é outra repetição consciente, é) de coisas, tudo bem, nem vou enumerá-las exatamente para não voltar a repetir-me, vou só dizer que não escrevo a contragosto, antes com prazer, sempre, já o ler... ui.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Leitura

Não tenho andado muito entusiasmada com a leitura, mas garanto que a culpa não é da história, eu é que sou uma desconcentrada do caraças.



Estranha ternura, Miriam Toews

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Flores envelhecidas

Sentei-me no banco que está debaixo da árvore amarela e eis que... pumba e coiso, as flores que eu própria lá deixei e acerca das quais falei neste post estavam envelhecidas. Sério, nem caíram do banco abaixo nem nada, lá estavam, envelhecidas, é certo, mas, incrivelmente, sem que tenham saído dali.




Já agora acrescento uma foto espectacular ao blogue. É que quando liguei a máquina captei o que captei e o que captei, captei por acaso, vejam lá que engraçado, ah ah, e vai que considerei esta visão elucidativa, que elucida por conta de se ver parte dum livro dentro duma mala. 'Estranha Ternura' de Miriam Toews, é o livro que ando a ler. Todos os dias falo dele. Olarila. E leio-o também. Pois. Carrego-o de mau grado porque é pesado que se farta, mas leio-o prazerosamente. Dão umas para as outras, como diz a minha mãe.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Lugar da musa

Andei iludida, julgando ter deixado o livro do momento (Estranha Ternura, Miriam Toews) no lugar da musa. Mas não. Enquanto considerei que esse esquecimento efetivamente acontecera, construí montes de textos na minha cabeça, mas não me pus logo a transformá-los em textos vivos por não ter a certeza de ter despejado a mala no estaminé do meu colega e ser lá que o livro estava. E estava. Oh. Até ia ser giro. Para já, seria giro o tema, que se há coisa que nunca me aconteceu foi deixar um livro esquecido. Para depois, seria giro perguntar às meninas 'olhe lá, ontem deixei aqui um livro, não foi? E elas ou uma delas dizer 'foi, está aqui' e estendia-mo enquanto sorria amavelmente. A minha assiduidade àquele lugar da musa já me tornou merecedora de sorrisos amáveis. Há um certo tipo de pessoa que a amabilidade não lhes está logo ali por baixo da pele. A gente, eu, tem, tenho, de esperar, sem alarde, que é lá isso, e lá está a porra da passividade a favorecer-me. É esperar, é-es-pe-rar.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Leitura

Notei hoje, num repente, que a autora do livro do momento (Estranha Ternura, Miriam Toews) quase não usa pontos de interrogação. Ah ah. Para mostrar que os personagens estão a perguntar coisas, ela usa verbos como inquirir, ou então retorquir, verbo este que como se sabe suporta toda e qualquer entoação que a gente queira dar.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Estamos em junho

Hoje li o livro, óié. Não lia há nove dias, óié. À hora do intervalo grande esquecia-me de levar o livro comigo, vai daí pumba e coiso, nove dias sem pôr os olhos no que a outra gente escreve, oh céus.
Deixo três excertos do livro que ando a ler (Estranha Ternura, Miriam Toews). O primeiro, lido hoje, reparei nos ventos de junho que o livro conta, e entretanto conto eu que estamos em junho, Os seguintes, lidos não sei quando, se não sei então não interessa, são passagens que considero muito boas porque me tocaram no coração. Por ordem de apresentação, as páginas são: 81 (junho), 77 (comboio), 63 (ternura).


quarta-feira, 25 de maio de 2016

O post que estava por escrever (ando ainda de roda do passado, oh céus)

Num dia de calor, aqui há atrasado fui a uma gelataria que há ali pra cima comer um gelado na intenção de refrescar. O espaço é muito engraçado, as cadeiras são coloridas e cheias de dizeres poéticos, escritos numa letra de mão. Catrapisquei um dos versos de Fernando Pessoa que diz assim:

Ser feliz é ser aquele
E aquele não é feliz
Porque pensa dentro dele
E não dentro do que eu quis

Nota:
A publicidade faço-a gratuitamente: a gelataria em questão neste post fica na avenida Padre Manuel da Nóbrega, em Lisboa, e acrescento que os gelados são soberbos.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Lugar (que também pode ser) da musa

As cadeiras transparentes são mesmo transparentes. Mesmo, mesmo. Por entre elas pude ver um beijo fogoso e sôfrego dum par composto por gente jovem. Há algum tempo que a transparência daquelas cadeiras não deixava transparecer nada.

Entretanto vou mas é enumerar o estandarte que tenho em cima da mesa aquando da hora de abalar dali.

:::: O livro do momento - Estranha Ternura, Miriam Toews. Ainda não referi isto: comprei este livro em 10 de outubro de 2012, na estação de Metro da Alameda. De há uns anos para cá anoto a data e o local da compra do livro e também rubrico, fica tudo escarrapachado logo na primeira página, aquela que eu chamo de morta, porque acho que está, mas que não sei se toda a gente chama assim ou então não, e já agora preencho-a, quem sabe venha morta para o dono do livro lhe dar vida. Se é, então olha, eu dou.
:::: A carteira grande. Guardo aí tantas mas tantas coisas que guardo também a caneta que anda a uso, bem como a caneta que não anda a uso e que tenho de colocar junto ao caderno de memórias que habitualmente levo quando vou de férias mas ainda não coloquei a caneta e já tinha dito isso, não é. É.
:::: A caneta. Esta caneta é a caneta a que me refiro primeiramente no item anterior e acontece que no item anterior já eu debitei o que tinha a debitar acerca de.
:::: O bloquinho rudimentar. Ao momento o meu bloquinho rudimentar deixou os rudimentos do seu ser, que agora sou fina, uso umas folhas bonitas e recortadas com guilhotina. Um dia voltarei às minhas origens, e aqui a origem é ter um bloquinho de folhinhas rasgadas por mim, advindas de folhas A4 inutilizadas.
:::: A caixa dos óculos. Vazia. Ou por outra, com o paninho de limpar as dedadas e o pó e as lágrimas. As dedadas e as lágrimas são desta que escreve, o pó é que não.
:::: A chávena de café. Vazia. O pires. Sujo. A colher. Limpa. O pacote de açúcar. Intacto.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O bolo do fim-de-semana

Aqui há uns tempos - oh se passaram já tempos depois disso! - referi no blogue um episódio em que tinha surripiado uma receita dum livro lá no lugar da musa, tirando uma foto e mais não sei o quê, mas que por lapso não tinha registado o nome do livro e da autora e que um dia faria o bolo e isso assim. E hoje há novidades nesta temática! Entretanto descobri o nome do livro e da autora: 'Bolos Mágicos, Christelle Huet-Gomez, bem como imprimi a foto que tirara e dobrei a folha quatro vezes – o que dá dezasseis partes, fui contá-las, ah ah, tenho também uma fixação muito saudável com números -, pondo-a a descansar na minha carteira durante todo este tempo, esperando oportunidade de experimentar uma receita invulgar. E é invulgar porquê, não é. É. É invulgar porque com aquelas quantidades e aqueles ingredientes, bem como aquele modo de fazer, especificamente, sem grandes desvios, note-se que inclusive o diâmetro da forma é deveras importante para fazer magia, portanto vai que o melhor é a malta não se desviar destes caminhos para conseguir um bolo que se dividirá em três consistências com a cozedura: em baixo uma crosta macia, no meio um creme, no cimo uma massa fofa. Não sei se consegui a magia toda ou só um pouquinho, às tantas o cimo tem – tinha! - pouco a ver com massa de bolo, mas pronto, lá que estava bom, estava. Estava tão bom que me ia esquecendo de tirar a foto... Receita abaixo da mesma, a qual registo com uns pequeníssimos ajustes que fiz.


Bolo Mágico de Baunilha 

Ingredientes:
500 mililitros de leite
1 vagem de baunilha
4 ovos
150 gramas de açúcar
1 colher de sopa de açúcar baunilhado
125 gramas de manteiga
110 gramas de farinha
1 pitada de sal
Preparação:
Abra a vagem de baunilha e raspe as semantes com uma faca. Aqueça o leite com as sementes e a vagem aberta. Retire do lume e deixe em infusão durante pelo menos uma hora. Quanto mais tempo deixar, mais intenso será o sabor.
Separe as gemas das claras. Bata as gemas com os açúcares até obter uma mistura esbranquiçada.
Derreta a manteiga e incorpore-a no preparado.
Junte a farinha e o sal e bata durante mais alguns minutos.
Retire do leite a vagem de baunilha e deite-o gradualmente na massa mexendo sempre.
Bata as claras em castelo e, com uma vara de arames, incorpore-as delicadamente no preparado. Deite a massa numa forma redonda com 24 centímetros, que se untou e enfarinhou, e leve ao forno a 150º, durante 50 minutos.
Ao sair do forno o bolo estará pouco firme. Antes de o desenformar leve ao frigorífico durante pelo menos duas horas, para solidificar.
Sirva fresco.