sábado, 7 de novembro de 2020

dois pontos

pragmatismo estanque:
há poucas pessoas na rua porque estão muitas em casa

dois pontos

aos amigos:
oferece-se bolos? (estão enfartados)
oferece-se livros? (não apurei o gosto literário)
conversa-se? (não quero conversar)

dois pontos

menstruação:
elemento regedor
toque de marcha

As pessoas da minha infância estão tão envelhecidas como eu, acrescendo que, a pessoa da papelaria, continua séria e, pior, é que agora já não desenruga.

quando a palmeira não tapa o cipreste

não é preciso, ora essa, mas agradeço na mesma


  • retirar as roupas da cómoda e depositá-las no móvel embutido no roupeiro
  • lavar a janela, o estore e o chão – assaz e esmeradamente
  • esvaziar e limpar o outro móvel, levá-lo... aliás: arrastá-lo até à varanda e recolocar o conteúdo
  • terminar de enfeitar a Árvore de Natal
 

por conta de listar e apresentar estas tarefas estou mesmo a ver que depois de lido este post vou ter visitas por mor de serem mas é ajudantes desta que vos escreve, mas que, porém, antes de mais, foram leitores/as

considerei uma boa ideia que uma caneta de cor normal fizesse companhia às que já comigo caminham, não propriamente ao lado, mas dentro da mala – é que às tantas ia eu querer escrever, precisamente, numa cor normal, e não teria como


a foto nada tem que ver com o extenso título deste post, trata-se, apenas, de um caderninho que encontrei e no qual tinha apontado o que apontei, fazendo o registo de uma experimentação

Chocolate


A vida vai-nos correndo bem, a mim e aos bichos-gato, havendo – todavia - notas a registar. Relembro - somente, antecipadamente – que casa da senhora foi remodelada.
Nas primeiras vezes amandei gandas coquinadas numa esquina de armário de cozinha, isto porque a torneira está no mesmo lugar mas os armários são mais profundos. Portanto, enquanto não me habituei a estas novas medidas, foi pumba e pumba e pumba. Três vezes. A primeira foi um aviso do mundo, a do meio foi a mais dolorosa, a terceira foi a mais estúpida, porque à terceira eu já era para saber desviar a porra da cabeça da esquina do armário.
Bom.
Então.
Kat, Miss Slim, com a dita remodelação ficou desterrada. Pobrezita. Kat é uma gata tímida e desconfiada, dantes o cimo do armário era o seu spot predilecto, dali observava e dava o seu parecer acerca do meu trabalho, e eu, à laia de pessoa extremamente comunicativa, ia conversando com ela. Mas agora o cimo do armário encosta-se ao tecto, o que faz com que não exista cimo nenhum. Então, o spot que Kat escolheu foi uma entrada do móvel onde estão os fios e a box e, como é bem funda, afunda-se tanto que não lhe chego. Mas, a propósito de chegar, quando o aspirador chega à sala, a bicha sai rasteirinha e mete-se dentro da máquina de lavar, de lá já não saindo.
Kit, Mr. Kit, pois que para ali anda, comendo pano sempre que lhe aparece à frente. Sim, ele não só rói todo e qualquer trapo que encontre, como o ingere, aqui há tempo esteve deveras doente à conta disso. O que fazemos é não lhos deixar à mão. Ou à pata. Melhor: à boca.
Nota de fim de post:
A foto acima acompanha este post porque, como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, chocolate tem que ver com nomes como Kit e Kat. Contudo, o chocolate retratado é uma simples barra de um vulgar chocolate para uso culinário. Simples e vulgar, sim, mas bom que se farta. Procurem por um chocolate para culinária mas que é de leite. É novidade no mercado. Experimentem.

Laranjas

Ontem à noite fomos apanhar laranjas daquela árvore do jardim que acompanha, por assim dizer, a entrada para a antiga escola. São ácidas, já eu disse em outros posts. Gosto de laranjas ácidas, já eu disse em outros posts. Na colheita, o único critério que usei foi a distância entre as laranjas e o meu braço, acabando por colher algumas que, percebia depois, estavam um tanto ou quanto verdes. Mas era só na cor, são boas na mesma, gosto de laranjas ácidas. Sei-o porque esta manhã o pequeno-almoço foi agraciado com o sumo, das laranjas colhidas ontem à noite, que são ácidas.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Lisboa, 06Nov2020

A árvore amarela tem trinta folhinhas, salvo o erro, e salvo-o porque é inócuo e estéril.

Por que razão rio?

Porque o sorriso vai buscar mais sorrisos, que, preenchedores e não mudos, explodem como sons felizes. Em suma: uma gargalhada não cabe nos lábios. Ou não se lhes atém, vá.

Cinco

Sim, às cinco da tarde - ou noite ou lá que é isto - há muita gente ao redor da estátua que sorri, dos comboios e da avenida. Tão atenta estava a este 'redor' que me esqueci de fabricar o sorriso da estátua.

Gina, a estafeta

Entrei no escritório do senhor doutor para dar despacho à tarefa de que me incumbira o meu colega e revi a parede com as colunas desenhadas na parede do corredor. São umas colunas que estão ali para dar graça e iludir o aprofundar do espaço que, pequeno, parece que engrandece. O blogue está pejado de referências a este escritório e, até, à secretária, que, alto lá, mesmo havendo as metálicas, é de osso. O blogue contém também, e muito, referências a uma certa janelinha que está quase smepre... ai perdão, sempre aberta e que espreito por lá e que vejo o jardim. Pois bem, ó:

 

 

nota: com a ajuda do meu telefone, 'pintei' este retrato a lápis de cor

Post protector

Para tratar de uma certa papelada, o meu colega foi a uma reunião que havia sido agendada por mor da actual questão pandémica. No email vinha expresso que tivesse em conta o uso da proteção adequada e pâ pâ pâ. E vai que o meu colega, esse poço de previdências, achou que devia levar também um preservativo.

Lisboa, Lisboa

ir' ai éme, disse ise mi!
Está alguém de roda da caixa do correio em muitas das vezes em que entro neste prédio.
ir' ai éme, disse ise mi!
Há muitas, muitas semanas que o recorte da Popota se mantém naquele terraço. Ainda nem sequer se ouvia falar do, sei lá!, estranho Natal 2020. Não, atípico, para que, em espécie, condiga com o ano.

voltar a
encontrar em

bicho-cão voltou a lar de sempre
e encontra quarto de rica filha estupidamente vazio
e encontra roupeiro de rica filha ocupado com roupas de mãe e toalhas
e encontra, ou por outra, não encontra sua cama nem seus cobertorinhos, tampouco própria de rica filha
e encontra sala sem sofá azul e com sofá castanho, sendo este mais alto, mais confortável, porém! mais escorregadio, mais frio, e menos bonito que aquele
e encontra taças de comida e água meio metro a lado direito, contudo taças são de sempre, ração sai de mesmo saco e água de mesma torneira
lembrete: mesmo assim bicho-cão é feliz porque aprenderá alterações e tomá-las-á como suas, tão certo como pessoa que escreve este blogue estar a escrever em este momento



Rafeiros

O lugar da musa continua a ter uns queques que considero muita rafeiros, ainda que, oh-oh, desde que o bicho-cão coabita com esta que vos escreve, a palavra rafeiro perdeu o sentido pejorativo, porquanto a gente sabe lá da raça dela!