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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Ó Gina, tu leste?

Sim.

«Seja como for, os patrões ajudaram-nos. A senhora atou um pano à cabeça para se proteger do pó. Levantava o espanador no ar e estatelava-o depois sobre a pesada perna de uma das mesas, morta de riso. Estranha mulher que tanto chora como ri.» 'Um quarto que não é seu', Alicia Giménez Bartlett

Entretanto, li tanto que, note bem, cheguei à página (96) onde guardo as faturas que já descrevi neste post.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Ó Gina, tu leste?

Sim.

« - As moças que lá vão, Lottie, na verdade não sabem quase nada da vida nem pensam por aí além. Acho que nós, seja por que motivo for, acabámos por nos tornar diferentes delas.
– Suponho que sim, e a verdade é que não sei se isso será bom para a nossa vida.» 'Um quarto que não é seu', Alicia Giménez Bartlett

Tem custos, as diferenças entre nós, é quantas vezes um fosso. Bem sei que é o único modo de nos distinguirmos, mas às vezes dói tanto que só queremos ser iguais, ser igual é como uma companhia que se tem, algo assim.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Leitura

O livro do momento – Um quarto que não é seu, Alicia Giménez Bartlett – contem dentro de si duas faturas, uma do próprio livro, outra dum tecido, ambas as faturas estão datadas de 23/10/2013, a do livro foi emitada às 14:16, a do tecido às 14:38. Ora acontece que rubriquei e datei o livro na página morta, costume que tenho há anos, mas datei de 25/10/2013. Hum... Enganei-me...? Hum... Tenho na memória algo referente a este episódio, não propriamente do desfasamento de datas, mas algo em torno das faturas e do livro que comprara, bem como da distância de tempo entre as duas compras. É para isto que serve um lbogue... ai perdão, blogue, não é. É. A gente pode pesquisar, não é. É. Foi assim, ó:
Ainda não, tenho coisas a acrescentar antes de.
Geralmente compro os tecidos na Baixa, portanto a compra do livro deve ter sido efetuada na estação de Metro onde me apeei à vinda, de vez em quando surge por lá uma livraria ambulante. Entretanto, ao pesquisar, descobri um post onde regsitei um episódio passado na estação do Rossio. Agora é que é, eis os posts do antigamente, de 25 de outubro de 2013:

Horas
Por causa das faturas sei horas de coisas que comprei e por causa de esticar assuntos que não lembram a ninguém depreendo coisas que vou fazer.
Às catorze e trinta e oito (e trinta segundos) comprei um tecido para fazer um casaco que um dia faço oh se faço e vai ficar giríssimo e vai fazer-me ficar esplendorosa.
Mas às catorze e dezasseis (segundos não registados) havia comprado um livro: 'Um quarto que não é seu', Alicia Giménez Bartlett, o qual é contado pela criada de quarto de Virginia Wolf. De notar que o livro é fictício. Mais um para a prateleira dos livros ainda não lidos.

Na estação
Devia ter ido na carruagem anterior;
mal de mim ter ficado a descansar no banco de madeira;
tenho tempo
- tenho sempre tanto tempo... –
ai eu
- continuam-se-me os ais de ontem -;
uma mulher fala ininterruptamente com a completa desconhecida que é a sua companheira de banco, o banco de madeira
– assuntos: doenças dos ossos e chuvada algo inesperada e que estão todas molhadas -;
a outra olha para mim de vez em quando encolhendo ligeiramente os ombros não vá a faladora notar;
no lado oposto chega uma outra mulher, não havendo lugares vazios senta-se na pedra
– onde não é banco de madeira –
e vendo uma mancha amarela passa os dedos e leva ao nariz para cheirar
– não vá ser urina que secou e amarelou –
e mesmo assim tira um lenço de papel do bolso para limpar
– mas não consegue apagar a mancha –
e faz de conta que limpa, senta-se e olha-me com um desprezo insano.
São doidas, as três.
Não diferentes, nada disso.
Chega o comboio, as duas primeiras fundem-se com a multidão;
verifico que a terceira coxeia, se tivesse notado antes ter-lhe-ia oferecido o meu lugar no banco de madeira.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Leitura no lugar(que também pode ser) da musa

E leste? E li? Ó Gina, tu leste? Li?
Li.
Entretanto pus-me a mexer na badana da capa do telemóvel por me encontrar sem condições de continuar a leitura –abre-fecha-abre-fecha-abre-fecha- e uma das septuagenárias pôde ver o meu gesto repetitivo por entre as cadeiras transparentes. Isto da transparência calha a todos.
Seguidamente tenho excerto retirado do livro do momento, 'Um quarto que não é seu', Alicia Giménez Bartlett, da página 19, e tenho também uma foto tirada à chávena de café e ao número que saiu de dentro da minha mala novíssima e lindíssima. Como creio ser consabido, na confeção de roupa, malas, sapatos, os moldes dos ditos são numerados por modo a facilitar que partes juntar a que partes, por modo a montar uma peça convenientemente, por modo a que as pessoas ostentem vestes e acessórios dignamente. Então vá, primeiro o texto, que não é meu e portanto podeis suspirar com alívio e descansar as vossas cabecinhas das repetições tolas que ultimamente tanto apresenta esta que escreve, e ao depois vem a foto, que não classifico, deixando ao critério de quem vem. Porque a foto não existe, afinal, por qualquer motivo a máquina não captou. Mil desculpas. Depois de a ideia estar exposta é que fui abrir a máquina para ver a foto que não vi afinal. Não está lá. Não sei o que se passou. Mil desculpas. Mas há o texto, aquele que não é meu.

«Ouço a respiração da Lottie, que assim que cai na cama dorme que nem uma pedra, nem sequer fica um bocadinho enfiada entre os lençóis a pensar. Assim nem repara como é agradável quando o sono começa a chegar e já não se consegue pensar mais, porque o que vem à cabeça são disparates e uma pessoa deixa-se ir e dorme em paz.»

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Términus



No fim-de-semana passado terminei de ler o livro do momento, 'Estranha Ternura', Miriam Toews. Olhem: gostei muito. É uma história escrita na primeira pessoa, estilo que me agrada há mais de quarenta anos (desde que sei ler, ah ah), muito embora geralmente me esforce no sentido de variar o estilo. Quem conta a história é uma adolescente, nascida e criada numa vila menonita, que depois vai desenrolando toda uma série de acontecimentos, obviamente relacionados com a religião mas sem aquela coisa de Igreja, de Causa, pronto, sem passar pelas inerências de frequentar assiduamente uma igreja, sendo que aqui refiro igreja pelo lado material, as paredes, não os métodos ou os rigores, se bem que a parte espiritual aparece na história, sim senhores, constando portanto a beatice, a murmuração, a inveja, o espanto pelo desplante do próximo. E quantas vezes este espanto pelo desplante é disfarçado com o tal amor pelo próximo que tanto apregoam, como se somente nas igrejas fosse possível manifestar-se esse amor... Ora. Pronto, é uma história que aborda religião e pecado fora das paredes duma igreja.
Todo o livro é atravessado pela solidão. Todo. É da primaira à última página, a solidão da rapariga transparece na maioria das frases. Isso impressionou-me e não foi pouco. Olhem: gostei muito.
Deixo vídeo meu e, se o deixo, garanto que é não querendo comparar a minha solidão
(sempre patética, a minha solidão, jamais conseguirei parecer solitária por sê-lo justamente e sem ademais, tampouco existirá um dia em que não ostente na testa a marca da pobrezinha que se queixa muito, e sobretudo desnecessariamente, da sua vida linda e bem montada)
à da rapariga menonita que foi ficando sozinha e partiu dali, é que nem pensar, mostro-o por considerar que neste livro me cruzei com a personagem.





Entretanto já dei início, também no fim-de-semana passado, à leitura dum outro livro: 'Um quarto que não é seu', Alicia Giménez Bartlett, também escrito na primeira pessoa. Tal como afirmei ao início deste post, costumo variar os estilos literários, contudo nos últimos tempos tenho forçado tanto
(mas tantotantotanto, e gosto eu de ler e gostei eu do livro que andei a ler, olha se não...)
a leitura que o melhor é escolher pelo prazer. Até agora li oito páginas, portanto pouco posso acrescentar acerca, posso contudo revelar que é um romance apoiado nos diários da escritora Virginia Woolf, bem como nos da sua criada, Nelly Boxell, mas ficcionado, ou seja: na altura da leitura em que estou e baseando-me na sinopse, presumo que nada tenha a ver com a vida real das duas mulheres.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Então e que tal vai isso de leituras?

Uma lástima, 'migos, uma lástima tão peganhenta que me nauseia. Há dois dias que não pego no livro – 'Estranha Ternura', Miriam Towes. Sem culpa disso, é certo, tenho tido os intervalos grandes mais ocupados que o costume, de maneiras que o livro fica no estaminé. Sei de antemão que não terei tempo para mais lazer nenhum além do café que bebo prazerosamente no lugar (que também pode ser) da musa e dum apontamentozinho ou outro no bloquinho rudimentar. Ao depois do café, os apontamentozinhos, porque é ao depois do café que as cadeiras transparentes deixam passar os assuntos. Não é nada. É sempre. Ou seja: é antes, durante e depois. É por entre os golos de café. Encho-me e esvazio-me incessantemente, não de café, falo das letras agora, mas não me passa nem rebento. Até hoje, não. E isto agora sou eu mostrando a prova de que qualquer assunto me serve. Pronto, já se percebeu que não sou lá muito criteriosa com assuntos a expor no blogue, não é. É. Que esse é o principal motivo de eu ter sempre montanhas de coisas a registar no blogue, não é. É. Que sou repetitiva cumó caraças, não é. É. Vai daí, repetito despudoradamente a despedida d' ontem:
«O bloquinho rudimentar, aquele onde aponto as coisinhas, continua tão desorganizado como a minha cabeça. Geralmente andam a par. É caso para dizer que se dão bem.»

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Décimo Oitavo

Ainda cá venho, semanas depois*

Eu vi tudo
Havia câmaras a registar o momento. Solene. Não faltava solenidade ao momento, não. Lembrei-me do livro que andei a ler (A Acidental, Ali Smith) em que uma personagem se esfuma, não deixando registos ou imagens, atravessa e marca profundamente toda a história mas no fim não há provas da sua existência. Mas eu vi tudo. Eu e a freira que ia de passagem. E as câmaras captaram. E está registado, aqui e agora. Bendito blogue, o meu. |12 de dezembro de 2013|


Ainda cá venho. O texto acima, encontrado há semanas e portanto relido, fez-me ver que em algumas ocasiões escrevo tão apressadamente, e até encapotadamente, que uns tempos depois, por mais que me esforce no sentido de relembrar que raio estava eu a querer dizer... Eis que não percebo nada, é que nem eu me percebo, percebem. Claro que sim, por isso não continuo.

*...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Tipo eu
(como se eu...)
(ou coisa que o valha, como se eu pudesse valer)



Ó Gina, tu hoje leste, não leste?
Li.
Ó Gina, tu hoje interrompeste a leitura amiúde para apontar as tuas coisinhas em papelinhos, não interrompeste?
Interrompi.
Ó Gina, tu hoje estiveste uns bons dez minutos fitando o algo que te é invisível lá no lugar (que também pode ser) da musa, não estiveste?
Estive.

Estou na reta final da leitura, a dezassete páginas da derradeira, e já estou saudosa, embora saiba que não é livro ou história para ter um final feliz. Há uma certa cumplicidade, ou paixão, que por vezes desenvolvo com os personagens, esse facto é uma das muitas belezas que a leitura pode conter, mesmo que ilusão, mesmo que ficção.

Nota:
O livro do momento, que é também parte dele, o que está na imagem acima, é: 'Estranha Ternura, Miriam Towes

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Lugar (que também pode ser) da musa

Não há medo de ser repetitiva, não no blogue. Sim, li.
Li.
Interrompi a leitura para apontar isto d' agora.
Li.
Interrompi para apontar num papelinho que no veio central das páginas 280/281, onde parara a última vez que me pusera a ler o livro do momento (Estranha Ternura, Miriam Toews), no meio das duas, na junção, havia impurezas que mais pareciam fiapos de borracha de apagar lápis. Pensei um bocado mais, e melhor, e concluí que eram migalhas e partículas doutras espécies que andarão aos rebolões por ali assim dentro da mala, se ademais nos últimos dias o livro viajou, ingloriamente, uma vez que não cheguei a lê-lo, com uma fatura áquatro dobrada em três pelo lado mais comprido, quer isto dizer que havia mais espaço para entrarem impurezas sejam lá que espécie forem.
Li.
Interrompi para apontar num papelinho que já conseguira ler três páginas, que vitória era.
Li.
Interrompi para anotar num papelinho a ideia de pôr asteriscos exatamente em que parte da leitura ou do texto foram entrando pessoas. Tarefa que no momento posterior, que é este, se revela impossível de realizar pela inexatidão de factos com as horas de toda a gente, as minhas letras e as páginas do livro. Contudo, apontei o homem do gelado de copinho, que todos os dias lá vai, um dia fixo se o sabor muda ou então não; apontei muitas senhoras sexagenárias a pedirem café; apontei que o homem do canto, muito velho, se levantou, deixando de fazer número; e agora estou a lembrar-me do homem que lia o jornal com afinco dum tamanhão tal que não lhe cheguei a ver os olhos pousados noutro lugar que não no jornal.
Li.
Interrompi para apontar num papelinho que comecei a sentir-me demasiado inquieta, sou realmente incapaz de permanecer, seja lá onde for, mais do que uns quinze a vinte minutos.
Li.
Interrompi para apontar num papelinho que isso do póstumo, ah, isso do póstumo... Daqui a vinte... sei lá, cinquenta anos será que o meu blogue ainda se deixa ler na internet?
Li.
Parei de ler. Cinco páginas. Mui grande vitória, óié. Fixei o olhar na capa protetora do telemóvel, nos mochos que lá moram: um azul, um rosa, um mocho, uma mocha, a mocha tem até pestanas e, contrariamente ao mocho, tem os olhos fechados, numa atitude vaidosa, senhoril. Mulheres, pá! Pus-me a brincar com a badana de abrir e fechar a capa até me fartar, o que não levou tempo nenhum. Que desassosego. Senti-me da maneira que me sinto inúmeras vezes, especifica e habitual, a maneira. Tenho de observar para me distrair. Tenho de escrever para me distrair. Não é loucura, isso de escrever para me conhecer, para aprender, para compreender. Mas sendo para me distrair... É que não me aguento, percebem. Claro que sim, mas a prosa acaba aqui.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Meio-dia e vinte e um

Vou para almoço não tarda. Não trouxe o livro. Há dias que não trago o livro. Está em casa. Está em casa desde sexta-feira passada, há portanto oito dias que ao livro do momento – Estranha Ternura, Miriam Toews – não avanço a leitura. Aquilo é livro para não se deixar a meio, nada disso de estar muitos dias sem o ler, há um crescendo de emoções e um mundo, um mergulho e um fundo, tenho de estar naquele ponto onde sinto que aquele ponto é o ponto, não posso perder-me noutros meandros, principalmente nos meus, e é precisamento o que está a acontecer.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Ofereço-te este livro

Não sou ciosa da minha biblioteca, às tantas nem é minha, sei lá, não me sinto dona de livro nenhum, não me importo nada de dar livros que estejam nas minhas prateleiras, que é lá isso, principalmente se já os tiver lido. Atualmente sinto vontade de oferecer o livro que li no outono de 2013, 'A Acidental', Ali Smith, e isso deve-se ao facto de ter gostado muito deste livro. Infelizmente, ou então não é nada infelizmente, é que eu sou assim e pronto, cada livro que leio, cada esquecimento que o meu cérebro produz. Sério. Geralmente não retenho na memória factos, nomes ou circunstâncias dos livros que leio, a menos que tenha gostado muito de os ler, mas, ainda assim, não retenho coisas de livros. Do livro em questão neste post apenas me lembrava que era acerca duma família que incluía uma miúda. Deixo já a apreciação final que fiz quando terminei a leitura do mesmo e depois apareço no presente logo abaixo do passado, está bem. Vai ter que estar.

Sem ler
Esqueci-me do livro. Caraças, pá.
O livro do momento ('A Acidental', Ali Smith) retrata uma família em férias numa casa de campo, no seio da qual aparece repentinamente uma intrusa que consegue socializar estranhamente com cada um deles, usando artimanhas e mistérios tais que todos se apaixonam por ela, cada um à sua maneira. |31 de outubro de 2013|

Este ano, aquando das férias, fui lembrando pormenores, não da história, mas dum objeto bastante divulgado: uma câmara de filmar, a tal que nunca captou Âmbar, a personagem principal. É que também ando a captar a vida com uma câmara, construindo histórias, pequenos enredos, sendo que, ademais, fiz uns quantos nas ditas férias. Ora bem, isto passou-se mas veio mais:
id est mare
Pois. No livro a miúda refere amiúde (não quero saber de parecenças de palavras) 'id est', que quer dizer 'isto é' e eu, há cerca de dois anos, andava com a pancada do latim e eis que me deu na tola escrever a frase na praia... Fui buscar a foto:





E eis que este ano, na mesma praia e mais ou menos no mesmo lugar, fiz um filme, que pode ver-se aqui, mais concretamente do segundo 32 ao minuto 1:50, porque me lembrei do livro, da expressão da miúda – id est - e da minha própria expressão – id est mare, porque estava junto ao mar.
Mas agora, voltando à carga, gostei tanto mas tanto deste livro (A Acidental, Ali Smith) que teria o maior prazer em oferecê-lo. Quem o quiser que se chegue à frente, deixe recadinho na caixa de comentários, que eu tratarei da expedição.
Entretanto deixo mais uma alusão que fiz no blogue, onde posso esclarecer que não posso esclarecer (não quero saber se repeti palavras e as deixei demasiado próximas) o que terei eu visto de tão extraordinário para fazer este registo...

Eu vi tudo
Havia câmaras a registar o momento. Solene. Não faltava solenidade ao momento, não. Lembrei-me do livro que andei a ler (A Acidental, Ali Smith) em que uma personagem se esfuma, não deixando registos ou imagens, atravessa e marca profundamente toda a história mas no fim não há provas da sua existência. Mas eu vi tudo. Eu e a freira que ia de passagem. E as câmaras captaram. E está registado, aqui e agora. Bendito blogue, o meu. |12 de dezembro de 2013|

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Leitura

Levei o livro do momento (Estranha Ternura, Miriam Toews) mas não avancei a leitura, au eva: li. Não foi debalde que acrescentei quatrocentos gramas de papel ao meu carrego habitual, onde constam sensivelmente dois mil e quatrocentos gramas. Pois. Não foi debalde, não. É que me lembrei de aquando das férias li o trecho que passo a transcrever:

«Travis explicou-me que Kafka ou alguém assim tinha afirmado que a loucura pode ser definida como a tentativa de uma pessoa em reconciliar a necessidade premente de escrever com a premente convicção de que o silêncio é a resposta mais apropriada.» pág 193

(Ressalvo a ausência de vírgulas no trecho.)
… Senti uma vibração em mim porque é a compactação de muitos dos meus medos e prazeres. Portanto não foi debalde que carreguei o carrego. Bom, o que estou a notar neste preciso momento é que só neste post já me repeti um montão de vezes, daí se percebe um montão (hum-hum, é outra repetição consciente, é) de coisas, tudo bem, nem vou enumerá-las exatamente para não voltar a repetir-me, vou só dizer que não escrevo a contragosto, antes com prazer, sempre, já o ler... ui.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Leitura

Não tenho andado muito entusiasmada com a leitura, mas garanto que a culpa não é da história, eu é que sou uma desconcentrada do caraças.



Estranha ternura, Miriam Toews

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Flores envelhecidas

Sentei-me no banco que está debaixo da árvore amarela e eis que... pumba e coiso, as flores que eu própria lá deixei e acerca das quais falei neste post estavam envelhecidas. Sério, nem caíram do banco abaixo nem nada, lá estavam, envelhecidas, é certo, mas, incrivelmente, sem que tenham saído dali.




Já agora acrescento uma foto espectacular ao blogue. É que quando liguei a máquina captei o que captei e o que captei, captei por acaso, vejam lá que engraçado, ah ah, e vai que considerei esta visão elucidativa, que elucida por conta de se ver parte dum livro dentro duma mala. 'Estranha Ternura' de Miriam Toews, é o livro que ando a ler. Todos os dias falo dele. Olarila. E leio-o também. Pois. Carrego-o de mau grado porque é pesado que se farta, mas leio-o prazerosamente. Dão umas para as outras, como diz a minha mãe.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Lugar da musa

Andei iludida, julgando ter deixado o livro do momento (Estranha Ternura, Miriam Toews) no lugar da musa. Mas não. Enquanto considerei que esse esquecimento efetivamente acontecera, construí montes de textos na minha cabeça, mas não me pus logo a transformá-los em textos vivos por não ter a certeza de ter despejado a mala no estaminé do meu colega e ser lá que o livro estava. E estava. Oh. Até ia ser giro. Para já, seria giro o tema, que se há coisa que nunca me aconteceu foi deixar um livro esquecido. Para depois, seria giro perguntar às meninas 'olhe lá, ontem deixei aqui um livro, não foi? E elas ou uma delas dizer 'foi, está aqui' e estendia-mo enquanto sorria amavelmente. A minha assiduidade àquele lugar da musa já me tornou merecedora de sorrisos amáveis. Há um certo tipo de pessoa que a amabilidade não lhes está logo ali por baixo da pele. A gente, eu, tem, tenho, de esperar, sem alarde, que é lá isso, e lá está a porra da passividade a favorecer-me. É esperar, é-es-pe-rar.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Leitura

Notei hoje, num repente, que a autora do livro do momento (Estranha Ternura, Miriam Toews) quase não usa pontos de interrogação. Ah ah. Para mostrar que os personagens estão a perguntar coisas, ela usa verbos como inquirir, ou então retorquir, verbo este que como se sabe suporta toda e qualquer entoação que a gente queira dar.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Estamos em junho

Hoje li o livro, óié. Não lia há nove dias, óié. À hora do intervalo grande esquecia-me de levar o livro comigo, vai daí pumba e coiso, nove dias sem pôr os olhos no que a outra gente escreve, oh céus.
Deixo três excertos do livro que ando a ler (Estranha Ternura, Miriam Toews). O primeiro, lido hoje, reparei nos ventos de junho que o livro conta, e entretanto conto eu que estamos em junho, Os seguintes, lidos não sei quando, se não sei então não interessa, são passagens que considero muito boas porque me tocaram no coração. Por ordem de apresentação, as páginas são: 81 (junho), 77 (comboio), 63 (ternura).


terça-feira, 24 de maio de 2016

Lugar (que também pode ser) da musa

As cadeiras transparentes são mesmo transparentes. Mesmo, mesmo. Por entre elas pude ver um beijo fogoso e sôfrego dum par composto por gente jovem. Há algum tempo que a transparência daquelas cadeiras não deixava transparecer nada.

Entretanto vou mas é enumerar o estandarte que tenho em cima da mesa aquando da hora de abalar dali.

:::: O livro do momento - Estranha Ternura, Miriam Toews. Ainda não referi isto: comprei este livro em 10 de outubro de 2012, na estação de Metro da Alameda. De há uns anos para cá anoto a data e o local da compra do livro e também rubrico, fica tudo escarrapachado logo na primeira página, aquela que eu chamo de morta, porque acho que está, mas que não sei se toda a gente chama assim ou então não, e já agora preencho-a, quem sabe venha morta para o dono do livro lhe dar vida. Se é, então olha, eu dou.
:::: A carteira grande. Guardo aí tantas mas tantas coisas que guardo também a caneta que anda a uso, bem como a caneta que não anda a uso e que tenho de colocar junto ao caderno de memórias que habitualmente levo quando vou de férias mas ainda não coloquei a caneta e já tinha dito isso, não é. É.
:::: A caneta. Esta caneta é a caneta a que me refiro primeiramente no item anterior e acontece que no item anterior já eu debitei o que tinha a debitar acerca de.
:::: O bloquinho rudimentar. Ao momento o meu bloquinho rudimentar deixou os rudimentos do seu ser, que agora sou fina, uso umas folhas bonitas e recortadas com guilhotina. Um dia voltarei às minhas origens, e aqui a origem é ter um bloquinho de folhinhas rasgadas por mim, advindas de folhas A4 inutilizadas.
:::: A caixa dos óculos. Vazia. Ou por outra, com o paninho de limpar as dedadas e o pó e as lágrimas. As dedadas e as lágrimas são desta que escreve, o pó é que não.
:::: A chávena de café. Vazia. O pires. Sujo. A colher. Limpa. O pacote de açúcar. Intacto.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Silêncio

O livro do momento ('Estranha Ternura', Miriam Toews) mostra o silêncio como aflitivo, portanto gritante. O silêncio é uma coisa desejável, o som do silêncio não.
Ando há que tempos para escrever do som do silêncio que há no blogue. Dói. Não dói sempre mas dói muitas vezes. Dói principalmente porque sou eu que não só o desejo como o procuro, sendo decerto muito boa nisso uma vez que o alcanço facilmente, mas, vai-se a ver, não o suporto. É portanto o meu silêncio o que me dói, é o que é.