terça-feira, 19 de outubro de 2021

Espantosamente

De maneiras que a pessoa que escreve neste blogue subiu ao escadote para arrumar a pá do lixo, arrumou, e vai que o serrote de poda, que estava no caminho, detentor de bico afiado que é, riscou-me o trapézio. Oh. Oh e ah, que há espanto por junto.

Desafogadamente

A estação de Arroios está toda arranjadinha e aberta ao público. Que desafogo, nem duvido que o próprio Fernão de Magalhães tenha agora mais ampla vista. O semáforo é que leva bué tempo pó peão e pá peoa, bem mais do que dantes. Concluo portanto que sob esta perspectiva está o desafogo no tráfego.

Obviamente

Quando anoto moradas ou contactos telefónicos dos clientes, por vezes brinco: «ah, é que eu gosto muito de escrever.» Obviamente cliente algum conhece a dimensão do que acabou de ouvir.

Insistentemente

O cliente insistia em chamar roscas às porcas – não que daí venha mal ao mundo, se afinal as ditas as têm -, concluindo depois que «isto nem parece de homem!»

Consideravelmente

Dois homens miravam a minha montra e retiravam considerável prazer. De um deles até ouvi dizer «ainda bem que há lojinhas destas.» O meu colega havia saído para um trabalho no exterior, portanto não ouviu este comentário, mas ia gostar muito. Enfim, com aquilo de andar cá e lá escapam-lhe estes momentos.

Rapidamente

Acerca do acto sexual, ouvi eu, algures, um dia desses, assim:
«oh, aquilo também é só um bocadinho de gosto, depois sai logo tudo!»

Frequentemente

O Gualter anda... frequentemente... de óculos escuros na rua. Gostava de pôr antes aqui o 'invariavelmente', só que não é.

Invejosamente

Como saber se a minha t-shirt é tão gira mas tão gira que é invejável e até invejada? Quando as mulheres jovens olham para mim.

domingo, 17 de outubro de 2021

Entulho

Esgotei os níveis de sociabilidade nas últimas horas. Por entre pude todavia ter contacto com o entulho da minha vida. A minha cadela é abelhuda. Conseguindo percebê-la na foto, vejam lá se não concordam comigo nisso.

Aos domingos, as sopas

Faço sopa aos domingos e hoje fi-la com legumes assados. Dias atrás intentei variar os jantares da semana e assei legumes. Depois comi-os. Ao jantar. E descobri que nada bate o conforto de um prato de sopa. Ontem assei legumes e com alguns fiz hoje a sopa, que tem um sabor diferente do habitual, e não é pior. Nem melhor, já agora. Por ora é nestes moldes que está a minha vidinha. Ah, se não tiveres nada para dizer ao mundo mantém-te em silêncio, é o que se diz por aí. Está bem, ocorre que por obra do acaso sempre considero ter algo a dizer. Se o dizer for escrever, tenho.

surgiu, surgidas, surgem, surgiu, surgimento, surgia

Acerca daquilo meu de acordar com canções na cabeça, conto agora de uma canção que surgiu há dias e que, felizmente para mim, desmente que as canções surgidas surgem porque as ouvi no decorrer do dia anterior ou à noitinha, antes de adormecer. É uma canção com décadas, que passava na Rádio de vez em quando – Maranata, 40.ª Sinfonia de Mozart – e que não ouvia há muito tempo. Gostava de saber por que raio foi esta canção que surgiu mas, enfim, são mistérios da mente, sei lá, então se a memória é, de certa forma, insondável, era logo eu, Gina Maria, que ia descortinar-lhe os recantos? Não era, nem é. No dia do surgimento surgia apenas um verso: «sou a força do grito que passa/sou a luz que ilumina a vidraça», mas entretanto já ouvi toda a canção umas quantas vezes e encontrei um poema muito bonito. Pode ouvir-se e ver-se clicando aqui.

Lonjura

Visionei um vídeo de cinquenta e dois minutos que mostra a perspectiva de uma pessoa caminhando pelo bosque, quando num nevoso dia de Inverno. Todo o vídeo. Todinho. Embora longo, não me aborreceu. É apaziguador e empolgante, tem a calmaria no estilo musical, e fui ficando, querendo ver o que a youtuber viu durante o seu passeio, aproveitando os calmos acordes. Por tanto claro de neve e tanto escuro de vegetação nua e triste, em certa altura considerei que a 'película' se encontrava com o filtro a preto e branco mas descobri que não, apareceu uma pequena ponte com um cercado que tinha uma pilha de ás em vermelho. Mais à frente, um sinal de trânsito passou uma espécie de certificado à certeza que eu já tinha: era azul, indicava sentido obrigatório. No fim dei uma vista de olhos pelos comentários e gostei de não encontrar nenhum negativo, eram sobretudo no sentido de louvar o trabalho dela, muitos diziam que andar com a câmara em riste durante quase uma hora é difícil e chato e que boa escolha musical a dela. É certo que não li todos os comentários, eram muitos, e pode a youtuber ter filtrado os negativos, lá isso.

Sonho

Sonhei com a campa da minha mãe. Posso não saber de algumas coisas, mas sei que este sonho desceu porque me lembrei desse (triste, pesaroso, fúnebre) item horas antes de dormir. Na vida real, houve um engano numa impressão, trocaram uma letrinha, o que pode parecer 'apenas', só que não o é. A minha mãe chama-se Rosária e toda a vida corrigiu a Rosário para Rosária. Ora foi precisamente esse o erro que aconteceu na vida real, e a trama deste meu sonho rodeava este engano. Não tenho mais concretos acerca deste sonho. Para sonho com um só concreto a apresentar, está até um texto de bom tamanho. Terá sido por contar mais da vida real do que da dos sonhos? Capaz disso.

sábado, 16 de outubro de 2021

Revelações absurdas

O meu fogão novo já cozeu bolos. Para primeira vez, em vez da tradicional forma de bolo redonda com buraco, resolvi antes encher formas de queque. Nem parece meu, sempre tão insegura com tudo, querer inaugurar um forno que (obviamente) desconheço completamente usando um método não muito habitual. Já aqui tenho dito e sinto como verdade: de bolos, eu tenho a mania que sei. Devia portanto ser pasteleira de profissão, assim brilharia. Mas os queques. Os queques calharam bem. E se não calhassem? Marchavam na mesma, com igual prazer. Isto é que é autoestima, né? Poi zé. O segundo bolo não foi bolo, foi uma tarte de maçã encimada de crumble. Estava um deslumbre, que a gente pode deslumbrar-se com o paladar. Qualquer um dos sentidos, aliás, serve para isso também.

O meu fogão novo já assou pizza. Nunca soube por que raio se cozem bolos e se assam todas as outras coisas, quando o instrumento para tal é precisamente o mesmo. Enfim. Estivesse eu presente aquando daquilo da Torre de Babel e fazia diferente, lá isso.

Acerca do fogão propriamente dito, posso adiantar que o relógio digital ilumina a cozinha de tal forma que, querendo eu aceder à varanda quando é noite, dispenso acender a luz porque vejo bem o caminho. Junto também que os bicos fazem um chinfrim do caraças. Sim, 'junto também' é redundância mas achei o junto sozinho e o sozinho não se quer sozinho, né? Poi zé. Mas o chinfrim. Pá, aquilo há-de ser, alvitro, para dar nas vistas ao nível do ouvido, ouve-se os bicos acesos a metros e noutra divisão. No mais, deixo ainda que o acabamento que escolhi não é o melhor para limpar. É de um metalizado lindo, mas mancha facilmente quando seca. Já descobri que evito as manchas se logo após a limpeza usar um pano para secar, ao invés de o deixar secar por mor do ar. É fazê-lo, então.

Por último deixo foto dos tais queques, acerca dos quais ainda não disse que foram feitos com a tradicional receita de bolo de iogurte, aí já não fui tão afoita quanto isso, cingi-me à simplicidade e à segurança de uma receita que dificilmente correrá mal. Juntei-lhe, que bem me lembro, pepitas de chocolate negro e pêra aos pedacinhos. Um dos queques derramou sobre outro, sei lá eu por mor de quê. Calhou. O centro da foto está sem filtro, quis que se visse os queques no mais natural de si, mas senti vergonha das migalhas na toalha, por isso preenchi com filtro toda a foto e depois risquei-o para revelar os queques.

Dias de um Ginásio

Bom. Então. Este é um post onde quero parecer inteligente e original. Não. Este é um post que, inevitavelmente, vai fazer-me parecer a querer que vos pareça inteligente e original. Não. Este é um post, e pronto. No outro dia, quando o Ginásio finalmente voltou ao horário habitual, digo: a fechar às quinhentas, uma colega de treino comentou comigo quão feliz estava, agora teria tempo para treinar tudo quanto quer e não mais precisaria de apressar o banho. Formei a resposta mas retive-a um nanossegundo, decidira usar 'desafogo' como palavra principal, achei-a adequada, contudo, bem sei que não pertence à linguagem corrente, porém, vocalizei a resposta tal como a tinha pensado. Vi confusão e reformulei a resposta, usei o 'alívio' e vi nascer daí, então, um belo sorriso. E aliviado, também.

Cor-de-laranja

Na grande loja, a cliente que acabara de pagar pegou na compra mas não a susteve, deixando-a cair. A compra era uma embalagem de (muitos!) chupa-chupas que se abriu com o embate e lhes ofereceu o livramento. Grande espalhafato que aquilo foi, só vos digo, mas maior espalhafato ainda, e até melhor, foi uma bruxa soltar o seu riso maquiavélico logo logo logo. Quiçá pela travessura, se pelas doçuras serem de mau porte. Quero dizer, isto sou eu a inventar, o real da questão é que a bruxa é uma daquelas bonecas que reage às vibrações e, neste particular, ri desenfreadamente. Ah, e sim, pois é, vem aí o dia das bruxas, de modo que, pronto, já as há à venda por aí assim. E pronto, está dado ao mundo mais um post cor-de-laranja, que as abóboras também o são.

Pasta de dentes

A minha pasta de dentes d' agora tem toranja na sua composição. A embalagem é muito bonita, tem laivos de cor-de-laranja para lembrar toranja, que é vermelha, mas oh! Gosto de cor-de-laranja – gosto, gosto.

Padrão

Este dióspiro vem com uma peça de roupa em padrão animal.
Pode ser chita ou tartaruga, zebra é que não.


 

Sonho

Sonhei com um pano do pó – cor-de-laranja, como se quer, porque, em maioria, são dessa cor, então parece que se quer – e, giro é, que não tenha pegado ainda em nenhum desses panos, nem conte pegar para já.

Famílias sem parentesco

Diz-se que a Rádio é uma família – afirmo que é, não que parece ser – porque acabamos por conhecer as pessoas que lá estão – ou trabalham, essas pessoas também trabalham [emoji mui sorridente] – e é por se conhecer que se acaba por acarinhar. Isto são tudo lugares-comuns, bem sei, mas sei também que os lugares-comuns são verdades absolutas. E eu, que deixei de ouvir rádio pela manhã, não deixei de saber das pessoas da Rádio porque as tenho no meu Instagram. É. Vejo-as sob outras perspectivas, questões particulares que põem ao fresco nessa rede social, ou, mais longe ainda, mais radiofónico, pequenos vídeos com excertos das emissões.

Lisboa, Lisboa

Por vezes lamento que não registe qual o ponto exacto de um ou outro clique daqueles que faço por Lisboa. Daqui por meses e, ou, anos não reconhecerei esses pontos e, por conseguinte, lamentarei, sei-o porque já lamentei alguns. Por isso é que em nova passagem pela rua Engenheiro Vieira da Silva cliquei noutra perspectiva, e aqui registo que é efectivamente essa a rua deste clique, mas também de um outro assaz especial, que conta já com umas semaninhas e que pode ver-se clicando aqui.

Amarelos

Tenho mais amarelos a apresentar, isto em duas fotos. Se numa tenho aqueles autocolantes que já em tempos publiquei no blogue, mas quando ainda estavam colados a formar um quadrado, noutra tenho a parte que se desfocou, focada. Tudo em amarelinho, ó pá tóin xiru! Debruço-me especialmente sobre a última, que, oh vejam lá, pus no blogue em primeiro. É mais bonita e deita mais corpo - As folhas são da árvore amarela, trata-se de um raminho que encontrei aqui há semanas; o gatinho amarelo é o gatinho amarelo, mas em madeira, não em carne e osso, esse é outro; os botões peludos que estão próximos ao gargalo da botija são restos de uma das plantas de rua bem outonais, há imensas por Lisboa. Estes botões em particular fizeram parte de pequenos caules que encontrei por aí. São do tempo em que fiz aqueles posts intitulados com o nome de pessoas que conheci e acerca das quais conto vir a dizer mais coisas no blogue.

História

A história da árvore amarela pode ler-se aqui, bem como pode aliás ver-se porque é a árvore amarela, amarela. Isto ficou num português esquisito, mas eu nunca disse que sei escrever. A juntar, deixo foto que o Luís encontrou por aí nas netes, sem que se tenha descortinado a quem pertence a autoria, portanto, olhem, obrigadinha na mesma. Não sei que idade tem a foto mas alvitro ser coisa para os anos 60. Ou 50, vá. O que sei é que o poeta não constava ainda no pedaço ajardinado e o pedestal dele diz que lá foi colocado em Janeiro de 1968. O pedaço ajardinado onde se encontra actualmente e árvore amarela também está delineado e, parece a mim, que tem vegetação. Já ampliei a foto mas não me deixa ter certezas. Seja lá como for, posso imaginar a árvore amarela em pequenina, ainda mal semeada de folhas e tal e tal. Pronto, fica então a dita foto. Ah, e querendo ver o amarelo que me apaixonou e que despoletou o cognome é clicar no link supra. E não, a árvore amarela nunca mais ficou tão amarela e brilhante. Pode ser que este ano fique. A ver vou, lá isso.

Aniversário

No dia em que fez onze anos que publiquei pela primeira vez a árvore amarela no blogue, gravei o percurso que fiz até lá e hoje presto-me contas disso. Tenho pena que a aplicação nesse dia não tivesse as legendas em português mas é o que tenho. A aplicação grava paragens, mesmo que curtas. Grava também, e obviamente, les dépards et les arrivées que je fait. Então vá:

a partida não foi bem bem bem no estaminé, mas um pouco mais à frente, que foi quando malembrou de registar o percurso
a primeira paragem foi no semáforo junto ao poeta
a segunda paragem foi para um recado do estaminé e uma compra particular
a terceira paragem foi para ver e fotografar a árvore amarela
a quarta paragem foi no semáforo que organiza o tráfego no cruzamento mais próximo ao estaminé
a chegada foi feita no estaminé

E, para finalizar este acontecimento absurdamente fantástico, registo que:
percorri 4 quilómetros e 120 metros a duração foi de 1 hora, 15 minutos e 32 segundos
o ritmo médio foi de 18'21” (não, não sei bem bem bem o que isto significa, se sou para lá de lenta, ou então não)
as calorias chegaram ao número 115

Lisboa, Lisboa

No outro dia, quando falei do tom da minha Lisboa, aquando da ideia ainda na sua insipiência já idealizava que juntaria um vídeo ao post. Só que masqueceu completamente, relembrando para aí uns três dias depois, quando acedi ao canal para verificar se estava tudo bem num (outro) vídeo que acabara de carregar. Então vá, o vídeo em questão... Quero dizer: o primeiro! vídeo em questão neste post chega portanto hoje. Vai a tempo, presumo. Sinopse, já agora: este vídeo tem fotos que escolhi não publicar no blogue mas sim agrupar num vídeo, as quais musicaria com a canção de que falo no link supra.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Antes de mais, o piano.

Antes de mais, hoje não ouvi o piano. Oh. Mas pronto, era lá agora o evento que é se ocorresse todos os dias, né? Poi zé. Comi a bucha na varanda, enquanto de um televisor vizinho soavam as notícias. Mudei de vista, é certo, mas, sobretudo, melhorei-a.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Antes de mais, o piano.

O piano ao meio-dia, pois claro, não fosse eu desiludir-me com o acaso. Logo mais, ponderei comer a bucha sentada na escada do prédio, não seria, aliás, a primeira vez, mas escolhi sair para a rua e comer em pé. De um arco surgiam turistas. Também surgiu um homem das obras carregando um balde de entulho, já agora.

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Escrever

Comoveu-me que a menina fée perguntasse o que gosto de fazer. Tipo assim de um tiro, trau!
«o que é que gosta de fazer?»
escrever
«escreve sobre o quê?»
sobre tudo

Não, não escrevo sobre tudo, mas, sobretudo, escrevo. Respondi assim porque, se de chofre pensar no teor daquilo que escrevo, sinto que escrevo sobre tudo.

Cartão de visita

Sou pela reciclagem, a menos que me esqueça ou não possa de todo reciclar o que é de. Há dias deram-me um cartão de visita alegando serviços, agradeci e guardei-o. Logo mais marquei consulta, não esquecendo de adicionar os contactos ao telefone e voltei a guardar o cartão, ponderando se devia devolvê-lo ou dá-lo a alguém necessitado. Se bem que esta última hipótese, querendo-a acontecida breve breve, seria necessário correr mundo e bater boca, o que não me apraz, então fui deixando ficar. Um dia, quando na sala de, e à espera, vi que na mesinha havia uma pilha de cartões iguais ao que eu tinha dentro da carteira. Retirei-o de lá e pu-lo em cima dos outros com gestos decididos. Pumba, este fará dois serviços, pensei eu. Esta é também uma forma de reciclar. Na mesma mesinha estava uma outra pilha, mas de brochuras, e de uma leitura distraída retirei simplesmente fadas. Então, olha, fada fica a menina de lá, mas em francês – fée

Post de merda

Tenho ouvido dizer que não vale a pena darmos tanta importância aos 'gostos' que os observadores (seguidores, vá) deixam nas nossas publicações porque a maior parte desses abonatórios cliques são feitos quando estão (estamos) sentados na sanita. Eu, por vezes, levo o telefone comigo mas vou ouvindo um podcast, dispensando assim segurar no telefone enquanto. Foi numa dessas ocasiões que percebi que tenho idade para os protectores solares com +50... É, sou um bocado desatenta, sou. E, por vezes, esqueço-me de clicar no 'gosto', lá isso. E gosto, não gostando sempre, a verdade é que, se não gosto, não clico no 'não gosto', e nem é pela desatenção, é porque não gosto de clicar aí.

As íris do sol

Têm estado uns lindos dias de sol. Esperado, vá, isto é terra lusa, o sol aqui pertence. Têm estado umas temperaturas altas. Inesperado, ainda que a pegada ecológica mande dizer que doravante é subir e subir. Também, e seja lá como for, são sóis bons, os destes dias. Esta manhã, um desses incidiu no adereço metálico da minha mala, reflectiu na parede e teve por companhia uma espécie de arco-íris. Íris, é, arco é que oh, e que não seja, né? Poi zé.

Gina, numa relação como o supermercado.

Do supermercado e o supermercado e mais o supermercado. Num repente lembrei-me do seguinte: sempre ouço que canção deixa o rico filho no autorrádio mas, bem vistas as coisas, também ele ouve a que deixo eu. Isto: ao menos um bocadinho, pois claro, que, logo de seguida, ele ou eu mudamos de acordes.
Então vá.
Tenho vindo a protelar a divulgação de qual a canção que agora me acompanha nas idas e vindas para, e do, supermercado. Trata-se de uma canção bem antiguinha, pertencente ao repertório de Laura Pausini – La Solitudine. Gosto de variar de língua, aliás, de Língua, por isso é que desta vez escolhi o italiano. Esta canção, trago-a na memória também por conta de ser uma das que uma professora de Ginástica que tive em tempos há muito idos usava para o descanso final, aquela parte das aulas em que se alonga o corpo e a escolha musical flecte para algo mais calminho do que, por exemplo, quando se anda aos pulos em cima de um step, ou em rodopios tão próprios da aeróbica. Velhos tempos, lá isso, agora os steps são decks e a aeróbica é zumba, ou coisa assim.

arranque
Marco se n' è andato e non ritorna più
E il treno delle 7:30 senza lui
curva estreita, porém, com avistamento
Chissà se tu mi penserai
Si com i tuoi non parli mai
rotunda da farmácia:
Piangi i non lo sai quanto altro male ti farà
La solitudine...
entrada na estrada principal
Marco nel mio diario ho una fotografia
Hai gli occhi di bambino un poco timido
a curva mais temida
Tuo padre i suoi consigliche monotonia
Lui com il suo lavoro ti há portato via
rotunda das pedrinhas brancas a rasar os lancis
Non è possibile dividere la vita di noi due
Te prego aspettami amore mio... ma illuderti non so!
subidinha das tampas de esgoto
La solitudine frai noi
Questo silenzio dentro me
rotunda das pedrinhas brancas em cogulo
È l' inquietudine di vivere la vita senza te

Depois repete-se alguns versos e percorro o resto do caminho, contendo este uma recta fixe, uma curva para lá de boa, uma subida que termina numa rotunda, onde entro e saio e só páro quando chego a um parque de estacionamento bem bem bem desafogado. É-o assim porque é manhã manhã manhã quando (tudo) isto acontece.

domingo, 10 de outubro de 2021

Domingo à noite

Nunca mais fiz os posts do supermercado, que eram daqueles de fazer ao domingo. Cansei-me. Canso-me de mim. Mas, simultaneamente, ou parvamente, sei lá, sinto saudades do tema. 'Gina, numa relação com o supermercado.' era como intitulava esses posts, que construía livremente, afinal é um tema limpo e extensível que se farta. Um mimo, portanto. Cansei-me de não me dar bem com a movimentação dentro do supermercado, descrevendo as compras mas sem focar o desespero que essas visitas, afinal, me provocam. Cansei-me desse desvio, esgrimo em vão. É tudo mentira. Escrever das beterrabas tão lindas que estavam para quê se estou imprópria para isso, né? Poi zé.

pui ós pigos

Lenços

Muitas entradas tem este blogue sobre o tema lenços de papel, oh porra. Agora até colo no caderno um pedaço de cada pacote que enceto. Já tenho escrito que vêm aos grupos de seis, sempre com desenhos diferentes, mas que, geralmente, as coleções apresentam apenas quatro, de maneiras que, pronto, dois repetem-se. Na verdade faço agora as colagens porque falo destes pacotes sem os apresentar em fotos. Já o fiz, bem sei, mas não costumo fazê-lo. E, se não costumo, é porque sinto que quem vier a ler não encontrará conformidade entre o que escrevi e o desenho. É insegurança minha, é, mas pronto, este registo cá fica. Pena é não me lembrar em que moldes descrevi este primeiro desenho de que falo e que colei no caderno. Sei lá, devo ter escrito «ah, este desenho é de losangos, lembra o psicadélico, os anos setenta» e mais não sei o quê. Vou pesquisar.

Tenho dois com um padrão aos losangos, nas cores preto, cinzento e branco. Lembra o figurativo dos anos setenta. A gente pensa me padrões dos anos setenta e chega-nos aquilo. Decerto.

Entretanto fui dar com mais um pedaço de pacote de lenços de papel da mesma coleção do descrito acima. Este tem uma pomba amorosa e também não me lembrava que coisinhazinhas escrevi acerca. Digo lembrava porque o post onde descrevo o desenho do pacote mencionado acima é o mesmo que contém a descrição deste pacote, de maneiras que fiquei com o trabalhinho já feito e, já agora, deixo abaixo o que escrevi então nesse mesmo post.

Tenho um com o padrão montes de português, montes de popular e, já agora, montes de amoroso. Também deve ser pela paz, tem uma pomba.

Deixo agora link para o post por inteiro. Deixo-vos agora, também. Isto se aqui chegastes, evidentemente.

Esta Lisboa tem cheiro de quê? Tem cheiro do mesmo!

Um dos meus mais comuns títulos é 'Lisboa, Lisboa'. Nos primeiros tempos foi para intitular posts onde apareciam apenas fotografias da cidade, depois fui juntando os textos, quase me desculpando: «Ah, esta 'Lisboa, Lisboa' afinal tem letras.» Sei bem o que deu o mote a este dizer de 'Lisboa, Lisboa', foi o primeiro verso do refrão da canção dos Pólo Norte – Lisboa (pois claro, ah ah)


Andei pelos fundos do blogue à procura do primeiríssimo post que intitulei de 'Lisboa, Lisboa' e não consigo decidir-me por entre dois que encontrei. Um é datado de Outubro de 2017 e tem de título: 'Lisboa, Lisboa, ah Lisboa...'. Será que foi nessa data que me colei ao verso da canção, ou, por outra, foi no ano seguinte, corria o mês de Julho, quando intitulo somente de 'Lisboa, Lisboa'? Nunca saberei, assim como nunca saberei em que tom lerão este título, mas cá ficam, tanto a indução como os registos, e, estes útltimos, ainda que aéreos.

O cão vizinho e amigo desta que vos escreve

O cão que mora no terraço vizinho não descansa enquanto não o afago, somos amiguinhos vai para meses. Porém, no dia em que lavei o terraço, logo que a água esguichou da mangueira afastou-se para o mais longe que conseguiu, portanto já se está a ver em que pé ficou a dita amizade. Não obstante, revi-o quando a água parou, o que não me surpreendeu, como já o desaparecimento não surpreendera. Neste terraço há um dlim-dlão incessante. Presumo que seja um daqueles apetrechos de pendurar, com muitas pendurezas em si, em cujas extremidades pendem, por sua vez, pequenas coisas feitas em material mais pesado e que, ao vento, ou mediante simples e vaga aragem, oscilam e embatem por entre si. Por vezes são sons de embates fraquinhos (ai, adoro estas coisas duvidosas que me passam pela cabeça e que, mesmo assim, registo no blogue... caraças pá, haverá embates fraquinhos?!) outras são sons que, mesmo nascendo da mera casualidade, têm uma musicalidade muito agradável. E, mesmo que essa musicalidade nada tenha de histriónico, a verdade é que nos dias em que passo horas naquele terraço aborrece-me a cantilena, isto porque, embora seja mercê das correntes de ar, não deixa de ser repetitiva.
Agora já só sob a temática 'terraço', deixo foto do agora de um pequeno pedaço do dito, mas não sem ter por baixo, como que a subscrevê-la, uma foto de aqui há atrasado, quando lá lanchei uma maçã verde. É uma espécie de 'antes & depois', vá.

sábado, 9 de outubro de 2021

Registos fotográficos do fim-de-semana, bem como outros pontos de interesse acerca do mesmíssimo fim-de-semana.
E sim, este post, de certa forma, é do passado.

Ao terceiro quilómetro do IP1 cheirava a pinheiros e, ao quinto, a gado. Parei para comer coisas. Serviram-me uma sande de queijo e uma meia de leite, isto: a meu pedido. O pão era bom (estava no Alentejo, o Baixo, como não sê-lo?!) e o queijo era, não mau, mas não bom. E agora vou falar de fotos que não publiquei nem comentei. A primeira é uma traição que me faço, se afinal não gosto nada de publicar fotos, antes de mais, no Instagram. Pois foi o que ocorreu com uma das primeiríssimas fotos tiradas. Trata-se de um pingo de doce de ovos que escorregou de uma colher e um fio de ovo que se rebelou contra a outra. Achei logo ali, imediatamente antes do clique, que parecia um espermatozóide em busca do óvulo. Como não quis deixar passar a empolgacão e achava que ia escrever aos bués no blogue assim que pousasse na dormida que ocorreria daí a horas, escolhi o Instagram para publicar a ideia. Acerca desse escrever, devo dizer ainda que intentei fazer os meus registos por escrito e tirar fotos e, aí sim, publicar no blogue. Lembro até de idealizar que, mais tarde, passaria tudo a limpo para o blogue, para ter a 'questão' também acontecida em letras virtuais. Só que não. Como aliás se pôde perceber (e pode, clicando aqui pode) pelo que publiquei durante esses dias. Ah, as escorregadelas desceram de duas sobremesas bem bem bem alentejanas: encharcada e pão de rala. Habitualmente, quando em refeições feitas por fora, eu e o Luís partilhamos uma só sobremesa, só que desta vez não conseguíamos escolher, de maneiras que pronto, pedimos duas. Posto isto, embora todos ver o espermatozóide e o óvulo:

Mas, antes disto tudo, passei pela floresta e fiz post (ver aqui) com alfinete e tudo, de seguida houve paragem para conhecer uma figueira – olá, 'miga, tudo bem? esses pigos deixam-se comer ó quê? - e deixaram (ver aqui), uns poucos quilómetros à frente descobri as gumãs mas não as colhi (há foto no mesmo link que apresento no parêntesis anterior). Pareceu-me que tinham donos, ou, no mínimo, alguém com muito apego territorial. A romãzeira é sita numa localidade mui pequena, mui singela e, até, mui desinteressante. De seu nome: Água do Porco. Este era o destino propriamente dito. No dia anterior ao da partida é que me dispus a escolher o destino e, como queria ir para sul, espiolhei os mapas Google e dei com este nome sem mais nem porquê. Atentem no seguinte: eu dizer que a localidade é mui desinteressante, não quer dizer que me tenha desinteressado de lá parar. Não. O que acontece é que, na verdade, é mesmo uma pequeníssima aldeia, sem mais do que duas casas. Bom, se calhar três, vá. E não tem mais nada senão romãzeiras e macieiras. Ah, há também um casebre, mas de tijolo, que abriga toda uma série de coisas, não retive de que género nem vou especular, não vá estar a introduzir-me na vida das pessoas de lá. Mas pronto, Água do Porco é - eu que atravesso o para lá de 'mui desinteressante' que eu própria estipulei que seria - interessante que se farta, uma vez que tem tão pouco e, sendo eu uma pessoa mui amante de coisas em poucochinho, jamais reduziria uma delas sem depois a vir enaltecer, né?
Chegada à praia de Melides, quando notei a imensidão, surgiu-me então a exclamação: «ah, percebo agora porque é uma praia tão apreciada...», que registei no post cujo link já se encontra acima. Quando quis legendar a foto em que estou deitada na areia, de frente para a água, surgiu-me então a expressão: «ah, o Atlântico em Outubro...» Só que, entretanto, tinha andado a ver se algum dos filtros do telefone melhoraria a foto, sei lá, queria-a mais fantasiosa, mais profunda, mais mais mais. E foi durante esse processo de 'melhoramento' da foto que percebi os dois tons na água. Ó pá tóin xiru! Mesmo! Nesse dia deixei no blogue a foto quase originalmente, coloquei apenas uma camadinha de 'Ilusão', que difunde a foto, fundindo formas e cores. Mas foi mesmo uma camadinha, uma coisita só, o mínimo. Mas fiquemos então com as tais fotos em que extraí as cores, numa o azul, noutra o verde:
… A do verde está uma pequena maravilha! Mas continuando com este percurso. Rumámos até Santiago do Cacém e eu fiz mais selfies, selfando-me toda eu. Ai. No blogue e no Instagram publiquei a mais maluca de todas, chamei-lhe 'infantil' e tudo, vejam lá, só assim naquela de suavizar. Já as outras, as bem-comportadas, as expectáveis, publico agora:
Bom, se calhar só esta última é que é expectável, as anteriores nem por isso... Adiante. O dia acordou a chover e não era pouco o que chovia. Antes do pequeno-almoço, servido no alojamento, tirei fotos molhadas. Acho-as bastante bonitas. Não têm filtro (e as imediatamente acima também não, já agora). Gosto da chuva. Mesmo. Não me rala nada levar com ela em cima. Mesmo. O que me rala é, caso não possa mudar de roupa e calçado logo a seguir, ter que permanecer molhada por horas. Isso é que me rala deveras. E sim, esta chuva era, e é, bonita e eu estava do lado de dentro, o que, por si só, me (nos) lança para o prazer que daí se retira. Contudo, a seguir, quando tive que percorrer uns espaços à chuva, não me ralei nada com isso, lá está. Mas vejamos então a chuva nas fotos:
Em Marateca houve paragem para café. Fui para uma parte de trás bebê-lo e selfar-me outra vez, resultando, não só nisto, como nisto, with no filter at all:
De resto, olhem, percorri a Serra da Arrábida e dei-me bem com os azuis, comi choco frito e uma salada manhosa, deixo fotos que ainda não publiquei mas, antes, e faço uma ressalva. Qualquer uma das fotos que constam neste post não tinham ainda sido publicadas. Aquando deste passeio eu queria ter escrito coisas no blogue e estava a sentir esta falta, de maneiras que escolhi fazer este post cheio de dizeres e de curvas. E é com estas fotos que largo o post, as fotos e até o passeio. Quero dizer, o passeio quiçá não o largue, não me vá lembrar de algo que não quero ver esquecido. Ponho sempre a minha grafomania à frente, lá isso. Eis a foto (afinal é só uma, achei melhor assim, e também a cortei, tal como fiz à do link aí atrás, não numa de m' imitar mas porque, sei lá, calhou assim) (e não, não tem filtro nenhum, nisso não m' igualei):

graminhas de fim de semana

mil cento e quarenta e cinco gramas de maçãs
novecentos e sessenta e cinco gramas de batatas-doces
mil e noventa e cinco gramas de dióspiros
duzentos e trinta gramas de alhos
setecentos e setenta e cinco gramas de bananas
quinhentos e dez gramas de cebolas
quatrocentos gramas de clementinas
quinhentos e quinze gramas de cenouras
duzentos e quinze gramas de limões
cento e setenta gramas de pimento vermelho
mil cento e cinquenta gramas de laranjas

as bananas e as clementinas ficaram no estaminé, o resto rumou para casa... viemos todos juntos, vá

cumprimentos com chavões


cumprimentos para pôr os olhos em bico

👇cumprimentos para descansar a vista

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Dias de um Ginásio

E eu no outro dia a dizer «ah, sei lá eu o que queria dizer com o pontapé» e mais não sei o quê.
já malembrei!
iei, iei!
Foi assim. Era uma daqueles dias em que havia levado o telefone comigo para a passadeira, que assim sempre aproveito para pôr as minhas audições em dia enquanto caminho. Entretanto estava um dia chuvoso e um balde encontrava-se no meu caminho, pleno de sabedoria (o balde) para aparar as pingas que o telhado não detém (cá está a sabedoria). E lembrei-me que a minha autoestima anda pelo chão, pois, quando não, teria dado um valente pontapé no balde. Por isso é que disse «e afinal dar um pontapé» para o telefone logo ali, não fosse esquecer tão inquietante assunto.

Sonho

Sonhei com a senhora vet mas já não malembra do sonho, só sei que ela está cá. Aproveito este post cheio de coisas que nada são para registar que os sonhos que ponho no blogue nem sempre são os desse dia. Há dias até, aliás: noites, em que sonho vários sonhos e depois reparto-os, cada um em seu post, com o intuito de ficar bonito e limpo, se bem que este intuito não me pareça bonito e limpo. Quero dizer: agora não.

Às vezes

Às vezes sou repelente sem querer, não gosto, às vezes sou de propósito, gosto ou então não, mas, gostando, foi por de propósito ter sido. Às vezes faço uso da repelência como sendo um medidor do bem-estar. Evitei o 'equilíbrio', fiz-lhe uma substituição, às vezes acho-o chato que se farta.

E a minha casa, será que tem enciclopédias?

Sim, há-as cá. Há as de animais selvagens, de lugares com história, de História, de saúde. Ninguém lê enciclopédias, presumo. Espero ardentemente que estes autores sintam muito prazer no decorrer da construção, pouco lhes importando que a trabalheira não sirva, afinal, o propósito. Mal comparada, e até mal comparando, concluo agora mesmo que, se assim for, é tipo eu no blogue, que tenho montes de prazer em construí-lo, só por dizer que.

Material cirúrgico

Agora que passaram alguns dias por sobre a obrigatoriedade do uso da máscara cirúrgica em espaços que não excedam xis de metros quadrados, há caras que vejo integralmente pela primeira vez. Sério. É que, parecendo que não, passou cerca de um ano e meio e aconteceram-nos novos conhecimentos e novos clientes, daí lidar com algumas caras pela metade há tudo isto de tempo. No outro dia entrou no estaminé uma das pessoas de quem até então apenas conhecia os olhos e a voz. Não a reconheci senão pela voz, qual olhos qual quê. Depois fiz-lhe saber que havia gostado de lhe ver a cara. «Olhe, estou apaixonada!» Disse ela - «É logo outra coisa!» Percebi uma certa ironia, um desejo escondido, uma malícia insegura. Pronto, coisas assim.

Vês a ver se vejo

«Sabes que em Portugal tu vês putos a berrar em qualquer concurso e toda a gente diz que é o máximo», ouvi eu. Lembrei-me que já não vejo concursos desses. Dantes via, se não todos, que não, via muitos. Gostava bastante. Ao início era toda uma emoção, conhecer novas caras, ouvir vozes, perceber as que mais gostava, relacioná-las com as emoções que recebia e tal e tal. Depois aborreci-me, quiçá do formato, sempre igual, quiçá novelesco, sei lá, parecia-me as pessoas iguais. Não o eram, bem sei que não, eu é que julgo assim.

«Vous, vous faite ce que vous vollez, mais moi, je continue.»

Ouvi esta frase (título) numa série televisiva, não retive qual. Gosto de francês, já no outro dia vim dizer, mas nesse post deixei por dizer que aprendi e assimilei os ensinamentos rapidamente e sem problemas, apesar de o meu irmão me ter dito que era difícil.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Tonta Engrácia

Isto da Tonta Engrácia foi de quando presumi muito bem presumidozinho que quem trataria por inteiro de uma mudança que estava na iminência de acontecer seria apenas eu. Só que afinal a iminência prolongou-se, passando por sobre o primeiro post dezasseis meses e mais uns dias e, na verdade, vou ter companhia na demanda. Venho então anunciar que voltei à consulta de cores e tamanhos de armários, esperando apuramento para, sei lá, daqui por umas quantas semanas, vá. Às vezes lembrava-me da 'Tonta Engrácia', o post solitário, cada vez mais longe, mais patético (tonto, pois sim), para que o fui criar, meti-me nisto e não deslindo, afinal não vai passar de filho único e blás. Mas vai. Na última visita ginguei despudoradamente pelos corredores e tudo, não numa de comemorar o faustoso regresso a estas lides, mas porque o Luís consultava medidas e preços e tirava apontamentos. Tratava da parte aborrecida, vá, e eu, levada pela canção ritmada que ecoava no espaço e porque mais ninguém estava ali, ginguei. Depois chegaram pessoas e continuei naquilo, mas pronto, ninguém me liga a ponta dum corno, né?

Ordem nos cartões

A ordem dos cartões - ginásio, supermercado, depósitos – é, começando, por exemplo, à sexta-feira, assim... Ai, espera lá, não vai sair daqui uma cena capaz, primeiro porque é feio dizer que faço depósitos bancários amiúde, ainda aparece a aquela autoridade dos tributos ao estado (das coisas) para se certificar se o amiúde é por eu ser mesmo rica nos dinheiros, que na pessoa já o sou há qu' anos, ou ando a roubá-los, ou como é que é. Mas continuo porque a roda viva em que andam estes cartões é merecedora de post. Começo então pela segunda-feira. Entretanto lembrei-me que os depósitos não são intervalados por espaços de tempo iguais entre si, o que significa que isto está a perder grande parte da piada. Mas continuo porque o que escrevi até aqui dá-me pena deitar fora. Vá que vou na enga do depósito à segunda-feira, pronto, acedo à divisória da carteira que arrecada cada um dos três já mencionados, agarro nesse cartão e retiro-o de trás do do ginásio e do do supermercado (desde quando é que iria pôr de lado um post onde escrevo 'do do' duas vezes na mesma frase, né?). Isto porque na sexta houve ginásio e no sábado houve supermercado, por isso é que dou com o do depósito lá atrás. Visionemos-me portanto a recolocar o cartão do depósito na frente porque, sei lá, é aí que o recoloco. Recapitulando, o cartão do depósito hei-o retirado de trás dos outros dois e recolocado na frente dos mesmos. Ainda estamos na segunda-feira, mas mais tarde, e preciso de retirar o cartão do ginásio, retiro-o então de trás do do supermercado, que, por sua vez, está atrás do do depósito. Regressada que me faço da ida ao Ginásio, recoloco o cartão na frente dos outros dois. Para deslindar esta trama interessantíssima, vamos supor que o dia seguinte é sábado, acontece que vou ao supermercado e encontro o cartão que lhe corresponde atrás dos outros dois. Já se percebeu então a vidinha destes três. Já que se movimentam tanto deve ser até bastante diferente da deste post, ponho-o aqui e morto fica.

Cor-de-laranja(s)


o cor-de-laranja original, id est: sem filtro nenhum
o cor-de-laranja que quis denegrir com listas que quis igualar em cor
o cor-de-laranja que avermelhou à conta do filtro Holga Art da aplicação BeFunky
o cor-de-laranja feito cinzas devido ao filtro B&W Dramatic da mesma aplicação dita acima

Cor-de-laranja

Já desisti de comprar a película para colar nos vidros, já risquei da lista de compras e tudo. Desisti porque o mais certo é nunca vir a tapar os vidros da sala, como tanto queria. Ainda cerca deste item registo que, no caderno anterior, tinha até um croqui com as medidas das portas, não fosse comprar em poucochinho. Era um croqui em cor-de-laranja. Era isso o que eu estava a fazer quando soube que a minha mãe havia morrido. Esta união de pontos está memorizada, não é alegre nem bonita, apesar de ser cor-de-laranja, mas não desisti de tapar os vidros por conta disso. Risquei também da lista de compras a fazer umas certas toalhas de rosto. Ao longo do tempo tenho vindo a herdar umas que eram da minha sogra e, assim, já não preciso, obrigadinha.

Post que, de certa forma, é do passado.

Há muito tempo que encontrei uma folha, cuja pigmentação advinda do envelhecimento é sobretudo circular, ainda que aleatória, pois claro, vai lá agora a Natureza ser certinha, né? Digamos que é uma folha linda pelo acaso, não bonitinha só porque se apurou como quis. Encontrei-a numa das ruas desta minha Lisboa, só não recordo em qual, mas sei que foi numa das que percorro recorrentemente. Aliteração, ah ah. É linda, como já disse, mas era tão mais linda quando a encontrei, quiçá ainda a seiva corresse, ou coisa assim.

Campânula

Uma simples campânula de escova de dentes pode ter toda esta conversa lá na torre de Babel:

👅cappuccio di protezione
👅 protective hood
👅 capuchón de protectión
👅schutzkappe
👅capuchon de protection

E eu chamar-lhe, à partida, campânula, foi naquela de ser diferente. Na verdade não foi, embora a própria escolha me tenha feito lembrar que sim, o que foi foi que redigi a introdução imediatamente a seguir a observar a mirar exaustivamente a campânula, indo seguidamente observar o que dizia a embalagem. Mas não há só capuzes em várias línguas na embalagem, ai não, há dizeres acerca do ângulo da escova de dentes. Ah, que engraçado, noto agora que não há dizeres em português. Pois. Bom, mas os ângulos da Escova Maria:

👅L' angolatura dello stelo e la partucolare forma dellla testa dello spazzolino consentono una perfetta detersione dei denti con particolare attenzione rivolta alla placca batterica, causa principale della carie.
👅The angle of the handle and the special shape of the toothbrush head leave teeth sparkling clean and go to work to remove bacterial plaque, the leading cause of cavities.
👅L' angle du manche et la forme particulière de la tête de la brosse à dents permettent un brossage parfait des dents assurant ainsi l' élimination de la plaque dentaire, cause principale des caries.
👅Durch die Nelgung des Schaftes und die besondere bürtenkopfform werden die Zähen perfekt und mit besonderer Beachtung des Zahnbelage, einer der Hauptursachen für Karies, gereinigt.
👅La angulación de la varilla y la forma particular de la cabeza del capillo de dientes, permiten un perfecto lavado de los dientes, con um cuidado especial en la remoción del sarro, causa principal de las caries.

Posto isto, achei particularmente interessante que a palavra 'causa' seja tão parecida nestas línguas e que os espanhóis chamem 'sarro' ao que é, indubitavelmente, sarro.

micro momentos

dei conta quando dei conta que dera conta

portanto...

proactividade, profissionalismo, produtividade, proeza

só coisas boas, protanto

Post que, de certa forma, é do passado.

E vai o Outubro já nos cinco dias quando venho dizer que, findado que está o Setembro, três quartos de dois mil e vinte e um já foram cu caraças. Vem este post cá deixar escrito, também, que ao primeiro dia do mês passado podia ter criado um post onde deixaria escrito que dois terços de dois mil e vinte e um já tinham ido cu caraças. Quer isto tudo dizer que tenho um post a menos. Ai.

Post que, de certa forma, é do passado.

Durante o mês passado (Setembro) apresentei as portas e os estores da dona Maria do Céu (clicando aqui chega-se ao post dos estores, onde, por sua vez, há link para o post das portas {ah, é de nada, ora essa}), que mais não eram do que entulho, e hoje acrescento as alcatifas, sendo que a azul fui eu e o meu colega que colocámos. O mais giro nem é a colocação, é que, para que a cola se pegasse mais eficazmente ao chão, o meu colega fez-me girar sobre a alcatifa, uma vez e outra e uma vez e outra, provocando o riso na dona Maria do Céu.

Parece bonito.

Quero mostrar ao mundo, em modo lembrança para todo o sempre, como era o pacote de farinha em anos tão idos como aquele em que nasci. Que atado maravilhoso. Parece que tem um pão de forma lá dentro. Parece até que sai daqui uma catrefada de pães de forma. Parece bonito.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Domicílio

Ah, o blogue e o Instagram andam vestidos de igual vai para três dias...

A praia de Melides tirou-me o fôlego. Logo que avistei a imensidão o primeiro pensamento foi: «ah, percebo agora porque é uma praia tão apreciada...» Por isso é que me joguei no «Ah, o Atlântico em Outubro...» Depois prossegui com a minha vidinha das netes usando mesmo mote, estava-me o pensamento engatilhado naquilo, pronto, ademais, este tipo de férias não deixa muito tempo para escrever as merdas do costume e, mais ademais, em certas alturas prefiro ser alguém como deve ser e dar atenção às pessoas e aos lugares. Apenas. E entretanto, hoje, já estou em casa, as férias foram mais minis do que poderiam ter sido, calhou assim. Ah, e não vou vestir o Instagram com as roupas deste post, este já está noutra onda. Onda. Sorriso. Ondas do mar. Sorriiiso.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Clínica veterinária

A senhora vet, em cada vez que me dirige a fala, usa o meu nome. Acho um piadão. Acho também que quem usa sempre o meu nome para falar comigo é porque gosta de mim e porque, principalmente, não teme a proximidade.

Pareceres

A rica filha diz que eu e a Bumba na Fofinha somos parecidas no modo de falar, expressões, trejeitos e até vocabulário. Ora bem, ser parecida com a Bumba (vamos abreviar, ela própria se abrevia) é lisonjeiro que se farta, afinal estamos a falar de uma moçoila criativa pra caraças, engraçada até mais não e detentora de um léxico que envergonha o mais apurado dos dicionários. Mas a rica filha diz o que diz e eu envaideço, que é algo que, vamos lá a ver, até consigo fazer mais ou menos bem. Au eva, este post existe porque um dia destes, quando dei início a um dos vídeos dela notei que o seu olá é igual ao meu. Notem bem: o olá da Bumba é que é igual ao meu, não o contrário disso. Eu cheguei cá primeiro, ora ca porra.

nota: este comentário da rica filha não é vez primeira, mas antes de mais redigi este post, no seguimento é que pesquisei o que já em tempos publiquei (aqui)
achega: não ponho vídeos comprovadores do ponto em comum porque espero uma celeuma tal que decerto encorajará os leitores a fazerem as suas pesquisas