quinta-feira, 18 de maio de 2017

Primeiro

Boa tarde. É meio-dia. Se a sirene está a tocar, é meio-dia.
Encontrei uma cereja estranha pelo chão. Caiu de uma árvore da qual desconheço a espécie. Há árvores que em determinadas alturas do ano, mais concretamente no verão, deixam o chão ao seu redor pejado de uma substância viscosa e avermelhada, em muito semelhante a ameixa, inclusive no odor que impera. Esta cereja estranha deve ser um desses frutos, que caiu antes de tempo, mas que, ainda assim, já se lhe nota maturidade. Às tantas as cerejas-estranhas, ou ameixas, sei lá, são impróprias para consumo, tipo assim a água impotável de tantas fontes e bicas, país afora. Vai-se a ver toda a gente sabe disso, e as cerejas-estranhas deixam-se amadurecer, apodrecer, morrer, cair.






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