quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Eu explico

Há anos que consta na minha vida um papelinho com uma receita que apontei manualmente mediante o ditar da minha sogra e há algum tempo que publiquei essa receita no blogue mas como sou uma pessoa especial vou falar deste assunto outra vez e aviso já que digo/escrevo filhóses porque é à alentejana, à algarvia e à saloia, zonas que me têm acompanhado a vida inteira com os seus costumes e acabou a conversa. Trata-se então de uma receita de filhóses dos pobres, segundo a menção e o saber da minha sogra, que quero mesmo experimentar, mas por circunstâncias que vão desde o tempo quente à falta de vontade de fritar coisas, ainda não experimentei. São filhóses dos pobres porque, como julgo que se percebe, é uma simples massa de rissóis que depois se frita e polvilha de açúcar quando ainda quentes da fritura. É uma daquelas receitas que se faz com vontade aquando de uma tarde chuvosa em algum domingo de outono, quando já cheira a Natal, mas usada também em natais nada gloriosos, os dos pobres, isso mesmo, algo tristes, vá, mas sendo Natal as pessoas ultrapassam de alguma maneira a tristeza e a pobreza com o quê...? Comida. A comida traz conforto não só ao estômago mas também à alma, então alguém se lembrou de fazer umas filhóses que não levam ovos, laranjas ou aguardente, isto baseando-me nas filhóses da minha mãe.
As ressalvas (que são obviamente da minha sogra) para esta receita são as seguintes:
  • A água é menos um dedal que a farinha
  • Estende-se a massa usando óleo e nunca farinha

E agora o papelinho, velho que eu sei lá, né?


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