quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Capacete

Vou deixar-me de lamúrias por ter que andar com um capacete enfiado nos cornos, já que recentemente, e com um intervalo de dois dias, fui agraciada com duas situações, que relato já a seguir:
Quando parada num semáforo, um motorista de autocarro abriu o vidro e anunciou os seus votos de uma boa viagem para esta que escreve. Assim sem mais nem menos, olhe, tome lá este voto, dou-lho de bom grado, leve-o.
Quando parada num semáforo, uma menina que viajava num carro ao lado, sorriu e acenou-me vivamente. Isto sem que antes eu tenha feito qualquer gesto. Nada.
Então, é ou não é para ficar toda contente por andar de mona presa num capacete?

Bicho-cão

Olívia, a minha cadela, sabe que o raspar da faca na torrada pressagia côdeazinha no bucho. Nesses momentos é toda ela uma atenção. Só. Nem cá festinhas nem cá expressões submissas. Só atenção.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Inox

Dois homens carregavam uma gigantesca folha de inox, a cada um sua ponta, pois claro. Em certa altura um não aguentou a estopada e pediu intervalo ao outro. Depois queixou-se das mãos, que as tinha já 'todas chinadas'. Como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, um chino é um canivete, daí a expressão do homem. Até aqui vou desenxabida, já sei, mas há piada no insólito do facto de o chinado já vir com dois dedos cortados e sarados. Pois, acidente de um outro dia lá longe, que deve ter doído pra caraças, e ele a queixar-se de meros cortezinhos. Isto prova que o passado não move coisa nenhuma.

Lisboa, Lisboa (em letras)

À minha frente caminhava um decerto turista estrangeiro que envergava um conjunto verde na parte de baixo e vermelho na parte de cima. Bandeira de Portugal, em Portugal, na sua capital, em corpo de estrangeiro, olarila.

Estrelinhas

Zero estrelinhas, 'migos. Zero. Entretanto sucumbi aos protestos do rádio, ó Gina tu nunca me passaste o pano, ó Gina passa-me o pano, ó Gina, vá lá. Passei. Ficou lindo. Brilhante que só visto. Tanto o rádio como a caixa do pão, já agora, né? Pronto, dou muita atenção aos objectos. Quem é que ainda não tinha reparado nisso? É preciso estarem aqui pela vez primeira para não terem percebido tal obsessão desta que vos escreve. Mas, para ficar eu um tudo-nada parecida com alguém que é capaz de conviver, antes havia tido uma conversa com a menina. Ela segurava um boneco, que me pareceu uma rena, e fez conversa no sentido de expor os nomes dos dedos, comparando-os, inclusive, com os chifres da rena. Pá, se calhar são comparáveis, eu é que sou uma naba do caraças e não percebo nada de chifres. De rena, claro, que de outros, pronto. Mas a menina. Perguntou-me qual era o polegar e mostrei-lhe um dos meus, orgulhosamente. Sorriu como se fosse a professora e tivesse ficado contente com a minha prestação. Depois seguiu com a questão, mostrando e nomeando o - indicador. Do dedo seguinte revelou apenas a primeira sílaba - mé..., dando ênfase para me encorajar. Percebi que era a minha deixa e avancei – médio. Continuou no comando e ordenou que o seguinte dissesse eu, – anelar, respondi, com pompa, e ela pôs outra vez o sorriso de professora congratulada. Chegadas que estávamos ao mindinho, avançou ela – mindinho! E ainda acrescentou que era este o nome porque é o dedo mais pequenino.
Sempre achei que o mindinho tem um nome com inho precisamente por ser, não só pequenino, como o mais pequenino. Não encontrei uma maneira infantil de transmitir esta ideia à menina, conviver com crianças não é assim tãããããão fácil.

Dias de um Ginásio

Pus-me na passadeira à velocidade cinco ponto um e a inclinação no zero. Em certa altura contei quantos segundos decorreram até queimar uma caloria – catorze. Quando me inclinei aos três ponto zero decidi contar novamente os segundos para uma só caloria queimada – onze. Esta informação é insuficiente para perceber, isto só por exemplo, qual a diferença de passos dados em uma ou outra inclinação, mas percebi logo que, querendo queimar calorias aos bués, o melhor é inclinar-me, mesmo poucochinho que seja.

Luva de banho

Se a luva está na mão direita esfrego o lado esquerdo do tronco e a perna direita
Se a luva está na mão esquerda é a vida em reverse and life goes on and so on
O frio é tanto que a água do chuveiro going trough the antebraços está quase fria quando alcança as mãos
O frio gela não só the air como the forearms

O meu colega, (esta é que é a) primeira vez

O meu colega arranjou uma maneira de brincar com o fmi e a troika: diz que não tem troikos.
|10 maio 2011|


Sim, é outra gaffe. Caraças pá, ando uma tresloucada. Bom. O que aconteceu foi que me esqueci completamente de consultar o meu segundo blogue, indo na pesquisa somente até ao terceiro. Está então a rectificação feita, sendo que o primeiríssimo post onde aparece o meu colega é o supra apresentado. E o post como que errado está aqui.

Nostalgia

Encontrei isto:

A quem me acolher:
Estou habituada a entrar à hora que quero
Estou habituada a sair à hora que não quero
Estou habituada a encomendar mercadoria de grande rotação
Estou habituada a encomendar as novidades do mercado
Estou habituada a dispor de autonomia em noventa por cento da logística que mantém o estaminé
Estou habituada a um lugar escondido para ouvir música
Estou habituada a um pátio para tirar fotografias
Estou habituada a uma secretária de madeira prensada
Estou habituada a uma cadeira giratória
Estou habituada a um computador básico
Estou habituada a escrever no computador
Estou habituada a editar o que escrevo
|28 julho 2017|


… Que é uma lista de regalias a que estava habituada no velho estaminé. Mantenho as horas que quero e que não quero, o computador e a secretária. Estes últimos são, inclusive, os mesmíssimos, não sendo portanto uma mera secretária e um mero computador, são aqueles!, os mesmos! Porra pá, até fiquei desconcertada. Ando para aqui a ver umas coisas no antigamente do blogue, isto por conta de algo que quero apresentar um dia desses e depois descubro textos que já não lembrava de ter escrito, mas é que nem pensar. Bom. Adiante. É para a frente, o caminho. Ah, e continuo também a escrever e a editar o que escrevo, claro, mas isso acho que sempre se percebeu.

Árvores

Há árvores na minha vida que são importantes o suficiente para que rectifique uma informação que avancei erradamente, embora seja um erro que só eu sei que é e está. Mas lá está porra de sempre, o blogue é meu, eu é que mando nisto e, em coisas tão importantes como as árvores da minha vida, não marimbo. Portanto, segue rectificação:
No post das árvores da rua mais bonita de Lisboa, a árvore que apresento não é a sexta que encontra ao lado direito quem desce a dita rua, mas sim a terceira que encontra do lado esquerdo quem desce a mesmíssima rua. Deixo novamente a ultrajada:


Caras




Cresci em Loures e moro em Loures, de maneiras que, não raras vezes, sempre que ando por aqui vejo caras que conheço mais novas, mais magras e mais lisas. Não sei exactamente de onde as conheço mas tenho para mim que será dos tempos de escola. Enfim, eu já não estou nova, e bem que dizem que 'pelas costas dos outros conhecerás as tuas', de maneiras que isso acontece, presumo, também com as caras.
Inicialmente, a foto não foi pensada como ironia para as caras de que falo neste post, mas a vida apresentou-me a ocasião de as ligar e eu ligo-as. Loures é uma cidade de ovelhas, ele é ovelhas nos campos e ele é ovelhas nas estradas, mesmo as mais movimentadas, e de manhã dei com a imagem acima, à qual irresti, clicando. Pode muito bem ser que as ovelhas venham para aqui frequentemente, mas eu não me lembro de alguma vez as ter avistado. Ao cimo do declive, em rebanho, pois que sim, avistei, mas aqui e, ainda por cima, enfardando tão placidamente, que me lembre, não.

O mais difícil é amar como se...

A imagem encontrei nas netes (num storie do Instagram) e decidi alterá-la, acrescentando cores esfumadas. Há o nome Sousa por baixo de tudo, portanto daqui lhe agradeço.

E é, o mais difícil é amar sem restrições, e nem sei se alguém consegue isso, e nem sei se isso é assim tão bom e, ou, desejável.

Já dançar como se ninguém me estivesse a ver, pois que ok, raramente alguém me vê dançar.

De cantar, geralmente não me querem ouvir.

De viver, não conheço outro lugar senão a Terra, de modo que. Pois é.

Manhãzinha

Não vou dizer que é muita giro e bom que a minha cadela ande atrás de mim enquanto me movo em muito à conta de me andar a despachar porque não é. 
Olívia, pára de andar atrás de mim, tá, quida? 
E ela faz que não, e não é com a cabeça, é com as patinhas - tic tic tic.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O Outono na árvore amarela, situação actual

Quando cairem estas folhas (ver foto) a árvore amarela estará completamente nua. Num ramo que não aparece há outras duas ou três, mas muito secas e castanhas, aparentando ser bem velhinhas. Tenho para mim que são de outro ano mas não posso estar certa. Sei lá, parecem muito arreigadas, muito 'daqui não abalo nem por nada', e têm um ar tão provecto que as julgo pertença de outro ano, que não este.





Duas das árvores da rua mais bonita de Lisboa

Este Outono não tenho dado grande atenção às árvores da rua mais bonita de Lisboa. Estas que hoje captei são, a primeira: a oitava que encontra do lado direito quem desce; a segunda: a sexta que encontra precisamente do mesmo lado, precisamente no mesmo sentido. Imprimi-lhes uns quantos filtros, dois, puramente desculpáveis, uma vez que melhorei consideravelmente o tom das folhas, queria-o muito amarelinho e assim consegui pelo menos na primeira. Quero dizer, estou no telefone, lugar de fotos em pequerrucho, mas pronto.

Sonho

Sonhei que andava a lavar os azulejos da minha cozinha. Que pena ser em sonhos, trabalheira por trabalheira, toujours ingrat, ao menos o resultado fosse real.

domingo, 10 de novembro de 2019

Gina, numa relação com a cozinha.

Há que não deixar que o pó do cacau, em pó, aterre, ou empoeire, o salteado de legumes. É que não vai saber bem. Aterrou, ou empoeirou, a asa do tacho, mas essa não era para comer, portanto, coiso. E ai a porra das vírgulas.

Há que não comprar mais ovos. Ou havia que não comprá-los, porque os havia cá em casa, mas comprei. O caso visto isoladamente, não é nada de mais, pois se ovos são ovos que são ovos como os que cá tinha, havia ovos, e há, só que mais, mas, ainda assim, não demais. Demais são, mas é, as vírgulas, oh porra.

Há que não deixar a tampinha do liquidificador dentro do mesmo e meter para lá os tomates, a cebola, os alhos e mais toda a catrefada de especiarias. Não, não deixei, mas ia deixando e, deixando, e ai a porra das vírgulas, a lâmina não cortaria a dita tampinha mas intentaria nisso, ingloriamente, lógico!, e destruiria todo o aparelho, já que a lâmina é o que lhe dá a valência. Sem ela… pois que nicles. A lâmina do liquidificador é como o sangue nas pessoas.

Há que não aproximar os nós dos dedos do raspador de citrinos. Pá, pronto, dói. Não descreio totalmente que o bolo de iogurte tem, para além de raspas de limão e de laranja, pele do meu polegar esquerdo. Só por dizer que não se nota nada. A propósito de nada, neste item não abusei nada das vírgulas. Nadinha.

Poça

O meu vizinho de baixo de todos - e de baixo de todos não é debaixo de todos, bem entendido, é o do rés-do-chão, pronto - tem a frente do carro toda salpicada da água lamacenta que cobre uma poça, e que fica assim conhecida como poça de água. O carro dele está estacionado bem juntinho e a dita poça encontra-se num ponto onde os carros param para inverter a marcha. Então vai que pumba, trava, salpica, roda o volante, sai. Vem outro a seguir e vai que pumba, trava, salpica, roda o volante, sai. E afora. E há dias.


Hum, ok, vá, não tenho melhoras naquilo de ser blogger. Ai não tenho, não. Mas voltarei a insistir não tarda nada. Até já.

A minha cadela tem cheiro

Ui, que afirmação incrível eu coloquei no título deste post, né? Bom. Então. De manhã, apareci penteada ao pé da minha cadela e ela veio cheirar-me para ver se eu era mesmo eu. E era, tanto que me pareceu satisfeita, logo baixando as orelhas para receber festinhas, expressão submissa, cheia de candura e tal e tal. Quando eu não lhe pareci eu, talvez isso tenha acontecido porque quando me penteio puxo o cabelo para a frente, tapando a cara quase completamente e deixo assim. Sério. Quantas vezes já tenho encontrado vizinhos no elevador e pumba e coiso, quero lá saber, viajamos juntos na mesma. Gosto de pôr o 'viajar' juntamente com o 'elevador', é um exagero inócuo. Mas a cadela. Quando foi aquilo de ela vir até mim sem saber se eu era eu, ia falando com ela, instigando-a a caminhar para mim:
Sim, Olívia, é a dona. A dona tem a cara tapada mas é ela. Anda cá cheirar, anda.
E ela veio e cheirou. 
Vês? Sou mesmo eu, não sou? O cheiro não engana, pois não?
Foi aí que 'baixou as orelhas para receber festinhas, expressão submissa, cheia de candura e tal e tal', como já contei acima.


Pronto, é assim a minha vida. Também a de blogger. Pois.

Irresistível

À conta do tal algoritmo, quando mergulho aos bués no Youtube, o dito vai buscar esta canção, à qual irresisto, clicando. Já a pus no blogue, que me lembre, duas vezes. Em todas as vezes que o little drummer boy soa nos versos: 
I have no gift to bring
Pa rum pum pum pum
That's good to give our King
Pa rum pum pum pum
Rum pum pum pum
Only my drums
... Decido que este Natal oferecerei o som do meu digitar ao menino jesus. Pode até calhar de lhe oferecer os teclados, porque não? A gente até se enche de boa vontade e tudo, né? As canetas é que não, ou os papelinhos. Vivo sem digitares e teclados, mas não vivo nada saudavelmente sem canetas e papelinhos. E lá se foi a boa vontade. Pois.