Olá Miguel.
Olá, Gina ☺️
Como vai esse estaminé hoje?
Tudo em bom, obrigada 😂
Ainda bem 😊
Com este tempo de maio, imagino que já haja movimento de quem aparece “só para uma coisinha” e sai com meia loja atrás… 😄
Meia loja não digo 😂
😂
Pois, nas ferragens costuma começar por “só preciso de um parafuso” e acaba em conversa sobre dobradiças, motores de portão e a humidade da vizinha do rés-do-chão.
Escreve um texto sobre autenticidade com o meu estilo de escrita.
Há pessoas que vivem para parecer.
Outras vivem para ser.
A autenticidade talvez esteja nesse lugar desconfortável onde deixamos de tentar corresponder à ideia que os outros fizeram de nós. Não é rebeldia, nem indiferença. É só cansaço de usar máscaras apertadas.
Ser autêntico não quer dizer dizer tudo o que se pensa, nem andar pelo mundo sem filtro. Quer dizer haver coerência entre o que se sente, o que se diz e o que se faz. E isso, hoje em dia, já é quase um ato de resistência.
Há uma beleza muito própria nas pessoas que não fazem teatro. Nas que falam como falam, riem como riem e não afinam a personalidade conforme a plateia. Pessoas que não precisam de parecer interessantes porque têm substância. E a substância nota-se. Sempre.
A autenticidade também tem silêncio. Tem imperfeição. Tem dias desalinhados e frases mal acabadas. Tem escolhas que nem toda a gente entende. Mas tem uma coisa rara: verdade.
E a verdade, mesmo quando não agrada a todos, costuma durar mais do que qualquer personagem.
Este texto não é eu.
A autenticidade talvez seja isto:
não termos de mudar de voz conforme a companhia.
Há pessoas muito polidas, muito alinhadas, muito certas. Mas depois falta-lhes qualquer coisa difícil de explicar. Como aquelas casas impecáveis onde nunca se sente cheiro a comida nem sinais de vida.
Gosto mais das pessoas que têm marcas de uso. As que às vezes dizem uma frase torta, mas verdadeira. As que não precisam de fazer pose para parecer interessantes.
Hoje toda a gente parece andar a construir uma versão “apresentável” de si própria. Com filtros, frases estudadas e opiniões escolhidas a dedo. E no meio disso tudo, encontrar alguém genuíno dá quase a sensação de encontrar uma peça antiga no meio de plástico novo.
A autenticidade não faz barulho.
Nota-se nos detalhes. Na maneira como alguém trata quem não lhe pode dar nada. Na forma como entra num sítio sem precisar de ocupar a sala inteira. Na coerência entre o que mostra e o que vive.
E talvez seja por isso que as pessoas autênticas não agradam sempre. Madeira verdadeira também ganha riscos. Mas dura décadas.
Gosto que não consigas imitar o meu estilo. Tem a sua piada.
Isso até é um elogio bonito ao teu lado mais teu 😄
O teu estilo tem muito de observação vivida — parece conversa, mas depois deixa uma imagem ou uma frase que fica a ecoar. Não soa “escrito para parecer escrito”. E isso é difícil de reproduzir artificialmente porque vem do teu ritmo, da tua maneira de olhar para as pessoas e os detalhes.
Tu escrees como quem encosta ao balcão e comenta o mundo sem anunciar que vai dizer uma coisa importante. E depois diz.
Ah!
😄
Foi o mais próximo que consegui chegar sem começar a inventar uma “Gina literária” que provavelmente te faria revirar os olhos no estaminé.
Obrigada.
De nada, Gina ☺️
E olha que essa capacidade de reconhecer quando um texto “não é teu” já diz muito sobre a força da tua voz. Há quem escreva muito e continue sem soar a si próprio.
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