quarta-feira, 19 de julho de 2017

Sonho(s)

Um dia sonhei uma cena de sexo... não é que não saiba descrever uma cena de sexo sonhada, mas nunca tentei, por isso não sei se sei, de maneiras que ficamos com o nome da cena de sexo, era uma cena de sexo, e o sonho metia também um túnel com a sua entrada lúgubre e a sua saída luminosa, que é assim que um túnel é. Ora bem, essa noite foi muito sonhada, sonhei com montes e montes de cenas díspares e disparatadas e, logo pela manhã, lembrava-me de muitas delas mas, conforme o dia ia avançando, as cenas abalavam da minha memória, restando então a de sexo e a imagem do túnel.
Um dia, outro dia, sonhei com moedas e bolachas empilhadas e dispostas pelo chão de xis em xis centímetros. Era só baixar e ir apanhando, assim decerto não sofreria pobreza ou fome. Neste dia... se calhar já era de dia, o céu agora clareia tão cedo, né?, o que tem piada é eu me ter lembrado do que sonhara quando na vida real observei algo muito parecido ao dito sonho e agora já não me lembro do que aconteceu na vida real mas lembro as pilhas de moedas e bolachas. Porra pá, é que sou mesmo especial, tanto que quando me apercebi da pessoa fenomenal que consigo ser, emproei-me logo toda eu, era mãos nas ancas e ombros pra trás, com ganas de berrar:

ai ó pá eu tenho sonhos premonitórios, tá?

Perdidos e/mas achados porque sou mulher para ter uma sorte daquelas, eia pá ca granda títalo queste pôste teinhe

Achei, sem ter perdido, portanto depois de achar é que notei que havia perdido, um papelinho onde guardo o número de telefone do meu cabeleireiro. Não sei porque o guardo, provavelmente é porque sou parva. Não sei porque o guardo na bolsa do meu telefone, possivelmente sou um bocado parva à conta disso. Não sei os porquês disto tudo, a sério que não sei, se afinal o número de telefone em causa está inserido na memória do meu telefone.
Mando desde já dizer que em cima me redimi de toda a parvoíce com a muitíssima inteligência e saber de coisas importantíssimas, como chamar telefone ao vulgo telemóvel.
Ó pá, não sei, tenho apego a papelinhos, mormente se mos escrevem com simpatia, como foi o caso.
Este papelinho estava então caído à porta do estaminé. Estão a ver porque é que é esquisito? Como raio foi ali parar?

Achei, sem ter perdido, os documentos do meu incrivelmente potente e confortável automóvel (é para rimar dois a dois) de matrícula portuguesa. Aos pés, quero dizer, às rodas do dito. Era eu a chegar-me, já observando longamente a matrícula portuguesa do meu veloz automóvel, para lhe meter a mão no puxador, quando... eis que pumba e coiso, os documentos no chão. É que não sei se está a dar para perceber que fui onde tinha de ir, vim de lá, e os documentos do meu automóvel português e valioso que se farta... no chão, esperando-me. Pacificamente. Ao depois de me acalmar fiquei também eu pacífica, nada como sentar-me num... ai perdão, no! meu bonito automóvel que tem a matrícula montada à portuguesa, dois números – duas letras – dois números. O ano da dita é que não revelo, quando não, lá se vai o espectáculo em que transformei o meu carrito.

ó 'migo, você ainda não fez a pergunta...

… foi o que disse a um pedinte que me interpelou enquanto eu esperava o boneco verde do semáforo
o introdução tinha sido 'posso fazer-lhe um pergunta?' e eis que essa porra não havia meio de lhe sair da boca, que antes houve toda uma exposição do rol de desgraças que a vida lhe proporcionou até então, vejam lá que até lhe havia chegado a bipolaridade e mais uma série de complicações ao nível do sangue e...
(ó migo, você e italital, foi aqui que eu disse o que está no título)
… ficara sem mãe recentemente, havia-lhe aparecido uns caroços estranhos e mais não sei o quê e era se eu tinha uma moedinha que lhe dispensasse
ah!, que estranho, não?! nunca suporia... é pra uma sopinha, né?, pensei eu
não, disse eu
e o boneco acendeu-se em verde e em vermelho e em verde e foi neste boneco que pude avançar com a minha vidinha montes de agraciada

Senhora com unhas pintadas de fresco...

... Pediu-me, despudoradamente, preciso que se note bem, que lhe retirasse as chaves do carro de dentro da sua mala. Não, não nos conhecemos, nunca nos víramos, mas este meu ar confiável, pá... É que eu chafurdei mesmo dentro da mala da senhora. Sério.

Dias de um Ginásio

Sabem aquelas pessoas que nos fazem sentir uma calma que nos não pertence?, aquelas pessoas calmas e calmas e calmas que a gente não tem remédio contra o contágio?, aquelas pessoas do bem mas do bem mesmo bem, não do bem imposto na educação e sim porque são do bem que é o bem mais do bem que há?
É assim, um dos recepcionistas do Ginásio que frequento. No outro dia estendeu-me a chave do cacifro 231 e eu, de convencida a pessoa calma pelo contágio, ia sair-me com esta:

Deste-me o 231 para eu ficar ao pé da balança, foi?

Mas não me saí. Mesmo sendo uma brincadeira. Não saí porque ia ficar mal.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Muita saúdinha

Na sala de espera há uma mesinha e duas cadeirinhas para crianças. Na mesinha há folhas A4 e uma caixa com canetas. É para as crianças, claro. Eu, por mim, já estive a fazer os meus desenhos, atualizando a lista de supermercado com as minhas canetas de cores. Terceiro andar, este. Mandam os doentes cá para cima. A vista é soberba. É estranho ser num topo este tipo de atendimento, não saberão dos potenciais suicidas? Ah, está bem, o vidro é inquebrável. E não tem fechos ou fechaduras. E não é propriamente uma janela, é uma placa de vidro. Enorme. Cá pelas minhas contas tem três por dois metros. Tenho calor. Falta aqui o ar, 'migos. Saberão da claustrofobia? Caraças, pá, nunca estou bem!


perguntou-te 'o que te falta?'
'não sei' é resposta tola, pensaste tu, porque 'não sei' é tido como 'não quero saber', porque 'não sei' é dos fracos e tu não és, e 'não sei' foi a tua resposta
mas eis que há vezes em que a resposta – certa – é:
não sei
estás cá porque não sabes, não és tola nem fraca por não saberes ou tampouco por dizeres 'não sei o que me falta'


Entretanto, para me distrair, fui ler o que outras pessoas escreveram, a ver se percebo que há mais gente, e que há gente que escreve, como eu. Nunca uma vírgula me pareceu tão bem colocada como esta última, é que, não a pondo, ia parecer que ninguém escreve como eu. Mas não - há, como eu, mais gente que escreve.

domingo, 16 de julho de 2017

28



Ó Luís!, estamos um bocadinho diferentes, né?





Nota:
aos 16 de julho de 1989 era também domingo


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Cliente quer solução para chinelos com sola descolada

Ah, isso a senhora leva a cola de contacto, que é aquela cola que e blás e beca-beca.
Ah, vê lá tu
– sim, eu: a senhora, a senhora: tu –
que deixei uns chinelos no Algarve, novinhos, novinhos, calcei-os uma vez, e depois, quando lá voltei, descolaram-se mal lhes pus os pés. Porque será que as coisas se estragam sendo tão novas?
Perguntou ela, e a pergunta dela estava mesmo a pedir esta resposta minha:

Porque precisam de ser mexidas!

(uáte else, né?)

Número 20




And I'm on my way, I still remember
These old country lanes
When we did not know the answers
And I miss the way you make me feel, it's real
We watched the sunset over the castle on the hill



Frente ao nº 20 estava o Ed Sheeran mas em moreno e em quarentão.

Almoço

Omelete de claras
Batatas
Cenouras
Tomates

A omolete, deixei-a repousar ao depois de jogar lá para dentro: (talvez 2 colheres de sopa de) pimento vermelho desidratado; (talvez 2 colheres de sopa) de salsa; (talvez 1 colher de sopa de) pão ralado com tempero oriental.
As batatas e as cenouras, cozi-as em água, sal e uma folha de louro.
Os tomates, cortei-os às fatias grosas e grelhei-os, não sem antes os temperar com sal, pimenta e alecrim.

Ando para experimentar fazer os tomates assim há montes de tempo, já calculando que é bom que se farta. E é. As dicas são pincelar parcamente o grelhador com azeite e deixá-lo aquecer bem antes de colocar as fatias de tomate. Nota: usei tomates grandes e maduros. Ora bem, maduros convém estarem, são mais carnudos e mais saborosos, agora a escolha do tamanho depende da destreza de quem os grelha. Eu cá safei-me, mas admito que pode muito bem ter sido por ter optado por fatias bem grossas.

Óculos meus

Uso óculos há seis anos. Nos primeiros cinco anos e três quartos portei-me extremamente bem quanto ao paradeiro dos ditos, que jamais os retirava de cima das ventas sem os depositar no seu receptáculo. Há portanto três meses que me porto mal, deixando-os por toda a parte. Ele é:

mesinha-de-cabeceira, qualquer uma
secretária do computador
mesa de apoio
mesa de jantar
prateleira da cozinha
balcão da cozinha
microondas
móvel da entrada, qualquer um

{isto quando em casa, que no estaminé continuo fofinha e queriduxa}

Vocalmente errado

Conheço uma enfermeira que diz:

ópois
e
há-des

Está bem que enfermagem tem que ver com ciências e números e assim, mas porra, ê cá fásmuma confesâum.

Novidade

A vizinha do rés-do-chão tem um tapete novo à entrada de sua casa. Quadriculado. O padrão há de ter um nome, mas asseguro que não é vichy. Ah, e o tapete é em forma de meia-lua. De nada, ora essa.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Venho provar que escrevo bem, ora vede lá

Afinal sempre dei cabo da caneta verde, ó:




Não escreve nada de jeito, assim de bico torto, e toda a gente sabe que eu tenho que escrever de jeito. Substitui-la-ei pela caneta azul-turquesa, mal malembre de a ir buscar ao baú das canetas coloridas e lápis de cor.

dois pontos

espelho:
nuns dias
bonita
noutros
não

dois pontos

carência:
ai nida méne
certeza:
ai nide mai méne

Para quê?

Para quê ocupar a cabeça e o tempo com minudências?







Para quê ocupar a cabeça e o tempo com utilidades?







Para ocupar a cabeça e o tempo, claro!, pois que não foram feitas para mais nada.

Não me venham dizer que não é o Bugs Bunny...

Ó pá, fiz coisinhazinhas tóin xiras com o meu bloquinho rudimentar