segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Ó Gina, tu leste?

Não.

Porque deixei o livro em casa. A ver se dou mas é importância ao esquecimento para não pensar que se tivesse efetivamente trazido o livro, o teria lido. Se o tivesse trazido. Suposições, ideias, esperanças. Tipo assim aquela mulher que não sabe o que lhe teria acontecido se tem tido o desplante de abraçar a outra profissão. É. A mulher sabe lá se seria assim tão infeliz na outra profissão. A mulher nunca vai saber. A mulher teria de ter experienciado a outra profissão, a ver se era assim tão boa vida, essa. A mulher teria de viver para saber.
Ainda é cedo, não li. Que tal abandonar isto tudo e deter-me no banco hater o tempo restante?
Registo atempado e cheio de razão de existir: este post foi totalmente criado no lugar (que também pode ser) da musa.
A senhora que se entretém com o tablet move os lábios à medida da leitura. Sussurra o que lê, quero eu dizer, o que portanto me leva a concluir que ler em voz alta não é a mesma coisa. Todos os dias uma coisa nova?, uma aprendizagem qualquer?, mesmo pequerrucha e patética...? Então pronto, por hoje está.
As septuagenárias atrasaram-se, hoje. Fica esquisito, dito assim, afinal para mim é cedo e as septuagenárias atrasaram-se. Caramba, isto não tem jeito absolutamente nenhum, é necessária uma questão plausível, reta, matemática, que não encontro. Não sei escrever, de todas as vezes que me ponho a fazê-lo. Isto está a ser só pôr no papel, só pôr no papel, só pôr no papel.
Ó Gina, em que medida te é benéfico escrever?
Na medida em que me dedico a regressar ao estaminé quando grandes forças me prendem à apatia e à desistência.

Um rumo

Não tarda rumarei direita ao Sul de França. Direita, não, ziguezagueando, isso sim, e a bem dizer tarda ainda um pouco. Por ora há que traçar o percurso, com a ressalva 'desvios constantes' em todas as vontades de desviar. Nenhum de nós é focado seja lá no que for, o melhor é a aventura de não saber, a surpresa, em suma: a viagem, bastando-nos o destino como a coisa certa e esperada. Dizem até que o melhor é a viagem, não o destino, se comparada à vida, e é.

Post principalmente verde

A caneta verde é a que anda comigo todos os dias, a que assiste às cenas do lugar (que também pode ser) da musa, a que escreve no caderno azul, a que escreve nas folhinhazinhas que compõem o bloquinho rudimentar. Escolhi a verde basicamente porque sim, afinal não tem de existir um motivo, a menos que precise de um, o que não ocorre por ora. Num dia em que precisei de apontar uma coisinhazinha aqui no estaminé, quando retirei a tampa da caneta verde eis que se me escorregou das mãos e aterrou no chão, porque do chão não passa, ok, vá, só por dizer que ainda assim não encontrei a porra da tampa por muito que a tenha procurado. Estar no chão, estava, tudo bem, mas onde?, sei lá! Entretanto, por modo a que a caneta verde viajasse comigo de bico tapado, não fosse vazar, roubei a tampa da caneta preta e safei-me assim. Isso fez com que as restantes canetas para ali ficassem, como sempre e no lugar de sempre, a azul e a vermelha tapadinhas, sim senhores, mas a preta... pois que não. Há já uns dias que venho notando a caneta verde com menos tinta, o que me leva a rejubilar 'ena, escrevo pra caraças, sou mesmomesmomesmo grafómana', e hoje fui dar com a caneta preta, a qual ainda só rabiscou coisa pouca, tal como a azul ou a vermelha, mas com o indicador de tinta abaixo do das outras duas, embora, como já referi, mal tenha rabiscado com ela. O que acontece é que a tinta escorre, se a caneta não estiver tapada. É. Ai tantas letras desperdiçadas... Mas há mais: hoje procurei novamente a tampa verde por todo o chão... e pumba e coiso, já tapei a caneta preta. É só mais uma coisinhazinha, por favor fiquem, obrigadinha, é o gráfico das canetas em foto, ó:


Senhor do Banco

Ah, pois é, agora há um senhor do Banco. Muito jovem, simpático também em muito, que pede licença antes de agarrar no montante, o que me comove. Hoje pensei até numa gracinha mas calei-a, ia dizer-lhe que se lhe nota a inexperiência, o medo e o pudor de um gesto que faz parte das suas funções e portanto deveria agarrar nas notas destemidamente. Calei a gracinha, muito embora considere que este senhor do Banco a aguentaria, também movido pela inexperiência, sim senhores, mas principalmente pela juventude.

Façam gratinado de uvas, castanhas e chalotas

Façam gratinado de uvas, castanhas e chalotas. Aos vegetarianos e tal, pois que lhes chegará como refeição, ao pessoal que gosta de chicha, é um acompanhamento do caraças. A ideia é colocar num recepiente alto e que possa ir ao forno as quantidades que ditar o instinto de quem preparar esta iguaria, envolver tudo com azeite, sal e pimenta, podendo também, e preferencialmente, acrescentar ervas aromáticas como alecrim ou tomilho. Pode ainda espevitar-se o paladar com malagueta, mas eu cá não, considero ser um prato quente e reconfortante o suficiente para descartar esse temperozinho...

Qual chá verde, qual quê

Fiz o tal bolo de chocolate branco, aquele que leva chá verde, só por dizer que afinal não lhe coloquei chá de qualquer espécie. Não é que o tenha dispensado, nada disso, é que masqueceu. Sério. Ia ser giro perceber o sabor acre do chá verde por entre o doce excessivo do chocolate branco, bem como o contrário, mas olhem, é que masqueceu. E assim termina uma intenção das mais velhas que tinha, das mais lembradas desde o início, a de fazer um bolo de chá verde e chocolate branco, isto em semelhança ao que vi fazer no programa 'Doces Iguarias de Rudolph', do canal televisivo 24 Kitchen. Olhem, fiz assim:


Bolo de Chocolate Branco
Ingredientes
4 ovos
200 gramas de açúcar
150 gramas de chocolate branco
100 gramas de manteiga
100 mililitros de natas
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 limão, raspa
150 gramas de farinha
50 gramas de amêndoa moída
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
Preparação
Bater os ovos e o açúcar. Entretanto derreter em banho-maria o chocolate e a manteiga, quando derretidos juntar as natas e mexer. Adicionar esta mistura à massa de ovos e açúcar e mexer. Juntar a raspa de limão e a baunilha. Deitar por fim a farinha, a amêndoa e o bicarbonato. Misturar tudo e levar ao forno em forma untada e enfarinhada durante aproximadamente 40 minutos.






É um bolo com uma certa pegagice, que abate facilmente, afinal o chocolate e as natas são ingredientes pesados. E não estou a falar da gorda, nada disso, é dos ingredientes em si que falo, que abafam toda e qualquer fofura. Mas consegui um sabor encantador, sério, o chocolate branco é diferente de tudo, e eu nunca o tinha colocado em bolo algum, a não ser em coberturas e assim. É a repetir, 'migos, é a repetir, daí constar no blogue.

Segunda-feira

É segunda-feira e logo de manhãzinha reencontrei os dois quilos de limpa-metais num canto da minha secretária. É líquido, é, mas os doze frasquinhos dizem que são dois quilos e como nunca ouvi falar de frasquinho algum ter enganado ser humano algum, vai que alguns é, ainda assim, um número incerto. A gente sabe lá se isso não aconteceu mesmo! O que não falta nesta vida é coisas esquisitas acontecendo! Pois!

Palavra do dia (disseram na Radio)
e também
Dia de (disseram na Radio)

É tarte, a palavrita do dia, hoje. Não vou fazer o meu joguinho do costume, se pesquisasse 'tarte' nos blogues deparar-me-ia com uma escolha trabalhosa e chata, é que devo ter esse registo dezenas de vezes. Au eva, olha aqui duas fotos da última tarte que preparei:





Foi uma tarte especial porquanto me levou a inventar um bocado, tinha massa filo a findar-se-lhe o prazo e havia que usá-la, mas vai daí nunca tinha feito uma tarte com essa massa na base, e ai se não dá e ai se fica empapada e ai se fica toda desfeitinha... Mas não. Ficou mas foi estaladiça e saborosa. Pois.

Já o 'Dia de' é dedicado à tarte... Ah! Ok! Pois! Mas não só, é também o dia de escrever à mão. Ora bem, é coisa que faço diariamente, não só profissionalmente como pessoalmente. Mas, tanto numa como noutra situação, a verdade é que não manuscrevo lá muito, não. Ultimamente, por conta de uns dói-dóis nos dedos, é-me difícil e a bem dizer há vezes, nas vezes do pessoalmente manuscrevendo, que tenho desistido da parte diáriómanuscrevente, mas nunca da parte resumida, aquela dos tópicos que aponto nas folhinhazinhas e coiso e tal. Essa. Essa, não.



Cliente

A jovem gingava alegremente ao som dos Maroon 5:


I don't wanna know, know, know, know
Who's taking you home, home, home, home
And loving you so, so, so, so
The way I used to love you, no


É ganda som, não é?, perguntei. É, respondeu ela, dá mesmo vontade de dançar. E continuou. Era eu preenchendo dados no computador e ela a dançar, toda muito expressiva, livre, pura. Quiçá alguém discorde desta postura, afinal não é a ideal para estar num espaço público, mas eu não, eu deixo estar as pessoas, que vivam é o meu desejo, se ademais era coisa boa.


fonte: vagalume.br

Primeiro

Bom dia. São dez e trinta e oito.
O que acontece é que vi há pouco que tenho um comentário para aprovar no blogue. Então porque não aprovo? Porque o meu telemóvel (sou ôlde féchóne – tememóveltelemóveltelemóvel) é não-esperto o suficiente para me deixar andar dentro do blogue a fazer-lhe coisas, vai daí deixo para a noitinha, em casa trato de tudo o que diz respeito a. Mas há mais: o comentário em questão foi feito num post lá atrás, não que tenha muitos dias de publicado mas tem muitos posts à frente e a bem dizer já masqueceu do que realmente pus nesse post, então acontece que vou ter de esperar a noitinha para me inteirar disto tudo, oh céus, que vida imensamente coisa que eu tenho.
Outra temática que cabe incondicionalmente neste post é a viagem que proporcionei a um certo carrinho de linhas. Na sexta-feira abalei do estaminé com uma missão, a de lhe oferecer um carrinho de linhas de uma cor para o escurinho, que a findada era amarela, e nos últimos tempos andei a gastá-la nas calças, aquando de algum botão soltar-se, mesmo sendo a linha amarela, já antes disse, e eis que agora tenho ali assim um carrinho de linhas... cinzento claro. Pronto, ok, vá, não é o desejável, o apropriado, a escolha comum, mas olhem, é o qu' há cá, é que não tinha lá em casa uma linha assim para o escurinho e quem cose a amarelo roupas pretas não se mostra esquisito a coser com cinzento claro, ao menos é cor neutra.
Não vão ainda eborts... ai perdão, embora, há mais, há a rosa. Dei com ela um tudo-nada abaixo do seu costume, quiçá alguma força de vento tenha entrado pelas frestas da porta e a tenha deslocado. Deve ter sido isso. Pois hoje, para a fotografar, pu-la por sobre uma dúzia de lâmpadas, ficando com treze coisas dentro da tal caixa de madeira montes de gira, quem lembra?, e tirei uma foto acerca da qual se pode dizer todo o mal. E como a nomearia no lbogue... ai perdão, blogue? Sei lá...
A rosa iluminada...? (é que as lâmpadas não estão enroscadas a casquilho algum, vai daí iluminar não é com elas...)
A rosa às escuras...? (mas se a foto tem tanta luz!)
Ó:


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Linhas de todas as cores

Esta sexta-feira é a vez de levar um lembrete para emprestar, aliás: ofertar, algo ao estaminé. Trata-se então de trazer de casa para aqui um carrinho de linhas em preto ou roxo ou castanho-escuro ou azul-escuro ou verde-escuro, mas por favor, não amarelo, que eu pregar um botão com linha amarela no cós das calças do estaminé ainda vá que não vá, jamais se verá tamanho disparate, mas já que vem linha nova, então que venha de uma cor a não chocar, não vá eu levantar a camisola e escandalizar as pessoazinhas.
Tenho fotos, duas, não sei qual escolher, que agora ando nisto de ser indecisa e o caraças. Foto à esquerda da foto à direita: filtro amarelo; foto à direita da foto à esquerda: filtro pop.



Acontecem inúmeras coisas

Acontecem inúmeras coisas importantes o suficiente para constar no blogue, como por exemplo o batom de cieiro que escorregou das mãos daquela senhora quando ela retirava moedas para enfiá-las na ranhura do parquímetro. Caiu. Fez barulho. Ela atrapalhou-se. Quis, e conseguiu, apanhar o batom e não deixar cair as moedas. Creio que tudo aconteceu pelo frio intenso que por ora vigora, os objetos ficam escorregadios, as pessoas não querem fazer gestos largos e/ou vãos, pronto, acontecem coisas que importam, vá.

Dias de um Ginásio

Ó Luís
olha
eu hoje vou demorar no balneário porque quero secar o cabelo
lembras-te daquela senhora que a gente viu a descer a Morais Soares e ia com o cabelo molhado mas estava tanto frio que o cabelo dela estava escorrido e baço e dava a impressão de estar todo oleoso em vez de muito bem lavado?
Pronto
quero evitar isso na minha vida.

Ó Gina, tu leste?

Não. 

Escrevi coisinhazinhas no bloquinho rudimentar, deixando as folhinhazinhas a três do fim. Escrevi, e depois sou só eu, percebem?

Árvore amarela

Lá estava a árvore amarela, tão mal encarada como nos útlimos dias. Ainda decorrem obras nas imediações, de maneiras que notei a faixa de um troço com uma camada de alcatrão, a outra com uma, fazendo um degrau de uns oito centímetros entre as duas, e vi-me com oito anos no degrau da vizinha Helena a saltitar alternando os pezinhos. Pus zinhos nos pés para realçar o tamanhinho meu, que o degrau da vizinha Helena era bem mais alto do que oito centímetros... Para aí o dobro, vá.

Lugar (que também pode ser) da musa

Andava uma mosca por lá. Duas, comigo.

...

Pode dar-me uma ajuda?
Não.

Menti, que a ajuda posso dá-la mas não quero. Raramente posso ser muitomuitomuito sincera.

...

«Sei. Porque tenho memória, sei.»

Sei tudo o que sei e se tenho a memória que tenho é porque sei a memória que tenho.

(e ruiu tudinho...)

...

diáriómanuscrevente:
é escrever à mão, diariamente, no caderno azul
ah... fosse o caderno de outra cor... (eringal, mê zamigos)

Só mêmeu, pá

Não sou dada a usar a expressão 'só mêmeu pá!' por considerar que o extraordinário não ocorre amiúde nos meus dias, questiúncula esta que por sua vez ocorre devido ao medo que tenho da plateia, pois como se sabe uma pessoa que se banha no 'incrivelmente' tem plateia.

Primeiro

Bom dia. São onze e quarenta e sete.
Cheguei há pouco do lugar escondido, se é que querem saber, querem, não querem, mal-me-quer, bem-me-quer, usei os tracinhos que assim é flor e não é dúvida e/ou desgosto, e eis que andei de roda das lâmpadas. Mesmo assim ainda não tenho o trabalho terminado, ele é pôr casquilhos com casquilhos e intensidades com lumens numa caixa de madeira sem tampa e gira que se farta. O melhor é caberem justamente, não sobra e não sobrando não há desperdício, que uma coisa é sobra outra é desperdício, e lá vem o pobrezinho tomar conta do meu post. Trouxe a rosa, fica já neste post, e é...


A rosa numérica...







Mas ainda cá venho, ah pois, é que tenho o bloquinho rudimentar mesmo a findar, restam... 9 folhinhazinhas. Bem sei que prefiro escrever a contar restos de coleção, mas é que sinto-as tão poucas que fui contá-las... 1 2 3 4 5 6 7 8
Conto também fazer posteriormente um post glorioso, não, melhor: o glorioso post em que determinarei que terminei estas folhinhazinhas. Não vão já embora, há mais: andei de nariz no ar à procura de mais blocos daqueles e com a ideia de irem secando (o lugar escondido é uma cave) trouxe quatro. Quer isto dizer que durante para aí dois anos não mexerei naquela prateleira do lugar escondido. Au eva, há uma outra papelada que é conveniente remexer, o que me proporcionará outro momento deveras prazeroso, mas para isso aguardo um dia de destemor.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Ó Gina, tu leste?

Sim.

Li sem prazer. Hoje tentei - ao menos isso – ler. Não prestou, esse tempo.
Porque leio, afinal? 
Porque depois sou só eu nisto das letras e é debalde que escrevo porque jamais conseguirei escrever o mundo inteiro, o que me deprime, e deprime-me porque sou grafómana e o meu desejo é escrever o mundo inteiro e lendo as criações da outra gente não estarei sozinha na demanda.
É uma história bonita, a do livro – será que arranjo prazer na leitura se registar as minhas impressões? É triste, também, a história, há sempre uma força magnética na tristeza, a tristeza das pessoas, a tristeza das circunstâncias em que vivem as pessoas, se ademais vier por junto o romance e o amor, ah o amor!, que dói tanto, amar dói sempre um bocado, provavelmente porque a gente vê nas pessoas que amamos alguém que não existe, e depois dói porque eles/as não são assim, outras vezes dói porque são assim e a gente habitua-se à dor e a eles/as não serem afinal assim. Bom, a história. É acerca de uma presidiária que viveu uma vida desgraçada em amores de mãe e em amores dos outros. E é rica, ao contrário do que se possa pensar, não é lá por ser uma desgraçada nos amores que na história tem de viver miseravelmente, nada disso. A trama vai-se desenrolando por entre relatos da heroína na prisão, onde ela expõe características das colegas (...?!), pequenos diálogos, nomeadamente aqueles em que se fala das suas insónias e dos livros (os romances de cordel) que lhe emprestam para ela passar as noites menos mal, ou distraidamente, vá, que por sua vez dão em descrições irónicas, tipo esta:






Livro em questão: Romance de Cordélia, Rosa Lobato de Faria

É ainda de notar que dei cabo da lombada do livro de tanto o abrir por modo a digitalizar as páginas que publico neste post.
Há mais questões a debitar acerca desta história mas esgotei o tempo. Sou grafómana, sim senhores, e é mormente escrevendo que passo o tempo, mas faço também outro tipo de coisinhas.

Lugar (que também pode ser) da musa

Daqui a nada passo pela árvore amarela. Estará tão triste como ontem? De todas as vezes que lhe passo ao lado não a observo sempre, tanto pode ser porque me esqueci, distraída que vou, como porque não quero vê-la. Sério. É naquela de ficar saudosa, ou então não é nada disso , é que tenho medo de perder o encanto que lhe noto. Um prazer pode chegar à exaustão, sou inconstante o suficiente para que isso aconteça.

Posta-restante
Continua tristinhazinha, a árvore amarela.

Dia de (disseram na Radio)

Dia Internacional do Riso. Não é sorriso, é riso, ah ah. Deixei de expor a minha gargalhada no blogue, comecei a senti-la como recorrência, mais: como vício, então cortei relações, escrevo de outra maneira e acabou a conversa. Bem sei que este riso e este dia e o internacional disto tudo não visa a minha gargalhada literária, é o riso físico e sonoro, mas pronto. Deixo ah ahs de outros tempos, manuscritos e em pixeis.






Entretanto passei de ah ah para a Graça Quê Tacho, vejam lá, e não é que continuei cheia de piada...?



Lanchinho

Há semanas que sinto ímpetos de fotografar, não o lanchinho, que geralmente é uma fruta, mas as cascas. Entretanto tenho achado sempre uma ideia parva demais, note bem: demais, sei lá, é lixo. Mas eis que me fui lembrando de algumas vezes em que fotografei cascas de fruta, uma delas foi uma tira de casca de laranja enrolada numa banana - ok, confesso que tive esta lembrança porque andei à procura de uma foto antiga e descobri este enrolanço - o que me levou, aí sim, a uma memória, a de em tempos ter fotografado de quinze em quinze minutos as cascas de uma maçã reineta, isto três vezes. Na altura quis saber se esta espécie de maçã é facilmente deteriorável, oxidável e tão rapidamente como se diz. E é. Ora bem, continuando na engraçadíssima temática que disseco especialmente bem ao momento, deixo então a foto dos pedúnculos e folhinhas de quatro morangos que comi há coisa de meia hora (são onze e quarenta e oito).







A foto da esquerda tem o filtro pop, a da direita tem o filtro extração de cores, neste caso o verde, ambos pertencentes às capacidades extraordinárias da minha máquina fotográfica montes de espectacular, que por acaso, vejam lá, também filma. Não consegui escolher por entre as duas fotos, portanto: pumba e coiso.

A rosa

A rosa e o bicho...







A rosa bêbeda...







A rosa com gás...







Primeiro

Bom dia. São onze e nove.
= 20
Cheguei há pouco do lugar escondido e de lá disseram-me – a nespereira, a videira, a rosa, ou então não sei, mas disseram-me – que a chama alta é como ter uma lâmpada bicuda e de casquilho fino, com uma intensidade de luz muitomuitomuito alta. Chama alta não é a que sai da vela quando a cera derretida humedece o pavio e, pelo esforço de continuar alumiando, a chama alteia e dela sai uma tira de fumo que grita, não quero morrer!, não quero morrer!, não senhores, chama alta é aquilo que há pouco me disseram no lugar escondido.
Entretanto dei com a rosa que consta vai para oito dias no blogue, a rosa isto e aquilo, a rosa assim e coiso. A foto abaixo foi tirada ontem, à despedida. Adeus rosa, venho amanhã, disse-lhe eu para a descansar. Não publiquei a foto no blogue porque era um tema diferente, não senti como sendo a rosa isto e aquilo ou assim, portanto: segue hoje por modo a ser admirada, também pelo mundo, a minha despedida. E é de notar a sombra expressa desta que escreve, fotografando a rosa, quando no pensamento: 'que bonita, a rosa, esperando eu aparecer'.


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Olá, bem vindos a mais um post e a mais um blogue

Post bem-dispostinho

A pessoa terminou-se-lhe o creme de dia para o rosto. Mas a pessoa tem (mais) um boião de onde ainda só retirou creme duas vezes, numa de experimentá-lo, que é creme, sim senhoras pessoas, mas para esfregar... ai perdão, aplicar na tromba... ai perdão no rosto à noite. Note bem: à noite. E a pessoa é muito preguiçosa para pôr... ai perdão, espalhar cremezinhos na fuça... ai perdão, face à noitinha, mesmo antes de dormir. Mas eis que o cremezinho foi oferecido à pessoa aquando do Natal, e mais: a pessoa percebeu que é bom que se farta e que a pessoa que o ofereceu se esmerou no sentido de oferecer um cremezinho bom. E é.

Não sei escrever

Não é não saber escrever de escrever e ai coitadinha de mim que não sei escrever ó i ó ai
Não é não saber escrever de escrever erradamente
É não saber escrever de escrever e escrever e escrever e nunca estar tudo escrito mas não só escrito como bem escrito
É não saber escrever de parar de escrever e escrever e escrever e portanto me encher da ideia ‚ó pá eu não sei escrever!‘

E continuo sem gostar de vírgulas
Confesso* que também não sou amiga de parágrafos
Intitular os posts é questiúncula apoquentadora

É que eu, enquanto escrevo, martelando teclas ou deslizando canetas de todas as cores por sobre papelinhos, sou uma pessoa montes de fixe.

* é vez primeira, esta confissão

Árvore amarela

Achei a árvore amarela magríssima e esquálida.

Ó Gina, tu leste?

Não.

Mas apontei coisinhazinhas nos papelinhos que formam o meu bloquinho rudimentar, aquando da aprazível presença no lugar (que também pode ser) da musa. Vêm aí as septuagenárias. As três. Ah, e o livro viajou comigo. Sem bilhete a obliterar, já se sabe, e eu sem obliterador, ainda não tinha dito.


Leitura do momento:
Romance de Cordélia, Rosa Lobato de Faria

Lisboa, 17 de janeiro de 2017

Era de 2006, o 17 de janeiro, agora é do 17 do 2000. E também era terça-feira. Pois.

A rosa

A rosa entalada...





A rosa no lixo...





A rosa no buraco da fechadura...





A rosa acompanhada...




Primeiro

Bom dia. São onze e trinta e cinco.
Na foto abaixo:
Mesmo lugar de ontem, perspetiva diferente.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Ó Gina, tu leste?

Não.

O que não invalidou a viagem do livro do momento – Romance de Cordélia, Rosa Lobato de Faria – em conjunto comigo. Houvesse bilhete e tê-lo-ia obliterado, mesmo não lendo, que viagem, lá isso houve. Muito viajam as minhas leituras... Debalde, claro, presumo eu que se perceba.

Almoço

Almocei sozinha. Crescendo:
constatação;
facto;
tristeza;
lamento;
drama;
morreu. Não fora o metro estremecendo o chão a cada cinco minutos e cuidava de estar sozinha.

É comum ver-se

É comum ver-se no Youtube as pessoas - os próprios youtubers, quero eu dizer - confessando sofrer de ataques de ansiedade ou de pânico. Assim como grandes nomes da figura pública - artistas disto e daquilo, manequins, gente da TV - também os youtubers se expõem por modo a se aproximarem do público. Estou em crer que a ideia principal é fazer-se igual, e fazer-se igual é companhia que se tem, muito mais do que comparar-se a outros ou comprar os outros com o coitadinho de si. Mais: confessando publicamente medos e ansiedades fica-se com a sensação de se ser tolo e fracassado. Não deixar que isso se note, socialmente falando, é a luta. Que não pertence somente aos fóbicos.

vivemos em coisas retas, prédios
não vivemos as coisas certas, atalhos

Lá vem o lado mau de mim, o depressivo. Um lado. Lado: masculino. Eu: feminina. A depressiva. A depressiva. A deprimida. Chamar o nome certo é preciso, a ânsia é atingir o grau mais elevado do ridículo.

«A culpa é da vontade», António Variações

Era a canção que vinha ouvindo pouco antes deste clique.


Primeiro

Bom dia. São dez e trinta e um.
Ca frio da porra ca tá hoje, pá. Calafrio, lembrou-me o 'ca frio' meu.