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segunda-feira, 19 de julho de 2021

Senhores

Senhor Gervásio mais sua senhora vieram perguntar se o meu colega lhes arranjava um candeeiro. Pronto, pôr fio novo e, já agora, substituir a pêra de passagem, se ele fazia, ai será que faz. E eu que sim senhores, tragam-no lá. Podem até vir os três, penso agora, enquanto aponto esta coisinhazinha.

domingo, 31 de janeiro de 2021

vermelhos, verde e demais coisinhazinhas


 


Olá, bem vindos aqui. A primeira foto deste post é uma papoila que encontrei ontem no caminho. Está o vermelho da papoila em cima do vermelho da caixa dos óculos porque entretanto não encontrei melhor poiso, quiçá por já ser noite. Mas achei bem na mesma, digo eu que o vermelho esteja por cima do vermelho. A segunda foto é uma selfie que tirei para me certificar até onde me chegava o pescoço. É que tinha ido cortar o cabelo e instruí a cabeleireira que não o fizesse em poucochinho. E ela cumpriu. Isto já ocorreu há uns dez dias, ou coisa assim, não estávamos ainda com o confinamento implementado, tanto que me joguei logo a marcar o corte, que já andava bem precisada disso, não fosse acontecer como do primeiro confinamento, que ninguém esperava aquilo e eu, oh pobre de mim, opróbrio até (que querem, fez-me lembrar), de melenas ainda mais mal amanhadas que o costume passei eu esse tempo. Entretanto, desde o dia da foto até hoje, o cabelo já cresceu, se me vissem agora nem me iam reconhecer. Sério.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Padrões

Há máscaras com padrões. Há viseiras com padrões. Se as máscaras podem conter o padrão na totalidade do seu ser, já as viseiras não, têm-nas na tira que ajusta na cabeça.

Aviso

«É favor uma ou duas pessoas não ocuparem mesas de quatro.» Vi eu escrito num restaurante, por ora, longe de mim e, quiçá, não tardará estar perto.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Sonho

Sonhei com a professora de Pilates. Estranhamente, a aula era dada em sua casa e ela andava às turras com a mãe, que não tinha deixado o espaço livre. Pediu-me até que lhe apanhasse a roupa, o que fiz. Num mundo real, o apanhar da roupa não 'arruma' a casa, mas pronto. No mundo d' agora, as aulas e reuniões de todo o tipo, até algumas das familiares, são dadas/vividas online. Este sonho é mesmo sonho.

sábado, 19 de dezembro de 2020

Praceta

Loures, 19 de Dezembro de 2020

Hoje é o último sábado antes do Natal. Está num frenesim, a minha praceta. Das pessoas, não lhes sinto o medo de contágio, só a agitação própria dos afazeres a cumprir: compras e visitas. Essa agitação abafou o medo, é o que está a parecer-me, se visto daqui. Se visto daqui - repeti, e acrescento - e agora. Não estou a ironizar, estou a falar seriamente de uma sensação que tive e da qual gostei.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Exclusividade

Aquilo de os olhos ficarem realçados por mor do uso da máscara revelou-se-me uma fraude, entendi que o que é produção da boca é exclusividade sua. Qual quê de os olhos dizerem tudo, nada disso, a boca tem o seu lugar no mundo.

domingo, 6 de dezembro de 2020

Natal

Há muitos anos que passo a noite de Natal sem familiares que não os directos mais directos que há. Este ano, o tal atípico, tenho ouvido falar do Natal que as famílias não celebrarão com os seus costumes e, mesmo que comparando mas de modo nenhum por mor da atipicidade do ano, o meu também vai ser mais vazio porque a rica filha já não mora com a gente. Claro que o Natal não é só a noite, é também o dia e, desde que o rico filho saiu de casa, coisa acontecida há quatro anos, ano-sim ano-não a noite é passada connosco. Ou o dia. Pá, isto está confuso, mas olhem, este post surgiu da vontade de registar que o meu Natal já costuma ser despovoado e, não fora a já referida saída da rica filha, seria igual. Portanto: o meu Natal também vai ser assim como que em menos. Ou em mais. Bom, acrescento que há umas semanas, a rica filha, já antevendo estas lides de festa de família, perguntou-me se eu preferia que ela passasse connosco a mesma parte que o mano, se não preferiria que viessem à vez. Respondi o que ela já esperava – claro que prefiro tê-los em conjunto, isso é até uma forma de eles se verem também um ao outro, prefiro aguentar umas horas sem, para que depois fique com. Entretanto, tudo isto de dias passados, não sei ainda como vai ser, mas um dia saberei.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Cheiro

Há pouco, em recados, passei por quatro pessoas que fumavam ganza e podia ter chegado ao estaminé com uma moca do caraças. Só que não. Isto por conta da máscara cirúrgica, claro, pois, quando não, já se sabe. Entretanto lembrei-me:
ulha! o pessoal que fuma está dispensado da máscara quando vai na rua!
Ainda vou falar com o meu colega, dizer-lhe que o melhor é a gente sucumbir aos avanços dos dealers aqui do pedaço...

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Ventinho

Pois por ora ventinho algum há. E chove. E não secou porra de roupa (ai, adoro estes trocadilhos!) nenhuma. E é bem que tenha calhado um dia chuvoso num dia de meio confinamento. Olarila.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Post axadrezado

Amontoei as peças de xadrez que estavam fora do tabuleiro, conseguindo uma multidão calada. Isto lembrou-me que por ora os fóbicos são pessoas extremamente sensatas porque fogem de multidões.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

panorama: pandemia

Vi escrito algures em Lisboa: «eu não tapo a cara» e pareceu-me uma alusão ao facto de a gente agora ter de andar com a cara meio tapada, o que revolta, o que faz mal, o que tem, afinal, pouco de proveitoso, mas será que...? Enfim. Olhem: a parte boa de andar com a máscara na rua é que aquece o nariz, a parte má poderá ser eventualmente e quiçá que em dias de chuva se molhe e desfaça e caia e que não volte à forma original. E de resto, pá, pronto, então.

sábado, 21 de novembro de 2020

A caneta e.

sobravam-me cinco minutos
e resolvi-me a subir a rua para ir à papelaria do primo
e fui atendida pela prima, o que não tem sido comum
e por isso é que ela não me reconheceu logo
e desviei a porra da máscara
e ela riu
e fez 'oh'

Fui comprar uma caneta da gama das anteriores (hiperligação) mas de uma outra cor. Já nessa altura fiquei com vontade de ter uma de cor aceitável porque, mesmo que raro, por vezes escrevo aceitavelmente, tipo quando assino papelada ou coisa assim (ora, julgavam o quê?). O pote estava na montra e apercebi-me que a prima, pequenina pequenina, dificilmente lhe chegaria, então: estiquei-me eu. Experimentei a caneta somente quando cheguei a casa e levou um ror de tempo para a tinta lhe descer. Quando desceu registei 'lai lai lai', e isto sou eu a cantar de aliviada, de irónica, de contente. Há porém um descontentamento: a mola é parva, umas vezes o bico retrai, outras não, o que só me molesta porque as minhas canetas andam dentro da mala nos rebolões do costume e se alguma tiver o bico de fora vai pintar-me o interior e eu, pá, não quero. Medida a tomar: comprar um estojo. A papelaria dos primos tem.

panorama: pandemia

Actualmente, uma fungadela ruidosa está ao nível de uma bufa. Entenda-se que em constrangimento, não em decibéis.

domingo, 15 de novembro de 2020

Gina, numa relação com o supermercado.

Luzes de Natal na passadeira rolante, iei! Árvore de Natal iluminada, iei! Brilho, iei! Em suma: Natal, iei!

Esqueci-me de pôr a máscara. Sério, ó Gina, nem é nada ocstume, ai perdão, costume, pois não? Ia já bem dentro do Centro Comercial quando dei pela falta da máscara porque vi a funcionária da limpeza mascarada, que foi, notem bem, a primeira pessoa que avistei depois de entrar no espaço.

Doravante, em prol do menor risco de contágio, o supermercado abre meia hora mais cedo. Para mim é bom que se farta, para ti, soubesse eu e punha aqui. Outra medida que agrego a este item e que aprovo até dizer chega é as caixas estarem todas a funcionar. Isso sim, faz com que as pessoas não se amontoem. Muy bien, cariño mio, hasta luego.

Novo item. Cá por coisas, mas para falar do mesmo, o horário. É que até as lojas do Centro Comercial estavam de portas escancaradas, os interiores iluminados, o pessoal lá dentro preparado para o governo. Notem que, aqui, o governo não é o Governo. Obrigadinha.

O rol de compras contém pensos higiénicos e já a lista de faltas os exibia. Tudo isto me fez sentir uma pessoa muito bonita por dentro.

A abóbora, escolhi a mais gorda. Parece saudades, esta escolha. Hum.

Imaginem lá como são os lenços de assoar... São com motivos natalícios, claro! Iguais aos do ano passado, se bem me lembro. 'Merry Cristmas!'; 'Ho! Ho! Ho!', azevinho, pinheirinhos, bolas, pinhas às risquinhas e arabescos. Tudo, mas tudo, em verde e, ou, em vermelho. É Natal, afinal.

Pareceu-me que a senhora da caixa cantou em surdina o tempo todo – mmmmmm, mas não consegui ter essa certeza. Numa próxima vez pergunto-lhe.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Um (1) cliente

Por mor da pandemia e inerentes medidas de segurança, o espaço do estaminé reservado à clientela permite a permanência de um só cliente por vez. Ainda assim, se noto que há mais do que uma pessoa aguardando na rua, desloco-me ao limiar da porta e atendo daí o cliente que segue, ocorrendo este trâmite especial e extraordinário se o meu colega estiver a atender o cliente que se encontra cá dentro. O giro disto tudo é, principalmente, a minha movimentação. Vou até ao cliente, ouço ao que vem, respondo, entro e retiro da prateleira, levo, ouço o que lhe aprouver dizer, respondo. Se o cliente se desinteressar do(s) artigo(s) acaba aqui a nossa história, se pelo contrário, então trago o numerário, ouço os dados e faço o registo, levo o troco e a factura e é 'adeus, até uma próxima'. Mas, havendo o caso de o cliente preferir pagamento através da maquinaria wireless ao dispor de toda a gente, então ó 'migo, vai ter que aguardar que o cliente que lhe precedeu abandone o recinto. Fica engraçado aos bués chamar recinto ao espacinho que, por ora temos para a clientela.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Post protector

Para tratar de uma certa papelada, o meu colega foi a uma reunião que havia sido agendada por mor da actual questão pandémica. No email vinha expresso que tivesse em conta o uso da proteção adequada e pâ pâ pâ. E vai que o meu colega, esse poço de previdências, achou que devia levar também um preservativo.

Lisboa, Lisboa

ir' ai éme, disse ise mi!
Está alguém de roda da caixa do correio em muitas das vezes em que entro neste prédio.
ir' ai éme, disse ise mi!
Há muitas, muitas semanas que o recorte da Popota se mantém naquele terraço. Ainda nem sequer se ouvia falar do, sei lá!, estranho Natal 2020. Não, atípico, para que, em espécie, condiga com o ano.