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quarta-feira, 30 de abril de 2025
Mas não li.
Clique resultante do apagão, quando eu em casa. Estava-se, portanto, em 28 de Abril do ano corrente. O livro em retrato é Cidades Invisíveis, Italo Calvino.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023
Nós, as Ginas
Sou de escrever. Pois. Por isso é que ler me é tão pouco prazeroso. Dois mil e vinte e três é o ano desta descoberta, que até me aliviou. Usando a mesma lógica, talvez por isso me custe focar em películas, ainda que o post anterior faça descrer nisso.
terça-feira, 20 de dezembro de 2022
Pesos
Dantes andava sempre com o telefone, a máquina fotográfica, o livro e mais toda a catrefada de pertences na mala. Agora, logo que chego ao estaminé, livro-me do que me parece excedente, e digo isto sabendo que há anos que deixei a máquina e o livro, foram preteridos, vá. Quero dizer: a máquina foi preterida, passei a usar o telefone para fotos e filmes, o livro é que nem por isso, deixei de ter prazer na leitura, então é peso que não carrego. Carrego é outro, que é considerar que a leitura é um dever. Que não cumpro, daí o peso. Id est: tirei-me um peso, que substitui por outro.
sábado, 19 de novembro de 2022
Quem é a Gina?
Aconteceu de novo um cliente remirar o estaminé e encontrar a frase que em tempos registei lá ao alto. Perguntou «quem é a Gina?», tal e qual como fez a cliente da outra vez. Respondi que «sou eu» (claro!), ele comentou que a frase era «profunda» e eu não discordei, com os anos habituei-me à ideia que ninguém vai perceber que a frase é só aquilo. Fiquei contente por (ainda!) não ter raspado aquela merda, é que de vez em quando dá-me ganas disso, farta que estou das minhas criações. E então o senhor perguntou «gosta de escrever?» e eu que «sim, muito» (claro!), só que, pá, depois foi levado a perguntar «lê muito?» e eu... Oh ca porra, respondi que «não» e, num modo por modo a ser desculpada (como se fosse preciso...), acrescentei «precisamente porque escrevo muito.» E ele não vai de modos taciturnos, que é lá isso, e quer saber se tenho talento. Sério, ele perguntou sem rodeios «mas tem talento?» O meu colega salvou-me, respondeu ele.
Mas a conversa continuou. A par com o espanto dele (é nosso cliente há longos anos e jamais supôs que sou assim) fui desenrolando isto e aquilo acerca do que escrevo - que gosto do estilo cronista, diarista, e longe de romances e, ou, ficção; que para escrever tenho que ver, posso romancear uma cena, obviamente faço-o, mas tenho que ver coisas; que escrevo essas coisas mas não as mostro, lanço-as, publico-as, mas não digo que o fiz.
Olá, o meu nome é Gina. Prazer.
domingo, 6 de novembro de 2022
Dia de
Foi ontem o Dia Mundial do Cinema, vi há pouco nas netes. No post em que fiquei a saber deste evento vinha uma lista com cinco filmes para mulheres empreendedoras. Fiquei curiosa, no género 'mas porquê para mulheres empreendedoras'? Não somos todas? Todos? Todes?
êlêlêêêêêêle, ó pá tóin xiru
Já perdi foi a página onde encontrei essa lista, portanto deixo dito que a consultei e que dos cinco filmes apenas vi um, 'Chocolate', que malembra muito bem que gostei de ver, mas, como é meu costume, não está cá nada. É tipo os livros, os filmes, pronto. Para mim e comigo os filmes é tipo os livros, quero eu dizer.
sábado, 5 de novembro de 2022
perguntices
~Qual o livro que estás a ler neste momento?
Atão, nenhum, claro! Tenho-me esforçado mesmo nada para ler livros.
~Organizas a tua biblioteca por critérios? Se sim, quais?
Sim. Por tamanhos. Digo por tamanhos mas em altura, não em largura ou espessura. A propósito, a minha biblioteca está um aprumo, fiz-lhe todo uma limpeza e arrumação aquando do primeiro confinamento e ainda dura. Tudo no sítio. Tudo tranquilo. Ah, agora me lembro, também agrupo as coleções. Não sei de quem lhes faça o contrário, mas pronto.
~Qual o autor que mais te empolgou logo que o conheceste?
Italo Calvino. Tem uma prosa muito incisiva. Tenaz. Não me peçam é para recordar passagens, que não as decoro. Nem as dos livros dele nem as de outros. Se eu quisesse contar em resumo uma história que hajo lido não conseguiria.
~Ler é uma actividade reconfortante?
Não. Satisfaz curiosidades que não sabia que tinha, ensina-me umas coisas, mas não me reconforta.
~Qual o livro que leste quando jovem e que ainda hoje aprecias?
O Diário de Anne Frank, talvez. Sim, talvez gostasse de voltar a lê-lo. Olha, porque não reler esse livro...? Assim, pronto, lia. Reler também é ler, pois é?
~Qual o livro do tipo vais buscar/desistes; vais buscar/desistes; vais buscar/desistes...?
As Cidades Invisíveis de Italo Calvino. Quem mo emprestou foi o Gualter.
~Qual o livro que descobriste recentemente e, mas, é contemporâneo?
Ora atão vamo lá ver, eu não leio livros há... sei lá, três, quatro anos...?
~Como tratas os teus livros?
Hum, não sei... Bem...?
~Que livros levarias para uma ilha deserta?
As Cidades Invisíveis de Italo Calvino. Ah ah.
terça-feira, 25 de outubro de 2022
A boneca que lê
Digo eu a boneca que lê em contraponto com esta que vos escreve, porque pois que não, não mais leu o livro encontrado em cima do muro de pedra, tendo até, oh vejam lá, outro contraponto para apresentar, porque pois que sim, está o dito debaixo do teclado do computador do estaminé. Ah, o livro é 'não, não é este corpo' de Graça Vilhena.
sábado, 21 de agosto de 2021
domingo, 28 de fevereiro de 2021
Cartões velhinhos velhinhos (e até fotos velhinhas)
No caderno deixo colados dois cartões de um antigamente onde as burocracias eram tão diferentes das d' agora que quase dói. Quem sabe a posteridade onde viverá a minha descendência possa apreciar com que meios se movia esta que ao presente vos escreve.
Um cartão é de uma biblioteca itinerária que cirandava pelas ruas de Lisboa, distribuindo leitura pelos interessados. Na altura eu era deveras interessada em ler, não me encontrava ainda nesta desorganização mental que me tem acompanhado nos últimos anos. Se bem me lembro, e sei que não lembro bem mas vá, a carrinha abarrotada de livros de muitos géneros literários vinha de mês a mês. Se a gente tivesse lido tudo, devolvíamos o que tivéssemos requisitado e escolhíamos outros. Ou então não. E estou na segunda pessoa do plural porque os ricos filhos também tinham cartão. Ou talvez só a rica filha, que, a essa data, o rico filho era ainda piriri demais para ler, é o que me está a parecer. Bom, seja lá como for, o cartão está inválido, não por a foto que lá consta ser de uma Gina com quase metade da idade que tem agora, mas porque a carrinha, ou já não circula de todo, ou então, e pelo menos, não a tenho visto vai para muitos anos. Deixo ainda duas curiosidades: o meu número de leitor é o 2771 e a validade (vi agora que afinal há validade no cartão) era até 2002. Estes números constam num selo que foi colado por cima de um outro que diz ser de 2001. E assim se pode ver a idade que isto tem.
O outro cartão é um passe social. Tem um quarto de século de emitido. É do tempo em que vim morar para esta casa e me tinha que deslocar de camioneta até Lisboa para trabalhar no velho estaminé. Sim, nessa altura já lá trabalhava. Sim, a gente aqui, na saloiada, diz camioneta. O meu número de assinante é o 5035440, e assim se pode ver os saloios que para aqui havia. É claro que não é bem bem bem assim, vá, eu sei, é que, à data, era esse o número de pessoas que já se haviam inscrito na empresa de transportes ao longo de décadas. O selo que lá está é de Dezembro de 1997, foi esse o último mês que viajei para o velho estaminé nessas condições. Desde Janeiro de 1998 que uso viaturas próprias para essas deslocações. E também para outras. Às vezes vou só ali. Outras vezes vou muito longe.
| Loures, Outubro 2009 |
| Spiaggia Nera, Setembro 2013 |
sábado, 30 de janeiro de 2021
Dia de (disseram na Radio)
Há meses que, do tempo que dedico ao blogue, não retiro uma porção para escrever acerca do 'Dia de (disseram na Radio)'. Se por isto, se por aquilo, pouco importa esclarecer, o que acontece é que é facto. Mas esta semana ouvi três 'dias de' que sinto como imperdíveis e neste post apresento um.
Era dia do vinho do Porto. Há muitos anos li um livro – 'Ervamoira', Suzanne Chantal – que conta a história de uma família cujo negócio era uma vinha e vinhos daí advindos. Apreciei tanto este livro que, em cada vez que ouço falar do vinho do Porto, não especialmente pelo lado bebível da questão, mas por um qualquer lado histórico, recordo-o sempre. Sempre. Quem me conhece do blogue (e até da vida) sabe da minha dificuldade em ler atentamente e, ou, prazerosamente. Mas olhem que não fui sempre assim, esta questão da (des)leitura apareceu-me por conta da grafomania. E agora o lado bebível da questão – sim, gosto de vinho do Porto. E também gosto muito de livros. É um universo do caraças. Todas as bibliotecas são um universo, mesmo contendo uma meia dúzia de livros. Às vezes, quando entro em casa dos clientes, miro as prateleiras, de longe ou de perto, dependendo da confiança que há. Umas contêm livros bonitos, limpos, alinhados. Esses universos estão como que por desbravar, vá, parece que ninguém mexe ali com regularidade. Outras têm tudo ao molho, pouco importa a quem ali mora se os livros estão do maior para o mais pequeno ou pelo contrário, a uns sai-lhes a lombada mais do que a outros, são umas prateleiras mexidas. Depois há os de mais ou menos, as prateleiras mostram-me que há mexedelas, há olás, há zunzuns. Há de tudo um pouco, claro, afinal o que são universos senão algo onde caiba 'de tudo um pouco', né?
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
Se leio, se não leio. Se gosto de ler, se não gosto de ler.
«Gostas de ler?» é pergunta comum. «Gostas de escrever?» pois que não o é. O livro que o Gualter me emprestou está, ainda, na prateleira. O que vale é que não se cansa de esperar. Nem o Gualter mo pede, pois falta não lhe fará, presumo. Agora me lembro que desconheço o paradeiro do dito livro. Ah! Não, não sei onde anda.
domingo, 13 de dezembro de 2020
Escolhas
Nos últimos anos, sempre que ofereço livros, retiro-os da minha biblioteca, escolhendo os que mais gostei de ler. E isto é a pessoa que lia livros a dizer-vos. Eu já li! livros. Eu não leio! livros há meses. Isto porque há meses que, quando me ponho a ler, não prossigo, desistindo depois de três ou quatro frases. Ou dois parágrafos, vá. E depois há todas as outras vezes, que são aquelas em que nem me lembro de me pôr a ler. Mas dizia eu, sempre que ofereço livros, escolho os que gostei de ler, é assim que acho justo e capaz. No outro dia ofereci pacotes de açúcar (daqueles de pôr no café, e sim, daqueles que exponho nos vídeos) a um colecionador. E escolhi quais? Os que angariei nas férias do ano passado, aquelas de andar pela Europa e que são, portanto, bem especiais. Preciosos, até. E isto é um mero registo, não é vanglória. - Ah, que boa pessoa que aqui tendes! - Não. É por às vezes sentir que não existo, que não sou, que não estou, que não mostro. Então, fazendo estes registos no blogue, fica um rasto do que fui ao alcance de todos e para sempre.
terça-feira, 24 de novembro de 2020
Lista de leitura
Eliminei um blogue da minha lista. A pessoa que lá escreve é muito factual, não me passa sentimentos e, pior, não me dá que pensar.
sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Terceiro direito
Estou na praça que não é a mai linda de Lisboa, número não sei quê, terceiro direito. É a morada – por assim dizer, claro – da cliente fora d' horas. Que se espantou com o facto de eu estar a escrever num caderno e brincou.
- Está a escrever um diário?
E eu que sim. Porque estou. E percebo que se espantem e brinquem. O meu colega, que me conhece tão bem como pessoa que escreve coisas, até acrescentou:
- Ela está sempre a escrever.
Após o espanto, a senhora revelou-nos que na altura da universidade escrevia muito mas actualmente fá-lo cada vez menos por causa do computador. Fiquei com vontade de esmiuçar a questão – como assim, por causa do computador? Hum?! Olhe eu aqui!
Mas a cliente.
Acrescentou que não quer que ninguém leia os seus diários mas não tem coragem de os queimar, embora sinta que deve fazê-lo.
- Os diários são demasiado pessoais para os meus filhos lerem. - Disse.
Concordo. É libertador escrever sem leitores à vista, um diarista de caderno vive numa espécie de inocência. Num lugar cómodo, vá. Não. Num lugar protegido. Mas recluso. O que, sob algumas perspectivas, não tem graça nenhuma. Em certa altura pensei que, por me ver escrever tantas coisas no caderno, não tardaria a perguntar-me se gosto de ler. E a gente ali no meio dos seus livros. As paredes tapadas por lombadas. E eu responderia o quê? (O costume.)
- Ah, não consigo ler... Ah, é porque escrevo. Ah, se não estou a escrever no caderno então estou a escrever as coisas na minha cabeça. Ah, sou grafómana. Ah. Ah. Ah.
Nota que me é mui necessária:
Fique então assente que deixo dezoito posts em rascunho, nove prontíssimos, nove incipientes. É este um registo de hoje, sim senhoras e senhores, mas é o comum dos meus dias.
Nota que me é mui necessária:
Fique então assente que deixo dezoito posts em rascunho, nove prontíssimos, nove incipientes. É este um registo de hoje, sim senhoras e senhores, mas é o comum dos meus dias.
domingo, 6 de setembro de 2020
Post com título
Ouvi dizer que os influencers não precisam de chorar as aflições nem de confessar imoralidades para conseguir cliques nas suas redes. Se bem que isso aproxime o público que, habitualmente, busca alguma espécie de igualdade - e isto quem diz sou eu. É assim até com os livros, agora me lembro, as histórias têm que 'dizer' algo condizente comigo. E os blogues. É, os blogues também.
sábado, 29 de agosto de 2020
Ó Gina tu leste?
Não.
Mas olhem que levei o livro - As Cidades Invisíveis, Italo Calvino.
Agora séria, vá:
Durante a estadia fora, em alguns momentos lembrei-me do livro e até, oh vejam lá, se ler. Não me apeteceu. Ocorre também - e isto não é desculpar-me parvamente - que afinal eu estava de férias e um dos princípios de quem as goza é fazer o que está nos apetites.
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
Baú, Novembro 2015
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Mais do que para passar o tempo, mais do que tentar esquecer que me encontro num lugar que não suporto, mais do que rebuscar o amor na impessoalidade dos objetos, aqueles meus posts em que me ponho a enumerar freneticamente o recheio da minha secretária, aqueles em que registo as faltas da minha despensa, ou os planos doces para o fim-de-semana e ainda todo um rol de minudências que aponto diariamente, servem, mais conscientemente do que quero e preciso, para ver até que ponto alguém se mantém na disposição de ler este blogue.
Geralmente não me dou ao trabalho de encontrar encaixes entre episódios da minha vida e motivos para isto ou aquilo ter acontecido como aconteceu, sou mais de deixar a vida fluir porque entendo que só assim sucede o inesperável, portanto é particularmente interessante que as frases que apresento a seguir (do livro do momento, 'Olhos verdes', Luísa Costa Gomes, páginas 112 e 120 respetivamente) tenham sido encontradas não muito depois de ter escrito o texto acima.
«O que se seguiu nem é preciso contar em pormenor.»
«Se era isto verdade ou ilusão, o futuro o dirá.»
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Fui cuscar a última palavra do livro que ando a ler, Olhos Verdes, Luísa Costa Gomes. É 'polar', a palavra que consta antes do derradeiro ponto final. Podia usar esta ideia como trampolim para a compra de livros. Tenho o hábito de ler as primeiras frases dum livro se o quero saber interessante para mim, isso e abrir algures no meio, ou antes do meio, vá, e ler também, é assim que decido se quero um livro ou então não. Mas podia ir roubar a última palavra, atentando em não deitar o olho à frase que a contém, ou às frases anteriores. Supostamente, se refreear a curiosidade e roubar somente a última palavra, não arruinarei o interesse nem estragarei o prazer da leitura, que uma palavra isolada não traz mal nenhum, quando elas se juntam é que.
Da leitura
Naquele fim-de-semana de passeio calhou de passar por uma das moradas do Gualter. Acenos e olás logo que a gente se viu uns aos outros, pronto, aquela coisa encurtada, à conta do vírus (que ainda é o) do momento e tal e tal. Mostrou as melhorias da casa, incluindo a biblioteca, olha aqui, disse apontando para cima. Olhei e vi uma catrefada de livros alinhados sobre umas prateleiras e com ar de poucas mexedelas desde que. Lembrei de imediato o último livro que ele me emprestou e que ainda não entregara porque entretanto não se proporcionara lá ir. Desculpei-me logo e ele, brincando, respondeu 'ah, então olha, é o que pertence àquele vazio que está ali'. Ri-me. Claro que não estava lá vazio nenhum. Entretanto passaram todos estes dias e calhou de ir a uma outra morada do Gualter, mas em modo profissional, digo: o modo especial, aquele em que acompanho o meu colega nos serviços ao domicílio. Vai daí, o Gualter convidou-me a retirar um livro da sua biblioteca, que me emprestava qualquer um, era só escolher. Fiquei reticente, afinal sou uma leitora inconsistente, já expus no blogue que me desconcentro amiúde, que páro a leitura para escrever, que nesses momentos o que escrevo raramente tem que ver com o que estou a ler. Ele insistiu. Senti-me tentada, há que tempos não leio livros... Levantei-me, então, para escolher. Confesso-me, digamos que, algo pesarosa de pouco saber de literatura, ainda assim reconheci nomes como José Saramago. Pá, tudo quanto é Nobel tem nome até para os despistados, né? Foquei-me num título: 'O Homem que Ri' (não fixei o nome do autor mas sob pesquisa arrisco Victor Hugo) mas depois de desfolhar não curti a prosa e recoloquei-o no lugar (ai o que eu gosto de redundâncias!), quase desistindo da busca por algo que me interessasse. E vi. Eh pá, vi! Como não escolher um livro de Italo Calvino, o homem que me apresentou a palavra grafómana e com isso me mostrou o tanto que o sou?! Chama-se 'As Cidades Invisíveis', parece ser uma espécie de passagens entrelaçadas umas nas outras e tenho alguma esperança que, comece eu a ler mas desista de ler por dias ou semanas ou meses, não perca o norte à prosa.
E de resto?
De resto é que já intentei começar a ler o livro umas três vezes mas desisti. Pois. Mas conto levá-lo para férias, o que ocorrerá não tarda. Eu depois vou dando notícias desta leitura. Ah, a não ser que não haja notícias, óbvio.
sexta-feira, 17 de julho de 2020
, eu acho,
O muro de pedra não me serve só a mim, eu acho, há dias encontrei dois livros de estudo lá pousados. Livros deixados assim mostram desejo de tomador, eu acho, por isso é que faço o que faço e como faço. Falo daquilo de deixar os livros que já não quero à mercê de um tomador casual (ver aqui, em querendo). Mas, no caso destes, os que fui eu que encontrei, no dia seguinte estavam no mesmíssimo lugar. Hum, deve ser por serem de estudo, eu acho, ninguém os quer, esta é a tola estação, o calor atola o cérebro, quem quererá pensar aprofundadamente, né? É, pois está claro que é. Dois ou três dias depois os livros tinham mudado de posição, um no chão, ao rés do lugar onde havia sido deixado, o outro lá longe, ao rés do tronco de um dos plátanos. Ventania ou mão humana, sei lá eu. Depois desapareceram de vez.
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Diário das expressões
Loures, 26 de abril de 2020
Ah, septuagenárias, essas amigas do peito. Mal sabiam elas que eu as escrevia. Se bem me lembro, havia uma, a da novela, que me observava o rabiscar com um olhar tão curioso quanto surpreendido.
Loures, 28 de abril de 2020
…
Loures, (… ?!)
Lisboa, 1 de Junho de 2020
Em 28 de Abril aconteceu que já não escrevi nada para além do cabeçalho, e é até uma data anterior a me ter dado na mona voltar a dar uma importância maior aos meses, alindando-os com maiúscula. Num dia a seguir, não registei qual, também não adiantei nada, e hoje, ironicamente o Dia Mundial da Criança, venho falar-vos das septuagenárias.
As pessoas estão mais marcadas consoante a idade, o que facilita os tolos juízos que faço após (rápida ou moderada, tanto faz) observação. Por isso me foi tão fácil e prazeroso 'inventar' questões acerca destas quatro senhoras e expô-las no blogue como me aprouve no momento.
Para as distinguir cognominei-as de
a septuagenária da camisola
a septuagenária da novela
a septuagenária da cicatriz
Sim, elas eram quatro, mas uma nem sempre estava presente lá no lugar da musa, portanto não a escrevi vezes o suficiente para a recordar. Vamos então a estas três.
A septuagenária da camisola nasceu-lhe este nome por conta de repetir demasiado a sua indumentária. A camisola era portanto a mesma em vezes bastas – branca com risquinha vertical.
Sabem quem é que eu vi no meio da rua?
(decerto não)
A septuagenária da camisola!
Aquela que no verão anda sempre com a mesma... camisola!
Essa mesma, (um)a (das) que estava(m) sempre no lugar (que também pode ser) da musa!
E ela na rua!
À chuva!
De cenho franzido p'lo desconforto.
ponto final
|28 Novembro 2017|
~
Guardasse eu a cognominação das septuagenárias para este ano e a da camisola seria decerto a da camisola, que continua a fazer sentido, hoje lá estava a bendita camisola com riscas verticais, tal como no ano passado, oh se estava.
|1 Junho 2017|
A septuagenária da novela era a mais carismática...
Lisboa, 8 de Junho de 2020
Continuo hoje:
A septuagenária da novela era a mais carismática, falava e gesticulava sem medo de ser notada. Chamei-lhe a da novela porque um dia, logo ao início destas minhas observâncias, ela contou alguns pormenores de uma novela que estava a seguir.
Vá, vamos lá interromper a leitura. Segurei a chávena de café com a mão esquerda e fui bebendo. A dada altura, a altura, rá-á!, do café baixa e a chávena vai ficando tingida da espuma do café. Dá-me uma vontade louca, rá-á!, de acabar com a espuma rodando a chávena e usando o café que resta. Mas a mão esquerda é lerda e desajeitada, rá-á! Pouso a caneta e seguro a chávena ou como é que é? Ná... rá-á!
Vá, vamos lá interromper a leitura. A septuagenária da cicatriz está sozinha à mesa. Pensei fazer-lhe companhia. Não pensei nada. Quero dizer: pensar, pensar, pensei, mas a perguntar-me como seria se lhe oferecesse a minha companhia e a concluir que a esmola sendo muita... E vai que chega a septuagenária da novela. Cheia de bons modos, pede à menina: tira-me a minha biquinha, faxavor? escaldadinha!
Nota: o livro do momento é 'Romance de Cordélia', Rosa Lobato de Faria
|15 Dezembro 2016|
~
Antes de visitar o lugar (que também pode ser) da musa no dia de hoje, quero dizer que já sei onde mora a septuagenária da novela, é que ontem vi-a sair do prédio tal, às tantas horas, vinha eu já de regresso. Ó pá, qualquer dia vou visitá-la a casa! Ó pá vai ser tóin xiru!
|24 Novembro 2016|
A septuagenária da cicatriz, aconteci-lhe este nome porque uma das primeiras vezes em que eu atentava no grupo ela pôs-se a mostrar uma cicatriz (creio que de uma intervenção cirúrgica recente) às amigas.
Perdida também no escrever? Mau... ó mulher, então que é lá isso?! Pois que não sei.
Boa tarde, a senhora que se entretém com o tablet à septuagenária da cicatriz.
Boa tarde, a septuagenária da cicatriz à senhora que se entretém com o tablet.
'Como está?' e 'Bem, obrigada, e a senhora?' foram também expressões usadas por ambas.
|11 Janeiro 2017|
~
Ó Gina, diz lá quantas septuagenárias se encontravam hoje no lugar (que também pode ser) da musa.
Duas.
Continuo sem saber quais é que estavam neste dia ou naquele, mas calhando quererem muito conhecer toda esta envolvência, eu amanhã tomo conta do recado, é pedir, que eu. Hoje estavam então duas septuagenárias à mesa, uma: a mais carismática, a que vê novelas, duas: a que tem cara de atriz principal dos filmes portugueses dos anos sessenta. Esta última despiu-se para mostrar a cicatriz à amiga, só daí já se presume que não se encontrava à mesa nos dois últimos dias. Hum, estou para aqui a pensar, esta vou mas é chamá-la de septuagenária da cicatriz. É isso, vá, e vao duas:
a septuagenária da novela
a septuagenária da cicatriz
|9 Novembro 2016|
Loures, 12 de Junho de 2020
Já agora fica um texto antigo onde me adentro na quarta septuagenária. Ao que parece, já nessa altura, oh vejam lá, não sabia se ela existiria ou então não.
Hoje eram três, iei! E agora eu sei lá se a outra era a quarta. Mas será que elas eram mesmo quatro aquando do verão?! Será...?. Hum, não sei, mas, seja lá como for, venho dizer que a terceira, que a bem dizer é a quarta, mas não estando eu segura de o ser, vou cognominá-la de desconhecida, portanto: a septuagenária desconhecida... Ah não, esperam lá, septuagenária do desconhecido, assim é que é, para ficar com um do, já que todas as outras têm um da.
Portanto, e recapitulando, hoje estavam presentes três septuagenárias: a da camisola, a da novela, a do desconhecido. Faltava a da cicatriz, cá pra mim tinha ido mudar o penso.
Tanto apontei, tanto apontei que trouxe zero folhinhazinhas limpas do lugar (que também poder ser) da musa.
|15 Novembro 2016|
Este post é continuação daqui.
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