Mostrar mensagens com a etiqueta Diário das expressões.... Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Diário das expressões.... Mostrar todas as mensagens

domingo, 12 de julho de 2020

Diário das expressões

Loures, 11 de Julho de 2020
As manas picoas são-no (quero eu dizer: cá no meu blogue) porque um dia encontrei uma história lisboeta que ocnsta... ai perdão, consta de (precisamente) duas manas de nome Picoas, que moravam numa quinta ali para ao lados (precisamente) das Picoas, cujo pai era de nome Picão... e? E vai que. E pronto, na verdade pouco tenho a acrescentar, quando começaram a fazer parte do meu quotidinao e as quis registar no blogue lembrei-me de lhes chamar isso (precisamente) no lbogue... ai perdão blogue. Somente só e apenas. Semelhanças? São duas manas e, as outras, duas manas eram. Coisas passadas em Lisboa. Tanto com um par de manas (rá-rá! pois é, eu escrevi manas, tá? então tá) como com o outro. Pá... coiso. Ah, as manas Picoas (as originais, daí a maiúscula) foram alcunhadas assim porque, como referi acima, o nome de família era Picão e as gentes dos seus comuns dias lembraram-se da piadinha, faltava esta ressalva. Ou repetição. Sei lá. Pá.

Notazinha com montes de interesse:
Isto de vir para aqui debitar 'ah, eu uso esta expressão' e tal e tal termina aqui. Se um dia voltar à demanda, quem vem ler o blogue saberá.


Este post é continuação daqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Mana(s) picoa(s), primeira vez

Na cafetaria da porta do lado há novo mobiliário: as mesas são maiores, as cadeiras idem, tanto que mais parecem poltronas, aliás, é isso mesmo o que eu lhes chamo. O único senão é a gente custar a entrar por entre as pernas da mesa e da cadeira. A gente: eu. E como eu, outros haverá.
Hoje é sexta-feira, as manas picoas (o cognome é da minha autoria) vêm almoçar chicha de porco à portuguesa sempre tão apaladada, e eu estou desejosa de vê-las sentar e levantar do novo mobiliário.
Adendas a posteriori
Adenda primeira:
Ó Gina... - Chama o homem da cafetaria em segredo. - Já sentei as velhas...
Refilaram? - Quis eu saber.
Não, nada, tive de as empurrar já sentadas, são tão levezinhas...
Adenda segunda:
Na ementa não havia chicha de porco à portuguesa sempre tão apaladada.
Adenda terceira:
Vais realizar um dos teus sonhos, diz o meu colega, e logo percebo que já viu as picoas acomodadas nas poltronas. E eu nada.
Adenda quarta:
Não vi as picoas sentar. Não cheguei a ver as picoas levantar, que estava de costas. Mau grado.
Adenda quinta:
Não quero saber se chicha é linguagem informal, ok senhor word desta espelunca de computador?!
|31 Maio 2013|


Mana picoa, a mais nova e capaz, pede um féri para lavar a louça.
Droguista, única no espaço e/mas pouco especial, aventura-se tentando aviar um super pop. Mas nada disso, mana picoa mais nova e capaz quer um féri, féri, féri.
|15 Setembro 2014|

Diário das expressões

Loures, 26 de abril de 2020
Ah, septuagenárias, essas amigas do peito. Mal sabiam elas que eu as escrevia. Se bem me lembro, havia uma, a da novela, que me observava o rabiscar com um olhar tão curioso quanto surpreendido.

Loures, 28 de abril de 2020

Loures, (… ?!)

Lisboa, 1 de Junho de 2020
Em 28 de Abril aconteceu que já não escrevi nada para além do cabeçalho, e é até uma data anterior a me ter dado na mona voltar a dar uma importância maior aos meses, alindando-os com maiúscula. Num dia a seguir, não registei qual, também não adiantei nada, e hoje, ironicamente o Dia Mundial da Criança, venho falar-vos das septuagenárias.
As pessoas estão mais marcadas consoante a idade, o que facilita os tolos juízos que faço após (rápida ou moderada, tanto faz) observação. Por isso me foi tão fácil e prazeroso 'inventar' questões acerca destas quatro senhoras e expô-las no blogue como me aprouve no momento.
Para as distinguir cognominei-as de
a septuagenária da camisola
a septuagenária da novela
a septuagenária da cicatriz
Sim, elas eram quatro, mas uma nem sempre estava presente lá no lugar da musa, portanto não a escrevi vezes o suficiente para a recordar. Vamos então a estas três.
A septuagenária da camisola nasceu-lhe este nome por conta de repetir demasiado a sua indumentária. A camisola era portanto a mesma em vezes bastas – branca com risquinha vertical.
Sabem quem é que eu vi no meio da rua?
(decerto não)
A septuagenária da camisola!
Aquela que no verão anda sempre com a mesma... camisola!
Essa mesma, (um)a (das) que estava(m) sempre no lugar (que também pode ser) da musa!
E ela na rua!
À chuva!
De cenho franzido p'lo desconforto.
ponto final
|28 Novembro 2017|
~
Guardasse eu a cognominação das septuagenárias para este ano e a da camisola seria decerto a da camisola, que continua a fazer sentido, hoje lá estava a bendita camisola com riscas verticais, tal como no ano passado, oh se estava.
|1 Junho 2017|

A septuagenária da novela era a mais carismática...

Lisboa, 8 de Junho de 2020
Continuo hoje:
A septuagenária da novela era a mais carismática, falava e gesticulava sem medo de ser notada. Chamei-lhe a da novela porque um dia, logo ao início destas minhas observâncias, ela contou alguns pormenores de uma novela que estava a seguir.
Vá, vamos lá interromper a leitura. Segurei a chávena de café com a mão esquerda e fui bebendo. A dada altura, a altura, rá-á!, do café baixa e a chávena vai ficando tingida da espuma do café. Dá-me uma vontade louca, rá-á!, de acabar com a espuma rodando a chávena e usando o café que resta. Mas a mão esquerda é lerda e desajeitada, rá-á! Pouso a caneta e seguro a chávena ou como é que é? Ná... rá-á!
Vá, vamos lá interromper a leitura. A septuagenária da cicatriz está sozinha à mesa. Pensei fazer-lhe companhia. Não pensei nada. Quero dizer: pensar, pensar, pensei, mas a perguntar-me como seria se lhe oferecesse a minha companhia e a concluir que a esmola sendo muita... E vai que chega a septuagenária da novela. Cheia de bons modos, pede à menina: tira-me a minha biquinha, faxavor? escaldadinha!
Nota: o livro do momento é 'Romance de Cordélia', Rosa Lobato de Faria
|15 Dezembro 2016|
~
Antes de visitar o lugar (que também pode ser) da musa no dia de hoje, quero dizer que já sei onde mora a septuagenária da novela, é que ontem vi-a sair do prédio tal, às tantas horas, vinha eu já de regresso. Ó pá, qualquer dia vou visitá-la a casa! Ó pá vai ser tóin xiru!
|24 Novembro 2016|
A septuagenária da cicatriz, aconteci-lhe este nome porque uma das primeiras vezes em que eu atentava no grupo ela pôs-se a mostrar uma cicatriz (creio que de uma intervenção cirúrgica recente) às amigas.
Perdida também no escrever? Mau... ó mulher, então que é lá isso?! Pois que não sei.
Boa tarde, a senhora que se entretém com o tablet à septuagenária da cicatriz.
Boa tarde, a septuagenária da cicatriz à senhora que se entretém com o tablet.
'Como está?' e 'Bem, obrigada, e a senhora?' foram também expressões usadas por ambas.
|11 Janeiro 2017|
~
Ó Gina, diz lá quantas septuagenárias se encontravam hoje no lugar (que também pode ser) da musa.
Duas.
Continuo sem saber quais é que estavam neste dia ou naquele, mas calhando quererem muito conhecer toda esta envolvência, eu amanhã tomo conta do recado, é pedir, que eu. Hoje estavam então duas septuagenárias à mesa, uma: a mais carismática, a que vê novelas, duas: a que tem cara de atriz principal dos filmes portugueses dos anos sessenta. Esta última despiu-se para mostrar a cicatriz à amiga, só daí já se presume que não se encontrava à mesa nos dois últimos dias. Hum, estou para aqui a pensar, esta vou mas é chamá-la de septuagenária da cicatriz. É isso, vá, e vao duas:
a septuagenária da novela
a septuagenária da cicatriz
|9 Novembro 2016|

Loures, 12 de Junho de 2020
Já agora fica um texto antigo onde me adentro na quarta septuagenária. Ao que parece, já nessa altura, oh vejam lá, não sabia se ela existiria ou então não.
Hoje eram três, iei! E agora eu sei lá se a outra era a quarta. Mas será que elas eram mesmo quatro aquando do verão?! Será...?. Hum, não sei, mas, seja lá como for, venho dizer que a terceira, que a bem dizer é a quarta, mas não estando eu segura de o ser, vou cognominá-la de desconhecida, portanto: a septuagenária desconhecida... Ah não, esperam lá, septuagenária do desconhecido, assim é que é, para ficar com um do, já que todas as outras têm um da.
Portanto, e recapitulando, hoje estavam presentes três septuagenárias: a da camisola, a da novela, a do desconhecido. Faltava a da cicatriz, cá pra mim tinha ido mudar o penso.
Tanto apontei, tanto apontei que trouxe zero folhinhazinhas limpas do lugar (que também poder ser) da musa.
|15 Novembro 2016|


Este post é continuação daqui.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Septuagenárias, primeira vez

Ó Gina, então conta lá, quantas saudades tinhas da árvore amarela e do lugar (que também pode ser) da musa.
Conto pois, então ora essa, o que vale a mim é a companhia que me faço, é os egos, o alter e outros todos que conseguir arranjar, e até o narciso e tudo, óié, que no meu caso é narcisa, que sou fêmea.
As saudades desses dois pertences são bués, fazem número, mas como não as contei, pumba e coiso, olha: não sei.
No lugar (que também pode ser) da musa, as cadeiras deixaram passar um assunto, o de que as senhoras de que falei no outro dia não são sexagenárias, mas septuagenárias. Isso. É que no dia da construção desse post, reparei logo na idade das pequenas, considerando-as septuagenárias, só por dizer que entretanto apontei no papelinho que eram sexagenárias e, chegada a hora de as apontar no blogue, eis que copio sem me lembrar da primeira impressão. São septuagenárias, ai são, são.
A árvore amarela lá está, sem o banco debaixo dela, ainda. Lá está, num outro canto, mas agora, ao invés de estar apoiado no banco que está fixo no canto cruzado, fazendo as vezes dum rei de copas, como já aqui no outro dia contei, pois que não, está assim num frente-a-frente, a dar beijinhos de boca e quês. A árvore amarela não tem muitas folhas amarelas, ainda.
De nada, Gina, ora essa, então que é lá isso, estou aqui sempre para ti, disposta a tudo.
|17 agosto 2016|

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Diário das expressões

Loures, 15 de abril de 2020
As coizinhazinhas nasceram da ideia de abrilhantar - mas ao contrário: desabrilhantar - as minhas questiúnculas. Como sabem e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, escrevo sobre ideias e acontecimentos de pouca importância → questiúnculas, lá está. Em certa altura andava com as coisinhas para aqui e para ali, na enga de fazer diferente das questiúnculas, como a dizer-me 'ai, daqui a pouco não me posso ouvir!' - sim, às vezes já não me posso ouvir. Assim: 'ouvir', entre sinalinhos, para lhe alterar o significado, pois que afinal ouço-me, mas surdamente. Sim, às vezes canso-me. De mim. Do modo como escrevo. Deve ser por isso que invento expressões e inventei, precisamente, as coisinhazinhas.
Loures, 17 de abril de 2020
Pá, assim de repente parece que está tudo dito. Basicamente é o que está descrito acima, escrevo muito, invento dizeres e piadolas, canso-me das ditas, invento outras, canso-me. Canso-mas. É isso mesmo, canso-me as coisas.
Loures, 20 de abril de 2020
Mesmo que no último dia tenha considerado ter tudo dito, quis esperar, não publicando logo este post, quem sabe conseguiria estender ainda mais alguma coisinhazinha. Mas não, está mesmo tudo dito.


Este post é continuação daqui.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Coisinhazinha(s), primeira vez

Clientes
Fui à cliente que tem o mesmo sobrenome que a pessoa que deu nome (provavelmente sem saber) à rua onde mora. Levava comigo duas faturinhas a entregar. Somente. Não atendeu, à ida ou à vinda. Nesse intervalo desloquei-me ao escritório do senhor doutor para entregar um recibinho e dei com uma secretária nova. Em carne e osso. Pena é não ter notado se a secretária de metal continuava a mesma, mas isso é caso que pode ser deslindado no futuro. Pois que esta secretária de chicha e alma me notificou que a dona Esmeralda se reformou e que portanto doravante será ela a comandar o que dantes era comandado pela dona Esmeralda. Assim de chofre deu para perceber que é mulher para quarentas e tais e de fácil lidação, inclusive se me apresentou com nome e tudo. Pus-me à procura do recibinho para fazermos as trocas de papelada que dantes eu fazia com a dona Esmeralda. Procurei no caderno azul, e nada. Joguei-me ao caderno adorado enquanto murmurava: ah, deve estar no outro. Ela preencheu o espaço de tempo com um sorriso, notei-o por entre o meu procurar de recebinho, e considerei-o sincero, afinal nada mais havia a fazer, e eu preenchi o espaço de som com uma coisinhazinha cá das minhas: ah, é que eu ando com dois cadernos porque tenho a mania que escrevo muito, e ela pôs em prática uma gargalhada que considerei sincera, principalmente porque decerto teria mais que fazer do que ficar especada a ver-me procurar desenfreadamente um recibinho por entre as folhas de dois cadernos que ultimamente têm viajado comigo. E muito.
|5 janeiro 2017|


Superlativo
As coisinhas podem vir a ser coisinhazinhas. É ainda mais risível.
|3 janeiro 2017|

segunda-feira, 16 de março de 2020

Diário das expressões

Loures, 4 de fevereiro de 2020
No primeiro post onde refiro a árvore amarela como sendo a árvore amarela – digo isto porque há um outro post em que a refiro mas sem a ter ainda cognominado – conto que a conheço há anos mas na verdade tinha passado somente um ano. A primeiríssima vez em que a registei no blogue fi-lo aos 13 de outubro de 2010, mas sem o tal cognome, o de 'árvore amarela'.
Bom.
Então.
E por que é que a árvore amarela é a árvore amarela? Porque nessa data (13/10/2010) se apresentava amarela, mas de um amarelo intenso. Sério. Estava linda. Linda! Ó:





Apaixonei-me pela visão e, em anos seguintes, pus-me à coca, a ver se se desenvolvia em cor como nesse Outono. Só que não. Mas é que nunca mais. Contudo, não esmoreceu o meu interesse, que é lá isso.
Lisboa, 16 de março de 2020
Há tanto tempo que não venho estender este assunto, oh quanta vergonha sinto. Mais ou menos, quero eu dizer, a vergonha que sinto é para comigo, afinal propus-me desenvolver estas questões e tenho falhado, mas é para comigo.
Bom.
Então.
Pois não, não esmoreceu, o meu interesse em acompanhar toda a vida da árvore amarela. Mas é que nunca. Nunca. Todos os anos ando de volta dela, se é quase Primavera (como agora), se é quase Outono, mas não só, observo atentamente no pino do Verão e durante todo o Inverno. As questões é que, com o rodar do tempo, vão, precisamente, rodando. Se é quase Primavera, como agora, permaneço expectante, qual será o dia em que vejo folhinhas verdinhas e jovenzinhas? E registo no lbogue... ai perdão, blogue, claro. Se é quase Outono, fico a vê-la despir. Os dias passam e a árvore vai ficando vazia e cinzenta. Triste, portanto. Se é o pino do Verão gosto de ver escurecer os verdes, há uma altura em que as folhas como que encolhem, costumo dizer que emagrece porque já não me parece frondosa. Se é Inverno, pois que a olho e lhe sinto a tristeza. Que geralmente é mas é minha. É o tempo de estar nua. E triste. Mas agora não é esse tempo, agora é quase Primavera.


Este post é continuação daqui.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Árvore amarela, primeira vez

Ainda se mostra em tons de verde, a árvore. Agora já cá não venho senão daqui a duas semanas, quando voltar há-de estar amarela. Conheço esta amiguxa há anos, quando o outubro estiver entradote estará amarela.
|29 setembro 2011|

domingo, 19 de janeiro de 2020

O texto

Ultimamente apresento escritos antigos com alguma frequência. Não é numa de saudosismo, é porque ando a construir aquela ideia de registar as primeiras vezes das minhas expressões e, através da pesquisa que faço nesse sentido, acabo por descobrir e relembrar coisas que considero dignas de republicar. É o caso deste texto que a rica filha apresentou como trabalho para a disciplina de inglês e que é coisa para ter acontecido há cerca de dez anos |foi publicado no blogue em 28 outubro 2010|. Ah, e é um texto acerca do mano, o rico filho. É bom recordar. Ademais nem é uma questão narcisista nem nada, não fui eu que escrevi. Comoveu-me reler isto:


He doesn't look a lot like me, dispite the fact that is my brother, he isn't like me in any way, but for two siblings, we do get along great.
He's so shy when he's around other people, it's embarassing to see. We have a lot of inside jokes that our friends don't get and sometimes he pretends he doesn't either just because he's afraid our jokes are stupid.
Our parents usually say that having their children getting along this great is a blessing. I couldn't agree more. He might be my younger brother, but I look up to him a lot. He's a great, unique person, a boy like there aren't many.
He's always quiet, miding his own business, he hate drama and he's not interested in gossip. Being so quiet, sometimes is a bad thing... People think he's rude when he's not nice and smiley, but he doesn't do that on purpose, it just takes a while to get to now him.
Apart from that, he's a really good soccer player and he's too cocky about his english. He likes to correct me and saying his better than me. We never fight. He's my little brother and I really really like him.

Ana Cláudia

Comentário do professor: A lovely description.
Nota: 15

sábado, 18 de janeiro de 2020

Diário das expressões

Loures, 18 de janeiro de 2020
Com o lugar da musa vou fazer diferente. Não que o tema me aborreça e, vamos lá a ver, eu até gosto de escrever e mais não sei o quê, mas é que, ao pesquisar a primeira vez deste lugar da musa, encontrei descrições do quanto e do quê e de como é que se tornou para mim o dito lugar, e achando que está lá tudo, vou aproveitar-me de mim. Despudoradamente. Ai. No primeiro texto descrevo, não só o lugar da musa, como as circunstâncias e os arredores habituais dessa altura. O segundo texto contém uma descrição mais racional e também factual, foco os pontos importantes sem romancear. Quero dizer, lá que romanceio, romanceio, mas poucochinho.


É hora de fechar, anda. Vais almoçar e almoçar é preciso. Vais andar e andar é preciso. Comes dois rissóis de camarão e uma dezena de garfadas de arroz de feijão. O segundo rissol vai ser engolido custosamente e vai ficar de sobeja outra dezena de garfadas de arroz no prato. Há algo nesta hora que te tira o apetite, o descanso, a calma. Comes tão rapidamente que no pequeno restaurante és conhecida por 'aquela senhora que come muito depressa e sai logo a correr'. E sais, como se fugisses de qualquer coisa. Eles não sabem que foges de ti, e tu, tu sabes que essa separação é impossível de alcançar, mas persistes na ideia de segunda a sexta.
E vais avenida afora. Com pressa. Vai estar a chover. Porém, a tua pressa não se deve à chuva. Tu sabes disso, eles não. Ninguém te acredita, bem que te esforças: 'ah, eu não gosto é do frio, tanto se me dá que chova ou então não'. Ninguém te acredita, portanto ninguém te merece. Falas menos, falas cada vez menos, as tuas verdades são inglórias.
Introduzes-te numa sapataria, queres ver sapatos e botas porque precisas de sapatos ou de botas. Se não precisasses de sapatos ou de botas era provável que mesmo assim te introduzisses ali. Há modelos fixes, talvez regresses amanhã.
Avanças, detendo-te em todas as montras de sapatos e botas. Há modelos fixes, talvez entres amanhã.
Agora que estás a escrever estes bocadinhos de vida percebes que neste ponto já tens a cabeça repousada, estás inclusive descontraída. Mas andas depressa. É preciso parar no semáforo, esperar que mude para verde, do outro lado vais beber um café. Chamas o 'lugar da musa' ao lugar onde bebes o café e escreves amiúde no teu blogue que ali se encontra o melhor café de Lisboa. Veemência, sim, ao menos no blogue. As verdades não são inglórias quando registadas no blogue, há algo que certifica a veracidade de um facto, se exposto num texto.
Quando te servem o café pegas no pires e encaminhas-te para uma mesa vazia. Na mesa pousas o pires. Numa cadeira pousas o chapéu-de-chuva e a mala. Sentas-te. Abres o pacote do pauzinho de canela e mergulha-lo no sublime café. Abres o pacote da bolachinha e trinca-la com prazer. Vais sentir uma dor fininha nas bochechas, isso acontece porque salivas devido ao doce que a bolacha tem. O primeiro golo de café não ameniza essa pequena dor, os seguintes aniquilam-na. O peito aquece, o estômago idem, a cabeça eleva-se.
Vais pôr-te a ler. Vais estar desatenta à leitura, é aliás teu costume. Lá porque a cabeça se te elevou não quer dizer que estejas concentrada na leitura. Se ler sem tino fosse uma imagem de marca, se fosse notória a permanente desatenção e o desalinho em que vives, estarias marcada pelos demais. Assim... não estás, pronto, não se percebe.
Vai haver um senhor que te sussurra, quer a cadeira que está junto à tua mesa, faz-lhe falta, é um dos que pertence a uma roda imensa de amigos que vão ali beber a bica e conversar animadamente. Vais invejá-los. Vais julgá-los. Vais admirá-los. Vais temê-los. Vais esquecê-los. O sussurro comove-te, é óbvio que este senhor se sente incomodado por te interromper a leitura. Tão raro, o respeito pela leitura doutrem.
Agora vais à loja das roupas ver se aquelas camisolas ainda estão no mesmo lugar. E estão. Alegras-te imensamente, quase se te rebenta o coração. Experimentas todo um rol de camisolas. Cores e feitios vários mas todas lindas. Escolhes uma, a mais conveniente, não a mais linda, e compra-la. Vais sair dali. Andar. Caminhar. Enlouquecer. Por causa da chuva e do chapéu-de-chuva mal avistas a árvore amarela. Olha-la apenas de soslaio e vês num repente que não está assim tão diferente desde a semana passada. Avanças. Desces a rua, esqueces por completo a mola dependurada. Ah, essa questiúncula... Tão rentável em número de posts no blogue. Tampouco lembras as plantas que espreitam à janela de uma casa onde mora gente que nunca viste. Ah, essa questiúncula e blás.
Percorres a praça. Não vês horas nem graus no placar. Nesse momento tens a cabeça cheia com o teu escrever incessante. Que não te serve para porra nenhuma que preste.
Agora que escreves, passados estes dias, percebes que as memórias se esfumam com o tempo, já não lembras do resto do percurso. Poderias todavia basear-te nos pensamentos de todos os dias, não há realmente uma grande diferença entre eles. Mas não. É melhor não registar mais nada.
|22 outubro 2014|


|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||


Comecei por entrar no lugar da musa há anos, creio que vai para aí numa dezena, não sei lá muito bem, e isso na verdade pouco importa. Eu entrava e vasculhava os livros, como hoje, desejando tê-los todos para poder ler a maior parte, mas sem comprar nenhum, como hoje. Mas não bebia café. Pois. E creio que no início das minhas visitas quase diárias não existia no espaço o sublime café. Se existia, peço perdão.
Depois apareceu dentro da livraria e na minha vida o balcão, a máquina de café, os/as moços/as que o serviam na pequena chávena o aromático e fumegante e precioso e escuro e espumoso líquido, o qual não demorou nada de tempo a que o considerasse muito bom e o adjetivasse de sublime. Entrava-se no espaço e cheirava a café à mistura com o cheiro da tinta da impressão e o do papel, o que me inebriava, como hoje. Sentava-me, bebericava o café... E sem dar por isso comecei a sacar do bloquinho – que sempre foi – rudimentar para apontar os meus tópicos, um tanto ou quanto desenfreadamente em alguns dias e calmamente em outros. Recordo que nesse tempo grande parte das pipocas que preenchem o meu blogue saltavam ali, porque havia livros, pessoas e o algo que pairava no ar me inspirava sobremodo. Houve inclusive uma época em que só me inspirava ali. Quando me apercebi disso, quiçá meses depois, cognominei todo aquele conjunto de situações como 'lugar da musa'. E lugar da musa ficou desde então. Existem dezenas (ou centenas, sei lá) de posts onde refiro este lugar e existem outros tantos daí advindos mas sem que faça referência escrita ao lugar.
Tempos depois, calhando anos, achei que não tinha nada de me cingir àquele lugar da musa para me inspirar, qual quê, a musa tem de descer seja lá onde for... Hoje é-me mais fácil encontrar inspiração em todo e qualquer lugar, por causa de toda e qualquer pessoa, ou de toda e qualquer árvore, folha, flor, pássaro, nuvem... Tudo. Não posso todavia passar a vida a escrever. Pois.
|27 novembro 2014|


Est post é continuação daqui.

Lugar da musa, primeira vez

Vou até ao lugar da musa. Deixo-me estar. Escrevo. Chego aqui e descubro que trago de lá uns apontamentos que não descodifico.
|6 janeiro 2012|

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Diário das expressões

Lisboa, 2 de janeiro de 2020
Decidi agrupar duas 'primeiras vezes' num só post porque a bem dizer são a mesma coisa – lugar soturno e velho estaminé.
Comecei por chamar lugar soturno ao lugar soturno porque era escuro e feio.
Lisboa, 17 de janeiro de 2020
Escuro. Isso. Escuro porque tinha muito material exposto, ele era expositores a abarrotar de coisas, ele era prateleiras cheias até cima, ele era fios de uma parede a outra, como se um estendal fosse, e era, mas de artigos. O chão estava também preenchido até mais não se poder. Portanto, por tamanho ser o preenchimento de toda a área, a mesma escurecia. E feio. Isso. Feio pelas mesmíssimas questões. Então arranjei uma ironiazinha, um faz-de-conta, uma ideia, uma expressão – lugar soturno. E o velho estaminé, existe por quê? Porque houve uma altura em que estava em meio de findar a sua existência no mundo dos estaminés vivos e, como havia outro, e há, e que é este d' agora, senti necessidade de os diferenciar diferentemente do comum, precisamente por aquele estar com a morte anunciada – velho estaminé.


Este post é continuação daqui.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Velho estaminé, primeira vez

Sonhei que havia estragado o bico da caneta cor-de-laranja.
Sonhei que o tecto do velho estaminé estava vazio.
Nem todos poderemos entender o que estes sonhos verdadeiramente significam.
|27 outubro 2017|

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Diário das expressões

Lisboa, 29 de novembro de 20419... ai perdão, 2019 (e não deixa de ser giro alvitrar que daqui por dezoito mil e quatrocentos anos não há blogues...)
Bom, vamos lá a explicar o meu colega.
Então...
O meu colega é uma pessoa que trabalha comigo e por isso é que o trato assim no blogue.
É.
É, mas não é só.
O meu colega é o Luís, aquele que às vezes aparece aqui como Luís. Esse mesmo.
E que é o meu mardio... ai perdão, marido.
Eia pá, até parece um poema.
Comecei por lhe chamar assim porque, para já, fica giro, para depois, marco diferença entre o ser colega e o ser marido. Digamos que o relacionava muito melhor com as questões do estaminé se o tratasse por colega do que se ele fosse o Luís.
Como se pode ver no primeiro post que dele falei, há muitos anos que o trato assim. Hum, acho até que merece uma etiqueta... Em janeiro trato disso.
Lisboa, 10 de dezembro de 2019 (eia pá, há tanto tempo que não avançava com isto...)
O motivo de eu chamar colega ao Luís em alguns posts é porque fica muito mais giro eu dizer que tenho um colega, acresce que somos efectivamente colegas e devo dizer que nunca fomos tão colegas como agora, que trabalhamos no mesmo estaminé e dantes havia dois, eu em um, ele em outro, mas trabalhávamos tão em conjunto como actualmente. É claro que o meu colega, o Luís, sabe que tenho o blogue, que gosto pra caraças de escrever e que não passo sem isto de mostrar ao mundo as coisas que considero serem de mostrar.


Este post é continuação daqui.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Soturnidade

… O desinteresse dos outros tem o seu quê de agradável e a solidão tem um lado soturno que me apraz e não é pouco. Assim posso escrever qualquer coisinha que me lembre - frivolidades, inutilidades, disparates - pois as minhas afirmações e conclusões não serão desmentidas ou contestadas.
|25 junho 2012|

(à conta de andar à pesca do lugar soturno encontrei outra soturnidade)

Lugar soturno, primeira vez

Maratea; 11|09|2013; oito e meia da manhã

Ontem à noite choveu.
9:04
O homem do supermercado é um fofo. Mais um. Esforça-se por perceber o que peço e sorri cheio de simpatia. O homem do supermercado é um fofo, repito, mas também é mais um que acha que sou espanhola... Largou a frase italiana 'va bene cosi?' a qual eu gostava de ouvir pra caraças, para passar a dizer 'vale?' à moda espanhola. Lamento tanto. Sou portuguesa, 'migo, portuguesa.
11:07
À vinda para cá passámos por Espanha, acho que não cheguei ainda a fazer essa referência. Se bem que tenhamos lá passado, só passado, de passagem, de noite, de madrugada, parando apenas em estações de serviço 24 horas para chichis, abastecimento da viatura ou de nós próprios e troca de condutor. Espanha já não prima pela novidade.
Ah, é verdade, estou na praia, sppiagia Nera. Nha nha nha nha...
20 para as três da tarde
Se hoje fosse um dia normal, uma quarta-feira de trabalho, quero eu dizer, por esta altura estaria atravessando a praça de Londres, cheia de pesar por ter de voltar ao lugar soturno. Há quem julgue que fazer este tipo de comparações seja positivo, assim se goza muito mais, aproveitando todos os bocadinhos para lembrar o que se estaria fazendo caso não se estivesse de férias. Não tiro razão a quem pensa assim, julgo que é um modo feliz de viver, mas também acho que anseia um pouquito e cansa a cabeça que se farta, uma vez que se tem incessantemente a merda do trabalho às marteladas no pensamento.
21:10
Estou no país das Ginas. Ainda não ouvi esse nome por aqui, a não ser quando algum dos meus me chama. Gina. Ó Gina. De manhã, na praia, 'una nonna' (uma avó) chamou a neta: «Virgínia!» 'Oh ciellli', caiu-me tudo ao chão, pobre criança, se ela gostar tanto do nome quanto eu...
Chegámos há pouco de Rivello. Que vila mais bonita! Mas semelhante a Maratea em muito, há becos e vielas, as casas foram construídas deixando pouco espaço para se circular na rua, ouvi dizer que era um modo de defesa dos antigos, e depois... Há igrejas e igrejas e igrejas, mesmo numa vila tão pequena.
Finalmente comprei o limoncello e o creme de limoncello. Comprei também um licor Cremovo e pão daqui e mais queijos daqui, as massas menos industrializadas que as nossas (presumo eu), uvas e pêssegos. Fiz estas compras numa mercearia a condizer com a rústica vila.
|22 setembro 2013|


nota:
o post do qual retirei este trecho é extenso que se farta, faz parte de uma das partes que transcrevi do meu caderno aquando das férias a Itália em 2013 e, por ser extenso, coloco somente a partezinha que dediquei a este dia, 11|09|2013, mas que foi publicado na data exposta abaixo da mesma

Diário das expressões

Lisboa, 14 de novembro de 2019
Lugar escondido, que dizer, ora pois. Basicamente, o lugar escondido era o lugar onde eu ia, no tempo do velho estaminé, buscar a mercadoria para repor nas prateleiras. Para a maioria das pessoas que na altura faziam parte da minha vida, era simplesmente 'o armazém'.
Lisboa, 19 de novembro de 2019
Por conta dessas funções eu viajava até ao armazém uma ou duas vezes em cada dia e aproveitava para fotografar, gravar, escrever, estar e ser. Mas tudo escondida. Pois. Não, não há uma maneira bonita de explicar isto.
Lisboa, 20 de novembro de 2019
Escondia-me lá durante cinco ou dez minutos. Quinze. Não sei. Era uma maneira de fugir à insustentabilidade de permanecer no velho estaminé com o propósito normal, o qual, na verdade, nunca encontrei, por mais anos que se passassem.
Loures, 21 de novembro de 2019
Há dois dias (acima), referi que não há uma maneira bonita de apresentar esta questão, hoje digo que há, mas que não a tenho, e não vou estender mais este assunto, houve um dia aí em que me estreei num lbogue... ai perdão, blogue colectivo precisamente com este assunto (aqui). Nesse dia consegui ser fofinha a descrever o que para mim significa o lugar escondido, portanto cinjo-me ao já criado, afinal são verdades que fui eu que escrevi e tudo.

… «O velho estaminé é um estaminé que já não há, mas como há outro, diferencio-os assim. Repor artigos nas prateleiras fazia parte das minhas funções e eu viajava até ao lugar escondido uma vez ou duas em cada dia. O nome 'lugar escondido' apareceu porque eu me escondia lá, de quando em quando. Sim, bem sei, é um nome original que se farta, é por não sê-lo que se trona rápido de explicar. Para lá chegar descia uma escadaria escura e íngreme que desembocava num pátio, e era aí que residia o encanto maior, pelo desafogo, pela claridade, pelos vasos com plantas, pelas gastas portas das arrecadações, por ser um lugar vazio, por dali avistar toda uma série de vidas pelas traseiras das casas, pelo cheiro da roupa acabada de estender, pela passarada, pela nespereira, pela videira que foi o senhor Manel que plantou e cuidou até morrer. Enfim, coisas, muitas coisas. Um dia chegou até mim o digital e eu toca de clicar sem fim, descobrindo depois que cada foto era mais gira e fixe que a anterior e afora, e o lugar escondido sempre a colaborar comigo da melhor maneira, não cessando nunca! o meu encanto.»


Este post é continuação daqui.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

O meu colega, (esta é que é a) primeira vez

O meu colega arranjou uma maneira de brincar com o fmi e a troika: diz que não tem troikos.
|10 maio 2011|


Sim, é outra gaffe. Caraças pá, ando uma tresloucada. Bom. O que aconteceu foi que me esqueci completamente de consultar o meu segundo blogue, indo na pesquisa somente até ao terceiro. Está então a rectificação feita, sendo que o primeiríssimo post onde aparece o meu colega é o supra apresentado. E o post como que errado está aqui.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Diário das expressões

Lisboa, 31 de outubro da 2019
Ontem desconsiderei este post, a maneira como o quero apresentar, e lamento. Agora parece mas é que não tem jeito nenhum. Ninguém vai ler. Os leitores vão chegar aqui, reconhecer as primeiras frases e pensar: oh, este já eu li, e passam à frente. Entretanto já pensei numa espécie de solução: deixo o já publicado no fim do que é a novidade. Vou também publicar cada tema/expressão em seu post, para lhe dar montes de importância. Ainda mais importância, quero eu dizer.
Lisboa, 4 de novembro de 2019
Embora todos ao banco hater? Embora.
O banco hater é de quando a praça mai linda (e agora prevejo mais uma expressão, a 'praça mai linda')
Lisboa, 5 de novembro de 2019
E assim provo uma vez mais que sou de ir escrevendo, já que estamos num outro dia. Bom. Então. Dizia eu da praça, pois que sim, é linda e tem vários bancos de pedra. Aqui há uns anos quase todos tinham um dizer feito a tinta, obra de vândalos, tudo bem, mas eu gosto de pensar que são rufias amantes da comunicação por escrito, para além de ser giro é atenuante. Então aconteceu que me lembrei de cognominar cada um dos bancos e ao hater calhou assim precisamente por conter o 'hater' em si, escrito em grandes letras vermelhas. Apaixonei-me. Exagero. Não exagero nada, daí nasceram centenas de posts, à conta de quê estou a exagerar? Ora... Entretanto limparam as letras 'hater', não só essas como de todos os outros bancos. Fiquei decepcionada com a ideia de já não ter o 'hater', só que o banco ficou sempre a ser o banco hater, posso continuar com este faz-de-conta, se no fim das contas sempre fiz de conta. Neste assunto estou um bocado estéril, sei lá que mais e que mais cerca do banco hater. Talvez dizer-vos que não o explico. Ou seja: quero lá saber se alguém chega aqui e se depara com uma questão destas e não percebe porra nenhuma e vai embora porque não gostou do blogue. É que, notem bem: se de cada vez que falo do banco hater me pusesse a explicar o que é e como apareceu... né?
Lisboa, 6 de novembro de 2019
Pá, venham ler este post, né? No fundo é só um banco dentre uma meia dúzia, de tampo de pedra, quiçá tijolos por dentro, que está numa praça larga e desafogada, sita em Lisboa, que em tempos tinha inscrito 'hater' e eu me lembrei de lhe chamar isso mesmo. Depois ocorre que se mantém no mesmo lugar, que passo lá montes de vezes, que olho para ele, que o cumprimento como se fose meu amigo, e é, que me sento lá se quero rabiscar, que posso sentar-me só a ver passar gente, que já tenho observado o incessante mudar de cores dos semáforos porque era isso o que queria fazer e porque não queria fazer mais nada senão isso, que é lugar de poiso, que é o meu preferido. Que. Boa noite.
Entretanto decidi que não vou anexar as novas entradas às antigas. Oh porra, que a minha vida está complicada! É que quando tive esta ideia estupenda não me apercebi que a dada altura da vida deste post o mesmo ficaria insuportavelmente longo, mantendo assim os posts abaixo mais longe de serem lidos e vistos. Eu escrevo demais, essa é a verdade, e quem me aguenta, garanto que não sei como consegue e que me espanto deveras. Obrigada. E agora é que é boa noite. Ou então é boa noite outra vez. Boa noite, simplesmente boa noite. Boa noite.

Este post é continuação daqui.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Diário das expressões

Lisboa, 25 de outubro de 2019
Este blogue vai conter algo inédito. Trata-se de um post que vai ser construído e publicado, que aumentarei e republicarei tantas vezes quantas as necessárias até o considerar completo. Ora, se é um tão invulgar caso na minha vida de blogger, é bom que explane, não só o plano para a publicação, como o motivo de a querer fazer. Mas começo por explanar o motivo.
Sou dada a expressões...
Sério? Que estranho.
Não é nada estranho, bem sei que, na escrita ou na oralidade, toda a gente tem peculiaridades, mas há um pormenor de suma importância: é que este blogue é meu e quem cá escreve sou eu, portanto... Coiso. Retomando.
Lisboa, 28 de outubro de 2019
Retomo, pois retomo, mas em outro dia.
Lisboa, 29 de outubro de 2019
Retomo afinal noutro dia e assim se vê que é sobretudo por partes que costumo escrever.
Tenho então expressões próprias mas das quais não me aproprio assim tanto porque, a bem dizer, depois de publicadas já não são minhas. Mas quero registar a primeira vez que o fiz, tendo entretanto já publicado a primeira vez do 'bloquinho rudimentar' e a do 'banco hater'. Acresce que quero que um post contenha o que é em essência, por exemplo, o bloquinho rudimentar e, por isso, cá estou.
O bloquinho rudimentar é um aglomerado de folhas provindas do estaminé que reaproveito para usar como depósito de ideias. Se é um reaproveitamento, é claro que o verso das folhinhazinhas onde escrevo têm coisas lá impressas mas também inúteis à data. O que faço é rasgar as folhas, normalmente em quatro, e prendê-las com um gancho. Chamo-lhe o bloquinho rudimentar porque fisicamente não passa disso, é pequeno e mal-amanhado, logo: o bloquinho está para o pequeno como o rudimentar para o mal amanhado. Uso-o frequentemente, costumo até parar no meio da rua, sacar do dito, e ficar de pé a rabiscar. Já fiz esta figura largas centenas de vezes, quiçá ascenda ao milhar, e olhem que não estou a exagerar. Posso também estar numa fila (num qualquer balcão, como, por exemplo, o supermercado) e rabiscar, ou mesmo sentar-me num banco de rua para rabiscar o que se me apresentou na cabeça tão repentinamente e a minha grafomania não deixa escapar. Se quero escrever, pouco me importa onde estou, e não é só no bloquinho rudimentar que aponto coisinhazinhas, não senhoras e senhores, aponto-as também no telefone. Se offline uso o bloco de notas, se online é obviamente em directo no blogue. Escrevo também no caderno mas aí sou pouco produtiva, nem todos os dias me meto nessas andanças e, quando nas outras, pois que já se sabe. Entretanto, devo dizer que, como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, o grosso do meu escrever é feito no computador do (e obviamente no) estaminé.
Para terminar deixo dois links: um de um dos posts que mais gozo meu deu escrever, ver aqui e para provar que o desejo de escrever me acompanha para todo o lado, ver aqui. Acrescento ainda que estes dois posts foram criados e publicados a partir do meu telefone, nada tendo portanto a ver com o bloquinho rudimentar, mas é que mostram claramente o que é escrever em directo e numa ocasião especial, isto um, e, o outro, mostra como, esteja eu onde estiver, me é intrínseco escrever coisas.