Cruzei-me com o barbeiro do costume, tanto para lá como para cá. «Olá, boa tarde» para lá, «Boa tarde novamente» para cá. Nesta última achei giro o barbeiro ter-me reconhecido, pois que tinha a cara quase coberta de cabelos à conta da ventania que estava àquela hora e naquela cruz.
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Varanda com im
O varandim do Zé tem umas quantas daquelas assinaturas típicas de quem quer principalmente macular o que encontra recentemente pintado. Uma dessas é aquele 'olá' de que já em tempos falei e mostrei no blogue - o ângulo do L adentra o O e o Á aproveita-se da linha horizontal do L. Sempre gostei deste 'olá' mas preferia-o noutro lugar, considero que no varandim do Zé não fica nada bem.
Ginas
Uma Gina calma e assertiva disse coisas a alguém e, ainda por cima, espontaneamente.
Uma Gina abrutalhada disse coisas a alguém, espontaneamente também.
A segunda vence, se contabilizar o tempo total que permanece no interior desta que escreve, uma e outra. Contudo, é certo que conheço a primeira de vista.
O diário
Se o diário parecerá um diário, é o que me pergunto amiúde, se estou na rua armada em escrevente de conteúdo bom e caro. E isto muito mais do que quando rabisco nos papelinhos, pois esses podem alegar aos transeuntes que aponto meros lembretes. Mas o caderno é uma coisa em grande, as frases vão-se amontoando, nunca mais largo a caneta, nunca mais guardo o caderno. Bom. Coiso. Adiante.
Arroz de frango
A minha sogra perguntou-me por novidades e eu joguei-me ao arroz de frango que fizera no dia anterior, usando um espécime daqueles que no talho me dizem vir do Campo, dizem também que é muito bom e eu concordo. Sabia lá eu o que lhe contar. Acrescentei que trocara o pato pelo frango do Campo, uma vez que a rica filha lhe faz impressão comer pato por considerá-lo fofinho e queriduxo. É certo que a rapariga tem lógica neste pensamento, é lá possível alguém comer uma chicha que já foi corpo movediço de um bicho fofinho e queriduxo, né? Por acaso, já agora registo também isto, estou cá desconfiada que deixei os miúdos do frango no talho, e o pior é que os paguei. Quem sabe numa próxima vez que lá vá a senhora se lembre do lapso e me dê um outro conjunto de miudezas, sempre há-de dar para fazer um caldinho bom para saborizar a sopa.
Tens a escrita em dia, comentou a minha sogra, quando me viu largar o caderno. Sorriu - tal como fez aqui - respondi-lhe que nunca tenho tudo escrito, sorrindo também.
(Que sonhos terão os velhos – ai, quem me dera ter outra vez vinte anos? Contudo, a incapacidade total, velho ou então não, é rejuvenescer. Da incapacidade nasce a resignação, as pessoas acabam por se acomodar. É isso ou então é a loucura.)
(A TV transmitia um daqueles programas alegres e musicais, daqueles do povo, vá.)
As fotos (é a árvore amarela) são d' hoje (sexta-feira), o texto é d'antes d'antes d'anteontem (segunda-feira)


As Escolas estão de férias da Páscoa, daí este silêncio ao redor da árvore amarela. Aqui assim há duas Escolas e bem noto a diferença. Em frente há um gradeamento que dá para o pátio que, não fora as tais férias, teria todo um montão de miúdos a jogar à bola. Não é a primeira vez que me sento aqui hoje. Quero dizer, sentar é, mas já estive aqui de manhã a aproveitar-me do apoio do banco para despir duas camisolas, já antes tinha retirado o cachecol. É que estava calor, quando de manhã, mas agora já não. De manhã, enquanto me despia, ia movendo os pés e calhou de pisar qualquer coisa pequena e estaladiça. Cuidei de serem caracóis - o que seria estranho, mas vá – só que não, era um pedaço de arbusto, algo assim, não consegui identificar. Esta tarde está vazia. Vazia de pessoas. Há silêncio. Já disse que advindo da ausência de miúdos em futebóis, mas lá que é silêncio, é. Agora está muito frio, não duvido que só andem na rua as pessoas que não podem fugir de afazeres no exterior.
Tímpanos sem vírgulas
O difícil é a gente ouvir relatos de experiências que nada têm a ver com aquilo que somos sem entrarmos no gozo no interior de nós mesmos.
Coiso sem vírgulas
«A sôra tem um coiso muito bonita.»
Quem disse foi um cliente ao depois de notar que a disposição de uma das prateleiras do estaminé tem um rol imenso de produtos portugueses.
Uma, Duas
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Com que então
Com que então consta que decerto estará hoje menos frio?
Pois então decerto que decerto.
Pois então decerto que decerto.
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Post com título
Ultimamente tenho as vontades a baixo nível, tanto que até o escrever tem acabado. Ainda assim persisto na engorda deste blogue, pois, se não escrever, morro. Posso estar a dramatizar, tudo bem, mas não estou a exagerar – não escrever é morte iminente. Nas últimas semanas tenho escrito muito no meu caderno, talvez numa espécie de contraponto para com o blogue, sei lá, mas sei que é positivo pelo libertador que pode ser escrever sem ser lida, por outro lado, é mais solitário. Ainda mais solitário, quero eu dizer.
Sonhei que a sopa se me acabara na panela. No sonho eu sabia tanto quanto sei agora, e que é real, a sopa tinha sido feita no dia anterior, como então ter acabado num só dia? Acabou somente no sonho, claro.
Avistei um chapéu-de-chuva vermelho. Tinha sido deixado num degrau de uma escadaria, possivelmente por se encontrar com as varetas retorcidas e o fecho estragado, quem é que permanece com um chapéu imprestável nas mãos, né? Em pensamentos vi uma foto com o chapéu feito de um vermelho muito vivo, a contrastar com o escuro das escadas, que estão enegrecidas, não só pelo tempo que têm como por se encontrar num lugar que nunca está ao sol. Poderia ir até lá, de máquina na mão, escolher o filtro que exponencia o vermelho e vai daí era clicar e fazer a vida acontecer. Mas não havia tempo para isso. Nem sempre posso fazer o que quero.
A chuva. Este pedacinho de texto, sendo post único, chamar-se-ia 'A chuva'. De maneiras que, tendo já escrito 'A chuva' três vezes, a contar com esta, é certo que vou falar da chuva. Está-se a ver quão perita sou em estender um ponto desinteressante. É assim, 'migos, ser grafómana não é só belamente poético e acabou. Não. Na verdade jamais foi ou será, eu é que me convenço disso, pois, quando não, sucumbo ou algo dentro desse género. Bom, vamos mas é à chuva. A chuva é bonita e boa e útil todo o ano, contudo, em Abril, abrilhanta a paisagem. Se em Outubro a luz nos morre mediante a chuva e tudo indica que o tempo de luz diminuirá à razão de um minuto ou dois em cada dia até ao Natal, em Abril é o que disse acima, abrilhanta, e abrilhanta tudo, e tudo é paisagem, já eu havia dito, ademais é o crescente dos dias, estes dias de Abril.
Devedido na oralidade é dividido na escrita
A pessoa disse devedido por uma questão de pronúncia, posso presumir
A pessoa escreverá dividido, se munida de papel e lápis, posso presumir que decerto
O morango, segundo li ou ouvi algures, é o único fruto que tem as sementes do lado de fora, as quais ferem o céu da boca, relembrei eu recentemente, por ter tido morangos em dois lanchinhos seguidos. Se há coisa que não devia sair da minha vida é morangos. Morangos, laranjas e café. Que não se me acabem, por favor. Em criança, não sabia qual o fruto preferido, ficava sempre entre estes dois, hoje sei que a laranja é o que gosto mais, claramente aquando do seu tempo, que é no Inverno.
Um cliente proferiu a seguinte frase:
Eh pá, uma mulher a tomar conta desta maquinaria toda...
A maquinaria a que se referiu é uma fila de máquinas que duplicam chaves e que estão à vista dos clientes e de qualquer um, o que não era possível no velho estaminé. Não é nada do outro mundo, digo a maquinaria, é mesmo deste, só que há pessoas que comentam espontaneamente as suas conclusões. Eu cá, e neste caso, fiquei curiosa com o comentário porque não descortinei o que o despoletou - se encanto, surpresa, dúvida - e era, no mínimo, tolice pedir esclarecimento.
Agora vai-se a ver e se os carros param no semáforo da avenida, calhando ser daqueles que lhes pára o motor se em ponto morto, ademais houver pouco trânsito, ser cedo, ou então tarde, eis que a avenida se põe silenciosa que eu sei lá. É um costume dos dias actuais, isto.
Sei qual é o destino das próximas férias mas não sei o itinerário.
A pessoa... ai perdão, as pessoas, vão de Loures em direção a Barcelona, viram antes para se posicionarem mais à esquerda, hão-de passar junto a Lyon, só por dizer que não sei se daí é que as pessoas se posicionam à esquerda, sobem a Paris ou lá perto, já estou confusa, sobem e sobem e sobem, entram na Bélgica para comer coisas fixes – até lá também comem, pois claro! - e descobrem a Holanda. Já agora, né? Atão ali tão chegadinho e não se dá um saltinho, não?
Pronto, basicamente é isto. Eu depois mostro fotos e textos. Talvez menos textos que fotos, mas vá. Vou na mesma. Ah, e ainda falta um tiquinho de tempo para tudo isto acontecer àquelas duas pessoas, eu é que já ando a sonhar.
Se eu desse o cartão do Ginásio à senhora do Banco ela não poderia fazer o que faz habitualmente. O que ela faria era sacar-me o nif e partiríamos daí para a nossa relação, mais curta que comprida e nada profunda. A senhora do Banco tem um tique que muito lhe aprecio por o não ter visto ainda em ninguém. Levanta os braços, flecte e entesa os dedos das mãos e levanta o cabelo nas laterais. Digamos que faz ali um realce nas madeixas que, no seu caso, tendem a ficar escorridas.
Fui ver umas quantas roupinhas mas não comprei nenhuma. Ainda estive vai não vai com uma mas desisti por uma questão de padrão, que era riscas brancas e fininhas a formar quadrados por sobre azul-escuro. Gostei do sentir e do assentar da camisa, mas desisti pela cor, era muito escura, conjugar aquela peça com calças pretas ia fazer-me parecer estar aquela fase em que os enlutados começam a aliviar o luto. Se no lugar do azul-escuro fosse branco e no lugar do branco, preto, é que era. Ou então vermelho ao invés de azul-escuro e branco nas risquinhas. Enfim, vidas tristes, é o que é.
terça-feira, 9 de abril de 2019
fui ver o latim, ed ephemeram gloriam
depois corri para a loja de cafés e frutos secos e gulodices várias para comprar:
duzentos gramas de café Angola com moagem dois
duzentos gramas de tâmaras Medjool
duzentos gramas de amêndoas sem casca mas com pele
Cortinado
Eis então escrutinado mais um pouquito do padrão do cortinado. Há mesmo cornucópias de dois tipos. Se eu levar o escrutínio ao extremo quase me levo a afirmar que há ainda outras cornucópias, mas, com justeza, nego. Contudo, não fixei como são as outras cornucópias, mas que as há, há. Daí o 'pouquito' referido acima. E haverá mais oportunidades iguais a todas, quero crer que não tão desatentas como esta que agora descrevo.
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Dias de um Ginásio
Na aula de postura e equilíbrio passou o tema 'Aleluia' numa versão não sei de quem - é o mal dos covers - e o 'Listen' na versão de Beyoncé, que, ao que sei, não faz porra de covers nenhuns. Sei também que o 'Aleluia' pode ser escrito de uma maneira toda pomposa mas eu cá vai mesmo assim à bestóide.
domingo, 7 de abril de 2019
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