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domingo, 9 de abril de 2023

E a minha casa, será que tem meias engraçadas?

Então não tem?! 
Tem pois!
Eu até me tinha sobrado esta foto da catrefada que tirei para ilustrar meias felpudas. De maneiras que pronto, cá fica. Sim, tenho meias engraçadas, os meus blogues têm montes de posts acerca de meias, mas montes. Houve até uma altura em que tinha o mote 'vamos mostrar as meias à calçada?' Consistia isto em sentar-me num banco de rua, descalçar-me e levantar os pés para se ver as meias de encontro à calçada. Há descritivos aqui.

sábado, 8 de abril de 2023

E a minha casa, será que tem plantas?

Tem.

Tem a espada de São Jorge, planta mui democrática, convive bem com a minha desatenção.

Tem a suculenta. Mini. Mini suculenta. E morta. Não jogo fora para já. Um dia. É que é uma planta mui especial, trata-se de um lembrete do casamento do rico filho e da rica nora. Neste tipo de post não costumo deixar fotos mas, lá está, esta é especial. Ademais, tinha intentava registá-la em foto. Deixo até duas fotos. Mas giro, mesmo mesmo mesmo giro, é que do último post em que a registei até agora decorreram precisamente doze semanas - sete de Janeiro. Entretanto, e já agora, o primeiro post em que aparece a jovem plantinha é datado de vinte e sete de Setembro, três dias após o casamento. Entretanto (outro entretanto) e já agora (mais um já agora) abaixo destas duas fotos captadas agora mesmo, deixo as outras duas, a última das quais, que, oh vejam lá, foi a primeira a ser publicada, e, ah ah, é a única que tem filtro e, ainda ah ah, ah ah, é, também, a única que se faz acompanhar de um texto que não a refere, bem como deveras afastada do cativante título:

«Olá, o meu nome é Gina e fui a mãe do noivo.»

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Ontem, depois de

Ontem, depois de ter escrito que o quadro da pintora é o único original que tenho cá em casa, lembrei-me de outros - tenho mais cinco:

dois são perspectivas de Marbella
um é uma perspectiva de São Martinho do Porto
um foi oferecido por um cliente
um é uma paisagem quiçá imaginária

Tenho ainda um outro, uma réplica do Café Paris. Sob certo aspecto não deixa de ser um original, mas oh.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

E a minha casa, será que tem quadros originais?

Tem pois. O da pintora. A pintora apareceu algumas vezes no meu anterior blogue, ali por alturas da publicação da primeira colectânea em que participei. A pintora, antes de o ser, foi cliente e, depois de ser pintora, já foi cliente mais um carradão de vezes. Bom. Então. Um dia a pintora disse que me queria oferecer uma das suas pinturas porque eu lha tinha elogiado. E sim, gosto muito das túlipas. Este é um dos pertences que mais significado têm. Deixo republicação dos posts que contam esta história.

Não dei o devido valor, ou não a soube (d)escrever como ela merecia. Falo duma senhora que há dias me disse (clicar aqui) ter descoberto que escrevo, alguém lhe dissera. Ontem apresentou-se-me aqui com um singelo raminho de flores colhidas havia minutos no seu quintal. ‘Dê cá um beijinho e tome lá!’ Estende-me meia dúzia de fetos e uma flor alaranjada que não sei nomear. ‘De uma pintora para uma escritora!’ Fiquei estarrecida com tamanha amabilidade. Ainda lhe disse que não sou escritora, nunca publiquei um livro, não passo duma mera escrevente... Ela volta de lá categórica: ‘Ora essa, é escritora sim, isso de escrevente é uma coisa que não existe. A senhora é escritora!’ Ainda me fez mais uma série de observações elogiosas, de artista para artista, às quais não estou lá muito habituada, há que dizê-lo. Embasbacada, pensei em dizer-lhe o quanto estava sensibilizada mas o que me saiu foi ‘obrigada, minha senhora, ai eu até estou toda maluca!’
É assim, a vida pregou-me uma partida. Há largos meses que ando a arranjar coragem para deixar de escrever. Escrever é ruim, às vezes faz-me mal, deprime-me. Escrever também transforma tudo, contrariando essas ideias, eu preciso de escrever para bem da minha saúde mental. Isto é muito confuso, é algo que não sei combater nem consigo controlar, o que me faz sentir insegura.
E depois quero deixar a escrita radicalmente.
E depois acontecem-me estas coisas.
E depois...
A escrita acaba por ser um balanceio preciosíssimo na minha vida, equilibra-me as vontades.
E depois…
Prossigo, escrevendo.
26 Maio 2012

Esteve aqui a pintora, diz que vinha cumprir o prometido, mostrar-me as suas pinturas. Orgulhosa, mostrou-me uma pequena parte do seu portfólio. Centra-se sobretudo na arte sacra, tema que não me diz muito. Referi o tema 'arte sacra' e ela comentou 'é isso mesmo, arte sacra!' com alegria, mas não mencionei o facto de o tema não me agradar. Saímos da arte sacra e entrámos noutros temas mais diversos: fruta, tourada, paisagem, Carnaval, flores. Gostei particularmente duma pintura de flores, eram túlipas, a cor que predominava era o verde, ao olhar o desenho no seu todo senti-me agradada. Gostava de tê-lo, levá-lo para casa, pendurá-lo numa parede... Mas não tive coragem de propor negócio à senhora. Agora arrependo-me bastante. A pintora é uma senhora muito alegre e solta. Disse-me uma vez mais que os artistas têm de conviver, falar das suas sensibilidades ainda que não coincidam 'a senhora escreve, eu pinto!', dizia ela. Também acho que tenho de me relacionar... Bolas, pá, eu é que não sei o que raio lhe hei-de dizer!
21 Junho 2012

O meu colega é o meu empresário, por assim dizer. Creio que nunca tinha mencionado este facto no blogue. Mas é isso mesmo. O meu colega é que divulga o livro, insistiu que eu fosse convidar a pintora. E eu fui. Isto de eu ter um tipo de trabalho que me permite andar de casa em casa ajudou bastante, sei perfeitamente onde mora a senhora. Há dias fui lá, cheia de um intento um tanto ou quanto falso em matéria de coragem e determinação. Olhei para a porta do prédio e não me aguentando abalei dali, cheia de medo. Três ou quatro metros à frente estaquei e ordenei a mim mesma que me portasse como deve ser, como uma pessoa adulta e tornasse ao local de onde havia fugido. Voltei a ficar junto à entrada e toquei no botão do primeiro andar ainda meio a medo. Sinceramente a minha vontade era que a senhora não me atendesse porque eu estava cheia de vergonha, não é fácil ir a casa de alguém sem que estejam à nossa espera, se ainda por cima não temos muito à-vontade ou confiança, como é o caso. Não atendeu. Vim embora, num misto de alívio com deceção. Ontem fui lá outra vez, desta feita com uma dose de coragem um tudo-nada mais elevada. A senhora estava em casa, recebeu-me com muita cortesia, agradeceu o convite, referiu que não prometia ir mas fará por isso, mostrou-me mais dois dos seus quadros, um deles bem bonito, por sinal... E pronto, já está, não custou nada nem nada.
29 Junho 2012

A pintora – uma senhora de quem tenho falado num post ou noutro - foi à apresentação do livro, o que me deixou completamente boquiaberta, nunca pensei que ela quisesse de facto ir. Adorou o evento, diz que a minha história está gira e tal, que não tenho erros de gramática nem nada (?!). Antes, estivemos as duas a conversar da arte de pintar e da escrita. Diz ela que conhece o escrever, já em tempos escreveu poemas, tem-nos lá em casa encadernados rudemente, com agrafos e assim, a fingir um livrinho, que o preço das publicações literárias está pela hora da morte... Fez-me saber que não se sente nada ansiosa se não agarrar nos pincéis durante dias ou mesmo uma semana ou duas, ao contrário do ato de escrever, em que temos de registar imediatamente o que vem à memória ou então escapa-se-nos entre as brumas do pensamento (atenção, que esta poesia é minha, ok?), a pintura e o desenho não é nada assim, parece que a inspiração está lá, esperando, não foge nem nada. Acerca doutro convidado também tenho um registo a fazer, pois foi alguém que me surpreendeu bastante pelo empenho em aparecer. Chegou já perto do fim, quando pôde, mas chegou, esteve presente, acarinhou, quis um livro... Depois houve mais familiares e amigos presentes, claro que sim. Também quiseram o livro, o que foi duma glória terrestre que só visto! Destes últimos amigos guardo a recordação de serem eles as primeiras 'vítimas' de um autógrafo meu. Perguntei se podia ser criativa na dedicatória, se me aguentariam... Claro que sim!, responderam. Hum, então lá vai... E agora aproxima-se o momento da confissão. Guardei para o fim do texto, as grandes questões apresentam-se no final, num esforço por alcançar o supremo, o apogeu. Os familiares presentes (além dos ricos filhos e marido) foram os meus sogros. Para quem não sabe... Hum, eu confesso, vá, o meu patrão é o meu sogro (não é a primeira vez que faço esta referência assim tão clara mas quando a fiz foi lá muito atrás no tempo, duas ou três vezes), o homem que me deixa escrever na sua loja, no seu computador e até no seu tempo. Quando escrevi a dedicatória referi os meus sogros como amigos, porque estou convicta de que o são, e exprimi o facto de escrever num computador e num tempo que não me pertencem e se eu não tivesse essa hipótese a minha historinha dificilmente existiria... E ele gostou. Lá se gostou da historinha é que é outra... história.
2 Julho 2012

domingo, 26 de junho de 2022

E a minha casa, será que tem tesoura de poda?

Não, a minha casa não tem tesoura de poda. Ainda no outro dia disse a um cliente que, em termos de plantas, sou um redondo 'não sei'. Tenho mesmo dificuldade em construir amizade com plantas. E eu que até criei etiqueta no lbogue... ai perdão, blogue quando dei, mais uma vez, início à prática de lidar com elas. Já deixei de lidar. Fica a etiqueta. Fique também a intenção, quantas vezes é o que resta, né? Poi zé.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

E a minha casa, será que tem instrumentos musicais?

Sim. Aos bués. Que não são usados há buéda anos. Listo-os: um órgão, um adufe, uma pandeireta, um cavaquinho, uma viola, duas flautas. Tantas porras tocantes se tocadores não os há, é a pergunta que ouço e à qual respondo que já houve destes e, daqueles, todos permanecem. Bom, na verdade todos permanecemos, só que não há relações musicais. Já houve até um acordeão, mas esse não listei porque já não compõe número - não permanece, lá está - vendi-o por não lhe dar uso nenhum. Dos meus pertences musicais constam até manuais de solfejo e de tudo o que é aprendizado musical, livros de partituras e uma estante própria para apoiá-los enquanto tocadores tocam, tocavam, em tocantes.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

E a minha casa, será que tem mangueira de rega?

Não. Não havendo quintal, não haverá mangueira de rega. Contudo cresci com tudo isso – quintal e mangueira de rega. Lembro-me de os meus pais decidirem que as regas deveriam ser feitas ao cair da tarde, quando a noitinha já se avistasse. Falo daquele momento que é uma coisa mais de alma, nenhuma ciência determina quando finda a tarde e avança a noite, não há corte, misturam-se. Mas as regas. Então, as regas eram feitas por essa altura porque o frescor se manteria por mais tempo, uma vez que a noite é fria. Mas aquilo fazia-me impressão, às vezes dava por mim tendo pena dos tomateiros, oh pobres, recebendo a caloraça do Verão, gritando de sede, clamando por água. Pronto, coisas assim. Olha, falei de coisas sem as ter. Ah, que estranho, né? Poi zé.

E a minha casa, será que tem galochas?

Não. Com estas larguras, como? Para quê é que já toma outro sentido. Porém igualmente estéril, noto agora. Olhem, vou ali e volto não sei quando.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

E a minha casa, será que tem enciclopédias?

Sim, há-as cá. Há as de animais selvagens, de lugares com história, de História, de saúde. Ninguém lê enciclopédias, presumo. Espero ardentemente que estes autores sintam muito prazer no decorrer da construção, pouco lhes importando que a trabalheira não sirva, afinal, o propósito. Mal comparada, e até mal comparando, concluo agora mesmo que, se assim for, é tipo eu no blogue, que tenho montes de prazer em construí-lo, só por dizer que.

domingo, 13 de junho de 2021

E a minha casa, será que tem fita métrica?

Sim! Várias. Das do tipo para a ferrugem e das dos trapos. Das do primeiro grupo não sei quantas tenho, mas seguramente mais do que uma, afinal este é um lar de ferrageiros, e das dos trapos tenho duas. Ou três. Fui certificar-me, são três, são.
Uma vem dentro de uma rodinha que a suga logo que calco o botão para tal. Quando a quero usar puxo, simplesmente. No fundo é igual às da ferrugem mas em fofa. E alva, para credibilizar fofura. E redonda, que credibiliza algo, sei lá o quê. Fofura, pronto.
Uma vinha dentro de uma rodinha que, se não era igual igual igual à que descrevo acima, então distava bem pouco dessa aparência. Um dia, a mola puxadora - ou sugadora – brecou, cortei a amarra que tinha com a carapaça – leia-se rodinha - e passei a usá-la assim. Toda de fora, quero eu dizer.
Uma é herança da minha sogra. Ou espólio. Legado, também fica bem dizer. Andava lá por casa aos rebolões e o Luís trouxe-a. É daquelas mesmo mesmo mesmo à costureira, a cada dez centímetros muda a cor, frente e verso sem saberem qual é qual, pois que num lado de uma extremidade está o 1 e no verso dessa mesma extremidade está o 150. Jogo-me à outra ponta e dá no mesmo.
E pronto, são três, as fitas métricas feitas a pensar nos trapos.