terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Agora que o Outono está no fim

Se este Outono vi cair alguma folha da árvore amarela?
Vi.
Foi aos vinte e nove de outubro. Soltou-se, rodopiou, caiu em cima do pára-brisas de um carro ali estacionado, retirei-a de lá e colei-a no caderno. Tudo comigo e depois com eu.

Lisboa, Lisboa

A última parte da avenida Almirante Reis, a que chega ao Areeiro, não tem luzinhas de Natal como outros quarteirões. Nesses, as luzinhas são pauzinhos iluminados que agarraram aos postes, em decrescendo, se de baixo para cima, fazendo a forma triangular que tantas vezes simula um pinheiro e, ali, é para isso que estão. Na avenida João XXI a forma (e presumo que a vontade) é a mesma, só que em pequerrucho. Sério, aí as Árvores são mesmo piriris, só não sei por que motivo – será menos importante, essa avenida...?

Pacotes de açúcar

Fui aos Correios na disposição de enviar - ou enfiar…? - uma carta mas, chegada ao pé da ranhura, noto que o envelope, para além de não estar fechado, não continha selo. Nem sei como tal, é que foi mesmo a tempo de. Sim, sou um bocado aérea mas, neste caso, tenho uma espécie de desculpa - o meu colega havia-me incumbido da tarefa sem ter concluído o despacho, muito embora, e neste caso ele também tem uma espécie de desculpa - quem costuma tratar da filatelia do estaminé sou eu, portanto vai daí. Entretanto, já antes de sair armada do envelope - aberto e despido, oh! poor thing... - o meu colega me tinha pedido encarecidamente que lhe trouxesse algo para comer. Fui ao café - que não é o do Zé - e comprei uma merenda feita com massa brioche. Lá- mesmo não sendo o café do Zé - notei que o recipiente dos pacotes de açúcar continha uma nova coleção, com mensagens natalícias e, ou, animadoras, e anunciei ao senhor – que não é o Zé - 'Vou tirar um pacotinho destes, está bem?' e ele 'Ó minha senhora, tire, tire!' Incentivou-me ainda a escolher vários, aproveitei e trouxe três. Tirei foto somente à frente, do verso, trato de transcrever. Então:

1
Onde semeamos amor, crescem sonhos.
2
Onde semeamos amor, crescem alegrias.
3
Onde semeamos amor, crescem encontros.

Entretanto já lacrei - leia-se fechei - e selei - leia-se colei o selo - o envelope e enfiei-o na ranhura. Sim, dobrei o passeio, só não consigo saber quantos passos dei a mais porque não havia levado o telefone em nenhuma das vezes. Pronto, sabem como é, a minha vida é cheia de problemas. Ah, e eis a foto, claro.







Dias de um Ginásio

Este post é acerca das diferenças entre homens e mulheres, isto excluindo as óbvias, obviamente... Redundância, ah ah. Aquele meu professor de Pilates, o destrambelhado, o que já no outro dia pus no blogue que pergunta a cada pessoa que se encontra na sala pela primeira vez se 'já fez comigo?' e que toda eu me encho de malícia e mais não sei o quê, usa essa expressão apenas para as mulheres, concluí eu no outro dia, pois que, para os homens, o que pergunta é 'hum, já cá esteve?'. Fica logo outra coisa, não fica?

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Gina, em relação com Centro Comercial.

Em quiosque calminho, Gina bebericando café - que, diga-se, estava em horrores, estava em arrependimentos pelos setenta cêntimos que havia custado – vem senhor interromper tão importante evento, perguntando a Gina se sabia onde era casa-de-banho. Gina disse 'não sei' e ficou pensando se cara dela era parecida a urinol, se cara dela era amistosa. Gina ficou sem saber. Café mau. Mau, mau.

Em loja de louças e espelhos e almofadas, Gina considera ser não bom que se compre somente única peça de prata, única peça de taça, única peça de toalhete. É que Gina gosta de colecionar. Gina comprou coisa nenhuma.

Em assunto café, novamente, está, por ora, Gina. Dantes, em tempo de Gina visitar Centro Comercial amiúde, loja de ali assim era cafetaria, não loja de bijuteria, relógios, tudo em lindo de morrer.

Gina vai deixar modo abstrato de escrever. Gina está cansada de tom desengraçado. Gina considera ser aborrecido escrever, e ler, assim. Próximo item será em tom costumeiro de Gina.

É deveras redutor haver duas funcionárias à entrada de certas lojas. Embora compreenda que a ideia é receber os clientes, olhem que não é o que pipoca em mim, o que em mim pipoca é que eu me ponha no ir, preferencialmente sem lá entrar, e o mais rápido que conseguir. Oh porra pá, parecem duas estacas. Mesmo. Digo aquelas que há à entrada de certas propriedades, que geralmente são privadas e, se o são, então o bom entendedor entende que não é para transpor a linha imaginária.

Entrei numa loja na disposição de perguntar pela tal maquineta que quero comprar. A funcionária conseguiu o mínimo dos mínimos de simpatia para mim. Não descreio na ideia que obteve ao olhar-me, que sou nada jovem e me apresento de cara lavada – oh, pronto, lá vem esta comprar uma prendinha de Natal para a/o filha/o – e arranjou até um poucochinho de condescendência. Oh vejam lá. Mas ca fofa. E disse-me até onde encontrar a tal maquineta. Porque ali não havia. Pois.

Surpreendi-me imensamente com uma loja de roupas que tinha a parte dos homens em primeiro lugar! Tipo assim a gente a entrar ali e ser só roupa de gajo! Ai q'órror! Pronto, 'tadinhos, né, também não é assim, a gente sempre primeiro, a gente sempre primeiro, a gente sempre primeiro.

Adoro a sensação de iniciar a descida/subida de umas escadas rolantes e ao primeiro toque do pé no patamar, a velocidade aumentar-se-lhes.

Percebi porque é que encontrei 'os homens' primeiro, foi porque a loja é tão mas tão imensa que tem duas entradas. Portanto: que se dedique cada uma a cada um dos géneros é bem pensado.

Comprei duas camisolas. Comprei duas camisolas. Ah. Ah. Comprei duas camisolas, ah. Ah, comprei duas camisolas. Há mais duas camisolas no meu roupeiro sem portas. E com isto desisti de comprar a tal maquineta. Não sem antes ter procurado empenhadamente a loja sugerida aí acima, no texto.

Ai q'órror! Uma pessoa sente-se mais do mesmo se entra numa loja onde encontra numa mesa uma catrefada de camisolas iguais à que traz vestida. Hum. Sei lá, fica-se corriqueira.

Encaminhei-me, diga-se desaustinada, para a porta de saída da porra do Centro Comercial. O sentido em que ia é para sair, não para entrar. Ou então também se entra na rua, sei lá. Ou sei, entra-se. A avenida que tinha que atravessar é complexa, tem quatro faixas que se intercalam em sentidos, é um problema perceber aquela merda. Avancei.

Ponto da situação:
Tenho uma camisola que vou ter que estreitar nos ombros e uma para usar no Ginásio. O ano passado foi o primeiro ano em que me vi obrigada a usar mais uma camisola no Ginásio, isto por entre aulas, ou então no final, quando se pára para alongar. Cheguei aos cinquenta, foi o que foi. E é. E é mais um, cinquenta e um.

Perscrutei o espaço na esperança, enorme e razoável, de encontrar a entrada para o Metro. Parecia alguém vinda de uma pequena aldeia à procura de algo numa grande metrópole. Não verdade é que o que sou, só por dizer que não se nota nada. O segredo para descobrir a entrada seria seguir as pessoas, se muitas forem – quero eu dizer um aglomerado de gente dirigindo-se ao mesmo ponto, na mesma direção - pois, para onde vai muita gente, muita gente quer ir, e uma entrada para apanhar um comboio é coisa de muita gente querer. Mas as pessoas estavam dispersas, se bem que a hora não fosse de asfixia. Ia um homem aos berros com a - presumo que – mãe. Coxa e velha. Enfim. Por fim descobri a almejada entrada, tinha que descer mais um piso e eis que. E sim, aí sim, havia gente aos montes. Percorri parte da estação e sentei-me para esperar cerca de três minutos que chegasse um comboio. Vazio.

Não posso dizer que tivesse saudades de andar de Metro, mas posso dizer que reconfirmei aquela minha questão contrária, a de, quando já no comboio, escolher o banco que me vai fazer viajar de costas.

Depois foi só subir três lanços de escada e abraçar a minha vidinha do costume, sendo imensamente feliz.

Em algumas alturas deste relato lamentei que não estivesse a captar também imagens. Mas enfim, andar por lugares, seja lá quais forem, falando para o telefone, é bem diferente de andar com ele apontado à minha cara, falando e falando. E sim, este post foi, antes de mais, um áudio que gravei enquanto me movia.

Gina, numa relação com Lisboa.

Quem agora se mete na Travessa das Amoreiras a Arroios vindo da Carlos José Barreiros vai poder descer uma escadaria que nada tem a ver com o que era porque foi recuperada. Mas olhem que era muito mais giro como era dantes, com as irregularidades nos degraus, que faziam um andar titubeante – o meu, falo por mim – e, sob certa perspectiva, isso já não tem graça. Depois que desci os degraus percebi que são estreitos e baixos. Na estreiteza está igual, na altura é que não, daí a dificuldade em descer - ou subir – a dita escadaria, é que degraus estreitos e altos... está-se a ver o titubear desta que escreve, né?

Na estação de Metro do Cais do Sodré li 'mais importante do que andar descalça' e peço desculpa ao autor da frase se não é assim, mas foi o que tive tempo de ler. Poeta é feminino, lembrei-me eu, agora, ora (este é para rimar).

Ponderei se não seria boa ideia ir para o lado do Tejo. Hum, não sei. 'Ai vou, vou', decidi. Esta parte da beira-rio faz-me sempre impressão porque ainda não descobri qual é o lugar dos peões. Parece que as duas linhas é para as bicicletas. Ok. Contudo, há no chão um sinal redondo onde estão desenhados um peão e uma bicicleta, e este sinal fica mesmo ao lado dessas duas linhas, o que me leva a concluir que os ciclistas podem andar por todo o lado. Ok.

Atravessei o enorme parque de estacionamento. É enorme porque quase não há carros estacionados. Oh, na verdade não é enorme, qual quê. Mas estes descampados sempre me fizeram um bocado de impressão, e isso sim, é verdade - é muito ar 'migos, muito e muito ar.

Sem cenários

Fazer áudios tem sido bom, isto em substituição dos vídeos e sobretudo no estaminé, porque digo o que considero ser de dizer e não estou preocupada com o cenário. Dantes, em tempos há muito idos, os do velho estaminé, o cenário que eu tinha era lindo e colorido, arrumado, ao contrário do resto, que era de uma feiura desgraçada e que, felizmente, não se via. Embora o presente estaminé não tenha uma belezura encantadora, bem sei que não, não lhe encontrei ainda um cenário capaz e vistoso, mais: longe da vista de alguém. Falo longe da vista porque nesses tais tempos idos, eu gravava os vídeos durante o horário de expediente, se entrasse algum cliente, parava a gravação e depois de atender retomava. Tenho no meu canal dezenas de vídeos interrompidos por clientes, e tudo bem, era o meu trabalho, era eu a gostar de gravar vídeos, de falar, de expor falando. Mas neste meu estaminé não tenho esse gozo, não. Retomando o assunto 'áudios', nestes não se vê eu, não se vê gestos ou expressões, só se ouve a minha voz, o que considero interessante por ser intimista. Agrada-me este mistério da voz e não sou decerto a única.

Para alguns o Natal é um bocado parvo. Quero dizer: a foto é parva.

Lisboa, Lisboa

Sonho

Sonhei que tinha ido visitar a Vespertina. A casa dela encontrava-se agora num lugar tão húmido como antes, com uma vista tão ampla como antes, mas no sonho era branca, não verde de arvoredo, não cinzento de montanhas rochosas, como é na vida real. Tinha que se descer escadarias, isto no sonho, não subir por um elevador novinho e falador - 'troisième étage, déum-déum!'; 'sortie!, déum-déum!' - como foi na vida real.

Se descemos, como vermos as vistas como se num alto mais alto que le troisième étage estivéssemos? Que foi sonho, é uma bela de uma conclusão.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Notazinha:
Tudo o que se põe, se opõe

(a foto é antiga)

Membros

A mão abaixo
A mão debaixo
A mão para baixo

O pé acima
O pé por cima
O pé para cima

Notazinha:
Tudo o que se põe, se opõe

Hum...

Não existem soluções, mas tentativas, e enquanto tento, aguento.

Hum, eureka… ?

O preto no branco

A pasta de dentes é preta, tem carvão ou lá que é. Diz ser bom para branquear, o que é um bocado estúpido - como branquear quando se é preto como o carvão? Não sei e posso não saber - estou no único ponto do mundo onde posso não saber coisas, no blogue.

Cogitações depois do treino

Chama-se Esther, Esther com agá entre o tê e o segundo é. Pois, que entre o tê e o é só pode ser o segundo é. Bom. Então. Cá no meu conceito poder-se-ia pôr este agá em qualquer lugar que se leria Ester na mesma, exceptuando a seguir ao ésse, que assim ficaria algo como Echeter.

Levei o telefone para falar para ele, e falei, mas não o levei para tirar fotografias, mas tirei.





Dei mais de dez mil passos disse o telefone, mas contou com os da passadeira. Estas passadadeiras são todas xispêtêó, têm até uma caminha para deitar o telefone ou o ipad ou o tablet ou o que for, deite-se lá nada, até, que dará. Trazer o telefone teve também como motivo o querer escrever coisas, há milhões de pensamentos por apontar, os de estar em movimento no Ginásio são facilmente volatilizados, perdem consistência, perco-os, o que lamento e não é pouco. Mas isso de escrever no telefone fica para outro dia, esqueci-me dos óculos. Eu posso até escrever, tudo bem, mas dou tantos erros, clicando nas teclas erradas, que corrigir tudo leva um ror de tempo.

Devo dizer-vos que de onde estou se avistaria o Tejo não fora já noite cerrada. Quero dizer, eu avisto o Tejo, sim senhoras e senhores, adivinho onde está porque conheço a paisagem para lá de bem, só que está escuro. É aquela mancha escura ali, ó. (não, não está na foto)

Entretanto lembrei-me que este ano não decoraram os corrimões do corredor com muitas e muitas luzinhas de Natal. Oh. Nem puseram muitas e muitas Árvores de Natal, optando por uma só, em grande. Das luzinhas, aos mais anos, cada uma tinha a sua sequência de acender-e-apagar, fazendo com que dançassem sem par, sem norte. Olhem, pareço eu, na vida, é toda uma catrefada de coisas que posso ser e, ou fazer, sou e, ou, faço, mas não sei onde está a companhia e, ou, o norte.

Depois

Depois de ter escrito o post anterior - ressalvo: depois, assim sei que não houve influência - lembrei-me da nota presente numa das primeiras páginas de um dos livros do último espólio que adquiri e que diz assim:

«...Uma biografia escrita como o são habitualmente, passando em silêncio todo o lado vicioso e culpado da minha vida, seria falsa, e, se ela tem de ser escrita, deve dizer-se a verdade inteira. Só uma biografia desta espécie - por muito vergonhoso que seja o escrevê-la - pode ser de algum real proveito para os seus leitores.»
L. Tolstoi

É que nem sempre me ponho a contar as minhas melhores questões, os melhores momentos e tal e tal. Pondo, seria perfeita, e a perfeição é uma mentira.

Pendentes




Acerca do fazer-da-Árvore, há pendentes. Confesso-vos que não a terminei, id est, as fotos que já mostrei não a mostram como deveria estar; como estará um dia desses. Falta-lhe mais uma catrefada de enfeites e também uma série de luzinhas, porque encontrei uma fundida. Tenho ainda que decorar o resto da casa. E não, não me apetece, por isso é que ainda não está, que tempo não faltou.

Gina, numa relação com o supermercado.

Comprei dois packs de cerveja. Hum. O motivo é a ver se bastam até ao dia depois do Natal. Aquele, o da ressaca, o 26. Hum.

Escolher vinhos, para mim, é fácil, embora os beberique. Como sabem, e se não sabem não faz mal eu gosto de vocês na mesma, bebericar não é beber. Os critérios de escolha são:
que estejam em promoção
que não custem mais do que cinco euros
que a descrição no rótulo me agrade
Desenvolvo este último critério. Desta vez comprei duas garrafas e, quando assim é, gosto que os rótulos se distanciem em experiências, sejam como que opostos, se um diz ser encorpado e persistente, o outro que seja subtil, delével, se um diz ser frutado, o outro que lembre madeiras. Pronto, coisas assim.

A Julia Roberts estava na caixa do bacalhau. Não sei o que isto quer dizer mas posso alvitrar, que alvitrar comigo pode estar, é que ela é toda despachada e a bicha do bacalhau, nesta época, já se sabe. Aquilo vai tudo andar numa roda viva, qual clientes amigos da lentidão e indecisão, qual quê, é escolher e acabou! Só não levam nos cornos porque.

Comprei um pack com duas almofadas de dormir. Baixinhas, agora que já as vi. Vou ter que usar o par. Vou ter que comprar outro pack. Vou ter buéda almofadas.

Demorei mais vinte minutos nas compras. Isto porque tinha mais compras a fazer. É meu costume, nesta época, rechear a despensa abastadamente. Sei lá, receio faltar alguma coisa e depois não ter tempo de ir buscar, ou ter, mas gastá-lo todo nas bichas. A propósito, o incrível de me ter despachado menos cedo é que havia gente aos montes pelo supermercado, mas não, ainda, nas filas. Quer isto dizer que há mais gente com montes e montes de compras a fazer.

A senhora da caixa que me calhou hoje é pouco dada a conversa, não usando delongas vocais... Isto existe? Agora existe. Mas a senhora. Contudo, comigo, conversa. Percebi que me perguntava aquilo de eu querer selos para aquisição dos bicharocos feios, e respondi que não. Ela riu e observou: foi a minha colega que perguntou à cliente dela, pensava que era consigo? e eu que sim, pensava.

Nada de atrapalhar gentes que entram em seus veículos dans le même temps que moi. Nada de atrapalhar, même qu'il ya une place de entremeio.

Comprei dois Pais Natais... pais natais...? Não, definitivamente não, Pais Natais. Um é de menino e o outro é de menina. Um tem desenhado um saco azul na base e, no outro, o saco é cor-de-rosa. O do saco azul tem desenhados dois sinos, uma prenda e quatro partículas de gelo. O do saco cor-de-rosa tem desenhados brinquedos a saírem-lhe da abertura. O Pai Natal do saco azul tem o dele fechado pela mão. Direita, já agora. Pá, pronto. Viajaram comigo até casa naquele compartimento ao pé da manete das mudanças, que não os quis partidos, tampouco amachucados. Qui-los antes o mais próximo possível ao aspecto que têm quando saem da fábrica.

As garrafas de vinho foram entremeadas por um garrafão com água que está aos pés do pendura. É assim, uma pessoa tem um carro velho e depois tem que andar com suplementos destes. Mas que grande almofada que um garrafão cheio de água pode ser para duas garrafas de vinho, sim senhores. E senhoras. Ai. Senhoras e senhores. Mesmo assim foi uma viagem em perigo, a dada altura um condutor fez-me sinais de luzes alegremente - olá, olá! 'miga! cuidado! - é que havia um acidente. Bem sei que acidente não combina com alegremente mas o blogue é meu, portanto vai daí. (não era um acidente com pessoas acidentadas, era um acidente com dois carros amachucados algures, é chato, bem sei eu o que isso é, principalmente se se ficar apeado, ah pois sei)

Cheguei a casa sem vontade de arrumar as compras. Tinha saído de casa disposta a fazer o que é de fazer; o que é para fazer. Só isso. Gina Maria, não penses, tu não penses. Estava sol. Mas vim para casa e arrumei as compras. Relembrei, por exemplo, os lenços de papel que trouxera. São com motivos de Natal e dizeres de esperança, ou coisa no género. Dois dizem, 'peace', outros dois dizem 'hope', outro diz 'joy' um outro diz 'love'. Podendo eu relacionar por que é que dois dizem o que dizem e somente um diz o que diz... Hum.

Fica neste post uma foto de um arco-íris que apareceu há pouco no meu campo de visão. O que está descrito acima foi vivido ontem, escrito hoje, a foto foi vivida e tirada hoje, como já tinha anunciado. Ah, e está sem filtro. Em algumas fotos acho importante ressalvar isso.



O que vale é que vocês gostam de mim na mesma.

Gosto um tanto em muito da existência de livros, sejam quais forem. Satisfaz-me, vá.
Desconheço, ainda e para já, se gosto de ler, quiçá não tenha coragem de admitir que não.
Sinto uma enormíssima desconcentração aquando da leitura seja lá do que for.

Espólio: livros

Anna Karenine, Tolstoï, em dois volumes
A Vida de Tolstoï, Daniel Gillès
Papoilas e Malmequeres, (?)

Este último não é explícito quanto ao autor, é uma 2ª edição da Fundação 'A Caridade' (Lisboa), datada de 1950. No prefácio da primeira edição, que consta também no livro, e foi escrito por Rosado Fernandes, a dada altura, reza (verbo escolhido propositadamente, afinal, né...?) assim; tal e qual isto:

«Os pequeninos não compreendem a sabedoria humana, que só os enfastia e aborrece; mas ei-los que pressurosos correm a ouvir a voz amiga que sabe falar-lhes a linguagem límpida da Caridade.
É este o segredo dos luminosos Contos, que as mães portuguesas vão ler aos seus filhinhos - doce esperança desta terra que viu nascer Santo António de Portugal.»



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Gosto um tanto em muito da existência de livros, sejam quais forem. Satisfaz-me, vá.
Desconheço, ainda e para já, se gosto de ler, quiçá não tenha coragem de admitir que não.
Sinto uma enormíssima desconcentração aquando da leitura seja lá do que for.