quarta-feira, 20 de julho de 2016

Almoço

Dona Maria Elisa não tem vindo, se calhar está de férias, pensei eu, isto ontem. Mas não, lá estava ela, comendo a merenda e por junto a sopa do dia.
Eu comi arroz de pato, quarta-feira é dia de arroz de pato, bem como de a dona Raqueline passar na rua a caminho da cabeleireira enquanto a avisto por entre as letras que escrevo. Este momento assim, tal e qual isto, já aconteceu em muitas quartas-feiras dos últimos anos. Eu é que não tenho tempo pra isso, quando não pesquisaria o ano da primeira quarta-feira em que registei um momento desses pela primeira vez. Ora acontece, ainda, que na passada quarta-feira lembrei-me do Zé e do arroz de pato das quartas-feiras naquele restaurante e é de notar que eu estava a seiscentos quilómetros daqui, óié.
A senhora que ainda não lhe está dado nome por esta que escreve, (vírgula? neste tipo de construção duvido sempre mas vá) agora dá a volta para me cumprimentar. É fofinha.
O senhor que como... ai perdão, come e lê continua a comer e a ler. Bebeu dois cafés, e isso nunca eu tinha visto.
O anfitrião que há neste lugar, ou uma espécie disso, que a posição de cliente tem pouco que ver com o receber em casa, mas vá, o anfitrião continua a parar em várias mesas, após a sua degustação, e a mim dirigi-me o invariável comentário: daqui a pouco vou vê-la, enquanto eu lhe dirijo o invariável sorriso e a invariável resposta: pois é. É que a gente os dois percorre mais ou menos os mesmos caminhos e mais ou menos às mesmas horas, daí a graçola que o senhor sempre me dirige. Nem sempre nos cruzamos efetivamente, às vezes as voltas e as horas não coincidem, mas quando nos cruzamos ele graceja mais qualquer coisa e eu sorrio mais um pouco. Não custa nada, não é. Não. Às vezes tenho de fingir e até nem dói lá muito, mas há dias em que o fingimento me arranha toda e dói que se farta.

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