segunda-feira, 18 de março de 2019

Metades





Não tendo nada a ver senão pelas 'metades', o certo é que quando avistei esta metade me senti dentro da história da sereia que é escolhida - a fingir disputa, já se sabe - pela metade, nunca, porém, sendo escolhida uma, pois se da parte de baixo, a peixa, se diz que serve para nadar e oh que fixe (é para rimar com peixe) seria, já da parte de cima, a mulher, diz-se que só serve para conversar, oh que grande seca (é para rimar com água, mas destoando, o que também é giro). Da indecisão, conclui-se que não há uma decisão que preencha os requisitos mínimos.
E se avistei uma coisa e senti outras, ainda por cima disparatadas, então o melhor é registar estas coisinhazinhas. Eu sei, eu sei, este blogue é lindo.

Bitmoji de Gina espreita o dia





Bom dia!


sexta-feira, 15 de março de 2019

Ora essa, qual quê, o que interessa é a gente estar vivos



Diz o rótulo

Diz o rótulo que é um conhaque feito para uma campanha napoleónica. Gargalo lacrado, que já se deslacrou, e uma espécie de areia colada em toda a garrafa. 1945 escrito a tinta vermelha, possivelmente pelo cliente, e cadáver - sim, sou uma besta -, que no-la ofereceu e tenha querido registar o ano da aquisição. Entretanto, a rolha desfeita, partículas boiando no líquido, pôs-se o que sobra num frasco que veio do supermercado com azeitonas, quero eu dizer que foi essa a sua primeira vida. Talvez ajude dizer que a tampa do frasco é de um vibrante amarelo, nem tudo deve ser cadavérico nesta vida.

Espelho


O espelho da casa-de-banho está pejado de restos de comida. Ponho-me ali próxima, a passar o fio dentário, e depois saltam-me coisas da boca. Posto isto, tanto posso ser tão porca como julgo, como quanto vão dizer.

Passiva?


Recebedora. E, se recebedora, então, passiva não.

Vida animal


Karen, olha aqui a Gina: não me apetece fazer isto sabes?, na verdade não me apetece fazer nada. Nem isto, nem bolos. Talvez só escrever. Te.

Os anos que tem

O meu telemóvel resvalou e aterrou com um baque. Ou dois. Bem, se calhar três. O certo é que a rica filha se encolheu toda, em sofrimento, como se de um pobre bicho se tratasse. Anunciou logo a sua muita idade – fez três anos em sete de março último. Para este post ficar mais compadrio, relembro que o bicho em questão foi herança que recebi da rica filha, daí este seu desvelo.

Iam-me dando

Já não sou o tipo de pessoa que aceita os livros todos. Recentemente tive oportunidade de me jogar ao espólio de uma conhecida de uma cliente e também ao de uma vizinha que vai mudar de casa. Não me apeteceu ir lá vasculhar, depois escolher, ensacar, carregar e arrumar. É que, parecendo que não, dá uma trabalheira do caraças. À parte aquela minha questão de ler por imposição de mim mesma, a verdade é que em tempos idos jamais negaria uma oferta deste género, tenho cá em casa dezenas de livros que me foram oferecidos dentro deste tipo de circunstância. Mas mudei ou coisa assim, sei lá. Não quero, obrigadinha.

convidei-te pra jantar
adoraste ver a minha coleção


Sempre achei um desplante o José Cid (título) não referir o teor da sua coleção. E não, do teor do jantar não me importa.

Orientem-se

Vinham de lá umas orientais todas desorientadas, contava-me o Ângelo. Interrompi o discurso para questionar como podem as orientais ficarem desorientadas. O Ângelo riu com gosto - Ah ah ah, essa é boa, essa é boa! Ó Gina, eu é que bebi e tu é que estás espirituosa?

O mundo está cheio de mulheres bonitas

O mundo está cheio de mulheres bonitas

Vídeo




é de notar que:
este vídeo tem três anos
é do início do blogue
a ideia, ao prepará-lo, era colocar alegrete no cabeçalho do blogue
não efectivei a ideia porque não curti o efectivo
este vídeo tem três anos
não estou certa de já o ter publicado
não estou certa de entretanto ter preparado outro(s) efectivo(s) para alegrar o blogue
tendo, é certo que não efectivei essa(s) ideia(s) por o cabeçalho continua branco
este vídeo tem três anos




quinta-feira, 14 de março de 2019

Menopausa

(ui! a quantidade de poisos que este post vai ter! menopausa no título?! caramba! é arrimar, 'migos, é arrimar!)

Ó Gina, estás preparada para a menopausa?
Não. Sinto é uma urgência (daquelas com ruído e aflição agonizantes) em me preparar para um não-sei-quê, que pode ser comparável, por exemplo, ao casamento ou à maternidade. A gente sabe lá o que vem aí, né? Pronto, é isso.

Consultório


Olha eu para o senhor doutor:
posso malevantar?
Olha o senhor doutor para mim:
pode levantar-se.

Aquele boneco que está na sala de espera tem os pés desproporcionados em relação ao resto do corpo. Presumo que seja para caberem as anotações referentes às linhitas que ligam isto àquilo, numerando-as ou coisa assim, sei lá, mas sei que é giro.
Podia dar-me na tola observar outro tipo de coisas, coisas fofas e interessantes, bem sei.
O cortinado também tem a sua graça. Há um pássaro em contornos por todo ele... não é nada, há partes preenchidas por cor, as que não são mantêm a cor do fundo do tecido, isso faz com que uns pássaros sejam o negativo de outros. Onde é branco, é preto, e o contrário. No outro dia estive um bocado deitada de barriga para cima e foi então que vi isto. Só não os contei mas não faz mal.
Eu sei que podia escrever de um outro tipo de coisas.

O bolo

No fim-de-semana passado fiz um bolo de limão e alecrim, isto na enga em que ando agora, a de refazer, um a um, os bolos do meu dossiê especial. Na sexta-feira tinha posto no blogue quão indecisa estava, oh céus!, que bolo fazer?, apresentando inclusive as ideias, só por dizer que a preferência caiu sobre um bolo que não constava na lista. Pois. É meu costume descomandar as próprias ideias. São ânsias que tenho ou então é outra merda qualquer. Trouxe o bolo para o estaminé. A vizinha Gislena comeu e disse, uma vez mais, que estou no lugar errado, que no meio de parafusos e porcas não é de todo o meu lugar.
Não contrariei.
Não sei se ela está certa.
Se eu é que estou.
Nunca estive no local certo, tampouco concebo essa ideia de lugar ou tema certos para mim.
Sei lá.
Gosto de tudo.
Não gosto de nada.
Ela lá foi desenrolando elogios acerca do bolo e da minha capacidade para os fazer bons. Desenrolou também directrizes para eu tomar, abrir um negócio, vender fatias de bolo, eu que fizesse um blogue, que sou uma mulher dos blogues, contara-lhe o meu colega.
Alto!
Estão a ver quando digo que não publicito o blogue? Que raramente ganhei essa coragem? Então pronto, é isto, não fui eu que lhe contei que tenho um blogue.

A foto





Acima é uma das fotos que estavam num cartão esquecido numa gaveta de casa. Eram muitas e sei que publiquei uma no blogue, muito embora não me ocorra qual o assunto em que me apoiei. Sei lá. Foi para aí qualquer coisa e uma coisa qualquer, o que é, indubitavelmente, o que está acontecer com este post, já que o concreto reside no filtozinho que lhe pus por cima, na enga de melhorar este momento, e que se chama Fairy, que fui rapinar ao LunaPic e que, sendo assim, faz a imagem ser deste ano, que foi este ano que a editei assim. De nada, ora essa.

Dia de (disseram na Radio)

Dentre outras coisas, hoje é dia do PI. E é escolhido este dia por ser mês 3, dia 14, uma vez que o PI é coisa para ser sempre chegada ao 3,14. Lembro-me de, numa qualquer aula de Matemática, a professora (eu já não tenho 11 anos, já não digo stora) ter dito que aquela conta, feita daquela maneira, daria sempre, sempre sempre sempre, 3,14. Só por dizer que, e porque não tenho 11 anos, não sei explicar e amiudar esta coisa, que já não malembra. Ficamos todos assim, então. Seja lá como for o que pretendo com este post é registar o facto de alguém se lembrar de lembrar o PI só por ser catorze do três.





aqui está uma explicação
não sei se é a melhor
se é a mais completa
foi a primeira que encontrei

Pontos de interrogação






Intitular este post de 'pontos de interrogação' fez e faz todo o sentido.


Mudar de sentido

Há nove anos que a piada «ah não ligues, ela/e hoje ainda não tomou os comprimidos» tem para mim um outro sentido. Um mais sentido, e com sentido.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Numerologia

Há tempo dei com aquelas contas que se fazem para se saber qual o número que nos rege ou pertence. Digo rege porque afinal parece que se a gente for este ou aquele, somos comandados de certa maneira, e pertence digo porque é o nosso número, ó pá não no-lo tirem. Pronto, coisas assim. Lamento não me lembrar qual é o meu mas aposto que me calhou o 2. O 2 é um número pouco valoroso, arrima ao 1, que, sendo menos valoroso, é indubitável que ficar no 1º lugar seja lá daquilo que for é do mais qualificável que há, e, embora o 1 seja em poucochinho, é o 1º a aparecer. Por último há ainda aquela porra que se diz que, em podium, o pior lugar é o 2º. Lembro-me de na altura ter ficado com a ideia de que, a quem calhe o número 11 ou 22, se pode considerar uma daquelas pessoas especiais, com uma personalidade marcada, marcante, porfiadora ao ponto de ser capaz de mudar o mundo. Ei, Martinho Lutero, 11 ou 22, 'migo? E tu, ó Bonaparte...? Hitler, cucu!




Bem sei que podia pesquisar nas netes e tornar-me conhecedora do número da minha vida, mas não quero, acho muito mais giro admitir que sou o 2, que adornei cá à minha maneira com as questões que referi. Posso melhorá-lo ainda mais, registando que o acho muito eu também no sentido de, no fim das contas, não existirmos.

Sonho

Sonhei com a página do meu caderno, uma que deixei por preencher por ao momento me ter dado na mona listar, actualizando, as faltas de supermercado, mas conter, também na mona, questões que se prendiam com o que estava a escrever. Quer então isto tudo dizer que deixei espaço para terminar o assunto e assim acontece que o caderno me apresenta uma lacuna, o que me desagrada, pois, como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, tenho por missão rabiscar em tudo e tudo. É puramente, ou toscamente, quero lá saber, uma questão de vida. Como posso portanto ter deixado aquela folha em branco? Oh! Creio firmemente que esta questiúncula se encontrava ontem à noite no meu subconsciente, daí sonhar com o horror que é uma folha virgem por permeio de outras desbravadas. O sonho consistiu em ter visto algures um arbusto de belas flores, mas com pétalas enormes, alongadas, de um branco impuro, acetinadas, de espessura forte. Quando avistei o arbusto comentei com quem estava comigo 'oh que lindo!' e idealizei de imediato que arrancaria uma das pétalas e a colocaria na dita página. Entretanto, na vida real, passei pelo arbusto - que vive no muro de pedra e que já se alindou todo com o sol que tem feito – e arranquei-lhe uma das folhas mais grandes para entalar no caderno e assim o encher. É tão linda como as pétalas que no sonho agigantei, mas de outro formato e cor. Só talvez se assemelhe em tamanho, descobri que mal cabe sem se ver pontinhas espreitando. Daqui a dias terá encolhido, que eu bem sei, acontece a todos os que envelhecem.

Pessoas no Banco

O senhor que estava a ser atendido parecia mesmo o senhor doutor oculista. Apurei o faro e concluí que só mesmo a fisionomia se aparentava, que no cheiro não. O senhor doutor oculista cheira sempre, sempre sempre sempre, extremamente bem.
A senhora do Banco, a mais carismática, foi quem me atendeu. Tratou-me extremamente bem. É costume ela tratar-me bem, sim senhoras e senhores, mas extremamente é só para certas ocasiões, ainda não deslindei quais merecem este trato inflacionado (é pra rimar com Banco), só estou desconfiada de um motivo, o qual permanecerá secreto para vocês.
Entretanto aproveito para registar ainda, e uma vez que estou no tema 'Banco', que voltei a desesperar em filas de Banco e em consultas ao perfil do Instagram. Não é um agravamento, mas um regresso. Compreendam que o agravamento de um estado é uma questão pobre e tola, e um regresso é algo cheio de poesia, de saudade, de acolhimento.

Vida animal

Karen, olha, a Gina tem uma borbulha no queixo, está carente, portanto deixa lá ela fazer-te um festinha, vá.

Karen é a gata que por vezes ponho no blogue e que é assustadiça e fugidia. O olhar denuncia susto e temor, raramente passando daí. Ela olhar para mim, olha, e não se desvia, embora lhe note o temor que já referi, e lá que me enfrenta, enfrenta. Por vezes semicerra os olhos, o que me leva a crer que tolera a minha presença no seu território e/ou fica à vontade. Só que ainda não ocorreu a festinha no lombo ou na cabecinha de Karen. Da primeira vez que tentei fiquei receosa, sei lá se o bicho se me amanda pra cima movida pelo temor que lhe vejo no olhar. Da segunda, e última, também não cheguei à coragem, e pelo mesmo motivo. A ver vou se à terceira é de vez. Diz o dito que sim, mas vá. A senhora diz para eu tentar, sem medos, que até hoje ninguém se lhe chegou tanto ao pelo como eu, e que, consumado o acto, serei a primeira pessoa a.

Roupa preta

Quando acontece vir de casa com a parte de cima em cor preta, é certo que quando chego ao estaminé fico toda vestida de preto, uma vez que a parte de baixo é quase sempre em cor preta. Em dias assim é comum virem de lá as perguntinhas: está de luto? morreu-lhe o periquito?, sendo a segunda um desanuviar da possível resposta afirmativa à primeira. Contudo, da última vez em que esta mesmíssima cor me aconteceu em todo o corpo, trazia por baixo da camisola preta, uma vermelha, sendo portanto visível pequenos frisos ao redor do pescoço e dos punhos, que, embora vivos, creio poderem escapar ao comum olhar das gentes. Não estou enlutada, que felicidade, pensava eu. É que nem o lencinho de assoar pressagiava o estado, que, vermelho, também o era.

Morreu

#semfiltro

As horas que são

São catorze e quarenta e três. Há formigas na calçada da rua mais bonita de Lisboa.

As sentadas

Estavam quatro mulheres sentadas no banco hater. Não é o tempo de idolatria, bem sei, mas fez-me impressão na mesma.

5757

Este post trata de cores secas. Na praça mai linda de Lisboa vi uma fileira feita por:
semáforo
tronco
poeta
folhas
Esta última, em cor, achei seca porque a distância a esbateu.

Cliente

Ontem à noite, eu e o meu colega comemos cada um sua tigela de sopa. A cliente insistiu de tal maneira que sucumbimos. Eu cheguei a casa já tratada de jantar, o meu colega não sei.

Este post é





Este post é só para vos mostrar que os meus óculos, se com filtro a negativo, ficam verdes. Anoto, ainda, que, sem filtro, os meus óculos são vermelhos.

5754



Vento

Hoje nem era o escape da mota a fazer mexer o arbusto. Era o vento. Ou eram ambos, vá.

Bitmoji de Gina aplaude Gina



domingo, 10 de março de 2019

O dispensador de palitos

Já encontrei o dispensador de palitos, andava há que tempos sem dele saber. Foi assim que percebi que os pusera numa gaveta onde guardo utensílios de cozinha. Guardo também um outro consumível, formas para queques. Medi a cozedura do bolo com um palito e furei-o com o mesmo palito. Não tendo o palito, safava-me com um garfo mas não era tão especial. O garfo tem os dentes a uma distância precisa e, para furar, quanto a mim, ficam os furos muito próximos, com o palito distribuo melhor e a calda é embebida mais bem. Dantes, o dispensador de palitos estava na despensa, naquela prateleirinha onde guardo coisas pequeninas, como os corantes e as essências. Mudei-lhe o lugar, sei lá por quê, e a minha vida mudou para desorientada, busquei ajuda no garfo e a minha vida não se refez, encontrei o dispensador e vim pôr no blogue, que no blogue é onde ele deve estar.

Nós por cá todos bem, obrigadinha.



sábado, 9 de março de 2019

Os textos são 'Baú', a imagem não


Esta senhora tem a testa alta. A mãe dela tinha a testa alta. O pai não sei. A mãe dela vinha cá comprar vasos e terra para plantas. O pai não sei. A mãe dela era sempre acompanhada por uma acompanhante atenta. Atenção da boa, remunerada. O pai não sei. A mãe dela era tão simpática. O pai não sei.
Esta senhora é igual à que foi mãe dela. Igual na testa, na educação, no trato. Um dia ela virá de bengala, como a mãe andava, acompanhada dalguém a quem paga a atenção e vou vender-lhe vasos e terra para plantas. Um dia mais tarde, um dia desses aí, longínquo ainda, ou então não, todas seremos iguais às nossas mães.
25 novembro 2013


Em criança, a minha mãe nunca me fazia penteados em que mostrasse a testa, a franjinha foi sempre o mote, dizia ela 'a minha Gina tem a testa alta' e depois vinha o conselho: 'usa sempre franjinha, está bem, filha?'
Não!
2 outubro 2015



O par


sexta-feira, 8 de março de 2019

As sentadas


Estavam três mulheres sentadas no banco hater. Sendo no tempo da idolatria ia fazer-me impressão.

As folhas


Desejando que a árvore arredondada esteja vestida, eu.
Curiosa de ver quão menos arredondada será a meio da Primavera, eu.

Os bolos

Há algumas semanas decidi refazer os bolos da minha vida, que são aqueles que constam no meu dossiê especial. Cá por coisas, há montes de tempo que não visiono programas de culinária nem me debruço sobre a revista Continente Magazine. Eu continuar a recortar e colar o que verdadeiramente me interessa, e que quero mesmo experimentar, continuo, mas aborreço-me daquilo, estou atrasadíssima, há meses que tenho esse trabalho por finalizar. Já dos programas de culinária, é certo que não vejo um há meses. Entretanto digo-vos que já refiz o bolo de fubá, o bolo de bolacha, o bolo de cenoura com cobertura especial e o bolo de cenoura, curgete e laranja. Publiquei inclusive alguns posts onde referi circunstâncias destas feituras. Mas para este fim-de-semana estou indecisa sobre qual receita já presente no meu dossiê especial me esparrame, se sobre a torta de ovo, a tarte de maçã ou de avelã, o bolo de chocolate, aquele que é um dos melhores que conheço, leva queijo mascarpone e uma ganache de chocolate, que, sendo de leite, tanto melhor.

Hoje é sexta-feira e estes são os graminhas de fim de semana

Mil e vinte e cinco gramas de curgetes
Trezentos e trinta gramas de limões
Quinhentos e vinte gramas de cebolas
Seiscentos e sessenta e cinco gramas de batatas-doces
Trezentos gramas de cogumelos
Duzentos e setenta e cinco gramas de figos secos
Oitocentos e quinze gramas de tomates

Dia de (não era preciso dizerem na Radio)

Hoje é Dia Internacional da Mulher. Este é tipo assim um daqueles dias que é como o Natal, é sempre que um homem quiser e sempre que o Homem quiser. Por esta ordem, amanhã é dia das mulheres em todo o planeta, fica então marcado.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Hoje não escrevi


Hoje não escrevi porra nenhuma senão esta.
Mas o que vale é que vocês gostam de mim na mesma.


quarta-feira, 6 de março de 2019

Dias de um Ginásio

Não tarda vou até ao Ginásio. A última vez que lá fui, saí de casa, o que se nota como invulgar na minha vida, pois o vulgar é sair do estaminé para lá, como ocorrerá, aliás, hoje. Antes de sair tinha feito uma sopa, que deixei a arrefecer dentro da panela e em cima do fogão. Dei por mim a dar o tratamento do costume ao corpo e a sentir o cheiro do funcho nas mãos. O funcho é um legume cujo sabor lembra anis, é portanto um convencido do caraças, onde aparece logo tenta roubar protagonismo aos presentes no mesmo caldo. Espera-se, então, que queira morar, só esse cheiro e só mesmo esse cheiro, nas mãos que prepararam a sopa. Creio firmemente que o mundo saltitará mais e melhor se eu enumerar quais os legumes que introduzi na dita sopa:
funcho, cebola, alho, pimento, curgete, chuchu, cenoura, beterraba, couve-coração

A árvore amarela

Há tanto tempo que não passava ao lado da árvore amarela que hoje fui até lá só para ver se já aparecem folhinhas-bebés. E eis que não, os nódulos já constam nos ramos, mas verdinho é que não. Fiquei contente de a ver na mesma, ora essa, é sempre bom. Calhando ter as tais folhinhas a deixarem ver-se ia dar-me vontade de a abraçar – ai coisa fofa toma lá um xi-coração – quiçá reverteria o sentimento e ficava mas era com vontade de a estrafegar. Digo algo semelhante ao que sentimos quando gostamos muito de um bebé ou de um bicho e o sentimento acaba por se voltar contra si mesmo, passa a esmagamento, de tanto se desejar abraçar e mimar.

Nabiça

Sou uma ganda naba em questões de aplicações e funcionamento geral do meu telemóvel. O meu móves. É que vai de um lado ao outro, de hardware a software sou mesmo naba. Notem bem: eu estou a dizer que sou uma ganda naba e não que sou uma ganda naba. Digo isto porque não estou a dizer «oh coitadinha de mim, quão naba sou, vou ali chorar porque não aguento esta pressão», e sim «olha só a naba do caraças que eu sou, ah ah, ó pá isto só eu, ah ah, sou tão engraçada, ah ah».
Descobri há coisa de um mês ou dois onde está a câmara do móves. Antes tinha querido saber, e muito, mas nunca tinha reparado no furinho que lá está. Tudo bem que não há muito tempo que dou uso à câmara, mas porra, gravei alguns vídeos a olhar para outro canto do móves, ao terminar as gravações ia certificar-me para onde olhar numa próxima, memorizava, passavam dias e desmemoriava, voltava a gravar completamente desmemoriada e, por último, com o intuito de acabar de vez com o ar quase estrábico com que apareci em alguns vídeos, fiz inclusive um onde registava para onde é que olhava, quero eu dizer que o conteúdo era exactamente esse, «ah eu agora estou a olhar para este canto, agora para aquele, mas será que é antes este? agora é que eu vou perceber isto», pronto, coisas assim, e é durante a edição desse mesmo vídeo que dou pela existência de um furinho que concluo ser a lente da câmara. Ah caraças, o mundo desabou e reconstruiu-se em dois segundos. Que alegria! Contudo, achei bem desenhar um croqui para me orientar futuramente. Pronto, afinal tenho aquela questão de ser aérea, toda cheia de confusões na cabeça e mais não sei o quê. Agarrei num papelinho cá dos meus e, no seguimento de coisinhas simples como o sítio onde o móves tem inscrita a sua marca, situei então o furinho denunciante de lente. Entretanto, oh vejam lá, como que memorizei – finalmente! e também porque se tenho memória de coisas, então é porque sei essas coisas - onde está o furinho, isto se tomar nota da inscrição da marca. Actualmente prescindo do croqui – porque tenho memória e coiso -, só por dizer que o tenho mantido aqui assim no meu placar, que é íman, preso com uma rodela, que é íman, e esta permanência deve-se sobretudo à enormíssima vontade de construir este post, porque, já se sabe, o mundo precisava muito de saber desta questiúncula, e eu, abalando-se-me daqui o papelinho, jamais teria memória de o fazer.

Está de chuva, o dia, pois é.

Pois é, as pessoas passam do lado de lá de chapéus abertos, as pessoas passam do lado de cá de chapéus abertos, as pessoas passam do lado de lá, as pessoas passam do lado de cá. Vai ali um careca sem chapéu aberto ou fechado... olha, este molha a cabeça. Do lado de lá.

Vaidade

Nunca tinha visto um escritor vaidoso em pleno uso da sua vaidade – olha, este conto foi publicado aqui, este livro ali, editora tal; escrevo de coisas que surgem na minha cabeça; o meu processo criativo é não sei quê; posso dizer-te que já li milhares de livros – com um toque tão arrogante na voz que me enojou.
Há sempre coisas a acontecerem na minha vida, rompimentos e abalos e assim, portanto também já não sou virgem aí... Quero eu dizer numa questão desta natureza. Porra pá, após ver o pessôo em ação, que difícil foi manter a estrutura alinhada, continuar de pé sem entontecer e engraçar com o resto do ambiente.

Pois é, há gente que me inveja, claro que há, com este infinito rol de capacidades e virtudes que em mim habita, só pode.

Acho muitaa giro a gente tolerar os outros, as etnias conviverem saudavelmente, no mínimo procurar compreender o outro lado e mais isto e mais aquilo. É muitaa giro a gente compreender que nem todos podem crer no que cremos ou querer o que queremos e tal e tal. Olha por exemplo a cigana com quem me cruzo amiúde não ter ainda compreendido que jamais acreditarei nos factos que enumeraria caso a deixasse descodificar a palma da minha mão em termos de futuro, tampouco quero ouvi-la mais. Pode então tolerar-me esta questiúncula, miga? Bigada.

As tuas melhoras


Já não desespero na fila do Banco nem a verificar o meu perfil no Instagram.

Graminhas


Quatrocentos e setenta gramas de morangos
Oitocentos e quarenta gramas de pêras
Quinhentos e sessenta gramas de maçãs

Do rolo



segunda-feira, 4 de março de 2019

Do saber

Quero que se saiba que o merceeiro faz as contas à mão num papelinho e que a talhante manda a conta da balança para a maquina registadora imprimir o talão. Em qualquer dos casos, pago.
Quero que saibam que me sinto mais sozinha se me dirijo ao abstrato.

Escrever


Escrever é amigo de Gina mas Gina não é amiga de Escrever. Sendo, jamais moeria sua paciência.

Elogia-me


Os elogios não são para constar nos epitáfios nem nos quadros de honra, são pá gente os dizer no momento… ou um bocadinho depois, vá, que alguém está a ser agradável.

Aliteração


Aliteração é um conjunto de palavras que na sua constituição contêm o mesmo fonema, disse ele.
Porra, mas que bem explicado, quando for grande quero ser como tu, pensei eu.

Nós por cá todos bem, obrigadinha.



... gritos!


... não gritas mais alto do que eu!
... pois não, mas também grito!

Bom dia!

domingo, 3 de março de 2019

É Carnaval, ninguém leva a mal.

Nós por cá todos bem, obrigadinha.

Raspas de citrinos

Com o raspador de citrinos também sou especialmente indecisa. Qual dos quadradinhos usar? O maior? O mais pequeno? Porque é que se pode dizer mais pequeno e não se pode dizer mais grande? Se me decidir pelo mais grande os pedacinhos da raspa ver-se-ão?
Não.
Tentei ontem, precisamente no bolo de que falei, tipo assim na enga de não sair das coisas em grande, vá, não fosse eu descambar do equilíbrio mental, e toca de raspar as laranjas. Quando o bolo estava cozido, desenformado e arrefecido ao ponto zero, que é coisa para acontecer às dez/doze horas de descanso, notei que as raspas não se notavam. Notei, notei.
A minha vida é interessantíssima, eu sei. Pronto, já passou.

Vai café?


Vai.






Levantar-me um bocado mais cedo que o costume implica ingestão de mais cafeína. Sei lá, não tenho que fazer ou coisa assim. Ao momento tenho três cafés no meio dos cornos. Mas assim mesmo mesmo mesmo no meio, que eu bem sei.

Palavras

A pessoa descobriu DOGMA, 
que é não é uma palavra de uso corrente, 
e nunca mais decifrava a que faltava naquela altura, 
que era… ta-da! GADO




Bom dia!

#semfiltro

sábado, 2 de março de 2019

so when did we all get so fearful




título: Emeli Sandé

Gina dá conselhos precisos
- de precisão e de necessidade -
a todos:

Sejam mas é felizes.





Buracos

Quando ralo cenouras ou assim, fico sempre na dúvida qual o disco a usar, que são dois. No outro dia fiz bolo de cenoura e usei o dos furos mais largos, apeteceu-me que no bolo se visse a cenoura. Hoje fiz bolo de cenoura e curgete e voltei a usar o disco dos furos largos. Não por querer que se visse os pedacinhos dos legumes, mas para me segurar no que já conheço. Contudo creio com toda a firmeza que o melhor era ter usado o disco dos furos mais finos, o bolo fica mais bonito. Mais fino. Adquiriria um requinte qualquer. Um qualquer.

Máquina do tempo


A minha máquina de lavar roupa anda com um som assustador. O medo que sinto é que ela se avarie e não que me morda. É que a pessoa viver sem máquina de lavar louça, ó pá tudo bem, paciência, agora sem te rum aparelho que ao menos me lave a roupa é que é do caraças.
Bom.
Então.
Há esperança no porvir. Se notarem bem - e notem antes de mais que não vos estou a pedir que pensem pela minha cabeça, mas que notem o que vou dizer - a esperança está sempre no porvir, sempre à frente, ao alcance de qualquer um e em simultâneo como se inatingível, afinal, fosse. Dá-se o mesmo princípio no sexo tântrico, presumo.
Ó Gina, estavas com um discurso tão porreiro, pá… (Não estava nada.)

Comprinhas

O merceeiro espirrou para dentro do saco dos sacos. Fez aquilo para abafar, o que é uma coisa boa, mas sujou os sacos do futuro, o que é uma coisa má. Há folguedo em mim quando percebo que aquando do espirro em poucochinho eu já havia retirado o saco de dentro do saco dos sacos e depositado nele uma quantidade generosa de morangos pequenos, que são os melhores. Acerca do folguedo, falei no presente porque o há ainda agora.
Hoje não fui ao supermercado, amanhei-me ontem à tardinha num dos supermercados junto ao estaminé. Trouxe quatro latas de atum, um pacote com duzentos gramas de nozes e um atado de chocolates que na embalagem diz ser setenta por cento cacau e mais uma série de paneleirices, pois, vai-se a ver, e aquilo é tudo a mesma porra.

Ó pá tóin xiru!






Acima são gifs, imagens com movimento, mas, se as cortar, como aliás cortei, e mesmo não tendo feito o corte no movediço da imagem, já não se movem as imagens, como se pode ver abaixo.








Entretanto ficam as mães das quatro fotos acima.



sexta-feira, 1 de março de 2019

Fofinhices bem vindas


Tenho vindo a perceber que o trato do senhor doutor para comigo imita o descrito neste post. Apesar de o tratamento aplicado ser diferente, as ordens são tal e qual, fofinhas assim, ó: ponha aqui o seu bracinho, olhe a sua mãozinha, baixe a sua cabecinha.

Cliente

Um cliente falou com o meu colega em privado, pedindo que me transmitisse as suas descuplas por não me ter cumprimentado quando as nossas vidas se cruzaram no estaminé. Alegou que vem de um país onde um homem nunca por nunca dirige a fala a uma mulher e, num lamento, admitiu ainda que lhe falta habituar-se plenamente aos nossos costumes.


Em Roma faz-te romano, lá diz o Evangelho, o que até ironiza a questão, uma vez que geograficamente este post se encontra lá para esses lados. É pôr-se então de acordo, 'migo. É, é.

acerca do rompimento e de ser como uns espelhos






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rompimento



sou como uns espelhos
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Ah, ok, hum...





Vai café? (Eh pá, vai. Nem era preciso tanto, mas está bem.)