sexta-feira, 23 de junho de 2017

Desenhar

O desenho-cão que estava junto à planta que nasce no lancil já não se encontra plenamente visível, pintaram por cima. Os obreiros passam a vida a pintar por cima dos desenhos-cão. O dos desenhos-cão passa a vida a pintar por cima das paredes de cara lavada.

Equiparar

Trouxe comigo o bloquinho rudimenta
Trouxe o livro que ando andava a ler 
Não escrevi em ele
Não li ele
Isto é equiparar as coisas à gente

Terminar

Terminei o pacote de açúcar com stevia que havia comprado aqui há tempo. Não gostei daquilo, adoça demais e deixa um travo amargo, qual doce, qual quê. Não têm freguesa, 'migos dessas lides.

Primeiro

Bom dia. São dez e trinta.
Lanchinho: 2 figos, que afinal sou repetitiva.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

espelho meu, espelho meu, quem será mais narcisa do que eu?

cor-de-laranja

refeitório

ó pá tóin xiru!

maravilha

maçãs pinque leidi






Eu não disse que as trazia?





daqui

Primeiro

Boa tarde. São dezoito e cinquenta e nove. Este é o primeiro dia - completo - de verão. De nada, ora essa. 
Tenho uma foto que masqueceu de juntar a este post e que reza a mesma temática:
as lembranças
los recuerdos
les souvenirs
que trouxe das -ainda não longínquas - férias. Se mostrei ao mundo o item guardanapos, como não mostrar ao mundo o item sabonetinhos/géizinhos/champôzinhos?









quarta-feira, 21 de junho de 2017

quarto

eu
marchar sem parar em semáforos seria
eu
encontrar um semáforo em vermelho-boneco e
eu
avançar para outra artéria da cidade até
eu
encontrar outro semáforo e
eu
notando o vermelho-boneco no boneco vermelho
eu
continuaria até calhar num semáforo com o boneco em verde-boneco, e isto nem que
eu
voltasse aos semáforos já visitados, só para
eu
não parar a marcha

Terceiro

A senhora do Banco envergava uma indumentária de palco, parecia uma bailarina – vestido em corpo justo e saia de tule, sabrinas e fitas a cruzar os pés e pernas.
Os bancos da praça estão na praça, o poeta está encoberto pelas folhas das árvores ao seu redor, as mesmas estão, ainda, revestidas de crochê.
No lugar (que também pode ser) da musa não estava ninguém, quero eu dizer: ninguém daquela 'minha' gente.
A árvore amarela está de um verde adulto, escurecido, notei pintinhas numa folha aqui, noutra ali. Nasceram ervinhas no sítio onde estava o banco em que eu me sentava para mirar o ar. O banco não vai voltar.
A rua mais bonita de Lisboa tem listas verdes demarcando os limites de uma ciclovia e por entre tem desenhos de tinta branca em forma de bicicleta. As pinturas são tão recentes que ainda vi o molde do desenho nas mãos de um obreiro que por ali andava.
O latim, a meu ver, precisava que algum obreiro fosse destacado para avivar as letras. Achei-o diferente, apagado. Não quero nem pensar que eu é que estou isso.

Segundo

A mana picoa mais despachada veio comprar um saco de água quente. «Mas pequenino, o mais pequenino que tiver», pediu ela.

Aí está ele, o verão – vivamos-lo!, plenamente!, óié!

Primeiro

Bom dia
São nove e trinta e seis


Chegou-se o verão
Foi-se o calorão


Uma foto ao céu tiraria
Mas a máquina eu não trazia


O sol está escondido
Acedendo ao pedido(?)
Das gentes crentes(?)

terça-feira, 20 de junho de 2017

(o pau não vai e vem para folgarem as costas, tampouco para se aproveitar esse intervalo, o foco é a dor)



és cá de uma delicadeza, mulher...






Faz de conta que

Ó Gina, como é viver sem o ansiolítico?
É estonteante, 'migos. Estonteante.

Há que saber viver, né?, mas afinal quem é que não gosta de entontecer, né?

Novidade

Tenho uma catrabucha nova. É tão viva e competente que havendo descuido, mesmo poucochinho, faz-me a manicura num ápice. E eu que agora ando arredada disso assim...

Do mural despedinte

Por conta do mural da despedida que ando a construir aos poucos, juntei hoje um volume. Trata-se de uma folhinha sei lá de quê, que não me parece retratar porra nenhuma.
É de plástico. Podia ser um desenho. Tem desenhos de nervuras. Os desenhos são nervuras. É acastanhada. Simula o outono. Tem outrossim o veio central desenhado. Tem um furinho junto ao caule. Pertenceu a um brinco.
É portanto não mais nem melhor do que qualquer outra das peças que compõem o meu mural despedinte.

Cliente

Trazia um papelinho (não um dos meus) com apontamentos no setor do gás, vindos doutrem. Se era doutrem, era para eu decifrar. Li: gás p/pano, decifrei: gás propano. Contudo: não sem antes a cliente me ler: gás para pano, o que não estava nada bem decifrado. Não é que desminta a existência de gás para pano, sei lá eu de todas as indústrias, mas não me quer parecer que haja...

Lilás

(muitos posts tenho eu com este título, oh céus!)

Ontem, dizia eu, dos jacarandás.
Hoje, digo eu, dos jacarandás.
Os jacarandás terão, supostamente, largado as pétalas liláses, só por dizer que já não fui a tempo de as ver pelo chão, que, supostamente, os almeidas andam a cumprir com o serviço e, por conseguinte, a honrar a profissão.

Primeiro

Bom dia. São onze e cinquenta e um.
O lanchinho d' hoje é merecedor de registo:

figos: 2
ó pá tóin xiru!
ó pá não eram tão doces
quanto
eu queria

Lembrei-me de fazer crumble de figo no próximo fim-de-semana, que o mel dos figos deve ser muitaa bom a receber desfeitices, só por dizer que crumble é coisa boa em dias amenos e muitaa boa em dias frios. Hum, não combina com o calorão destes dias.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Olá, bem-vindos a mais um blogue

Bom dia. São dez e trinta e três.
Lanchinho: duas ameixas vermelhinhas - e azedinhas, como eu gosto. Tirei fotos ao antes & depois mas a máquina fotográfica não tão espectacular assim não tinha o cartão de memória lá dentro, então as fotos ficaram gravadas na memória interna. Não que eu não saiba que o sistema para as tirar de lá é extamente o mesmo, mas acresceu uma tarefa para logo à noite, então: apresento as fotos amanhã, creio agora nisso, só por dizer que às tantas apresento num outro dia 'olhem: lembram-se das minhas ameixas? e tal e tal', e explico e deixo link para este post e assim conseguirei um extra-post.
O que eu devia fazer era pôr-me a procurar a porra do cabo para passar as lindas de morrer fotos que tirei... ai perdão, as fotos que tirei e que estão lindas de morrer.
Isto de ter a máquina faltosa de cartão deve-se ao facto de o regresso de férias ter sido um bocado virado para tecnologia. Um bocado. Mesmo. Levei comigo uma catrefada de valiosos auxiliares desta que escreve e que tem a mania que é repórter:
baterias, pilhas, carregadores, cabos, cartões de memória, pens
E, chegada a casa, houve que desemaranhar e descarregar o que estava nos cartões para o computador, e aí é que foi, pumba e coiso, hoje toca de trazer a máquina quase desmemoriada.

Vamos mudar de assunto?
Vamos.

Cheguei ao estaminé, atualizei a minha pastinha dos escritos e fotos e coisinhazinhas que tais, abri o meu documentozinho de escrita e... deixei cá um rascunho!, oh céus!, um rascunho?, eu deixei-me só um rascunho?!
Sim. Caraças pá, sim.
Mas sei como continuar a ser grafómana, isto porque, e por exemplo, já escrevi isto tudo e ainda o sol vai na subida, para aí aos três quartos do pico.
No documento que uso no estaminé, deixei também uma foto:





E um documento digitalizado:





Da foto:
Não malembra se cheguei a publicá-la e não vou vasculhar o passado do blogue, que não mapetece. Trata-se do momento em que terminou a caneta verde, que entretanto deixei em Villefranche de Conflent, acompanhando a mala-velha-e-creme, ó:





Da imagem:
Deixei-a por publicar, disso já malembra e olhem, publico agora e acabou mas é a conversa ← essa.
Trata-se de uma lista de faltas domésticas que não me pertence e que encontrei não malembra onde. Neste dia, é não mais que isso.

Boa tarde. São quinze e quarenta e sete.
Sei que todo este post está superlativamente interessante, o que vos levará a não esmorecer a leitura. Então, vá.

Da lista do que eu queria, ainda, registar acerca da mais recente viagem, não consta copiar os manuscritos para os publicar no blogue, o que é vez primeira a acontecer. Sério. Copio, desde sempre, as palermices que escrevo no caderno – ao d' agora chamo de 'colorido' – que levo comigo. Ora acontece que escrevi pouco, principalmente por falta de tempo, embora a falta de vontade tivesse aparecido no fim da jorna, tanto que nos dois últimos dias não registei coisinhazinhas. Lamento essa ausência, mas pouco, afinal sou mulher para não dispensar o viver em prol do escrever, a esta grafómana não é fácil escrever umas coisas sem viver, tanto essas como outras coisas.

Ó pá, que saudades do lugar (que também pode ser) da musa, da árvore amarela, da rua mais bonita de Lisboa, dos bancos da praça, do latim, das folhas pela calçada. Hoje não pude rever todos eles, tampouco amanhã será dia disso, mas quarta-feira lá vou eu. O que amanhã poderei rever são os jacarandás, que, estando junho aos dezanove, hão de ter largado muito lilás e muito óleo na calçada – frruque!, frruque!, frruque!, eu a andar e as solas a pegar. É.

Sabem que eu, na dita viagem, logo ao início deu-me para colher florzinhas e folhinhas. Nem sempre esperei que o acaso mas trouxesse, fui por vezes ruim para com a Natureza, ingrata, arrancando flores e folhas do seu sistema de vida para as encafuar num dos meus. Com isto entristeci um poucochinho, mas por outro lado alegrei-me, era para continuarem vivendo, afinal. Por onde ia passando, e onde me apetecesse, levava comigo as flores e as folhas, que nem sempre apanhei do chão - repito a ver se se entende - dispondo-as seguidamente por entre duas folhas do meu caderno colorido. Isto contribuiu também para não me dedicar tanto à escrita manual, pois quanto mais recolhas eu tinha por entre as folhas do caderno, mais volumoso este ficava e mais cuidadosa eu tinha de ser, que era um ai! enquanto as recolhas saíam do seu lugar, quantas vezes não dei por algumas caídas no fundo da mala, ou então prestes a isso. Mas não perdi nenhuma, é que nem uma.
Entretanto deu-me na cabeça armazenar toda a espécie de papelada, cartões de visita, faturas, avisos 'do not disturb', ou, quiçá bem mais chique: 'prière de faire ma chambre', talões de pedidos à mesa com anotações de palavras-passe do wi-fi dos restaurantes, envelopes guardadores de talheres limpos e prontos a usar e até, pasme-se! papéis de Sugus. Portanto o meu caderno colorido ficou gordo pra caraças e manuseá-lo sem me cair todo o espólio era quase um dom de malabarista.

São agora seis e tal da tarde. Estou aqui estou aí, onde for. Quero eu dizer que já faltou mais para publicar este grande post. Se não conseguirem ou não quiserem lê-lo até ao fim, não faz mal, eu gosto de vocês na mesma.



Lisboa, dezanove de junho de dois mil e dezassete





domingo, 18 de junho de 2017

meramente

se comparado à gargalhada, um sorriso não é mero, quando sincero

Pastilha ausente

Com a pastilha da máquina da louça fiz uma metáfora linda e boa, mas não a guardei ou apontei, então: foi-se. Diz que as ideias para escrever se repetem horas ou dias depois, caso valham a pena. 
Tenho para mim que alguém inventou essa ideia para amparar o desalento de não mais ser possível registar isto ou aquilo por via do esquecimento. Não vou por aí, se esqueci, esqueci e pronto. Mas voltando à ideia que se me foi: era uma ligação poética por entre a pastilha de lavar louça na máquina, o balde e a esfregona. 

Do balde e da esfregona tenho foto, da pastilha é que não, o que colmato com duas fotos mais-do-mesmo-mas-ao-contrário.









conhecer



eu não conhecia la plage de la baleine numéro trente huit









eu conheço la plage de la baleine numéro trente huit


Primeiro

Boa tarde. São dezassete e vinte e dois.



Montpellier, 11062017

sábado, 17 de junho de 2017

Pôr-do-sol


Se querem saber, e querem, empreendi a viagem, percorrendo três mil e não sei quantos quilómetros para ver o pôr-do-sol em Montpellier. Mas não somente. Afinal é na viagem que mora o interesse-mor.






Gelificar

E agora a gelatina vai fazer o seu trabalho, disse ela, abrindo a porta do frigorífico.
Lamentei logo ali que a gelatina não faça também o meu.

vou fazer um bolo



mas não me apetece


mas vou
e vou porque mo pediram:
olha, podias fazer um pão-de-ló...
e eu:
mas eu fiz gelado!
e ele:
então!, gelado com bolo é muitaa bom!



posta-restante:
ai, ficou tão amarelinho!

lembranças
recuerdos
souvenirs

Primeiro

Boa tarde. São dezasseis e trinta e quatro.
Há incêndio não muito longe de mim. A sirene tocou ao meio-dia mas não a ouvi a chamar os Bombeiros. Mas lá que há reboliço de sirenes na estrada, há.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

comprinhas

fui ao supermercado.
o meu excelentíssimo automóvel de matrícula portuguesa tinha teias no retrovisor lateral esquerdo
não limpei, pareceu-me vintage
o pára-brisas estava empoeirado
não lavei, conseguia ver


comprei

sultanas envoltas em chocolate
batata-doce with orange pulp
queijo griego
pomodoro monterosa
limões oh!
frango de aviário
fresas madurinhas
crème glacèe aux chocolat et noisettes

Pormenores

Pudesse eu, e nesta viagem teria escrito tudo e fotografado tudo. Mas, por ter de fazer uma escolha, escolhi viajar e viver sem escrever em toda e qualquer folha, guardanapo, fatura, cartão-de-visita e sem fotografar toda e qualquer folha, pétala, ramo...
Então que fiz para não rebentar?
Escrevi umas coisinhas no caderno colorido, usando as canetas vibrantes, e fotografei pormenores aos montes, deixando agora - alguns - no blogue.



escrever é fixe

Segundo

Boa tarde. São catorze e trinta e três. Podia ser a sirene dos bombeiros.

Primeiro

Bom dia. São onze e trinta e cinco.
Tenho uma novidade do caraças.


quinta-feira, 15 de junho de 2017

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Autoestima

Por ser uma pessoa surpreendente, jamais saberei quem sou. Presumo eu. E duas vezes na mesma frase.








Há quatro anos era quarta-feira

Ontem (terça-feira)não escrevi nem uma linha. Não foi falta de vontade, pelo menos não completamente, foi uma força que tive de arranjar. Escrever enlouquece-me e isola-me. Às vezes preciso desesperadamente de me igualar às pessoas normais, as que não escrevem, esse grupo é maior, sinto vontade de me juntar às maiorias por causa da solidão. Imagino-me mais feliz se não gostasse e precisasse tanto de escrever, parece inclusivamente que seria livre, e a ideia de que a escrita me liberta é errada, escrever acorrenta-me e não é pouco. Às vezes quero ser uma pessoa sem frases pipocando incessantemente na cabeça, sem aquele desejo incontrolável de as escrever. Às vezes quero ser uma pessoa que não se debruça com desmesura sobre ninharias, que atenta nas pessoas sem receber retorno no mesmo grau. Escrever é depressivo, sou eu que o digo, e digo-o com propriedade.
Hoje (quarta-feira) estou a escrever, pois claro que estou, e não estou deprimida, que o bom que a vida tem é nunca estar no mesmo ponto. Escrevi. Agarrei-me aos rascunhos e aprontei-os, estão mesmo aqui por baixo. Siga a vida.


|5 junho 2013|