sábado, 22 de setembro de 2018

As formas para gelados

Já não há formas para gelados, não aquelas iguais às que comprei no outro dia. Oh. Num outro dia, cá mais para a frente do que aquele ali atrás, dizia eu que essas formas «fazem uns gelados lindos e apelativos, porém: enormes». De todas as vezes em que escrevi acerca dos gelados que faço, julgo que nunca disse que uma das principais diferenças entre meus e os de compra, é que estes últimos têm incorporado muito ar, o que faz com que dificilmente se acabe com a vontade de comer mais e mais gelados, ao passo que os caseiros, sendo mais densos, saciam. Sério. A gente come uma taça e acabou a vontade. E a gula.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Temperatura

Tem estado uns calores muito quentes, bem sei, mas noto que o Outono está a dias de chegar. O arrepio à saída do banho já não é bem vindo.

Mais ou menos

No blogue sou mais
alegre, destemida, capaz
E menos
tímida, aborrecida, triste

Nunca convivi saudavelmente com esta mentira, o que faço é fingir que não existe.

Olho

A cliente era vesga. Pronto, assim um nadinha, vá. É sempre uma complicação do caraças focar-me no olho que me olha.

Desmaio

O desenho-cão no muro do Hospital tem o laranja desmaiado. É muito sol, 'migos, é muito sol. Daqui chamo a atenção do artista que compõe estes cãezinhos: ó 'migo, retoque lá aquilo.

Penteado

Há aproximadamente um ano que ando a ver se mudo de penteado. É difícil que se farta deixar crescer o cabelo, fazer figuras que não se quer fazer, esperar que algo tão lento como o crescimento do cabelo chegue ao comprimento pretendido. No meu caso, o que eu queria era que as laterais crescessem mais que a nuca, que é exactamente o oposto do penteado que usava há uma boa meia dúzia de anos e do qual estava já bastante cansada. Mas estou a conseguir! Ó Gina, tira lá o cabelo dos olhos!

Verniz

Quando é Verão sou mais afoita em cores de verniz, tanto que ando há três semanas com as unhas dos pés pintadas de verde. Para mais graça dar a esta questiúncula, e visto que visto roupas e calço calçado de cores que vão do verde ao verde e ao azul, aconteceu que em alguns dias dei por mim toda eu muito condizente:
as unhas verdes
os chinelos azuis
a camisola verde e azul
Este verde de que falo, o do verniz, é frasco que me anda nas gavetinhas há anos. Por vezes, em certos Verões, olhava para ele e achava-o giro à brava mas não havia coragem de mandar lacar as unhas daquele tom. Até este Verão. Mas não gostei tanto assim do resultado. A cor que aparece no vidro do frasco parece um tom de verde que vai buscar um niquinho de azulão, o que é uma mentira do caraças porque o verniz é verde verde verde. Mas já agora fica até a Carminho o retirar. Sim, que ela é exímia nisso de retirar vernizes vistosos, daqueles que se agarram às peles em volta como se tivessem dentes. Ou garras.

O gorro feliz

Tenho outras nuances e perspectivas da mesma era d' o gorro feliz. Como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, a minha máquina fotográfica montes de espectacular tem um filtro cheio de graça, que se foca e/ou mantém numa ou noutra cor, resultando numas fotos especiais. No dia do 'gorro feliz' usei esse filtro em todas as cores que a máquina dispõe e ainda me pus a usar o temporizador que tem opção de dez fotos por vez, conseguindo assim tantas mas tantas fotos que na hora de escolher me fiquei por uma só, mais para não cansar a vista de quem cá vem do que por outra coisa qualquer. Entretanto passou para aí uma vintena de dias e, estando cansada de ver as ditas fotos nos meus arquivos, com a agravante de quanto mais tempo passar menos graça lhes vou achando, e porque não quero eliminá-las nem arquivá-las senão no blogue, eis que ficam aqui, hoje e agora, com o aviso prévio de que são bués, contudo: aligeirei a coisa, botando algumas em pequerrucho para fazer tipo assim uma espécie de padrão.


a sala a entrar na rua e a rua a entrar na sala

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Tarecos

Olhem, gosto da vossa loja porque tem um sem-número de cores, feitios, tamanhos, texturas e afins. Gosto de misturar tudo na minha cabeça, por exemplo: copos do mesmo feitio mas uns com melancias e outros com pêssegos, podem conjugar com os pratinhos das cores dessas frutas, fundos, que não são de sopa nem de sobremesa, mais parecem feitos a pensar nas papinhas de bebé. Depois há os jarros com ananases a condizer com os copos aos ananases mais pequenos, e que também os há nas canecas e nas garrafinhas de transportar. Enfim, divirto-me imenso a inventar estas escolhas, e a melhor parte é que é de borla.

«Enquanto escrevia isto um homem sentou-se no banco da avenida, o mesmo onde eu estava. Era pedinte, pensei que vinha interromper as minhas anotações patéticas, mas não, limitou-se à queixa em modo audível de si para si, o que, no fundo, era o máximo que eu conseguiria aguentar.»

Avermelhou

Acho que na altura falei dele no blogue, de um senhor que se apresentou num aprumo levado ao exagero, a camisa justa e sem quaisquer rugas, os punhos com botões de atravessar, o laço justo, as calças vincadas, o chapéu imaculado, a barba aparada ao milímetro, o cabelo sem fio algum fora do seu lugar. Ainda me lembro dele, e é por causa do vermelho de que me falou. Disse, e foi em tom de recomendação, que não sai de casa sem um pedaço de vermelho, porque o rejuvenesce e anima. Já não recordo o que escolheu nesse dia para avermelhar, mas avermelhara. Às vezes lembro-me dele e não é pelo ridículo - para alguns não duvido que uma figura daquelas os leve a desdenhar – mas porque a essência do que me disse se chama ‚estar feliz comigo‘.

Comprinhas

Comprei
Uma peça de roupa cuja etiqueta diz ser três a quatro xis éles, cobrindo assim o meu escultural corpo
Comprei
Uma lata de comida (na verdade não fui eu que comprei mas faz de conta) para a cadela que tem carne de porco e maçã
Comprei
Duas formas para gelados (na verdade já comprei há montes de tempo, só que fica bem neste post, é para enchê-lo), uma um ananás e outra uma fatia de melancia. Fazem uns gelados lindos e apelativos, porém: enormes.

Lápide

Na minha lápide pode vir a figurar «Gina, a mulher que tinha um blogue», fica já aqui o desejo e tudo. A primeira impressão vai para aí porque o blogue é a parte poética da minha vida e acresce que encontro muita poesia na morte, isto por via de isso de morrer ser um mistério para quem está vivo. Logo depois, e por mor de melhorar as parvoíces que este post já contém, vem o legado feito de sangue, chicha e ossos, os filhos, portanto também podia constar «Gina, a mãe de seus ricos filhos», mas pronto, fica ao critério de quem.
A expressão «ricos filhos» é dos tempos memoriais - isto porque me lembro e se me lembro é porque tenho memória e blás - é anterior ao blogue, ainda eu não tinha esta doença de escrever e já me punha a brincar com as expressões de rico filho para aqui e rica filha para ali e vice-versa.

Inveja inconsequente e merecedora de post

Aquando das incursões netes afora, redes sociais e o camandro, tenho por comum ver pessoas responderem a perguntas que lhes fazem. Ora eu invejo isto. Sério. Muito embora saiba que fazerem-me perguntas é aborrecido, principalmente se o mais das vezes, nestas lides de que falo, as perguntas repetem-se. Eu, no mais das vezes em que escrevo no blogue, evito perguntar seja lá o que for directamente aos leitores, não por receio de aborrecer mas porque é raro virem de lá respostas e ópois fica a pessoa para aqui à espera e coiso. Enquetes é coisa que não vai bem comigo. Uma variante das perguntas ao ídolo é as perguntas do ídolo aos seguidores, quando aquele quer, por exemplo, que estes lhes dêem ideias. Invertem-se os papéis, pois é. Quero dizer, mais ou menos, o ídolo é sempre o ídolo e os seguidores são os que vão atrás da conversa. Estou a desviar-me, inicialmente a intenção não era de todo ridicularizar pessoas, questões e circunstâncias. Bom. Quando alguém muito visto e apreciado nas netes, vá lá assim, suavezinho e tal, precisa de saber coisas como 'que casa de fados visitar esta noite?' recorre aos seguidores, pois que são mais que muitos e dentre esses decerto algum terá uma resposta adequada e cativante. Rastrear o jorro de ideias é que é capaz de ser chato... hum.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Dias de um Ginásio

É neste estado que encontro o meu cacifo quando estou naqueles dias de apontar coisinhazinhas pelo meio dos treinos.





E ópois também temos a coisa em claro clarinho bem clarinho.


Mapas

A propósito dos mapas de que falei no outro dia lembrei-me que há muito muito tempo andei a ver a rua mais bonita de Lisboa e a árvore amarela através do satélite que Mr. Google oferece e me deu uma vontade enorme de publicar uma foto mas desisti para não quebrar o encantamento, é sempre boa ideia manter um certo tom misterioso nestas lides da blogosfera, muito embora neste post esteja a mostrar tudo à descarada. No meu caso é (ou era, sei lá) neste género de coisas que mantenho segredinhos, toda a gente sabe que o meu nome é Gina, que moro em Loures quase paredes-meias com, que trabalho num balcão de Lisboa que fica muito perto de. Toda a gente sabe. Bom, continuando, hoje deixo um screenshot (ó pá toin xiru! o que o móves chama a estes cliques!) acabando por completo com a magia de ser «a árvore amarela» e «a rua mais bonita de Lisboa», as que a Gina descreve, sem medir as vezes, no seu blogue, para passar a ser uma árvore que amarelece por alturas de setembro e, a rua, é uma com árvores de um lado e de outro. É só isso, afinal. A árvore amarela dantes tinha um banco por baixo dela, onde pousava o velho da bóina. Agora tem um mais ao lado mas a gente sentando-se fica de costas para a árvore e é uma chatice, que graça é que tem, né? As árvores são vinte e seis, treze de um lado e treze do outro, não sei se recordam, é que há tanto tempo que não me interessava por estes números... Também há bancos. E postes de iluminação. Os bancos é para conseguir descanso aos passantes. Os postes com luz é para eu olhar para eles. E agora há screenshot, o tal, este:





o círculo a amarelo mais não é do que a árvore amarela a pique
e
com o risco cor-de-laranja mostro um pedaço do percurso habitual

Do fim-de-semana

Este fim-de-semana também me portei extremamente bem ao nível do fogão. No supermercado havia metades de galinha em promoção e na hora pensei logo num caldo de galinha, que fiz mal cheguei a casa. Daí aproveitaria a chicha da galinha, logo veria para quê, bem como o caldo. Comprei também bifes de peru porque já tinha a ideia de fazer salsichas. Sim! Salsichas! Abaixo as salchichas! Bom. É uma receita da Cátia Goarmon (Os Segredos da Tia Cátia, canal 24 Kitchen) que, logo que vi, quis experimentar. Creio já ser conhecido o meu gosto por fazer as coisas de raiz, e salsichas de lata, ou mesmo frescas, é coisa que não como, de umas não gosto do aspecto, de outras não gosto assim lá muito do sabor, de maneiras que dispenso. E fiz as salsichas, assim:
Pus meio quilo de carne no processador e processei, acrescentei cem gramas de gelo, que são aproximadamente oito cubos, e processei, juntei meio pimento vermelho assado, meio decilitro de óleo de coco, uma cebola, um alho e, de pimentão, cominhos, sal e pimenta, pus a olhómetro (como diz a Cátia), sei lá eu a quantidade que pus!, e processei até ficar uma papa (não, não é bonito de se ver), que pus dentro de um saco de pasteleiro. Dispus película aderente em cima da bancada e pressionei o saco de modo a desenhar uma salsicha em cima da película. Enrolei a papa sobre si mesma, enrolei as extremidades como quem embrulha um rebuçado e dei um nó em cada uma. Levei ao frigorífico uma porrada de horas. A Cátia recomenda doze mas eu não cheguei a tanto, ficando-me pelas nove. Pus um tacho ao lume com bastante água, quando ferveu desliguei o lume e introduzi as salsichas cuidadosamente. Receava que a película derretesse. Ah...... Não fui ao calhas, nada disso, enquanto a galinha fervia fiz um teste e a película aguentou-se. A Cátia tinha recomendado a gente adquirir uma película que na embalagem dissesse que resiste ao calor mas, enquanto às compras, não encontrei nenhuma embalagem que dissesse tais coisas, nem mesmo naquelas marcas todas boas e coiso, de maneiras que arrisquei usar a minha marca baratuxa e petisquei. As salsichas estão dentro da água muito quente durante meia dúzia de minutos. Obviamente que, sendo muitas, tem de se fazer o processo em mais do que uma vez, mas a gente vendo que a água arrefeceu muito, liga o lume (sem salsichas lá dentro!!!) até ferver, desliga e mete o resto. Resta agora desembrulhar as salsichas, o que consiste em cortar um nó de uma das extremidades e pressionar a outra, fazendo deslizar a chicha. Depois foi fritar em azeite. Achei espantoso ter conseguido fazer salsichas. E estavam boas. É certo que podiam ter um nadinha mais de sal, mas estavam boas. Há foto:




Entretanto, de bolo, fiz um de uvas. Joguei-me à receita 4x4 (medidas iguais de farinha, açúcar, manteiga e ovos) mas achei boa ideia juntar ainda um iogurte, o que conferiria humidade ao bolo, e conferiu. Estava, e está, que ainda dura, bom mas nada de extraordinário.
O caldo que aparece escrito logo às primeiras frases deste post, pus uma boa parte na sopa, que foi de couve pak-choy, vulgo couve chinesa. Ontem encontrei esta imagem no Pinterest:






… Que achei linda e de acordo com o momento. Com a galinha fiz uma tarte cuja base tinha cebolinho a esverdeá-la. Ultimamente ando nisto de esverdear as bases de tartes salgadas, no outro dia fiz uma com manjericão que ficou uma maravilha (ideia da Cátia Goarmon, que é uma senhora cheia de ideias). E também há foto da tarte:





E agora vou-me mas é embora. Mas volto já a seguir.


Lanchinho




Agora, nas caixas da frutaria do nepalês, muitas das nectarinas são às bolinhas.

Azeitona



Esta foto anda-me aqui há precisamente um mês. Eu estava de abalada para as férias de ir para fora e, por qualquer motivo que já não recordo, cliquei. Vê-se até um pedaço de porta. Já o título, pois que se me chegou à conta da menina do olho, que ficou preta à conta do filtro a preto e branco. Bem sei que também há azeitonas castanhas, mas pronto.

domingo, 16 de setembro de 2018

Cinco amêndoas

Já comi as amêndoas que sua majestade me ofereceu no outro dia. Quando introduzidas na água quente a fim de serem peladas, duas flutuaram e as restantes não. Não, não sei o que significa, é apenas um facto. Outro facto é que há uma semana queria pôr no blogue um pedaço de uma qualquer coisa que eu tenha escrito e que, pesquisando, fosse ter a algo escrito e esquecido. Para republicar era importante não me lembrar do que escrevera. Mas, mesmo com esse requisito, não encontrei nada que me satisfizesse, tudo o que encontrava se revelava oco. Esquecido, porém: oco. Então agarrei num livro de que gosto particularmente - O Dicionário dos Sabores, Niki Segnit - abri ao calhas e calhou esta página, que fotografei:





... e que entretanto juntei ao assunto 'cinco amêndoas que sua majestade me ofereceu'.

Beringela

A senhora do supermercado (fica sempre bem, né?, isto da 'senhora'), não crendo haver coerência por entre o legume que estava dento do saco e a sua lista de nomes barra preços barra códigos, retirou-o de dentro do saco e concluiu:
- Ah, é uma beringela. É um bocado esquisita...







Hoje estou um bocado negativa