domingo, 30 de setembro de 2018
sábado, 29 de setembro de 2018
Ovos
Ontem à noite passei pelo carro e dei-lhe um grande olá, tipo assim OLÁ! e depois segredei-lhe a dona amanhã pega em ti e vamos ao supermercado. Já tenho ovos. Já estou descansada.
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Véspera de sábado
quinta-feira, 27 de setembro de 2018
Estações
Na estação do Cais do Sodré os azulejos mostram pés e dizem palavras. Se de um lado leio 'estou atrasad', do outro leio 'dasarta uotse'. Isto tem obviamente a sua lógica, é para as pessoas lerem, tanto venham de um lado como do outro, é uma espécie de reversibilidade. Podemos, no entanto, debruçarmo-nos sobre a ausência de ó ou á, de atrasadO ou atrasadA. Pois. Tenho para mim que o artista não se quis sexista, assim dá para tudo. Todos, quero eu dizer.
Na estação do Rossio, quando o comboio parou, a minha janela ficou paredes-meias com um pilar. «Olá pilar», disse eu, mas podia ter dito «olá Pilar» e encontraria outra história, uma mais acompanhada. Por falar nisso, era só olhar para o lado, para o lado em que estão pessoas.
Dias de um Ginásio
Ando há muitas aulas para registar no blogue que a ventoinha daquela sala parece um aranhiço gigantesco. O motor é o corpo, os braços são as pernas e as hélices são não sei o quê, pois que são incomparáveis.
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
Ampulheta
Sabem aquela rodinha que aparece no ecrã dos computadores e que gira-e-gira-e-gira com o intuito de mandar a gente esperar? Ontem, o lá de casa fazia barulho a girá-la. Sério, parecia uma engrenagem com falta de unto. Bai da uei, a grade do estaminé já foi untada nas juntas, a que sobe e desce e a que se deixa estar, e já sobe e desce sem queixas.
O gatinho preto
A vizinha da vizinha Gislena deixou escapar o gato ontem à noite. Hoje, ia a manhã já alta, ainda não o encontrara. Andou a colar folhas de papel nas paredes dos prédios com a fotografia do bicho, o nome por que acode e a rua de onde se escapou e mais aquela com que partilha as traseiras. Eu podia ajudar a vizinha da vizinha Gislena, tirando uma foto à papelada e publicando no lbogue... ai perdão, blogue, mas depois o mundo ficava conhecedor da rua onde ela mora antes do paradeiro do gatinho preto e eu bem sei que as pessoas não gostam que se saiba coisas da vida delas, só se for tipo assim a perda de um gatinho preto ou outro de outra cor qualquer, que eu às vezes bem vejo papéis colados em paredes de prédios e com outras cores de bichos lá escritas.
Almoço
Hoje foi arroz de coelho, que o piano de porco estava já farto de ser roído. Em dias desses, de roer o piano, trinco todas as rodelas de cebola que vêm no prato. Tudo é e está bem, afinal não conto beijar ninguém na boca logo a seguir, só mais tarde.
Lugares sem destaque
Pus os auto-brilhantes a fazerem um semi-círculo e a pomada neutra no meio, como quem finge que o meio-círculo está de círculo por inteiro. Atrás da pomada pus então as tintas para sapatos, para darem os urras e os vivas, e as pomadas das outras cores espalhei-as, só por dizer que não sei para quê. Bom, no fundo no fundo, para ali ficam todos, sem destaque, que ninguém os vai notar. Oh! Triste é a vida dos transparentes!
Diálogo: «Onde está o meu pano?»
O senhor não sabe onde está o meu pano, não?
Como?!
Preciso de saber onde está o meu pano e não sei. E o senhor, sabe?
Eu?! Eu mal sei onde tenho o meu...
(pasmai, que quando um homem não sabe onde lha pára o pano... ai)
Creme de olhos
Nesta vida tudo tem uma história, de modo que, o meu creme de olhos do momento tem-na. Andava para comprar um desses, sim senhoras e senhores, mas entretanto lembrei-me que a rica filha me deu um em modo 'resto', pois que lhe fazia não sei o quê de mau à pele, e eu que o experimentasse, a ver se me fazia sei o quê de bom. Ora esse frasquinho andava aos rebolões no wc do estaminé e passo a explicar por que raio escolhi este lugar para seu poiso. É que num certo dia da semana vou ao Ginásio de manhã e, para eu ir! ao Ginásio, tenho boleia, já para voltar! pois que não e, não tendo, quanto menos coisinhas levar, melhor. Então, estando a minha vida nestes preparos, resolvi deixar o frasquinho encetado no estaminé, que quando cá chegasse, não vinda directamente da esfrega do banho, não senhoras e senhores mas ok, o espalharia, não só ao redor dos olhos como em toda a cara. Bem sei que não é a melhor das coisas a fazer, mas pronto. E ocorria que, em todas as vezes desses dias de ir ao Ginásio de manhã e mais não sei o quê... Eis que me esquecia completamente de todo este esquema. Bem sei que é das piores coisas a esquecer de fazer, mas pronto. Então, um belo dia, lembrei-me de levar daqui o frasquinho e plantá-lo na prateleira do wc doméstico, aquela que tem muitos cremes, e desde há uns dias para cá, pumba, espalho-o, já se sabe que nos olhos, antes de vir para aqui. Falta dizer que, por tudo isto, a minha vida corre pacata e feliz, como sempre, e, a seu tempo, mais histórias pipocarão (quiçá com menos vírgulas em seus finais).
Bom dia!
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