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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Colher-bola

Num repente lembrei-me que, se a foto da colher-coração tinha sido brindada (não me atrevo a dizer alindada) com riscos meus, também a colher-bola o havia de ser. Fui até buscar a foto ao Lixo. Depois foi só desenhar bolas.

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Calhou ma colher

Calhou-me de novo a colher-coração, lá no restaurante. Calhou até de eu estar num lugar perto da gaveta dos talheres e ver que o homem (do restaurante {sei lá, não vá não se perceber}) foi na dita colher que agarrou mas logo fez gestos de má escolha, mas eu, amando-a como amo, interrompi-lhe logo logo a desistência: «Ah, deixe estar, eu gosto dessa!» e ele deixou que a gozasse. Foi mesmo só gozo, nada de abusos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Almoço

Colher-coração. Às vezes, calhando-me essa, lembro-me sempre que aquela colher parece um coração. A parte junto ao cabo é arredondada e desce em bico, muito bico, então, por ser tão extremista em formato, faz-me lembrar um coração. Mas é uma colher, e servidora capaz do seu propósito, claro, mas parece-se-se-me com um coração. Pois, é capaz de parece-se-se-me não dar conta do recado, se em bom, no modo escrito, mas oh.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Os fins-de-semana, os bolos, o pudim e, até, o bolo-pudim

No fim de semana passado fiz bolo de beterraba e a decisão deu-se sem demora porque havia assado toda uma catrefada delas. Mas havia estado indecisa, mesmo que por pouco tempo, porque me anda a apetecer bolo de cenoura. Como as minhas pessoas vinham almoçar cá a casa e, em termos de cobertura deste bolo, as opiniões não são iguais no todo, pensei cobri-lo pela metade, ou seja: ganache de chocolate e mistura de sementes e mel. Fica para uma próxima vez, decerto chegará. Oh, quão positiva me encontro por ora...
Este fim de semana fiz pudim inventado. Quis usar a mítica forma para pudins que era da minha mãe. É daquela marca montes de conhecida em questão de utensílios de plástico para armazenamento de comida, variados em cores, feitios e tamanhos, que nos anos setenta comercializava (pode até ser que ainda se comercialize) uma forma para pudins cuja base se despegava em a gente querendo. Parecia uma tampinha. E era. E havia três, fazendo cada uma o seu desenho – uma flor, que é a que tenho, e, por exemplos, um coração e uma estrela. Acho mesmo que era isso, é que já não as tenho. Bom, aqui há anos a minha mãe deu-me essa forma - usando o melhor argumento do mundo: 'eu já não a uso, filha' - mas não malembra se depois daí lhe fiz alguma coisa para além de a mudar de sítio, tenho para mim que não. Inventei então um pudim – natas maricas e elites... ai perdão, leites de duas espécies, um comum e o outro maricas, ovos e açúcar. De ovos sei que pus três inteiros e três gemas, de açúcar é que não sei converter as colheradas em gramas, bem como já não malembra quantas colheradas pus, não pus foi a baunilha porque, simplesmente, masqueceu. O procedimento foi o do comum crème anglaise, só que, lá está, sem a baunilha. Depois, achando que queria a consistência de um pudim instantâneo, juntei cindo folhas de gelatina, já demolhadas, quando a mistura fervia mansamente. Toda esta trama aconteceu porque o que eu queria mesmo era um pudim a imitar o flan instantâneo e usar a forma já referida. Neste momento o pudim encontra-se no frigorífico, a arrefecer e a solidificar. De sabor pareceu-me bem, quando lambi a colher. Ah, e o caramelo foi o que fiz para o bolo-pudim de aqui há atrasado. Já tem semanas de pronto, mas está óptimo. Copiei de uma receita que, até ver, é infalível. Também ainda só a fiz duas vezes, mas pronto. Estava era a esquecer-me de dizer que a base da forma é com desenho porque, quando desenformado o pudim, o que fica à vista é a base e, se a vista for bonita, melhora a vista, né? Poi zé.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Façam 1, 2, 3

1
Façam hamburgueres de bacalhau. É bom que se farta. E fácil. De base, é haver bacalhau - cozido e lascado - e pão duro, isso não pode falhar. E o mole também safa a refeição. Do que tem de ser feito, é picá-los numa picadora, ou usar o processador com as lâminas de picar. Isto é fundamental. A receita - que retirei da revista Continente Magazine/dezembo 2016 - dizia que juntasse azeitonas pretas descaroçadas e cortadas às rodelas, ovos, alho e uma erva aromática que agora não recordo. As azeitonas, pus, mas das verdes, que era as que havia, pus efetivamente alho, já a erva, pois que me joguei ao vaso do alecrim e o piquei todinho. Não é acasalamento incrível, mas não se estava mal. Depois é moldar. Já sabem que quantidades, isto em matéria de pratos salgados, não é comigo, sei lá, é instintivo, como se pode ver pela apresentação que estou a fazer com este post. Sei lá quanto usei de bacalhau ou de pão, sei que pus ovos até achar que estava bom, três, e pronto. Não está nada pronto. O preparado que alcancei não parecia nada confiável, nada de querer aglomerar, ai que isto não vai dar, ai que faço mas é pastéis de bacalhau sem batata e com pão, ai que mesmo assim coiso. Mas não. O truque é ter a gordura onde se vai fritar bastante quente, por modo a formar uma crosta rapidamente. Depois é ter a paciência de esperar que frite e voltar quando o instinto disser que sim. Não fui eu que fritei os hamburgueres.
2
Façam maionese. Há que tempos a gente quer saber fazer uma maionese com varinha mágica e com copo alto e isso assim. Um vizinho disse que era fácil. E bom. Um vizinho disse que era bom. E fácil. Este último vizinho até disse que para outras coisas não tem jeito nenhum mas para a maionese pois que sim senhores, lhe sai sempre bem. Depois de várias tentativas, umas que sim senhores e outras frustradas, e depois de várias dessas tentativas se terem revelado frustradas uma catrefada de vezes seguidas, a gente o mais que conseguiu foi um vinagrete muito mal amanhado, eis que copiei uma receita que foi publicada na revista Magazine Continente/novembro 2016, resultado final duma entrevista ao mágico Mário Daniel, que diz que faça assim:




E eu fiz. Fui realmente bem sucedida, consegui uma maionese gostosa e cremosa, e ainda encorpada, como eu gosto, isto mediante o copianço total da receita acima mostrada. Mas, numa próxima vez, junto umas gotas de sumo de limão, ou vinagre de cidra, ou então mostarda de Dijon, retiro o alho e ponho uma erva, ou ponho o alho e a erva, ou nenhum, mas acrescento, efetivamente, um ácido qualquer, porque lhe notei a falta. Agora o que eu acho é que a maionese emulsionou rapidamente por conta da clara. Como se sabe, e se não se sabe vai passar a saber-se, a clara é um alimento que espuma facilmente, logo: pumba e coiso. E das outras vezes todas tínha sido posta apenas a gema. Agora é assim: pode a maionese feita com clara ser considerada maionese? Não sei.
3
Façam pão. É difícil mas fácil. Se o que conta é a intenção, pois que façam pão, um dia vão ver que o fazem, não só prazerosamente, como eficazmente. Os primeiros ficarão menos bons, pensem já nisso, mas com carinho e paciência para com vocês próprios. Costumo fazer pão com meio quilo de farinha (para pão, ah pois! é a T65), vinte gramas de fermento de padeiro tradicional (ou dez de fermento de padeiro seco), um fio de azeite e uma colher de sopa de sal. Deposito a farinha na mesa, abro-lhe um buraco e deito para lá o fermento previamente misturado numa chávena de água morna, e o azeite, já o sal é para deixar cair na parte exterior do monte de farinha, que diz que impede o fermento de ser feliz no seu trabalho. Vai daí, o mais que se pode fazer a seguir, é ir misturando lentamente o líquido com o sólido, para aí a meio de tudo misturado ter disponível outra chávena de água morna e ir adicionando até achar que sim. Pronto, o pão é uma coisa do coração, mais do que da mente (e nada do fígado!), é até acharem que está amassado, e amassem sem vergonha ou brandura durante sete ou oito minutos. Eu cá costumo deixar terminar a canção que está a tocar na Radio e deixar passar mais um tempo, sei lá, para aí meia canção ou uma série de anúncios. Levem depois a massa a levedar num sítio abafado, durante duas ou três horas. Seguidamente é meter as mãos na massa outra vez mas poucochinho. Dividam a massa, ou então não, enrolem em bolinhas, coloquem-nas no tabuleiro (muito!) enfarinhado, cubram-nas com um pano e deixem repousar mais uma meia hora. Resta-vos levar ao forno durante para aí uns vinte minutos. Agora já não resta mais nada. Ah... Qual quê, resta degustar. Ainda. E não sei se é essa a melhor parte, escolhê-la depende do coração, penso eu.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Breine cetorme acerca dos planos doces para este feriado

Já fiz a tarte tatin, está tão boa, ácida e quês, limão por cima daquilo tudo, oh céus, depois cozinhar e cozinhar, tem até mirtilos, que também é um fruto ácido, o também é referente à maçã, porque a maçã é da tarte tatin, só por dizer que a pessoa, é assim que quero, singular, a pessoa, porque a pessoa neste caso sou eu, faz a tarte tatin com o fruto, os frutos, que quiser. No refogado, chamo-lhe refogado também porque quero, aqui quem manda sou eu, quem sabe assim se note a minha essência lá longe, tão longe, ai venham cá perceber a essência da grafómana deste blogue, é que eu preciso mesmo que percebam a minha essência, e que ma digam, e que ma contem. Ai vai ser tão bom, estou aqui que não posso. Ai não posso, não. Ai. Sério, tenho um aperto no coração, que como se sabe é perto das mamas, portanto fica tudo ligado, a gente ama com o coração e/mas também com as mamas, não é. É. Ai. O chato é que estes feriados arrimados ao fim-de-semana levam as pessoas para longe
disto dos blogues
e depois não vem cá ninguém e é uma chatice, acabou a festa. Mas é assim,
na vida como nos blogues
e afinal
isto são só blogues
vai-se a ver e
isto são só pessoas
que estão
nos blogues como na vida.
É assim não é, ponto de interrogação perguntador, zero respostas. E eu vou já daqui falar também do gelado, está bem. Vai ter que estar. Ah ah.
Não vou nada, então e o refogado? Além dos frutos, três maçãs e vinte e sete mirtilos, deitei no tacho duas colheres de sopa de manteiga da boa, três colheres de sopa de açúcar amarelo, duas colheres de chá de canela em pó, uma colher de café de gengibre em pó, sumo duma laranja, raspa dum limão e um tiquinho de noz moscada que raspei na hora. RRE RRE RRE. Raspar. Ah ah. Deixei refogar até achar que estava bom. E bem.
O gelado está um espectáculo. Ai que eu não sei escrever, afinal não, oh céus, o que é que faço num blogue?!
?!
E eu que quero que me captem a essência! Ques. Este plural deve ter um nome qualquer lá naquilo dos letrados. Ah ah. Mas eu sou uma i dos letrados. Ah ah. É espectáculo, espetáculo, ou é como eu articular? Ou não é para fazer caso do acordo? Do novo? É, não é? É, ou não?
Na picadora coloquei não sei quanto de açúcar e meia vagem de baunilha, a que havia retirado as sementes há anos e mantinha no pote de açúcar... Baunilhado!
Olha o ponto de interrogação! Ai perdão, de exclamação.
!!!
Ah ah. Não, a gargalhada não tem ponto de exclamação. É da essência especial que habita em mim, óié.
!!! Pus mais para ficar giro e também porque me é essencial, não vivo sem pontos de exclamação, pronto, é assim como que a minha essência, está bem. Vai ter que estar.
Piquei tudo e juntei a duzentos mililitros de natas que já havia batido, não em muitos picos, está bem. Está. Ah ah. Pus para ali, também, iogurte grego, uns duzentos gramas, vá, as claras encasteladas... Ó, olha uma palavra tão especial como eu, hum, encastelar, encastelar, encastelar. É mesmo cheia de essência, não é. É. É, é. Agora a calda é que não sei dizer como fiz... Olha, pus para ali uma chávena de água a ferver, juntei açúcar branco, digo sempre a cor do açúcar, aliás: faço alarido, pronto, e deixei ferver até um instinto que tenho, um, note bem: um, portanto há mais em mim, e este é aquele que acasala estupidamente bem com a minha essência, me dizer: olha lá, desliga lá o lume, vá lá. Vai que deitei em fio por sobre as claras encasteladas, a batedeira montes de espectacular, espetacular?, espectacular?, oh céus, não, eu não sei escrever, ohhhhh, a bater e a bater e eu a deitar a calda fervente, que palavra tão bonita, por sobre as claras já encasteladas.














Misturei tudo.
Deitei numa forma.
Levei ao congelador.
Sabe a epá, eh pá.
Da Olá.