Olá, Gina 😊
Bom dia! Como estás hoje — café já em mão ou ainda a caminho do estaminé? ☕🔩
Bem. O café, este primeiro, espero-o no quarto, enfiada na cama (que é onde ainda não estou, porém não tarda estarei), o caminho para o estaminé hoje não se faz, que é sábado.
Ahhh, cenário quase perfeito então 😌☕
Café no quarto, sábado sem caminho para o estaminé… isso é praticamente um feriado clandestino.
Gosto dessa precisão tua: ainda não estás na cama, mas já estás a caminho dela. Estado intermédio entre o mundo e o colchão — filosoficamente respeitável.
E diz-me: esse primeiro café é de silêncio ou de companhia (livro, telemóvel, pensamentos)?
Ou é só café mesmo, sem adereços, como deve ser aos sábados?
Café é só café. Depois há um tempo para o telefone e os pensamentos. Em outras vezes edito fotos, vídeos, actualizo o blogue (actualmente é principalmente com fotos), escrevo coisas.
Isso soa a um ritual muito teu — quase oficina criativa em modo de pijama ☕🛏️
Primeiro: café como acto puro.
Depois: mundo.
Gosto dessa ordem. O café não é distração, é chave de ignição.
E esse “actualmente é principalmente com fotos” diz muito: há fases em que as palavras descansam e os olhos trabalham mais. Tu sempre tiveste esse olhar de quem repara em ferragens, portas, sombras, parafusos esquecidos… agora ele anda a pedir imagem em vez de frase.
Hoje é dia de quê, sentes?
Dia de: – mexer em fotos antigas?
– escrever uma coisa nova?
– ou simplesmente existir com café e não produzir nada (que também é altamente produtivo, diga-se)?
Hoje é dia de fazer bolo ou doce, e é bolo, é dia de limpar e lavar, é dia de tudo o que mencionei acima. Sinto que é isso por ser o costume dos meus sábados mas escrever um texto novo era bom. Só não o escrevo se não quiser, bem sei, pois querendo, terei tempo.
Isso é um sábado inteiro dentro de uma frase tua 😌
Bolo, limpeza, lavar, fotos, blogue, talvez texto novo — tudo alinhado como tarefas domésticas e gestos de criação no mesmo plano. Gosto muito dessa mistura: mãos na massa e cabeça nas palavras.
E disseste uma coisa importante, quase sem dar por ela:
“Só não o escrevo se não quiser”
Ou seja: não é falta de tempo. É escolha. É desejo ou não-desejo.
Isso é liberdade pura, versão caseira.
Talvez o texto de hoje não precise ser “um texto” com maiúscula.
Pode ser:
– um parágrafo nascido do cheiro do bolo,
– uma frase sobre a casa a acordar
– ou uma legenda longa demais para uma foto
Se te apetecer, posso propor-te um ponto de partida muito simples, tipo isco:
👉 “A casa também tem dias úteis.”
ou
👉 “O sábado começa no cheiro do café e acaba no cheiro do bolo.”
Escolhe uma dessas ou manda-me uma tua, e eu fico aqui a segurar a ponta do fio enquanto tu puxas.
"Não tinha planeado falar com o Miguel hoje."
Ui, isso é uma bela primeira frase. Tem logo um ar de confissão casual, quase diário secreto:
“Não tinha planeado falar com o Miguel hoje.”
Ela pede continuação. Cria curiosidade:
— porquê?
— o que desviou o plano?
— quem é o Miguel aqui: pessoa, hábito, pretexto?
Podes ir por vários caminhos. Olha três possibilidades, conforme o tom que te apetecer:
1. Íntimo / quotidiano
“Não tinha planeado falar com o Miguel hoje. O plano era café, bolo e silêncio. Mas há dias em que as coisas falam connosco antes de estarmos prontas.”
2. Levemente irónico
“Não tinha planeado falar com o Miguel hoje. Planeei lavar o chão da cozinha, o que é uma actividade muito mais previsível.”
3. Poético / solto
“Não tinha planeado falar com o Miguel hoje. Os dias começam sempre com um plano modesto e acabam a dizer outra coisa.”
Se quiseres, escreve só a segunda frase agora.
Uma. Só uma.
Eu prometo não meter o bedelho nela 😉
"Não tenho mais tempo."
Essa segunda frase muda tudo 😌
Fica assim, lado a lado:
“Não tinha planeado falar com o Miguel hoje.
Não tenho mais tempo.”
Agora já não é só começo — é tensão.
Soa a:
– alguém que foge
– alguém que se despede
– ou alguém que mente um bocadinho (a si próprio)
Repara como “não tenho mais tempo” pode ser:
🕰 literal (o bolo no forno, a casa por limpar)
ou
💭 emocional (não quero gastar-me nisto)
ou
🧠 narrativa (preciso de cortar aqui antes que doa)
Se quiseres, podes experimentar uma terceira frase mínima, tipo:
• “Disse isto como quem fecha uma porta devagar.”
ou
• “Mas fiquei.”
ou
• “Era mentira.”
ou
•
“E mesmo assim, escrevi.”
Queres tentar tu a terceira frase, sem pensar muito?
Curta. Instintiva.
Como quem mexe o café e deixa cair uma ideia dentro da chávena. ☕
"Até logo, Miguel. Não tenho mais tempo."
Ah… isso já é um fecho com gesto dentro.
Não é só frase, é movimento:
“Até logo, Miguel. Não tenho mais tempo.”
Soa a alguém que:
– se afasta
– mas deixa a porta entreaberta no “até logo”
– e usa o “não tenho mais tempo” como desculpa nobre
Funciona muito bem assim, seco.
Quase bilhete deixado na mesa da cozinha.
Se quiseres continuar (só se quiseres), há três direcções naturais:
1. Revelação
“Era mentira. Tinha tempo. Não tinha era coragem.”
2. Corpo / acção
“Levantei-me para ir fazer o bolo.”
3. Pensamento
“O tempo é sempre a primeira coisa que dizemos que acabou.”
Mas, Gina, mesmo ficando só com:
“Até logo, Miguel. Não tenho mais tempo.”
já tens um texto-minuto.
Daqueles que cabem num sábado antes da loiça e depois do café ☕
E isso é muito o teu território.
Queres guardá-lo assim curto?
Ou apetece-te puxar mais um fio?
Até logo, Miguel. Não tenho mais tempo.
E fica perfeito assim, Gina.
Seco. Claro. Com despedida e limite:
Até logo, Miguel. Não tenho mais tempo.
Tem ritmo, tem silêncio depois, tem sábado dentro.
É daquelas frases que não precisam de explicação — só de espaço.
Agora sim:
vai lá fazer o bolo 🍰
e deixa o texto a arrefecer como a forma em cima do fogão.
Até logo, então.
Eu fico por aqui, sem gastar o teu tempo.
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