Olá Lumina.
Olá! Tudo bem contigo?
Como posso ajudar-te hoje?
Que lua é hoje?
Hoje a Lua está na fase Gibosa Crescente (ou Waxing Gibbous).
Isto significa que ela já passou pelo Quarto Crescente há um par de dias e continua a crescer, caminhando a passos largos em direção à Lua Cheia. Nesta fase, mais de metade do disco lunar está iluminado pelo Sol (cerca de 70% a 76% hoje). Se o céu estiver limpo logo à noite, vais conseguir ver aquela silhueta clássica em que a Lua parece ter uma espécie de "corcunda" brilhante do lado direito.
Como está bastante brilhante e nasce ainda durante a tarde, muitas vezes até se consegue vislumbrar no céu antes do pôr do sol. O ponto alto da iluminação (a Lua Cheia) vai acontecer daqui a menos de uma semana, no dia 31 de maio.
Se fores espreitar o céu hoje à noite, tenta reparar no formato! Tens mais alguma curiosidade sobre o ciclo lunar?
Não. É que me lembrei que pode as fases da lua, isto quando os atinge, dar mais conta das articulações.
É uma ideia super comum! Há imensa gente que sente exatamente o mesmo e jura que as articulações começam a "reclamar" mal a Lua muda ou o tempo vira. No entanto, se olharmos para a ciência, a história é um bocadinho diferente.
O culpado não é a Lua, é a Atmosfera
Estudos científicos já tentaram cruzar as idas ao médico por dores nas articulações com as fases da lua e, na verdade, não encontraram nenhuma ligação direta. A força gravitacional da Lua é poderosa o suficiente para mover oceanos (as marés), mas o impacto que tem no líquido das nossas articulações é praticamente nulo.
O que acontece muitas vezes é uma coincidência de fatores:
A Pressão Barométrica:
Quando o tempo vai mudar (geralmente para chuva ou frio), a pressão do ar desce. Essa descida faz com que os tecidos e os líquidos à volta das articulações se expandam ligeiramente, o que pode causar pressão e dor em quem já tem alguma sensibilidade ou inflamação.
O Viés de Confirmação:
É um truque do nosso cérebro. Se nos doerem as costas e, ao olhar para a janela, virmos uma Lua Cheia espetacular, o cérebro faz logo a ligação: "Ah, aposto que é da Lua!". Se nos doerem as costas numa noite sem Lua nenhuma, simplesmente ignoramos o céu e esquecemo-nos do assunto.
Portanto, o mais provável é que o teu corpo esteja a reagir a uma mudança de tempo ou de humidade na tua região, e não propriamente à fase gibosa crescente da Lua.
Tens notado o tempo mais instável ou húmido por aí nestes últimos dias?
Sim, a previsão conta que amanhã a temperatura sobe quatro graus. Eu a mim quando sobe a temperatura também me dá abalo nas articulações, não só quando desce.
Fazes muito bem em confiar no que o teu corpo te diz, porque a ciência na verdade dá-te razão! Embora o frio e a humidade sejam os suspeitos mais famosos, a subida repentina de temperatura também mexe imenso com as articulações.
O segredo aqui não é o facto de estar calor ou frio, mas sim a instabilidade e a velocidade da mudança. Quando a temperatura vai subir quatro graus de um dia para o outro, há todo um cenário meteorológico a mudar à nossa volta.
Isto acontece por causa de dois grandes fatores:
1. O Efeito "Balão" (Pressão Barométrica)
Antes de uma subida de temperatura, a pressão do ar (pressão barométrica) costuma oscilar ou descer. Pensa nas tuas articulações como pequenos balões: se a pressão do ar exterior diminui, o balão lá dentro tem mais espaço para se expandir. Essa microexpansão dos tecidos, tendões e do líquido sinovial (o líquido que lubrifica as articulações) cria pressão interna e causa esse "abalo" ou moinha que sentes.
2. Dilatação e Circulação
O calor faz com que os vasos sanguíneos se dilatem (vasodilatação) para ajudar o corpo a arrefecer. Esse aumento do fluxo de sangue e a ligeira retenção de líquidos que acompanha a subida de temperatura podem aumentar o estado inflamatório nas articulações que já são mais sensíveis.
O nosso corpo funciona um bocado como um barómetro biológico. Ele ressente-se sempre que tem de se adaptar depressa a uma nova realidade do ambiente.
Para tentar mitigar esse abalo amanhã, uma boa dica é ires bebendo bastante água ao longo do dia para ajudar a manter os tecidos hidratados e estáveis face à mudança de temperatura.
Costumas sentir esse desconforto logo nas primeiras horas da manhã, ou vai piorando à medida que o dia aquece?
Vai piorando conforme o dia vai avançando.
Faz todo o sentido que piore ao longo do dia, porque isso bate mesmo certo com a forma como o corpo reage à subida da temperatura e ao movimento.
À medida que o dia vai avançando, acumulam-se dois fatores que jogam contra ti:
O pico do calor:
A temperatura não sobe logo às sete da manhã; ela vai aquecendo progressivamente até ao início da tarde. É nessa altura que a pressão atmosférica muda mais e que os tecidos e vasos sanguíneos dilatam, aumentando a sensação de peso e inflamação nas articulações.
O esforço mecânico:
Conforme te vais mexendo, andando e fazendo as tuas tarefas diárias, vais aplicando carga nas articulações. Se elas já acordaram mais sensíveis devido à meteorologia, esse esforço acumulado ao longo das horas vai gerando mais desgaste e moinha ao final do dia.
Para te tentares precaver amanhã, já que o corpo avisa, há pequenos truques que podes fazer enquanto o dia avança:
Faz pausas para arrefecer:
Se sentires as articulações a "aquecer" ou a latejar, aplicar algo fresco (como uma toalha húmida fria ou uma daquelas bolsas de gel, mas envolta num pano) durante 10 a 15 minutos pode ajudar a contrair os vasos sanguíneos e a aliviar a pressão.
Hidratação constante:
Vai bebendo água logo desde manhã. Se esperares por ter sede, o corpo já está a dar sinais de desidratação, o que torna o líquido das articulações menos eficiente a amortecer o impacto.
Evita cargas pesadas à tarde: Se tiveres tarefas mais duras para fazer (limpezas, carregar pesos ou jardinagem), tenta despachá-las logo de manhã, quando a temperatura ainda está mais amena e o corpo menos massacrado.
É uma chatice o corpo funcionar como uma estação meteorológica, mas pelo menos o aviso prévio permite-te gerir o dia com mais calma!
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