sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Couve roxa

A couve roxa é ácida e tão dura que leva montes de tempo a dar-se por cozida. Pu-la na sopa e ficou esquisita. É bom, o seu gostinho, tudo bem, eu cá gosto, mas. Logo à noite tenho lá um restinho para sorver, oxalá não tenha azedado no entre dos tantos.

canção da rua

indo eu indo eu
subindo a avenida
um senhor me cantou:
rá pá pá pó
a alegria em todas as sílabas
tudo bem
mas
o érre palatal fez a glória do momento

Grande novidade

A Discoteca Roma será brevemente uma fina padaria; um requintado salão de chá; um recesso de alegre estar. É que eu vi os frisos de um balcão por entre a papelada que ainda reveste as montras, e era bórdô, e, o dito revestimento ser na cor bege e não feito de desatualizadas folhas do Correio da Manhã, indica uma dessas três hipóteses.

Diário da indecisão

Lisboa, 16 de novembro de 2017
[fui a Belém e havia funeral e cavalos e senhores agentes e telemóveis e máquinas fotografando e filmando e trânsito cortado em algumas vias e comi pastéis de nata daqueles que são daqueles daquele lugar]
Vai daí...
Este fim-de-semana vou mas é fazer pastéis de nata, que eu também sei como é. Só ainda não experimentei fazer eu mesma a massa folhada, é que tenho medo - e bicho-cão que ladra quando vem gente não pertencente à matilha – de me dar cabo do recheio. Que este, parecendo que é a parte fundamental, deixará rapiadamente de o ser perante uma massa grossa ou seca ou mole.
E o Tejo, ó Gina?
Lindo e brilhante de manhã, brilhante e lindo de tarde. Acrescentar mais o quê, né?, ando mas é a arrastar-me pelo assunto e a fuçar no assunto, é o que é.
Lisboa, 17 de novembro de 2017
Vou fazer antes bolo-rei rápido. Não. Vou fazer pães-doces. Não. Vou fazer crumble de maçã e pedacinhos de marmelada. Esta é a estação da maçã, da canela, da marmelada, das tartes com frutas de polpa rija. Será que tudo o que seja maçãs/marmelos/peras têm um grupo cujo nome se apresenta tipo assim em latim e coiso?
Agora a sério, vou fazer bolo-rei rápido e passo a explicar porquê. É que anda-me pela despensa alguns ingredientes que quero/devo usar o quanto antes. Trata-se de gengibre cristalizado e coco e ananás desidratado. Relativamente a estes últimos, não estou certa de ficarem bem num bolo como este, pois a secura não é bem-vinda por essas massas, que se aveludam mais pela humidade dos frutos cristalizados do que pela gordura que, ainda assim, contém. 
Faço mas é um bolo de maçã? Hum. Daqueles simplezinhos, de quatro por quatro, temperado como me apetecer ao momento, por acréscimo cubinhos de maçã? Hum. Canela em pó.

Graminhas

Este é um post atrasado, que ontem não anunciei o peso do que comprei na frutaria do nepalês.
dois mil e sessenta gramas de laranjas
quinhentos e trinta e cinco gramas de dióspiros

Cenas

De manhãzinha, a rica filha despediu-se:
»» Até logo, felicidades nas vossas cenas.
Amandei-me:
»» Então, para ti, cenas fixes.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Cidade

A cidade são tiras e tiras e tiras.
ruas, passeios, passadeiras, muros, varandas, portas, janelas, , , , , , , , , ,

Estou habituada

O horário não se me mudou. Ah. De resto, muito mudou. Estava habituada a, e passo a republicar um post de outros tempos:

A quem me acolher:
Estou habituada a entrar à hora que quero
Estou habituada a sair à hora que não quero
Estou habituada a encomendar mercadoria de grande rotação
Estou habituada a encomendar as novidades do mercado
Estou habituada a dispor de autonomia em noventa por cento da logística que mantém o estaminé
Estou habituada a um lugar escondido para ouvir música
Estou habituada a um pátio para tirar fotografias
Estou habituada a uma secretária de madeira prensada
Estou habituada a uma cadeira giratória
Estou habituada a um computador básico
Estou habituada a escrever no computador
Estou habituada a editar o que escrevo

Estou habituada a usufruir cada uma das partes acima descritas. Aqui e agora, ou então do lado de lá e daqui a nada.
|28 julho 2017|




E cá ando eu, por habituar, esperançada de me habituar a viver.





Coordenadas

Outra vez o meu telemóvel, pois é, que ele anda com cenas, que de maradas nada têm, mas pronto, e vai que quando ligo as netes me manda dizer coisas de autocarros e comboios e assim, não duvidando eu que requisitei esse serviço (tipo assim como que mais ou menos) gratuito (afinal a gente paga essa merda toda, né?), muito embora tenha sido inadvertidamente, pois eu cá não preciso dos horários dos transportes públicos, mas. Mas quero anunciar que por baixo da informação atualizada nos termos que já referi, e aqui é que está a cena, vêm duas opções de escolha (como se eu quisesse/precisasse de escolher dali) uma mão fechada com o polegar para baixo, simulando descontentamento no facto de o mundo inteiro me saber ali, tanto que acrescenta a frase: «eu não estou aqui», e uma mão fechada com o polegar para cima, querendo dizer «ai ó pá, ó malta, eu estou aqui, venham cá ter comigo, que a gente bebe aí uns canecos, caneco!»

Sonhei com a minha amiga

Estava eu muito bem a sonhar com a minha amiga, conversando calmamente – eu disse conversando; eu disse calmamente – os assuntos eram interessantes para ambas e tal, e vai que na sequência disto nos separámos e fomos cada uma à própria vidinha, alegre, compenetrada e pacificamente. Na sequência da sequência anterior, eis que a minha amiga lhe deve ter dado um sono do caraças, que a vi dormindo descansadamente – algures, sei lá onde, na rua?, ressalvo que relato um sonho – e, ao passar por ela e vendo que dormia – hum, acho que era no chão da rua, já referi que isto aqui é um sonho... - muda ia e calada passei. Dias depois contei-lhe que a vira dormindo mas, não querendo incomodar, não lhe falei. Ela respondeu tão secamente quanto conseguirdes imaginar:
Então, não queres falar, não fales!
Com tudo e por tanto, quero então dizer que isto era um sonho e que os sonhos imitam a vida e a arte imita os sonhos, mas pobremente, e também imita a vida, mas a enriquece despudoradamente, e só não põe pontinhos cintilantes em histórias quem não as tem ou as não conta.

Lugar da musa

Não havia lugar no lugar da musa, não dentro, apenas fora. O moço que me serviu, vendo-me dirigir-me à esplanada, agarrou no cinzeiro e perguntou:
A senhora vai fumar?
(Não 'migo, a senhora não vai fumar...)
Na mesa de fora havia um dos tais vasinhos verde-água com hortelã. O cheiro da dita era quase impercetível, estive vai-não-vai para pisar uma com a unha a ver se o odor se libertava intensamente mas não tive coragem. De há uns tempos para cá não consigo destruir plantas e assim. Já pensei, e isto é um exemplo, em arrancar uma folha da árvore amarela para vos mostrar como ela este ano não quer amarelar de vez, mas não consigo. Tudo bem que podia apanhar uma folha do chão, serviria perfeitamente de amostra para este registo, não deixam de ser folhas da árvore amarela, mas não é a mesma coisa, sei lá, as folhas que estão no chão estão lá porque estão efetivamente mortas, apodreceram até não poderem viver mais, caíram, pumba.
Só mais uma coisinhazinha: diz-se que a salsa é uma erva tímida, que solta os aromas somente depois de cortada, quer isto dizer espevitada, jamais se manifestará se a gente não se meter com ela. Assim será, então, a hortelã?
Uma outra coisinhazinha, sóssóssó mais uma:
Aqui há dias, lá no lugar da musa, ofereceram-me um pedacinho de bolo-rainha, que aquela era a sua receita, que andavam a sondar a os clientes, a ver se tomam esse caminho em termos de ingredientes e quantidades do dito e mais não sei o quê. Fiquei toda coisa, ó pá e italital. Provei então o pedacinho e achei-o bom pra caraças. Eu cá é assim: quando provo alguma coisa e considero que não faria melhor, para mim é bom, é muito bom, é ótimo. E era, era mesmo. Mas engasguei-me. E na altura eu andava constipada, de maneiras que tosse com tosse deu em aflição tão aflitiva que até se me corriam as lágrimas cara abaixo. E era eu a querer controlar aquilo e aquilo a não me deixar. É que se me durou tanto tempo o engasgo que começou a parecer-me estúpido continuar ali. Contudo, era-me fundamental opinar vocalmente. E lá fui eu. Dizer, disse. Mas. Voz presa e entrecortada, dois males. Olhe, disse eu com aquela voz, está muito bom, não tem nada a mais nem a menos. Não sei se perceberam e sei que não fizeram cara de não ter percebido, mas.

Cartãozinho

Agora já sou uma cidadã daquelas com cartão para despejar o lixo. Isto se a cidadania for referente a Lisboa, que lá pela saloiada ainda não se viu tamanha modernidade. Mas olhem que é giro a gente ter um cartão pra pôr o lixo no lixo, tá? A ver é se na próxima vez que usar o magnetismo do meu cartão não seguro na mesma mão o saquinho dos despojos e o porta-moedas. É que se me acontece confundir um com o outro... Olhem que aquilo é fundo, tá? Tudo bem que o cartãozinho tem lá um oitocentos-e-oito para a gente ligar em caso de uma calamidade qualquer, mas pronto, nada como desconhecer totalmente se alguém atende aquele númbaro, né?

131

O perfurador de papel faz hoje cento e trinta e um anos, diz mister Google. Surripiei-lhe a imagem, por vezes tenho essa atitude, que é deveras singular.


Degraus

Ó Gina, quantos degraus estavam hoje?
20
Hum-hum
Lisboa, praça de Londres, 14:32, 20 degraus

Pontuação

Este post ficava lindo com o título...

Pontuando a AVENIDA!

Mas não. Ora bem, é irdes à avenida de Roma, Lisboa, junto ao número 17, a ver se não encontrais um ponto de exclamação, num pedacinho de parede, gigantão e vermelhudo.

Tampão

Na rua mais feia de Lisboa, rente e por entre os números dez e onze, está um aplicador de tampão. Quem estiver precisada de um, é vir buscar.

Rascunho*

Mas, seja lá como for, a vida todos os dias corre e elas vão-se amparando e - não duvido que - aturando.

*rascunho como que em complemento ao post anterior

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

És a mais

Lá ia dona Odete e mais su prime de que não sei nome. Ah, esperem, não é prime, é cunhade. Havia de ser ex-cunhade, que dona Odete é viúve.

Latim

Não fui ver o latim. Era cumprimento. É foco. É foco na falta.

Folhas

O lugar da musa encontra-se encerrado, acontece assim em cada segunda-feira, a ver se descansa o pessoal daquele trabalho, e, vai daí, deu tempo de me sentar num dos bancos da rua mais bonita de Lisboa. Estou tão desabituada de lá pousar que não tenho como certa qual a árvore a que demoradamente observei as folhas. Estão amareladas, o que não admira, ora essa, a gente está no outono, logo: as árvores desta cidade estão também. Contudo, na copa estava um ramo com umas folhas totalmente castanhas e aparentemente secas. Sabem o que é?, é que foram as primeiras a nascer, e eu, sabendo (como não sei, mas adiante, a história é minha, conto-a como quiser) que a Natureza tem o mais apurado sentido de justeza, é obviamente por isso que são aquelas as primeiras a morrer. Mas ainda não caíram, não, lá estão elas, resistentes. Vejo-as, também, teimosas. Hum, isso aí é da poesia, acho eu.

Minúcia

Também de manhã, estive de roda de um trabalho minucioso. Não descansei enquanto não o terminei, queria ir de almoço descansadinha da minha vida, sem pensar em minúcias daquelas, o desprazer do trabalho toldando a poesia que sinto sempre que observo minuciosamente a árvore amarela. Já viram?, não podia mesmo ser, né?

Casinha-de-banho

De manhã andei ocupadíssima com as nalgas&etc do pessoal deste espaço comercial, tanto que lambi o mais que pude - de sanita a paredes, passando pelo chão e até a porta – da casinha-de-banho. De maneiras que, ocorrendo o pedido de algum cliente/conhecido/visitante/transeunte, isto aquando de intestinos e/ou bexiga em iminência de perdas involuntárias, já se pode. É que dantes não se podia. Sério.

Graminhas

160 gr* de alhos
140 gr de gengibre
630 gr de maçãs
765 gr de bananas
1710 gr de laranjas
150 gr de sementes de sésamo

Pumba!, as sementes já me desapareceram da listinha de supermercado!
Pumba!, voltei a questionar-me por que raio nessa tal listinha consta, há sei lá quantas semanas, manteiga de amendoim, com a anotação de ser para uma receita a experimentar. Hum, ok, vá, a manteiga de amendoim, quero-a para uma receita em particular, tudo bem, mas... qual receita?! É que não malembra mesmo; mesmomesmomesmo.

*hoje foi abreviado, desculpem, não por se me ter esgotado a grafomania, mas antes o tempo, oh céus!, se não me despacho não vai dar pra escrever todas as coisinhazinhas que me povoam a mona...

Graus

Ontem, à noitinha, o meu telemóvel anunciou que hoje a temperatura subiria três graus em Loures. Considerando o aspeto e o sentir deste dia, e na manhã deste dia, como magnífico, eis que a temperatura há de ter subido também em Lisboa uns quantos graus.

domingo, 12 de novembro de 2017

vergonha, papel e tristeza




vergonha de papel







vergonha com tristeza







vergonha em papel com tristeza







vergonha com a tristeza feita de papel






Tâmaras

Há umas gordas e gostosas pra caraças. Há umas enfezadas, que também dá pra comer, mas o prazer é tão menos que.

São mais caras, as gordas, mas consideravelmente melhores, vai daí, o equilíbrio desta questiúncula está no volume de ar que o porta-moedas contém.

folhecozecos e brilhinhozinhos






Fui ao supermercado e trouxe de lá uma lamechice do caraças

óleo girassol
grão bico
massa bucatini
fósforos


There are times I find it hard to sleep at night
We are living through such troubled times
And every child that reaches out for someone to hold
For one moment they become my own


cereais muesli
colorante
papel higiénico
biscoito cão


And how can I pretend that I don't know what's going on?
When every second, every minute another soul is gone?
And I believe that in my life I will see an end to hopelessness, of giving up, of suffering


iogurte grego
iogurte banana
película aderente
papel alumínio


If we all stand together this one time
Then no one will get left behind
Stand up for life
Stand up and hear me sing
Stand up for love


framboesas
castanhas cruas
fiambre pá
queijo flamengo


I'm inspired and hopeful each and everyday
That's how I know that things are gonna change
So how can I pretend that I don't know what's going on?
When every second, with every minute another soul is gone?
And I believe that in my life I will see(I will see yeah)
An end to hopelessness(Hopelessness), of giving up(Giving Up), of suffering


camarão congelado
delícias mar
gelado nata
gelado baunilha


And it all starts right here
And it starts right now
One person stands up and the rest will follow
For all the forgotten, for all the unloved
I'm gonna sing this song
And I believe…
…that in my life I will see an end to hopelessness, of giving up, of suffering


alface frisada
raiz aipo
tomate cacho
cebola nova


»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»
O poema por entre a minha listinha pertence a uma canção que é um verdadeiro hino à amizade/entreajuda italital. Isto quanto a mim, claro. É lamechas que se farta, a canção, pois é, e eu, que sou tão dura de coração que quase se me racha a cabeça quando lhe tento entrar, fazer-me chegar a mim própria, ó pá tóin xiru, uma canção fofinha... palmas! urras! iei!... Gosto muito de a ouvir, vou a cantá-la por aí acima/abaixo, sempre que vou/venho ao/do supermercado. Tem o tempo exato da viagem em questão, tanto que quando enfio a viatura no lugar - que elegi como melhor dos melhores há q' anos - no parque do supermercado soam os últimos acordes e, no regresso, é nós duas de marcha à ré, ela nesse momento cheia de sacos, eu depois a carregá-los, estacionando onde houver poiso, e os últimos acordes soando. Sério. Está tudo cronometrado. Sério. Eu até sei que, indo para lá, no tempo 1:40 estou entrando na primeira rotunda, no 1:45 estou descrevendo-a, no 1:50 saindo, no 1:53 o meu automóvel - de matrícula portuguesa, obediente e duradouro - pede-me encarecidamente a mudança número três e ao 1:57 já me grita pela quatro para se desenvolver. Não muito depois - para aí quê?, cinco segundos - me ser necessário abrandar e reduzir por me ver chegada a mais uma rotunda. Sério. I'm gonna sing this song!
Já à vinda para cá , no tempo 3:25 estou ali assim, descendo, enquanto me parece que o ritmo da canção abranda - mas não, nada disso - com o subtil deslizar dos meus pneus de alto calibre por sobre o alcatrão novo, novinho, e é para aí ao 3:32 que passamos, eu e a viatura e os sacos cheios - e o triângulo e o pneu suplente e os cabos da bateria e a mala de ferramentas...-  juntinho da frase que eu pintei na parede. I'm gonna sing this song!
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Malta, olhem lá: isto é tudo mentira, eu nem sei conduzir. Sério.



a falhada diz bom dia, as outras não