quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Na grande loja

Na grande loja, a senhora à minha frente na fila ia pagar muitos canudos de colorido papel de embrulho, fita-cola, sacos e laços também coloridos. Tudo alusivo ao Natal. E eu com uma calças na mão. Cinzentas.

Vida assim

Tossi fortemente durante dez segundos. Ao menos uma vez por hora, em cada dia, tenho que sentir a minha vida toda desfeitinha.

Janelas minhas

O homem das janelas minhas é muito simpático, diligente, emocional, assertivo. E tinha uma caneta vermelha e outra verde em cima da sua secretária, bem como uma outra de cor racional e também uma folha á-quatro com desenhos nessas cores todas. Os desenhos dele são retos, claro está, que o homem lida com janelas, e agora anda com as minhas às costas, mas na cabeça.

Primeiro

Bom dia. São onze e cinquenta e sete. Quase meio-dia. É que logo de manhã, para aí às dez e um quarto, tinha pensado 'hum, hoje não vou escrever porra nenhuma' mas depois deixei de pensar 'hum, hoje não vou escrever porra nenhuma'. Vai daí, olha, pumba e coiso.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

2066

nêspera, ou então outro fruto qualquer

já sabemos

se não queres ser assim, então luta contra isso

As horas que são

São dezassete e cinquenta e oito. Há pouco, no deambular do costume, estaquei para dar passagem a uma ambulância em aflição, vai daí alguém disse 'obrigado' através do microfone. Só por este pequeno episódio se pode ver a pessoa espectacular que sou e as aventuras incríveis que a minha vida contém.

Nunca se larga a essência, seis

Há quem derrame a sua essência num blogue e publique peculiaridades de tal ordem que dificilmente alguém se identifica com o que escreve.
E, por outro lado, há quem num blogue vá facilmente de encontro ao grosso dos costumes, à pessoa com gostos e apetências vulgares, enfim, àquilo que aparentemente todos conseguiríamos facilmente publicar e, portanto, aproximar-se um número incrível de leitores.
Estou no primeiro ponto, longe de me gabar seja lá daquilo que for, garanto que não pretendo tal coisa, podia até dizer 'ai eu cá não sei nada e só escrevo coisas desinteressantes', mas, longe de ironias, estou no primeiro ponto e pronto. Porém há momentos em que queria muito ser igual por conta da companhia que isso traz, mesmo sabendo que jamais conseguirei mudar porque não é essa a minha essência. Mas, e se houver um ponto de equilíbrio entre estes dois pontos?

Pele

Removemos, todas nós, as Ginas que coabitam com a que constrói este blogue, uma pele grossa e ressequida (e amarela) com perícia e prazer. Não, melhor: com enorme perícia e doce prazer. Um blogue podia chamar-se enorme perícia e doce prazer (lembrei-me disto, que querem?) sem mentir, porque os blogues são sustentados com enorme perícia e doce prazer ao menos uns segundos por ano. O meu é (também, pois) o da grafómana em quase todos os dias do ano.

Careta à janela

Hum, ok, vá, vejam, em querendo, mas, não querendo, então não vejam. Com o blogue é igual.

Bananas

Por conta de no fim-de-semana passado quase me ter posto a fazer o meu estrondoso bolo de banana, acabei por comprar muitas bananas e ficar com elas na fruteira. Ora bem, passaram uns quantos dias e as bananas, se há cinco dias já se encontravam boas para bolo, imagine-se agora. É que estão mesmo castanhas, cheirosas e... praticamente podres de tão maduras. Mas as bananas têm isto, a bem dizer não apodrecem, têm sempre uso, mesmo transparentes, mesmo a desfazerem-se, mesmo a parecerem mais uma nhanha que uma banana, na verdade podem sempre ser utilizadas, há inclusive doces e bolos em cuja receita é recomendado que as bananas estejam tão maduras que toda a sua casca se apresente negra. Bom, então vamos lá, será melhor fazer um bolo de banana no próximo sábado ou congelá-las e fazer mas é uma das receitas da revista em que falo no post abaixo? Olhem, vou mas é ponderar muito bem este assunto, tenho mais dois dias para assentar as ideias. Porra pá, a minha vida é mesmo difícil.

Da revista

Olhem, ainda não vos falei da revista Magazine do Continente, cuja temática assenta por sobre culinária e domesticidade, sempre levando em conta os produtos que o próprio supermercado comercializa, traz também cupões de desconto na aquisição do que está exposto dalguma forma na revista, como por exemplo, este mês, as farinhas disto e daquilo. Geralmente sou avessa a comprar revistas de culinária, sinto sempre que é mais um monte de papel que ficará na prateleira à espera de ser lembrado por qualquer motivo. Sei lá, depois acho que as receitas não são novidade nenhuma, o que fazem é lembrar-nos que podemos fazer, por exemplo, costeletas, desta ou daquela forma. Ou seja, não é que eu não saiba cozinhar costeletas grelhadas com rodelas de ananás também grelhadas e arroz basmati aromatizado com coco e limão, sei, só por dizer que nem sempre me lembro de juntar estes sabores ao arroz e nem sempre me lembro que porco e ananás é uma junção muito agradável. E deste exemplo estou a lembrar-me agora, registo já que esta ideia saiu agora mesmo da minha cabeça para o blogue. Ora bem, vamos lá a ver. Então se assim é porque é que eu, sendo avessa a este tipo de revista, me pus a comprar já dois meses seguidos? Basicamente foi porque sim, sei lá, senti um impulso e irresisti-lhe, acontecendo que acabei por gostar muito da revista e aprender bastante.
Da revista de outubro tenho ainda que experimentar uma espécie de dónutes cobertos de caramelo, uma salada quente de abóbora, castanhas e couves de bruxelas, uns croquetes de legumes onde predomina as lentilhas e um pão (que mais parece um bolo, mas pronto...) de manteiga de amendoim e chocolate. Agora do que já experimentei devo dizer que não me ficou na memória grande coisa, é que acabei por explanar toda esta questão da minha vida nos vídeos, e não malembra, 'migos, é que não malembra de mais nada senão do crumble de tomate e queijo feta que experimentei e fiquei maluca com o resultado. Sério. Ó pá, é tão mas tão bom. Basicamente, numa taça que possa ir ao forno, a gente faz uma salada de tomate com tudo aquilo que lhe costumamos colocar (mas não ponham, por exemplo, pepino, ok? é que não coze) , temperando-a inclusive como é nosso costume, colocamos-lhe então por cima uma mistura de pão duro, ou torrado, aos cubos, queijo feta, raspa de limão, sal e pimenta. Bom, estes são os ingredientes básicos do crumble, claro que a gente pode pôr alecrim, orégãos, tomilho, mas cuidado, se temperámos muito bem o tomate, é melhor não carregar grande coisa no crumble. Depois leva-se ao forno para assar o tomate e tostar o crumble. É uma ótima maneira de comer tomate nos dias frios e também de aproveitar uns tomates menos bons, que para saladas frias já não serviriam o propósito tão bem.
Da revista de novembro vou aproveitar montes de receitas, assim haja tempo e barrigas. Há por exemplo bolo de manteiga de amedoim, bolachas interessantes, queques de chocolate branco e framboesas e toda uma catefrada de pães do tipo faça-você-mesma e eu agora ando na enga de fazer pão-eu-mesma. Bom, depois vou dando notícias, presumo eu, ao momento presumo, quero eu dizer.

Imaginação

Imagine-se pataniscas de bacalhau com arroz de feijão. Imagine-se inovação, reviravolta e um certo não querer saber de regras que ainda por cima são perfeitamente quebráveis. Imagine-se que se lhes troca as voltas e se faz pataniscas de feijão com arroz de bacalhau (vi esta ideia num episódio do programa 'Prato do Dia, apresentado pela Filipa Gomes). Agora imagine-se que se pode fazer pataniscas de tudo, mas é que de tudo, e com o arroz se passa a mesmíssima coisa. Pataniscas de pimento vermelho e milho, de cenoura e curgete, de lentilhas... Alto! De lentilhas?! Sim, de lentilhas. O arroz pode ser de atum ou de salmão, quiçá pescada. Pronto, está lançado o repto. Fiz aqui há dias pataniscas de lentilhas, pimento vermelho e milho, que acompanhei com arroz de salmão.

Na avenida

Figura de sempre, no Natal da gente daqui, é o cego que transporta toda uma catrefada de coisas - ele é rádio, ele é assento, ele é caixinha para a esmola, ele é mantinha – e se põe ao meio da avenida a pedir.
Hoje o radio tocava fado - quem sabe amanhã toque corridinho, sempre é mais alegre - e ele pedia esmola baixinho, quase sem esperar, mas esperando na mesma, que sem esperança o mundo não lhe avança.

Lugar (que também pode ser) da musa

Ó Gina, diz lá quantas septuagenárias se encontravam hoje no lugar (que também pode ser) da musa.

Duas.

Continuo sem saber quais é que estavam neste dia ou naquele, mas calhando quererem muito conhecer toda esta envolvência, eu amanhã tomo conta do recado, é pedir, que eu. Hoje estavam então duas septuagenárias à mesa, uma: a mais carismática, a que vê novelas, duas: a que tem cara de atriz principal dos filmes portugueses dos anos sessenta. Esta última despiu-se para mostrar a cicatriz à amiga, só daí já se presume que não se encontrava à mesa nos dois últimos dias. Hum, estou para aqui a pensar, esta vou mas é chamá-la de septuagenária da cicatriz. É isso, vá, e vao duas:
a septuagenária da novela
a septuagenária da cicatriz

Ó Gina, tu tens lido?

Sim. Não. Não.

Anteontem: li umas quatro ou cinco páginas, toda eu muito feliz e assim como que com a vida composta.
Ontem: dois clientes muito bem vindos retiveram-me no estaminé e vai daí o tempo que disponibilizo habitualmente para ler foi gasto a atender dois clientes muito bem vindos, portanto não li.
Hoje: não li, portanto vão dois dias sem. Tive uns afazeres durante o intervalo grande que me impediram de.

Almoço

Por ora a dona Maria Elisa pede a sopa bem quentinha. Fiquei de saber se aquando do julho e do agosto (e outros meses que tais) a sopa seria pedida dessa maneira precisa, mas entretanto passou o verão e nem sequer me lembrei. Ou então é tudo ao contrário, sei lá se dentre as dezenas de posts que já compus e que correspondem à temática 'almoço', não terei efetivamente cumprido esse dever. Tipo assim: ah, olhem lá, agora que é verão e está um calor que não se pode, a dona Maria Elisa dispensa a temperatura elevada também na sua sopinha, ah ah. Em julho ou agosto ia ser assim.

As horas que são

É meio-dia e um quarto. Daqui a nada vou para almoço. Conto filmar outra vez a árvore amarela, hoje até está fixe, chove, e da outra vez o tempo estava soalheiro. Este ano quero fazer um filme contando a queda das folhas da árvore amarela, que são amarelas no outono, daí o cognome nada original que arranjei à árvore. O primeiro filme foi captado a trinta e um de outubro, o segundo aconteceu ontem, oito de novembro, só por dizer que afinal não tinha bateria na máquina, por isso ficou para hoje e ainda bem, uma vez que o dia tem outra cor, como já referi está de chuva. Por um lado estou entusiasmada com este filme, por outro é uma chatice, andam a pavimentar (finalmente!) o quadrado ajardinado onde está a árvore amarela, portanto o que não falta é movimentação por ali. Já tenho referido no blogue que me dava um jeitão ter o lugar como antigamente, desprezado, sim, porém com bancos onde podia sentar-me, estando um deles debaixo da árvore amarela, mas aqui há meses vieram os homens arranjar as ruas ao redor e os bancos foram arrancados, deitando por terra o meu intento, que era alindar a base do tronco da árvore amarela (quantas vezes é que já escrevi árvore amarela só neste post?!) com pedras que recolhi no Mediterrâneo. E queria filmar o ato. E precisava (preciso) do banco para apoiar a máquina. E não o tenho. E depois receio que os melhoramentos por ali assim sejam tantos que me levem a árvore amarela.

Posta-restante
Filmar a árvore amarela, filmei, debaixo de grande banzé, devido à tal movimentação que já referi acima. Não estou contente com o filme; não estou contente com a expedição; não estou contente com; não estou contente. A árvore amarela não é minha, o destino dela não me pertence. Tenho que enfiar este pensamento na cabeça – eu não mando nisto tudo.

Fui às compras

Fui às compras e para tal tomei a direção do nepalês da fruta. Trouxe de lá:
quatrocentos e oitenta e cinco gramas de pêra rocha
quatrocentos e trinta gramas de dióspiro de roer
cento e vinte cinco gramas de gengibre
cento e quarenta gramas de limão
seiscentos e trinta gramas de uva branca
dez gramas de folhas de hortelã

...

não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada não posso estar sentada mas estás sentada

Tenho framboesas, alguém quer?

Afinal estamos em novembro e ainda consegui framboesas do meu produtor especial. São as últimas, disse ele. Quem quisesse, ontem, às dez da noite, num lugar público, era ver-me admirando oito caixas de framboesas com cento e vinte e cinco gramas cada uma, alinhadas em duas filas de quatro, dispostas numa grossa caixa de cartão. É isto, as minhas framboesas e eu. Alguém quer?

Bloquinho rudimentar

Dá uns frutos um bocado podres, o bloquinho rudimentar d' agora. É que as canetas não assentam perfeitamente por sobre o papel, consigo uma caligrafia entrecortada. Ao momento tenho a minha vida desfeitinha.

Dos vídeos

Nos últimos seses gravei alguns vídeos sobre a temática maxiscooter & eu, a pendura & test drive. Entretanto o Luís publicou-os no site do clube a que pertence e eis-me visionada por uma catrefada de gente que gosta de tudo quanto é concernente a motas, mormente opiniões acerca de. É giro, isso de ser vista, mostro a minha partezinha de pessoa comunicativa e disposta a opinar, afinal há opiniões que não aparecem frequentemente ditas por uma mulher, muito menos por uma pendura, o que acaba por ser chamariz, acontecendo, ainda, que, pasmem-se, há pessoas que comentam. Entretanto, há pouco, esteve aqui um senhor desses das motas e, quando me viu, disse logo: 'olha a estrela da tv!' Portanto reconheceu-me, o que acho curtido pra caraças. Enfim, são coisas a que não estou habituada, isso de verem os meus vídeos e tal, pode eventualmente esta simples questão contribuir para.

Dos vídeos

Tenho uma notícia estranh(íssim)a a divulgar: um dos meus vídeos tem quatro mil e não sei quantas visualizações. Sim, mais de quatro mil pessoas aterraram ali, não que eu concorde com a ideia de que todas essas pessoas tenham visto o vídeo até ao fim, qual quê, ademais sei que isto dos cliques funciona um pouco como íman nas netes, quanto mais visualizações se tem mais hipóteses existem de esse endereço ser indicado em pesquisas. Adiante. Ora acontece que o vídeo em questão tem quatro mil e não sei quantas visualizações. Pois. Não é um vídeo de que me orgulhe particularmente, tem mais de meio ano, e meio ano nas netes é muitos anos, atualmente estou mais à vontade na falação, uso filtros menos incapazes e tenho perspetivas e ângulos mais merecedores de atenção. Se hoje em dia os meus vídeos são uma merda, imagine-se há meio ano atrás, principalmente levando em conta que nas netes meio ano é como muitos anos. Mas tenho que fingir bravura e coragem até nas netes, vai daí deixo linque que vai parar ao post onde já em tempos publiquei o dito vídeo que atualmente apresenta quatro mil e não sei quantas visualizações. É aqui, ó.

Primeiro

Bom dia. São dez e quinze. Fui ao lugar escondido na disposição de ver se havia por lá baldes redondos com espremedor que encaixasse bem. Um espremedor que encaixa bem é aquele que resiste ao clique, deixa que o clique se instale e do clique não se move mais, a menos que forcemos, como forçámos o segundo clique desta frase. A minha disposição era também ver das embalagens de água destilada, bem como daquela corda de nailône, grossa e firme, assim a modos que uma corda arisca, vá, tanto que não admite molas de roupa agarradas a si. O lugar escondido tem recantos mil. O lugar escondido tem encantos mil. O lugar escondido tem cheiros mil. O lugar escondido tem cores mil. O lugar escondido tem milhentas coisas.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Post fofinho

Este é um post que não só fecha o dia como deixa os leitores a pensar em mim com carinho e saudade.

As horas que são

São dezoito e dez. Estivemos todos a falar de banhos - imersão, duche, diferenças no prazer e nos gastos, pra que é que isso interessa?, ai eu cá não!, pronto, tipo isso assim. Foi tão bom, depois de falar com muitas pessoas acerca de banhos fico sempre radiante.

...

inútil
fútil
vácuo
ar
fumo
fumaça
nuvem
nevoeiro
luz
escuridão
rascunho
blogue

Lugar (que também pode ser) da musa

Pumba, duas septuagenárias hoje no lugar (que também pode ser) da musa. Lamentavelmente não sou nada observadora, quando não saberia com toda a certeza se eram as mesmas duas septuagenárias d' ontem.

Do placar ao estaminé conto dez minutos, se apeada
A folha que mostro abaixo estava junto ao banco hater

Boião & Tubo

Há o boião vazio de creme e há o tubo com um restozinho de creme. Ora o tubo tendo o creme no fim, acresce um problema, o dito descer e aterrar-me na mão. Geralmente soluciono este problemão com um corte na extremidade oposta à tampa, rapando todo o creme de ambas as partes com que fiquei depois do corte e assim vou gastando até que. Mas então como fazer se o tubo cortado e de partes encaixadas andar aos rebolões dentro da mochila que levo para o Ginásio e que anda no carro dum lado para o outro? Pois, foi por isso que me lembrei do boião vazio e o guardei... Raparei todo o creme, mudá-lo-ei para o boião, boião outra vez porque acho que este post está muito parado, enroscarei muito bem a tampa, guardá-lo-ei na mochila, e transportá-lo-ei tal como fazia quando o tubo estava cheio de creme, só por dizer que transportarei antes o boião. Ao momento tenho a minha vida toda muito bem resolvida.

Rodela

Uma menina estendeu-me uma rodela publicitária e vai que me pus a ler e vai que li: world glass food e vai que era para ler: world class food mas vai que me pus logo a imaginar vidros descendo gargantas e dando conta de pessoas lá por dentro delas e vai que ficavam ensanguentadas mas vai que era só por dentro, portanto: vai que não se via nada e vai que as pessoas gemiam penosamente e vai que não se lhes via mal algum mas vai que uma pessoa, alfim, descortinou o caso. Eu. Eu gosto tanto de escrever. Eu gosto de escrever de sangue e tudo. É que as pessoas gementes tinham engolido vidros. Era, então, isso. Agora íamos todos para o hospital, mas como isto é tudo a fingir não vale a pena.

Dobrando um guardanapo

Num restaurante indiano encontrei o guardanapo dobrado duma maneira sui generis. Note bem: o guardanapo em questão é um retângulo tímido, 39x40cm.
Primeiro passo: dobrar ao meio sem fazer caso do lado
Segundo passo: dobrar uma badana pela metade, indo da ponta à dobra do meio
Terceiro passo: dobrar ao meio no sentido do comprimento apenas para vincar
Quarto passo: anular o terceiro passo
Quinto passo: agarrar nas pontas no sentido do comprimento, levando-as até à dobra que se fez/desfez
Sexto passo: tornar a dobrar pela dobra que se fez/desfez
Sétimo passo: enfiar um jogo de talheres em qualquer uma das bolsas que se conseguiu com tantos passos

Posta-restante:
Lamentavelmente, não sei o que comi nesse dia, nesse restaurante, mas sei que tinha cardamomo, limão, coco, folhas de lima, gengibre, lulas,,,

Os primeiros enfeites de Natal

Em Lisboa, os enfeites de Natal variam de lugar, creio. Tipo assim, ó: se o ano passado as enormes bolas estavam na avenida um, podem tê-las posto este ano na avenida três, e se este ano colocaram as estrelas bigues na avenida dois, então é porque o ano passado as tinham colocado na avenida cinco. Pronto, mais ou menos isto. A alameda nunca recebe enfeites nenhuns. Já repararam que a Alameda Dom Afonso Henriques nunca está enfeitada do Natal que nos ilumina os passos noutras avenidas?
As grandes lojas já mostram todo o esplendor do Natal, a festa começou há tão pouco tempo que os artigos estão ainda todos nas prateleiras, enchendo-as de cor. Ainda. Mal seria se não ficassem vazias. Vão ficar, claro está, o Natal é propício ao gasto desnecessário. Contudo bom, o Natal é uma época boa de sentir e de ver. Eu gosto. E aquilo da hipocrisia, há-a todo o ano, acontece nas ruas todas, até.

A primeira Árvore de Natal

A primeira Árvore de Natal é a gente vir na IP7 como quem vem do lado de lá do rio, mas até nem vir de tão longe, mas quero eu dizer nesse sentido, e no sítio da via em que se vislumbra uma área com mais de um hipermercado, pois que se ergue do lado esquerdo a Árvore de Natal cónica e brilhante, a estrela ao cimo. Já o ano passado falei dela, quem sabe também nos anos atrás tenha falado. E eis que paira a dúvida por sobre todos nós. A mim cabe descortinar o caso.

Agora

Agora toda a gente sabe que eu tenho um lápis de cor branca e outro de cor dourada e nada iguais em comprimento. Agora toda a gente sabe que a rica filha usou muito mais o lápis de cor dourada do que o de cor branca.


Marmelada

No fim-de-semana fiz também marmelada. Se bem que não apresente bembembem a figura que a marmelada tem, acho que lhe coloquei pouco açúcar, resultando, julgo eu por isso, mais num doce de marmelo do que em marmelada. Olhem, seja lá como for, acresce que tenho obrigatoriamente de fazer um bolo de marmelada no próximo fim-de-semana. É isso ou então congelo as taças, é que deu para três e, a julgar pela minha experiência, compotas caseiras ganham bolor rapidamente, ainda que eu tenha posto um açúcar todo maricas, próprio para compotas e assim. Agora estou para aqui a pensar: será que o açúcar maricas presta para compotas mas não para marmelada? Ó pá, se calhar é isso mesmo, vai-se a ver e a marmelada não quer nada com acúcares maricas.

Ó Gina, sempre fizeste o crumble de maçã no fim-de-semana?

Sim.

Foi tão bom. É tão bom recordar. Pus também um marmelo, tal como tinha planeado no blogue, só por dizer que considerei que meio marmelo chegava, e chegou. As maçãs eram gala, que sabor maravilhoso têm, que textura, que crocância. Finalmente matei as saudades de crumble. Foi uma experiência fantástica. Estava tão bom, o doce no ponto, a manteiga a fazer notar a sua presença sem engordurar toda a cobertura, que é o crumble propriamente dito, os pedacinhos de aveia para morder lentamente com os dentes da frente... Já chega.

Ainda

Vem ainda à baila o assunto 'bolo de figos secos' que masqueceu de contar tudinhotudinhotudinho. A receita em que me apoiei da primeira vez veio duma revista que a minha sogra me facultou, ó Gina, vê lá se vês aqui alguma coisa que te interesse, convidou ela. E eu anuí ao convite, folheei a(s) revista(s), interessei-me grandemente por uma parte das receitas e encontrei uma maneira de as reter comigo, na disposição sincera de as experimentar todas. Ora acontece que de há uns anos para cá venho compondo o meu próprio dossiê com as receitas que aparecem na minha vida, tanto pela via 'revistas da sogra', como pelas que vejo na têvê. Nesse dossiê figuram apenas as receitas que valem a pena repetir, as que são mesmomesmomesmo especiais, e geralmente, quando isso acontece, já as tenho publicadas no blogue, sendo que depois é daí que faço o copiar-colar para a folha que imprimo e ponho no dossiê. E para não ter especificado na minha folha a quantidade de ovos, o que aconteceu é que saltei o item. É só isso. Só. Só por dizer que é tanto. Bom, a menos que releve a questão, posso encará-la como desafiadora: eh pá, ó Gina, tu leva mas é isso avante, vá, levanta a cabeça, não me digas que sabes quantos ovos hás-de pôr no bolo?!

Foi logo de manhãzinha, o desmaio

Eu disse palanque e o Clóvis desmaiou para dentro de si. Digo para dentro porque nada se evidenciou na parte de fora, é que não há homem que não desmorone, ao menos lá por dentro, perante a palavra palanque.

Primeiro

Bom dia. São dez e um. 10:01 - capicua. De resto levo a vida a fingir que sou muito feliz e isso assim.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O frio instalou-se

O frio instalou-se, obrigando-me a recorrer às pantufas.




Apresento um prato requentado aos leitores e apreciadores das minhas imagens, é que a foto tem no mínimo seis meses, mas é tão bonita – contém um misto de pose e espotaneidade, quero eu dizer - que serve para amenizar a porra do frio ao presente também.

Bombons

Há uns dias aprendi algo mais acerca de fazer bombons bai mai selfe, e foi no programa do Rudolph ('Doces Iguarias de Rudolph, passa no canal 24 Kitchen). Ora bem, é imprescindível temperar o chocolate. Ou seja, há que: derretê-lo, derramar dois terços na bancada, que preferencialmente deve ser de mármore, arrefecê-lo forçosamente esticando-o com a ajuda duma espátula, isto até ter a temperatura de vinte e seis graus (ó pá, desculpem lá se não é vinte e seis, é que estou para aqui indecisa com o trinta e um...), seguidamente juntar esta porção à outra que ficou esperando na taça, misturar e está pronto a deitar nas forminhas pequeninas com o mimoso formato de bombom. Assim é que é. É que, aprendi eu, derreter o chocolate faz com que se lhe acabe com os cristais de açúcar, e que isso acontecendo jamais o chocolate volta a ter a mesma crocância depois de novamente solidificado, a menos que se deem os passos que mencionei acima. Daí eu já ter experimentado duas vezes fazer bombons e estes apresentarem-se-me muito moles, ainda que passadas horas. Revelaram-se contudo bons de comer, claro está, mas com a consistência da trufa de chocolate. Então vá, não esqueçam o seguinte: a crocância dum doce ou duma bolacha vem do açúcar, o que confere a crocância é o açúcar, daí as bolachas serem muito doces, é-lhes mui necessário o açúcar para atingir aquela crocância característica duma bolachinha disto ou duma bolachinha daquilo, com os bombons idem.

Eu é que

Eu é que caio, eu é que me levanto. Há um qualquer sentido de justiça nisto e eu é que não sei explaná-lo.

Sociedade

Sou antissocial
Vá, agora todos ao contrário:
Sou antissocial
Vá, agora todos:
Sou antissocial

Para



Subi a avenida para ler o latim



Li o latim para subir a avenida


Fila

Na fila onde estive há pouco, uma senhora atrás de mim mexia no seu aparelho-fone-móvel. Reconheci o som: buóque. É tipo assim quando a gente manda dizer que já leu a éssémiésse ou já viu a notificação da rede social que mais aprecia. Pois é, buóque, buóque, buóque, conforme se vai passando/calcando o dedo no visor assim se ouve na sala buóque, buóque, buóque. É um som assim metido para dentro, uma coisa de sapo.

Lápis de cor

Eu disse que ia herdar os lápis da rica filha, não disse? Ó:





Já por aqui andam, no estaminé. Tirei foto antes de os afiar. Tirei foto depois de os afiar mas retendo as aparas. Tirei foto depois de colocar as aparas no lixo mas mantendo as pintinhas dos bicos. Tirei foto aos lápis afiados por sobre uma folha limpa. São tão bonitos, uns mais curtos que outros, o comprimento a fazer as vezes da personalidade de cada um. São tão bonitos. Também tenho canetas, quiçá numa outra oportunidade me dê na cabeça fotografá-las.

Expressões

, não é. É.
, está bem. Está.

Das expressões acima, quero registar que não as tem havido no blogue. Ia curtir saber se alguém lhes sentiu a falta. Eu tenho sentido mais ou menos, ou seja: estou (ou estava, sei lá) um tanto ou quanto viciada nas expressões, mas ocorre que me canso dos meus tiques de escrita e não é pouco, então tenho fases em que me obrigo a não usá-los, só por dizer que o vício é tanto que me lembro constantemente deles. Só que não, para descansar.

efeito bumerangue
tarda e falha
nem sempre
como quem não gosta gostando


Tenho um bocado a mania de me pôr de costas para o sentido em que vem o trânsito,

enquanto espero semáforos com os bonequinhos verdes acesos.

Não, na foto ao lado não estou junto a semáforo nenhum.

Lugar (que também pode ser) da musa

Devido ao frio d' hoje cuidei de não aparecer nenhuma das septuagenárias, no lugar (que também pode ser) da musa. Mas não, qual ausência total, qual quê, chegaram duas, faltavam duas. Duas mais duas dá quatras.

A Popota chegou

A Popota chegou à publicidade da Radio. Popota, a hipopótama mais sensual do reino encantado do supermercado.
«Ela é linda neste Natal, ié...», é a cantiga deste ano.

Já tenho o bacalhau para o Natal

Comprado
Demolhado
Ensacado
Arrecadado
Congelado

Óleos

Ando há que tempos para comprar óleo de coco ao nível alimentar. Vejo em programas de culinária da têvê que é um óleo sem sabor, indicado para bolos, que substitui capazmente qualquer tipo de óleo que a gente coloque nos bolos, que solidifica, que, que, que. Acho que para comprar este tipo de óleo me basta ir a uma loja de produtos brasileiros, e o que não falta aqui à volta é comércio desse tipo. Um dia, 'migos, um dia.

2016

Dois mil e dezasseis, o post do ano corrente.

Ó Gina, então o bolo de fim de semana, estava bom?

Sim.

Acabei por fazer o bolo de figos secos para adoçar a boca dos comensais. Fazê-lo foi até bastante produtivo no seguinte: na receita que tenho no lbogue... ai perdão, blogue não aparece a quantidade de ovos, esqueci-me desse item, de maneiras que sendo assim tenho a receita como que emaranhada. Nada que não se resolva, bem sei, posso apoiar-me nas quantidades dos restantes ingredientes e discorrer quantos ovos serão. Mas não quis. Então o que fiz foi agarrar numa outra receita que sei resultar numa massa densa e portanto desejável, já que convém que a massa seja tenha essa característica para que a fruta não desça durante a cozedura. Mas não copiei a receita integralmente, qual quê, acrescentei uns cem gramas de amêndoa moída para conferir humidade e uma certa leveza, e também porque a tal receita de bolo de figos secos leva amêndoa e, para contrabalançar os líquidos e os sólidos, o que fiz foi acrescentar um ovo.
Estava muito bom, o bolo.
Agora o creme de pasteleiro que eu até tinha dito no lbogue... ai perdão, blogue que o faria para aperaltar o bolo. Bom, não só aperaltar, também melhorar o prazer de comê-lo. Ora bem, eu fazer o creme, fiz, só por dizer que não consultei a minha receita - por preguiça e também por estar certa de ter as quantidades memorizadas, mas não – vai daí pus o dobro do leite, resultando num molho de canela – às vezes troco a baunilha por canela – e não num creme grosso e bom de espalhar. Claro que se comeu o bolo mesmo assim, afinal a diferença estava na consistência. Contudo revelou-se também menos açucarado, claro está, mas do mal, o menos, ora essa.
Estava muito bom, o creme.

Horas & Dia

Horas que vi passar:
de dez e vinte e quatro para dez e vinte e cinco
dez e quarenta e sete para dez e quarenta e oito.
É de um a um, que aparentemente o relógio não salta aos pares. Não é para saltar. Quando dá a maluqueira a um relógio dá-lhe para se atrasar ou adiantar, nunca conheci relógio nenhum que saltasse dois números, o que seria uma questão bem vinda a este dia, por todo o frenesim que uma estranha ocorrência pode fazer crescer. Dia este que se apresenta ao contrário do meu aniversário, que é a onze do sete, mas vai daí hoje é sete do onze.

Primeiro

Bom dia. São dez e dezanove. Estou em falta para com a blogosfera, afinal na sexta-feira despedi-me de todos com um 'até amanhã' e só agora, dois dias e meio depois, é que me apresento na praça. Desculpem. Outra falta imensa é ontem à noite, domingo, não ter pintado as unhas. Desculpem. Entretanto, há pouco, fui ao lugar escondido buscar vaselina e creolina, bem como arrumar os rolinhos de pintura feitos em espuma e o inseticida para o bicho da madeira que levava comigo. Dantes mantinha este lugar como escapatória, o que me levou a torná-lo duma importância tamanha, tanto que foi lá que se me afigurou a forca como alívio, ideia que perdura em fases vulneráveis, nunca se me remetem para o esquecimento as ideias importantes e as grandes questões. A mim, não. Trouxe também, hoje, e agora me lembro, um bloco que ao presente se me afigura inútil ao nível profissional, contudo não ao nível pessoal, pois que o posso aproveitar para rascunhar as merdas do costume. É bloco para começar no novecentos e cinquenta e um e deixar de o ser no mil. Se todavia vos parecer miseráveis estas cinquenta folhinhas, multipliquem-nas por quatro e depois por dois, a ver se não encontram um número upa-upa.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Vigésimo terceiro

Boa noite. São vinte e três e nove. Bem vindos a mais um post e a mais um lbogue... ai perdão, blogue. Há ainda afazeres por cumprir, que nada está completo e terminado. Há que apanhar a roupa do estendal, arrumar a louça da máquina, varrer e lavar o chão da cozinha. Jamais cessará, isto do trabalho é uma coisa tipo 360º, o ponto de partida há-de ser o próximo ponto de chegada e de partida, que há-de ser o ponto de chegada e de partida, que há-de ser. É agora que me calo. 'Não maço mais' é a expressão que me apeteceu escrever, mas que rapidamente encontrei desarrazoada neste contexto, é que um blogue é um algo que só lê quem quer, não vou portanto maçar ninguém. Calo-me então logo a seguir ao «até amanhã, 'migos»

Nunca se larga a essência, cinco

Pretensão: espasmos literários, isto meu. Mais tarde as pipocas a estalar. Mas nem muitos, hoje. Ou sim?
Já me disseram que pareço um carreiro de formigas, os meus posts formando uma fila de azafamadas formiguinhas (eu abro parentesis para acrescentar sinuosos aos meus posts e fecho parentesis a seguir ao próximo é), e que é só escrever e quês, isto meu. Ou disparo de máquina fotográfica, clique aqui, clique ali, mas tipo assim em modo literário, também já me disseram.
Foi deveras bom conhecer alguém que aprecia o meu modo de escrever. Não, eu não estou habituada a tal coisa. Pois.
Imaginem uma mulher aparando uma embalagem de guardanapos porque o plástico está a sobrar, uma vez que já um quinto dos guardanapos foi gasto e ela percebeu que tinha que cortar a o pedaço de plástico que, digamos, crescera. E eis então uma formiguinha encarreirada com as demais. Eis um clique. Eis um assuntozinho para pôr num postzinho dum bloguezinho. 
Esteve aqui um cliente que usou a expressão «e renhau e renhau e renhau» e me remeteu, obviamente sem saber, para a minha figura enquanto bloguer. Tem tudo a ver, 'migos, tem.tudo.a.ver, é que não calo a boca, pá.

pessoas

as pessoas que agradam às pessoas
são as pessoas que ouvem as pessoas
não as pessoas que aconselham as pessoas

Peluches

Temos peluches para guardar em caixas que estão pouco acessíveis, como o caso das caixas onde se guarda toda a sorte de objetos onde raramente se mexe. A rica filha andou a fazer uma limpeza nos seus aposentos e considerou estar na hora de. Andou também limpando as gavetas da sua secretária, que entretanto como que deixou de ser sua, só que não. Há lá canetas e lápis de cor que vou herdar por conta de por vezes desenhar em folhas e digitalizar e também quero usá-los no caderno azul que ela me ofereceu com tanto gosto. Já lá tenho páginas todas coloridas e isso assim. Gosto por exemplo de sublinhar as faltas de supermercado com as cores correspondentes, os tomates a vermelho, os espinafres a verde, os cereais a amarelo. E os peluches vão subir um metro e meio lá em casa. Houve também alguns que a rica ofereceu a uma instituição sua conhecida, onde colabora uma amiga sua de longa data. E também livros infantis para lá foram. Só ficaram connosco os que têm um valor estimativo perfeitamente incalculável. Ó pá, vou ter tantas cores comigo, i-ei.

O caderno

Daquele caderno azul (o que me ofereceu a rica filha, tanto para que eu não escreva nos papelinhos feios, como porque quis, ou, ainda, porque sim) não estou apta a preenchê-lo com o que me der na cabeça. Ando a convencer-me a registar lá as ideias para futuros filmes meus, de resto dificilmente lá porei mais nada do que isso, a par com a lista de supermercado. Ó pá, não consigo. É que estar lá outro tipo de registos, estão, estão por exemplo tópicos para futuros posts e isso, sim, já lá estão vários, mas chateia-me um pouco, isto porque como é para ficar para a posteridade, acabo por ter de escrever 'bem', nada de usar a minha estenografia especial e/mas tola e as abreviaturas do meu costume, qual quê, muito embora eu saiba que ninguém me obriga a escrever isto ou aquilo, quanto mais a escrever 'bem'.

Também posso

Também posso fazer bolachas salgadas!
Também posso fazer crumble de maçã!
Também posso fazer guacamole!
Também posso comprar, alfim, os nachos, para gáudio da rica filha!
Também posso fazer mesmomesmomesmo o bolo de figos secos, amando-lhe com um creme de ovos e de baunilha, vulgo creme de pasteleiro, e fica o caso arrumado mas ainda não acabou a conversa, venho ainda dizer que estou saudosa pra caraças de comer crumble de maçã e que tenho lá em casa uns quantos marmelos e posso juntar um às maçãs, só um, que o marmelo tem a mania de sobressair. Já comprei inclusive as maçãs, mesmo não estando certa de ter tempo de fazer o dito crumble amanhã.

As melhoras

Notou-me tão inquieta que me perguntou se estava dançar. Respondi-lhe que não e acrescentei que não me consigo melhorar-me comigo mesma. Há realmente dias em que desespero com os tremeliques e a ansiedade. Quem me perguntou pela dança mandou a seguinte resposta:
«Assim é sinal que as melhoras não são precisas.»
Orabemorabemorabem, há sempre uma maneira iluminada, uma em que se veja uma questão, não só diferente, como melhor.
Experimentem ligar um interruptor com a base duma garrafa de plástico vazia, a ver se não se divertem. Pois divertem, claro, que o sentimento é o da criança que em vós habita. Ou então não se divertem, que isso de dar guarida à criança é com cada um, e voltámos ao ponto de partida.

Da chuva, outra vez, pois se está de chuva, e pelo espírito da contrariedade, é usar óculos de sol!

Da chuva

Vim à chuva. Quem sabe me entre
– mais -
água nos ouvidos e assim possa retirar
- mais -
cera e passe a ouvir
– ainda -
melhor.

Não é metáfora, poesia, ou mera subtileza, a coisa que escrevi acima. Nada disso. É só mais uma coisa. Não ouço melhor por conta da chuva. Não.

décimo quarto

Boa tarde. São quinze e dezasseis. Bem vindos a mais um post e a mais um lbogue... ai perdão, blogue. Cruzei-me com o barbeiro, o sapateiro e o eletricista mesmo antes de vir para o estaminé. Sério, é que vinha de chaves na mão e tudo.
Boa tarde
Boa tarde
Boa tarde
O barbeiro costumo encontrá-lo na avenida, não aqui, daí a conclusão rápida dele: «ah, veio mais cedo!»,. Mas não, ele é que ia atrasado. Os outros dois costumo também encontrar por aqui, à mesma hora, pois que reabrem à mesma hora que eu.

Dias dum Ginásio


Tanto Ginásio
Tanto Ginásio
Tanto Ginásio...
Ginásio
Ginásio
Ginásio
Ginásio...

Tanto Ginásio
Tanto Ginásio
Tanto Ginásio...
Ginásio
Ginásio
Ginásio
Ginásio...

Dias dum Ginásio

A professora de stretching puxou-me lá para a frente. Gina, venha para aqui. Hum, oh céus, quanto embaraço. Não, ora essa, então se ela me quer ao pé dela é porque... me quer ao pé dela, claro está. Bom, nem por isso, agora já é noite aquando da aula, qual claro, qual quê. Mas fico sempre um bocadinho, ao menos um bocadinho, vá, embaraçada por estar lá à frente, é que sou tudo menos modelo a quem se deve copiar os graciosos movimentos, é que, ó pá, nada graciosos mesmo, os meus movimentos. Há corcunda e não é para haver, há bacia que não desce e é para descer até ao chão, há glúteo que não deixa gémeo chegar lá e é para deixar, há ombro que não vai para trás e é para ir, há mão e pé que entortam por tudo e por nada e é para tê-los e principalmente mantê-los direitinhos. Bom, vamos ao stretching...? Vamos!

2000

Post 2000, nada de deixar passar isto, vá. Dois mil.








2000







!

Cliente

Chove em Lisboa, ó 'migos, ai o que chove em Lisboa. O cliente que saiu há pouco diz que «começando ao meio-dia, é para todo o dia» e a dona Adelina lembrou outro provérbio: «ao meio-dia, carrega ou alivia», mas isso é se a chuva se instalar logo de manhã e não abalar nem por nada, ou então liga muito bem com panoramas de névoa e isso assim.

Plano doce para o fim-de-semana

Há tantos mas tantos planos. Vou ter a mesa cheia no domingo, logo: o bolo tem que ser um dos grandes, por isso já pensei no de banana ou no de cenoura. Qualquer um é fácil de fazer e bom que se farta. Qualquer um tem uma cobertura genial e portanto boa que se farta. Já comprei as bananas mas ainda não comprei as cenouras. Mesmo diante de toda esta dúvida (por causa disto tenho a vida desfeita, nem queiram saber) a inclinação está para o bolo de banana, que o de cenoura é assim como que forte em sabor, tem muitas especiarias, quiçá alguém não aprecie lá muito... É também feito com azeite, o que carrega no sabor, mas posso obviamente trocá-lo por óleo. Bom, não sei lá muito bem, mas julgo que as bananas vão ganhar a parada, se ademais aquela cobertura de natas e caramelo... Ai. Ó pá... a cobertura do bolo de cenoura é feita com queijo mascarpone, natas e canela... Ai.

Post alterado a posteriori:
O Luís quer que eu faça o bolo de figos secos. O Luís diz «faz o bolo de figos secos». O Luís lembra «Gina, faz o bolo de figos secos...» Eu disse ao Luís que há muito tempo que não faço o bolo de figos secos, então o Luís disse para eu fazer os bolo de figos secos vezes tantas que não tem par nem conta.
Ai. Ai. Ai. Por ora não sei nada da minha vida, continuo azamboada com isto.

Ele é hortelã, ele é gengibre, ele é limão

Desfolhei dois caules de hortelã. Nada. Nada não, aroma. Cortei um polegar de gengibre às rodelas. Nada. Nada não, aroma. Cortei um limão em xis avos. Não só aroma, como pingos de sumo, e esses vieram aterrar no meu pescoço. É portanto este o meu perfume d' hoje.

Cores

É sexta-feira e a fraidei d' hoje disseram na Radio que é em azul, ó pá tóin xiru. Azul que é blu, que sendo preta seria bleque, isto naquele inglês, claro está.

Acorda, mulher

O meu despertador tem uns números muito grandes, gigantescos, mesmo. São tão mas tão que a luminosidade de que são capazes me afasta o sono e, se não mo afasta, então piora-lhe a qualidade. Eis que tive portanto uma ideia fantástica, é voltar-lhe a cara para baixo, quero eu dizer a informação luminosa, e acabou a conversa.

1994

Se o post fosse um ano, este era aquele em que o rico filho nasceu.

1993

ah está quase vá lá a ver que já lá vamos e vamos todos mas mesmo todos

1992

então pumba e coiso e vai-se a ver e nada

1991

Se o post fosse um ano, este era aquele em que a rica filha nasceu.

Primeiro

Bom dia. São dez e quarenta e oito. Bem vindos a mais um post e a mais um blogue. Dia chuvoso, mas pouco, este, dia soalheiro, mas pouco, este, dia quente, mas pouco, este. Um pouco disto, daquilo e daqueloutro, portanto. Os bancos na alameda estão quase todos ocupados por pessoas, sinal de que estes poucos pouco importam, uma pessoa move um compressor no sentido de afastar e amontoar as folhas que das árvores caíram nos últimos dias, uma pessoa escreve num lbogue... ai perdão, blogue. No blogue, não num, agora não, no.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Décimo sétimo

Boa noite. São vinte e uma e trina. Bem vindos a mais um post e a mais um blogue.

riso que desce e desvanece

Da grafómana

Quando eu não tiver todo este tempo e não puder digitar freneticamente ao longo de todo um dia e todos os dias de-segunda-a-sexta, vou ser o quê? Eu sou tão grafómana (em mim, não sei se nos outros) mas tão grafómana que num repente me parece que um dia vou ser coisa nenhuma.

De valor

O meu valor assenta sobretudo por sobre o facto de me armar naquilo que sou. Geralmente dizem que gostam do blogue ou do canal porque não me armo naquilo que não sou, portanto só posso concluir que me armo naquilo que sou. Mas falta-me brilho, sinto-lhe a falta, concluo portanto que o brilho está em quem vê. Terei sido eu a conquistar as pessoas? Eu conquistei-vos? É a minha aura que vos domina ou veem-me com os vossos olhos, isto é: como querem? Não respondam, que não carece, sei que é uma perceção mesclada de encantos, vindos daqui e dali, dum e doutro.

Carta aberta aos ricos filhos

Depois vocês perceberão que com anos passados deixarão de ligar a certos pormenores aflitivos e aborrecidos e que agora (este agora é esse depois) é que não lhes ligam.
Sim, vocês agora (voltámos ao presente) ainda ligam a muitos pormenores que consideram aflitivos e aborrecidos, julgando porém não lhes ligar, mas depois (o depois já descrito acima) perceberão que é nessa altura que realmente deixarão. Virá ainda outro tempo em que vocês perceberão que nunca, mas é que nunca, façam o que e como e quando fizerem, jamais deixaram ou deixarão de ligar aos pormenores que vos afligem e vos aborrecem.

Neste caso em especial:
pormenor
é igual a
… quero lá saber o que os outros pensam de mim!
Note-se que:
à data presente, os ricos filhos andam pelos vintes

Funeral

Ora bem, defunta não sou, estou vivinha do á-guê, ainda não sucumbi ao suicídio, pois não, camião algum me abalroou, que é lá isso, nem me engasguei com uma castanha assada, qual quê. Mas então quero eu dizer que o funeral já se deu, e não foi meu (frase dispensável, os mortos não escrevem num lbogue... ai perdão, blogue), usei hoje as últimas folhas das resmas que o tal senhor me deu no tal dia e às quais depois tirei a tal foto. Fotografei então as derradeiras preenchidas com os meus tópicos para mostrar ao mundo isto tudo, ó:




Da folhinha à esquerda, contendo um só tópico, já debitei. Da folhinha à direita, contendo dois tópicos, já debitei o de cima, falta o de baixo, que virá brevemente.

Dos vídeos

Olhem, é assim: naquele vídeo da leiteira ponho-me a dizer que o serviço de chá está completo e depois mais adiante refiro que já se partiram umas quantas chávenas. Gafe. Mas lá fica, mesmo assim, é, a clientela é parca, é.
Olhem, é assim: mando o bitaite ah olhem lá eu naquela estrada andei a xis à hora. Erro crasso; incorrigível. Melhor não publicar, que os senhores agentes, ui, é. Elimina e faz mas é outro relato, é, tomando muita atenção aos números com que falas, ó mulher, é.

Almoço

Almocei oito garfadas de lasanha de bacalhau com nada de bom que a uma lasanha pertence. Fosse a lasanha cheia com tudo de bom que lhe pertence e almoçava o mesmo número de garfadas. O café veio depois, lá no lugar (que também pode ser) da musa, o escrever nos papelinhos idem, o não-ler outrossim, como está aliás já referido dois posts abaixo.

Nono

Boa tarde. São quinze e dez. Bem vindos a mais um post e a mais um blogue. E depois mais nada. Neste post, claro está.

Ó pá, eu e a leitura, pá!

Ah... lerlerlerlerlerlerlerler. Pois. Mais logo vai acontecer. Este post está a ser construído numa espécie de reforço, ou como lembrete, vá, que neste caso funciona diferentemente, porque está guardado num documento de computador, para aqui fica, deslocando-me logo depois aos locais do meu costume e eis que volto, tendo lido, escrito enquanto lido, mas nunca lido enquanto escrito, e/mas volto, chegada aqui tenho como certo vir parar a esta linha, relembro o que agora registo e notarei se li ou então não.

Post alterado a posteriori:
Não li. Qual ler, qual quê. Ca porra. Ca ganda pancada. Mas ca ganda pancada, pá. Era o livro em cima da mesa, era eu escrevendo nos papelinhos, era eu a dizer mudamente ao livro:
«olha 'migo eu já lá vou, deixa-me só apontar esta coisinha que já me jogo a ler-te»
Mas não.

Nunca se larga a essência, quatro

Na Radio, antes de o cantor Lucas Graham cantar os seus '7 Years', o locutor peguntou do que é que eu me lembrava de quando tinha sete anos. Sim, dirigiu-se a mim, ele disse:
«Do que é que se lembra quando tinha sete anos?»
Portanto foi comigo. E eu respondo que me lembro dum post do qual deixo uma parte, ó:

Quando eu tinha sete anos era uma menina tímida. Aí sim, é que eu era tímida. Não me podia a senhora professora chamar ao quadro que toda eu tremia. De medo.
Mas medo porquê?
Medo dos adultos, medo do mundo deles, medo de não saber ser como eles.
De notar que eu não tinha medo de errar a tabuada, eu tinha era medo de não saber ser as coisas que era para eu ser e saber sê-las.
|23 fevereiro 2016|

Voz exterior

Olha ali um rato, disse uma voz fora de mim. Mas não era, era a minha castanha, quando sacudi a mala para tirar os pós a castanha caiu. Não lhe sentira ainda a falta porque não sabia que andava no chão, mas quando desse com o lugar vazio ia sentir, e muito. Preciso que a castanha ande comigo, e muito, não que me seja um talismã, é antes companhia.

Ah, é verdade

Ah, é verdade, olhem só a bonecada que um filtro especial duma rede social das netes pode fazer com a cara desta que escreve:




Nota: o clique pertence à rica filha, o aparelho de clicar também, assim como o usuário daquela rede social, restando-me ainda dizer que o filtro aplicado foi o não-sei-quê..

No lugar escondido... A vida renasce, porque há renascer também no outono

Palavra do dia (disseram na Radio)

Ontem a palavra do dia na Radio Comercial era 'estaminé' e fiquei logo pesarosa com a escolha que teria que fazer e esmoreci tanto que não pesquisei 'estaminé' nos blogues. Sei lá, achei que a pesquisa e a escolha seriam exaustivas, porém hoje acordei com o oposto na ideia. Ó pá, é assim: repesco a primeiríssima vez que publiquei a palavra 'estaminé'. Vou já tratar disso.


Caros clientes:
Tenho o verniz das unhas ainda susceptível de ser riscado e todo o trabalho artístico feito pela Henriqueta será deitado por terra se eu hoje sair daqui com um risquinho no esmalte.
Pedido:
Não me peçam: vasos, alguidares, bichas de espécie nenhuma, cabo d'aço, duplicação de chaves, ou qualquer artigo que tenha de ser retirado de dentro das caixas.
Advertência:
Mas não deixem de cá vir! Peçam-me outras coisas, vá... Toda a classe de embalagens, vassouraria, pincelaria, plásticos e louças. Coisinhas que seja só retirar da prateleira e introduzir no saquinho. E, efectivamente, comprem-nas, sim?
Apresentação e agradecimento:
A humilde e momentaneamente gestora deste estaminé, agradece: Obrigadinha!
|17 março 2011|

Eu de novo, a Gina d' agora, é só para mostrar espanto por só ter começado a escrever estaminé cinco anos depois de ter blogue. Por esta é que eu não esperava.

Deixo hoje isto

Deixo hoje isto da página de diário virtual, ou lá como foi que chamei ontem. Está na hora de tal. Para já, estou cansada do sistema. Para depois, escreveria novamente no título 'Lisboa' e não me apetece, fica assim como que a acabar o jogo, é que até aqui tem sido Lisboa, Loures, Lisboa. O jogo acabou e a vontade também.
Dentro dos costumes em que construo o meu blogue, devo dizer que é confortável ter um só post para publicar, o copiar-colar não cansa, agora imagine-se aqueles dias em que tenho vinte posts para copiar-colar – é, cansa.

Primeiro

Bom dia. São nove e cinquenta e cinco. Bem vindos a mais um post e a mais um blogue. O despertador da rica filha soou com a voz de Drake. O despertador meu soou com a voz de Dua Lipa. Uma cabeça de cão surgiu do meu lado. Uma mão fez-lhe umas festinhas. Uma alegria exagerada, a do cão. Um gosto em revê-la, o meu. É uma cadela, é. Bom dia! Acrescento ainda que de manhãzinha fiquei siderada a olhar para o meu telemóvel. Como já referi, há dias dei um sim ao chat do Facebook e logo aconteceu bonecada no meu visor e sorrisos por parte das primas, sendo que depois ainda avisei o mundo inteiro que a minha lista do Facebook tem também primos nela, ai tem, tem. Isto tudo já eu tinha dito num post de há dias. Entretanto os aparelhos e as netes vão fazendo as atualizações deles e hoje fiquei siderada, pois é, quando me vi confrontada com uma mensagem que uma 'amiga' me enviou em junho de 2012, dizendo mais ou menos assim:
«Comecei a ler o seu blogue desde o princípio. Vou precisar ainda de tempo para ler tudo. Gostava que fosse inteirinho em forma de livro, com as fotos e tudo. Para mim é como se estivesse a ler um livro. Ainda nunca tinha encontrado um blogue que me desse tanto gosto ler. Obrigada.»
Bom, que dizer? Agora nada, que já passaram mais de quatro anos, ademais não sei quem é, coisa que ocorre com frequência no Facebook, a gente sabe lá quem é, conhecemos as primas e os os primos e, e, a gente só sabe que temos esta ou aquela pessoa na lista, e vemos as fotos e os dizeres repassados infinitamente. Contudo sinto que devia responder agradecendo, mas acontece, ainda, que a mensagem se calhar nem era para mim nem nada... Quem sabe as teias das netes se tenham emaranhado todas e eu fui contemplada com uma atenção que não me era dirigida. Mas agora o contrário, pois que sendo para mim, como é? É muito bom. Pela data eu tinha o Verde Água, o blogue dos primórdios, já era grafómana mas desconhecia essa palavra, daí a pessoa dizer que ia precisar de tempo para ler o blogue. Era um blogue extenso. Como este. Como o anterior a este. Quem não põe a alma em grande no blogue?

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Lisboa, 2 de novembro de 2016

Bom dia. São dez e cinquenta e dois. Bem vindos a mais um post e a mais um blogue.

Liabos. No título comecei por digitar Lisboa duma maneira espectacuar - Liabos. Claro que para ser lido como se Lisboa fosse falta-lhe um acento no i, quando não a gente põe o acento no á.

Acrescentei à lista de supermercado: spray limpa-móveis e cereais para a rica filha.

Ainda não registei que ando há dias em modo página de diário virtual. Então vá: ando em modo página de diário virtual. Sendo que - imaginemos então que - uma página de diário virtual é isto que ando a fazer há dias – um montinho de letras com um assunto, quebra de linha, linha nua, montinho de letras com outro assunto, quebra de linha, linha nua, montinho de letras...

Hoje vou ler. Hoje vou ler com a desconcentração habitual. É futuro. Hoje lerei. Hoje lerei com a desconcentração habitual.

Boa tarde. São quinze e três. O mundo tem que saber disto, quando não estarei ausente.

Se as pessoas contarem tudo, faço o quê com a imaginação? É esta a minha ficção.

Ia-me esquecendo de ler o livro, aquando da presença no lugar (que também pode ser) da musa. Sério. Mesmo sério. Pus-me a rabiscar, vejam lá, e quase esquecia o livro, que entretanto já pusera em cima da mesa. Eu a rabiscar coisas nos papelinhos e a deixar o livro de parte, ah que estranho, é que não é nada costume.

A árvore amarela hoje deu-me pena, tantas folhas a menos que tem. Houve poesia no contraste do céu cinzento com as folhas amarelas no cimo dos ramos, trouxe alegria. Também me alegrou as folhas que se despenhavam com o ventinho, como que não fazendo caso do despenhamento que lhes estava a acontecer. O despenhar é para enfatizar a cena, o poeta vê com deslumbramento,o ventinho é para afofar a cena, o poeta é uma nuvem, o poema também.

Sentei-me no banco si. Optei por esse, dispensando o hater, vi que tinha coisas escritas num rosa-vivo e quis usá-lo. O motivo foi esse, foi. Tornaram-se-me ilegíveis, as coisas escritas, creio que não passa duma sigla ou rubrica dalgum adolescente que se julga criativo.
Já sei de cor os bancos:
mãozinhas, hater, nadum, gatafunhos, si, nadois
e hoje foi no si.

A avenida já não ostenta os tapetes roxos. Na segunda-feira, quando a percorri, num repente julguei que regressara a junho, ou que viajara a junho. Mas não, era a festa das bruxas, havia bancas com roupas, doces, bijutarias. Nesse dia, uma jovem benzeu-se quando lhe foi inevitável pisar um dos tapetes. As bruxas e o deus em que se crê misturam-se com um gesto, o de benzer.

Grande novidade: o meu bloquinho não tão rudimentar assim tem apenas duas folhas em branco. Convido vosselências para a cerimónia fúnebre desde já. É amanhã, a menos que a cerimónia fúnebre me tenha a mim como defunta.

Tudo organizadinho, nestes dias, na montra mais pequena do estaminé. 'Tudo organizadinho' foi a expressão que um jovem usou ao observá-la. É montinhos disto e daquilo, tenho a montra atafulhada de frascos, mas aos montinhos. Aos montinhos de soda cáustica, aos montinhos de pó para baratas, aos montinhos de cré, aos montinhos de escovas de unhas, aos montinhos de ceras acrílicas, aos montinhos de pó amarelo. Enfim, é uma montra feita aos montinhos e acabou a conversa.

Nunca é tarde para ser youtuber. Eu explico, oh se explico. É que a Radio Comercial agora anda na onda das astags e a desta semana é #nuncaétardepara, vai daí, olha, nunca é tarde para ser youtuber.
Não tenho visto programas de tv. Uma chatice. Em parte é devido à edição de vídeos, mesmo os meus sendo sofríveis, tomam-me um ror de tempo.

'Estaminé', a palavra do dia d' hoje na Radio Comercial. Nem vou à procura de semelhante tal para republicar aqui, seria penosa a escolha, nem imagino quantas centenas de vezes já a digitei, nem teria graça.

Boa noite. São vinte e duas e dezasseis. É hoje.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Loures, 1 de novembro de 2016

Boa tarde. É meio-dia e trinta e seis.
Já fui a Lisboa e já vim. É. Vim adiante, o carro veloz, estrada, sinalética, túneis. É.
Já amassei o pão, já gravei, já cliquei. É.
Já almocei. É. Tinha para ali um estufado de legumes e um wrap sobrando. É. Enrolá-lo com o algo lá dentro é que não. É. Deitei o morno preparado no morno wrap e não enrolei. É. Mas meti tudo na boca aos poucos. É.

Há filmes em que há cenas em que o personagem se dispõe a escrever um artigo e em que a cena é a decisão estampada no rosto e o frenesim do teclar. A minha vida é (que é) um filme.

Ao meio-dia a sirene soou, portanto já acertaram o relógio dos Bombeiros. Ontem não sei se já. No domingo sei que não.

Fiz gelatina com o (a...? sei lá...!) agar-agar que tinha na despensa há que tempos. Ao contrário das folhas de gelatina, que não podem ferver, esta forma tem que ferver, quando não jamais solidificará.
Procurei, sem resultado, o prazo de validade no pacote, contudo sei, sim sei, que o comprei há que tempos, contudo não sei, pois não sei, quando, contudo sei, sim sei, que foi há muito tempo.
Além de ter colocado o agar-agar no tacho para ferver, tinha já colocado o sumo de meia dúzia de tangerinas, uma manga e uma parte de água, e entretanto tinha já liquidificado tudo. Deu para meio litro de preparado, exatamente o necessário para pôr uma saqueta de agar-agar a atuar com sucesso.

Tenho uma leiteira nos meus pertences. Dantes vivia na sala, resguardada, hoje não. Há uns dias estreei-a para deitar um líquido numa massa de bolo e desde então vive na cozinha, a leiteira. É que é mesmo boa para deitar líquidos em massas, tanto de bolo como doutra coisa qualquer, mesmo que uma coisa salgada e não uma coisa doce como é um bolo.

Bebi café. É. Tão bom. É.

O pão está no forno. Aconteceu um desastre parvo: quis fotografar o amasso, coloquei a massa numa taça de vidro para se ver bem, mas demasiado pequena, que a massa depois cresceu e cresceu. Cresceu tanto que encontrou o pano que a cobria e o sujou de massa crua e fermentada. Felizmente consegui retirar a maior parte. Tenho nove pãezinhos. Quantos teria se? Dez.

Inclinar a cabeça foi bom para descolar a cera dos ouvidos. Quiçá ouça melhor, agora. É que não me apetece pôr música e não está aqui ninguém para me certificar de quão.

Tenho duas varas de arames que não fazem uma de jeito. A pequenina, é isso mesmo: pequenina, sempre que mexo alguma coisa que esteja ao lume quase me queimo, o cabo é muito curto, as varas são como queria e idealizava ao momento da compra, mas o cabo não me serve. A outra é um pouco maior, tem um cabo metálico que foi construído por meio duma mola metálica. O interessante, ou então não, é que uma rodela foi ali posta para deslizar nos arames da vara, de modo a que a vara apequene, o que me faria obter uma vara pequena como a primeira, porém com um cabo maior. Mas não. A força da vara é tão grande que a rodela volta ao ponto de partida.

Cheira bem. É. O nariz funciona, mas, e os ouvidos?

Voltei a fazer a asneira de pôr papel vegetal por baixo do pão, ainda não meti na cabeça que é só pôr farinha no tabuleiro, que ainda que ponha muita e muita farinha em cima do papel vegetal antes das bolinhas, pois que este se pega na mesma.

Dezassete e quarenta e sete. Quase noite, agora. É bem provável que edite este post mais logo. Vamos fazer assim: não havendo mais nada cá por baixo, ficamos aqui, havendo, não ficamos e, nesse caso, até amanhã.