quarta-feira, 13 de março de 2019

Sonho

Sonhei com a página do meu caderno, uma que deixei por preencher por ao momento me ter dado na mona listar, actualizando, as faltas de supermercado, mas conter, também na mona, questões que se prendiam com o que estava a escrever. Quer então isto tudo dizer que deixei espaço para terminar o assunto e assim acontece que o caderno me apresenta uma lacuna, o que me desagrada, pois, como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, tenho por missão rabiscar em tudo e tudo. É puramente, ou toscamente, quero lá saber, uma questão de vida. Como posso portanto ter deixado aquela folha em branco? Oh! Creio firmemente que esta questiúncula se encontrava ontem à noite no meu subconsciente, daí sonhar com o horror que é uma folha virgem por permeio de outras desbravadas. O sonho consistiu em ter visto algures um arbusto de belas flores, mas com pétalas enormes, alongadas, de um branco impuro, acetinadas, de espessura forte. Quando avistei o arbusto comentei com quem estava comigo 'oh que lindo!' e idealizei de imediato que arrancaria uma das pétalas e a colocaria na dita página. Entretanto, na vida real, passei pelo arbusto - que vive no muro de pedra e que já se alindou todo com o sol que tem feito – e arranquei-lhe uma das folhas mais grandes para entalar no caderno e assim o encher. É tão linda como as pétalas que no sonho agigantei, mas de outro formato e cor. Só talvez se assemelhe em tamanho, descobri que mal cabe sem se ver pontinhas espreitando. Daqui a dias terá encolhido, que eu bem sei, acontece a todos os que envelhecem.

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