domingo, 10 de março de 2019

O dispensador de palitos

Já encontrei o dispensador de palitos, andava há que tempos sem dele saber. Foi assim que percebi que os pusera numa gaveta onde guardo utensílios de cozinha. Guardo também um outro consumível, formas para queques. Medi a cozedura do bolo com um palito e furei-o com o mesmo palito. Não tendo o palito, safava-me com um garfo mas não era tão especial. O garfo tem os dentes a uma distância precisa e, para furar, quanto a mim, ficam os furos muito próximos, com o palito distribuo melhor e a calda é embebida mais bem. Dantes, o dispensador de palitos estava na despensa, naquela prateleirinha onde guardo coisas pequeninas, como os corantes e as essências. Mudei-lhe o lugar, sei lá por quê, e a minha vida mudou para desorientada, busquei ajuda no garfo e a minha vida não se refez, encontrei o dispensador e vim pôr no blogue, que no blogue é onde ele deve estar.

Nós por cá todos bem, obrigadinha.



sábado, 9 de março de 2019

Os textos são 'Baú', a imagem não


Esta senhora tem a testa alta. A mãe dela tinha a testa alta. O pai não sei. A mãe dela vinha cá comprar vasos e terra para plantas. O pai não sei. A mãe dela era sempre acompanhada por uma acompanhante atenta. Atenção da boa, remunerada. O pai não sei. A mãe dela era tão simpática. O pai não sei.
Esta senhora é igual à que foi mãe dela. Igual na testa, na educação, no trato. Um dia ela virá de bengala, como a mãe andava, acompanhada dalguém a quem paga a atenção e vou vender-lhe vasos e terra para plantas. Um dia mais tarde, um dia desses aí, longínquo ainda, ou então não, todas seremos iguais às nossas mães.
25 novembro 2013


Em criança, a minha mãe nunca me fazia penteados em que mostrasse a testa, a franjinha foi sempre o mote, dizia ela 'a minha Gina tem a testa alta' e depois vinha o conselho: 'usa sempre franjinha, está bem, filha?'
Não!
2 outubro 2015



O par


sexta-feira, 8 de março de 2019

As sentadas


Estavam três mulheres sentadas no banco hater. Sendo no tempo da idolatria ia fazer-me impressão.

As folhas


Desejando que a árvore arredondada esteja vestida, eu.
Curiosa de ver quão menos arredondada será a meio da Primavera, eu.

Os bolos

Há algumas semanas decidi refazer os bolos da minha vida, que são aqueles que constam no meu dossiê especial. Cá por coisas, há montes de tempo que não visiono programas de culinária nem me debruço sobre a revista Continente Magazine. Eu continuar a recortar e colar o que verdadeiramente me interessa, e que quero mesmo experimentar, continuo, mas aborreço-me daquilo, estou atrasadíssima, há meses que tenho esse trabalho por finalizar. Já dos programas de culinária, é certo que não vejo um há meses. Entretanto digo-vos que já refiz o bolo de fubá, o bolo de bolacha, o bolo de cenoura com cobertura especial e o bolo de cenoura, curgete e laranja. Publiquei inclusive alguns posts onde referi circunstâncias destas feituras. Mas para este fim-de-semana estou indecisa sobre qual receita já presente no meu dossiê especial me esparrame, se sobre a torta de ovo, a tarte de maçã ou de avelã, o bolo de chocolate, aquele que é um dos melhores que conheço, leva queijo mascarpone e uma ganache de chocolate, que, sendo de leite, tanto melhor.

Hoje é sexta-feira e estes são os graminhas de fim de semana

Mil e vinte e cinco gramas de curgetes
Trezentos e trinta gramas de limões
Quinhentos e vinte gramas de cebolas
Seiscentos e sessenta e cinco gramas de batatas-doces
Trezentos gramas de cogumelos
Duzentos e setenta e cinco gramas de figos secos
Oitocentos e quinze gramas de tomates

Dia de (não era preciso dizerem na Radio)

Hoje é Dia Internacional da Mulher. Este é tipo assim um daqueles dias que é como o Natal, é sempre que um homem quiser e sempre que o Homem quiser. Por esta ordem, amanhã é dia das mulheres em todo o planeta, fica então marcado.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Hoje não escrevi


Hoje não escrevi porra nenhuma senão esta.
Mas o que vale é que vocês gostam de mim na mesma.


quarta-feira, 6 de março de 2019

Dias de um Ginásio

Não tarda vou até ao Ginásio. A última vez que lá fui, saí de casa, o que se nota como invulgar na minha vida, pois o vulgar é sair do estaminé para lá, como ocorrerá, aliás, hoje. Antes de sair tinha feito uma sopa, que deixei a arrefecer dentro da panela e em cima do fogão. Dei por mim a dar o tratamento do costume ao corpo e a sentir o cheiro do funcho nas mãos. O funcho é um legume cujo sabor lembra anis, é portanto um convencido do caraças, onde aparece logo tenta roubar protagonismo aos presentes no mesmo caldo. Espera-se, então, que queira morar, só esse cheiro e só mesmo esse cheiro, nas mãos que prepararam a sopa. Creio firmemente que o mundo saltitará mais e melhor se eu enumerar quais os legumes que introduzi na dita sopa:
funcho, cebola, alho, pimento, curgete, chuchu, cenoura, beterraba, couve-coração

A árvore amarela

Há tanto tempo que não passava ao lado da árvore amarela que hoje fui até lá só para ver se já aparecem folhinhas-bebés. E eis que não, os nódulos já constam nos ramos, mas verdinho é que não. Fiquei contente de a ver na mesma, ora essa, é sempre bom. Calhando ter as tais folhinhas a deixarem ver-se ia dar-me vontade de a abraçar – ai coisa fofa toma lá um xi-coração – quiçá reverteria o sentimento e ficava mas era com vontade de a estrafegar. Digo algo semelhante ao que sentimos quando gostamos muito de um bebé ou de um bicho e o sentimento acaba por se voltar contra si mesmo, passa a esmagamento, de tanto se desejar abraçar e mimar.

Nabiça

Sou uma ganda naba em questões de aplicações e funcionamento geral do meu telemóvel. O meu móves. É que vai de um lado ao outro, de hardware a software sou mesmo naba. Notem bem: eu estou a dizer que sou uma ganda naba e não que sou uma ganda naba. Digo isto porque não estou a dizer «oh coitadinha de mim, quão naba sou, vou ali chorar porque não aguento esta pressão», e sim «olha só a naba do caraças que eu sou, ah ah, ó pá isto só eu, ah ah, sou tão engraçada, ah ah».
Descobri há coisa de um mês ou dois onde está a câmara do móves. Antes tinha querido saber, e muito, mas nunca tinha reparado no furinho que lá está. Tudo bem que não há muito tempo que dou uso à câmara, mas porra, gravei alguns vídeos a olhar para outro canto do móves, ao terminar as gravações ia certificar-me para onde olhar numa próxima, memorizava, passavam dias e desmemoriava, voltava a gravar completamente desmemoriada e, por último, com o intuito de acabar de vez com o ar quase estrábico com que apareci em alguns vídeos, fiz inclusive um onde registava para onde é que olhava, quero eu dizer que o conteúdo era exactamente esse, «ah eu agora estou a olhar para este canto, agora para aquele, mas será que é antes este? agora é que eu vou perceber isto», pronto, coisas assim, e é durante a edição desse mesmo vídeo que dou pela existência de um furinho que concluo ser a lente da câmara. Ah caraças, o mundo desabou e reconstruiu-se em dois segundos. Que alegria! Contudo, achei bem desenhar um croqui para me orientar futuramente. Pronto, afinal tenho aquela questão de ser aérea, toda cheia de confusões na cabeça e mais não sei o quê. Agarrei num papelinho cá dos meus e, no seguimento de coisinhas simples como o sítio onde o móves tem inscrita a sua marca, situei então o furinho denunciante de lente. Entretanto, oh vejam lá, como que memorizei – finalmente! e também porque se tenho memória de coisas, então é porque sei essas coisas - onde está o furinho, isto se tomar nota da inscrição da marca. Actualmente prescindo do croqui – porque tenho memória e coiso -, só por dizer que o tenho mantido aqui assim no meu placar, que é íman, preso com uma rodela, que é íman, e esta permanência deve-se sobretudo à enormíssima vontade de construir este post, porque, já se sabe, o mundo precisava muito de saber desta questiúncula, e eu, abalando-se-me daqui o papelinho, jamais teria memória de o fazer.

Está de chuva, o dia, pois é.

Pois é, as pessoas passam do lado de lá de chapéus abertos, as pessoas passam do lado de cá de chapéus abertos, as pessoas passam do lado de lá, as pessoas passam do lado de cá. Vai ali um careca sem chapéu aberto ou fechado... olha, este molha a cabeça. Do lado de lá.

Vaidade

Nunca tinha visto um escritor vaidoso em pleno uso da sua vaidade – olha, este conto foi publicado aqui, este livro ali, editora tal; escrevo de coisas que surgem na minha cabeça; o meu processo criativo é não sei quê; posso dizer-te que já li milhares de livros – com um toque tão arrogante na voz que me enojou.
Há sempre coisas a acontecerem na minha vida, rompimentos e abalos e assim, portanto também já não sou virgem aí... Quero eu dizer numa questão desta natureza. Porra pá, após ver o pessôo em ação, que difícil foi manter a estrutura alinhada, continuar de pé sem entontecer e engraçar com o resto do ambiente.