Tenho de pôr a minha secretária diferente do que está.
Preciso de pôr à vista o agrafador e o pé-de-cabra dos agrafos, aquele utensílio muito útil, com quatro dentes em cada mandíbula, não é mandíbula nenhuma mas não faz mal, é como se fosse porque por meio duma mola as mandíbulas fazem a aproximação dos dentes, portanto são duas mandíbulas, e vai que mordem o agrafo e o retraçam, portanto são duas mandíbulas, que, geralmente, e agora deixei as mandíbulas e virei-me para o agrafo, se encontra no canto superior dos documentos compostos por mais que uma folha e, normalmente, é-me necessário, mais: imprescindível, apartar. Esse pé-de-cabra tem de ficar à vista. Não se chama pé-de-cabra, não sei como se chama, por isso fica pé-de-cabra. E o agrafador também tem de ficar à vista. E principalmente. O agrafador é um mal-amado.
Preciso de esconder papelinhos. Antes de mais tenho de vasculhar a bela caixa onde coloquei resmas desses papelinhos, quem sabe lá caibam estes que para aqui andam. Aos rebolões. Quando não, eis que os colocarei em cima do velho fax, ali naquela concavidade onde em tempos se enfiava o papel com os dizeres que a gente queria dizer, vulgo fax, ou enviar um fax, pronto. Ali apoiados, sempre ficam à mão, os papelinhos, e ademais o fax é velho, reformou-se, para ali está, apoiando partículas de pó, esperando o caixão e o enterro.
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