quinta-feira, 14 de março de 2019

O bolo

No fim-de-semana passado fiz um bolo de limão e alecrim, isto na enga em que ando agora, a de refazer, um a um, os bolos do meu dossiê especial. Na sexta-feira tinha posto no blogue quão indecisa estava, oh céus!, que bolo fazer?, apresentando inclusive as ideias, só por dizer que a preferência caiu sobre um bolo que não constava na lista. Pois. É meu costume descomandar as próprias ideias. São ânsias que tenho ou então é outra merda qualquer. Trouxe o bolo para o estaminé. A vizinha Gislena comeu e disse, uma vez mais, que estou no lugar errado, que no meio de parafusos e porcas não é de todo o meu lugar.
Não contrariei.
Não sei se ela está certa.
Se eu é que estou.
Nunca estive no local certo, tampouco concebo essa ideia de lugar ou tema certos para mim.
Sei lá.
Gosto de tudo.
Não gosto de nada.
Ela lá foi desenrolando elogios acerca do bolo e da minha capacidade para os fazer bons. Desenrolou também directrizes para eu tomar, abrir um negócio, vender fatias de bolo, eu que fizesse um blogue, que sou uma mulher dos blogues, contara-lhe o meu colega.
Alto!
Estão a ver quando digo que não publicito o blogue? Que raramente ganhei essa coragem? Então pronto, é isto, não fui eu que lhe contei que tenho um blogue.

A foto





Acima é uma das fotos que estavam num cartão esquecido numa gaveta de casa. Eram muitas e sei que publiquei uma no blogue, muito embora não me ocorra qual o assunto em que me apoiei. Sei lá. Foi para aí qualquer coisa e uma coisa qualquer, o que é, indubitavelmente, o que está acontecer com este post, já que o concreto reside no filtozinho que lhe pus por cima, na enga de melhorar este momento, e que se chama Fairy, que fui rapinar ao LunaPic e que, sendo assim, faz a imagem ser deste ano, que foi este ano que a editei assim. De nada, ora essa.

Dia de (disseram na Radio)

Dentre outras coisas, hoje é dia do PI. E é escolhido este dia por ser mês 3, dia 14, uma vez que o PI é coisa para ser sempre chegada ao 3,14. Lembro-me de, numa qualquer aula de Matemática, a professora (eu já não tenho 11 anos, já não digo stora) ter dito que aquela conta, feita daquela maneira, daria sempre, sempre sempre sempre, 3,14. Só por dizer que, e porque não tenho 11 anos, não sei explicar e amiudar esta coisa, que já não malembra. Ficamos todos assim, então. Seja lá como for o que pretendo com este post é registar o facto de alguém se lembrar de lembrar o PI só por ser catorze do três.





aqui está uma explicação
não sei se é a melhor
se é a mais completa
foi a primeira que encontrei

Pontos de interrogação






Intitular este post de 'pontos de interrogação' fez e faz todo o sentido.


Mudar de sentido

Há nove anos que a piada «ah não ligues, ela/e hoje ainda não tomou os comprimidos» tem para mim um outro sentido. Um mais sentido, e com sentido.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Numerologia

Há tempo dei com aquelas contas que se fazem para se saber qual o número que nos rege ou pertence. Digo rege porque afinal parece que se a gente for este ou aquele, somos comandados de certa maneira, e pertence digo porque é o nosso número, ó pá não no-lo tirem. Pronto, coisas assim. Lamento não me lembrar qual é o meu mas aposto que me calhou o 2. O 2 é um número pouco valoroso, arrima ao 1, que, sendo menos valoroso, é indubitável que ficar no 1º lugar seja lá daquilo que for é do mais qualificável que há, e, embora o 1 seja em poucochinho, é o 1º a aparecer. Por último há ainda aquela porra que se diz que, em podium, o pior lugar é o 2º. Lembro-me de na altura ter ficado com a ideia de que, a quem calhe o número 11 ou 22, se pode considerar uma daquelas pessoas especiais, com uma personalidade marcada, marcante, porfiadora ao ponto de ser capaz de mudar o mundo. Ei, Martinho Lutero, 11 ou 22, 'migo? E tu, ó Bonaparte...? Hitler, cucu!




Bem sei que podia pesquisar nas netes e tornar-me conhecedora do número da minha vida, mas não quero, acho muito mais giro admitir que sou o 2, que adornei cá à minha maneira com as questões que referi. Posso melhorá-lo ainda mais, registando que o acho muito eu também no sentido de, no fim das contas, não existirmos.

Sonho

Sonhei com a página do meu caderno, uma que deixei por preencher por ao momento me ter dado na mona listar, actualizando, as faltas de supermercado, mas conter, também na mona, questões que se prendiam com o que estava a escrever. Quer então isto tudo dizer que deixei espaço para terminar o assunto e assim acontece que o caderno me apresenta uma lacuna, o que me desagrada, pois, como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, tenho por missão rabiscar em tudo e tudo. É puramente, ou toscamente, quero lá saber, uma questão de vida. Como posso portanto ter deixado aquela folha em branco? Oh! Creio firmemente que esta questiúncula se encontrava ontem à noite no meu subconsciente, daí sonhar com o horror que é uma folha virgem por permeio de outras desbravadas. O sonho consistiu em ter visto algures um arbusto de belas flores, mas com pétalas enormes, alongadas, de um branco impuro, acetinadas, de espessura forte. Quando avistei o arbusto comentei com quem estava comigo 'oh que lindo!' e idealizei de imediato que arrancaria uma das pétalas e a colocaria na dita página. Entretanto, na vida real, passei pelo arbusto - que vive no muro de pedra e que já se alindou todo com o sol que tem feito – e arranquei-lhe uma das folhas mais grandes para entalar no caderno e assim o encher. É tão linda como as pétalas que no sonho agigantei, mas de outro formato e cor. Só talvez se assemelhe em tamanho, descobri que mal cabe sem se ver pontinhas espreitando. Daqui a dias terá encolhido, que eu bem sei, acontece a todos os que envelhecem.

Pessoas no Banco

O senhor que estava a ser atendido parecia mesmo o senhor doutor oculista. Apurei o faro e concluí que só mesmo a fisionomia se aparentava, que no cheiro não. O senhor doutor oculista cheira sempre, sempre sempre sempre, extremamente bem.
A senhora do Banco, a mais carismática, foi quem me atendeu. Tratou-me extremamente bem. É costume ela tratar-me bem, sim senhoras e senhores, mas extremamente é só para certas ocasiões, ainda não deslindei quais merecem este trato inflacionado (é pra rimar com Banco), só estou desconfiada de um motivo, o qual permanecerá secreto para vocês.
Entretanto aproveito para registar ainda, e uma vez que estou no tema 'Banco', que voltei a desesperar em filas de Banco e em consultas ao perfil do Instagram. Não é um agravamento, mas um regresso. Compreendam que o agravamento de um estado é uma questão pobre e tola, e um regresso é algo cheio de poesia, de saudade, de acolhimento.

Vida animal

Karen, olha, a Gina tem uma borbulha no queixo, está carente, portanto deixa lá ela fazer-te um festinha, vá.

Karen é a gata que por vezes ponho no blogue e que é assustadiça e fugidia. O olhar denuncia susto e temor, raramente passando daí. Ela olhar para mim, olha, e não se desvia, embora lhe note o temor que já referi, e lá que me enfrenta, enfrenta. Por vezes semicerra os olhos, o que me leva a crer que tolera a minha presença no seu território e/ou fica à vontade. Só que ainda não ocorreu a festinha no lombo ou na cabecinha de Karen. Da primeira vez que tentei fiquei receosa, sei lá se o bicho se me amanda pra cima movida pelo temor que lhe vejo no olhar. Da segunda, e última, também não cheguei à coragem, e pelo mesmo motivo. A ver vou se à terceira é de vez. Diz o dito que sim, mas vá. A senhora diz para eu tentar, sem medos, que até hoje ninguém se lhe chegou tanto ao pelo como eu, e que, consumado o acto, serei a primeira pessoa a.

Roupa preta

Quando acontece vir de casa com a parte de cima em cor preta, é certo que quando chego ao estaminé fico toda vestida de preto, uma vez que a parte de baixo é quase sempre em cor preta. Em dias assim é comum virem de lá as perguntinhas: está de luto? morreu-lhe o periquito?, sendo a segunda um desanuviar da possível resposta afirmativa à primeira. Contudo, da última vez em que esta mesmíssima cor me aconteceu em todo o corpo, trazia por baixo da camisola preta, uma vermelha, sendo portanto visível pequenos frisos ao redor do pescoço e dos punhos, que, embora vivos, creio poderem escapar ao comum olhar das gentes. Não estou enlutada, que felicidade, pensava eu. É que nem o lencinho de assoar pressagiava o estado, que, vermelho, também o era.

Morreu

#semfiltro

As horas que são

São catorze e quarenta e três. Há formigas na calçada da rua mais bonita de Lisboa.

As sentadas

Estavam quatro mulheres sentadas no banco hater. Não é o tempo de idolatria, bem sei, mas fez-me impressão na mesma.

5757

Este post trata de cores secas. Na praça mai linda de Lisboa vi uma fileira feita por:
semáforo
tronco
poeta
folhas
Esta última, em cor, achei seca porque a distância a esbateu.

Cliente

Ontem à noite, eu e o meu colega comemos cada um sua tigela de sopa. A cliente insistiu de tal maneira que sucumbimos. Eu cheguei a casa já tratada de jantar, o meu colega não sei.

Este post é





Este post é só para vos mostrar que os meus óculos, se com filtro a negativo, ficam verdes. Anoto, ainda, que, sem filtro, os meus óculos são vermelhos.

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Vento

Hoje nem era o escape da mota a fazer mexer o arbusto. Era o vento. Ou eram ambos, vá.

Bitmoji de Gina aplaude Gina