quinta-feira, 11 de novembro de 2021

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Lisboa, Lisboa

Aproximei-me do semáforo e contei cinco mulheres em lado a lado e já à espera do boneco verde. Uma delas comentou que nunca carrega no botão que acelera o aparecimento do boneco e uma outra concordou logo, que sim, ela também não está para isso, espera e pronto. As outras três não sei o que disseram, mas sei que diziam, por as ir ouvindo por entre. Portanto: com isto, e por momentos, ficou-me o mundo como se feito de mulheres.
A foto abaixo nada tem que ver com o parágrafo anterior, até porque o que lá conto ocorreu no dia d' hoje e a foto é clique do dia d' ontem, que foi quando o mundo se me apresentou reduzido a uma sanita. Ou duas.

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Abril

Descobri que 'abrilhantar' tem sempre o 'abril' consigo e reparei que em Abril o tempo abrilhanta, o que me levou a concluir que, se o 'brilho' apareceu por conta do 'Abril', foi isso uma ideia brilhante.

2 em 4

De longe a longe, quiçá em cada Outono, lembrava-me de fazer sumo de romã usando um espremedor de citrinos, coisa que vi em tempos fazer num vídeo. Já fiz, usando essa ideia, e não é bom. A romã é um fruto que nunca me satisfez plenamente, o sabor é agradável se não se lhe juntar o acre que julgo virem dos caroços e desconheço como separar os dois. Pode ser má escolha da peça, bem sei, quem sabe em outros frutos, quiçá mais doces ou com a madureza no ponto lhes consiga extrair somente o melhor. E pronto, por ora desisto.

Natal vizinho

Dei pelos primeiros enfeites nas ruas de Lisboa aí pelos meados do mês passado. Nada de mais, bem sei, afinal vão montando enfeites mas não se ligam logo as luzes. Mais ou menos por volta dessa altura notei que o vizinho havia posto as suas mangueiras luminosas a arejar, sem que, contudo e também, as tivesse ligado à corrente. Desde que tenho blogue, em alguns Natais tenho registado a sui generis decoração desta varanda, houve inclusive uns em que fotografei a disposição das mangueiras, mas por ora não possuo atrevimento senão para fazer o registo por escrito. Bom, concluindo, pouquíssimos dias da decoração que protagoniza este post, o vizinho vê-a tapada por andaimes. Oh. Quero dizer: eu é 'oh', eu é 'tenho pena'.

Digo eu

De emoções por mim indizíveis comparo-me ao aspirador programável e falante.

Canetas

Tu tens mesmo que andar com essas canetas todas? - pergunta o meu colega quando lhe mostro o que tenho na mão - Tenho.

são sete, dizia eu há tempo, entretanto passaram a seis sei lá por conta de quê, e actualizo agora para cinco, que se me findou a cor-de-laranja

Capicua desistente

Há dias vi nas netes uma imagem que focava uma data manuscrita – 02-11-21 – e logo pensei que daí por dez dias ocorreria uma capicua na data. E ocorrerá, só por dizer que para tal acontecer há que desistir do 20 do 2021.

o meu pai é capaz


imagem: @freeyourmindandthink

vi num vídeo, ao qual perdi o rasto


«but know your uniqueness is not your weakness»

domingo, 7 de novembro de 2021

A jarra

De repente, quando estava com a menina fée, senti que a minha cara se estava a transformar numa jarra. Não faz mal, né, não há jarras feias.

É e não é

Os pontos são discutíveis até se tornarem indiscutíveis, os pragmáticos jamais concordarão com os contemplativos e, os teimosos, com os passivos, também não. E os sonhadores com os dramáticos, já agora. E os curiosos com os ponderados, ora pois.

Dois iguais

A empatia é uma coisa de entreajuda, o tomador há que ser também empático para com o dispensador.

Sonho

Sonhei que de um segundo andar lançavam sacos de terra para cima de um montão de gente que estava sentada na esplanada por baixo. Os sacos voavam fechados e abriam-se com o impacto. O giro é que só vi terra no chão, nada de sacos abertos, mas pronto, é sonho. Depois as pessoas abandonaram o recinto aos brados e então os tumultuosos fugiram numa carrinha de cor verde-água. Esta cor há-de acompanhar-me, e até em sonhos.

Gerúndio

Durante a insónia da madrugada, lembrei-me que o verbo ir não tem aquele tempo como tem, por exemplo, o verbo ficar → fiquemos. No momento não descobri como se diz. Vou agora pesquisar. Ah, afinal tem. Hum. O tempo verbal chama-se pretérito-mais-que perfeito e diz-se 'fôramos'. Então, vá, fôramos todos. Não, ainda não. Falta dizer que durante esse tempo escuro, aquele em que não dormia, ia lembrando que o verbo ir se desconstrói em presente e passado, a gente não diz eu iro, mas eu vou, nem eu irei, mas eu fui.

eu iro, tu iras, ele ira
eu irei, tu iraste, ele irou

… e afora, claro!

Quando andava na Primária adorava o particípio passado e, mais ainda, o gerúndio → ido e indo, neste caso ← principalmente pela minha ascendência sulista, cresci com o gerúndio. Era eu e ele, sempre na maior.

Quando foi a última vez que fizeste uma coisa pela primeira vez?

Vi esta frase por aí e deu-me muito que pensar até concluir de uma vez (que não afirmo ter sido a última) que agarrei no carro para ir a um dado sítio sozinha. Foi evento primeiro e acontecido há dezasseis anos, estávamos portanto numa época em que GPS era só para alguns e eu não constava do grupo. Sabia que tinha que seguir pela estrada tal, percorrer uma outra, estreita e verdejante, e então chegaria ao almejado destino, que era uma praia. E fui. Com a aventura a matar o medo. Fui. Horas depois desta movimentação na minha cabeça, de recordar todo um rol de pormenores mais ou menos fiéis, dei de caras com uma frase escrita na parede de um prédio lisboeta:

la vie c' est trop courte pour être hétéro

hum, ok, vá

bom dia!
deixo, para já, outros momentos
de quando dei a Árvore de Natal por montada