sexta-feira, 22 de abril de 2016

Almoço

Arroz de peixe. Calharam espinhas no prato, sim senhores, mas calharam também o arroz e o peixe. E até talos de coentros. E amêijoas.

Abril

Abril, proximidade de praia, corpo ao léu e coiso. Abril, pneus ao redor da cintura, celulite nas coxas e nalgas, dura realidade, impossibilidade de parecer a Julia Roberts ou assim, é que nem ao longe, e fui buscar alguém da minha faixa etária cá por coisas. Mas é assim, ó pá, a gente passa a vida a querer parecer diferente, mas o parecer diferente passa pelo ser diferente e a gente nunca há-de ser diferente daquilo que é. E depois há os anúncios que tornam obrigatório um corpo esguio. Eu nunca tive um corpo esguio. Mais: eu nunca vou ter um corpo esguio, mas a publicidade é o que proclama, como modelo de virtudes e tal. Ora essa, até parece que as mulheres esguias são mais virtuosas.
Ah, é verdade, querem perder um quilo na balança e dois centímetros na cintura e um outro nas nalgas? Bebam, em cada manhã, portanto em jejum, um copo de água quente onde misturaram o sumo de meio limão. Fantástico. Mesmo. Vão é ter de esperar para aí um mês até notar qualquer coisa e, convenhamos, nem toda a gente suporta uma acidez tão áspera logo de manhã.

Bateria, quem dera

Quem dera ser um telemóvel. É que um desses tem um sítiozinho algures que a gente clica e ele acrescenta uns quantos minutos à duração da bateria. Ok, vá, ele acrescenta energia porque se liberta de coisas que não interessam ao momento e que portanto lhe estão a sugar a força. Quem dera. Pois.

Folhas

As mais jovens encontrei-as num dia primaveril, de chuva e vento. Deu pena, um raminho tão fresco já no chão. Entretanto encarquilharam, por falta de seiva.
A mais velha é uma que arranquei quando ainda era outono e foi ficando no estaminé por conta da poesia que encerra em si.
Uma do ano passado e as outras deste, o certo é que todas provêm da rua mais bonita de Lisboa e as junto agora no lbogue... ai perdão, blogue.
Vai custar-me horrores deitar as folhas no lixo, apego-me mais a coisas do que a pessoas. Mórbida, pá, mais da morte que da vida.


Crime sem castigo

Se escrever nas paredes é crime punível, então sou criminosa a punir. A frase presente na foto abaixo fui eu que escrevi há coisa dum ano e meio. Eh pá, pronto, vi a racha na parede e lembrei-me: olha, vou mas é desenhar ali assim uma seta e depois faço um trocadilho. E fiz. Entretanto aquilo tem estado para ali, decerto sendo lido, quiçá bem interpretado, a poesia de rua também pode ser maravilhosa, qual banal, qual quê, e eis que há dias dei com uns rabiscos demasiado próximos da minha poesia. Mau maria... É uma clave de sol e mais afastado (não aparece na foto) está escrito 'amo-te' seguido dum nome que não decifro. Foi por isso que na foto fiz por aparecer somente o que aparece. Ah ah. Redundância. Gina, a mulher que tem um blogue redundante.


48

A que já lá chegou chegou-se* aqui e pediu trocos. E quando se pede, arranja-se gentileza, de maneiras que ela acompanhou o pedido com um gesto, o de pôr a mão em cima da minha. Fiz-lhe então o favor, como recusar, não é. É.

*sei que é uma expressão parva mas não me apeteceu mudar pra outra menos

Ó Gina

Ó Gina, então hoje não brincas às cores, mulher?
Brinco. Há maçã em vermelho, em verde e em amarelo.


Obituário

O Prince morreu e venho fazer um post como se tivesse morrido o senhor engenheiro do prédio ao fundo da rua ou então o homem do Bangladesh. Pois. A minha relação com a aura artística, que não duvido ser imensa, do Prince é a seguinte:
Purple rain é assim como que o tema mais emblemático do artista, ademais gosto da profundidade que tem, assim em termos de eco e isso, nota-se-lhe dramatismo, gosto também, muito, da interpretação que ele presta ao poema
The Most Beautiful Girl In The World é de fazer inveja, se o Prince tivesse escrito a canção para mim, pois que estava muito bem, quando não... pumba e coiso
Acrescento que é uma pena o Prince ter morrido, o panorama musical ficou indubitavelmente menos rico.

Papoilas

Ainda vem à baila, o assunto 'papoilas', é que hoje de manhã não estavam lá e provavelmente nem ontem à noite. Eu explico, que adoro explicar coisinhas. Ontem deve ter vindo o jardineiro da Junta e deu conta de tudo. Não que eu tenha visto o lugar vazio, nem me lembrei de olhar, ontem à noite ou hoje de manhã, mas contaram-me que papoilas?, agora já não, calhando só para o ano.

Primeiro

Bom dia. São dez e dezanove.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Pipoco é Pipôco e jamais será Pipouco

Som: â-ââu...!

Estando ao presente incluída na lista de leitura dum bloguer montes de conhecido (Pipoco Mais Salgado, o homem que sonha com um Lamborghinis em roxo), e tudo porque um outro bloguer tão montes de conhecido como o anterior (Xilre, o homem que sabe mais de literatura do que eu de torneiras) me recomendou, o certo é que tenho leitores que não tinha e um número de presenças que nunca supus que o blogue pudesse aguentar. Pronto, ok, vá, isso da responsabilidade que se sente por aqueles que se cativa é verdade, verdadinha, verdadeira. A raposa do Antoine Saint-Exupéry percebe do assunto pra caraças.
As palavras catarse, diarista e intimista ficam aqui tão bem. Estou cheia de medo e não podia confessá-lo. Se há pensamento que não me sai da cabeça há semanas é a de que o meu blogue e melhor do que eu. É que o escrever corrige-se, 'migos. É, é. Não que a grafómana que habita no blogue se ache perfeita (tampouco perfecionista, que é lá isso) mas gosta de se espojar na caminha que preparou.

Banco hater

Banco hater, saudades tuas, 'migo. Pouco me importa - hoje falando, ok, hoje falando – que a musa desça aí. Mas é que não. Não, não. Olha eu cheia de frio no corpo e parvoíce na cabeça. Tanto medo, sinto medo e não podia confessá-lo. Olha eu a dizer-me Gina sai daí, Gina sai sai sai sai sai. Saí. De-va-gar.

No lugar (que também pode ser) da musa

Claro que pode ser um lugar da musa, há lá cadeiras transparentes, imagine-se os assuntos a atravessá-las e eu a recebê-los. Aquela ali é a mulher do blogue. Sendo, o que lá conta é mentira. Hum, não, esta vem com duas gémeas de cinco anos, a do blogue tem dois filhos muito crescidos, quase uns homens.
O café é uma bomba, ainda se me rebenta a mioleira e depois vou ter que ficar a limpar.

Dias dum Ginásio

Ontem estava lá um senhor tão quarentão como eu sofrendo horrores na passadeira. Muito resfolegava o homem. Resfolegar é de cavalo, não é. Não sei. Nem vou ver. Eram sons sofridos, duma gente que espirra sem ar ou assim. É bem, 'migo, faça pelo corpinho, vá, que chegando aos entas já resta pouco fôlego. Sei como é. Eu cá também me movo e não é pouco. O fôlego é também já poucochinho. Bom, talvez me mova menos velozmente do que ele, mas ainda assim, movo-me.

TV

Vi o Cristiano Ronaldo na tv e cuidei que desmaiava de espanto. É que me pareceu ver-lhe pestanas falsas. Sério. Hum, ok, vá, a virilidade encontra-se sobretudo do pescoço para baixo, mas pestanas compridas num gajo...?! Oh céus. Note bem: pareceu-me.

Almoços

Do almoço d' ontem
Todas as quartas o menu contém arroz de pato. Não raras vezes é o meu almoço. Meu e do meu colega. Pede-se uma dose que traz consigo quatro azeitonas, quatro rodelas de cenoura, dois pedaços de bacon, um pedaço de chouriço e uma rodela de laranja (e obviamente arroz e pato desfiado, ah ah). É facílimo dividir o que vem aos pares (sério?! ena!), já o que vem em número ímpar a gente faz assim: ele come a rodela de chouriço, eu a de laranja. E acabou a conversa.
Do almoço d' hoje
Duas bolas de carne a que chamam almôndegas, muito embora haja quem lhes chame almândigas. Um senhor na mesa atrás de mim recebeu uma chamada, de onde extraí: 'recebeste muitas prendas?' Portanto, não sendo hoje vinte e seis de dezembro, aquilo era conversa de aniversário. Tenho dito.

durante...

já tá?
tá a tar!

Profanação

Olha eu a brincar com a comida e com as cores e com a minha máquina fotográfica montes de espectacular. Ah ah. Outra vez. Ah ah.


Gina, vem ao quadro, se faz favor

Este post é para acontecer antes que me acabe a conta redonda. É que supostamente, pelo menos é o que está na minha memória, a foto abaixo foi-me tirada na primavera de 1976, há exatamente 40 anos atrás. Todos os meninos foram ao quadro para tirar a fotografia, logicamente eu não fui exceção e chegada a minha vez fiquei indecisa sobre o que havia de pôr no quadro, e vai que sou ajudada pela senhora professora que muito decidida me diz:
Faz uma conta de multiplicar. Cento e trinta e cinco vezes dezasseis.
Obedeci, cheia daquela cegueira que só encontram os fiéis - e indecisos -, fazendo a conta num ápice. Eu era indecisa, ok, vá, tudo bem, mas sabia fazer contas sem ajuda.



Dia de (disseram na Radio)

Hoje é dia do Jardim de Infância, oh céus, área e trâmites que conheço mais ou menos, oh céus, ah, já tinha dito oh céus. Bom, é assim: eu não andei num Jardim de Infância, a rica filha não andou num Jardim de Infância, o rico filho... andou num Jardim de Infância. Aquando dos seus quatro/cinco anos houve por aí um bum do caraças na matéria, as escolas públicas tinham a opção (nem sei como chamar, por isso escolhi opção) de colocar as criancinhas de quatro e cinco anos, pondo-as a aprender coisas de acordo com a sua idade, era (e é) assim como uma espécie de preparação para a escola a sério, vá. E pronto, o rico filho andou somente um ano, entrou aos cinco, e foi muito feliz lá, tenho a certeza.