domingo, 9 de abril de 2017
Hoje
Hoje, incrivelmente, não fotografei ou filmei. Oh. As fotos são d' ontem, o vídeo é d' hoje, mas, como se deduz, deduzo eu, não fui eu que filmei.






sábado, 8 de abril de 2017
Sol espelhado

Diz que a gente tem de conhecer os extremos, que, desconhecendo um, jamais se conhecerá o outro. Só sabendo o que é bom se sabe o que é mau, o que tem lógica, é assim que se escolhe caminhos e se mantém opiniões. Então, quem passa pela vida sem desejar a morte jamais a entenderá. Vivamente. 'Vivamente' neste assunto tem montes de piada.
A ideia da morte tem um aparato imenso, é-se, finalmente, importante, toda a gente vem à festa e diz bem da pessoa que morreu, assumindo que fará muita falta. Nada mais natural, portanto, do que querer morrer para viver isto.
O suicídio nada mais é do que usar a morte para mandar na vida, e a ideia tem a sua piada, tem tanta que atrai muita gente, gente que acaba por se suicidar mas, sendo assim, essa gente não vive para viver o aparato que se gera em torno de si porque morreu.
suicídio:
encontrar a frente de um comboio
– desenho animado -
forçar o desequilíbrio na varanda
– bravura -
cortar os pulsos
– masoquismo -
dar um tiro nos cornos
- miserabilidade -
disparar para dentro da boca
– cinematografia -
engolir muitos comprimidos
- cobardia -
forca em vigas de chumbo
- secretismo -
sexta-feira, 7 de abril de 2017
quinta-feira, 6 de abril de 2017
sipipu
sipipu, a língua dos anjos, oh que celestial
sipipu, a língua das crianças, oh que doçura
sipipu, a grafómana, eu, não chegou
hoje é dia de criar um epitáfio
(disseram na radio)
a gente que use o humor
e eu, ó:
«a grafómana morreu, ah ah»
cento e catorze folhinhazinhas no bloquinho rudimentar
prevejo-lhe o contentor da reciclagem para breve
Vou escrever? Vou escrever?! Vou escrever!
Gosto mais de escrever do que de contar folhinhazinhas que mal amanhei e bem agrupei, ando sempre a juntá-las, é tarefa árdua, nem queiram saber. Já que pouco escrevo, contei então as folhinhazinhas \>114
Onde está a máquina fotográfica montes de espectacular?

Vermelho e branco, ou isso assim, em pedaços:

O senhor do inseticida veio saber se eu queria inseticidas. Muitos. Deste tamanho e daquele, da marca tal e tal. Vinha com uma laranja na mão. Como não nos encontrámos na frutaria do nepalês, eis que não sei quantos cêntimos paguei hoje. Terão sido vinte e três? Vou dormir com a dúvida.
convite ao deitar:
eu 'tou aqui no quentinho!
Onde está a máquina fotográfica montes de espectacular?
Vermelho e branco, ou isso assim, em pedaços:
O senhor do inseticida veio saber se eu queria inseticidas. Muitos. Deste tamanho e daquele, da marca tal e tal. Vinha com uma laranja na mão. Como não nos encontrámos na frutaria do nepalês, eis que não sei quantos cêntimos paguei hoje. Terão sido vinte e três? Vou dormir com a dúvida.
convite ao deitar:
eu 'tou aqui no quentinho!
quarta-feira, 5 de abril de 2017
posso presumir, né?
o senhor do inseticida pediu-me:
menina: paga-me a laranja de vinte e três cêntimos?
aquando da gente os três na frutaria do nepalês
terça-feira, 4 de abril de 2017
Olá, bem vindos a mais um blogue
Pensei falar do elefante, que o elefante tem só um dente, que o elefante é feito de dente de elefante, que ser elefante traz homens maus que lhes tiram os dentes, que eu tenho um elefante desses, que esse elefante só tem um dente.
Pensei falar da foto da fonte, que as fotos que tirei à fonte foram muitos anos depois, oh céus, como pude eu passar tanto tempo sem tirar fotos àquela fonte.
Pensei falar da senhora doutora, que a senhora doutora me receitou mais uma substância e que agora é que é, vem aí a estupidamente inteligente, eu, agora é que é, vem aí a grafómana, eu.
Vou falar do sipipu. A minha vizinha do lado mas do prédio ao lado conheceu hoje o meu amigo sipipu, o 'migo do peito. Tão bom.
Pensei falar da foto da fonte, que as fotos que tirei à fonte foram muitos anos depois, oh céus, como pude eu passar tanto tempo sem tirar fotos àquela fonte.
Pensei falar da senhora doutora, que a senhora doutora me receitou mais uma substância e que agora é que é, vem aí a estupidamente inteligente, eu, agora é que é, vem aí a grafómana, eu.
Vou falar do sipipu. A minha vizinha do lado mas do prédio ao lado conheceu hoje o meu amigo sipipu, o 'migo do peito. Tão bom.
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Gina, a grafómana que não escreve
Ó Gina, escreve!, ca porra pá!, escreve! (era eu a falar com eu) Bom, se por ora não digito milhares de caracteres diariamente, isso deve-se ao seguinte concreto: há cerca de um mês que estou medicada com uma substância que me tira o choro e me dá sono. Eu não sou eu. Os primeiros dias foram algo difíceis (estou a ser fofinha no 'algo'), de repente vi-me sem os implusos, os espasmos, o entusiasmo para escrever tudotudotudo no blogue. Não foi bom, eu não fiquei uma pessoa espectacular por não escrever, ademais fui perdendo coisas tão boas como a impulsividade a que me habituei e que tanto me apraz e da qual sinto uma falta do caraças, ó pá, nem queiram saber, é como e estivesse morta mas sabendo que estou viva porque me apalpo, só por dizer que não reajo às coisas que vejo e/ou sinto e não venho logo a seguir escrevê-las, sim: exageradamente, e nem o apalpar-me me vale. É uma merda!, esta dormência é uma merda, fugi da medicação durante anos, mas como no fundo, mesmo no fundinho, quero viver, busquei ajuda. E agora não escrevo. E se não escrevo não me distraio e não me pareço viva porque não escrevo as coisas do costume e sendo assim estou mas é morta. Está bem, já não choro (estou a ser fofinha no 'não'), está bem, já não estou tão triste, está bem, a coisa parva já não cresce a cada meia hora, está bem, o bico da varanda já não me parece tão apetecível, mas eu quero escrever tão parvamente como antes porque, a bem dizer, esta não sou eu e assim é como se tivesse morrido na mesma, e isso está mal e não é pouco.
Era isto.
Era-me necessário desabafar, bem sei que ninguém tem nada a ver com a minha vida, mas um blogue não é um diário manuscrito que a gente guarda na gaveta, afinal há pessoas que leem o que escrevo, há até quem note a minha ausência, são pessoas que querem saber de mim, não só do blogue mas de mim, o que me devolve uma certa responsabilidade, e se é este o assunto que não se me abalda da cabeça, então eu que venha escrevê-lo para acabar com a conversa.
(não acabei nada, que me joguei a outras conversas, ó:)
Até hoje, quantos poemas fiz?
Um sem-número, sim, e nenhum sei de cor. É que nem o primeiro.
São todos do tempo em que me considerava apta a fazer poemas. Hoje não faço poemas, construo um tema diferentemente, encavalito as frases, isto quando não me apetece estendê-las a toda a largura do papel ou do monitor. Prosa, vá. Ou o delinear e o apurar de um assunto na horizontalidade. Ou assentar tijolo. Construir. É construir, acho o verbo muito de acordo com a minha essência. E aquilo da horizontalidade aí acima não me está a descansar, mas fica assim porque não estou lá muito grafómana.
|a pessoa não deve dizer que sabe escrever|
|a pessoa não deve dizer que não sabe escrever|
(o que também é uma merda, mas afinal sei ou não sei escrever?!)
|casaquinho clarinho, compridinho|
|com malhinha de baguinhos, sem botõezinhos|
Não sei escrever o que estão à espera, isso não é para mim, sei lá eu ir de encontro aos que me esperam, ofertando exatamente o que estão esperando e assim conquistar toda a gente por com toda a gente me corresponder. Sei lá eu. Sei é escrever do modo que sei, que nunca foi/é o que espera quem me está esperando. Ena, a Gina escreveu de acordo. Não, a Gina não sabe escrever assim, 'migos.
_|hoje não li, que novidade...
_|hoje escrevi, como se vê
_|hoje a árvore amarela não me apresentou, ainda, folhinhas
_|hoje não fui ver o latim, há que variar
_|hoje, no lugar (que também pode ser) da musa, estavam: a septuagenária da camisola; a senhora que se entretém com o tablet
Foi muito bom percorrer ruas e avenidas debaixo do sol quente
Foi tão bom o sol aquecer-me pedaços de pele que esteve por seis meses sem mos aquecer
Último registo d' hoje:
Sinto-me aliviada por ter escrito um post comprido, e agora vou dormir o sono da injusta.
Era isto.
Era-me necessário desabafar, bem sei que ninguém tem nada a ver com a minha vida, mas um blogue não é um diário manuscrito que a gente guarda na gaveta, afinal há pessoas que leem o que escrevo, há até quem note a minha ausência, são pessoas que querem saber de mim, não só do blogue mas de mim, o que me devolve uma certa responsabilidade, e se é este o assunto que não se me abalda da cabeça, então eu que venha escrevê-lo para acabar com a conversa.
(não acabei nada, que me joguei a outras conversas, ó:)
Até hoje, quantos poemas fiz?
Um sem-número, sim, e nenhum sei de cor. É que nem o primeiro.
São todos do tempo em que me considerava apta a fazer poemas. Hoje não faço poemas, construo um tema diferentemente, encavalito as frases, isto quando não me apetece estendê-las a toda a largura do papel ou do monitor. Prosa, vá. Ou o delinear e o apurar de um assunto na horizontalidade. Ou assentar tijolo. Construir. É construir, acho o verbo muito de acordo com a minha essência. E aquilo da horizontalidade aí acima não me está a descansar, mas fica assim porque não estou lá muito grafómana.
|a pessoa não deve dizer que sabe escrever|
|a pessoa não deve dizer que não sabe escrever|
(o que também é uma merda, mas afinal sei ou não sei escrever?!)
|casaquinho clarinho, compridinho|
|com malhinha de baguinhos, sem botõezinhos|
Não sei escrever o que estão à espera, isso não é para mim, sei lá eu ir de encontro aos que me esperam, ofertando exatamente o que estão esperando e assim conquistar toda a gente por com toda a gente me corresponder. Sei lá eu. Sei é escrever do modo que sei, que nunca foi/é o que espera quem me está esperando. Ena, a Gina escreveu de acordo. Não, a Gina não sabe escrever assim, 'migos.
_|hoje não li, que novidade...
_|hoje escrevi, como se vê
_|hoje a árvore amarela não me apresentou, ainda, folhinhas
_|hoje não fui ver o latim, há que variar
_|hoje, no lugar (que também pode ser) da musa, estavam: a septuagenária da camisola; a senhora que se entretém com o tablet
Foi muito bom percorrer ruas e avenidas debaixo do sol quente
Foi tão bom o sol aquecer-me pedaços de pele que esteve por seis meses sem mos aquecer
Último registo d' hoje:
Sinto-me aliviada por ter escrito um post comprido, e agora vou dormir o sono da injusta.
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