domingo, 5 de dezembro de 2021

Tenho um calendário

Tenho um calendário do próximo ano com números e letras chinesas. Já lhe rasguei o cabeçalho e já olhei para os caracteres absurdos sem deslindar porra nenhuma, óbvio. Tem também dizeres em português, portanto dá para safar. Pronto, e depois tem as fases da lua, que dias calha, o que se comemora/lembra especialmente em cada feriado, dá ainda anúncio de singularidades como, por exemplo, a Black Friday, o Dia dos Namorados. Mas, mais importante, mesmo importante, é que vem escrito em finas e pequenas letras que «2022 possui 365 dias e não é um ano bissexto».
Tenho um calendário que me deu o rico filho e que é o mesmo de que falo acima. Andava aos rebolões no carro, alguém lho dera e para ali ficara. E eu, olha, pedi-lho e ele concedeu-mo.
Em tempos idos eu doaria este calendário ao meu pai. Ele gostava muito de calendários, de poder consultar um. O meu pai gostava de datas e também de datar. Lá no quintal dele está escrito a caneta de feltro a data em que o candeeiro da rua lhe foi mudada a lâmpada. Há também outros registos caricatos, mas agora não tenho presente mais nenhum. Um calendário talvez tenha a importância que o tempo tem. Um calendário é um medidor, um registo antecipado, quase como se pudesse prever que no dia tal, por ser, sei lá, sexta-feira, vou determinar que compras farei para dar de comer aos de casa. Coisas assim. É uma segurança que se tem, vá. Tem-se sempre os olhos postos no futuro, é onde mora a esperança.

Aurélios

O meu tio Blé apontou para o meu primo e disse que ele só podia ser familiar porque tinha olhos de Aurélio. Que giro. Sem o saber, o meu tio acabou por enriquecer (mais ainda) os Aurélios.

Entalão

Viajei no banco de trás, entalada entre os ricos filhos. Oh sensação boa.

papos

copiei do Instagram, os restantes créditos vêm com as imagens

a sombra e a luz dão-se razão
felizmente nem sempre é preciso escolher por entre

Lisboa, Lisboa

Há 'rotas' e mais 'rotas' nas paredes de Lisboa. Há-as por toda a cidade, parece que viajam. Contudo, interpreto rotas de rompidas e não rotas de percursos.

Lisboa, Lisboa
Raul vezes três

No bloco de pedras está Raul por três vezes. Era o que faltava dizer. Eu já sabia mas entretanto havia esquecido de colocar a ideia no blogue. São portanto três Raules defronte de um só, aquele debaixo da ponte. Sei que já vi o Raul em mais pontos, quando os notar venho dizer.

Vírgulas

É bom ouvir dizer que tenho bom aspecto mas pondero sempre se o comentador estará a comparar-me ao volume de outros tempos, se me terá visto quando, então, gorda, e, agora que me revê, nem se apercebe que é essa a diferença. Este pensamento é susceptível de discussão, óbvio, pois, por que caso, ou figura, lá está, nunca esta minha frase me surgira com tão ideal, figurativo? ah ah, encaixe, uma pessoa magra tem o aspecto em bom e uma ogrda... ai perdão, gorda não? Pode ser outro género de bom aspecto, pois pode? Ficam-me as perguntas para responder no dia em que perceba a vida.

Comprinha

Três lindos copos, a comprinha de que dou notícia logo no título. Lindos, afianço. Avermelhados, podem crer que o são, querendo. Mas não queiram, contudo, não queiram 'migos. Não. Antes deste post, no caderno, fiz este registo:

«São avermelhados – um todo vermelhão, outro meio que a puxar para o rosa e o outro em dégradé, vai do rosa ao transparente. Bom, afinal nenhum é avermelhado, o meio avermelhado de todos é vermelhão.»

Listinha alheia

Da listinha de supermercado - repito: alheia - vem escrito o que fazia falta e, no fim, todos os itens têm uma cruz. É deveras curioso que a pessoa tenha comprado tudo o que compunha a lista. Ou então, espera lá, se calhar não comprou nada, daí a cruz. Pode ser alguém condoído com coisas e não quis riscar a lista, há quem confunda coisas com pessoas (eu). Também foi esquecida uma perninha do éme dos limões e a bola do i da pizza. Agora engraçado engraçado, foi a xuxa, isso sim. Será que a comprou?, estou eu para aqui a pensar, se afinal as cruzes forem de faltas no! supermercado, não do! supermercado, não comprou.

Aparecer no caderno

Rasgo os interesses que encontro nas revistas para colar no caderno. Por vezes, antes de os colar, entalo-as mais à frente, nas folhas onde ainda não cheguei, esperando vaga para a colagem.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Das revistas

Das revistas que me chegam às mãos, que são duas, a Lusitana e a Continente Magazine, de há alguns meses para cá qualquer uma traz consigo um artigo com a história de uma receita antiga. Deixo agora exemplos:

Rabanadas no Forno com Mel. É caracterizada por transformar os restos de leite e ovos que se usou para demolhar o pão num creme que se despeja por sobre as fatias já fritas e, aí sim, se leva ao forno. Interessante.

Tigeladas de Leite. Fazia-se, nos tempos mais longínquos de que há registo, não com farinha comum, mas com flor de farinha, e medida com colheres de prata. «Cinco colheres de prata de flor de farinha», é assim que consta no Livro da Infanta D. Maria. Lá, também consta que a flor de farinha era moída em mós alveiras e peneirada em peneiras de seda. Vou até transcrever a receita, acho riquíssima a forma como está descrita:
«Tomarão quatro ovos e açúcar e farinha, que será cinco colheres de prata, numa escudela, tudo batido, e tomarão uma tigelinha de barro e nela derreterão uma pouca de manteiga, que será tanta como uma noz em cada tigela. E depois que for derretida, deitarão este polme, que será temperado com sal, então mandá-lo-ão ao forno, e levem uma pouca de manteiga para deitar por cima depois que se coalhar. E também se pode fazer de leite cozido e de queijo fresco. E assim se faz a tigelada de arroz cozido com o leite. E nestas tigeladas de arroz, quem quiser lhe deita por cima gemas de ovos inteiras.»
Hum, está-me a parecer que o arroz-doce desceu das tigeladas...

Pudim de Abade de Priscos. É aquele do toucinho. Diz que a manteiga lustra os doces, transportando a ideia para o toucinho... porque não ocorrer da mesma maneira, né? Poi zé.

Ovos-moles de Aveiro. Ora bem, ao que parece, foram inventados como mezinha... Ah, isto porque as gemadas eram (digo eram porque desconheço se caiu o mito, tampouco se era mito – é uma impressão que tenho, pronto) um bom alimento para os convalescentes. Pois muito bem.

Bacalhau à Gomes de Sá. É do mais inesperado que há, ser uma receita inventada com o intuito de conter todos os ingredientes do pastel de bacalhau. Caraças. Bom, pelo menos o 'inventor' foi o mesmo Gomes de Sá, cansado que estava de fazer os (então) bolinhos (hoje os pastéis) de bacalhau.


Nota véri impórtante:
Este post é da minha autoria (excepto o que está em letra diferente), au eva, baseei-me em artigos constantes nas revistas supra citadas, só não citei (ainda) os autores, que são Olga Cavaleiro (dos dois primeiros parágrafos) e Hélio Loureiro (os últimos três).

Estou para fazer

Estou para fazer um bolo com massa filo, queijo feta, amêndoas, manteiga, mel, ovos e leite. É em camadas. Vai ser um sucesso. Só pode. Dizia a Chef Nigella que foi uma receita inventada pelos Chefs gregos para não desperdiçar as sobras da massa filo, portanto nem há aquele aborrecimento de a deixar secar, pois, se sim, paciência, os ovos e o leite, o que fazem, é humedecê-la. Vou fazer. Não (me) prometo é devolver resposta, se calhou assim ou assado, sendo que o melhor é que calhe assado, claro.

Fiz um Bolo

Fiz um Bolo de Alperces. Bom e não bom. Bom logo que saiu do forno, quando ainda com a mornidão um bocado quente. Não bom porque no dia seguinte tinha amargado o seu sabor. Ora isto pode ser dos alperces serem velhos, do licor onde os hidratei não ter sido a melhor escolha. Não sei. Qualquer dia repito esta receita, dá-me pena abandoná-la por dois motivos, o primeiro é que ao sair do forno o bolo estava estupendo, como já referi, o segundo é que esta é uma daquelas receitas livres de procedimentos chatos, tipo claras em castelo ou a ordem da introdução de ingredientes ser inalterável e eu ali a fazer de mandatária. Nada disso. É, vou guardar a receita. Está de voz, num áudio do meu telefone. Um dia torno-vos, 'migos (receita e telefone).

As folhas

O Jardim Amália Rodrigues fica no cimo do Parque Eduardo VII. Isto é conclusão a que chego sempre que me encontro na via que lhe dá acesso. No outro dia estive lá, ao início do Jardim (tirei até uma foto [pomposa, acho, pouco me importando que me não ofereçam o perdão à imodéstia]), notei um sobreiro, li a legenda colada no tronco, trouxe uma folhinha das caídas no chão e tirei-lhe uma foto agorinha mesmo. Tal como a foto do post anterior, também esta não tem filtro nenhum, que é lá isso, tive foi o cuidado (ironia!) de amachucar a folha de papel por considerar que faz de filtro, ou pelo menos lança algum dinamismo por sobre a imagem. Essa folha é um dos papelinhos do meu bloquinho rudimentar. Por trás tem apontamentos que hão-de vir parar ao blogue. Assim não se vê, mas depois vai ver-se.