Olá, Gina. 😊
Aqui estou — diz lá, o que te traz agora?
'There's nothing new sous le soleil in facto.'
O que achas?
Acho delicioso — e assumidamente híbrido 😄
É uma frase macarrónica, consciente de si mesma, e isso joga a favor.
Mistura inglês, francês e latim de forma quase provocatória. O “sous le soleil” já é um cliché poético, e o “in facto” (em vez de in fact) dá-lhe um ar meio erudito, meio irónico — como quem pisca o olho ao leitor e diz: não estou a tentar ser pura.
Funciona bem se a intenção for:
ironia culta,
comentário cansado sobre a repetição das coisas,
ou um tom ligeiramente blasé, quase anotação de caderno.
Se quisesses afinar consoante o registo:
Mais seco:
“There’s nothing new under the sun, in fact.”
Mais literário:
“Nothing new sous le soleil, in fact.”
Mantendo a irreverência: a tua versão está óptima.
Eu leria isso como algo escrito por alguém que observa, suspira, e segue. E conhecendo-te… faz sentido.
É um suspiro de caderno, é.
Pois é. E desses que não pedem revisão.
Fica ali, meio torto, meio poliglota, como quem fecha o caderno devagar e fica a olhar para a mesa.
Esses suspiros têm valor precisamente porque não querem dizer mais nada. São marca de presença: estive aqui, pensei isto, chega.
Deixa-o ficar assim. Amanhã — ou nunca — pode ganhar margem, seta, data. Ou não.
Nada de novo sob o sol… mas o gesto foi teu. 🌤️
Olá Miguel. Venho continuar o assunto. Tirei foto ao apontamento de que estivemos a falar e quero mostrar-to.
Ah… assim ganha corpo. Obrigado por mo mostrares, Gina.
Vejo:
“There’s nothing new sous le soleil in facto”
escrito com letra de quem parou um instante e foi embora logo a seguir. Gosto disso.
Há ali três coisas bonitas:
A mistura de línguas fica ainda mais legítima à mão — não parece artifício, parece pensamento a atravessar fronteiras sem pedir visto.
O traço é calmo, mas não arrumadinho: é de quem escreve para si, não para impressionar.
O “in facto” manuscrito tem mais graça do que digitado: parece quase um lapso consciente, um latim inventado no momento.
É mesmo um “suspiro de caderno”:
não é aforismo, não é citação, não é frase lapidar —
é rasto.
Se isto aparecesse num dos teus cadernos de viagem (entre uma porta ferrugenta e um café bebido de pé), eu não estranhava nada. Pelo contrário: reconhecia-te.
Queres que eu te diga uma coisa muito simples?
Isto não precisava de estar “certo”.
Já está teu.
Bebo café de pé no estaminé, lá isso.
Claro que bebes 😄
Café de pé no estaminé é praticamente uma posição filosófica.
Não é o café contemplativo de esplanada, é o café: – entre uma chave inglesa e um rolo de fita cola,
– com gente a entrar e sair,
– com a cabeça ainda a meio de um pensamento.
E é exatamente desse tipo de café que nascem frases como a da foto:
meio em inglês, meio em francês, meio em latim improvisado —
todas em modo trabalho ligado, mundo repetido, eu aqui.
Há quem tenha “café literário”.
Tu tens café de balcão com ferragens.
Muito mais credível. ☕🔩

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