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terça-feira, 31 de maio de 2022
Post por tamanho
Chegaram umas etiquetas novas e eu, para diferenciá-las, pu-las de 'super' na designação, uma vez que são realmente maiores. Que original... Sim, bem sei que não é, mas uma designação clara é item imprescindível na designação de qualquer artigo. Se por ventura o tamanho das ditas voltar a aumentar, então passo para hiper, se tornar, quicá realmente aconteca, passo para mega, se persistir, vai de astronómico, e se, oh porra, ainda incharem mais um tanto, então já só me lembro de pornográfico, o que, como é consabido, não tem nada a ver com etiquetas. Tenho foto, ó:
terça-feira, 10 de setembro de 2019
sexta-feira, 20 de julho de 2018
Mudança
Diz que o Homem não tem nada que tirar do Mar e pôr na Terra, que ambos se cuidam sem ajudas, pois se um ínfimo grão de areia quiser viajar quilómetros, e por tempos e tempos, saberá quando e onde e como, assim o que a gente consegue é somente desequilibrar
a Vida, . Ora... Digam lá: pode o Homem sobreviver sem fazer estragos? Não. Mas não nos foi dado um desejo indomável de fazer, simplesmente fazer?


Estas vieram do Mediterrâneo e foram deixadas 'aos pés' da árvore amarela há coisa de meia hora. Por mim. É uma ideia que tem dois anos.
a Vida, . Ora... Digam lá: pode o Homem sobreviver sem fazer estragos? Não. Mas não nos foi dado um desejo indomável de fazer, simplesmente fazer?


Estas vieram do Mediterrâneo e foram deixadas 'aos pés' da árvore amarela há coisa de meia hora. Por mim. É uma ideia que tem dois anos.
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Quarto azul
Olhem, não sabem nem julgam, mas olhem: o quarto azul está quase pronto. É verdade que já se me acabaram as férias/folgas de agosto, dias em que trabalhei exaustivamente, não só no quarto azul, como na limpeza profunda da minha cozinha, e andei de roda dos vídeos e tal, e agora o quarto está quasequasequase pronto. Vou desviar um dos roupeiros para fazer o tal triângulo, para que lá caiba o tal camiseiro. Depois é só dispor a secretária e a máquina de costura à beira da larga janela, por modo de haver prazerosos banhos de luz. Mesmo assim ainda fico com uma parede livre. Hum. O quarto é azul, mesmo azul, num tom vibrante. Eu, que vendo tintas, sei que um catálogo de cores é coisa enganadora por demais. A cor enganou-me, julguei-a mais esbatida do que afinal é, mas não me enganou bem enganada, que eu gosto muito daquele azul, portanto: menos mal. Ah, é verdade, depois vou ter de passar para os roupeiros roupa aos montes, montes de pertences, caixas e caixinhas disso assim. Já agora fica registado neste post que vou ter dois roupeiros sem portas. Não é o máximo? Sim, tudo o que está lá dentro vai apanhar montes e montes de pó, mas eu não me importo, é que dois monstros escuros, de portas fechadas, trariam tristeza à divisão, se ademais a tinta é azul mais para o escuro do que para o claro, creio que ficaria uma divisão sombria. Não quero. Sempre quis ter um quarto de vestir onde pudesse aceder a todas as roupas facilmente. Está então quase, não é. É. E aquele chão, o que vai ser difícil de lavar...? Bom, uma parte já eu raspei, nas tais férias/folgas, mas ainda falta um bom pedaço, é que a gente pondo jornais a proteger, realmente protege muito, mas não totalmente. Ao trabalho, então, já no próximo sábado de manhã, depois das compras. Hum, espera lá, se calhar não. Hum. Falta dar a segunda demão na porta e não posso ser eu a dá-la. É que a primeira fui eu que a dei e só fiz asneira, segundo o especialista calquei muito o rolo, o que fez com que pedacinhos de espuma se soltassem do rolo e ficassem por cima da porta e por baixo da tinta. O horror. Depois, para mais graça dar, ah ah, pois, o rolo não se fixava, julgando eu, claro está, que sim, mas não, e vai que numa ou noutra altura o rolo saltava e o ferro deslizava pela porta, fazendo-lhe um sulco. O horror, já disse.
Porque é que não tenho tido planos para o fim-de-semana?
Nas duas semanas passadas não houve planos para o fim-de-semana no blogue, geralmente apresentados à sexta-feira, porque havia os bolos que eu tinha feito nas quintas-feiras, aquando daqueles dias especiais que apelido de férias/folga. Filmei a feitura dos dois bolos, eis os vídeos :
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Primeiro
Bom dia. São onze e cinquenta e seis. O blogue anda à deriva porque, claro está, eu ando à deriva porque, escuro está, não sei. Falta o impulso, não o tema, a ideia, ou a construção do texto cá por dentro, não, é o impulso que me está a faltar. Está calor, aliás: está tanto e tanto calor, e já que a culpa é sempre do tempo... pumba e coiso. Olha, deixo mas é vídeo, este conta com partezinhas inéditas, são-no todas, menos a primeira, onde aparece a pedra da crua vermelha, lá longe, tanto no tempo como no terreno.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Primeiro
Boa tarde. São quinze e dois. Estou em casa, gozando de férias/folga, portanto sou uma pessoa muito feliz pelo acaso e recompensada pelo esforço.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Das férias/folgas
Eu bem disse no outro dia que às tantas as férias/folgas não iam ser bembembem como previra, que num dado dia me iam dizer: ó Gina, tem lá paciência, amanhã...
E pronto, aconteceu, amanhã, última quarta-feira de agosto, eis que venho bulir, mas não bulo na quinta-feira, é portanto uma troca. Tão somente, não somente. É que me transtorna um bocado a minha lojistica, mexe cá com as minhas coisas. Para começar: não posso começar a faina do Ginásio, ou seja: poder, posso, mas não vou, porque o Ginásio calha em caminho do estaminé e não do de casa, logo: pumba e coiso. Para acabar, não sei, mas por ora acabei as lamúrias desta questiúncula, deixando duas fotos espetaculares.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Há quem tenho terminado as suas férias... ah ah
Ó dona Deolinda, amande-me com umas quantas bê-ó-dois e outras tantas vê-i-oitenta, por favor. Obrigadinha. Mas é quando puder, antes de mais: ambiente-se.
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Tenho de dedicar
Tenho de dedicar um bocado de tempo a colocar um cabeçalho no blogue, bem como uma barra lateral onde exibirei a minha lista de leitura de blogues, coisas que ando para fazer desde um de janeiro deste ano, precisamente a data do início deste blogue. Já agora, a ver se me desmancho num convite às pessoas, por modo a convidá-las, sou redundante e não peço desculpa, a ir ouvir e ver-me nos vídeos que deposito amiúde no meu canal. A ver se é na próxima folga... ai perdão, dia de férias.
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Diários
De cada vez que vou de férias, escrevo à mão num caderno destinado à escrita de rajada. Quando regresso tenho um trabalhão do caraças a passar tudo para o blogue. É assim há anos. Em todas essas vezes, senti-me tentada a digitalizar as páginas do famoso caderno e acabava com a conversa assim. Mas não. Oh não, oh não. Também podia nem sequer passar os escritos apressados/inglórios/aborrecidos e aí acabava ainda mais e melhor com a conversa. Mas não. É que não mesmomesmomesmo. Deixo imagem digitalizada de duas páginas das últimas férias que passei longe de casa, há para aí um mês, onde (julgo que) se pecebe o que me leva a optar por não digitalizar o caderno e acabar com a conversa. É que não se percebe. Pois. E esse sistema desencorajaria os leitores. Pois.
Post do passado
Ontem foi quarta-feira, dia de arroz de pato à hora do almoço, que não comi porque cheguei demasiado tarde, dia também de ver a dona Raqueline caminhando de encontro ao salão de beleza, cena que afinal não cheguei a ver, não sei se o motivo é fér... ah, pois é, agora me lembro, o salão está fechado para férias. Bom, assim sendo, como ser possível ver a dona Raqueline a caminho, não é. É.
::::(Pois... Não estou a lembrar-me com que propósito me meti neste post... Quis fazer a introdução e esqueci o papel principal... Já me lembrei!)::::
Ontem, daí o título do post, foi a primeira quarta-feira em que trabalhei este mês. Quero também que seja a única, mas pronto, isto do trabalho, no meu caso, nunca se sabe se me vão dizer «eh pá, ó Gina, tem lá paciência, amanhã...»
Ao momento o meu mapa de letras-números&férias,éssiá está assim, ó:
3 – folga/férias
4, 5 – trabalho
6, 7 – fim-de-semana
8, 9 – trabalho
10 – folga/férias
11, 12 – trabalho
13, 14 – fim-de-semana
15 – feriado
16 – folga/férias
17, 18
20, 21 – fim-de-semana
22, 23 – trabalho
24, 25, folga/férias
26 – trabalho
27, 28 – fim-de-semana
29, 30 – trabalho
31 – folga/férias
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Agosto/2016
Este mês tenho tido uns dias de folga, vulgo férias, só por dizer que não têm esse sabor. Escolhi as quartas-feiras para folgar, ou feriar, ah ah, bem poderia ter escolhido segundas ou sextas, que somadas aos fins-de-semana fariam o descanso mais longo. Mas não. Quis as quartas. Pronto, fica assim a meio da semana, sabe bem, vou ao supermercado, despacho logo a coisa e assim já fico livre aos sábados, que a bem dizer é apenas uma questão de alterar o dia, nada mais. Até hoje já tive dois dias desses assim, para a semana há mais, mas aí já escolhi a terça, para juntar ao feriado, dia 15, segunda, ah ah. Na semana seguinte tenho quarta e quinta, ah ah. Ora essa, afinal... E eis que surge então a derradeira quarta-feira de agosto, 31. Vai ser giro, está a ser giro, em agosto:
13, 14 – fim-de-semana
15 – feriado
16 – folga/férias
17, 18, 19 – trabalho
20, 21 – fim-de-semana
22, 23 – trabalho
24, 25, folga/férias
26 – trabalho
27, 28 – fim-de-semana
29, 30 – trabalho
31 – folga/férias
Ao dia corrente já aconteceram dois dias de folga/férias, em nenhum deles escrevi coisas no blogue. Para ali ando, dum lado ao outro, supermercado, passeios com a cadela, pano a fundo na cozinha, pano ligeiro no resto, computador, blogues da outra gente, lente sóni apontada a mim, eu a falar, vídeos meus a editar. Tenho tanto para fazer, oh céus. Os dias passam rapidamente, nem sei se é porque corro por entre as horas, se não me movo eu, afinal, fico quietinha e a vida é que é veloz, ideia que me desculpabiliza. Ou me culpabilizo novamente e valerá a pena a correria, mas valerá a pena? Poderei fazer as minhas coisas sem me sentir assoberbada ? Não sei. Sei tão pouco, sempre, e é também sempre, que medo em me confessar ignorante, não tenho.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Futuro
Amanhã fico em casa outra vez. Nada de ter menos apetência para um dia em cheio a vários níveis, mesmo que sozinha. A esperança dum dia melhorado não amaina. Desapaixonada nuns contextos (breve alusão ao post anterior), quente noutros, portanto: viva.
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
Descobertas
Em maio descobri que o dia da semana em que calhar o dia 1, como foi, no caso do maio, o domingo, maio teve 5 domingos. Eh pá, pronto, este ano o agosto começou a uma segunda-feira, então teremos 5 segundas-feiras em agosto, e tal e tal, estou esperançada que já se tenha percebido a ideia.
Em maio, em termos de vídeos, construí aquela ideia dos domingos de maio, entretanto quis estender a ideia a outros meses e esperei por julho, por um lado para não me cansar da própria ideia, por outro para a paisagem estar diferente, mas acabando afinal por não me deter muito em paisagens aquando do julho decorrendo.
Ora bem, recapitulando: já fiz domingos e segundas-feiras, então porque não continuar com as terças-feiras em setembro?
E encontro a resposta: porque não, e a resposta: isso depois eu logo vejo.
Entretanto, note-se atentamente que me lembrei de marimbar para o espaço de dois meses entre vídeos deste género, bem como de ser o dia a seguir, neste caso a terça-feira, e fazer mas é as quartas-feiras de agosto porque, em princípio, vão ser todas diferentes, uma vez que estou assim como de férias, mas ocorreu que a passada quarta-feira não estive virada para filmagens, portanto a ideia morreu ali.
Agora resta o quê...? Logo se vê. Ah ah.
Ainda cá venho, desta vez para registar que com isto descobri também que o único mês onde não existem cinco dias (1, 8, 15, 22, 29) é o fevereiro, em anos comuns, portanto este ano houve. Ah ah.
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Sinto um friozinho na barriga
Amanhã fico em casa. Tenho tanta coisa boa para fazer que sinto um friozinho na barriga. Até parece que tenho dezoito anos, eia, óié.
Árvore amarela
Sempre posso pôr as pedras que trouxe do Mediterrâneo junto à oitava árvore que encontra do lado direito quem desce a rua mais bonita de Lisboa. É que as obras ao redor da árvore amarela ainda não findaram, hoje lá andava a mini retro-escavadora dum lado para outro, e vi novamente os bancos na posição de rei de (escolho) copas (para parecer fofinha). Se deixar passar muito tempo o intento perde piada, o Mediterrâneo é coisa de verão, para mim é, nunca o vi no inverno.
sexta-feira, 22 de julho de 2016
Post de quando as letras estavam de férias comigo
Nota prévia e algo extensa porque sou grafómana:
Esta semana estive muito dividida em prazeres, o de escrever no blogue as novidades acerca do regresso das férias, o de gravar as novidades acerca do regresso ao trabalho numa câmara fotográfica (tudo inédito, ainda e por enquanto) e o de transcrever as novidades que fui apontando manualmente no meu caderno durante os dias de férias. Transcrevi integralmente mas não sem fazer alguns ajustes, eh pá, pronto, uma coisa é escrever como vem à cabeça, sem corrigir grande coisa, o mais que faço é rasurar alguma palavra registada incorretamente, outra coisa é ter um teclado à frente e a abençoada (em certa medida, que eu e a espontaneidade...) hipótese de correção e melhoramento dum texto que se está a preparar. Au eva, bi choure ofe déte: jamais retiraria o sentido ou a emoção daquilo que escrevi. E aí vêm elas, as letras que esiveram comigo de férias, que são 17600 e as palavras 3200, isto aproximadamente. Vem tudo já a seguir...
Las Chapas, 8/7/2016, sexta-feira, 21:34 (hora local)
Olá! Cá estou. Hoje ainda não tinha escrito. Eu de férias e sem escrever no caderno, ganda cena. A viagem foi porreira.
Antes de mais revelo que a caneta com que estou a escrever é a tal que levei daqui o ano passado. Está tão gasta que não se lhe vê sequer a tinta. Vai terminar aqui, isto a julgar pela quantidade de coisas que costumo escrever, e depois deixo-a cá.
A pedra da crua vermelha é outra situação planeada, a ideia é deixá-la, quiçá, no Mediterrâneo. Entretanto já recolhi outras duas daí mesmo, do Mediterrâneo.
Levantei-me às cinco da manhã, portanto é normal que tenha muito sono... E tenho, oh se tenho.
Ah, espera lá, vou apontar uma coisinha:
(esqueci-me...)
Las Chapas, 9/7/2016, sábado, 11:52 (hora local)
Cá estou eu na piscina, óié. A piscina só abre ao meio-dia, já me viram isto? Entretanto já fui à praia.
Tenho coisas aos montes para escrever. De manhã, antes de sair para a praia, fiz logo um filme onde consta a pedra da crua vermelha e contando também das pedras que apanhei na praia.
Bom, adiante.
Tenho de ir guardando os pacotes de açúcar, entretanto lembrei-me 'olha, claro, então, vou mas é falar em filmes acerca dos pacotes de açúcar espanhóis, sempre são diferentes, ainda que não mostrem iniciativa nenhuma'. E vou. Só não sei se os faça aqui, se os guarde e faça no estaminé, na parte 'Depois das FÉRIAS'. Se calhar é mais isso, para poupar o cartão. Ah, é verdade, os primeiros cafés foram adquiridos num restaurante chamado 'El Arenal', em Algodonales.
Meio-dia e vinte e oito, agora
Andámos ao redor da piscina, colhendo hortelã e louro, e descobrimos uns tomates piriris e também colhemos uns quantos. Os tomates são assim do tamanho de berlindes, vá.
Treze e tal, ou treze e poucochinho, vá, agora.
O Luís está a fazer o almoço: risoto com atum. Porá também uma mão cheia de frutos secos que a gente comprou ontem e se revelaram salgados pra caraças.
O senhor que vem ver a televisão chegou. A ver se ele consegue que a gente veja, pelo menos, os canais espanhóis, já que os canais portugueses não chegam cá, olha, vemos os de cá. O senhor já arranjou! Urras! Venga! Gracias!
Ainda não peguei no livro... Trouxe a leitura do momento – 'Estranha Ternura', Miriam Toews.
Fiz um bolo que é um bolinho. É um daqueles feitos na caneca, tão em voga nestes tempos modernos. A indústria achou aí um nicho de mercado e algumas empresas lançaram os pacotinhos, com vista ao rápido e fácil, principalmente tendo em vista o pessoal que vive sozinho e lhe apetece num repente um docinho, pronto, tem-lo, esse pessoal tem a hipótese de satisfazer o desejo repentino. Ou mesmo para famílias pequenas, como nós que somos só dois nestas férias. Registo, ainda, que um pacote, supostamente uma unidose, dá para os dois, ah ah. Pois.
Também pode fazer-se um bolo na caneca com uma colher de cada ingrediente: açúcar, manteiga, farinha e um ovo. Mexer tudo e pôr na caneca untada, levando depois ao micro-ondas por um minuto, mais ou menos. É capaz de ser bem mais saudável...
O raio da caneta não se me acaba! Caraças, pá! O caderno está também ele no fim, devia ter trazido um suplente, mas esqueci-me. Tinha realmente pensado nisso, mas olha, não trouxe. Claro que posso comprar um e pronto, mas acontece que já tenho um lá em casa destinado a prosseguir a minha vida de escrevente à mão, manuscrevente, ah ah. Esse caderno, a bem dizer, já está estreado, levei-o comigo num dia em que fui ter formação acerca das novas modas em faturação, ficheiros SAFT-T e isso assim, foi em janeiro de 2014, para aí, se a memória não me está a falhar, e eu tinha-o levado para registar as impressões do lugar em direto, que é coisa que me dá um enorme prazer, e ao mesmo tempo distrair-me-ia da multidão. Lembrei-me que aquele anfiteatro fez-me sentir no mínimo esquisita, a plateia era esconsa que eu sei lá. Mas venci medos, ai venci, venci.
Bom, se este caderno findar a meio das férias, olha, paciência, não vou encolher a vontade de escrever, que é lá isso.
…
São não sei que horas, mas vá, estou a filmar-me neste momento, o que estou para aqui a registar vai ser transcrito para o blogue. Bom, na verdade não sei se vai, que eu tenho sempre dúvidas: e se e se e se. Seja lá como for, estou a filmar-me. Mudei de posição, tracei a perna. Eh pá, às tantas fico demasiado exposta. Tenho dúvidas que fique bem.
Há uma gaita lá fora, não sei que é aquilo, será um realejo? No filme vai-se ouvir. Oh céus.
Cinco e tal, ou lá que é
Ando sem saber como fazer os filmes no canal. Estou a filmar-me a escrever, outra vez. Vou aqui especificar o que conto fazer: um filme que se chamará 'Gina, escreve!' mostrando esta que escreve, escrevendo em vários lugares e não só nas férias. Pô-los-ei também na compilação de vídeos das férias. Acho que vai ficar giro. Estou a filmar-me, já disse. Pois estou. Acho que no fim das linhas, a pedra da crua vermelha, a qual resolvi colocar em cima da mesa e, por junto, duas pedras que já recolhi do Mediterrâneo.
Está um ventinho fixe. Acho que a parte da cabeleira oscilando ao vento vai ficar giro em câmara lenta.
Tenho estado a ler, aos poucos. Gosto deste livro, é bom, fala duma miúda de 16 anos que vive numa comunidade menonita, cujas doutrinas são difíceis de levar, tudo é mau, tudo é pecado. Bom, no fundo é como em todas as religiões, vá, há sempre aquela coisa do proibido, ai não podes, ai não faças, ai que pecas, ai que és mau/má. Ora, vão mas é à merda. Todos. (E o raio da caneta não se me acaba...!)
18:04
A hora, quem diz é a máquina fotográfica não tão espectacular assim, portanto é a hora portuguesa, portanto aqui são mas é sete e picos, óié. (E o raio da caneta não se me acaba...!)
Estou na praia, ouvindo os espanhóis a confraternizar, coisa que fazem mui bien. Sério, são fantásticos nisto do convívio. Tenho sempre a impressão que falam mais que os portugueses, mais alto e mais alegremente. Tenho essa impressão, a qual pode obviamente surgir na minha cabeça somente por estar aqui, agora, ouvindo a espanholada veraneante e não a portuguesada, em Portugal e noutra hora, que não a que agora vivo. Tudo perceções mutáveis, assim mude eu de lugar. (Estão de abalada os espanhóis mais barulhentos do momento.) Ressalvo desde já que eles são barulhentos mas eu marimbo pra isso. Sério, pessoas são pessoas, podem falar como e onde quiserem, ora essa.
Bom, estão a ir embora todos, na verdade, e é também na verdade que a praia vai esvaziando, como a tinta desta caneta: é cada vez menos, cada vez menos, cada vez menos, cada vez menos. Eu bem que me repito, tanta redundância, credo, oh céus, a ver se a tinta cessa, mas não. Vai ser no momento inesperado, quando eu estiver de roda do inesperável, só pode. Isto é o destino a mostrar-me que não mando, portanto: não sei.
Não sei que horas são, são para aí dez e tal da noite
Estou num restaurante italiano, as pizas aqui são boas pra caraças. E enchem. E a gente só pediu uma, olha se... Mas vai haver sobremesa, ai vai, vai, ah pois vai.
Não sei o que escreva, a verdade é essa, é por isso que ando de roda das minudências. Mas é que tenho de escrever, para esquecer. Para não me aborrecer. É sempre a mesma coisa, seja no estaminé, seja junto à árvore amarela, seja ao pé das meninas-estátua, seja aqui, de férias, pertinho do descanso de todas essas coisas, mormente o estaminé. Mas não. É igual. Igual, igual, igual. Olha eu, a repetitiva. Bah. O ponto em comum sou eu, eu: o centro do mundo, do meu, e havendo um universo só meu (pois há), seria meu. Ah, o esforço que eu às vezes faço para não ser o centro, o umbigo, oh céus.
Las Chapas, 10/7/2016, domingo, 14:56
Foi um problema perceber que horas são, oh céus. Bom, paciência, não é. É.
Não fazer nada. Fazer nada é o quê? Acho impossível, isso. Consegui-lo é-me difícil que se farta, tendo a aborrecer-me. Na TV passam peças relacionadas com o final do Europeu-eu-eu de Futebol, jogo no qual está Portugal incluído, vai ser Portugal – França mais logo. Quem ganhará? Pois... Não ligo lá muito a Futebol mas pronto, gostava muito.
19:15, mais ou menos
Estou a escassas horas de poder dizer que tenho 48 anos, isto com enorme propriedade. Estou também a escassas horas de poder dizer que tenho 47 anos. A vida é assim, verdadeira e uma grande mentira em simultâneo. Neste momento estou para aí na terra de ninguém, assim mais ou menos como quando estou perto duma fronteira, porque na verdade é isso mesmo: fronteira, aqui 47, ali 48. Estou também a escassas horas de ter mais um post no blogue, deixei-o programado. Como estarei longe da Internet no meu aniversário resolvi ir escrevendo acerca de. E publicar.
22:30
Portugal a jogar com a França. 0 – 0, aos 70 minutos. O horror, Ronaldo fora do jogo logo ao início, vítima duma sarrafada dum cabrão francês de que não sei o nome. Bom, adiante.
Amanhã faço anos. Vamos ao Refugio del Juanar, conto deixar lá a pedra da crua vermelha, foi o Luís que sugeriu o lugar e eu acatei. É uma ideia fixe, assim fica na serra, à vista do pessoal, se a deixasse no Mediterrâneo, mesmo que à beira-mar, supostamente enterrar-se-ia na areia ou então na água.
Las Chapas, 11/7/2016, segunda-feira, 9:45
Podia ser antes 9:48, ah ah, que eu hoje faço anos, 48, 4x12, 2x24, 8x16, ah ah. Pronto, já cá cheguei, estou cada vez mais velha, isto já não melhora, quando digo isto, digo a carcaça, o exterior, que o interior bem que posso melhorar, agora se melhoro ou não... Sim, melhoro, em alguns dias melhoro, pois.
Qualquer dia morro, o mundo avança, eu também, com ele, quer queira ou não, e vou com o mundo, envelheço até não poder mais e morro. É.
No outro dia fiz uma conta gira: nasci em 68-07-11, o que perfaz 86... ah ah, o contrário de 68, uma inversão, ah ah, quiçá a idade em que. Bom, eu hoje faço anos, 48.
16:19 ou então 15:19, não sei bem
E não sei bem porquanto ainda não fixei se o meu telemóvel efetivamente se resolveu a singrar pelo horário espanhol, ou então não. De modo que ele diz 15:19 mas às tantas são 16:19. Obrigadinha. De nada, ora essa.
Há pouco lembrei-me que faço hoje exatamente 576 meses, fiz as contas: 48x12 e deu 576. Fiz de cabeça. E dias...? Não vou fazer de cabeça mas assim à cabeça digo já que são 30000 e tal, óié.
Almoçamos no mesmo restaurante de há dois anos. Fiz inúmeras filmagens. Ao longo desta experiência de filmes e quês tenho descoberto que, mediante a possibilidade de rever o que faço e idealizo, bem como o que digo, que vou construindo as ideias conforme a vida me corre, acabo por me mostrar um tanto ou quanto inconstante no apurar dos factos, ou seja: mostro-me contraditória e até tola. Como tem sido o caso do depósito / largada da pedra da crua vermelha, evento que ocorreu há poucas horas, onde pude, finalmente, dar um destino à dita pedra. Deixei-a junto a uma rocha onde alguém escreveu nomes a azul. Quem passar vai olhar para os nomes e, quiçá, note a cruz vermelha que, comparativamente, é muito mais pequena, mas, sendo vermelha, alguém há de lá pousar o olhar.
Fiz café. Quem quer? Eu. Eu quero. Tinha a cabeça a precisar de café e o corpo a rejeitar a ideia devido ao calor que está. Não, não gosto de refresco de café, gosto de poucas coisas com café, eh pá, que seja só café e pronto! Gosto do (um golo de café) café no tradicional Bolo de Bolacha, mas de resto não gosto de mais nadasenão se não senão? se não? (não sei) do café. (E a caneta que não se me acaba, pá!) (dois golos)
Pois é, fiz uma série de filmes em torno da pedra e tal, nalguns (três golos) tive a preciosa ajuda do Luís, que aliás tem entrado em bastantes filmes nestas férias, e vou (quatro golos) ainda contar com ele mais vezes durante esta (cinco golos) estadia. (seis golos) A propósito de golos: Portugal é Campeão da Europa em Futebol, o que para mim foi incrível. 1 – 0 França: 0, claro, ah ah. Golo único, bola de Éder na segunda parte do prolongamento. Sim, foi um enorme sofrimento, oh céus. A caneta morreu. Finalmente. Agora é a verde, está bem. Vai ter que estar.
(contudo, no blogue continuarei a preto, mas fique o leitor sabendo que escrevi a verde nos restantes dias)
(vou no entanto simular a morte da caneta naquele parágrafo, usando as cores de acordo com o momento)
9 e tal da noite, que ainda não chegou a noite
Estou no restaurante não sei quê. Ao almoço, afinal, não cheguei a registar que é o Refugio del Juanar, e este sei lá como se chama, mas é aquele mesmo, à beira-mar, cheio de portas envidraçadas, que estão sempre abertas nesta altura do ano, que noutras sei lá eu. Vamos comer dourada ao sal e gambas, com coisas tão variadas como champiñones e jamon. Agora me lembro que há montes de restaurantes com as características que mencionei, portas envidraçadas e tal, é toda uma correnteza deles beira-mar afora, mas como não me lembro do nome deste, olha, fica assim.
O nome do restaurante, soube agora, é 'Carlos e Paula'.
Las Chapas, 12/7/2016, terça-feira, 10:13 (hora local)
Tenho a certeza das horas que são. Ok, vá, estou de férias, pra quê querer saber as horas? Acaso alguém me espera? Não. Ofe crousse note. Bâte... Gosto de saber as horas, gosto, ainda, de saber que controlo o tempo que passa, como se soubesse exatamente quanto mede meia hora.
13:13
Olá, olá! Olá, olá! Vou almoçar.
15:25
Olá, olá! Já almocei. Na verdade comi pouco. Se há coisa que me acontece aquando das férias é esta ausência de fome e, por junto, a fome permanente. É, é. É que é mesmo assim que sinto. Estou para aqui a pensar no melão casca de sapo que vi no supermercado não há muito tempo, há para aí uma hora ou coisa assim, estou até a sentir o sabor a melão casca de sapo na minha boca. Hum-hum! Olha eu a gastar espaço no caderno com estas repetições parvas.
Las Chapas, 13/7/2016, quarta-feira, 13:48 (hora local)
Reta final das férias! É como uma subida, custa o tempo a passar. Não sei porque fiz esta comparação mas fiz. Tenho a cabeça vazia, o que tem a sua piada, já quase não formo textos, estou cansada sem nada fazer, não estou cansada de férias, que é lá isso, tenho é saudades dumas coisas importantes: filhos, casa, cão, cama, pratos, tachos, toalhas, varanda, roupa, café... Ah, café! Café, café! Vou fazer daqui a pouco. É bom, o café que eu faço, ponho muito pó para me espevitar. E espevita? Não sei mas assim de repente parece que sim.
15:22
Cá estou, óié! Tanto ponto de exclamação, tanta treta escrita, registada para a posteridade, óié.
(estou a filmar-me, ah ah)
Há pouco estava a pensar que há pouca coisa tão inglória e infrutífera como isto de registar memórias. Eh pá, a sério, mas quem vai ler isto?! Pouquíssimas pessoas. Para já, as que me conhecem e amam deverão deixar passar algum tempo (parei a filmagem aqui) até que tenham coragem de ler os meus diários e os meus blogues, falo de quando morrer. Pois. Quando eu morrer os entes terão de conseguir ter a dor suavizada ao menos um pouco, por ação do tempo, esse milagroso, até que consigam 'ouvir-me' sem sofrer muito. E isso demorará imenso tempo, será tanto que dificilmente se sentirão capazes de me 'ouvir' algum dia. É então infrutífero. E inglório. Pois. Bem, espera lá, inglório talvez não, que quando alguém morre é automaticamente promovido a boa pessoa, mesmo que no fundo.
Estive a contar quantas páginas escrevi o ano passado e são trinta. O ano passado manuscrevi memórias pra caraças, ao contrário de todos os anos em que trouxe o diário. Este ano já escrevi vinte, esta é a vigésima página, que acaba agora, ó. Entro então na vigésima primeira página, a partir d' agora, ah ah. E é assim que acaba de acontecer uma maneira subtil de transcrever isto para o blogue e ficar a perceber-se, ah ah.
Tenho escrito sempre com o tom com que escrevo no blogue, já que a ideia foi sempre estes escritos irem lá parar, já para não dizer o quanto me seria penoso andar para aí à procura de modos de escrever, só porque passa primeiro pelo diário. Pronto, estou a acrescentar um passo, é só isso.
16:55
Vou para a praia não tarda. É que se vamos assim tipo às quatro, está um calor que não se pode, ainda dou cabo da pele, ou o caraças. (estive a filmar este bocadinho)
Las Chapas, 14/7/2016, quinta-feira, 10:12 (hora local)
Está chuvoso, o tempo, o que é uma chatice, portanto. Estou aqui a sentir o ventinho fresco nas costas. Este tempo assim é chato por conta de ficarem estragados os planos de praia e isso. Claro que podemos bazar daqui, dar uma volta de carro, mas ocorre que já conhecemos quase tudo, e depois, a estadia assim no fim, faz com que a lassidão já se tenha instalado de tal forma que dificilmente a eliminaremos.
11:00
Acedi agora à piscina e o relógio do átrio disse: ó Gina, são onze horas. Olhei para ele e constatei que falava verdade. Relógio verdadeiro, aquele, portanto. (estou a ser filmada, ah ah)
11 e tal, agora
Estou na praia. Bom, o sol lá despontou, óié. Está assim como que meio escondido, o ventinho é ainda algum, mas, eh pá, tasse bem e pronto, bora lá pra dentro. (filmagem aqui também, óié)
14:07
O giro é que hoje é 14 do 7, ah ah, e são 14 e 7, ah ah, do e e, ah ah. Bom, realmente falta-me assunto. Não falta nada, falo do momento final, que é este, vamos embora amanhã de madrugada, podia, e posso, escrever de como me sinto. Sinto-me triste por abandonar tudo quanto de bom me é dado viver aqui, mas saudosa dos filhos, da casa, do cão, portanto: feliz.
Algodonales, 15/7/2016, sexta-feira, 6:30
Sim, 6:30. Ui, que cedo e a gente aqui, oh céus. Café. Cabeça pesada e isso, portanto: café. Não conseguimos dormir, vai daí, olha, levanta-te mas é, olé!
Las Chapas, 8/7/2016, sexta-feira, 21:34 (hora local)
Olá! Cá estou. Hoje ainda não tinha escrito. Eu de férias e sem escrever no caderno, ganda cena. A viagem foi porreira.
Antes de mais revelo que a caneta com que estou a escrever é a tal que levei daqui o ano passado. Está tão gasta que não se lhe vê sequer a tinta. Vai terminar aqui, isto a julgar pela quantidade de coisas que costumo escrever, e depois deixo-a cá.
A pedra da crua vermelha é outra situação planeada, a ideia é deixá-la, quiçá, no Mediterrâneo. Entretanto já recolhi outras duas daí mesmo, do Mediterrâneo.
Levantei-me às cinco da manhã, portanto é normal que tenha muito sono... E tenho, oh se tenho.
Ah, espera lá, vou apontar uma coisinha:
(esqueci-me...)
Las Chapas, 9/7/2016, sábado, 11:52 (hora local)
Cá estou eu na piscina, óié. A piscina só abre ao meio-dia, já me viram isto? Entretanto já fui à praia.
Tenho coisas aos montes para escrever. De manhã, antes de sair para a praia, fiz logo um filme onde consta a pedra da crua vermelha e contando também das pedras que apanhei na praia.
Bom, adiante.
Tenho de ir guardando os pacotes de açúcar, entretanto lembrei-me 'olha, claro, então, vou mas é falar em filmes acerca dos pacotes de açúcar espanhóis, sempre são diferentes, ainda que não mostrem iniciativa nenhuma'. E vou. Só não sei se os faça aqui, se os guarde e faça no estaminé, na parte 'Depois das FÉRIAS'. Se calhar é mais isso, para poupar o cartão. Ah, é verdade, os primeiros cafés foram adquiridos num restaurante chamado 'El Arenal', em Algodonales.
Meio-dia e vinte e oito, agora
Andámos ao redor da piscina, colhendo hortelã e louro, e descobrimos uns tomates piriris e também colhemos uns quantos. Os tomates são assim do tamanho de berlindes, vá.
Treze e tal, ou treze e poucochinho, vá, agora.
O Luís está a fazer o almoço: risoto com atum. Porá também uma mão cheia de frutos secos que a gente comprou ontem e se revelaram salgados pra caraças.
O senhor que vem ver a televisão chegou. A ver se ele consegue que a gente veja, pelo menos, os canais espanhóis, já que os canais portugueses não chegam cá, olha, vemos os de cá. O senhor já arranjou! Urras! Venga! Gracias!
Ainda não peguei no livro... Trouxe a leitura do momento – 'Estranha Ternura', Miriam Toews.
Fiz um bolo que é um bolinho. É um daqueles feitos na caneca, tão em voga nestes tempos modernos. A indústria achou aí um nicho de mercado e algumas empresas lançaram os pacotinhos, com vista ao rápido e fácil, principalmente tendo em vista o pessoal que vive sozinho e lhe apetece num repente um docinho, pronto, tem-lo, esse pessoal tem a hipótese de satisfazer o desejo repentino. Ou mesmo para famílias pequenas, como nós que somos só dois nestas férias. Registo, ainda, que um pacote, supostamente uma unidose, dá para os dois, ah ah. Pois.
Também pode fazer-se um bolo na caneca com uma colher de cada ingrediente: açúcar, manteiga, farinha e um ovo. Mexer tudo e pôr na caneca untada, levando depois ao micro-ondas por um minuto, mais ou menos. É capaz de ser bem mais saudável...
O raio da caneta não se me acaba! Caraças, pá! O caderno está também ele no fim, devia ter trazido um suplente, mas esqueci-me. Tinha realmente pensado nisso, mas olha, não trouxe. Claro que posso comprar um e pronto, mas acontece que já tenho um lá em casa destinado a prosseguir a minha vida de escrevente à mão, manuscrevente, ah ah. Esse caderno, a bem dizer, já está estreado, levei-o comigo num dia em que fui ter formação acerca das novas modas em faturação, ficheiros SAFT-T e isso assim, foi em janeiro de 2014, para aí, se a memória não me está a falhar, e eu tinha-o levado para registar as impressões do lugar em direto, que é coisa que me dá um enorme prazer, e ao mesmo tempo distrair-me-ia da multidão. Lembrei-me que aquele anfiteatro fez-me sentir no mínimo esquisita, a plateia era esconsa que eu sei lá. Mas venci medos, ai venci, venci.
Bom, se este caderno findar a meio das férias, olha, paciência, não vou encolher a vontade de escrever, que é lá isso.
…
São não sei que horas, mas vá, estou a filmar-me neste momento, o que estou para aqui a registar vai ser transcrito para o blogue. Bom, na verdade não sei se vai, que eu tenho sempre dúvidas: e se e se e se. Seja lá como for, estou a filmar-me. Mudei de posição, tracei a perna. Eh pá, às tantas fico demasiado exposta. Tenho dúvidas que fique bem.
Há uma gaita lá fora, não sei que é aquilo, será um realejo? No filme vai-se ouvir. Oh céus.
Cinco e tal, ou lá que é
Ando sem saber como fazer os filmes no canal. Estou a filmar-me a escrever, outra vez. Vou aqui especificar o que conto fazer: um filme que se chamará 'Gina, escreve!' mostrando esta que escreve, escrevendo em vários lugares e não só nas férias. Pô-los-ei também na compilação de vídeos das férias. Acho que vai ficar giro. Estou a filmar-me, já disse. Pois estou. Acho que no fim das linhas, a pedra da crua vermelha, a qual resolvi colocar em cima da mesa e, por junto, duas pedras que já recolhi do Mediterrâneo.
Está um ventinho fixe. Acho que a parte da cabeleira oscilando ao vento vai ficar giro em câmara lenta.
Tenho estado a ler, aos poucos. Gosto deste livro, é bom, fala duma miúda de 16 anos que vive numa comunidade menonita, cujas doutrinas são difíceis de levar, tudo é mau, tudo é pecado. Bom, no fundo é como em todas as religiões, vá, há sempre aquela coisa do proibido, ai não podes, ai não faças, ai que pecas, ai que és mau/má. Ora, vão mas é à merda. Todos. (E o raio da caneta não se me acaba...!)
18:04
A hora, quem diz é a máquina fotográfica não tão espectacular assim, portanto é a hora portuguesa, portanto aqui são mas é sete e picos, óié. (E o raio da caneta não se me acaba...!)
Estou na praia, ouvindo os espanhóis a confraternizar, coisa que fazem mui bien. Sério, são fantásticos nisto do convívio. Tenho sempre a impressão que falam mais que os portugueses, mais alto e mais alegremente. Tenho essa impressão, a qual pode obviamente surgir na minha cabeça somente por estar aqui, agora, ouvindo a espanholada veraneante e não a portuguesada, em Portugal e noutra hora, que não a que agora vivo. Tudo perceções mutáveis, assim mude eu de lugar. (Estão de abalada os espanhóis mais barulhentos do momento.) Ressalvo desde já que eles são barulhentos mas eu marimbo pra isso. Sério, pessoas são pessoas, podem falar como e onde quiserem, ora essa.
Bom, estão a ir embora todos, na verdade, e é também na verdade que a praia vai esvaziando, como a tinta desta caneta: é cada vez menos, cada vez menos, cada vez menos, cada vez menos. Eu bem que me repito, tanta redundância, credo, oh céus, a ver se a tinta cessa, mas não. Vai ser no momento inesperado, quando eu estiver de roda do inesperável, só pode. Isto é o destino a mostrar-me que não mando, portanto: não sei.
Não sei que horas são, são para aí dez e tal da noite
Estou num restaurante italiano, as pizas aqui são boas pra caraças. E enchem. E a gente só pediu uma, olha se... Mas vai haver sobremesa, ai vai, vai, ah pois vai.
Não sei o que escreva, a verdade é essa, é por isso que ando de roda das minudências. Mas é que tenho de escrever, para esquecer. Para não me aborrecer. É sempre a mesma coisa, seja no estaminé, seja junto à árvore amarela, seja ao pé das meninas-estátua, seja aqui, de férias, pertinho do descanso de todas essas coisas, mormente o estaminé. Mas não. É igual. Igual, igual, igual. Olha eu, a repetitiva. Bah. O ponto em comum sou eu, eu: o centro do mundo, do meu, e havendo um universo só meu (pois há), seria meu. Ah, o esforço que eu às vezes faço para não ser o centro, o umbigo, oh céus.
Las Chapas, 10/7/2016, domingo, 14:56
Foi um problema perceber que horas são, oh céus. Bom, paciência, não é. É.
Não fazer nada. Fazer nada é o quê? Acho impossível, isso. Consegui-lo é-me difícil que se farta, tendo a aborrecer-me. Na TV passam peças relacionadas com o final do Europeu-eu-eu de Futebol, jogo no qual está Portugal incluído, vai ser Portugal – França mais logo. Quem ganhará? Pois... Não ligo lá muito a Futebol mas pronto, gostava muito.
19:15, mais ou menos
Estou a escassas horas de poder dizer que tenho 48 anos, isto com enorme propriedade. Estou também a escassas horas de poder dizer que tenho 47 anos. A vida é assim, verdadeira e uma grande mentira em simultâneo. Neste momento estou para aí na terra de ninguém, assim mais ou menos como quando estou perto duma fronteira, porque na verdade é isso mesmo: fronteira, aqui 47, ali 48. Estou também a escassas horas de ter mais um post no blogue, deixei-o programado. Como estarei longe da Internet no meu aniversário resolvi ir escrevendo acerca de. E publicar.
22:30
Portugal a jogar com a França. 0 – 0, aos 70 minutos. O horror, Ronaldo fora do jogo logo ao início, vítima duma sarrafada dum cabrão francês de que não sei o nome. Bom, adiante.
Amanhã faço anos. Vamos ao Refugio del Juanar, conto deixar lá a pedra da crua vermelha, foi o Luís que sugeriu o lugar e eu acatei. É uma ideia fixe, assim fica na serra, à vista do pessoal, se a deixasse no Mediterrâneo, mesmo que à beira-mar, supostamente enterrar-se-ia na areia ou então na água.
Las Chapas, 11/7/2016, segunda-feira, 9:45
Podia ser antes 9:48, ah ah, que eu hoje faço anos, 48, 4x12, 2x24, 8x16, ah ah. Pronto, já cá cheguei, estou cada vez mais velha, isto já não melhora, quando digo isto, digo a carcaça, o exterior, que o interior bem que posso melhorar, agora se melhoro ou não... Sim, melhoro, em alguns dias melhoro, pois.
Qualquer dia morro, o mundo avança, eu também, com ele, quer queira ou não, e vou com o mundo, envelheço até não poder mais e morro. É.
No outro dia fiz uma conta gira: nasci em 68-07-11, o que perfaz 86... ah ah, o contrário de 68, uma inversão, ah ah, quiçá a idade em que. Bom, eu hoje faço anos, 48.
16:19 ou então 15:19, não sei bem
E não sei bem porquanto ainda não fixei se o meu telemóvel efetivamente se resolveu a singrar pelo horário espanhol, ou então não. De modo que ele diz 15:19 mas às tantas são 16:19. Obrigadinha. De nada, ora essa.
Há pouco lembrei-me que faço hoje exatamente 576 meses, fiz as contas: 48x12 e deu 576. Fiz de cabeça. E dias...? Não vou fazer de cabeça mas assim à cabeça digo já que são 30000 e tal, óié.
Almoçamos no mesmo restaurante de há dois anos. Fiz inúmeras filmagens. Ao longo desta experiência de filmes e quês tenho descoberto que, mediante a possibilidade de rever o que faço e idealizo, bem como o que digo, que vou construindo as ideias conforme a vida me corre, acabo por me mostrar um tanto ou quanto inconstante no apurar dos factos, ou seja: mostro-me contraditória e até tola. Como tem sido o caso do depósito / largada da pedra da crua vermelha, evento que ocorreu há poucas horas, onde pude, finalmente, dar um destino à dita pedra. Deixei-a junto a uma rocha onde alguém escreveu nomes a azul. Quem passar vai olhar para os nomes e, quiçá, note a cruz vermelha que, comparativamente, é muito mais pequena, mas, sendo vermelha, alguém há de lá pousar o olhar.
Fiz café. Quem quer? Eu. Eu quero. Tinha a cabeça a precisar de café e o corpo a rejeitar a ideia devido ao calor que está. Não, não gosto de refresco de café, gosto de poucas coisas com café, eh pá, que seja só café e pronto! Gosto do (um golo de café) café no tradicional Bolo de Bolacha, mas de resto não gosto de mais nada
Pois é, fiz uma série de filmes em torno da pedra e tal, nalguns (três golos) tive a preciosa ajuda do Luís, que aliás tem entrado em bastantes filmes nestas férias, e vou (quatro golos) ainda contar com ele mais vezes durante esta (cinco golos) estadia. (seis golos) A propósito de golos: Portugal é Campeão da Europa em Futebol, o que para mim foi incrível. 1 – 0 França: 0, claro, ah ah. Golo único, bola de Éder na segunda parte do prolongamento. Sim, foi um enorme sofrimento, oh céus. A caneta morreu. Finalmente. Agora é a verde, está bem. Vai ter que estar.
(contudo, no blogue continuarei a preto, mas fique o leitor sabendo que escrevi a verde nos restantes dias)
(vou no entanto simular a morte da caneta naquele parágrafo, usando as cores de acordo com o momento)
9 e tal da noite, que ainda não chegou a noite
Estou no restaurante não sei quê. Ao almoço, afinal, não cheguei a registar que é o Refugio del Juanar, e este sei lá como se chama, mas é aquele mesmo, à beira-mar, cheio de portas envidraçadas, que estão sempre abertas nesta altura do ano, que noutras sei lá eu. Vamos comer dourada ao sal e gambas, com coisas tão variadas como champiñones e jamon. Agora me lembro que há montes de restaurantes com as características que mencionei, portas envidraçadas e tal, é toda uma correnteza deles beira-mar afora, mas como não me lembro do nome deste, olha, fica assim.
O nome do restaurante, soube agora, é 'Carlos e Paula'.
Las Chapas, 12/7/2016, terça-feira, 10:13 (hora local)
Tenho a certeza das horas que são. Ok, vá, estou de férias, pra quê querer saber as horas? Acaso alguém me espera? Não. Ofe crousse note. Bâte... Gosto de saber as horas, gosto, ainda, de saber que controlo o tempo que passa, como se soubesse exatamente quanto mede meia hora.
13:13
Olá, olá! Olá, olá! Vou almoçar.
15:25
Olá, olá! Já almocei. Na verdade comi pouco. Se há coisa que me acontece aquando das férias é esta ausência de fome e, por junto, a fome permanente. É, é. É que é mesmo assim que sinto. Estou para aqui a pensar no melão casca de sapo que vi no supermercado não há muito tempo, há para aí uma hora ou coisa assim, estou até a sentir o sabor a melão casca de sapo na minha boca. Hum-hum! Olha eu a gastar espaço no caderno com estas repetições parvas.
Las Chapas, 13/7/2016, quarta-feira, 13:48 (hora local)
Reta final das férias! É como uma subida, custa o tempo a passar. Não sei porque fiz esta comparação mas fiz. Tenho a cabeça vazia, o que tem a sua piada, já quase não formo textos, estou cansada sem nada fazer, não estou cansada de férias, que é lá isso, tenho é saudades dumas coisas importantes: filhos, casa, cão, cama, pratos, tachos, toalhas, varanda, roupa, café... Ah, café! Café, café! Vou fazer daqui a pouco. É bom, o café que eu faço, ponho muito pó para me espevitar. E espevita? Não sei mas assim de repente parece que sim.
15:22
Cá estou, óié! Tanto ponto de exclamação, tanta treta escrita, registada para a posteridade, óié.
(estou a filmar-me, ah ah)
Há pouco estava a pensar que há pouca coisa tão inglória e infrutífera como isto de registar memórias. Eh pá, a sério, mas quem vai ler isto?! Pouquíssimas pessoas. Para já, as que me conhecem e amam deverão deixar passar algum tempo (parei a filmagem aqui) até que tenham coragem de ler os meus diários e os meus blogues, falo de quando morrer. Pois. Quando eu morrer os entes terão de conseguir ter a dor suavizada ao menos um pouco, por ação do tempo, esse milagroso, até que consigam 'ouvir-me' sem sofrer muito. E isso demorará imenso tempo, será tanto que dificilmente se sentirão capazes de me 'ouvir' algum dia. É então infrutífero. E inglório. Pois. Bem, espera lá, inglório talvez não, que quando alguém morre é automaticamente promovido a boa pessoa, mesmo que no fundo.
Estive a contar quantas páginas escrevi o ano passado e são trinta. O ano passado manuscrevi memórias pra caraças, ao contrário de todos os anos em que trouxe o diário. Este ano já escrevi vinte, esta é a vigésima página, que acaba agora, ó. Entro então na vigésima primeira página, a partir d' agora, ah ah. E é assim que acaba de acontecer uma maneira subtil de transcrever isto para o blogue e ficar a perceber-se, ah ah.
Tenho escrito sempre com o tom com que escrevo no blogue, já que a ideia foi sempre estes escritos irem lá parar, já para não dizer o quanto me seria penoso andar para aí à procura de modos de escrever, só porque passa primeiro pelo diário. Pronto, estou a acrescentar um passo, é só isso.
16:55
Vou para a praia não tarda. É que se vamos assim tipo às quatro, está um calor que não se pode, ainda dou cabo da pele, ou o caraças. (estive a filmar este bocadinho)
Las Chapas, 14/7/2016, quinta-feira, 10:12 (hora local)
Está chuvoso, o tempo, o que é uma chatice, portanto. Estou aqui a sentir o ventinho fresco nas costas. Este tempo assim é chato por conta de ficarem estragados os planos de praia e isso. Claro que podemos bazar daqui, dar uma volta de carro, mas ocorre que já conhecemos quase tudo, e depois, a estadia assim no fim, faz com que a lassidão já se tenha instalado de tal forma que dificilmente a eliminaremos.
11:00
Acedi agora à piscina e o relógio do átrio disse: ó Gina, são onze horas. Olhei para ele e constatei que falava verdade. Relógio verdadeiro, aquele, portanto. (estou a ser filmada, ah ah)
11 e tal, agora
Estou na praia. Bom, o sol lá despontou, óié. Está assim como que meio escondido, o ventinho é ainda algum, mas, eh pá, tasse bem e pronto, bora lá pra dentro. (filmagem aqui também, óié)
14:07
O giro é que hoje é 14 do 7, ah ah, e são 14 e 7, ah ah, do e e, ah ah. Bom, realmente falta-me assunto. Não falta nada, falo do momento final, que é este, vamos embora amanhã de madrugada, podia, e posso, escrever de como me sinto. Sinto-me triste por abandonar tudo quanto de bom me é dado viver aqui, mas saudosa dos filhos, da casa, do cão, portanto: feliz.
Algodonales, 15/7/2016, sexta-feira, 6:30
Sim, 6:30. Ui, que cedo e a gente aqui, oh céus. Café. Cabeça pesada e isso, portanto: café. Não conseguimos dormir, vai daí, olha, levanta-te mas é, olé!
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