terça-feira, 21 de novembro de 2017

Croqui da mesa verde-água

Let me introduce you to my bloquinho rudimentar from this moment on

Os clientes... ai ai ai os clientes...

O meu colega marcou uma reunião comigo para me inteirar de uma oferta muito especial que um cliente deixou.
Vou então gritar segredos.
Trata-se de um grupo de cinco canetas, quatro do Benfica e uma do Galo de Barcelos, com as seguintes ressalvas:

usemos as canetas mas não liguemos a isso do clubismo (Portugal é que interessa, isto digo eu)
uma das canetas foi-me oferecida (em exclusivo) para (eu) andar com ela dentro da mala (ressalva tão explícita, esta, que nem sei escrevê-la)

A água é feita de

Grande seca no país diz a vizinha. No Natal vamos ter as couves a 20 euros, diz a vizinha.
No outro dia, ouvi de um senhor que nada tem a ver com a minha vizinha, declarar com muita propriedade que a água é um bem extremamente precioso, é necessária para tudo, mas é que tudo, tanto que a própria água é feita de água, portanto é-lhe também necessária.

Prédio

À frente do prédio a árvore de seu nome jacarandá, pendendo do jacarandá as grossas folhas em castanho. Oh, fora em azul e ficava aqui um poema do caraças, que era a próxima palavrinha a replicar. Bom, o céu estava muito azul, sem nuvens, só por dizer que o meu telemóvel me disse que hoje não haverá chuva e que estava 11º. É. E é também de nada, ora essa.

domingo, 19 de novembro de 2017

lixívia

a pessoa calçou as luvas para não lhe ficar o cheiro da lixívia nas mãos, isso,
a pessoa estava preocupada, apenas, com o cheiro, não com a manicura, pois que, como se vê no post anterior,
a pessoa ao momento não ostenta nessas extremidades do corpinho o fino cuidado de outros tempos, então, vai que
a pessoa se entusiasma com a limpeza do chão e, ao espremer o pano impregnado do bendito eliminador de sujidade,
a pessoa salpica a cara! toda!
a pessoa não queria cheiro nas mãos, mas...
a pessoa consegui-o na carufa

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Couve roxa

A couve roxa é ácida e tão dura que leva montes de tempo a dar-se por cozida. Pu-la na sopa e ficou esquisita. É bom, o seu gostinho, tudo bem, eu cá gosto, mas. Logo à noite tenho lá um restinho para sorver, oxalá não tenha azedado no entre dos tantos.

canção da rua

indo eu indo eu
subindo a avenida
um senhor me cantou:
rá pá pá pó
a alegria em todas as sílabas
tudo bem
mas
o érre palatal fez a glória do momento

Grande novidade

A Discoteca Roma será brevemente uma fina padaria; um requintado salão de chá; um recesso de alegre estar. É que eu vi os frisos de um balcão por entre a papelada que ainda reveste as montras, e era bórdô, e, o dito revestimento ser na cor bege e não feito de desatualizadas folhas do Correio da Manhã, indica uma dessas três hipóteses.

Diário da indecisão

Lisboa, 16 de novembro de 2017
[fui a Belém e havia funeral e cavalos e senhores agentes e telemóveis e máquinas fotografando e filmando e trânsito cortado em algumas vias e comi pastéis de nata daqueles que são daqueles daquele lugar]
Vai daí...
Este fim-de-semana vou mas é fazer pastéis de nata, que eu também sei como é. Só ainda não experimentei fazer eu mesma a massa folhada, é que tenho medo - e bicho-cão que ladra quando vem gente não pertencente à matilha – de me dar cabo do recheio. Que este, parecendo que é a parte fundamental, deixará rapiadamente de o ser perante uma massa grossa ou seca ou mole.
E o Tejo, ó Gina?
Lindo e brilhante de manhã, brilhante e lindo de tarde. Acrescentar mais o quê, né?, ando mas é a arrastar-me pelo assunto e a fuçar no assunto, é o que é.
Lisboa, 17 de novembro de 2017
Vou fazer antes bolo-rei rápido. Não. Vou fazer pães-doces. Não. Vou fazer crumble de maçã e pedacinhos de marmelada. Esta é a estação da maçã, da canela, da marmelada, das tartes com frutas de polpa rija. Será que tudo o que seja maçãs/marmelos/peras têm um grupo cujo nome se apresenta tipo assim em latim e coiso?
Agora a sério, vou fazer bolo-rei rápido e passo a explicar porquê. É que anda-me pela despensa alguns ingredientes que quero/devo usar o quanto antes. Trata-se de gengibre cristalizado e coco e ananás desidratado. Relativamente a estes últimos, não estou certa de ficarem bem num bolo como este, pois a secura não é bem-vinda por essas massas, que se aveludam mais pela humidade dos frutos cristalizados do que pela gordura que, ainda assim, contém. 
Faço mas é um bolo de maçã? Hum. Daqueles simplezinhos, de quatro por quatro, temperado como me apetecer ao momento, por acréscimo cubinhos de maçã? Hum. Canela em pó.

Graminhas

Este é um post atrasado, que ontem não anunciei o peso do que comprei na frutaria do nepalês.
dois mil e sessenta gramas de laranjas
quinhentos e trinta e cinco gramas de dióspiros

Cenas

De manhãzinha, a rica filha despediu-se:
»» Até logo, felicidades nas vossas cenas.
Amandei-me:
»» Então, para ti, cenas fixes.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Cidade

A cidade são tiras e tiras e tiras.
ruas, passeios, passadeiras, muros, varandas, portas, janelas, , , , , , , , , ,

Estou habituada

O horário não se me mudou. Ah. De resto, muito mudou. Estava habituada a, e passo a republicar um post de outros tempos:

A quem me acolher:
Estou habituada a entrar à hora que quero
Estou habituada a sair à hora que não quero
Estou habituada a encomendar mercadoria de grande rotação
Estou habituada a encomendar as novidades do mercado
Estou habituada a dispor de autonomia em noventa por cento da logística que mantém o estaminé
Estou habituada a um lugar escondido para ouvir música
Estou habituada a um pátio para tirar fotografias
Estou habituada a uma secretária de madeira prensada
Estou habituada a uma cadeira giratória
Estou habituada a um computador básico
Estou habituada a escrever no computador
Estou habituada a editar o que escrevo

Estou habituada a usufruir cada uma das partes acima descritas. Aqui e agora, ou então do lado de lá e daqui a nada.
|28 julho 2017|




E cá ando eu, por habituar, esperançada de me habituar a viver.





Coordenadas

Outra vez o meu telemóvel, pois é, que ele anda com cenas, que de maradas nada têm, mas pronto, e vai que quando ligo as netes me manda dizer coisas de autocarros e comboios e assim, não duvidando eu que requisitei esse serviço (tipo assim como que mais ou menos) gratuito (afinal a gente paga essa merda toda, né?), muito embora tenha sido inadvertidamente, pois eu cá não preciso dos horários dos transportes públicos, mas. Mas quero anunciar que por baixo da informação atualizada nos termos que já referi, e aqui é que está a cena, vêm duas opções de escolha (como se eu quisesse/precisasse de escolher dali) uma mão fechada com o polegar para baixo, simulando descontentamento no facto de o mundo inteiro me saber ali, tanto que acrescenta a frase: «eu não estou aqui», e uma mão fechada com o polegar para cima, querendo dizer «ai ó pá, ó malta, eu estou aqui, venham cá ter comigo, que a gente bebe aí uns canecos, caneco!»