segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Gina, a mulher que fez um bolo amarelo





receita copiada daqui
se bem que não tenha copiado a cobertura,
que me cingi ao brigadeiro mole
- sugestão da rica filha -
de uma outra receita de bolo de cenoura,
que tem anos de casa e que consta de
1 lata de leite condensado
com
100 gramas de chocolate
que vão ao lume até...
até chegar ao ponto de brigadeiro mole
aquele que por mais que se queira
não enrola
é portanto antes de chegar ao ponto de brigadeiro duro


Cortesia da dona Adelina

Natural





Preto & Branco





Eu bem disse que a manteigueira e o bule haviam de chegar...

sábado, 25 de novembro de 2017

Boa noite

É vanilla ao máximo X duas camadas, no programa do pc doméstico. Ao natural era o céu, ainda, azul. However, o brilho da lua não esmoreceu com tanta baunilha.






hora do clique: 17:46

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Três caligrafias
Uma é minha

Árvore amarela

Das folhas castanhas da árvore amarela, lembrei-me: por mais incrível que me pareça, a verdade é que as folhas que, ontem, ainda lá estavam, eram mesmo muito castanhas, mesmo muito velhas, mesmo muito ressequidas, mesmo muito apodrecidas. O que não combina. Pois. Apodrecer não se mistura com ressequir. Mas, e, contudo, elas lá estavam, e eu acho incrível.
Hoje, porém, não sei nem poderei saber quantas folhas habitam ainda nos ramos da árvore amarela, que não há tempo ou circunstância que nos valha. Se alguma entretanto caiu, fico por saber.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Árvore amarela

Quatro ou cinco folhas, é o que resta à árvore amarela.

Lugar da musa

A vela decorativa é, também, verde-água
As palhinhas são verde-mar, notei-as hoje

Comprinhas

1 dúzia ovos L
1 chouriço carne saloio
1 farinheira saloia
1 banana
1 par meias lã cor rosa
1 par pantufas acrílicas cor rosa
4 maças grâni smite
4 peras rocha
5 limões s/ pédigri
15 pés salsa folha lisa
1 café curto

Almoço

O meu telemóvel, esse fino e fofo objeto, diz que estão 21º em Lisboa, há 60% de possibilidade de chuva, há um círculo de sol todo amarelo querendo dizer que o céu está limpo mas tem também uma nuvem azul e pequerrucha acoplada.
Pois que de chuva, acabei por levar com ela durante o intervalo grande, fui andando e humedecendo a cabeça, as mãos e a roupa. Creiam que foi bom, porque foi, isto anda sempre tudo a escaldar, de maneiras que.
Entretanto, o fino e fofo mudou de opinião, diz-me agora que a chuva cai, os raios idem, a nuvem é cinzenta e o sol, nem vê-lo. Ah, os graus são 17 e a possibilidade subiu (pensar que se pode medir coisas tão impalpáveis como possibilidades, né?) para os 80%.

A tentativa da peixeira

Enfeites de Natal

Não estrebuchem mais com saudades e assim, que tal não vos valerá a pena, pois o vizinho da frente do estaminé já embelezou a sua varanda de Natal, e isto tão fulgurantemente (é esta a palavrita que tem que ver com luzes e coiso, né?) como nos anos transatos. É que tal e qual esses.

E o Tejo, ó Gina?

O Tejo estava bom, obrigadinha, ó Gina. Com sol nele, ali por sobre. As nuvens zarparam e o sol apareceu, incidindo não só na água, como nos mastros, no Mosteiro dos Jerónimos, no Centro Cultural de Belém. Deu até para eu supor que o placar dos graus hoje, àquela hora, estava a levar com esse tal solinho nas ventas. Pois. Só não sei quantos graus estavam, o que é uma falta do caraças. Pois.

Post 3841

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

olá, bem vindos a mais um blogue

ela tratou-me do cabelinho

ginês

fuminho → suminho

O peso da mona

Fiz fuminho de laranja e, sendo que por ora o nepalês somente poderá fornecer laranjas da remessa outonal - portanto mais novas, mais lisas, mais densas – e é exatamente no último título – densas – que me debruço neste post, por me ter sido necessário debruçar-me – também – por sobre cada uma das metades de laranja, a ver se lhe extraía todo o sumo, usando, para isso, o peso da mona. Sério. Assentei a mona na costa da mão e pressionei.

Peras salgadas

Eu bem que tentei fazer umas peras no tacho que levam sal para lhes extrair o açúcar, mas não mais consegui do que umas peras salgadas. Vi algures na blogosfera que essa química acontecia, mais precisamente aqui, e guardei a sugestão, mas lá no meu fogão não me aconteceu a química. Será porque em miúda eu não apreciava lá muito as peras e elas agora vingam-se?, oh!

Loures, 22 de novembro de 2017

Loures, 15 de novembro de 2017

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Lisboa, ano 2017, e eu viva

Eu, Gina Maria, aos vinte de novembro pelas dezasseis e trinta e sete, ontem, caí do escadote. Não sei, mas parece que me armei em equilibrista apoiando a trave do escadote num ferro que para ali andava e que, também ele, se equilibrava por entre dois dos lados de uma caixa de plástico já partida e, portanto, cheia de bicos. Ou seja: fui tolinha. Ninguém ajuizado, e inclusive equilibrado, se apoia num escadote em desequilíbrio, principalmente se no lugar de uma carpete, ou mero linóleo, há sucata, que ele é bicos e mais bicos de todas as formas e tamanhos. A pessoa que se equilibre por entre estas circunstâncias e não se deixe cair do escadote, né?, é, mas eu caí.
Bom.
Tenho escoriações e hematomas para durar e durar, sendo que um desses hematomas tem assim como que o desenho da pata de um galo, mas olhem que é um galo grande, tá? Na cinturinha do lado direito tenho uma escoriação, à volta tudo branco e à volta do branco tenho então mais um hematoma, assim mal distribuído, parece o mapa de um país por inventar. No cotovelo: outra escoriação, esta última é a que me tem dado mais que fazer, que sangra por tudo e por nada, ali é só osso, de maneiras que mexo-me um nadinha e lá estou eu a manchar as camisolas na manga direita (teria a vida doméstica facilitada se isto tem acontecido no verão). E ontem sujei o chão do Ginásio. Sério.
Já para não falar, mas falando, do pós-queda, oh céus, subiram-me uns calores tão quentes que me despi o quanto pude, visando o atentado ao pudor, não fosse chegar-me coima a casa, com suores e palidez por junto, logo seguidos de um virar de estômago tão repentino que previ vómito no meio do passeio da rua mais feia de Lisboa. Mas não.
Ah, e foi o meu colega que me levantou do chão. É tão querido e prestável... Um socorrista do caneco, é o que é.
E era isto.
Eu sei, eu sei, sou um bocado inconsequente, capaz de tonterias assombrosas, mas de certezinha que vocês gostam de mim na mesma.

Tripé

É assim: tenho finalmente o meu tripé pra fazer filmes aos montes, iei!
É assim: andava há meses para ter um tripé, e agora já tenho, iei!, havendo até quem procurasse por mim nas netes e houvesse anotado num papelinho preço e características e eu o colocasse precisamente no meu porta-moedas para o dito andar comigo para todo o lado. Meses. Deixei-o ontem no lixo do Ginásio.
É assim: é maravilhoso ter um tripé!, é maravilhoso deixar lixo de meses no Ginásio!, iê-iê-iei!
É assim: pra fazer companhia ao papelinho, por mim não manuscrito, mandei também papelinhos cá dos meus, com rascunhos de ideias tão magníficas! quanto esta que acabastes de ler.

Arrumadinho

Sou tão despachada mas tão despachada que deixei cair no chão uma caixa com pontas de aparafusar. Caiu para aí metade, portanto sou também sortuda, afinal podiam ter caído todas, pois podiam? As que caíram varri-as para a pá do lixo, pu-las numa caixinha especial para o efeito. De umas tratei logo de as recolocar no seu lugar por me ser fácil identificá-las, outras pu-las na fila espera, que não chegava a tanto. No entre dos tantos, já está tudo arrumadinho, para tal, valeu-me a ajuda do meu colega. Obrigadinha. Sabes como é, né ó colega?, no que toca a apanhar coisinhas do chão eu sou melhor do que tu.

Vem e entra

Ando sempre a varrer o estaminé. Quando entrar alguém aqui, veja-me então e sempre de vassoura na mão, mas é que sempresempresempre. Tanto ando que neste preciso momento estou de vassoura e teclado na mão. Tanto é que no outro dia a vizinha Gislena me viu arrastando a vassoura pelo chão do estaminé e nesse preciso momento me lamentou o destino. Mas não eu, lá isso não, eu anunciei uma vitória que hei de conseguir, a de trabalhar num sítio limpinho. É demanda, é. É, é.

Não façam

Façam bolo de fécula de batata
Façam bolo de fécula da batata. Aliás, não façam, não é assim tão bom, é granuloso, não repetirei, tanto que nem me empenharei a deixar a receita descrita à minha maneira, como faço com as receitas a repetir e a constar no meu dossiê especial. O tal do bolo assemelha-se bastante a um pão-de-ló, é fofinho, tudo bem, mas a farinha, não sendo de trigo, não se mistura como essa. A mim até aconteceu a farinha vir por aí abaixo, formando uma crosta grossa na base. Não curti, pronto.
Façam flã à francesa
Experimentei um flã que, por conta das natas, se prestou à cremosidade. É bom e soube bem. A baunilha faz parte do rol de ingredientes, bem como o açúcar, os ovos e a farinha, fez-me até lembrar um clafouti, mas não era, e não vai constar no meu dossiê especial.
Façam bolachas de água e sal
Ó pá, espera lá, se calhar não façam mas é. São secas pra caraças. Sério. Pronto, retirei a ideia de uma receita que é composta também de guarnição, que nesse caso é salmão, queijo mascarpone e cebolinho, será decerto daí que vem o tal do equilíbrio que toda e qualquer receita pede. E espera. E eu, para bolachas de água e sal, tenho de pesquisar mais. E melhor.

De envelopes, é assim:

É assim: abaixo são fotos de uns envelopes completamente obsoletos que estavam no velho estaminé. Em tempos serviram para correio internacional, aquele que ia de avião, lembram-se?, se não se lembram não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, daí as cores à portuguesa, e que entretanto se deixou de usá-los, a gente que 'coma' mas é uns envelopes a pensar no tamanho A4 e acabou a conversa. Não que eu saiba comos nem porquês desta extinção, claro, mas, porque o teor deste post não é essa busca, continuo, feliz. Os envelopes da lista negra, ah ah, os da borda preta são os que transportavam as condolências por escrito, a quem não se podia mostrar condolente in loco a quem havia sido enlutado. Ou então reforço/realce desse nobre sentimento.
A par com esses (hoje tristes e sós) envelopes, eram usadas umas folhas de linhas com umas medidas (hoje) estranhas pra caraças, ademais: quem se lembraria de criar uma folha sem margens laterais? Ok, ok aquilo não é um caderno para aprender a escrever, tudo bem, mas. Mas tem umas medidas que. Que me dão muito que fazer. Fazer esse que é tanto mas tanto que nem o sei escrever. Escrever?, será melhor comprar um caderno para aprender...?







A sombra nas fotos é minha empunhando a minha máquina fotográfica montes de espectacular. Por culpa sui, as fotos estão uma merda, mas é assim: e vai que...?


Graminhas

Ora vamos lá a ver, eu quero registar os graminhas do pão , mas a fatura não emite o peso do dito, podia usar os números do preço, mas eu cá não gosto disso, de maneiras que ponho mas é o que comprei substituindo o artigo definido pelo número da quantidade e pronto:

1 pão padeira grande
1 pão brioche pequeno

Mas... Atenção, muita atenção, temos também a frutinha lá do nepalês, que entretanto se fez minha, e aqui uso o anterior modus operandi:

quinhentos e noventa gramas de dióspiros
seiscentos e trinta e cinco gramas tangerinas

ginês

italital → etecetera

Dias de um Ginásio

Andava eu no meio deles. Calhou. De ficar a fazer exercício na única elíptica livre do momento, que ficava exatamente no meio de dois senhores em duas dessas. Eu, a destemida, subi e pumba-pumba-pumba. Os senhores, tão quarentões como eu e tão mal amanhados como eu, mas em macho, não esmoreceram seus espíritos ou desaceleraram seus ritmos, nada disso, tumba-tumba-tumba-tumba, força pá!, embora aí!, está uma mulher a olhar prá gente!, tumba-tumba-tumba-tumba. Eu pumba, eles tumba. Pois. Não é, mas é como se fosse tipo assim
esquerda & direita;
côncavo & convexo;
noite & dia
italital...

Post de letras

Croqui da mesa verde-água

Let me introduce you to my bloquinho rudimentar from this moment on

Os clientes... ai ai ai os clientes...

O meu colega marcou uma reunião comigo para me inteirar de uma oferta muito especial que um cliente deixou.
Vou então gritar segredos.
Trata-se de um grupo de cinco canetas, quatro do Benfica e uma do Galo de Barcelos, com as seguintes ressalvas:

usemos as canetas mas não liguemos a isso do clubismo (Portugal é que interessa, isto digo eu)
uma das canetas foi-me oferecida (em exclusivo) para (eu) andar com ela dentro da mala (ressalva tão explícita, esta, que nem sei escrevê-la)

A água é feita de

Grande seca no país diz a vizinha. No Natal vamos ter as couves a 20 euros, diz a vizinha.
No outro dia, ouvi de um senhor que nada tem a ver com a minha vizinha, declarar com muita propriedade que a água é um bem extremamente precioso, é necessária para tudo, mas é que tudo, tanto que a própria água é feita de água, portanto é-lhe também necessária.

Prédio

À frente do prédio a árvore de seu nome jacarandá, pendendo do jacarandá as grossas folhas em castanho. Oh, fora em azul e ficava aqui um poema do caraças, que era a próxima palavrinha a replicar. Bom, o céu estava muito azul, sem nuvens, só por dizer que o meu telemóvel me disse que hoje não haverá chuva e que estava 11º. É. E é também de nada, ora essa.

domingo, 19 de novembro de 2017

lixívia

a pessoa calçou as luvas para não lhe ficar o cheiro da lixívia nas mãos, isso,
a pessoa estava preocupada, apenas, com o cheiro, não com a manicura, pois que, como se vê no post anterior,
a pessoa ao momento não ostenta nessas extremidades do corpinho o fino cuidado de outros tempos, então, vai que
a pessoa se entusiasma com a limpeza do chão e, ao espremer o pano impregnado do bendito eliminador de sujidade,
a pessoa salpica a cara! toda!
a pessoa não queria cheiro nas mãos, mas...
a pessoa consegui-o na carufa

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Couve roxa

A couve roxa é ácida e tão dura que leva montes de tempo a dar-se por cozida. Pu-la na sopa e ficou esquisita. É bom, o seu gostinho, tudo bem, eu cá gosto, mas. Logo à noite tenho lá um restinho para sorver, oxalá não tenha azedado no entre dos tantos.

canção da rua

indo eu indo eu
subindo a avenida
um senhor me cantou:
rá pá pá pó
a alegria em todas as sílabas
tudo bem
mas
o érre palatal fez a glória do momento

Grande novidade

A Discoteca Roma será brevemente uma fina padaria; um requintado salão de chá; um recesso de alegre estar. É que eu vi os frisos de um balcão por entre a papelada que ainda reveste as montras, e era bórdô, e, o dito revestimento ser na cor bege e não feito de desatualizadas folhas do Correio da Manhã, indica uma dessas três hipóteses.

Diário da indecisão

Lisboa, 16 de novembro de 2017
[fui a Belém e havia funeral e cavalos e senhores agentes e telemóveis e máquinas fotografando e filmando e trânsito cortado em algumas vias e comi pastéis de nata daqueles que são daqueles daquele lugar]
Vai daí...
Este fim-de-semana vou mas é fazer pastéis de nata, que eu também sei como é. Só ainda não experimentei fazer eu mesma a massa folhada, é que tenho medo - e bicho-cão que ladra quando vem gente não pertencente à matilha – de me dar cabo do recheio. Que este, parecendo que é a parte fundamental, deixará rapiadamente de o ser perante uma massa grossa ou seca ou mole.
E o Tejo, ó Gina?
Lindo e brilhante de manhã, brilhante e lindo de tarde. Acrescentar mais o quê, né?, ando mas é a arrastar-me pelo assunto e a fuçar no assunto, é o que é.
Lisboa, 17 de novembro de 2017
Vou fazer antes bolo-rei rápido. Não. Vou fazer pães-doces. Não. Vou fazer crumble de maçã e pedacinhos de marmelada. Esta é a estação da maçã, da canela, da marmelada, das tartes com frutas de polpa rija. Será que tudo o que seja maçãs/marmelos/peras têm um grupo cujo nome se apresenta tipo assim em latim e coiso?
Agora a sério, vou fazer bolo-rei rápido e passo a explicar porquê. É que anda-me pela despensa alguns ingredientes que quero/devo usar o quanto antes. Trata-se de gengibre cristalizado e coco e ananás desidratado. Relativamente a estes últimos, não estou certa de ficarem bem num bolo como este, pois a secura não é bem-vinda por essas massas, que se aveludam mais pela humidade dos frutos cristalizados do que pela gordura que, ainda assim, contém. 
Faço mas é um bolo de maçã? Hum. Daqueles simplezinhos, de quatro por quatro, temperado como me apetecer ao momento, por acréscimo cubinhos de maçã? Hum. Canela em pó.

Graminhas

Este é um post atrasado, que ontem não anunciei o peso do que comprei na frutaria do nepalês.
dois mil e sessenta gramas de laranjas
quinhentos e trinta e cinco gramas de dióspiros

Cenas

De manhãzinha, a rica filha despediu-se:
»» Até logo, felicidades nas vossas cenas.
Amandei-me:
»» Então, para ti, cenas fixes.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Cidade

A cidade são tiras e tiras e tiras.
ruas, passeios, passadeiras, muros, varandas, portas, janelas, , , , , , , , , ,

Estou habituada

O horário não se me mudou. Ah. De resto, muito mudou. Estava habituada a, e passo a republicar um post de outros tempos:

A quem me acolher:
Estou habituada a entrar à hora que quero
Estou habituada a sair à hora que não quero
Estou habituada a encomendar mercadoria de grande rotação
Estou habituada a encomendar as novidades do mercado
Estou habituada a dispor de autonomia em noventa por cento da logística que mantém o estaminé
Estou habituada a um lugar escondido para ouvir música
Estou habituada a um pátio para tirar fotografias
Estou habituada a uma secretária de madeira prensada
Estou habituada a uma cadeira giratória
Estou habituada a um computador básico
Estou habituada a escrever no computador
Estou habituada a editar o que escrevo

Estou habituada a usufruir cada uma das partes acima descritas. Aqui e agora, ou então do lado de lá e daqui a nada.
|28 julho 2017|




E cá ando eu, por habituar, esperançada de me habituar a viver.





Coordenadas

Outra vez o meu telemóvel, pois é, que ele anda com cenas, que de maradas nada têm, mas pronto, e vai que quando ligo as netes me manda dizer coisas de autocarros e comboios e assim, não duvidando eu que requisitei esse serviço (tipo assim como que mais ou menos) gratuito (afinal a gente paga essa merda toda, né?), muito embora tenha sido inadvertidamente, pois eu cá não preciso dos horários dos transportes públicos, mas. Mas quero anunciar que por baixo da informação atualizada nos termos que já referi, e aqui é que está a cena, vêm duas opções de escolha (como se eu quisesse/precisasse de escolher dali) uma mão fechada com o polegar para baixo, simulando descontentamento no facto de o mundo inteiro me saber ali, tanto que acrescenta a frase: «eu não estou aqui», e uma mão fechada com o polegar para cima, querendo dizer «ai ó pá, ó malta, eu estou aqui, venham cá ter comigo, que a gente bebe aí uns canecos, caneco!»

Sonhei com a minha amiga

Estava eu muito bem a sonhar com a minha amiga, conversando calmamente – eu disse conversando; eu disse calmamente – os assuntos eram interessantes para ambas e tal, e vai que na sequência disto nos separámos e fomos cada uma à própria vidinha, alegre, compenetrada e pacificamente. Na sequência da sequência anterior, eis que a minha amiga lhe deve ter dado um sono do caraças, que a vi dormindo descansadamente – algures, sei lá onde, na rua?, ressalvo que relato um sonho – e, ao passar por ela e vendo que dormia – hum, acho que era no chão da rua, já referi que isto aqui é um sonho... - muda ia e calada passei. Dias depois contei-lhe que a vira dormindo mas, não querendo incomodar, não lhe falei. Ela respondeu tão secamente quanto conseguirdes imaginar:
Então, não queres falar, não fales!
Com tudo e por tanto, quero então dizer que isto era um sonho e que os sonhos imitam a vida e a arte imita os sonhos, mas pobremente, e também imita a vida, mas a enriquece despudoradamente, e só não põe pontinhos cintilantes em histórias quem não as tem ou as não conta.

Lugar da musa

Não havia lugar no lugar da musa, não dentro, apenas fora. O moço que me serviu, vendo-me dirigir-me à esplanada, agarrou no cinzeiro e perguntou:
A senhora vai fumar?
(Não 'migo, a senhora não vai fumar...)
Na mesa de fora havia um dos tais vasinhos verde-água com hortelã. O cheiro da dita era quase impercetível, estive vai-não-vai para pisar uma com a unha a ver se o odor se libertava intensamente mas não tive coragem. De há uns tempos para cá não consigo destruir plantas e assim. Já pensei, e isto é um exemplo, em arrancar uma folha da árvore amarela para vos mostrar como ela este ano não quer amarelar de vez, mas não consigo. Tudo bem que podia apanhar uma folha do chão, serviria perfeitamente de amostra para este registo, não deixam de ser folhas da árvore amarela, mas não é a mesma coisa, sei lá, as folhas que estão no chão estão lá porque estão efetivamente mortas, apodreceram até não poderem viver mais, caíram, pumba.
Só mais uma coisinhazinha: diz-se que a salsa é uma erva tímida, que solta os aromas somente depois de cortada, quer isto dizer espevitada, jamais se manifestará se a gente não se meter com ela. Assim será, então, a hortelã?
Uma outra coisinhazinha, sóssóssó mais uma:
Aqui há dias, lá no lugar da musa, ofereceram-me um pedacinho de bolo-rainha, que aquela era a sua receita, que andavam a sondar a os clientes, a ver se tomam esse caminho em termos de ingredientes e quantidades do dito e mais não sei o quê. Fiquei toda coisa, ó pá e italital. Provei então o pedacinho e achei-o bom pra caraças. Eu cá é assim: quando provo alguma coisa e considero que não faria melhor, para mim é bom, é muito bom, é ótimo. E era, era mesmo. Mas engasguei-me. E na altura eu andava constipada, de maneiras que tosse com tosse deu em aflição tão aflitiva que até se me corriam as lágrimas cara abaixo. E era eu a querer controlar aquilo e aquilo a não me deixar. É que se me durou tanto tempo o engasgo que começou a parecer-me estúpido continuar ali. Contudo, era-me fundamental opinar vocalmente. E lá fui eu. Dizer, disse. Mas. Voz presa e entrecortada, dois males. Olhe, disse eu com aquela voz, está muito bom, não tem nada a mais nem a menos. Não sei se perceberam e sei que não fizeram cara de não ter percebido, mas.

Cartãozinho

Agora já sou uma cidadã daquelas com cartão para despejar o lixo. Isto se a cidadania for referente a Lisboa, que lá pela saloiada ainda não se viu tamanha modernidade. Mas olhem que é giro a gente ter um cartão pra pôr o lixo no lixo, tá? A ver é se na próxima vez que usar o magnetismo do meu cartão não seguro na mesma mão o saquinho dos despojos e o porta-moedas. É que se me acontece confundir um com o outro... Olhem que aquilo é fundo, tá? Tudo bem que o cartãozinho tem lá um oitocentos-e-oito para a gente ligar em caso de uma calamidade qualquer, mas pronto, nada como desconhecer totalmente se alguém atende aquele númbaro, né?

131

O perfurador de papel faz hoje cento e trinta e um anos, diz mister Google. Surripiei-lhe a imagem, por vezes tenho essa atitude, que é deveras singular.


Degraus

Ó Gina, quantos degraus estavam hoje?
20
Hum-hum
Lisboa, praça de Londres, 14:32, 20 degraus

Pontuação

Este post ficava lindo com o título...

Pontuando a AVENIDA!

Mas não. Ora bem, é irdes à avenida de Roma, Lisboa, junto ao número 17, a ver se não encontrais um ponto de exclamação, num pedacinho de parede, gigantão e vermelhudo.

Tampão

Na rua mais feia de Lisboa, rente e por entre os números dez e onze, está um aplicador de tampão. Quem estiver precisada de um, é vir buscar.

Rascunho*

Mas, seja lá como for, a vida todos os dias corre e elas vão-se amparando e - não duvido que - aturando.

*rascunho como que em complemento ao post anterior

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

És a mais

Lá ia dona Odete e mais su prime de que não sei nome. Ah, esperem, não é prime, é cunhade. Havia de ser ex-cunhade, que dona Odete é viúve.

Latim

Não fui ver o latim. Era cumprimento. É foco. É foco na falta.

Folhas

O lugar da musa encontra-se encerrado, acontece assim em cada segunda-feira, a ver se descansa o pessoal daquele trabalho, e, vai daí, deu tempo de me sentar num dos bancos da rua mais bonita de Lisboa. Estou tão desabituada de lá pousar que não tenho como certa qual a árvore a que demoradamente observei as folhas. Estão amareladas, o que não admira, ora essa, a gente está no outono, logo: as árvores desta cidade estão também. Contudo, na copa estava um ramo com umas folhas totalmente castanhas e aparentemente secas. Sabem o que é?, é que foram as primeiras a nascer, e eu, sabendo (como não sei, mas adiante, a história é minha, conto-a como quiser) que a Natureza tem o mais apurado sentido de justeza, é obviamente por isso que são aquelas as primeiras a morrer. Mas ainda não caíram, não, lá estão elas, resistentes. Vejo-as, também, teimosas. Hum, isso aí é da poesia, acho eu.

Minúcia

Também de manhã, estive de roda de um trabalho minucioso. Não descansei enquanto não o terminei, queria ir de almoço descansadinha da minha vida, sem pensar em minúcias daquelas, o desprazer do trabalho toldando a poesia que sinto sempre que observo minuciosamente a árvore amarela. Já viram?, não podia mesmo ser, né?

Casinha-de-banho

De manhã andei ocupadíssima com as nalgas&etc do pessoal deste espaço comercial, tanto que lambi o mais que pude - de sanita a paredes, passando pelo chão e até a porta – da casinha-de-banho. De maneiras que, ocorrendo o pedido de algum cliente/conhecido/visitante/transeunte, isto aquando de intestinos e/ou bexiga em iminência de perdas involuntárias, já se pode. É que dantes não se podia. Sério.

Graminhas

160 gr* de alhos
140 gr de gengibre
630 gr de maçãs
765 gr de bananas
1710 gr de laranjas
150 gr de sementes de sésamo

Pumba!, as sementes já me desapareceram da listinha de supermercado!
Pumba!, voltei a questionar-me por que raio nessa tal listinha consta, há sei lá quantas semanas, manteiga de amendoim, com a anotação de ser para uma receita a experimentar. Hum, ok, vá, a manteiga de amendoim, quero-a para uma receita em particular, tudo bem, mas... qual receita?! É que não malembra mesmo; mesmomesmomesmo.

*hoje foi abreviado, desculpem, não por se me ter esgotado a grafomania, mas antes o tempo, oh céus!, se não me despacho não vai dar pra escrever todas as coisinhazinhas que me povoam a mona...

Graus

Ontem, à noitinha, o meu telemóvel anunciou que hoje a temperatura subiria três graus em Loures. Considerando o aspeto e o sentir deste dia, e na manhã deste dia, como magnífico, eis que a temperatura há de ter subido também em Lisboa uns quantos graus.

domingo, 12 de novembro de 2017

vergonha, papel e tristeza




vergonha de papel







vergonha com tristeza







vergonha em papel com tristeza







vergonha com a tristeza feita de papel






Tâmaras

Há umas gordas e gostosas pra caraças. Há umas enfezadas, que também dá pra comer, mas o prazer é tão menos que.

São mais caras, as gordas, mas consideravelmente melhores, vai daí, o equilíbrio desta questiúncula está no volume de ar que o porta-moedas contém.