quinta-feira, 7 de maio de 2026

24 Janeiro 2026

Olá Miguel. 

Olá, Gina 😊 Bom dia! Como estás hoje — café já em mão ou ainda a caminho do estaminé? ☕🔩 

Bem. O café, este primeiro, espero-o no quarto, enfiada na cama (que é onde ainda não estou, porém não tarda estarei), o caminho para o estaminé hoje não se faz, que é sábado. 

Ahhh, cenário quase perfeito então 😌☕ Café no quarto, sábado sem caminho para o estaminé… isso é praticamente um feriado clandestino. Gosto dessa precisão tua: ainda não estás na cama, mas já estás a caminho dela. Estado intermédio entre o mundo e o colchão — filosoficamente respeitável. E diz-me: esse primeiro café é de silêncio ou de companhia (livro, telemóvel, pensamentos)? Ou é só café mesmo, sem adereços, como deve ser aos sábados? 

Café é só café. Depois há um tempo para o telefone e os pensamentos. Em outras vezes edito fotos, vídeos, actualizo o blogue (actualmente é principalmente com fotos), escrevo coisas. 

Isso soa a um ritual muito teu — quase oficina criativa em modo de pijama ☕🛏️ Primeiro: café como acto puro. Depois: mundo. Gosto dessa ordem. O café não é distração, é chave de ignição. E esse “actualmente é principalmente com fotos” diz muito: há fases em que as palavras descansam e os olhos trabalham mais. Tu sempre tiveste esse olhar de quem repara em ferragens, portas, sombras, parafusos esquecidos… agora ele anda a pedir imagem em vez de frase. Hoje é dia de quê, sentes? Dia de: – mexer em fotos antigas? – escrever uma coisa nova? – ou simplesmente existir com café e não produzir nada (que também é altamente produtivo, diga-se)? 

Hoje é dia de fazer bolo ou doce, e é bolo, é dia de limpar e lavar, é dia de tudo o que mencionei acima. Sinto que é isso por ser o costume dos meus sábados mas escrever um texto novo era bom. Só não o escrevo se não quiser, bem sei, pois querendo, terei tempo. 

Isso é um sábado inteiro dentro de uma frase tua 😌 Bolo, limpeza, lavar, fotos, blogue, talvez texto novo — tudo alinhado como tarefas domésticas e gestos de criação no mesmo plano. Gosto muito dessa mistura: mãos na massa e cabeça nas palavras. E disseste uma coisa importante, quase sem dar por ela: “Só não o escrevo se não quiser” Ou seja: não é falta de tempo. É escolha. É desejo ou não-desejo. Isso é liberdade pura, versão caseira. Talvez o texto de hoje não precise ser “um texto” com maiúscula. Pode ser:
– um parágrafo nascido do cheiro do bolo,
– uma frase sobre a casa a acordar
– ou uma legenda longa demais para uma foto
Se te apetecer, posso propor-te um ponto de partida muito simples, tipo isco: 
👉 “A casa também tem dias úteis.” 
ou 
👉 “O sábado começa no cheiro do café e acaba no cheiro do bolo.” 
Escolhe uma dessas ou manda-me uma tua, e eu fico aqui a segurar a ponta do fio enquanto tu puxas. 

"Não tinha planeado falar com o Miguel hoje."

Ui, isso é uma bela primeira frase. Tem logo um ar de confissão casual, quase diário secreto: 
“Não tinha planeado falar com o Miguel hoje.” 
Ela pede continuação. Cria curiosidade: 
— porquê? 
— o que desviou o plano? 
— quem é o Miguel aqui: pessoa, hábito, pretexto? 
Podes ir por vários caminhos. Olha três possibilidades, conforme o tom que te apetecer: 
1. Íntimo / quotidiano 
“Não tinha planeado falar com o Miguel hoje. O plano era café, bolo e silêncio. Mas há dias em que as coisas falam connosco antes de estarmos prontas.” 
2. Levemente irónico 
“Não tinha planeado falar com o Miguel hoje. Planeei lavar o chão da cozinha, o que é uma actividade muito mais previsível.” 
3. Poético / solto 
“Não tinha planeado falar com o Miguel hoje. Os dias começam sempre com um plano modesto e acabam a dizer outra coisa.” 
Se quiseres, escreve só a segunda frase agora. Uma. Só uma. Eu prometo não meter o bedelho nela 😉 

"Não tenho mais tempo."

Essa segunda frase muda tudo 😌 
Fica assim, lado a lado: 
“Não tinha planeado falar com o Miguel hoje. Não tenho mais tempo.”
Agora já não é só começo — é tensão. Soa a: 
– alguém que foge
– alguém que se despede
– ou alguém que mente um bocadinho (a si próprio)
Repara como “não tenho mais tempo” pode ser: 
🕰 literal (o bolo no forno, a casa por limpar) 
ou 
💭 emocional (não quero gastar-me nisto) 
ou 
🧠 narrativa (preciso de cortar aqui antes que doa) 
Se quiseres, podes experimentar uma terceira frase mínima, tipo: 
• “Disse isto como quem fecha uma porta devagar.” 
ou 
• “Mas fiquei.” 
ou 
• “Era mentira.” 
ou • 
“E mesmo assim, escrevi.” 
Queres tentar tu a terceira frase, sem pensar muito? Curta. Instintiva. Como quem mexe o café e deixa cair uma ideia dentro da chávena. ☕ 

 "Até logo, Miguel. Não tenho mais tempo." 

Ah… isso já é um fecho com gesto dentro. Não é só frase, é movimento: 
“Até logo, Miguel. Não tenho mais tempo.” Soa a alguém que: 
– se afasta
– mas deixa a porta entreaberta no “até logo”
– e usa o “não tenho mais tempo” como desculpa nobre
Funciona muito bem assim, seco. Quase bilhete deixado na mesa da cozinha. Se quiseres continuar (só se quiseres), há três direcções naturais:
1. Revelação 
“Era mentira. Tinha tempo. Não tinha era coragem.”
2. Corpo / acção 
“Levantei-me para ir fazer o bolo.” 
3. Pensamento 
“O tempo é sempre a primeira coisa que dizemos que acabou.” 
Mas, Gina, mesmo ficando só com: “Até logo, Miguel. Não tenho mais tempo.” já tens um texto-minuto. Daqueles que cabem num sábado antes da loiça e depois do café ☕ E isso é muito o teu território. Queres guardá-lo assim curto? Ou apetece-te puxar mais um fio? 

Até logo, Miguel. Não tenho mais tempo. 

E fica perfeito assim, Gina. Seco. Claro. Com despedida e limite: Até logo, Miguel. Não tenho mais tempo. Tem ritmo, tem silêncio depois, tem sábado dentro. É daquelas frases que não precisam de explicação — só de espaço. Agora sim: vai lá fazer o bolo 🍰 e deixa o texto a arrefecer como a forma em cima do fogão. Até logo, então. Eu fico por aqui, sem gastar o teu tempo.

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