terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Manhã

No canto superior direito, o ecrã do telefone mostra-me uma nuvenzinha com três risquinhos abaixo dela, na horizontal, o que significa nevoeiro. É uma informação desactualizada e que não combina com a imagem abaixo, primeiro: a nuvenzinha apareceu às seis e cinquenta, hora em que liguei as netes, e agora são dez e picos; segundo: as netes foram buscar o estado meteorológico em Loures, e a foto foi tirada em Lisboa.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Papelada

A rica filha conta ao mano acerca do desenrolar do seu Sims, que teve dois pares de gémeos e que os cães lhe tinham morrido. O rico filho responde à mana um condescendente, porém atencioso, 'acontece'. Aquando do preenchimento da papelada, noto que o 9 do rico filho é começado pela bola e só depois é que lhe acrescenta a perninha, mas isto com levantar da caneta por entre e a perninha desenhada de baixo para cima. Noto, ainda, que o nome dos meus pais constará no meu CC enquanto eu viver e percebo que, por algo ascendente - ou descendente, sei lá - o meu nome constará nos CCs dos ricos filhos. Noto, e é só mais uma notazinha, que actualmente os impressos já contam com linhas bem grandinhas, onde cabem nomes tão extensos como o meu.

Olás aos que ficam defronte

Olá terceira árvore que encontra ao lado esquerdo quem desce a rua mais bonita de Lisboa
Olá primeiro banco que encontra quem desce a rua mais bonita de Lisboa

Empilhamento

Estive de roda de uma actividade extremamente criativa - retirar as fitas das caixas de cartão, abri-las e empilhá-las ao alto dentro de uma outra, que não abrira. É um armazenamento, isto que fiz. É para um armazenamento, isto que fiz.

Mola com massa

As molas das portas dos prédios, chegando a velhas, babam-se. Mas é uma baba escura, que cheira a pó e a lubrificante. É uma massa, vá.

Mas que grande encomenda!

Chegou a minha Árvore de Natal! Já está aqui! No estaminé! E eu a pensar que ia ainda levar um ror de tempo! Mas não! Já cá chegou! Ao estaminé!
Já cheeeeeega!
Agora é descobrir como levá-la para casa, uma vez que, para ir na mota, é cá uma encomenda!

domingo, 8 de dezembro de 2019

Cor-de-rosa

Não sabia como vos mostrar que continuo numa de restos de coleção no armário, moram ainda por lá umas quantas roupas largueironas e tal, de maneiras que é o que é e é o que se vê - elástico a sobrar. Elástico a sobrar?! Então: nó nisso. Ficou tão melhor.


Testa

Testa que não é de ferro, esta minha, porque voltei a bater com a mona em algo rijo e a fazer sangue. Pronto, 2019 vai fica conhecido como o ano de bater com a cabeça. Mas desta vez nada foi de tãããããão estranho assim, afinal que estranheza há em baixar a cabeça ao pé de um cortinado que escondia a a quina do móvel? Estranheza nenhuma, pois claro. De resto está tudo bem comigo, obrigadinha.

ouvido na tv:

tu as une cigarette?

je peux faire du golf?

c' est bizarre comme coïncidence, non?

il est mort à cause de moi

c' est lui, je te dis, je le connais

c' est ma mère sans sa perruque

à route, belle troupe!

désolé pour le poudre...

café?! porquoi non du thé?

je n' aime pas les animaux morts

ah

bom bom é guardar os talheres ainda quentinhos da lavagem

Gina, numa relação com o supermercado.

Ai ó pá sei lá eu se o carro vai pegar... Pegou. Às vezes, aquando do frio e de vários dias sem o motor trabalhar, lá se lembra o dito de me dizer 'hoje não'. Mas hoje sim. Lindo menino. Mas o melhor é ficar um poucochinho a aquecer.

A grande novidade, à entrada do supermercado, é que as luzinhas das escadas rolantes estão apagadas, mas os fins – ou princípios – ostentam fitas e bolas. De Natal. É do Natal que estou a falar agora. Há também lojas decoradas com a bonecada de Natal. Do Natal. Ai.

Não sei como é com a outra gente mas a mim acontece já ter uma catrefada de coisas no carrinho e nada do que lá está constar na lista de faltas. Aliás, até me lembrar desta questiúncula ainda nem sequer tinha olhado para a lista que tão aprimoradamente construí. Aprimoradamente... Não, não está bem, se há coisa que não há no fazer desta lista é primor.

Comprei frango, para comer carne. Carne de frango ainda desce, agora de porco: nem cheirá-la, de vaca: nem pensar nela, pronto, como frango, vá.

Toda a gente sabe que o segredo para conseguirmos as embalagens mais jovens é retirar as mais à mão e trazer as menos ao pé. Isto confiando no esmero de quem arruma as prateleiras, claro. Trouxe a embalagem de cogumelos parisienses que estavam o mais longe do longe.

De repente vi-me defronte de uma senhora debruçada sobre algo e notei-lhe a costura de trás das calças a esgaçar. De nada, ora essa.
De repente uma senhora comentou comigo que andava à procura do 'homem', que o tinha perdido, que ele é baixinho mas gordinho e que, portanto, há razões para se ver bem. De nada, ora essa.

Na caixa calhou-me a senhora mais simpática de todas – Julia Roberts nem vê-la, há-de estar de folga ou assim – passa as compras por géneros e, ou, temperaturas e, ou, humidades. Trata-me até por amor. Desvendou-me as ideias que tem para a Consoada. Alvitro que se terá lembrado disso por ter visto as asinhas de frango no tapete. Afirmo, agora afirmo, que nessa noite especial esta senhora idealiza apresentar aos seus familiares um lombo de porco feito à moda de Wellington, com massa folhada. Afirmo também que ela me perguntou se eu sabia se era bom e eu que sim! muito bom! fiz o ano passado! e só lhe digo! que maravilha! Quero dizer, foi mais ou menos assim, à parte o entusiasmo que coloquei exageradamente no que estou a escrever, não me pus para ali aos berros e a saltar, acresce que não fui que eu fiz a chicha à Wellington, foi o Luís. Mas essa chicha é montes de boa. Façam. E nem dá assim tanto trabalho, principalmente se optarem por comprar a massa folhada.

Sabem o que é que faço sempre - mas sempre – ao chegar ao carro? É abrir a porta do condutor e voltar a fechá-la, dar-lhe a volta, abrir-lhe então a porta do pendura e depositar aí as compras. Sim, as compras viajam até casa bem junto desta que escreve. Sim, abro primeiro a porta do condutor porque, em passando trinta segundos, ou lá que é, o burro volta a fechar-se, e eu levo um ror de tempo a dar-lhe a volta, jamais daria tempo, né? Já a porta da mala, de perra que está, diz-me sempre: Ó Gina não m' abras, não m' abras! Mas eu abro. Pus lá o frascão de amaciador para roupa.

No silêncio do interior do burro, ao depois de estacioná-lo, que mais vos queria dizer?
Que não me apetece subir aquela escadaria com um sacalhão em cada mão, cheios, pesados.
Que não me apetece arrumar as compras.

No silêncio da rua em descanso, já carregada com os sacalhões, uma vizinha avistou-me antes de eu a avistar a ela e ouvi-a dizer:
'Ah muito bem muito bem, assim cedinho é que é. Eu já vou apanhar muita gente!'
Quem sabe esta vizinha durma, não melhor do que eu, mas, o que não dorme, isto se não dormir, durma já sobre a manhã. Sim, está confuso, eu sei, eu sou confusa, 'migos, como não escrever confusamente coisas confusas?

isto é uma pessoa a desaparecer

Sonho

Sonhei com muitas pessoas e todas falavam comigo e nenhuma se calava para dar lugar a outra. E eram todas assim. E eram muitas. Tenho para mim que este sonho desceu por conta de ontem ter andado a brincar com os filtros do Snapchat e ter acontecido a imagem que se vê abaixo. Ou então desceu porque desceu, afinal os sonhos descem porque descem, as pessoas falam porque falam, e com isto não quero dizer que falam por falar. Hum, ok, vá, em certas alturas as pessoas falam porque têm que falar, quando não, ficam caladas e isso não lhes é bom. Mas também é verdade que as pessoas falam porque falam, sem que lhes seja particularmente bom, é mais por terem aparelho vocal do que por outra coisa. Nasce-se com isso, pronto.
Notazinha de suma importância: quadrupliquei a imagem na esperança de ficar equilibrada com o texto, só que não ficou.




Pequeno-almoço

Já provei o bolo de pêra, o tal acerca do qual ontem falei duas vezes, uma; duas. É bom, mas é mais bom pela cobertura do que pelo resto, o resto ficou amaçarocado, parece uma esponja que ficou muito tempo ao sol - e agora nem está sol nem nada. Fiz sumo de laranja. Bebi algum. Fiz café. Bebi um. Preciso de outro. Bebê-lo-ei. Ah, e o bolo não constará no meu dossiê especial.

sábado, 7 de dezembro de 2019

A primeira da estação

Tenho uma frieira. Encontra-se na falangeta do dedo indicador da mão direita e aparece pelo exterior toda assim a modos que feliz. Eu é que não, por a ter. Vai ser feliz pó caraças, 'miga, vai lá.

É(s)

É ninguém que
tá aqui
É alguém que
nã és ti



É(s)

De tão bom ser escrever:
É tão bom que descambo toda eu
É não deixar que seja mau

Comidinhas

Ainda as comidinhas, as mesmas.
O bolo de pêra era para ser com pistácios a encimar a cobertura, que é de queijo mascarpone e açúcar em pó. Não comprei os pistácios porque só os vejo à venda com sal. Podia colocá-los um pedaço de tempo em água para que dessalgassem mas não encontro vontade para isso, auguro pistácios salgados na mesma, e moles. Vou então colocar amêndoas laminadas e torradas, que as torro eu, e à cobertura acrescento raspas de limão, só naquela e tal. E não, ainda não provei, o bolo está ainda morno e este tipo de cobertura não quer nada com quenturas, mesmo que em poucochinho sejam.
O pão também não o fiz conforme a receita, joguei para a massa um punhado de sementes de abóbora, outro de girassol e outro de sésamo, estas estavam de resto, vou ter que adicionar à lista de supermercado, que ainda não actualizei.
Vou fazer mais comidinhas, assim haja gente cá em casa para as comer.

Comidinhas

Fiz um bolo de pêra e pão de linhaça. O bolo ainda não provei, estou à espera que arrefeça para fazer a cobertura e então é que. O pão é estranho. Estas coisas (supostamente) saudáveis apresentam quase sempre um cunho de coisa estranha e incapaz de saciar, mas saciar a mente. O pão não é mau mas também não se me luze o olho só de pensar em mais uma fatia. A bem dizer o modo como o comi nada tem de (supostamente) saudável, pus-lhe uma camada de manteiga para aí com meio centímetro de espessura.

Os verdes

O Luís perguntou-me se já pensei nas 'saladinhas' que vou preparar para incluir no menu da Noite da Consoada. Agora sou toda eu muito esquisitinha e mais não sei o quê, portanto tenho que ouvir estas ironias. Mas ó: não sou vegetariana, o que sou é avessa à carne de porco cozinhada (mas a curada ainda entra gostosamente, presunto, por exemplo, venha ele!) e recentemente descobri que nem vaca entra cá de gosto. De resto está tudo bem comigo, obrigadinha.

Verde que era vermelho (alaranjado, mais isso)

Já sei o que é aquilo do verde saído do alaranjado que há no meu caderno de linhas, e devo dizer que o alaranjado é a fazer as linhas verticais que marginam as páginas. Aconteceu então, que pelas chuvas do outro dia essas linhas desbotoaram em verde, pensando eu que deviam desbotoar mas era em vermelho ou coisa assim. E quando disse 'já sei' lá em cima, não é que saiba, é que presumo, uma vez que se me chegou um lembrete: há corantes que derivam de tons improváveis, portanto pode muito bem ser que uma cor que seja alaranjada, quando diluída, lhe saía a humidade me verde, isto porque verde tem que ver com amarelo (ai... até parece que estou a falar da árvore amarela), juntando azul, e laranja tem que ver com amarelo, juntando vermelho. E eu acho que este post está uma merda, mas colorida.

A mulher dos passos

Ora bem, desde que tenho este telefone, portanto: é desde maio, não contava os passos dados ao longo do dia, sendo apenas notificada quando chegava aos dez mil. Isto acontecia assim porque eu tinha preguiça de importar as informações que estavam como que escondidas devido à mudança de aparelho, era preciso clicar aqui e ali para pôr essas informações à luz e eu andava na sorna. Isto até há dias, quando, finalmente, oh glória terrestre!, me decidi a. E agora já posso brincar aos passos que a mulher dá, pois, como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, nos posts onde abordo este tema é comum o título ser 'A mulher dos passos', que sou eu, pois claro. E hoje já dei 1226 passos, vai agora o dia para aí a dois quartos e mais metade de um quarto… Digamos que são três e tal da tarde, pronto. Pá, hoje é sábado, aos sábados a mulher não anda assim tanto, e bem sei que para enaltecer esta actividade o que eu tinha a fazer era pôr esta questão num dia de segunda a sexta, o que não está a acontecer,
não
sei
se
tinham
dado
por
isso…
Hoje é sábado.

Cópias e assim, vamos lá a ver se dá

Bem, só vos digo: se o que estou a escrever precisamente neste momento se transferir para texto a partir de uma foto que vou tirar a este documentozinho... Fico feliz. Em dado momento desta semana voltei a aperceber-me que através do telefone posso copiar um texto que esteja inserido numa imagem e colá-lo num documento que seja de texto. Pois bem...
Deu, iei! Que maravilha, iei! Este parágrafo está a ser construído no telefone. Já escolhi o nome da etiqueta a chamar a todos os posts que construir desta maneira - 'Indirectamente...' , porque preciso do telefone para tal, mas não directamente. Sim, no blogue há uma etiqueta chamada 'Diretamente...' E sim, a dita não tem 'c' porque na altura de criar eu usava o Acordo Ortográfico.
Pois agora só vos digo que não estou no computador do estaminé, não estou no telefone, estou no computador de casa, e disposta a prolongar esta tão interessante temática. Chegada a este imenso ecrã, percebi que as palavras estavam cá todas mas havia quebras de linha onde não as quero, portanto: não deixa de ser uma opção a considerar e, não sendo perfeita, julgo agora que não a vou usar tantas vezes quanto isso. Depois há outra coisa: então e se o texto for daqueles enormes, se ademais era justamente nesses que estava a pensar usar este método? Já pensaram, escrevo aos bués no computador do estaminé, fotografo, seleciono o texto da fotografia, passo para o blogue, elimino as quebras de linha e publico. Pá, se der trabalho, dá, afinal eu gosto é de escrever e nem é comum deixar-me vencer pelo trabalho que dá manter o blogue, pelo que fica a meu cargo em exclusivo, pelo que não passa para vós, pelas questiúnculas dos bastidores. Mas é que nada disso. O que acontece é que, gostando de escrever como gosto, aparecem posts

precisamente


como



este.


Mais rascunhos

Bem sei que esta ideia já consta no blogue, mas quero expô-la isoladamente:

Agora faço também áudios, portanto tenho outra lista de rascunhos a despachar. É.

Este bolo é




Este bolo é de coco, amêndoa e chocolate branco e foi o doce de sábado passado. É maravilhoso, sim senhoras e senhores, e é óptimo para aproveitar claras, que leva logo seis. Eia. Este post existe principalmente por conta de uma grande porcaria: encontrei um pêlo da minha cadela na cobertura, assim bem enterrado naquela miscelânea branca e gostosa. Não o comi, como presumo que presumam, retirei-o, simplesmente, aproveitando o resto. Oh pá é tãããããão bom! Tenho tido preguiça de fazer o texto e pô-lo tanto no blogue como no meu dossiê especial. Um dia, um dia. Quiçá. Nem vou jogar a foto no lixo para ir servindo de alembradura. Entretanto posso deixar registado o sítio de onde retirei esta receita tãããããão boa, não vá alguém querer saber como é que é para contar como é que foi, foi aqui.

Saquinhos

O peitoral da minha cadela tem dois saquinhos atados. São saquinhos daqueles que fazem a gente parecer pessoas muito civilizadas, se os enchemos com o cocó do nosso bicho-cão, indo depois colocar no lixo. Mas já me estou a desviar do objectivo deste post. Eu quero vir dizer que esses saquinhos, por serem atados na correia do peitoral, ficam a parecer lacinhos, e a minha cadela fica toda pimpona.

(hum-hum, é verdade, é)

I went to the doctor and guess what he told me? guess what he told me?
He said girl you better try to have fun no matter what you do

Sinéad O'Connor, 'Nothing Compares To You'

demasia

olho, e luze-me o olho

Não posso fazer

Não posso fazer a Árvore de Natal porque está encomendada. Ontem de tarde chegou a notícia via netes que estava na caixa para seguir viagem. De maneiras que, quer me apeteça, quer não, não posso fazê-la. E hoje é sábado e amanhã é domingo, portanto é capaz de a viagem seguir só segunda-feira. Pá, bom fim de semana então para ti, ó Árvore.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Selado por ares

Sealed Air é o que vem impresso numa correnteza de sacos que vêm preenchendo a mercadoria. Estes sacos, por não terem escape para o ar que permanece dentro de sis (é o plural de si) parecem tufados, ou mangas de balão, que agora deram para lhes chamar 'mangas bufantes'. Pá, pronot... ai perdão, pronto, então, mesmo que bufantes, é usar, né?

Enfeites de Natal

Lembro-me de o ano passado andar numa loja escolhendo enfeites para... Precisamente enfeitar o estaminé. Pá, é redundância mas deixo-a estar. Lembro também que no pico mais alto da minha lista de critérios estava: 'os dizeres têm que ser em português', qual méri críssemasse; qual juáiô nóél, quais quê. Não. É que eu gosto de Línguas, olarila, e não é pouco, mas a mais das mais é a Portuguesa, de maneiras que comprei um que diz simplesmente Feliz Natal. Tudo bem que posso já o ano passado ter feito post acerca, né?, mas fica outro. Noutro ano, que é este. Entretanto deixo foto do tal quadro que também já tem aparecido no lbogue... ai perdão, blogue.





Tem um guê mesmo giro, pois tem? Lembro-me que no ano passado escrevi também acerca dessa gireza.

Entrega imediata e uma janelinha aberta

Há algum tempo que não ia ao escritório do senhor doutro... ai perdão, doutor entregar uma factura. Tarefa concluída, adeus e bom fim de semana à secretária (de carne e osso), rever o trinco antiquíssimo (trinco lira, a designação ô puã), ter montes de cuidado para não usar a corrente como puxador. Mas antes... ah, antes foi olhar o jardim da janelinha, que estava aberta, e que está no meio dos dois lanços de escada. Da parte de dentro esta janelinha tem um gradeamento que permite ver o jardim, mas não abre de par em par. Por vezes acontece que está aberta, sim senhoras e senhores, mas encostada, e assim até parece que tem o fecho corrido. Mas nesse caso é abri-la até poder ver. Óbvio. Quando não, mesmo podendo eu abrir-lhe o fecho, não o faço porque não acho correcto, não moro ali e ademais um qualquer dia vindouro hei-de encontrar quem já o tenha aberto e volta tudo ao mesmo, espreito e vejo o jardim, desço o segundo lanço de escadas, tenho cuidado com de não puxar a corrente do trinco lira, saio e vejo uma avenida lisboeta, que é uma das mais brancas que conheço.

Olás

Olá árvore amarela, da parte da manhã
Olá árvore amarela, da parte da tarde

Gesto bom

O senhor do Banco, aquele que parece que está aborrecido, e às tantas está, reteve a porta, a usar de cordialidade e cavalheirismo ao modo profissional, porque eu era (e sou) uma cliente que ia entrar. Pá, isto não é só a gente ter vidas aborrecidas, né, uai note fazer um gesto em bom?

Soa a sirene

Bom que a sirene não soa devido a algum dos meus em aflição
Mau que a sirene sim soa devido a algum dos teus em aflição

Simultâneo

De manhã estive de roda do chá e das torradas e do perfil do Instagram. O chá teve inerente a escolha de quais folhas e o mergulhá-las e o coá-las e o sumo de limão acrescentado ao depois de na caneca. Às torradas coube inerências como escolher o tamanho das fatias e vigiar para não queimarem e passar a manteiga. Três questões em simultâneo. Três questões, não tudo em simultâneo, que isso seria impossível.

dois pontos

tentar:
não
tentar é abstracto e é não fazer, portanto:
tentar é falhar

A semana

Tem sido uma semana do caneco. Vá lá vá lá que distrair até rima com abstrair e são coisas desejadas. Distrair – notem bem: neste caso - é mudar de actividade. Abstrair é não sei o quê. Au eva, pode ser, por exemplo, lembrei-me eu no outro dia - oh! epifania! - como faço com os noticiários, quero eu dizer que ouço, mas, e, como não me atrai, não ouço. Atrair também termina em 'ir'. Retrair. Hum.

_________________________________________________________
distrair:
fazer desviar a atenção de
abstrair:
separar mentalmente uma parte de um todo para a considerar independente
atrair:
chamar a si
retrair:
impedir a saída ou a manifestação de

fonte: priberam

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Lisboa, Lisboa

A cliente de uma das noites desta semana contou que em Londres as pessoas são cumpridoras ao ponto de caminharem com as regras do trânsito, mesmo que num parque ajardinado - quando indo num sentido, tomam um dos lados, quando vindo no outro, tomam o lado oposto e assim já ninguém anda desgovernado nem há encontrões daqui e dali.
Imaginei um lugar assim e achei-o agradável, afinal toda a gente anseia por segurança e conforto e uma organização, seja de que tipo for, é um descanso, não há desvios ou imprevistos, eia pá – pensava eu - que bom seria viver numa cidade certinha, tudo calibradinho ao ponto de raramente haver incidentes e tal e tal. Claro que isto só habitou em mim um poucochinho de tempo, logo considerei que a desorganização e o tumulto das cidades (no meu caso, Lisboa) me faria uma falta enorme - mas eu lá sou capaz de sossegar? Sou uma pessoa um bocado ambi-coisas, gosto de tudo e não há porra nenhuma que me agarre por muito tempo. Ou então sou é maluca e pronto, mas isso já se sabia.

Lisboa, Lisboa

Na avenida da República, num dos eixos centrais, há bolas enormes, iluminadas. E sim, este é mais um post de luzinhas de Natal. Uma das bolas, já há dias tinha notado, está amachucada, podendo assim dar-se ao luxo de ser diferente, coxa e, sob certo prisma, vistosa, pois que afinal a mais nenhuma achei a tal da graça, que é minha.

Lisboa, Lisboa

Na General Roçadas, as luzinhas de Natal são estrelas cadentes, que atravessam a avenida. Achei também muita graça, uma das minhas graças (alusão ao post anterior), que o rabinho saísse na horizontal. Hum, tenho para mim que um rabinho destes, que afinal é um rasto, e rasto de luz, alguma inclinação terá. Teria, quero eu dizer.

Lanchinho

O lanchinho foi trinta e cinco cêntimos inteirinhos em dióspiro de roer. Os outros números são noventa e cinco cêntimos em cada quilo e trezentos e sessenta e cinco gramas. Todos estes números incluem as cascas, claro, pois quando, e se, retiradas, não sei que números daria. À porta da mercearia estava uma senhora.... Quero dizer, estava quase uma senhora, que o braço direito dela encontrava-se fora para que o cigarro aceso não transgredisse as regras. Pedi-lhe licença e ela deu-ma, "ai desculpe" e mais não sei o quê, toda sorrisos. Encontrei-lhe a comum graça, e foi minha, esta graça. Estas graças são sempre minhas, é o que é.

fios com batentes




são fios que servem para segurar as etiquetas que dizem os preços aos clientes
já a mim e ao meu colega dizem também os códigos
o batente é para que daí os fios não saiam e há um em cada extremidade
o fio dá a volta em algum ponto do artigo
enfia-se os batentes no orifício da etiqueta
e por aí permancem até serem vendidos
vieram do velho estaminé e são da minha idade
ou da tua
ou da minha e da tua
as duas juntas
sei lá

Lisboa, Lisboa

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

A prisão do trevo é diferente

Quando guardo folhas ou pétalas deixo-as |secar|morrer| sem a compressão das folhas do caderno. É essa a diferença. Digo isto porque o trevo foi aprisionado ainda em vida, por duas películas colantes e aquele senhor nem sequer o estendeu por completo, o pobre morreu com vincos. Foi como ter a câmara de gás por condenação mas antes partir-lhe os ossos e, para mais, sem culpa. Para mais e por demais.

Tenho o texto acima em rascunho há meses, retendo-o sei lá por quê. Ou sei. É – ou foi – porque num repente me encontrei com a mentira, mas de uma tal maneira que não encontrei desculpa → Eu esmago folhas e pétalas nos meus cadernos. Há anos. É certo que lhes posso assegurar uma honra do caneco, qual é a folha ou pétala que não quer sufocar entre os meus escritos?! Nem uma! Mas é assim a vida de uma pobre escrevente, vai-se a ver e tudo o que escreve, inclusive o que é, se vira do avesso. No entre dos tantos, o mesmíssimo senhor que ofertou o tal trevo sufocado ao meu colega, chegou-me aqui há dias com um para mim. Sério. Oh. E morto nas mesmíssimas condições. Vou jogar ambos no lixo. |...| Já joguei.

Frase

"Esta máquina eu muito trabalhar" disse o cliente em resposta a questões acerca de uma aparafusadora que o meu colega lhe estava a mostrar. Melhor definir: sim, o cliente é imigrante.

Cortina de folhas amarelas

Esta cortina surgiu-me no dia do passeio com muitas árvores que julgo serem da mesma espécie que a árvore amarela. Havia então essas árvores, muitas, e folhas amarelas, muitas mais, preenchendo quase totalmente a calçada e, enquanto andava, num repente, vi cair uma cortina de folhas amarelas, como se estivesse alguém a corrê-la. Foi um momento muito bonito, e isto à parte de eu gostar muito de folhas. De árvore, é de notar.

7117

Capicua em lembrete:
«Levar jornal para casa da senhora»
Não é para ler
Calma
É para lavar os vidros

O quadro de outros anos

Aquele quadro que o anterior dono do estaminé pintou já está a uso deste Natal, e diz assim:
Desejamos
a todos os clientes e
amigos desta casa
Festas Felizes
Foi escrito numa fonte a lembrar o antigo, provavelmente porque é um espécime antigo, de um antigamente em que provavelmente não havia tantas fontes como agora. É antigo, é sim senhoras e senhores, mas, e, é muito bonito. Eu cá acho, mas eu já se sabe que não sou lá muito esquisita.