segunda-feira, 29 de maio de 2017

Eu tenho dois amores

Tenho dois capacetes, porém não amorosos, nem eu tampouco o sou, e assim me apresento incapaz de os contagiar com amor, vai daí, percebo agora, o título deste post é descabido, mas foi criado com tal amor que o deixo viver... Quero dizer: amo as minhas criações, muito embora não lhes note amor. Pronto, é isso.





O capacete integral protege toda a cabeça, já que partes como nariz, queixo e maxilares são verdadeiramente frágeis.
O capacete aberto não, o mais que faz é tapar o alto da cabeça e orelhas. Pode dizer-se que promove o perigo. Hum, não. Espera-o. Hum... Habilito-me à gravidade em caso de vir a ser uma pessoa acidentada, vá.
O capacete integral é, portanto, estupidamente mais seguro que o aberto.
O capacete aberto é, portanto, estupidamente mais desejado, que em chegando um calorzinho me mudo para aí e daí não saio.
O capacete integral aperta-me a cabeça e claustra-me todo o corpo, é como se estivesse toda eu dentro daquela merda.
Lupa por sobre a afirmação acima: enfiar o capacete, apertá-lo e mantê-lo fechado é-me como uma prisão, falta-me o ar e deixo escapar bens essenciais, como calma e confiança, dando espaço a males que em mim há e se manifestam a cada fresta que a vida abre.
O capacete aberto é amiguinho, nem sequer me estraga o cabelo, quanto mais apertar-me a cabeça e dar-me cabo dos miolos. Até aperta e até dá, mas é coisa pouca.
Posto isto, e ainda assim, aquando do longo curso viajarei com o capacete integral enfiado nos cornos e/ou vice-versa. De nada, ora essa.

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