terça-feira, 31 de agosto de 2021

Cadeado

O meu colega encontrou uma velha chave que identifiquei como pertencendo ao cadeado que, embora alojado na porta do estaminé, não tem uso algum. É uma coisa inútil mas presente e, se a considero presente, é porque fazia barulho todas as vezes que se abria ou fechava o estaminé, porque era preciso movê-lo para um lado, ou então para o outro, e em qualquer dos casoso ouvia-se o característico barulho de metal contra metal. Ora, o meu colega, uma vez encontrada a chave, achou melhor retirar o dito cadeado, cujo poiso tinha décadas de inutilidade. Discordei vivamente dessa retirada, aleguei que sentiríamos a falta do barulho metálico, que a rua inteira percebe quando chegamos ou vamos embora à conta disso, que decerto são reações do tipo pavloviano, é uma marca da casa (da! Casa), é uma imagem e uma presença distintivas e blás e mais blás. Ele não quis saber e retirou o cadeado na mesma. Argumentos, tive-os à bruta, persuasão é que, pronto, pá, não. Au eva, nesse dia, na hora de fechar, confessou-me que sentia a falta do barulho, mas não voltou atrás. 

Trabalhinho

Estive num trabalhinho de ourives. Tratou-se então de enfiar uma serra de sabre na sua caixa. Vou em vinte e oito anos de balcão, já bastas vezes tive esta tarefa em mãos, e ainda não me dou bem com tal coisa. Quero dizer: eu enfiar, enfiei, mas deixei duas badanas, sendo que ao todo são quatro, e deixar metade do trabalho por fazer é uma coisa sem jeito nenhum.

Bom negócio

Um cliente iniciou uma catrefada de pedidos com um «do you have...?». Em todos aconteceu um «yes!» da minha parte, o que foi bom para o negócio.

Lisboa, Lisboa

Cruzei-me com o Usher, o homem da garganta que (diz que) atinge três oitavas de notas musicais. Isto é coisa semanal, está visto. Falo dos cruzamentos, que já na semana passada coiso.

O velho estaminé

Naquele dia tirei fotos. Antes havia perguntado, não só se podia fotografar, como publicar e foi-me dito que sim. Fotografei os cantos e lembrei-me de fazer o exercício de quais artigos ou coisas estavam aí, aquando do meu tempo. O desenvolvimento estará então abaixo de cada foto.


Um pouco abaixo do último aro quadrado, ficava o contador da água. Para lhe aceder abria-se uma portinhola com um espelho incorporado. Não sei o porquê de um espelho aí mas era o que era. Era, também e isso sei eu, onde ia ver se não teria cabelos no ar antes de iniciar a gravação de um vídeo. Nesse tempo não era com o telefone que gravava, usava a máquina que, aqui no blogue, sempre me referi como sendo a máquina fotográfica montes de espectacular (às vezes acrescentava 'que por acaso, oh vejam lá, também filma'), porque na altura era mesmo espectacular. Quero dizer, para mim era. Tudo o que é parede acima dos aros quadrados estava preenchido por lâmpadas de toda a espécie e mais alguma. Tenho ainda, aqui, neste estaminé, alguns monos, coisas que ninguém se lembrará de vir comprar. Tudo o que é parede abaixo tinha rolhas de cortiça deste tamanho e daquele e do outro também, para engarrafar à mão e, ou, à máquina. No sítio em que a madeira está a fazer de parede havia desde vedante de perfil a reparadores de móveis, óleo de cedro, spray limpador de móveis, passando por graxas e autobrilhantes para sapatos e lamparinas para fondue, abraçadeiras com parafuso e... chaves (em bruto)! Ah, era bem próximo a este canto que estava posicionado o computador onde redigi a grande maioria dos posts que apareceram nos meus blogues ao longo dos anos (três blogues, este incluído). 


Na parte de baixo este canto continha:
(opto por listinha, é mais fácil de entender)
gavetas com acessórios para panelas de pressão (punhos, asas, parafusos, selos, borrachas, válvulas, apitos)
etiquetas e argolas para chaves, porta-chaves, mosquetões, elos
escovas para calçado e para fato e para lavar chão, rolos adesivos para retirar pêlos da roupa Já na parte de cima, pois que continha:
sapateiras daquelas à moda antiga, com bolsas
coberturas para tábuas de passar a ferro
palmilhas de cortiça e de esponja
toda a sorte de insecticidas e algumas sortes de produtos químicos fora de batalha
ganchos para expositor, rolos para impressora e etiquetadora


Este aqui já é um canto diferente, no lado direito apoiava-se uma das montras do velho estaminé, e montra pressupõe rotatividade. Podia eu lembrar-me que merdices é que as montras continham quando comecei com esta demanda de desmanchar o velho estaminé? Podia. Só que não malembra, tampouco fiz esse registo. Se podia tê-lo feito? Podia. Só que não malembrei de o fazer. No lado esquerdo eram guardados artigos e materiais do tipo:
Em baixo:
fios e cabos eléctricos de secção isto e aquilo, multifilar, unifilar
extensões eléctricas com muitas entradas ou apenas uma, com e sem ligação à terra
Em cima:
material de campismo (candeeiros, fogões) e acessórios (espalhadores, redutores, adaptadores, vidros)

folha-íris

estas nuvens nunca mais vão acontecer
a viagem também não

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Quando malembra, alembra. Se não malembra, pá, atão, né, é aquela.

Um cliente ficou de regressar para concluir a questão que o levara ali e como era preciso que me lembrasse dele, precisamente dele, perguntou 'do you remember?' enquanto o indicador desenhava um círculo ao redor do próprio rosto. Respondi um sim redondo, não quis destoar.

domingo, 29 de agosto de 2021

|há precisamente dez anos|

Primeiro coçou a cabeça.
Depois roeu o polegar.
Roeu até lhe doer o sabugo.
Em seguida acariciou o ombro estreitinho.
Tão suave...
Por fim, fez um poema.
Lindo, lindo, lindo.
Lindo!
|e bem malembra que o polegar e o ombro são meus|

Bacon; Coco

No outro dia, o Luís lembrou-se de fritar o bacon com um nadinha de óleo de coco. Encorajei-o, tive logo logo o bom pressentimento de que seria uma mistura de sabores deveras agradável e por junto lembrei-lhe o bolo preferido do Elvis Presley, cujos principais ingredientes são banana e bacon (sim, sim, oh sim!), acrescentando que se banana fica bem com coco e com bacon, então bacon e coco, eh pá, olarila! E sim, ficou uma mistura bem agradável. Ainda idealizei polvilhar as fatias de bacon com coco mas o Luís não foi na minha conversa. Um dia experimento, claro está. Aliás: vou já de seguida colocar na lista de supermercado o bacon e entre parêntesis o coco. Digo assim e não o contrário porque há coco ralado na despensa mas não há bacon no frigorífico. Ah, há há, afinal há, fui ver e há.

No outro dia

No outro dia, uma das tais cigarras que cantam na tal praça lisboeta, calou-se logo que me aproximei. Ontem, a cigarra que cantava no mais frondoso jacarandá da praceta saloia onde moro, continuou o seu cantar enquanto passava bem juntinho da cantante. Ia-a ouvindo com prazer, cantou e cantou. Coloquei o saco no contentor do lixo e, quando de regresso, calou-se assim que alcancei a praceta.

piorar



se pode piorar...?
pode pode, ó:

Pesquisa

Tenho andado a pesquisar Mr. Google sobre um assunto. Mas, como já antes havia clicado em posts do Instagram que continham esse assunto, chegada a altura dos cliques, logo Mr. Google se prontificou a sugerir-me dois ou três lugares, com os nomes numa fonte maior que os demais. Isto tudo vem de uma questão muito presente nas nossas vidas e que se chama algoritmo. Alguns - nem é preciso serem muitos – cliques num tema faz gerar um alerta fortíssimo, o que move o mundo das netes nesse sentido e vai que todo um rol de opções me são dadas, eu que escolha. Ah, faltou dizer que quando me apareceram esses lugares eu fazia outra espécie de pesquisa, nada tendo a ver, mesmo nada, o que, na verdade, tem ainda mais piada. E tem piada aos montes que aparecesse então as letras em enooooorme, não fosse eu não ver ou coisa assim. Bom. Vi. Vi e fui lá mas encontrei o espaço fechado. Estão de férias, venho cá outro dia, pensei eu. E assim fiz. Voltei e encontrei o espaço a funcionar: grades levantadas, luz de presença lá dentro. Não entrei.

Então, a Gina

Então, a Gina sou eu, lembrei-me agora de vir acrescentar. Que isto pois pronto já se sabe que aparece abaixo de cada post - ai quem escreveu o que está acima, quem foi quem foi? foi a Gina. É que está aí em baixo a dizer que foi quem publicou, bem sei, mas quem escreveu também foi a Gina.

sábado, 28 de agosto de 2021

Escuro

Daqui por uma horita é escuro, e ainda bem que o é. Agora é mais engraçado ir para a cama cedo, está realmente escuro, não desfaso do mundo em geral. No início do Verão fico(-me) a parecer tonta e psicadélica. Psicadélica, mas ao contrário de luzes amalucadas. Tonta. Isso. Tonta por psicadelismo, vá.

Não pedi um desodorizante vindo da Alemanha. Ai não pedi, não.

Prometeu o cliente barra amigo que na próxima visita ao estaminé traria consigo um desodorizante e que mo ofereceria. Que se trata de um espécime ultra montes de saudável, que nada daquilo de tapar poros que se querem libertos de betumes e mais não sei o quê e que, ainda por cima, é barato, que sim, que trazia. Esse dia, o da visita, foi ontem. Não. Pois, pois não.

Alfinetes

No Google Maps o alfinete que marca os Bancos tem o símbolo do Euro; o dos restaurantes tem um garfo e uma faca; o dos cafés uma chávena e um pires; o das bibliotecas um livro aberto, e em branco; o dos teatros duas máscaras venezianas, há que desviá-las das cirúrgicas, pá, cenas. Estive mesmo agora a dar conta disto tudo, pareceu-me ser coisa de grande valor.

LuGina

A minha mota é tão mas tão gira que até dá para escrever o que se quiser num visor, sendo o único requisito ter um tamanho máximo de seis caracteres. O termo escolhido aparece quando se desliga o motor, que enquanto trabalha as informações são de um teor nada parecido. O Luís pôs LuGina e quem escolheu fui eu, passando gostosamente ao largo daquilo do 'primeiro as senhoras' e tal e tal.

10333

Dez mil trezentos e trinta e três é um bom número de posts para registar que:

Todos os posts têm uma história, mesmo se servidos a frio – ou a quente, sei lá –, todos percorrem um caminho que raramente conto. Há posts que redijo e publico e nunca mais me lembro deles, ou mesmo da sua história, e há posts que levo meses para os esquecer, precisamente pela história que têm. Um dia, no Ginásio, estava na posição pirâmide quando percebi que naquela perspectiva as coxas pareciam estar penduradas e daí nasceu a ideia pernas penduradas que pus no blogue. Minutos depois, num repente, aludi a simples ideia a enforcamento e, não gostando nem um pouco da alusão que eu própria inventara, adiei a publicação por uns dias. Durante esse tempo não deixei de relacionar as pernas penduradas com enforcamento, mas a questão deixou de ferver, marimbando de vez e seguindo primeiro caminho (quantas vezes o melhor está nas primícias, que é onde ainda não há julgamento). E pronto, basicamente é isto, se no início achei super fixe que naquela posição as coxas me parecessem penduradas e ó pá tóin xiru pra pôr no blogue, logo mais encontrei um avesso estúpido que se farta. Ca porra.

Sonho

Sonhei que a minha saia tinha encolhido e não me servia. Não duvido que este sonho desceu do facto de ter lidado com um quilo nas últimas semanas. Dei por ele nas mamas, fiz até uma piadinha com isso para pôr no blogue: ah, o uqilo (hã?! mas eu também troco o quilo?!) a mais está mas é nas mamas, que as sinto maiores e mais não sei o quê (mas não publiquei, deixei para agora). Tenho o aumento de peso como certo se noto as mamas 'coisas', já que a barriga pode estar inchada, enfim, a pessoa pode comer couves em demasia, ou pão, ou melancia, que são alimentos que insuflam esta que vos escreve. Um quilo é de pouca monta, sublinho, e este post é daqueles em que suspiro de alívio por não ter muitos leitores, pois, caso sim, choveria indignação. Dentro de potes. Ah, sim, a saia havia encolhido, é isso mesmo, foi assim que sonhei.