terça-feira, 21 de março de 2017

Papoilas

É assim, não é?, arranja-se um título apelativo e põe-se no comprido [aliás: largo] retângulo a isso destinado, e depois escreve-se acerca de um assunto, um só, e diariamente, isto por modo a manter o pessoal montes de interessado num estilo de escrita rápido e incisivo, a ver se não se aborrece mas é as visitas com entusiasmos fofinhos, tipo anúncio megafónico:
Ah!, olhem aqui as papoilas no meu blogue!, vejam quão viçosas!
[Pontos de exclamação!, ó pá que nojo!]
Mas não. Não, não, não. Não é não ao viço das papoilas ou a quão excessivo pode parecer um ponto de exclamação, é não a um blogue dentro do expectável.


E eis que Gina, a mulher que ainda escreve, escreve mais papoilas:
No ano passado, por esta altura, eu observava atentamente um carreiro de papoilas aparecidas na junção de um prédio com o solo artificial. Furaram, cresceram e fizeram-se papoilas. De manhã os caules tinham pétalas, à tarde as mesmas tinham caído. Isto aconteceu todos os dias, durante semanas, e até ao dia em que os senhores que cuidam dos espaços urbanos e, dentre outras tarefas, acabam com a presença de ervas daninhas e/ou indesejadas, fizessem uma limpeza ao espaço. Oh. Acabou-se-me a poesia do carreiro. Entretanto nascem, também todos os anos, papoilas dessa espécie num certo lugar e não muito longe dali. De manhã estão floridas, à tarde não. Só que neste lugar passo de manhã somente ao fim-de-semana, e há umas semanas tirei-lhes fotos e pu-las no blogue (estão aqui) Se bem me lembro, essas fotos foram tiradas à tarde, mas não à tardinha, por isso mantinham ainda algumas pétalas.


Daqui até vinte e tais de junho contamos com a primavera para nos embelezar, que diz que sim, a primavera embeleza as mulheres. Então, e doravante, todas teremos faces reluzentes, caracóis d' oiro e, claro, olhos azul-clarinho, ou, quando muito, vá que se admita olhos verde-água. Depois vem o verão, que diz que também cura.


Este é o segundo blogue que crio em que o endereço não coincide com o título, a ideia sempre foi que, eu querendo, mudasse o(s) título(s) a meu bel-prazer
No primeiro destes, nunca consegui acrescentar a palavra 'redundante' ao título inicialmente escolhido, mesmo sentindo que era um blogue cheio de redundâncias
Esta é a segunda vez que não consigo mudar o título do blogue
No segundo, que é este, não consigo tirar dali a 'grafómana', mesmo não me sentindo grafómana


certezas
:
Não há doce de banana
.
Não há compota de banana
.
dúvidas
:
Não há doce de banana
?
Não há compota de banana
?


Hoje trouxe o livro e li-o. Hoje não escrevi coisinhazinhas nas folhinhazinhas do meu bloquinho rudimentar. Hoje estive sentada num dos bancos da rua mais bonita de Lisboa e sabem que mais?, a árvore arredondada está enorme. Vi também um céu azul e incontáveis nuvens brancas. Dantes imaginava que de alguma das janelas que dali se avistam, alguém se punha a conversar comigo. Eu dantes também era repelente, só não sabia para quão longe vão as pessoas.


É terça-feira
A gelataria está fechada
Mas a ventoinha trabalha

2 comentários:

Susana Rodrigues disse...

Não, Gina. Repelente era a frigideira de posts atrás.

As pessoas vão para longe quando não aguentam sentir-se pequeninas por estarem perto. Por exemplo.

:-)


Gina G disse...

A frigideira...;) Chamei-lhe repelente no blogue porque já lhe havia chamado num vídeo, que na altura da gravação não me chegava o termo anti-aderente e só chegava o repelente, e como esse tipo de frigideira é também repelente, olha, lembrei-me. Devia ter feito um postzinho com este assunto, mas olha, fica aqui em conversa, que já não é mau. ;)

Às vezes sinto esse contrário, o de repelir as pessoas pela sua pequenez, mas é muito raro.

Beijinhos