a colcha caiu.
por isso é que eu tinha frio..
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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024
Consultório
Na sala de espera notei uma moldura com um desenho a modos que infantil, onde alguém falava que, quando percebeu toda a incrível vida das árvores, notou factores deveras relevantes, que passo a copiar para aqui, porém, por palavras minhas. Começo pelo que acho consabido: as árvores dão fruto, sombra e oxigénio. E, se bem que não me lembre de todo dos benefícios expostos naquela gravura, continuo o discurso mais de cor que outra coisa, pelo que me apoiarei mais ainda no meu palavreado.
As árvores, mesmo sendo aos ziliões, são todas diferentes e, em certo ponto da gravura, está escrito que há quem escreva as árvores, o que me fez logo identificar com a ideia por eu própria escrever acerca de uma árvore há 13 anos - é a minha amiga Árvore Amarela. A letra em caixa alta é só para intensificar por ora, pois que, doravante, continuarei com a caixa baixa..
Desejo
Desejava há que tempos ter no WC minorca uma saboneteira baril e um copo fixolas para pôr a escova e a paste de dentes. Já tenho. Entrei na grande, e fina, loja sem que me expulsassem por não ir bem vestida, sendo, até, oh!, cumprimentada pela vigilante de serviço. Certo é que o fez à minha saída, posso concluir que foi por me ir ver pelas costas não tardava nada, bem como por levar um pacote na mão, significando que havia efectuado compras. Posso concluir, e até concluo, seguramente por conta daquilo da baixa autoestima que me caracteriza mais do que quero. Desejava, portanto: já comprei. São lindas, as peças. Não combinam nas linhas mas combinam nas cores. São de coleções diferentes, pronto. A loja não tinha assim tanta hipótese de escolha, actualmente as linhas e as cores são dentro do direito, umas, e do neutro, as outras. Foi portanto duas peças dentro desses conformes, as que comprei..
Estendal
Tenho, por ora e então, a necessidade de um estendal dentro de casa por mor de terminar a secagem da roupa. Podia pô-la logo ali, contornando o passo de a pôr lá fora, poupando assim tempo e trabalho, mas ocorre que assim sempre evito algum caruncho. É que, convenhamos, roupa a secar dentro de casa, o que mais faz é vapor que depois se vai alojando nas paredes e tecto, isto porque, afinal, dali não pode sair. Então o que faço é o que já disse, estendo a roupa por duas vezes - cada máquina de roupa duas vezes, cada peça duas vezes. Bom, este estendal é mais para o alto do que para o largo ou comprido, pode ficar em duas posições: em cruz ou em T, e tenho para mim que o hei-de pôr em T só porque é uma letra e eu gosto muito de escrever. Claro que posso substituir a cruz por X e é o que farei em vindo mais posts acerca do meu estendal..
Chateia
Tenho tudo e sou feliz e não estou feliz e tenho tudo o que quero e não tenho tudo o que quero mas tenho muitas coisas e consigo-as rapidamente e facilmente e é tudo jóias na minha vida e blás..
Acontece
Estou feita uma tonta - saio do duche, onde tive um ataque de loucura, ou ansiedade, e venho logo de seguida falar com a professora (acerca de substâncias que comprei, em cujas encomendas a beneficiei usando o seu código de desconto) como se tão grande loucura, ou ansiedade, não tivesse acontecido. Poderia ter vindo falar com ela como quem acabou de quase enlouquecer, seria pior, compreendo, mas é que, assim, sinto-me estúpida..
Quando
Quando estou sozinha em casa, como agora, tenho alturas em que tenho medo, em que grito, em que arfo, em que alucino. É ansiedade em extremo, que depois passa. Luto para não chamar ninguém, domo-a muitas vezes, aprendi a contorná-la, a esquecê-la, a fingir que não existe. Mas a verdade é que nem sempre lidero o meu corpo, a minha cabeça. Vou vivendo. «Quero morrer» é uma frase que digo todos os dias, assim como é também todos os dias que desejo estar viva para sempre. Para ver. Para escrever. Era bonito eu pôr aqui «para aprender» mas eu não sei se quero aprender. Não que desconsidere a utilidade da aprendizagem seja lá daquilo que for, ou sinta que sei tudo. Não, não sei tudo, e é principalmente a escrever que aprendo..
terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
Chaveninhas
É um homem simpático e cheio de «obrigado, muito obrigado», seja lá por que for, mas também apressado. Julgo eu que os «obrigado's» lhe surjam por conta dessa pressa - repete-se, não vá a gente perder tempo com «hã?'s», que é lá isso. Ofereci-lhe um café que agradeceu seis vezes - duas ao aceitar, duas ao receber, duas ao terminar. A chávena que lhe dispus pertence a um conjunto de seis, com respectivos pires, recebidos como prenda dada pela minha tia Diná, aqui há coisa de trinta anos. Andou-me este conjunto de um lado para o outro, ora numa prateleira, ora noutra, ou então num bule aramado que alberga dozes peças, seis de cada, os pires numa base, as chávenas em ganchos. São peças de um branco recebedor de flores cor-de-rosa, azuis e liláses. Em correnteza, quer junto ao bordo, quer junto à base, tem desenhos dentro do género rococó. E são chaveninhas, são mesmo pequerruchas..
sábado, 3 de fevereiro de 2024
Salão de cabelereiro
Há dois anos que frequento este salão e é desde aí que noto quadros expostos nas paredes que sim senhores, giros giros. Há dois que considero particularmente engraçados - são gravuras:
- Uma é uma mulher a fazer pose de ginasta, sentada no chão, o braço esquerdo apoia no chão, a perna esquerda esticada para o tecto, a perna direita flectida, o braço direito não sei mas presumo que esteja também apoiado no chão. Ou poderá estar pousado no joelho da perna que flectiu, agora me lembro. Bom, o que sei é que quero recriar a pose. Quiçá ainda a recrie hoje.
- Outra é um boneco com uma testa altíssima, que é altíssima, presumo, para lá caberem vários olhos. Não vou recriar a imagem, desenhando olhos na minha testa, que é alta, lá isso, portanto seria fácil.
Entretanto, desta última vez (da qual resultaram as ideias acima, sim, só por dizer que há mais) chegou uma cliente à qual roubei um bocadinho de tempo porque o que tinha lá ido fazer era pedir para a cabeleireira me aparar a franja, serviço este que é encaixado por entre outros por não carecer de marcação. É do tipo eu ir lá (que ainda só aconteceu esta vez, por embaraço e vergonha tamanha tenho prescindido deste bónus) a ver se dá para o aparo. Dando, espero. E deu. E eu estava lá, esperando. E entretanto chegou então essa cliente. Foram logo falando as duas, ela e a cabeleireira, esta desculpando-se porque na última vez tinha havido um lapso qualquer que não pôde resolver convenientemente porque havia esquecido o telemóvel em casa. Mas a cliente, compreensiva, desanuviou a culpa com a seguinte resposta: - Ah, não tem mal. Olhe, eu fui penteada na mesma, às vezes o óptimo é amigo do bom! - Achei um piadão àquilo de o óptimo ser amigo do bom, é que é uma ideia que não tem um significado que jeito tenha, quer dizer precisamente nada. Isso, nada, assim como nada de importância teve o lapso da cabeleireira para com esta cliente. Esta compreensiva cliente, quero eu dizer. Mas há mais. Há! Neste entremeio apareceu ainda um casal para marcar corte para ele. Só que não era ele que estava a liderar a marcação, era ela..
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024
Tentativas
Meto (ou tento meter) na cabeça que pouco importa haver dias em que não publico nada no blogue, o que na verdade não acontece há anos, afinal gosto que todos os dias sejam preenchidos com algo, mesmo um algo mísero, rarefeito. Ficam cá algos desses e pronto. Ou um algo só, vá..
sexta-feira, 26 de janeiro de 2024
Era no orgânico
Deitei no contentor do papel o saco que levava para o contentor do lixo orgânico. O costume de ter lixo de papel é tão maior que foi instintivo. Pumba. Foi. Não gosto nada de ter feito isto e sei que podia remediar. Tenho ali um número de telefone para ligar caso caia algo valioso (ou deveras querido) dentro de algum contentor, podia ligar e expor a situação. Mas não vou ligar devido ao tempo despendido, se, ademais, presumo que seria gozada por quem me atendesse. Não na hora, isso daria azo a que eu pudesse responder, mas depois, entre colegas. Para mim, imaginar que posso ser gozada sem que esteja a jeito de responder é bem pior do que sê-lo presencialmente. Imaginar, lá está, é a imaginação, é o desconhecido, é a imaginação que vai atrás do desconhecido, e isso é tão tão tão pior do que a realidade. É que, ainda por cima, tivesse eu a ser gozada no presencial, e, o mais certo, era fazer que não ligava, obviamente para fingir que fugia do alvo..
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