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quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Post que quase parece antigo. Mas é d' hoje.

Hoje fui dar a volta do meu costume d' há anos. Subi as avenidas, vi lojas de roupas de doces, de cafés, de livros, vi até o lugar da musa e o lugar (que também pode ser) da musa. Passei debaixo do arco, entupido com andaimes e tubos. Percorri a avenida, avistei as árvores vermelhas e as cor de-laranja, fotografei uma mas não saiu bem. Detive-me no recorte ajardinado, observei longamente a árvore amarela, fotografei-a e percebi quão despida está. Entretanto tirei também uma fotografia ao sol. Ou à lua, sei lá. Pouco isso m' importa de verdade.

sábado, 17 de setembro de 2022

O tempo que há

Há cinco anos que não visito o lugar da musa de segunda a sexta. 
Saudades?
Sim e não.
Sim porque me distraía ir dar conta de como ia a vidinha das septuagenárias, do homem alto que sempre estava lendo o jornal, do homem germofóbico (pelo modo como limpava as mãos  e a boca e também pelo elevado número de lenços que usava para o fazer, só podia sê-lo), da menina que servia os cafés, do moço que servia os maus cafés que tirava, da livreira mais simpática, da livreira menos simpática, do homem que não se parecia com nada nem com ninguém, da igual, da Franzineide, da mulher do tablet. E não me lembro de mais ninguém. Que será feito dessa gente? Depois havia o cheiro dos livros à mistura com o do café. Os livros, ou as bibliotecas, vá, sempre me foram muito aprazíveis. Nos livros há história e sabedoria. E isso é tudo. O que é que há mais? Só se for café. Quem quer que se tenha lembrado de juntar estas duas partes foi génio. Café é ímpeto sem dor, salto para a luz, nervo dos bons. 
Não porque eram tempos absurdos, sentia uma tristeza enorme, um peso que não podia largar, uma sina, um desgaste e, lá está, usava o lugar da musa para me distrair. Era um gatilho. Actualmente fala-se muito em usar gatilhos para pular estados e sentimentos, quando negativos, não é? Então pronto, era o meu gatilho. Um deles. Porém, por vezes, coexistia o inverso, chegava lá e ficava tão triste que queria era morrer. Então: escrevia. Escrever salvou-me e ainda me salva. Tenho muito poucas verdades que me sejam tão verdadeiras como esta.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Lisboa, 7 de Janeiro de 2022

Olhem: estavam umas quantas septuagenárias sentadas numa mesa do lugar da musa, cinco (5!), e nenhuma era uma das outras quatro (4). Os tempos mudam rumos, lá isso.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Lisboa, 1 de Setembro de 2021

1 de Setembro é hoje o dia e saiu Agosto ontem aos seus 31 dias. Se Setembro não entrou a gosto, entrasse. Se Agosto quisesse ficar, ficasse.
Bebi um café no primeiríssimo lugar da musa. Revi a livreira mais simpática e também a mais velha. Revi até outras caras de lá. Antes havia perguntado se ainda serviam cafés, que sim, que já lá iam. Nada de especial, o café, já antes o não era, mas valeu o rever. Só revi, não revivi, isso não, mas gostei do momento. Depois fui em modas e percorri o caminho que, nesse tempo, era o de todos os dias.
Agora é que a árvore amarela faz jus ao cognome que lhe arranjei. Amarela já vai estando, mais amarela se vai pondo, até amarelar de todo e de todo desnudar.

domingo, 1 de agosto de 2021

um rol de esquecidos, outro de lembrados

De repente fui dar com esquecimentos num dos bolsos da mala de viagem que usei nestas férias. Não que houvesse neste rol de tudo um pouco, mas, pá, vamos lá a ver, havia preservativos que terminavam a sua validade em dois mil e quinze. Pois. Outros em dois mil e dezassete. Hum. Havia também cartões de visita das férias de dois mil e treze, quando fomos a Itália. Um é de um Restaurant et Hôtel em Bourg-Madame, outro é de um Hotel em Roma e o outro é de um Ristorante em Trecchina. Tudo lugares onde pernoitei e, ou, comi. Gosto de lembranças, de repescas e de cópias que de mim faço, mormente se já com alguma idade e, ou, em mais, se por mero acaso lhes chego, como é o caso destes textos que escrevi há qu' anos (oito!) e que, mesmo assim, me revejo neles. Gosto desta legitimidade, pronto.

Dormimos aqui. Bourg-Madame é uma vila francesa junto aos Pirenéus. Linda. Simplesmente magnífica. Aqui faz um frio terrível, estamos indubitavelmente na serra. Frio dentro do quarto, frio no corredor, frio na rua. Está frio, sim senhores, mas o dia é claramente um dia de verão, há sol aberto e total ausência de nuvens. Comemos piza. Sim, comi piza em França. Piza. Pizza. Será piza ou pizza? É piza. O moço trouxe três pizas e não duas, como tínhamos pedido. Custámos a perceber-nos, ele e nós… Ufa. Mas pudemos levar o resto da piza connosco, mas até essa parte foi complicada de tratar, como se diz caixa em francês? Ufa, ufa. Há internet neste quartinho, ontem ainda me lembrei de me pôr para aqui a escrever e publicar no blogue as primeiras impressões da viagem, mas entretanto pus a ideia de lado, principalmente por preguiça, se bem que fazendo a escrita em direto a mesma se apresentaria mais genuína e ademais, se assim procedesse, seria uma primeira experiência, pois em dias ociosos sempre me debrucei diferidamente sobre o blogue. Foi em Bourg-Madame que descobri a má qualidade das escovas de dentes compradas para a viagem. A pelugem é demasiado rija, a base que a sustém é larga, tão larga que quase me não cabe na boca, o cabo é curtíssimo. Lavar os dentes é uma saga, desde então. 4|09|2013

Estamos em Roma; está-se em Roma; muito gosto eu de repetições. Restaurante típico, acho eu, muito gosto eu de suposições. Vamos comer sandes. Eu, em Roma, a comer sandes. Mas são típicas, ao menos isso. São compostas com queijos italianos (como não, né?!) e peperoni e prociutto e zucca e acciugui. (pimentos; presunto; abóbora; anchovas) Tirei fotos ao moço a fazer uma sandes e ele espantou-se com o flash, sorrindo timidamente, se estivesse mais perto creio que lhe tinha visto rubor nas faces, vai daí esqueço-me e desbobino num italiano fraco e a raspar inevitavelmente o português que só tinha captado as mãos e o balcão e gesticulei de modo a querer dizer que não se preocupasse, ainda quis gesticular de modo a perguntar se ele queria que apagasse a foto mas ele já tinha concentrado toda a sua atenção no trabalho. Deixei estar a foto. É minha. Roma… Juro que nunca me ocorreu que um dia o cabeçalho do meu diário ostentaria a cidade… ROMA. Esta cidade é linda, imensa, desafogada e incrivelmente histórica, cheia de simbolismos valiosos, duma riqueza arquitetónica de cortar a respiração, apesar do desafogo, quero eu dizer que as ruas são largas, bem como os passeios e as estradas, portanto: ainda que metrópole, não há assim tanta gente aos molhos. Não andámos de metro, lamentavelmente. Provámos um cappuccino soberbo, o café expresso aqui é do melhor, qual lugar da musa qual quê, nem saudades... Ao pequeno-almoço há croissants, incrivelmente, pois é. De novo o café expresso. Em Portugal pede-se uma bica italiana caso se queira um café curto. Pois bem... Aqui a bica é mesmo italiana, curtíssima e é cá duma pujança, pá... Grande bomba. Vi o Coliseu ao longe e vi o Coliseu lá dentro e também visitei longamente o Palatino, só por dizer que… A minha máquina fotográfica não captou um número elevado de fotos, as últimas duzentas, as fotos todas do Palatino foram atrozmente arrancadas da memória do cartão, por qualquer motivo o computador não as leu. Fiquei desolada, estariam algumas muito bonitas, tenho a certeza, pois aquele lugar é glorioso. Resta ainda dizer que as árvores de Roma têm os troncos altíssimos e a copa achatada, a rica filha diz que parecem brócolos, e não está errada, parecem mesmo. Não visitei o Vaticano. Não vi o Papa. Não fui a Roma para vê-lo. Não consegui perceber se efetivamente todos os caminhos vão dar a Roma. Não tenho memória do que comi aos jantares mas tenho memória dum almoço numa ostearia, que é um restaurante simples e sem salamaleques dispensáveis, mas onde se come bem e barato. 6|09|2013

Trecchina. Em Trecchina, encontrámos finalmente um restaurante típico. Digo típico por ser como o que estava no meu imaginário de restaurante tipicamente italiano. Uma decoração simples mas cuidada, asseio, benevolência e prestabilidade por parte de quem serve. Comi 'pasta fresca fatto di mattina' com 'funghi' (massa fresca, feita de manhã com cogumelos), regada com um molho que já não lembro o nome mas que era apaladado, o que na verdade é o que mais importa. O casal que nos serviu mais pareciam anfitriões que outra coisa, o senhor inclusivamente sentou-se ao pé de nós para nos percebermos todos. E percebemos. 10|09|2013

o primeiro trecho copiado de mim mesma deste post
os segundo e terceiro trechos copiados de mim mesma deste post

quarta-feira, 2 de junho de 2021

3/3

Há dias, no lugar (que também pode ser) da musa, estavam três octogenários numa mesa, cada um dedicado a um jornal. Dois escolhiam palavras para caberem no jogo das palavras cruzadas e um corria os olhos pela notícia mais mais mais que encontrou. O trio pareceu-me deveras interessado, lá isso, mas não pareciam juntos, digo: um trio. Engraçado que a vida tende ao isolamento, não forçado, não planeado, mas há uma força que empurra e, ou, puxa para aí.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Lugar da musa

Passei no lugar da musa e vi que estava lá o senhor que em tempos idos lia o jornal, precisamente a ler o jornal. O lugar da musa agora é espaço de passagem porque a esplanada que lhe acede fica na passagem por entre as lojas da galeria comercial.

sábado, 17 de abril de 2021

Dia de (disseram na Rádio)

Esta semana a Radio anunciou três 'dia de' que quero registar com ideias antigas e empoeiradas, au eva ende iéte, verdadeiras. Nada verdadeiro este inglês, bem sei que é tolo e desarranjado, mas é tão meu como o blogue de onde retirei as ideias. Vamos a elas:

13 de Abril, terça-feira - Dia do Beijo
As cadeiras transparentes são mesmo transparentes. Mesmo, mesmo. Por entre elas pude ver um beijo fogoso e sôfrego dum par composto por gente jovem. Há algum tempo que a transparência daquelas cadeiras não deixava transparecer nada.
|24 Maio 2016|

14 de Abril, quarta-feira - Dia Internacional do Café
Não vivo sem cafeína. É. Pode ser cápsula de café meio forte ou forte, fraco é que não. Não vivo sem cafeína, mas havendo só do café fraco, venha ele. Por vezes tenho até que encher a cabeça de cafeína pra escrever, quanto mais.
|18 Abril 2018|

16 de abril, sexta-feira – Dia Mundial da Voz
Eu e o meu colega não falamos dos clientes quando saímos das suas casas, após o serviço. Descemos a escadaria do comprimento que for, fazemos a viagem de elevador do tempo que levar e, na rua, desbobinamos.
Esta senhora deve ser cantora ou atriz, não achas?
Sim, está ligada às artes. Eu sei porque quando cá vim, da outra vez, falámos disso.
Pois, bem me parecia, o modo como ela coloca a voz...
Sim, e a doçura. Se calhar também é professora.
Hum, olha que não, precisamente pela doçura da voz.
Não, digo de representação e isso.
Ah. Pois. Se calhar.
|27 Abril 2018|

terça-feira, 23 de março de 2021

Lisboa, Lisboa

Há montras que mantêm os enfeites natalícios, coisa que até parece pertencer à tragicomédia. Bom, a vida por vezes é um bocado teatral, lá isso. No mesmo espaço comercial passei pelo lugar da musa. As cadeiras transparentes foram postas num canto, debaixo da escada que acede ao andar superior. Esperam dias com restrições não tão severas como as do presente. Ver as 'minhas' cadeiras transparentes fez-me sentir nostalgia, perda, desesperança. Foram sentimentos aparecidos por conta da existência do lugar da musa, não do tempo AP (Antes da Pandemia).

domingo, 13 de dezembro de 2020

Lugar que (também pode ser) da musa

Estive naquele café das cadeiras transparentes, ao qual eu chamava 'o lugar (que também pode ser) da musa'. Velhos tempos. Aquando, eu dizia que as cadeiras, por serem transparentes, deixavam passar os assuntos. Ainda acho graça à ideia, só não sei se é a ideia que persiste em mim, se sou eu que insisto nela.

deixo primeiríssimo registo:
Claro que pode ser um lugar da musa, há lá cadeiras transparentes, imagine-se os assuntos a atravessá-las e eu a recebê-los. Aquela ali é a mulher do blogue. Sendo, o que lá conta é mentira. Hum, não, esta vem com duas gémeas de cinco anos, a do blogue tem dois filhos muito crescidos, quase uns homens. O café é uma bomba, ainda se me rebenta a mioleira e depois vou ter que ficar a limpar.
|21 Abril 2016|

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Diário das expressões

Loures, 26 de abril de 2020
Ah, septuagenárias, essas amigas do peito. Mal sabiam elas que eu as escrevia. Se bem me lembro, havia uma, a da novela, que me observava o rabiscar com um olhar tão curioso quanto surpreendido.

Loures, 28 de abril de 2020

Loures, (… ?!)

Lisboa, 1 de Junho de 2020
Em 28 de Abril aconteceu que já não escrevi nada para além do cabeçalho, e é até uma data anterior a me ter dado na mona voltar a dar uma importância maior aos meses, alindando-os com maiúscula. Num dia a seguir, não registei qual, também não adiantei nada, e hoje, ironicamente o Dia Mundial da Criança, venho falar-vos das septuagenárias.
As pessoas estão mais marcadas consoante a idade, o que facilita os tolos juízos que faço após (rápida ou moderada, tanto faz) observação. Por isso me foi tão fácil e prazeroso 'inventar' questões acerca destas quatro senhoras e expô-las no blogue como me aprouve no momento.
Para as distinguir cognominei-as de
a septuagenária da camisola
a septuagenária da novela
a septuagenária da cicatriz
Sim, elas eram quatro, mas uma nem sempre estava presente lá no lugar da musa, portanto não a escrevi vezes o suficiente para a recordar. Vamos então a estas três.
A septuagenária da camisola nasceu-lhe este nome por conta de repetir demasiado a sua indumentária. A camisola era portanto a mesma em vezes bastas – branca com risquinha vertical.
Sabem quem é que eu vi no meio da rua?
(decerto não)
A septuagenária da camisola!
Aquela que no verão anda sempre com a mesma... camisola!
Essa mesma, (um)a (das) que estava(m) sempre no lugar (que também pode ser) da musa!
E ela na rua!
À chuva!
De cenho franzido p'lo desconforto.
ponto final
|28 Novembro 2017|
~
Guardasse eu a cognominação das septuagenárias para este ano e a da camisola seria decerto a da camisola, que continua a fazer sentido, hoje lá estava a bendita camisola com riscas verticais, tal como no ano passado, oh se estava.
|1 Junho 2017|

A septuagenária da novela era a mais carismática...

Lisboa, 8 de Junho de 2020
Continuo hoje:
A septuagenária da novela era a mais carismática, falava e gesticulava sem medo de ser notada. Chamei-lhe a da novela porque um dia, logo ao início destas minhas observâncias, ela contou alguns pormenores de uma novela que estava a seguir.
Vá, vamos lá interromper a leitura. Segurei a chávena de café com a mão esquerda e fui bebendo. A dada altura, a altura, rá-á!, do café baixa e a chávena vai ficando tingida da espuma do café. Dá-me uma vontade louca, rá-á!, de acabar com a espuma rodando a chávena e usando o café que resta. Mas a mão esquerda é lerda e desajeitada, rá-á! Pouso a caneta e seguro a chávena ou como é que é? Ná... rá-á!
Vá, vamos lá interromper a leitura. A septuagenária da cicatriz está sozinha à mesa. Pensei fazer-lhe companhia. Não pensei nada. Quero dizer: pensar, pensar, pensei, mas a perguntar-me como seria se lhe oferecesse a minha companhia e a concluir que a esmola sendo muita... E vai que chega a septuagenária da novela. Cheia de bons modos, pede à menina: tira-me a minha biquinha, faxavor? escaldadinha!
Nota: o livro do momento é 'Romance de Cordélia', Rosa Lobato de Faria
|15 Dezembro 2016|
~
Antes de visitar o lugar (que também pode ser) da musa no dia de hoje, quero dizer que já sei onde mora a septuagenária da novela, é que ontem vi-a sair do prédio tal, às tantas horas, vinha eu já de regresso. Ó pá, qualquer dia vou visitá-la a casa! Ó pá vai ser tóin xiru!
|24 Novembro 2016|
A septuagenária da cicatriz, aconteci-lhe este nome porque uma das primeiras vezes em que eu atentava no grupo ela pôs-se a mostrar uma cicatriz (creio que de uma intervenção cirúrgica recente) às amigas.
Perdida também no escrever? Mau... ó mulher, então que é lá isso?! Pois que não sei.
Boa tarde, a senhora que se entretém com o tablet à septuagenária da cicatriz.
Boa tarde, a septuagenária da cicatriz à senhora que se entretém com o tablet.
'Como está?' e 'Bem, obrigada, e a senhora?' foram também expressões usadas por ambas.
|11 Janeiro 2017|
~
Ó Gina, diz lá quantas septuagenárias se encontravam hoje no lugar (que também pode ser) da musa.
Duas.
Continuo sem saber quais é que estavam neste dia ou naquele, mas calhando quererem muito conhecer toda esta envolvência, eu amanhã tomo conta do recado, é pedir, que eu. Hoje estavam então duas septuagenárias à mesa, uma: a mais carismática, a que vê novelas, duas: a que tem cara de atriz principal dos filmes portugueses dos anos sessenta. Esta última despiu-se para mostrar a cicatriz à amiga, só daí já se presume que não se encontrava à mesa nos dois últimos dias. Hum, estou para aqui a pensar, esta vou mas é chamá-la de septuagenária da cicatriz. É isso, vá, e vao duas:
a septuagenária da novela
a septuagenária da cicatriz
|9 Novembro 2016|

Loures, 12 de Junho de 2020
Já agora fica um texto antigo onde me adentro na quarta septuagenária. Ao que parece, já nessa altura, oh vejam lá, não sabia se ela existiria ou então não.
Hoje eram três, iei! E agora eu sei lá se a outra era a quarta. Mas será que elas eram mesmo quatro aquando do verão?! Será...?. Hum, não sei, mas, seja lá como for, venho dizer que a terceira, que a bem dizer é a quarta, mas não estando eu segura de o ser, vou cognominá-la de desconhecida, portanto: a septuagenária desconhecida... Ah não, esperam lá, septuagenária do desconhecido, assim é que é, para ficar com um do, já que todas as outras têm um da.
Portanto, e recapitulando, hoje estavam presentes três septuagenárias: a da camisola, a da novela, a do desconhecido. Faltava a da cicatriz, cá pra mim tinha ido mudar o penso.
Tanto apontei, tanto apontei que trouxe zero folhinhazinhas limpas do lugar (que também poder ser) da musa.
|15 Novembro 2016|


Este post é continuação daqui.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Septuagenárias, primeira vez

Ó Gina, então conta lá, quantas saudades tinhas da árvore amarela e do lugar (que também pode ser) da musa.
Conto pois, então ora essa, o que vale a mim é a companhia que me faço, é os egos, o alter e outros todos que conseguir arranjar, e até o narciso e tudo, óié, que no meu caso é narcisa, que sou fêmea.
As saudades desses dois pertences são bués, fazem número, mas como não as contei, pumba e coiso, olha: não sei.
No lugar (que também pode ser) da musa, as cadeiras deixaram passar um assunto, o de que as senhoras de que falei no outro dia não são sexagenárias, mas septuagenárias. Isso. É que no dia da construção desse post, reparei logo na idade das pequenas, considerando-as septuagenárias, só por dizer que entretanto apontei no papelinho que eram sexagenárias e, chegada a hora de as apontar no blogue, eis que copio sem me lembrar da primeira impressão. São septuagenárias, ai são, são.
A árvore amarela lá está, sem o banco debaixo dela, ainda. Lá está, num outro canto, mas agora, ao invés de estar apoiado no banco que está fixo no canto cruzado, fazendo as vezes dum rei de copas, como já aqui no outro dia contei, pois que não, está assim num frente-a-frente, a dar beijinhos de boca e quês. A árvore amarela não tem muitas folhas amarelas, ainda.
De nada, Gina, ora essa, então que é lá isso, estou aqui sempre para ti, disposta a tudo.
|17 agosto 2016|

quarta-feira, 8 de abril de 2020

13 de março de 2020

Aos 13 de março último, dava a pandemia os primeiros passos, entrei no primeiríssimo lugar da musa. Encontrei o café bom e o livreiro magrinho. A bolachinha de canela, como oferta. Prazer. O bom prazer. Há mau? Há, chama-se masoquismo e é parvo. Ou culpável. Ou sei lá. Dizer que não sei não desarma ninguém. Encontrei o desejo, queria eu dizer. Queria eu dizer o desejo desculpável.

Foi bom voltar. Encontrei, também , o lugar vazio devido ao plano de contingência que naquela data já se instalara no país. Quem sabe por isso não encontrei nenhuma das pessoas daquele tempo - a igual, a franzineide, o homem que não se parece com nada nem com ninguém, e outros. Havia a livreira mais simpática e a menos simpática. Foi ali que notei pela primeira vez as septuagenárias.

E os livros cá estão. Empilhados. Ordenados. Alinhados. Prontos. Virgens. Não me dou bem com leituras, já confessei no blogue, e nem sei se gosto mais do cheiro a livros novos se a velhos.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Baú

Gosto de ler. Bom, esqueci-me da porra do livro em casa. Sim, outra vez. Há pessoas que lêem velozmente, o que não é o meu caso, e assim ainda menos. Fiquei a escrever, lá no lugar da musa. Tinha saudades de me pôr a rabiscar, de me debruçar sobre uma folha de papel, do simples facto de brotarem ideias independentemente disso a que chamam fluidez, ou fonte de caudal farto, ou manancial imenso. Preenchi uma boa meia dúzia de folhas com rabiscos. Não sei se gosto de ler, ou se gosto da ideia de gostar de ler, ou se gosto da ideia de ler, ou se gosto mas é de escrever, ou se gosto de ler porque isso me instrui e afinal de contas gosto mas é de escrever. Tantos livros, lá no lugar da musa. Milhares, creio. Letras, expressões, criatividade, originalidade. Esta palavra persegue-me. Ori – Gina – Lidade. Ah ah.
|27 janeiro 2016|

domingo, 22 de março de 2020

Leituras

Posso aproveitar o tempo de permanência no lar - que por ora está caótico e mui necessitado de atenção, mas vá - para encontrar um espírito diferente e ver mas é se me jogo à minha biblioteca e escolho mas é um livro e me ponho mas é a lê-lo. Eu e leituras. Ai. Não consigo isso quase nunca e tenho a certeza que sou assim por conta do tanto que escrevo. É que interrompo, e amiúde, a leitura para escrever as minhas coisinhazinhas. É. E nem sempre… bom, na verdade quase nunca são ideias surgidas do que estou a ler. Quem lê e gosta é pôr-se a ler e pronto, né? Hum. Ok. Vá.
Pesquisei quando terminei o último livro e resultou em trinta de maio do ano passado, passaram quase dez meses. Antes disso, quero eu dizer o livro anterior, terminei-o em dezembro de dois mil e dezoito, um intervalo bem menor, cinco meses, metade. E antes? Agosto de dois mil e dezassete - nove meses. Que lentidão… Deixo texto antigo que bem me demonstra:

Nada de septuagenárias, hoje, no lugar (que também pode ser) da musa, nem nenhuma das outras pessoas que já caracterizei no blogue.
Não trouxe o livro.
Ah, que estranho... Sério?! E por modo de quê, ó Gina, terá sido a desconcentração do costume?
Nem tanto.
Há para aí um mês que não leio e também é por falta de vontade, qual desconcentração, qual quê, desconcentro-me, sim senhores, mas porque me aborreço facilmente das leituras. Não sou leitora, a verdade é essa. Não sou leitora, 'migos.
|30 maio 2017|

quinta-feira, 19 de março de 2020

Lisboa, 19 de março de 2020

Tudo indica que estou a viver o último dia de soltura, não tarda mandam fechar-me em casa por conta do vírus do momento, não sem antes fechar o estaminé. O meu estaminé fechado, oh.
Bom.
Então.
Fui ver (e despedir-me d) a árvore amarela. Ia esperançada de lhe ver as folhinhas muito verdinhas, só que não, afinal não se alterou nada desde a última vez, o que até lamento, uma vez que o mais certo é revê-la somente daqui por umas semanas.
Lisboa está ainda! mais deserta. É indescritível o silêncio que lhe ouço. Não, não sei descrever, mas talvez seja uma solidão falante, algo assim, o que ouço vir desse silêncio.
Tirei fotos à rua mais bonita de Lisboa. Está toda muito verdinha. Cumprimentei as meninas-estátua. Sentei-me no banco hater e tirei-lhe fotos. Tem em si sulcos que, eu querendo, vejo como crateras. Tirei fotos ao poeta, por ora não muito tapado pela folhagem recém-chegada.
O meu colega contou-me que o Ângelo lhe disse que o ar está mais limpo, costuma reparar nisso em agosto mas agora nota mais ainda. Agosto é quando também meio país pára, ah pois, mas nunca notei essa limpeza de ar, pensei eu.
Uma vantagem das filas que se vêem às portas dos supermercados, notei hoje, é parecerem maiores do que na realidade são, afinal as pessoas distanciam-se cerca de um metro para cumprir as regras que visam diminuir o risco de contágio. Comparei a fila a um elástico humano ou coisa assim e achei piada à ideia. Quem sabe estas coisas contribuam para que no futuro já não tenhamos que estar em filas com o 'elástico' todo por esticar. É que há por aí umas pessoas, oh porra, cheguem-se para o lá, não para o cá, tá?
Fui ver a estátua que (me) sorri mas que não (me) sorriu. Dantes, ali, cheirava a comboios, mas hoje não. Às tantas o Ângelo tem razão naquela ideia que deu, a do ar limpo. E olhem que vi vir de lá um, veloz, e o cheiro não me chegou, nem por indução da minha mente.
Junto ao lugar (que também pode ser) da musa - um deles, afinal são vários, mas este em particular é aquele que tem um trio de bancos de rua junto a si – ouvi alguém a tocar piano e lembrei-me de uma coisinhazinha ocorrida na última vez que dei entrada na casa dos que estão ao rés da idade adulta e que ainda não registei no blogue. Para começar, o 'petiz', o do cumprimento habitual, fê-lo da mesmíssima maneira, mas sorriu. Sério. Sorriu. Retribui, claro. Depois ouvi-o tocar viola, lá do quarto, o que valeu de muito. Mas é que mesmo mesmo mesmo. 
Passei de novo junto da árvore amarela. Tudo bem e tal, mas notei umas folhinhas despontando. Jamais saberei se lá estariam da vez primeira e eu é que nem reparei, ou se despontaram depois do calor da tarde. Tirei fotos mas não me satisfazem.
Sentei-me no banco hater. Outra vez, pois foi. Agora circulava mais gente, ainda assim menos do que em qualquer uma das quintas-feiras que já passaram. Tirei-me uma foto mas não me apetece publicá-la. Aliás: não me apetece publicar nenhuma das fotos que menciono neste post que tirei. Claro que este meu modo pode ir-se embora. Vamos todos ficar na dúvida, tá?
Fiz, presumo, as últimas compras no nepalês da frutaria, isto antes de a vida se me normalizar:
seiscentos e cinco gramas de couve-coração
seiscentos e quarenta gramas de curgetes
quinhentos e cinco gramas de cebolas novas
novecentos e noventa gramas de bananas
trezentos e vinte gramas de cogumelos

sábado, 18 de janeiro de 2020

Diário das expressões

Loures, 18 de janeiro de 2020
Com o lugar da musa vou fazer diferente. Não que o tema me aborreça e, vamos lá a ver, eu até gosto de escrever e mais não sei o quê, mas é que, ao pesquisar a primeira vez deste lugar da musa, encontrei descrições do quanto e do quê e de como é que se tornou para mim o dito lugar, e achando que está lá tudo, vou aproveitar-me de mim. Despudoradamente. Ai. No primeiro texto descrevo, não só o lugar da musa, como as circunstâncias e os arredores habituais dessa altura. O segundo texto contém uma descrição mais racional e também factual, foco os pontos importantes sem romancear. Quero dizer, lá que romanceio, romanceio, mas poucochinho.


É hora de fechar, anda. Vais almoçar e almoçar é preciso. Vais andar e andar é preciso. Comes dois rissóis de camarão e uma dezena de garfadas de arroz de feijão. O segundo rissol vai ser engolido custosamente e vai ficar de sobeja outra dezena de garfadas de arroz no prato. Há algo nesta hora que te tira o apetite, o descanso, a calma. Comes tão rapidamente que no pequeno restaurante és conhecida por 'aquela senhora que come muito depressa e sai logo a correr'. E sais, como se fugisses de qualquer coisa. Eles não sabem que foges de ti, e tu, tu sabes que essa separação é impossível de alcançar, mas persistes na ideia de segunda a sexta.
E vais avenida afora. Com pressa. Vai estar a chover. Porém, a tua pressa não se deve à chuva. Tu sabes disso, eles não. Ninguém te acredita, bem que te esforças: 'ah, eu não gosto é do frio, tanto se me dá que chova ou então não'. Ninguém te acredita, portanto ninguém te merece. Falas menos, falas cada vez menos, as tuas verdades são inglórias.
Introduzes-te numa sapataria, queres ver sapatos e botas porque precisas de sapatos ou de botas. Se não precisasses de sapatos ou de botas era provável que mesmo assim te introduzisses ali. Há modelos fixes, talvez regresses amanhã.
Avanças, detendo-te em todas as montras de sapatos e botas. Há modelos fixes, talvez entres amanhã.
Agora que estás a escrever estes bocadinhos de vida percebes que neste ponto já tens a cabeça repousada, estás inclusive descontraída. Mas andas depressa. É preciso parar no semáforo, esperar que mude para verde, do outro lado vais beber um café. Chamas o 'lugar da musa' ao lugar onde bebes o café e escreves amiúde no teu blogue que ali se encontra o melhor café de Lisboa. Veemência, sim, ao menos no blogue. As verdades não são inglórias quando registadas no blogue, há algo que certifica a veracidade de um facto, se exposto num texto.
Quando te servem o café pegas no pires e encaminhas-te para uma mesa vazia. Na mesa pousas o pires. Numa cadeira pousas o chapéu-de-chuva e a mala. Sentas-te. Abres o pacote do pauzinho de canela e mergulha-lo no sublime café. Abres o pacote da bolachinha e trinca-la com prazer. Vais sentir uma dor fininha nas bochechas, isso acontece porque salivas devido ao doce que a bolacha tem. O primeiro golo de café não ameniza essa pequena dor, os seguintes aniquilam-na. O peito aquece, o estômago idem, a cabeça eleva-se.
Vais pôr-te a ler. Vais estar desatenta à leitura, é aliás teu costume. Lá porque a cabeça se te elevou não quer dizer que estejas concentrada na leitura. Se ler sem tino fosse uma imagem de marca, se fosse notória a permanente desatenção e o desalinho em que vives, estarias marcada pelos demais. Assim... não estás, pronto, não se percebe.
Vai haver um senhor que te sussurra, quer a cadeira que está junto à tua mesa, faz-lhe falta, é um dos que pertence a uma roda imensa de amigos que vão ali beber a bica e conversar animadamente. Vais invejá-los. Vais julgá-los. Vais admirá-los. Vais temê-los. Vais esquecê-los. O sussurro comove-te, é óbvio que este senhor se sente incomodado por te interromper a leitura. Tão raro, o respeito pela leitura doutrem.
Agora vais à loja das roupas ver se aquelas camisolas ainda estão no mesmo lugar. E estão. Alegras-te imensamente, quase se te rebenta o coração. Experimentas todo um rol de camisolas. Cores e feitios vários mas todas lindas. Escolhes uma, a mais conveniente, não a mais linda, e compra-la. Vais sair dali. Andar. Caminhar. Enlouquecer. Por causa da chuva e do chapéu-de-chuva mal avistas a árvore amarela. Olha-la apenas de soslaio e vês num repente que não está assim tão diferente desde a semana passada. Avanças. Desces a rua, esqueces por completo a mola dependurada. Ah, essa questiúncula... Tão rentável em número de posts no blogue. Tampouco lembras as plantas que espreitam à janela de uma casa onde mora gente que nunca viste. Ah, essa questiúncula e blás.
Percorres a praça. Não vês horas nem graus no placar. Nesse momento tens a cabeça cheia com o teu escrever incessante. Que não te serve para porra nenhuma que preste.
Agora que escreves, passados estes dias, percebes que as memórias se esfumam com o tempo, já não lembras do resto do percurso. Poderias todavia basear-te nos pensamentos de todos os dias, não há realmente uma grande diferença entre eles. Mas não. É melhor não registar mais nada.
|22 outubro 2014|


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Comecei por entrar no lugar da musa há anos, creio que vai para aí numa dezena, não sei lá muito bem, e isso na verdade pouco importa. Eu entrava e vasculhava os livros, como hoje, desejando tê-los todos para poder ler a maior parte, mas sem comprar nenhum, como hoje. Mas não bebia café. Pois. E creio que no início das minhas visitas quase diárias não existia no espaço o sublime café. Se existia, peço perdão.
Depois apareceu dentro da livraria e na minha vida o balcão, a máquina de café, os/as moços/as que o serviam na pequena chávena o aromático e fumegante e precioso e escuro e espumoso líquido, o qual não demorou nada de tempo a que o considerasse muito bom e o adjetivasse de sublime. Entrava-se no espaço e cheirava a café à mistura com o cheiro da tinta da impressão e o do papel, o que me inebriava, como hoje. Sentava-me, bebericava o café... E sem dar por isso comecei a sacar do bloquinho – que sempre foi – rudimentar para apontar os meus tópicos, um tanto ou quanto desenfreadamente em alguns dias e calmamente em outros. Recordo que nesse tempo grande parte das pipocas que preenchem o meu blogue saltavam ali, porque havia livros, pessoas e o algo que pairava no ar me inspirava sobremodo. Houve inclusive uma época em que só me inspirava ali. Quando me apercebi disso, quiçá meses depois, cognominei todo aquele conjunto de situações como 'lugar da musa'. E lugar da musa ficou desde então. Existem dezenas (ou centenas, sei lá) de posts onde refiro este lugar e existem outros tantos daí advindos mas sem que faça referência escrita ao lugar.
Tempos depois, calhando anos, achei que não tinha nada de me cingir àquele lugar da musa para me inspirar, qual quê, a musa tem de descer seja lá onde for... Hoje é-me mais fácil encontrar inspiração em todo e qualquer lugar, por causa de toda e qualquer pessoa, ou de toda e qualquer árvore, folha, flor, pássaro, nuvem... Tudo. Não posso todavia passar a vida a escrever. Pois.
|27 novembro 2014|


Est post é continuação daqui.

Lugar da musa, primeira vez

Vou até ao lugar da musa. Deixo-me estar. Escrevo. Chego aqui e descubro que trago de lá uns apontamentos que não descodifico.
|6 janeiro 2012|

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Nada como nadares

Nada como sentar-me no banco hater, na sombrinha - na partezinha com sombra, quero eu dizer, que é uma das pontas - e ver no placar que estão 27° e são 13:56.
Nada como ir até ao Jardim Fernando Pessa ver das árvores de lá, que são plátanos. Presumo. E de outras, das quais tampouco presumo, são sei lá o quê. São aquelas que por esta altura do ano são bordeaux e lhes nasce florzinhas brancas com laivos rosa quando o Inverno ainda vai a meio.
Nada como ir até ao primeiríssimo lugar da musa ver como anda o café de sabores e quenturas. Hum. É que a livreira-mor atravessou agora mesmo o jardim e lembrei-me. (não fui, não mapeteceu)
Nada como ir visitar a árvore amarela. Que lá estava, pois como não? Diferente. Até fiz um ai, quando a avistei. Parece acanhada e descontente, mas é claro que isso é os meus olhos a verem e o meu coração a sentir. Aos menos, esses, concordam.