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quinta-feira, 16 de julho de 2026

3 Julho 2026

Diz me 5 factos sobre mim num tom breve e engraçado. 

Com gosto, Gina. 😄 
Aqui vão cinco factos sobre ti, em tom leve: 
🏍️ És do tipo de pessoa que atravessa meia Europa de mota... e pára para fotografar uma fechadura antiga como se fosse uma celebridade. 
📸 Vês beleza onde muita gente só vê uma porta. Ferragens, madeira, dobradiças... tudo pode contar uma história. 
✍️ Andas quase sempre com um caderno (ou o telemóvel) por perto, porque nunca se sabe quando uma frase decide aparecer. 
🌾 Tens um carinho muito especial pelo Baixo Alentejo. As planícies não são apenas uma paisagem para ti; são uma espécie de regresso a casa. 
🔧 Trabalhas num negócio de ferragens e manutenção, mas a tua curiosidade vai muito além da loja. Gostas de aprender, viajar, escrever e observar o mundo com atenção. 
Diria ainda um sexto, extra: és daquelas pessoas que fazem perguntas inesperadas — num dia é sobre um rio, no outro sobre uma estrada austríaca com 16% de inclinação, e no seguinte queres saber se existe uma palavra para quem pertence às planícies. Isso torna as nossas conversas tudo menos aborrecidas. 😊 

Outros 5, comum tom mais engraçado.

Ah, desafio aceite. 😄 
☕ Consegues transformar um pequeno-almoço numa história... desde que haja uma frase curiosa dita por alguém como a Marianne. 
📍Quando viajas, o GPS leva-te aos destinos. A tua curiosidade leva-te aos sítios realmente interessantes. 
🗝️ Tens um talento raro: enquanto os outros fotografam castelos, tu pensas "Que bela fechadura!" 
🛣️ Não foges de uma descida de 16%. Primeiro assusta-te, depois ficas com vontade de um dia voltar a fazê-la. 
😂 Tens uma relação curiosa com a escrita: pedes-me um texto, lês, olhas para ele e dizes "Isto não sou eu." E, estranhamente, isso acaba por ser um elogio, porque significa que sabes muito bem quem és. Bónus, porque não resisti:
🐑 Se um dia te perderes no Alentejo, não procures o caminho. Espera um bocadinho. É bem provável que acabes por encontrar uma porta antiga, fotografá-la, escrever uma nota sobre ela e só depois te lembres de voltar para casa. 😄

sábado, 6 de junho de 2026

2026
rio mais e choro o mesmo
estou fortíssima mas não sou fortíssima

Propus-me que em 2026 tomaria nota por escrito acerca de como estou e sou, isto comparativamente a 2016. Vai daí, então vá.
As batalhas não são outras, nada disso: quero morrer e quero viver, quero viajar e quero ficar, quero aprender e quero estagnar, quero falar e quero emudecer. Nesta estonteante temática c'est tout la même chose d' antanho, havendo porém duas diferenças: uma é que já não estou seeeeeempre triste, o que me faz sentir muuuuuuito vitoriosa; duas é que consigo sentir uma espécie de aceitação das dualidades ditas acima, e digo uma espécie porque desconfio sempre dessa aceitação, acho-a rebuscada, porque na verdade o que acho mesmo é que as dualidades são tão parvas que não as quero aceitar. É estonteante, a temática, é.
Ainda há em mim um medo muito grande de não ser capaz. Não ser capaz de tudo, quero eu dizer. Ou seja: de não ser capaz de nada. Faço um montão de coisas e nunca as considero bem feitas ou que valham a pena, faço-as sem esperança de se notar que é por mor de mim que as há, que são, que estão. Mas rebusco a aceitação de mim. Finjo. E vou. Não sou nem estou. Não. Vou. Aqui, vou.
Mudei de estaminé mas não mudei de cidade, tampouco de rua. Mudei de Ginásio mas nem por isso de cidade, contudo mudei de rua e até de bairro. Mudei-me para melhor em ambas as mudanças e, embora não soubesse que assim seria, estou consciente que trabalhei para que assim fosse. Esta é a primeira vez que digo algo positivo neste texto, recalco bastante este tipo de coisa, parece-me que não é suposto, que é feio e arrogante estar a dizer 'olha eu aqui tão bem'. Continuo igual, portanto.
Já não tenho mãe nem pai. Sinto-lhes a falta. Falta-me as vozes, as falas - não, vozes e falas não são a mesma coisa - e os gestos. Tenho muitas saudades do interesse desmesurado deles. Morreram as pessoas que assistiram a todos os meus aprendizados, é o que é. Nunca ninguém me conheceu, ou conhecerá, como eles conheceram, portanto há partes de mim que a bem dizer deixaram de existir porque foram com eles.
Deixei de ser grafómana. Isto no efectivo, porque a grafomania não a perdi, tenho é menos disponibilidade, então, o que se passa é que falo em vez de escrever. É bom. E é mais rápido e tudo. E sei - sei, sei - que um dia destes volto a usar o blogue para apontar as minhas coisinhazinhas. Escrevi no presente: 'volto a usar o blogue', não escrevi 'voltarei a usar o blogue'. Notei isto e apurei que escolhi dizer 'volto' porque me parece mais próximo.
Estou mais velha, mais baixa, mais magra. Mais velha e mais baixa é estupidamente normal. Mais magra é outra história. Adoro. Estou feliz com esta questão de quilos. Sinto-me alegre, satisfeita. Só não me sinto assim à toda a hora porque tenho horror à ideia de voltar a engordar, por isso luto desesperadamente contra o facto. Ou seja: se tenho horror à ideia, então luto contra o facto.
Sou mais impaciente e mais bem disposta. Impaciência e boa disposição não combinam mas é o que acontece no cerne desta que escreve. A impaciência, presumivelmente, há-de ser por conta dos mais dez anos que tenho, a boa disposição também, e também presumivelmente. Que estonteantes coisinhazinhas estou eu aqui a registar, poi zé.
Sou tão solitária como dantes e portanto estou seeeeeempre sozinha, daí a busca incessante pela companhia de mim mesma. Largue eu a busca e vai que morro.
Sou tão triste como dantes mas não estou seeeeeempre triste, sendo que os momentos por entre uma tristeza que foi embora, e outra que num repente se me pôs, são verdadeiras maravilhas do meu viver.
Conservo o mesmo grau de prazer em registar tudo.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

2 Fevereiro 2026

Olá Miguel. Gera uma imagem com aquilo que a teu ver me representa.

Hum... Pouco a ver comigo, estou desapontada. 

Ai… percebo-te, Gina 😔 
Essa imagem saiu “genérica” demais — mais um avatar de banco de imagens do que tu. Tens razão em ficar desapontada. Vamos acertar isto como deve ser. Para mim, tu és mais isto: 
– alguém que observa (portas, ferragens, detalhes) 
– que anda de moto 
– que escreve em caderno 
– que fotografa o que os outros não vêem 
– entre o estaminé e a estrada 
– com mãos que sabem de coisas práticas e cabeça cheia de ideias 
Antes de eu gerar outra, deixa-me alinhar contigo numa coisa simples: 
👉 O que é que te incomodou mais na imagem? 
A) a pessoa (demasiado “rapaz genérico”) 
B) o ambiente (demasiado tecnológico / urbano) 
C) o estilo (demasiado “ilustração moderna”) 
D) tudo 😅 
Ou então responde-me assim, em frase livre: “Eu ver-me-ia mais como…” Se quiseres, posso já propor uma versão: Uma mulher de costas ligeiramente de perfil, com um capacete de moto pousado, um caderno aberto na mão, uma porta antiga ao fundo com ferragens trabalhadas, luz quente de fim de tarde, estilo artístico entre pintura e fotografia, atmosfera calma e observadora. Mas só avanço quando me disseres: 
👉 queres que eu tente outra vez? 
👉 e em que tom: mais realista ou mais poético? 

D), sim, tudo 😅 
Tenta outra vez, sim. Gostei da descrição acima. Seja em modo poético.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

a rir a rir a rir

Fevereiro 2026
Everyone play Along! Go to chatGPT and use this prompt: "Create a caricature of me and my job based on everything you know about me." 

Eis! 
Trabalho no meu estaminé de roda de ferragens e ferramentas e cadeados e fechaduras e chaves. 
Ando pelas ruas de Lisboa. 
Cumprimento a minha amiga árvore amarela. 
Gravo filmes e tiro fotografias com o meu telefone. 
Faço bolos ao sábado. 
Olá, o meu nome é Gina.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

A dona Custódia despediu-se com leveza

18 Março 2026, estaminé (a foto)

Trinco uma maçã atrás duma pilha de alguidares. A dona Custódia para à porta e sem entrar retoma a marcha. Nem me vê. Não, não fui desleixada ou mais amiga do meu estômago, sei que não queria comprar nada. Ela queria cumprimentar, dizer olá, como vai. Não, não era para mim essa atenção, nada disso. 
|11 Dezembro 2012|

Ai menina dê-me um litro de petróleo depressa que eu deixei a roupa estendida e já lá vem o negrume! Ó dona Custódia está um sol tão bonito diga lá se é preciso essa pressa toda? Ai menina atão não vê que ela já está a cair? Ai e eu que deixei a roupa de fora... Ai menina... 
Ora bem, convém adicionar uma conclusão ao post: a dona Custódia é a pessoa mais apressada que eu conheço, não é má pessoa nem chata nem mal-educada, mas a verdade é que me faz confusão ver tanta pressa em vidas com tanto tempo livre.
|24 Fevereiro 2014|

Dona Custódia pergunta quanto custam os 'meus' sacos de água quente. Custam blás cada um, dona Custódia. Dona Custódia diz que compra sacos de água quente muito mais baratos dos que os 'meus'. Dona Custódia pergunta a cotação de algo que não precisa, ou tampouco quer, comprar. Foi, portanto, isto o que aconteceu.
|24 Fevereiro 2016|


Dona Custódia veio da terra e havia pago o coiso até outubro. O apartado. Só se veio neste entremeio, dizia ela, a carta importante, digo eu, só se foi isso, reforçava ela.
|4 Janeiro 2017| 

A dona Custódia abanou a mãozinha e perguntou «está tudo bem». Eu abanei a mãozinha e respondi «está tudo bem» e perguntei «está tudo bem». Vamos todos supor que a dona Custódia respondeu «está tudo bem», está bem? É que por essa altura já a gente se tinha descruzado. 
Nota emitida pelo antes do post mas que aparece no fim porque acho mais jeito a isso: Sorrio ao olhar para o título que escolhi para este post – Encontro imediato. Desagrada-me usar frases batidas nos títulos ou em posts, em parte porque tenho a mania que sou especial e diferente, em parte porque não me quero igualar e afinal ser diferente por sequer chegar a ser igual. Quando me rendo a alguma frase batida, é porque o impacto que lhe sinto é surpreendente e irresistível. E foi um encontro imediato, foi.
|28 Fevereiro 2019|