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domingo, 19 de julho de 2026

Memória

Gina, és feliz, filha?, perguntou-me a minha mãe. 






Menti, dizendo que sim. Porém, na memória tenho eu a não conseguir dizer que sim porque essa é a resposta certa. De notar é que 











eu não consigo dizer que sim.


quinta-feira, 16 de julho de 2026

3 Julho 2026

Diz me 5 factos sobre mim num tom breve e engraçado. 

Com gosto, Gina. 😄 
Aqui vão cinco factos sobre ti, em tom leve: 
🏍️ És do tipo de pessoa que atravessa meia Europa de mota... e pára para fotografar uma fechadura antiga como se fosse uma celebridade. 
📸 Vês beleza onde muita gente só vê uma porta. Ferragens, madeira, dobradiças... tudo pode contar uma história. 
✍️ Andas quase sempre com um caderno (ou o telemóvel) por perto, porque nunca se sabe quando uma frase decide aparecer. 
🌾 Tens um carinho muito especial pelo Baixo Alentejo. As planícies não são apenas uma paisagem para ti; são uma espécie de regresso a casa. 
🔧 Trabalhas num negócio de ferragens e manutenção, mas a tua curiosidade vai muito além da loja. Gostas de aprender, viajar, escrever e observar o mundo com atenção. 
Diria ainda um sexto, extra: és daquelas pessoas que fazem perguntas inesperadas — num dia é sobre um rio, no outro sobre uma estrada austríaca com 16% de inclinação, e no seguinte queres saber se existe uma palavra para quem pertence às planícies. Isso torna as nossas conversas tudo menos aborrecidas. 😊 

Outros 5, comum tom mais engraçado.

Ah, desafio aceite. 😄 
☕ Consegues transformar um pequeno-almoço numa história... desde que haja uma frase curiosa dita por alguém como a Marianne. 
📍Quando viajas, o GPS leva-te aos destinos. A tua curiosidade leva-te aos sítios realmente interessantes. 
🗝️ Tens um talento raro: enquanto os outros fotografam castelos, tu pensas "Que bela fechadura!" 
🛣️ Não foges de uma descida de 16%. Primeiro assusta-te, depois ficas com vontade de um dia voltar a fazê-la. 
😂 Tens uma relação curiosa com a escrita: pedes-me um texto, lês, olhas para ele e dizes "Isto não sou eu." E, estranhamente, isso acaba por ser um elogio, porque significa que sabes muito bem quem és. Bónus, porque não resisti:
🐑 Se um dia te perderes no Alentejo, não procures o caminho. Espera um bocadinho. É bem provável que acabes por encontrar uma porta antiga, fotografá-la, escrever uma nota sobre ela e só depois te lembres de voltar para casa. 😄

sábado, 6 de junho de 2026

2026
rio mais e choro o mesmo
estou fortíssima mas não sou fortíssima

Propus-me que em 2026 tomaria nota por escrito acerca de como estou e sou, isto comparativamente a 2016. Vai daí, então vá.
As batalhas não são outras, nada disso: quero morrer e quero viver, quero viajar e quero ficar, quero aprender e quero estagnar, quero falar e quero emudecer. Nesta estonteante temática c'est tout la même chose d' antanho, havendo porém duas diferenças: uma é que já não estou seeeeeempre triste, o que me faz sentir muuuuuuito vitoriosa; duas é que consigo sentir uma espécie de aceitação das dualidades ditas acima, e digo uma espécie porque desconfio sempre dessa aceitação, acho-a rebuscada, porque na verdade o que acho mesmo é que as dualidades são tão parvas que não as quero aceitar. É estonteante, a temática, é.
Ainda há em mim um medo muito grande de não ser capaz. Não ser capaz de tudo, quero eu dizer. Ou seja: de não ser capaz de nada. Faço um montão de coisas e nunca as considero bem feitas ou que valham a pena, faço-as sem esperança de se notar que é por mor de mim que as há, que são, que estão. Mas rebusco a aceitação de mim. Finjo. E vou. Não sou nem estou. Não. Vou. Aqui, vou.
Mudei de estaminé mas não mudei de cidade, tampouco de rua. Mudei de Ginásio mas nem por isso de cidade, contudo mudei de rua e até de bairro. Mudei-me para melhor em ambas as mudanças e, embora não soubesse que assim seria, estou consciente que trabalhei para que assim fosse. Esta é a primeira vez que digo algo positivo neste texto, recalco bastante este tipo de coisa, parece-me que não é suposto, que é feio e arrogante estar a dizer 'olha eu aqui tão bem'. Continuo igual, portanto.
Já não tenho mãe nem pai. Sinto-lhes a falta. Falta-me as vozes, as falas - não, vozes e falas não são a mesma coisa - e os gestos. Tenho muitas saudades do interesse desmesurado deles. Morreram as pessoas que assistiram a todos os meus aprendizados, é o que é. Nunca ninguém me conheceu, ou conhecerá, como eles conheceram, portanto há partes de mim que a bem dizer deixaram de existir porque foram com eles.
Deixei de ser grafómana. Isto no efectivo, porque a grafomania não a perdi, tenho é menos disponibilidade, então, o que se passa é que falo em vez de escrever. É bom. E é mais rápido e tudo. E sei - sei, sei - que um dia destes volto a usar o blogue para apontar as minhas coisinhazinhas. Escrevi no presente: 'volto a usar o blogue', não escrevi 'voltarei a usar o blogue'. Notei isto e apurei que escolhi dizer 'volto' porque me parece mais próximo.
Estou mais velha, mais baixa, mais magra. Mais velha e mais baixa é estupidamente normal. Mais magra é outra história. Adoro. Estou feliz com esta questão de quilos. Sinto-me alegre, satisfeita. Só não me sinto assim à toda a hora porque tenho horror à ideia de voltar a engordar, por isso luto desesperadamente contra o facto. Ou seja: se tenho horror à ideia, então luto contra o facto.
Sou mais impaciente e mais bem disposta. Impaciência e boa disposição não combinam mas é o que acontece no cerne desta que escreve. A impaciência, presumivelmente, há-de ser por conta dos mais dez anos que tenho, a boa disposição também, e também presumivelmente. Que estonteantes coisinhazinhas estou eu aqui a registar, poi zé.
Sou tão solitária como dantes e portanto estou seeeeeempre sozinha, daí a busca incessante pela companhia de mim mesma. Largue eu a busca e vai que morro.
Sou tão triste como dantes mas não estou seeeeeempre triste, sendo que os momentos por entre uma tristeza que foi embora, e outra que num repente se me pôs, são verdadeiras maravilhas do meu viver.
Conservo o mesmo grau de prazer em registar tudo.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

5 Fevereiro 2026

Olá Miguel. 
Diz-me: Albernoa tem sofridos com as intensas chuvadas destes dias? 

Olá 😊 — sim, há notícias de que toda a região do Alentejo, incluindo zonas como o Baixo Alentejo onde está Albernoa (freguesia do concelho de Beja), está a ser afetada pelo mau tempo com chuva intensa nos últimos dias, devido à passagem da depressão Storm Leonardo pelo sul de Portugal.
🌧️ Situação geral do tempo e consequências recentes 
A depressão Leonardo trouxe chuva persistente e por vezes forte, com previsão de volumes de chuva equivalentes a vários dias de precipitação em pouco tempo, sobretudo no Baixo Alentejo e Algarve, estendendo-se depois pelo território continental. Esses aguaceiros vieram num período em que o solo e os cursos de água já estavam saturados devido a outras depressões anteriores (como a tempestade Kristin), aumentando o risco de cheias rápidas e inundações mesmo em zonas rurais. Autoridades têm mantido alertas meteorológicos e emitido recomendações para evitar atravessar zonas inundadas e tomar cuidado com drenagem e enchentes.
📍 Sobre Albernoa especificamente 
Não há relatos jornalísticos específicos sobre enchentes severas ou danos muito grandes registados na própria Albernoa nos principais canais de notícias até agora (ou pelo menos não publicados em destaque na imprensa nacional). O que se sabe, por causa das previsões e do padrão meteorológico geral, é que: O Alentejo e especialmente o Baixo Alentejo estiveram sob regimes de chuva forte e persistente nos últimos dias. Em localidades próximas, rios e reservatórios estão com níveis elevados e há preocupações com transbordamentos e dificuldade de escoamento. A população e serviços de proteção civil têm estado em alerta para possíveis ocorrências, embora isso não signifique necessariamente que Albernoa tenha sofrido impactos graves (pelo menos não com ampla cobertura nos meios). 
👉 Resumindo: sim, a região em que Albernoa se encontra tem sido afetada por chuvas intensas e há risco de cheias, mas não há notícias destacadas de grandes estragos ou inundações específicas nessa aldeia nos principais órgãos de comunicação, pelo menos até o momento das notícias mais recentes.
Se quiseres, posso tentar procurar informação mais local ou relatórios de Proteção Civil/município de Beja para detalhes específicos sobre Albernoa — só diz! 

Sim, e agradeço desde já. 

Claro Gina — aqui vai o quadro mais recente e detalhado sobre a situação do mau tempo e se Albernoa (Baixo Alentejo, concelho de Beja) tem sofrido com as intensas chuvadas destes dias: 
🌧️ Situação geral das chuvas no Alentejo 
➡️ A região do Alentejo, incluindo o Baixo Alentejo, tem sido fortemente afetada pela passagem da depressão meteorológica “Leonardo”, com chuva persistente e por vezes intensa e ventos fortes, em conjunto com avisos meteorológicos emitidos pelo IPMA. 
➡️ A Proteção Civil elevou o estado de prontidão ao nível máximo (nível 4) devido à situação meteorológica muito complexa, e alertou para um risco reforçado de cheias e inundações nas próximas horas/dias. 
🌊 Ocorrências devido à chuva 
👉 Ao longo dos últimos dias, a Proteção Civil registou dezenas de ocorrências causadas pelo mau tempo, principalmente inundações, quedas de árvores e movimentos de massa de água, em vários pontos do país.
➡️ No sul e interior, há relatos fortes de chuva e níveis de água elevados — com registos de inundações significativas em zonas baixas e junto a rios, especialmente em locais atravessados por cursos de água maiores, como o Sado. 
➡️ Um caso ocorrido no distrito do Baixo Alentejo foi relatado: um homem foi arrastado pela corrente enquanto tentava atravessar uma zona inundada perto de uma barragem no concelho de Serpa — isto mostra que, mesmo fora de núcleos urbanos maiores, os volumes de água estão a criar perigos reais nas estradas/água corrente. 
📍 E quanto a Albernoa especificamente? 
🔎 Nos meios de comunicação nacionais e internacionais até agora não há notícias amplamente divulgadas com relatos detalhados de danos ou cheias específicos para Albernoa. 
➡️ Porém, dado que: Albernoa fica no Baixo Alentejo, uma das áreas incluídas em avisos de tempo severo e riscos de cheias. O solo e cursos de água da região estão com níveis elevados de precipitação, é muito provável que tenha havido aguaceiros intensos também por aí, e que condições perigosas (enchentes rápidas em vales e vias, água em escoamento de terreno) possam ter ocorrido mesmo sem grandes notícias oficiais detalhadas até agora. 
👉 Em resumo: não há registos noticiados (até ao momento) de cheias ou estragos específicos divulgados na aldeia de Albernoa, mas a região está claramente a sentir impactos fortes do mau tempo, com risco de inundação, níveis de água elevados e chuvas persistentes. 
Se puderes dizer-me se tens algum vídeo, foto ou relato local (por exemplo, de vizinhos ou proteção civil municipal), posso ajudar a interpretar ou verificar melhor o que está a acontecer onde tu estás.

domingo, 20 de julho de 2025

acerca de uma fotografia dos meus pais

se eles estiverem no caderno estão escondidos, melhor pô-los ao pé das outras fotos todas, quem sabe assim se dilua o seu ser, aparentando serem igual a tantos, a todos, mas ao menos não estão escondidos

sexta-feira, 25 de abril de 2025

novos lugares de enfeite, apoiados

Agora, no lugar do porta-revistas, no qual enfiava o chapéu-de-chuva, pus uma cadeirinha que o meu pai fez. É certo que não dá para enfiar o chapéu-de-chuva, mas deu para o encostar. A alindar, ou seja, a colorir, apoiei um chapéu (de cabeça, ah ah) que se apoiava no boião das lâmpadas que aguardam a vez de serem usadas. Um dia colarei pecinhas berrantes no tampo da cadeirinha, concretamente por cima dos pregos que se me mostram algo enferrujados.

Clique:
20 Abril 2025, casa

sábado, 1 de fevereiro de 2025

As cores da minha Escola Primária

Por sempre ter tido o conjunto de canetas e lápis para pintar desenhos com o menor número de cores e portanto ter de me cingir aos tons mais escuros é que eu gosto tanto de cores. Também gosto muito de cores porque tenho uma mente sombria e essa é uma maneira muito fácil de contrariar e, ou, esquecer que a tenho. O clique no seu original teve lugar aos 28 de Janeiro do ano corrente e em casa.

sábado, 23 de novembro de 2024

Fim de semana 16 e 17 de Novembro

No sábado (16) fiz Bolo de Iogurte da Minha Mãe. Quero dizer: usei a ideia mas confecionei o bolo com mais processos do que a antiquíssima directriz: 2 copinhos do iogurte com açúcar, 3 com farinha e blás. No congelador tinha 18 figos, resultado da chinchada deste ano, e calha de figo e noz ser uma boa junção, então lembrei-me de juntá-los. Fui buscar a forma de 24 centímetros, untei-a, empoeirei-a, pu-la em modo espera e joguei-me. Como não tinha iogurte usei bebida vegetal de aveia, que cortei com sumo de limão. Na questão da farinha, o que fiz foi substituir 1 dos cups por nozes picadas finamente. Como obtive uma massa líquida, achei que juntar 2 colheres de sopa de leite em pó era boa ideia. Não adensou lá muito, mas adensou, fazendo descer a boa ideia para boa meia ideia. Mas, logo ao início desta trama, eu havia decidido que cobriria o bolo com crumble. Pois foi o que fiz. Depois de ponderar se punha os 18 figos antes ou depois da massa e, precisamente por a massa estar líquida, decidi cobri-la com um pouco do crumble para secá-la, de seguida dispus os 18 figos e então é que cobri tudo com o restante crumble. E pronto, foi esta a aventura deste fim de semana. Ah, o bolo era deveras agradável.

quarta-feira, 1 de maio de 2024

a minha mãe; o meu pai

O Alentejo para sempre me remeterá às memórias dos meus pais. São as minhas vivências, as minhas experiências, as minhas questões. As fotos abaixo assemelham-se a duas que tirei em tempos, depois do funeral de cada um deles. No da minha mãe, que morreu primeiro, quando sai do cemitério, em Albernoa, terra natal dos dois, avistei um olival e logo pensei - «a minha mãe». A minha mãe é um olival porque um olival, para mim, é, na sua essência, alentejano. Então tirei um foto, publiquei no blogue (aqui) e intitulei de «a minha mãe». Quando o meu pai morreu calhou de já não estar a viver em Albernoa, por isso foi enterrado num outro lugar. A cerimónia terminada, quis homenagear o meu pai da mesmíssima maneira, então apontei a lente a uma árvore logo à saída do cemitério (aqui) e logo que pude fiz tal e qual, publiquei no blogue e intitulei de «o meu pai».  Não é o Alentejo, não é Albernoa, porém, certo é que o meu pai ficou próximo daquela árvore. Não sou de visitar os cemitérios, tampouco de pôr flores, na verdade nunca regressei a nenhum dos cemitérios, nem ainda avistei Albernoa, é que nem de longe, os meus pais estão na minha memória, é aí que jamais os deixarei morrer. Corpos são corpos e memórias são memórias, mas estas prevalecem sobre aqueles.
O que as duas fotos abaixo têm em comum com as outras (links acima) é o olival ao longe e uma árvore (bom, na verdade são duas...) vista(s) de baixo - é a minha mãe e é o meu pai. Outra vez. No Alentejo. Desta feita junto à Fortaleza de Juromenha, aos 26 de abril deste ano, após ter tirado as fotos que constam neste post.