seis e meia
já sei: podia ser pior
domingo, 17 de janeiro de 2016
Primeiro
Boa tarde. São quinze e trinta e sete. Está de chuva. Muito bem-vinda, esta chuva. Antes hoje que amanhã, não é. É.
sábado, 16 de janeiro de 2016
Último
Boa noite. São vinte e uma e quarenta e cinco. Ia ao cimena mas não. Mudei o aspeto do blogue, em cores e tipos de letras. Há semanas que quero pôr aqui ao lado uma publicaçãozinha em destaque, mas sempre que escolho uma e a coloco lá deixo de a considerar. A sério, mesmo a sério, não sirvo para promover.
Tipos
Tipo coisas, fotos, que eram estas, tipo isso, e tipo, são estas, pra por no cabeçalho do blogue. Mas... Tipo, não deu, tipo ficavam estranhas. Tipo todas. Estranhas. Tipo lá em cima. Pensei tipo, as fotos estão uma merda, fiz tipo uma data delas, uma merda, mas tipo, pus lá uma assim tipo pindérica. Mas ao menos combina tipo as letras e isso. Tipo as cores. Não. Tipo tirei-a logo a seguir. Não. Tipo era esta, ó:
Mas há mais, tipo, bués, ó:
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Como pintar as
Como pintar as unhas no estaminé e durante a hora de expediente. Pois. Bom, é fundamental ser um estaminé com pouco movimento; é fundamental pintar uma demão numa mão de cada vez, com intervalos de meia hora. Isso significa que pinto as unhas em quatro fases e que levo um ror de tempo dar por terminada a tarefa; é fundamental que o acaso não me traga um cliente a querer comprar cabo d' aço, tampões de meia polegada, canhões para caixas de correio, mandar duplicar uma chave. Já outras coisitas não farão dano: uma vassoura, um champô, um ralo para lava-louça. Tive sorte, consegui que a pintura nas unhas seja capaz de fazer resplandecer toda a beleza que há em mim por nem um risquinho sequer ter. Olarila.
Intervalo grande
Deitei o saquinho com as coisas velhas no lixo. Escolhi um longe daqui, na rua mais bonita de Lisboa, lá ao fundo, do lado direito de quem a desce.
7
«Once I was seven years old, my mamma told me». Pois foi. Há quarenta anos. Ah ah. And my mamma also told me «go make yourself some friends or you'll be lonely». Pois foi. Lucas Graham a cantar na Radio, tanto estes versos, como os restantes, quer isto dizer: a canção inteira.
Sete anos depois dos meus sete anos, portanto aos catorze, a minha mãe tinha realmente uma visão incrível acerca da minha faixa etária, eu precisava de amigos, a minha mãe, que era, note bem: era, a pessoa que melhor me conhecia, supôs, percecionou, que eu precisava de amigos. Quão certa estava, a minha mãe, quão presente era a minha solidão. Os meus catorze anos foram a minha adolescência, eu era não só solitária nessa altura, mas também infeliz. Depois passou.
Tenho de alindar o cabeçalho do blogue
Tenho, tenho. Tenho de escarrapachar uma foto onde apareça eu, ou então algo que muito aprecie, uma árvore, uma flor, uma montanha, uma nuvem. Normalmente coloco imagens de mim no cabeçalho do blogue, até já me lembrei de pôr aquela foto que tirei a mim mesma quando vim vestida de franjas. Mas não. É que depois chegavam-se-me aqui as invejosas e era só comentários obscenos na caixa. Não. Bom, estava a ser irónica, eu quero mesmo pôr para ali uma imagem qualquer, pois por muito que goste de ver um blogue desafogado, alvo, limpo, porque realmente gosto, sinto que não apela, não tem alma, está vazio, vazio de mim, é por isso que tenho de preencher o cabeçalho com uma imagem. Vamos lá a ver se no fim-de-semana tenho tempo para isso. Para isso e para colocar uma frase. Minha.
Cor-de-laranja
Lembrei-me do meu vestido cor-de-laranja. Não é só saudades do calorzinho e da frescura que um vestido pode trazer e assim contrariar o calorzinho, quando o dito se nos apresenta de maior, insuportável, não, é que uma das portas dum dos meus roupeiros tem a dobradiça meio parva, vai daí nunca se fecha totalmente, mantendo sempre uma nesga por onde todos os dias avisto o meu saudoso vestido cor-de-laranja.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Último
São dezanove e oito. Percorro a rua José Falcão, em Lisboa. Cruzo-me com pessoas, invejo-as todas, todas moram já ali, mesmo que não morem, todas estão a um passinho de casa. E eu.
uma coisa é certa
uma coisa é certa
um dia o antunes vai descer as escadas e encontra-me a falar para a câmara
uma coisa é certa
um dia o homem do bangladesh vai virar as esquina e dar comigo falando para a câmara
uma coisa é certa
um dia vou fartar-me de fazer vídeos que ninguém vê; verá
uma coisa é certa
um dia vou dar comigo enlouquecida por falar sozinha para a câmara fazendo vídeos que ninguém vê; verá
uma coisa é certa
um dia isto acaba-se-me e não mais escreverei no blogue
uma coisa é certa
um dia morro e portanto...
… uma coisa é certa...
Seis
Há cerca de seis anos tive o primeiro ataque de pânico da minha vida, apontava números à mão que eram parte dum número de telefone para onde eu ia ligar, havia toda uma série de pressões por sobre mim, que durante anos e anos aguentei, calada, mas, não as aguentando mais, o ataque deu-se e a minha vida desmoronou. O que senti foi uma espécie de desmaio consciente, a porra é essa, a consciência do que está a acontecer, bem como a incapacidade para ser ou fazer coisas, lembro-me por exemplo de não ter força para segurar a mala, para andar, para falar, de gritar e chorar descontrolada e/mas conscientemente. A porra é essa, a consciência. Porque eu sabia que estava a fazer 'figuras', porque o imperativo era (continuar a) anular-me, (continuar a) calar-me e (continuar a) agir diferentemente 'daquilo', mas não conseguia. Foi assim que descobri que o 'não consigo' é coisa para afinal de contas existir. Aborrece-me sobremodo este 'não conseguir' quando realmente 'não consigo'. Mesmo. Mas não consigo. Mesmo. Mas o tempo passou. Nos dias que se seguiram, incrivelmente, continuei a viver com os costumes de sempre, mas somente por fora, por dentro encontrava-me mal-amanhada e desgovernada. Aguentei dois meses nesta situação, em pânico, a querer morrer mais que tudo, sem que a ideia de ter filhos, marido e casa me interessassem para nada, tampouco flores, passarinhos, nuvens, lagos, sol me ajudavam a ultrapassar esta agonia. Ninguém me interessava, nada me interessava, e eu sabia disso, a porra da consciência ajudava-me a não me esquecer. Não havia alegria ou luz de espécie nenhuma. A ideia do suicídio não me abandonava e eu sei, sei, que me enforcaria no armazém se não me tivesse disposto a buscar ajuda clínica, lá está a puta da consciência, muito embora aqui se apresentasse benfazeja, impulsionando-me para a decisão que me levaria a percorrer um caminho que prometia ser bom. Tem sido um caminho verdadeiramente bom, mas sinuoso, há seis anos que oscilo entre a astenia, incapacitante e que ninguém perdoa, e a tristeza mórbida, que ninguém compreende e aceita como sendo a minha natureza, o que me obriga a atingir um estado onde aparento 'normalidade'. Mas o tempo vai passando. Fui então aprendendo a controlar os meus achaques, que são cada vez mais espaçados entre si, o que acontece é que vou calcando um e outro, amordaço-me, encolho-me, estrebuchando principalmente quando me encontro sozinha, raramente quando me encontro rodeada de pessoas. O fulcro da minha preocupação é ocultar das gentes os meus ataques de pânico porque me envergonho de os ter, e não me venham dizer que há muita gente que tem e é normal, porque não é normal, eu ainda me sinto doente todos os dias e isso não é normal. Bom, passaram seis anos, combato a astenia e a tristeza com o ato de escrever. Sobretudo. Nalgumas vezes deixo transparecer essas emoções porque me é de todo impossível não as mostrar se na verdade escrevo um diário, ora acontece que neste diário também registo as coisas boas e, acontece também, que para as escrever tenho de as observar e enquanto as observo distraio-me das minhas tormentas todas. Conclusão: escrever ajuda-me a viver sem pensar em morrer, a não sucumbir, não enlouquecer. Devolve-me portanto uma parte de sanidade mental.
Na noite em que se completaram seis anos em que iniciaram estas dificuldades, sonhei com elevadores. Sonhar com elevadores é o meu sonho recorrente, o pesadelo maior de todos. Sonho que entro no espaço, geralmente é um espaço enorme, o que para mim é problemático, apinhado de gente, o que para mim é problemático, sou elevada no ar devido à deslocação do elevador, o que para mim é problemático, planar é-me penoso que se farta, há como que um descontrolo de mim, do meu corpo, sou uma espécie de balão, para ali ando, a flutuar no ar, à mercê. Para mim, este sonho é o que mais se aproxima do pesadelo, apresenta-se de vez em quando, mudando apenas as pessoas que estão dentro do elevador, no mais assemelham-se uns e outros, e há muito tempo que não sonhava desta maneira. Vá-se lá saber porque o fui buscar precisamente na noite deste dia... Subconsciente a atuar...? Não sei.
Se alguém ler este post até ao fim, por favor, não se vá embora com a ideia de não mais voltar, não por eu ter ataques de pânico e ser uma daquelas pessoas com quem não se sabe lidar, ai que ela vai desmaiar, ai que ela vai gritar, ai que ela vai chorar, ai que ela vai-se matar. Tampouco esperem que eu saiba lidar com vocês, porque não sei.
SBP
Bom, tenho de fazer um papelinho novo. P já está, falta SB. P agora passa a 4 de fevereiro próximo e tenho de marcar SB para 18 de janeiro, é já na segunda-feira, pá. Que espero para ligar. Pergunto.
Estou sem roupa
Estou sem roupa. Ah ah. Não estou nada, mas quero um casaco diferente para andar aqui no estaminé, que este que tenho agora é por vezes quente demais e a bem dizer não me serve. Quero dizer: serve, vá, serve, mas é casaco para usar abotoado, e se o abotoo prende-me os movimentos. E se o desabotoo, que afinal de contas ando sempre assim, abre-se demasiado e ando sempre a roçar com os braços no fecho. Pronto, a minha vida é complicadíssima, bem sei. Então ontem andei a ver nos saldos se encontrava alguma coisa. Bom, preciso dum casaco que:
• abotoe sem me sentir a oitava salsicha duma lata para apenas seis
• seja duma altura pra me chegar somente até ao quadril, nada mais que isso
• tenha uma cor viva, ou não muito escura, vá, isto para eu não parecer a velha da alameda, e também me convém que seja uma cor que 'aguente' poeirada e resíduos de ferrugem e óleo durante duas a três semanas, isto para eu não parecer a velha porca da alameda
• tenha um preço baratinho, porque uma vez que não sou da alameda, sou pobre pra caraças
Ontem vesti um amarelo, assim da cor da mostarda, sabem, com um preço daqueles em que basta uma nota mais ou menos cor-de-rosinha para o pagar, com fecho, com dois bolsos, mas pequenos. Só que não o trouxe. Mas entretanto estou arrependida, era o casaco ideal. A cor é alegre, aguenta poeira e quês, abotoa na perfeição, não me sinto a tal salsicha, é barato. Daqui a nada vou lá buscá-lo. Creio eu.
Posta-restante:
Ná... O casaco tem capuz, já nem me lembrava que esse foi um dos motivos para não o ter comprado logo ontem.
Rede Social
Já tenho Instagram. De nada, ora essa. Não sei se terei muita paciência para aquilo, mas quantas vezes nestas coisas o que me falta é começar...? Muitas. O responsável por esta novidade é indubitavelmente o meu telemóvel novo, que é velho, possui um ecrã grande, as letras são grandes, possui ainda uma série de mariquices que torna o seu uso simples, e vai que pumba e coiso. A ver vamos. Entretanto recebi logo um email a dizer para dar uma volta no site e mais não sei o quê, mas era tão tarde que deixei para hoje. A ver vamos.
Posta-restante
Fiquei a saber posteriormente à feitura deste post que o Instagram é coisa para somente se poder mexer através do telemóvel. Ah ah.
Posta-restante
Fiquei a saber posteriormente à feitura deste post que o Instagram é coisa para somente se poder mexer através do telemóvel. Ah ah.
Pequeno-almoço
Chá de Tília + Torradas com Manteiga = …?
Ponho a água ao lume para o chá ainda antes do primeiro chichi, ensonada que eu sei lá, com a cadela de volta de mim, aos pulos. É que assim ganho tempo. Depois então é que despejo a bexiga e começo a preparar-me. E já a cafeteira, que neste caso se devia chamar chafeteira, ferve quando volto à cozinha. Ou então não. E se não ferve aproveito esse poucochinho de tempo para desenroscar o frasco que contém as folhas secas e retirar algumas que coloco em cima da tampa. A água ferve, desligo o lume, as folhas são postas dentro da chafeteira, tapo, aguardo. Ou então não, não aguardo nada, vou mas é fazer as torradas. Quando um dos lados das torradas está no ponto e já o outro se encontra a receber calor, é hora de coar o chá para dentro de três canecas. Eu explico o porquê serem três e não quatro, ou duas, ou uma, que adoro explicar coisinhas. A rica filha sai tão cedo para o trabalho como nós dois, o rico filho ainda dorme. É que tem um horário completamente diferente, chega a casa de madrugada, ademais não gosta de chá nem por nada, a rica filha gosta e não é pouco, portanto, contas feitas, três canecas com chá são postas em cima da mesa da cozinha a arrefecer, ainda o segundo lado da torrada está a torrar. Depois é barrá-las. Depois adivinhem o que acontece. Ah ah. Queimamos a língua porque o chá ainda está muito quente. Ah ah.
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