segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

As horas que são
e também
Um pouco de história

Meio dia e oito. Quero contar a história de ter um blogue novo e creio que vai ser possível contar uma parte antes de ir para o intervalo grande. A minha ideia nunca foi, nem nunca será, presumo, fazer um blogue diferente e/ou apresentar-me diferentemente. Não é de mim que fujo. Sério. Mesmo a sério. É que nem sequer inventei alcunha, não quero, chateia-me o completo anonimato, não combina comigo. Mas claro que ter este blogue me permite dizer que me dói a alma pra caraças e estou triste até mais não, ou que tenho uma fome tão grande que não vejo nada atrás de mim, ou que espirrei quatro vezes seguidas e me ficou a doer tanto e tanto a cabeça durante um bom quatro de hora e que esse quarto de hora foi um dos piores pesadelos da minha vida. São coisas cá minhas, que nem sempre apresento, apresentava, com tanta abertura. Não sei. Hum, pensando bem até apresentava esse tipo de assunto abertamente. Eh pá, olha: precisava de mudar de morada e preciso de não revelar exatamente porquê, muito embora acabe, e isso decerto, por explicar os motivos indo à volta da questão, escrevendo-os na mesma, mas aos poucos. É esperar. A minha escrita é catártica, 'migos, dificilmente daí me desvio, portanto o desabafo é-me necessário e chegará.

3 comentários:

  1. Em tendo oportunidade assiste a "As Horas", talvez gostes (foi do que me lembrei ao ler o título deste post).

    https://www.youtube.com/watch?v=gbc7jtmuOJM

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  2. Obrigada, Kina. Na verdade não só assisti a este filme como o tenho ali na prateleira e sei que gostei de o ver. Em tampos, não sei se antes ou depois de ver o filme, li o livro em que se baseia e esse foi um dos livros que mais apreciei.

    «Registar as horas não é muito sabedor. Não serve. Se bem que registar as horas disto e daquilo faz com se memorize mais coisas das instâncias da vida. As horas. Há um filme com esse nome. É bonito e esquisito. Tem a escritora Virginia Woolf metida na história, história essa que se desenrola mais ou menos como o livro 'Mrs Dalloway' dessa autora. O livro é melhor. Diz que o livro é sempre melhor que o filme que se faça a partir do livro. Não sei se é sempre, mas neste caso é. 1-11-2014»

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  3. Já agora, e porque acho que lês as minhas respostas, fui ao meu muito antigo blogue pesquisar acerca do livro e trouxe de lá isto, sendo que o que está entre aspas pertence ao dito livro, resto é meu.

    Quando abri pela primeira vez o livro 'Mrs. Dalloway' de Virgínia Woolf estava na Livraria Lello, no Porto. Havia um marcador do próprio livro nas páginas 88/89, logicamente o livro abriu aí. O que li transpus imediatamente para a minha personalidade e para as minhas vivências.
    Não, não é presunção achar-me parecida com descrições, ou com um pequeno excerto, de uma obra literária de tão grande porte como esta, é reconhecer-me. Apenas e só isso.
    «E é claro que gozava imensamente da vida. Fazia parte da sua natureza desfrutar das coisas (embora só Deus soubesse que ela tinha as suas reservas; Peter muitas vezes sentia que, após todos aqueles anos, apenas conseguia traçar de Clarissa um pequeno esboço). Em todo o caso, não existia qualquer amargura nela, nenhum daquele sentido de virtude moral que é tão repulsivo nas boas mulheres. Ela gostava de praticamente tudo. Se se passeasse com ela pelo Hyde Park entusiasmava-se com um canteiro de túlipas, mais à frente com uma criança num carrinho, depois com um pequeno drama absurdo que criava, no momento, por impulso. (…)
    Possuía um sentido de humor verdadeiramente refinado, mas precisava de pessoas, sempre pessoas, para o incentivarem.»
    (10 de novembro de 2011)


    Não ostento orgulhosamente o livro que ando a ler perante a outra gente. A outra gente que fala e ri. Pouco lhes importa o que ando a ler, muitos olham mas ninguém me vê com os outros sentidos.
    Tapo o livro porque não quero danificá-lo e não que sinta algum embaraço no meu gosto literário. Pois se ainda por cima, ao momento leio uma obra considerada um dos melhores romances do século XX. É, portanto, demonstrada a sublime inteligência que possuo, não há que ter qualquer sombra de pudor.
    E estou a gostar, estou a gostar do livro que ando a ler. É estranho, complicado, possui um entrosamento difícil (ou não muito fácil) de entender, mas eu gosto daquele emaranhado de pensamentos. Gosto das personagens, dos lugares, das cenas, do drama crescente em cada parágrafo.
    Agora me lembro, comecei este post com a ideia específica de anunciar ao mundo que não tenho vergonha de mostrar o que leio, ou sequer as minhas criações simplórias. Pois não, não tenho. Ademais, por modo a abrir o livro no sentido certo, empreendi uma dessas criações simplórias, coloquei uma espécie de etiqueta em cima do papel que o forra e escrevi, com letras gordas:
    «Ah e tal...»
    Aqui sim, plagiei alguém, e isso é vergonhoso. Pareço o dos 'Gato Fedorento' naquele (já mítico) pequeno excerto que aparecia na Sic Radical (se não estou em erro) mostrando um gajo de dentes pretos chateado com algo que não dá para perceber o que é. 'Ah e tal... vem um gajo lá de baixo cá para cima...'

    «Foi horrível, exclamou ele, horrível, horrível!
    Apesar disso, o sol estava quente. Apesar disso, uma pessoa acaba por ultrapassar as coisas. Apesar disso, a vida tem uma maneira só sua de adicionar uma dia a outro dia.
    In ‘Mrs. Dalloway’, Viginia Woolf»
    (23 de novembro de 2011)

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