terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

«... não sei escrever belamente acerca das nuvens plúmbeas, dos pingos de orvalho reluzentes, do estertor da noite, das características da vontade ou das ondas do amor...»



Nota prévia:
Logo de manhã, o amor do passado



Logo de manhã andei a vasculhar uns textozinhos que um dia escrevi no blogue e que depois foram inseridos numa coletânea e andam aí em forma de livro. Sei que falei do amor pra caraças, era aliás esse o desafio, e foi por isso que vasculhei, queria transcrever um, ou parte de um, para o blogue. Ora aconteceu que não senti sentimentos quando reli nenhum dos meus textozinhos, o que me fez uma certa confusão, muito embora admita que uma vez os textozinhos publicados, não mais me pertencem e portanto aquele sentimento maternal esvai-se, mas eu devia pelo menos sentir um poucochinho dos sentimentos que senti quando escrevia, mas não senti. Impressionante. Dei por mim pensando que se calhar existe um abismo ainda mais fundo por entre o que já publiquei em papel e o que publico aqui, os textos do blogue pertencem-me ainda que sejam publicados. Amo-os mais, deve ser isso. Bom, entretanto a sensação que jamais, é que em tempo algum, acreditem, me abandona e que dependendo das circunstâncias me grita ou sussurra que não sei escrever, adensou depois de reler os tais textozinhos.

Por falar em amor...

Qual é a melhor maneira de mandar os leitores embora do blogue?
Dizer-lhes que num dos bolsos do meu casaco tenho um lenço ranhoso e um rebuçado a chupar no futuro, e no outro tenho um lenço ranhoso e um par de meias meio usadas.

...

olha, hoje é dia do amor
e é melhor fazê-lo ou tê-lo?
fazê-lo para tê-lo, ah ah!
ah ah!

Sonhasse

Tivesse eu sonhado com o amor hoje durante a noite... Mas não.
Ai o amor... Mas sim. Ai o amor... Mas não, oh sim.

Primeiro

Bom dia. São dez e vinte e sete.
Não era preciso dizerem na Radio que hoje é dia de são Valentim mas como sou nada promissora em devoções de fé, tampouco fezadas, quanto mais, e, apesar de ser uma besta do caraças, digo antes que é Dia do Amor.
Ai o amor... Ai o amor... Ai o amor...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

...

coração... lado
esquerdo
deito-me! lado
esquerdo
durmo? lado
esquerdo

+/- 17:30

Há grande afluência naquela rua de Lisboa às cinco e meia da tarde. Pessoas aos montes nos passeios todos, todos regressando, pressinto que com pressa. Tanto se fala da solidão das redes sociais, que parecendo que não, andamos mas é sozinhos na mesma, ainda que no meio de toda a gente e blás e blás e blás. Então e num cenário como este acontece o quê?, um forte e carinhoso acompanhamento das gentes entre si?

Na rua mais bonita de Lisboa

Um senhor apontava uma máquina fotográfica piriri à árvore arredondada. Clicou antes de eu o alcançar e avançou rua abaixo. Notei que se deteve junto à árvore, aquela que tem ainda muitas folhas secas e castanhas, para clicar. Quando o ultrapassei fiquei com vontade de lhe revelar: olhe lá, ó 'migo, esta é a rua mais bonita de Lisboa, e de lhe perguntar muitas coisas: já contou quantas árvores aqui permanecem?, porque as acha bonitas?, porque as fotografa?, já alguma vez as tinha visto?, já conhecia esta rua?




mas não



Não conheço ou tampouco reconheço todas as árovres que habitam a rua mais bonita de Lisboa, não chego a tanto, são vinte e seis, mas para mim apenas duas me são especiais e cativas. Pronto pá, é assim mais ou menos como o mundo e as pessoas - todas as pessoas são super e igualmente importantes para o mundo mas nem todas o são para mim, então ocorre que.

Outra pessoa

Vá, venham de lá, venham ver como sou. Curtia que a outra pessoa de mim me habitasse o coração e não a cabeça. Parece - dizem, consta - que posso escolher e já escolhi. Agora é esperar o que me dizem da minha escolha, se consta e parece que.

Lugar (que também pode ser) da musa

É a segunda vez que tenho de abandonar o centro do lugar (que também pode ser) da musa e deslocar-me até um outro espaço que lhe é também pertencente, de chávena tremendo a cada passo meu. Credo, até parece que sou uma mulher, ó mulher, tão nervosa que não vivo na vida. Sim, eu queria dizer na! vida. Não sou nada nervosa. Quero dizer: sou, mas não tremo em mais ocasião nenhuma, que é lá isso. Ora bem, então acontece que poisei p'la segunda vez no espaço em segundo plano. Quero dizer: não sei se registei essa primeira vez no blogue e não sei se esta foi efetivamente a segunda. Não é preciso saber, isso já eu sei e bem sei, mas é que hoje está a acontecer-me um dia difuso em memórias e registos porque misturo sonhos, invencionices, escrita no blogue e discurso no canal. Às tantas fiz vídeo com tão importante temática e não escrevi nada no blogue, terá sido antes um dêjá viú?, ou então estou enganada e sonhei com a escada rolante mesmo ao meu lado e com o sítio central em que me sentei hoje e também nesse dia que já não sei se afinal:
falei
escrevi
inventei
sonhei

Pilhas no intervalo grande

A demanda mais recente é conseguir esvaziar o pote das pilhas usadas e com isso encher o contentor que as recebe porque foi concebido exatamente para isso. Como me distancio um bocado do estaminé aquando do intervalo grande, levo umas quantas diariamente, salvo nos dias em que me esqueço de tão importante demanda. Só que hoje não. Quero dizer: não me esqueci da demanda, mas esqueci-me de esvaziar o saquinho no sítio do costume, vai daí, quando dei por isso, em vez de voltar para trás, pois que não senhores, continuei até ao próximo contentor. O que vale é que eu conheço Lisboa muitomuitomuito bem.

Nota de saudosismo:
Tenho saudades de escrever exatamente, exatamente assim, ó: exactamente. Já está. Tinha.

As horas que são

São três da tarde e encontro-me tão mas tão melhor daquilo do post anterior, é que apanhei chuva na moleirinha. E é óbvio que neste post é para fazer de conta que tenho moleirinha molinha de bebé. 

Ânsia de esquematizar para entender

Gostava de saber que substância se ausenta ou se insere do/no cérebro para estar nuns momentos triste que só eu sei e noutros exageradamente alegre. É que assim procurava suplementos em farmácias e isso faria com que os níveis normalizassem até ao equilíbrio, já que sozinha não me equilibro. E não se esquematizam sentimentos, ó Gina. Sentimentos são coisas voláteis, quem lhe arranjará um esquema, pergunto. Hum, ok, vá, daí a tradução para substância, que a ciência está viva.

Post atrasado

A não esquecer, estas luvas...





A foto é datada de dezassete de janeiro último, vejam lá. É do tempo em que descobri que luvas sem dedos não são para mim. Para já, apertam as polpinhas dos dedos, para seguir, pioram a já de si fraca circulação de sangue, para depois, conseguem que suba o número de frieiras nas minhas mãos. Fui adiando este post por considerar que ainda estávamos no inverno, e na verdade estamos ainda, portanto vou a tempo, mas, fosse já primavera, e o tempo de escrever este post seria o mesmo. Aliás: o esquecimento e a vontade... eu quero dizer as circunstâncias. Não, quero dizer o esquecimento. Não, a vontade.

Dia de (disseram na Radio)

Hoje é Dia Mundial da Radio. Um bem-haja a todos quantos se movem para que eu possa ouvir radio, a Radio Comercial. Gostava de ser radialista, ó 'migos todos da Radio Comercial. Claro que esta afirmação se baseia em suposições, não sei o que é ter a vossa profissão, mas tocando nos pontos essenciais considero que gostaria. Gosto de falar para ninguém e/mas para toda a gente simultaneamente, sem que na verdade me vejam ou tampouco conheçam, já que construir um blogue e produzir um canal de vídeos é basicamente isso. No meu caso, claro.

Primeiro

Bom dia. São dez e quarenta e sete.
Fiquem sabendo que estão a ler o blogue de uma pessoa que ao presente tem um telemóvel como que novo. Fez-se-lhe uma limpeza total, um riséte e isso assim, e vai que fiquei com um telemóvel como que novo, já eu tinha dito, escrito, mas quero dizer assim mesmomesmomesmo como que novo, posso até ver vídeos, vejam lá, e vejam lá os vídeos. Mais: o meu telemóvel mesmomesmomesmo como que novo consegue inclusive traduzir e apresentar-me aqueles símbolos todos que as redes sociais disponibilizam, tipo corações fofinhos ou partidos e sangrando e chorando, mãos batendo palmas de apreço, lábios vermelhos mandando beijos ou jinhos ou bjinhos ou jokas. Já chega. Não chega nada, que amanhã é o dia do amor. Ai o AMOR.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

em cena, em dúvida, em atraso, sem foco

muitos morangos vezes três

O que fazer?

Estes cogumelos fizeram-me lembrar o merceeiro de outro dia, dizia ele: ó minha senhora, a gente nunca sabe como há de trazer os cogumelos da praça, se têm terra, é porque é porcaria que vem agarrada, se não têm terra, é porque são velhos.


Primeiro

Boa noite. São vinte e dois.
Tenho a receita do bolo-rei a postos para passar ao blogue. Mas antes, as fotos que lhe pertencem.




Ora bem, então é assim: já falei no blogue acerca deste bolo uma catrefada de vezes e blás, e que é rápido de fazer e que é muito bom e que faz lembrar realmente o sabor do bolo-rei tradicional e que em textura não é igual mas. Copiei então daqui e fiz assim:


Bolo-rei rápido

350 gramas de farinha
30 gramas de açúcar
80 gramas de manteiga derretida
250 gramas de iogurte natural
2 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de vinho do Porto
1 limão (raspa)
1 laranja (raspa)
200 gramas de um mistura de frutos secos e frutas cristalizadas a gosto

Juntar todos os ingredientes numa taça e misturar só até formar uma bola. Passar a massa para um tabuleiro forrado com papel vegetal e moldá-la com a forma de bolo-rei. Pincelar com ovo batido e levar ao forno a 180º durante mais ou menos 40 minutos, ou até ficar dourado.