quarta-feira, 17 de julho de 2019

Ponderação

Ponderei se em vez dos copos poria as tigelas na máquina. Ganharam os copos, não por serem mais mas porque têm mais rotação.
Se há descoberta agora, é essa de os copos e as tigelas terem aquilo.

Pequeno-almoço

As ameixas amarelas invadiram a minha cozinha. Tenho ainda dois pratos cheios. Ontem fiz crumble com elas.
Não foi iscas nem elas são batatas. Ah ah.
Foi então esse o meu pequeno-almoço.

terça-feira, 16 de julho de 2019

A vida

É para desesperar, ter chamado ao endereço deste blogue bloguenumerooito quando é o nono que tenho. Enganei-me. Hoje faço trinta anos de casada e ocorreu o funeral da minha sogra. Hum-hum, isso. No evento de hoje tanto recebi as condolências como os parabéns. É a vida. De manhã lembrei-me de fazer a essência de baunilha, já havia comprado a vodka e as vagens esperavam há largos meses na despensa. Até o boião estava presente, esperando, assente na prateleira da cozinha, ao lado dos copos e das taças. Dediquei-me então a fazer a essência porque assim punha no dia mais uma coisa boa. Bem sei que é estranho vir para aqui dizer que a minha sogra morreu, principalmente se não me puser em choros sentidos e recordações romantizadas da pessoa que ela foi. Não vou fazer isso, ademais o blogue contém episódios em que a apresento, por ora isso parece-me suficiente e bom. Vou contudo buscar uma circunstância para ficar aqui de companha, um pequenino lembrete que coloquei no lbogue… ai perdão, blogue, um em que tentei reproduzir em letras a sua pronúncia de Silves e também o seu cuidado, quando insisti que a ajudaria nesse fim-de-semana:


E depois tu tens tempo pra fazeres a' tu's coisas? 

Baú


Sonhei que subia uma ladeira forrada a plástico preto, sujo e enlameado, daí o esforço grande que tive de fazer para atingir o cimo. Lá chegada, vi uma casa com um quintal onde se movimentavam livremente cães e galinhas e uma mulher de cara fechada, que estendia a roupa. Perguntei-lhe se podia cortar caminho pelo seu quintal e ela insistiu que o cortasse antes pelo interior da sua casa. E sorriu. E aceitei. E íamos falando.
E agora punha uma chávena de café quentinho e saborosas bolachinhas de manteiga neste sonho, um sofá coçado e um televisor antigo (desligado) em cima do móvel da máquina da costura (recolhida), jarras de porcelana de refugo e poeirentas flores de plástico, mas depois do 'e íamos falando' não me lembro de mais nada. E, a bem dizer, este parágrafo sonhei-o acordada.
|17 Março 2017|


Sonhei que ela encontrou uma placa com um texto escrito em cores garridas. O texto era meu, a mão escrevedora foi a minha. Eu morri... não, eu havia morrido... não, eu morrera e ela encontrara aquilo de mim, do nada, e como sendo um pedaço de arte admirável. Era vê-la (nos sonhos, mesmo que mortos, a gente pode ver reações) a elogiar-me a semântica e a poesia.
Como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, abomino a ideia do póstumo como sobrevalorização daquilo que se foi. O póstumo é menino para remeter tanto para o esquecimento quanto para a glória, ok, tudo bem, mas é uma completa nulidade para os mortos, que aí chegados a gente já não vê nem sente senão em sonhos. É chato.
|11 Dezembro 2017|

6333 posts e 13 florzinhas

segunda-feira, 15 de julho de 2019

YAY!


Decidi colocar a bandeirinha YAY! na mesma jarra que tem o azevinho vai pra meses. É contar quantos vêm do Natal ➟ são sete.

Post sem lamentos

Post sem lamentos mas com lamentos que imagino advindos das equipas vestidas de vermelho e das menstruadas - caso lessem, obviamente, este post -, é que hoje almocei principalmente verdes. A saber: espargos, pepino, pimento, funcho e salsa.

Sonho

Sonhei com camisolas escuras e todo um processo de escolha. Se as melhores estariam nas lojas ou no roupeiro. Se nas lojas, qual escolher para não chocar. Se no roupeiro, qual não escolher a bem do bem.

domingo, 14 de julho de 2019

Boa noite

O momento em que um dia segue outro alvitra que tudo pode acontecer.

esta fotografia é

esta fotografia é datada de 1 de fevereiro de 2019
pertence ao telefone da rica filha e é obviamente da sua autoria
na altura achei-lhe
logo
um piadão e fiz
logo
um post enorme e giríssimo na minha cabeça mas não tratei
logo
de o publicar
entretanto para aqui tem andado
a pobre da fotografia
nos arquivos do computador
de cada vez que me ponho a ver o que para aqui anda que possa ir até ao lixo
olho para a dita e penso
'pá, era giro o post, era, mas… não malembra, é que não malembra' e
logo
o esqueço
fica então aqui
para esquecer de vez
contudo: lembrando para todo o sempre





clareza, acho eu

les petits, presumo eu que a fazerem-se des grands

Bom dia!

sábado, 13 de julho de 2019

De como é bom partilhar

temas de estudio
Bueno, yo te veo desde Uruguay, y cada vez que quiero disfrutar una crema pastelera, miro nuevamente tu video de "la mejor crema pastelera del mundo", he hecho varias recetas y cada una tiene su particularidad, y la que elijo al fin siempre es la tuya, para mí y para mi familia resulta ser la mejor del mundo, en este momento mi hija de 16 años recurrió nuevamente a tu video para hacerme una tarta con duraznos y crema que tanto me gusta, y la va a hacer porque me ama y estamos en vacaciones de invierno en este momento en mi país, las opiniones de la gente son eso, solamente opiniones, desde mi punto de vista, no estás agraviando a nadie, tus videos son agradables y divertidos, no le estás plagiando nada a nadie tampoco, entonces, no dejes de hacer tus videos, con esa buena onda de siempre y cosas ricas!!!!! hay mucha gente negativa en el mundo, pero no pueden pesar más que las positivas, que de hecho gracias a Dios son muchas más, alguien me dijo una vez que pensara cuántos besos se dan en el mundo en un solo segundo, y cuántas bombas explotan (lamentablemente), la bomba se nota porque hace rmucho ruido, los besos son muchísimos más, pero no se escuchan...

Gina Geia
Uau! Que maravilha. O melhor do mundo são as partilhas que fazemos serem frutíferas. Bem hajas, tu e a tua família. Beijos. E em vários segundos 😁❤️


nota:
o primeiro parágrafo é um comentário a um dos meus vídeos, que tem uma receita e que foi o primeiríssimo a ser editado, que até então era tudo assim como que coiso, vá

a brincar, a brincar...

Tenho pensado em





Tenho pensado em imprimir todos os posts acerca das 'Férias 2019...' (olha outro post das férias, iei!!!) e depois oferecer aos meus clientes. Era bem capaz de ficarem todos contentes. Gratos, até. Preencheria todas as lacunas das suas vidas e depois era ver tudo feliz e satisfeito ao meu redor, sem espaço para a tristeza e ou vontade para entristecer. Seria um tempo bom e próspero. Imagine-se uma multidão super feliz, só pode prosperar em vida, né?
Mais ou menos a propósito das minhas férias e mais não sei o quê (pois pois ah pois e vai mais um post que alude às afamadas férias), antes de abalar deixei registado no blogue que haveria de fazer o clafouti de cerejas quando regressasse. Pois bem, já fiz. Usei açúcar daquele muito escuro, que sabe a melaço, ficou bom pra caraças, lambuzei-me toda eu.


dizem que 'as conversas são como as cerejas' e de certo modo está-me implícito que a minha sogra ia gostar muito de ver-me nesta fotografia

Post que ainda está de férias

Se tenho assuntos que ainda me chegam das férias? Tenho. Preferia já ter tudo despachado mas aparecem ainda lembretes que não quero esquecer. Daí serem lembretes, bem sei. Bom. Então.
De Oyonnax registo que me pareceu uma cidade maioritariamente habitada por emigrantes. É não só um lugar muito virado para a indústria, logo: operários, logo: emigrantes, como cheio de gente jovem, logo: trabalhadores, logo: crianças, logo: escolas, logo: burburinho, logo: vida.
Do Luxemburgo falta-me registar que por alturas do pequeno-almoço vejo vir de lá um senhor com uma rosa na mão e vejo-o também a oferecer-ma e ouço-o, ainda, e também o vejo, pois, a fazer uma apresentação que me pareceu referente a um dia especial que se comemorava lá. O cavalheiro em questão expressava-se em francês, mas rápido, portanto não percebi lá grande coisa, só pude concluir o que já expus, se ademais todas as senhoras da sala estavam a levar o mesmo tratamento que eu.

Cumprimentos

Se numa daquelas lojas de a gente andar a ver, a funcionária faz uma indução à compra com um «boa tarde, se desejar ver algum artigo, ou saber alguma informação, diga» o mais que posso fazer é responder «se, direi». Mesmo sob pena de não ser entendida. Acho até que nem me ouviu, quanto mais. Mas pronto, havia a música alta.

de
quando os microfones tinham fio
ou de
quando eu já tinha mamas mas não sabia da sensualidade

Olha o bolo 🎂 aceso

Estive eu ontem de roda 🤸‍♂️ da fotografia 📸 do bolo, uma em que estão as velas acesas e o camandro, disposta a melhorá-la, evidenciando os lumes e destacando brilhos✨ e tapando mãos 🤲 e cortando extremidades, escolhendo filtros e vai que... 😏 Ponho hoje. Era para pôr no post de ontem mas vá, ponho hoje. Agora.





sexta-feira, 12 de julho de 2019

Diário

Recebi uma notificação a dar-me conta que hoje já dei os dez mil passos estipulados pela aplicação que tenho no telefone. E ainda agora é meio-dia. Estipulados, digo eu como anúncio e incentivo ao objectivo e que, neste caso, já o atingi.

Decidi fazer mais um post disso dos 'diário', como, talvez, ainda não dê para perceber. Isto foi escolha por entre isso e os posts precedidos sempre por mais um até ao fim do dia, que é o meu mais comum enquanto pessoa que escreve num blogue. Olhem, estou baralhada com o precedido e o antecedido, não estou a entender o que é que é o quê e se o quê é antes do que o quê ou então é depois.

A maioria das pessoas caminha de cabeça para baixo. Esperem, isto não está bem, não é de cabeça para baixo como que a arrastá-la, é inclinada, como quando se tem vergonha, timidez, tristeza, cansaço ou outra insuportabilidade qualquer, como por exemplo a de si mesmos. Há que tempos ando a notar isso. Passou, mesmo agora, por sobre o pedaço de calçada que é visível quando me encontro atrás do balcão, como agora, mas dizia eu que passou Elisabete Maria, a esotérica, e lá ia ela, de olhos na calçada. Se me tivesse visto ter-me-ia cumprimentado, não duvido, mas assim, não sendo interrompida por ninguém ou por nenhuma questão de sociabilidade, eis que ia no comum do seu caminhar.

Dos jacarandás. Aqueles ao pé do Ginásio já não têm florzinhas nenhumas, os da minha praceta têm poucochinhos e idem para os da rua que tem em si cinquenta e dois jacarandás.

O bolo de aniversário estava bom pra caraças mas faltava-lhe a fruta. Agarrei na receita do Bolo Bakewell e compu-lo todo, dispensando porém as framboesas. Decidi-me assim por conta de nem toda a gente lá de casa curtir fruta nos bolos. Tinha comprado cerejas e havia-as descaroçado, cortado ao meio e temperado com sumo de limão, canela e açúcar. Por acaso o açúcar notei-o, à prova, que era escusado, mas pronto, já estava. Esta mistura acompanharia a fatia de bolo que pertencesse a quem gosta de fruta nos bolos. Mas fez falta os sucos da fruta, o bolo estava um nadinha seco e massudo, tendo-os, humedecê-lo-ia. Pá, e aquilo das velas tombadas foi o que foi. Quando acendi as velinhas, a cera derretida começou a escorrer para cima do bolo. 'Parabéns a você' rápido, rápido e vá, é soprar, eu, e comer, todos.

Dediquei-me um pouco, isto ontem, ao Instagram para fazer histórias, e as que fiz foi acerca do bolo que estava a preparar – ah já fiz isto, ah fiz assim, ah saiu do forno, ah querem um bocadinho? - pronto, coisas assim. Fazer estes filmezinhos fez-me perceber que, se usar os filtros do Instagram, saem em frações de mais ou menos quinze segundos e, querendo eu guardá-los no rolo da minha câmara, será entrecortados que os guardará. É um chatice, pá. Sim, bem sei, a minha vida está cheia de problemas.

Olhem, vou deixar aqui, a título de despedida para este dia, uma questão que ainda vem das férias. Como disse algures durante a viagem, em dada altura descobri que o teclado do telefone me podia sugerir palavras em todas as línguas, era escolher. Escolhi então português, francês e inglês. Entretanto, há dias, lembrei-me de ir clicando nas ditas sugestões nas três línguas, sempre a aceitar, sempre a aceitar, sempre a aceitar e o resultado foi este:

Je suis en France depuis plusieurs mois et je n'ai pas encore eu de retour de votre part concernant la date 13 de mon contrat de travail de mon père et je vous remercie de me faire parvenir les documents nécessaires à la bonne réception de mon contrat de travail et de la France en attente de votre réponse et je vous souhaite une bonne journée et une bonne journée et une bonne journée à vous deux et à bientôt j'espère que vous êtes tous très bientôt... Oh mon dieu de la France. Je vous remercie de votre réponse 4...
Começar a fazer o mesmo que eu gostaria de lá ir de vez em quando e que são de um tipo que o meu amado telefone se opõe de a gasolineira mim de estar sempre presente em relação a mim mesma que eu gostaria de lá estar no dia em que eu fosse feliz e que são de um tipo quê de vontade que me lembrei do facto de eu estar a cantar precisamente o verso da canção e a Europa sempre comigo e com a minha vida me ensinou a ser feliz e de ter feito um bom trabalho e que me lembrei de ti e da minha vida que me lembrei do facto de ter sido um dia de cada vez mais estrangeira e a Europa sempre conseguiu fazer o melhor possível para que outros possam ser felizes e que são de uma forma simples de fazer as pessoas com mais vontade…
Let's the world in the world of the world and the world of the world and how you have a great time to have your business experience with your family the most exiting years and you are the best and most important part of your life with the best life in the industry for these people to work is the way they do things and they will always have to do something to help you succeed in your business and to be successful in the future...



ó pá tóin xiru, pois é?
então boa noite
pois então até amanhã




quinta-feira, 11 de julho de 2019

Diário

Lisboa, 10 de Julho de 2019, último dia com 50 anos

Antes de mais, explicar isto. Algures no passado estipulei que durante dois dias construiria um diário, id est, o dia antes e o dia depois do meu aniversário. Chegou então a data de tão importante evento.

Estive há pouco na Carminho a tratar de umas questões muito dadas a belas serem. Sentada no trono, olhei para a avenida e apareceram automóveis no meu campo de visão, que subiam. Aquilo fez-me esquisita, então mas ali não é para os ditos descerem...? Mau maria. Querem ver que estou outra vez atravessada por espelhos que se contradizem? Inspecionei a janela para ver se era espelhada ou coisa assim. Não era. Estava escancarada, a nitidez era mais que muita. E foi então que percebi que a perspectiva que eu tinha na frente não era a mesma que eu estava a imaginar. - Sim, eu imagino perspectivas e cenas e diálogos e pessoas, às vezes tenho um bocado a mania. - Vai daí assentei a cabeça e aceitei que não tinha razão no imaginário – foi uma epifania, vá, vá que isso é giro – e notei que a entrada do prédio onde me encontrava é recuada, o que faz as casas recuarem, o que faz com que dali se aviste a subida da avenida ao invés da descida. Subidas e descidas são invéses de sis, percebi eu neste repente.

Sabem que no outro dia revi duas das septuagenárias? Não sabem, né? Pois. Mas eu gosto de vocês na mesma. E sim, revi-as, recordando assim toda uma época da minha vida em que frequentava o lugar da musa. Lembram-se do lugar da musa? Ah, ora essa, se não se lembram eu gosto de vocês na mesma. Estão iguais, as septuagenárias. Foi a da novela e a da camisola, as que revi. A da novela é toda rebitesa, a da camisola parece contentinha. Notem bem: uma é e a outra parece. Incrível como nem sempre as pessoas demonstram o que são por dentro. Pelo menos não rapidamente. E pode até a rebitesa ser uma mole e a contentinha uma triste, se em situações diferentes, se em vez de estarem numa badalada esplanada da avenida estivessem na mesa de um café situado numa rua pobre e escondida. Poderiam ser diferentes. Acho.

Tenho umas saudades do caraças da árvore amarela. Sério. Já não vai ser com 50 anos que a vou visitar. Há para aí duas semanas que a revi e achei-a um bocado estranha, como se o seu famoso cotovelo tivesse mudado de rumo e de cotovelo tivesse agora menos em aspecto disso. Ainda me lembrei de ir pesquisar a última fotografia que lhe tirei para comparar mas entretanto tenho-me esquecido. Se calhar, essas diferenças aconteceram por conta dos ramos que lhe cortaram aqui há atrasado e, agora que o Verão entrou, nota-se-lhe coisas. Sei lá, parecia que o cotovelo estava nu. Não parecia, estava mesmo, só por dizer que podia já estar assim e eu não ter dado por isso.

Este post está a ser construído com base em circunstâncias com dias de acontecidas e ou pensadas. Não era isto que tinha idealizado para este post mas paciência, afinal um diário é composto pelo que subir ao pensamento no momento. Ou descer. Se calhar desce mas é. A musa desce e tal... Dizem. O lugar da musa (lá vou eu para o passado) não existe agora. Já lá não vou há que tempos. Obviamente não é por isso que vou deixar de escrever, afinal a vontade é à parte de lugares, para a pessoa que escreve neste blogue tanto faz onde está.
Sua majestade manda dizer-vos que 'está cá uma brasa! puxa!' Ao menos isto é deste dia. Não mandou nada, que é lá isso, só que coincidiu o desabafo dele com a engorda deste post.

Agora venho falar-vos do futuro. E agora falo eu. Devia arranjar coragem para que na próxima consulta pudesse conseguir (olha só a construção da frase, confusa que está) pedir ao senhor doutor que não pusesse a música em som de fundo porque gosto mais de ouvir os sons, tanto os de fora como os de dentro. A parte social da vida é uma merda. A música entristece-me, a verdade é essa, mas não posso dizer isto a ninguém. Ou não convém ou é desaconselhado ou vou por minha vez entristecer alguém com as minhas sinceridades despojadas de bom senso e completamente impreparadas. Oh ca porra. No blogue é igual, há sempre cuidados a ter para não ofender e ou assustar, mesmo estando longe dessa intenção. É tal e qual como a vida no presencial e no social, há normas comportamentais, nunca se é inteiramente livre. É certo que para uns é de uma maneira e para outros de outra, mas não somos livres. Há também o esperável, o que para mim é do mais castrador que há.

Pá, assim tipo de resto e coiso... Olhem, o dia vai a dois terços, já não terei assim tanto tempo para pôr as ideias ao fresco, contudo cá estou. Já agora, uma coisinha, sempre que me ponho a escrever e a escrever, conseguindo assim um post enorme, tendo a alcançar um certo estado de pureza. Para já, porque escrever muito me faz muito escrever e o texto cresce e cresce, para depois, um post comprido aborrece a maioria das pessoas e assim dificilmente alguém chega ao fim ou quase ao fim, o que faz com que sinta coragem de expor coisas que num post pequeno não exporia. Escrever algumas coisas (obviamente falo das que habitualmente não escrevo) ser-me-ia benéfico, desabafaria, o que me aliviaria, ademais a sensação que tenho de que vou ser ouvida é animadora. E não é pouco. Normalmente é isto o que acontece.

Bom, hoje estou fartinha de escrever e é bem provável que amanhã o despacho que darei à escrita não seja tão frutífero.



Loures, 11 de Julho de 2019, primeiro dia com 51 anos 

E já cá estou! 51. Ena. Agora tenho que ir ao supermercado comprar coisinhas muito boas. Ah, espera lá, então e a piada dos 15? Não são 51,são 25... Ai perdão, 15.

São agora duas da tarde. Fui ao supermercado mas, como o intervalo entre visitas alargou, as faltas eram mais e maiores, acrescendo ainda o jantar especial para mais logo, resultando tudo isto numa demora maior por lá. Chegada a casa e a postos para arrumar as compras, deparei-me com um frigorífico vazio e sujo. Nada melhor do que passar o paninho em todas as prateleiras quando há tão poucos géneros, né? Preparei a água e pus-me a esfregar. Nada de mais, só tipo assim coiso, que as compras aqueciam nos sacos e havia ainda coisas a aquecer dentro do carro. A propósito, está um calor que não se pode.

Entretanto não sei o que vestir. De manhã tinha-me posto a ver das saias, que isto de andar sempre de mota leva-me a desperdiçar o seu uso, e hoje podia dar vazão às saudades, e lembrei-me de uma amarela que era capaz de ficar bem com a blusinha que comprei para estrear neste dia e mais não sei o quê. Levando em conta aquilo dos quilos, acontece que o cós da saia não se mantém na cintura, descendo mais que muito. Pois. Estava eu a pensar ah e tal aquela saia é tão gira e com o feitio que tem é capaz de coiso. Mas não. Pronto, tenho que me render às calças e acompanhá-las com a blusinha. Sim, bem sei, a minha vida é cheia de problemas.

Outro ganda próblâme é que masqueceu de comprar velas. Aconteceu porém e contudo que tive uma ideia excelente mas nem por isso bonita. Aqui em casa, procurei por velas de aniversário, daquelas piriris, e encontrei umas quantas dentro de um frasquinho cá dos meus. Idealizei logo que desenharia um 51 com elas. Portanto: desenhar, desenhei, só que não se nota que é esse número, parece simplesmente uma quantidade de velas espetadas sem assunto nenhum, ao acaso da vontade desta que escreve. Tenho até fotografia para verdes como é e está.





Hum-hum. Isso. as velas tombaram. Notem bem: enquanto eu escrevia sábia e diligentemente o parágrafo acima, eis que tombaram. Torres de tombo. Velas de tombo. Cá pra mim inda tavó bolo quente e amoleceu-as. Ai. Qual 51, qual quê. Só mesmo na idade, que no bolo não. Mas olhem que o dia está a correr-me bem, hoje ainda não deixei pegar fogo a nada e no outro dia foi um guardanapo que se me incendiou por tê-lo deixado muito perto da chama do fogão. Ainda tenho que o ir lavar. E eu que tinha pensado: ai ó pá, se calhar inda vou ter tempo de adiantar já a limpeza do fim-de-semana. Mas não. Não vai dar, a menos que não escreva estes supremos interesses no blogue. E está portanto a ver-se qual a escolha que fiz, né? Tenho que ir passear o cão.

São agora altas horas da noite. Entretano já não pude vir para aqui arejar as ideias. De momento está a dar-me vontade de amanhã escrever o rescaldo destes dias e ou tudo quanto não pude escrever e ou então as coisinhazinhas do costume. Boa noite. Até amanhã.