sexta-feira, 7 de julho de 2017

Lugar da musa

Considerações e mais considerações acerca dos elegíveis a lugar da musa.
D' ontem
Aquele café com cheirinho a canela está excluído. É que ontem, ao depois da toma, senti-me enfartada e acabei por concluir que tinha algo a ver com o produto alterado... ou adulterado, pronto, eu não queria usar este termo mas é o que é. Lamento a exclusão principalmente devido à simpatia da senhora que atende. O espaço é muito bonito, lembra Paris só por dizer que não tem nada a ver. Eu explico: tem expostas peças de louça da boa e bibelôs bem longe da fancaria.
Paris.
Paris, né?, é.
O asseio é muito e os doces são do mais característico que há em Portugal. Eu bem disse que não tinha nada a ver com Paris... Sentei-me frente a um espelho de onde pude ler ao contrário: sericaia, trouxas d'ovos, Dom Rodrigos, rebuçados de Portalegre. Pude ver também a minha cara, quando a levanto do que estou a escrever. Credo. Não admira que ninguém me venha perguntar o que escrevo.
Bon, allez.
D' hoje
Regressei ao sítio claro de cores e de luz, aquele que pode vir a ser o novo lugar da musa, muito embora essa ideia ainda me custe aceitar, caraças pá, há lá agora mais algum lugar da musa que possa ser o lugar da musa?, não sei se notaram que o que o secundou, eu nunca deixei de chamar lugar (que também pode ser) da musa.
Novo lugar da musa... Hum, a ver se, então.
O copo em que vem o café é um copo, pois, com uma tira de borracha à sua volta de modo a não queimar as mãos das pessoas, o pires é um quadrado de rocha escura e achatada. É assim como que um serviço modernaço e coiso. É bom, o café, muito bom, mas também é caro pra caraças. Ó pá, não sei que faça, se procure mais lugares inspiradores, onde me deixem estar a escrever as merdas do costume e a pôr tudo em cima da mesa e a ler sem estar ler e sem saber como se lê e a escrever por entre a leitura que afinal não leio e a espreitar o telemóvel para medir o tempo que ainda me resta para essa movimentação toda. Este elegível a lugar da musa tem uma grande janela, de onde hoje avistei um desenho-cão, e um comprido balcão preenchido por cartões com números, que julgo serem usados pelo pessoal de serviço para gerir pedidos e assim, e um vasinho com um lucky bamboo. É tão bonito, este espaço, vendem-se artigos de mercearia, ou assim, ainda não percebi bem, e produtos diferentes, como pão com legumes, quiçá espinafres, é que era verde, o pão que a menina estava a cortar para servir. Ainda não consegui tirar mais conclusões dali, quando sentada ao comprido balcão, virada para a rua, dou as costas ao interior. Há mesas baixas e confortáveis, mas à hora que lá vou estão ainda ocupadas pelos clientes do almoço. Fica para outro dia, mas antes disso quero ainda experimentar mais um ou dois lugares elegíveis.

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