terça-feira, 2 de agosto de 2016

Dia de (disseram na Radio)

Nos últimos tempos a Radio Comercial deixou de divulgar enfaticamente os 'Dia de', o que fez com que este tipo de registo deixasse de comparecer no blogue tão frequentemente. Au eva, quero registar que no
dia 26 de julho foi dia dos avós
e no
dia 29 de julho foi dia do batom
Oh céus, tanto para escrever. Bom, vamos lá.

AVÓS
Já todos os meus avós finaram, mas, seja lá como for, registo-os aqui e agora.
Os avós são quatro, dois paternos, dois maternos. Au eva, a mim calhou conhecer apenas três, excluo bai da uei o avô paterno que deixou o meu pai órfão apenas com 7 anos.
A minha avó paterna, a quem a gente chamava de avó Aurélia, era uma viúva ao uso do Alentejo, sempre de preto, sempre sempre sempre. Lembro-me de ela retirar o lenço para pentear o alto da cabeça e de eu gostar de lhe ver o cabelo. Ah, afinal o cabelo da minha avó é assim, hum, pensava eu. Ficava a vê-la varrendo os cabelos que entretanto se haviam soltado e parar no carrapito, usando para isso uma travessa, ao momento sei lá de que cor, seria preta?, depois deixava-a ali, presa na nuca, até que o constante amanhar do lenço fosse despenteando novamente o que ela aprumara mecanicamente. E toca de voltar ao mesmo. Lembro-me de ela dar dinheiro a mim e ao meu irmão, pronto, aquele costume alentejano de gratificar os netos, tipo assim para não lhe abalarmos de ao pé sem nada no bolso, esse tipo de coisa. Se registo este facto é porque quero ressalvar que a nota era colocada na mão do meu irmão, por ser mais velho do que eu, e era para dividir pelos dois, o aviso era esse: isto é para vocês, para os dois. Tinha uma memória fantástica para datas de aniversários e datas de factos importantes. O meu pai é assim. Eu sou assim. A rica filha é assim.
O meu avô materno, a quem a gente chamava de avô Zé, morreu quando eu tinha 5 anos. Lembro-me de ver a minha mãe de preto, triste, creio que fui lá para a aldeia mas não compareci ao funeral, provavelmente terei ficado com alguém. Do meu avô, vivo, tenho na memória a feitura do cigarro, ficava completamente fascinada com esses momentos. As imagens são: o meu avô na cadeira de rodas, a dobra da calça dobrada e apanhada com um alfinete-de-ama porque uma das pernas lhe tinha sido cortada devido a problemas, o desenrolar da folha branca, que não sei de onde retirava, o despejar do tabaco por cima dela, que não sei de onde retirava, o enrolar, que sei ser muito direitinho, o passar a língua para colar as pontas da folha. Todos estes gestos eram feitos com a lentidão que hoje conheço como sendo a dos velhos, mas que eu ficava admirando sem me importar porque tinha aquela idade em que o tempo não conta nem passa nem é nada de especial. Não me lembro de ver o meu avô levar o cigarro à boca, de cinzas, de beatas ou de cinzeiros, sério, essas são imagens que decerto observei mas que não constam nos meus ficheiros.
A minha avó materna, a quem a gente chamava de avó Chica (sim, eu tenho uma avó Chica na minha vida, e é anterior que se farta à Rua Sésamo em Portugal, ah ah), passou os últimos anos de vida entrevada numa cama e é essa a imagem que trago mais viva. Mas antes, num tempo quiçá pouquíssimo distante do da cama, lembro-me do ferro de engomar que ela aquecia com as brasas da lareira (no Alentejo a lareira é designada de lume) que ardia na chaminé enegrecida. Ficava também fascinada ocm aquilo, a minha mãe tinha um ferro elétrico... E o da minha avó era alimentado pelas brasas incandescentes. De resto não tenho grandes recordações dela, a não ser a parecença com a minha avó Aurélia, nas vestes e no lenço, tudo preto, sempre preto, sempre sempre sempre, a história era a mesma, só mudava a casinha da aldeia, o lado da família.

BATONS
Tenho quatro, creio. Ou então espera lá, são três. Bom, já se está a perceber que ligo pouco ao batom. Au eva, hoje trouxe as beiçolas pintalgadas, óié.
Todos os batons que tenho foi a rica filha que mos ofereceu, dois porque lhe andavam para ali no estojo de maquilhagem, e um porque sim, fomos à loja e tudo. As duas. Escolhi um patchau! É alaranjado e coral e vermelho e assim. Dá nas vistas pra caraças.

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