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sexta-feira, 31 de maio de 2024

Ulha!

O 'ulha' encontra-se no dicionário, é questão à brasileira, mas é e está. Eu pensando que tinha inventado uma troca com moooooontes de piada e afinal oh!


sábado, 10 de fevereiro de 2024

Fim de semana 3 e 4 Fevereiro

Este fim-de-semana começou mais cedo, pois que, na terça-feira, 30 de Janeiro, calhou de estar em casa por mor de um incómodo e quis fazer um bolo. Escolhi o de natas e laranja porque tinha ali umas natas no frigorífico daquelas pó tacho, não pá forma e, como pó tacho não me arde o desejo, pensei: Ulha! Vou mas é usá-las num bolo a ver no que dá. E deu, mas não deu lá muito bem, embora estivesse esperançada disso. Ora, como tal, incrementei o belo do bolo com tâmaras, avelãs e pepitas de chocolate. Não que tivesse ficado mal ou intragável, nada disso, estava era seco e sensaborão, como não dando espaço aos incrementos de o humedecerem e lhe apurarem o sabor. Aprendi que natas pó tacho não servem os mesmos propósitos que as pá forma, portanto.
No sábado, 3 de Fevereiro, fiz cheesecake e salame de chocolate e caramelo. Com estes dois doces houve toda uma cena. Aliás: muuuuuuitas cenas. Fiz primeiro o salame. Ora, esta receita, por conta do caramelo, leva natas, e eu, dias atrás, tinha comprado natas mas havia-me enganado e trazido natas para... Precisamente!, pó tacho, quando queria era comprar das pá forma. Mas no caramelo não notei nada. Nadinha. Chegada a hora do cheesecake já eu sabia desta história, mas só a soube quando já tinha a base pronta, portanto não quis desistir do cheesecake e continuei, id est: fiz um cheesecake com natas pó tacho, porém, diferentemente do salame, fi-lo consciente da falta de rigor na escolha dos ingredientes. Quiçá para me enganar, procedi esmeradamente noutros passos que a feitura de um cheesecake requer, misturando cautelosamente a gelatina derretida num pouco da mistura dos brancos (natas, queijo-creme e leite condensado). Ainda tive outras cautelas, a de bater muito bem o queijo-creme (segunda cautela), misturar-lhe o leite condensado (terceira cautela) e depois juntar às natas batidas. Normalmente faço tudo na mesma malga, despejando um branco à vez... Bom. Então. As natas, na verdade, não as considerei subidas. Se já são de vir no pacote com alguma espessura, assim permaneceram. Não subiram nadinha. Continuei e terminei. Enfiei o cheesecake no frigorífico e passadas horas o aspecto era o de um cheesecake que tem em si natas pá forma e, este, feito com natas pó tacho, não ficou mau, mas ficar como costumam ficar, não ficou. Mesmo com o rol de cautelas. Este cheesecake é feito a frio e é o que geralmente faço, não quer isso dizer que não ande de roda de outros modos de preparo do mesmo doce, mas feito a quente, falo daquele que leva ovos e vai ao forno e mais não sei o quê. E eu bem queria experimentar este tipo mas as minhas pessoas vinham cá a casa e eu sei que gostam mais do frio. Quando ainda andava nas escolhas embeicei-me por uma receita com ar, tanto de cheesecake, como de brownie e, após observação atenta da receita, percebi que é do género de uma que já consta no meu dossiê especial há anos, a diferença maior por entre as duas receitas é que nesta última o cheesecake é mais volumoso do que o brownie e portanto as duas partes são despejadas na forma diferentemente. Ora, isso levou-me a pensar que não vale a pena andar de roda de mais uma receita, um dia que queira fazer mais cheesecake do que brownie duplico a parte cheese para encurtar a parte brow. Nota suuuuuuper importante: a receita d'há q'anos está aqui.

domingo, 12 de novembro de 2023

Fotos tiradas aos 30 de Outubro

Deu-se o acontecido destes cliques por conta de meros pensamentos. Tais como:
__ Ulha, o semáforo não deixar ver o enfeite!
___Ulha, este enfeite tem grande desafogo!
 

domingo, 29 de outubro de 2023

Estações

Eis então a foto que faltava, a do Outono. Certo é que havia idealizado que todas as fotos seriam tiradas na primeira quinta-feira do primeiro mês inteiro de cada estação, porém, num deles, esqueci-me, e, neste Outubro, pois que tirei a foto, não na primeira quinta-feira dele porque era feriado (5 de Outubro) e não passaria por ali, então, vai daí, tirei a dita foto no dia anterior (quarta-feira, 4 de Outubro), só que joguei-a no lixo inadvertidamente. Então, na próxima quinta-feira, 12 de Outubro, pumba, clique outra vez. Agora estou é a ver-me em trabalhos imensos em encontrar as fotos da Primavera e a do Verão, que a do Inverno já eu tenho linkada acima. Ulha, poi zé, pesquiso 'Primavera' e 'Verão' e decerto as encontrarei. Vou então fazer isso e já cá venho. Era isso mesmo o que havia a fazer, era, só por dizer que o Verão não me chegou por via do 'Verão' e sim pela do 'Julho 2023'. pá, cenas. Seja lá como for tenho, então, link pá Primavera e, oh pois está claro, pó Verão. E vai que, não vá isto não se perceber, a foto abaixo é do Outono deste ano (2023). E está esta jorna concluída.

sábado, 1 de abril de 2023

Havemos de ir ao Liechtenstein

É
Havemos

Venho então deixar registo da quilometragem. Fiz pesquisa nos méps de Mr. Google e resultou nisto:

Daqui até lá são 2222 - capicua, ah ah - quilómetros, que é coisa para se fazer em 22 - ulha! outra! -, se de mota, em 1 dia, se de comboio, em 18 dias se a pé, em 5 dias se de bicicleta.
De lá até aqui são 2248 quilómetros, que é coisa para se fazer em 34 horas, se de mota, e, para as outras três opções, Mr. Google deu resultados iguais.
Acho montes de piada que a quilometragem seja diferente. Acho que um percurso tão extenso dá azo a que não possa ser feito pelos mesmos trilhos nos dois sentidos, que traz a diferença.

sábado, 11 de março de 2023

Aos sábados

Todo o sábado da minha vida é preenchido pela confeção de um bolo. No passado fiz um bolo de laranja (receita aqui) que tem um processo talvez menos conhecido. 
Bate-se as claras (5) até espumar um pouco, lança-se o açúcar (200 gramas) e espera-se pelo merengue. Desacelera-se a batedeira e junta-se os restantes ingredientes (raspa e sumo de 2 laranjas, 150 mililitros de óleo). Desliga-se a batedeira e usa-se a espátula para misturar a farinha (280 gramas) e o fermento (2 colheres de chá), isto por três vezes, e leva-se ao forno em forma untada e enfarinhada por mais ou menos 45 minutos.
Hoje (sábado!) fiz um bolo de maçã. 
A parte da maçã foi feita cortando 3,5 delas aos pedaços e temperando-os com canela e gengibre em pó, raspa e sumo de 0,5 limão, 3 colheres de sopa de açúcar escurinho e 2 de farinha. Misturei tudo e despejei no fundo da forma de buraco, não sem antes a untar e enfarinhar e, ainda, dispor bocadinhos de manteiga. Isto, na minha ideia, faria aparecer um creme que aglomeraria a maçã e faria com que, ao fatiar, os pedaços não despenhassem. Ulha! Deu certo! E já me estou a adiantar... Seguidamente deitei por cima das maçãs a mui famosa massa de bolo de iogurte e levei ao forno a 150º durante mais ou menos 50 minutos. 
Já comi uma fatia (foto abaixo) e não é que considere um bolo divinal, mas acredito (piamente, para rimar com o divinal) que amanhã estará bem melhor. Se a experiência não me abandonou, este é um bolo que, arrefecendo, entranha-se-lhe os sabores.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Blogosfera

Como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, participo em dois blogues colectivos. Um deles (aqui) é bem mexidinho, o outro (aqui) está paradão há anos. Um dia destes lembrei me "ai ó pá deixa lá ver como está o paradão q' há q' anos não entro lá" e mais não sei o quê. Entrei e vi que não havia publicações novas. Au eva, fui por ali abaixo para encontrar e relembrar a minha última publicação e...
ulha!
comentário!
Acedi à caixa. Quem comentou também o fez há q' anos. E eu sem responder. E não vou responder, não tem lógica nem substância, vai-me parecer que estou a falar com alguém que já não existe. Ainda por cima o texto é sobre o meu pai e de como ele matava os pombos. Há portanto aqui muita não-existência. Nem consegui ler o texto, quanto mais. Percebo que parece mesmo que o post anterior tenha algo a ver com este mas não. Tampouco este com esse, nada disso. Calhou.

sexta-feira, 27 de maio de 2022

Sempre

Até sempre, despediu-se o barbeiro. Ulha!, reformou-se, deduzi. Só que não, que o tenho visto amiúde. Sempre, afinal, quero eu dizer.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Dias de uma grafómana

Dia 1, onze de Janeiro
Há um mês ou dois notei que estava na hora de tratar de cortar o cabelo e desde aí tenho vindo a fazer as minhas pesquisas e as minhas ponderações. Passo aqui e ali, olho de soslaio ou despudoradamente e concluo se quero entrar ou então não. Ando nesta faina porque quero experimentar novas caras e costumes.

Dia 2, doze de Janeiro
Passei hoje pelo salão que quero visitar. Ou experimentar. Fica numa rua escondida, o que me leva a considerar ser lugar de gente com vontade de ver gente. Está neste momento com obras de remodelação no prédio, há andaimes junto às portas, que são duas. Quando passei à primeira porta vi lá dentro uma boneca de rabo-de-cavalo no alto da cabeça, mas quando passei pela segunda é que vi que era uma jovem, sentada ao balcão, lidando com o telemóvel. Pensei abordá-la: «Ah, menina, pretendo»... O que pretendo e pâ pâ pâ. Não tive coragem. Portanto: olá, eu sou a Gina e tenho medo de entrar em lugares onde é preciso encetar conversa, até porque, depois e principalmente, tenho medo de encetar conversa.

Dia 3, treze de Janeiro

Dia 4, catorze de Janeiro
Ontem preenchi o cabeçalho mas apareceu um cliente e entretanto já não pude adiantar estes dias. Entretanto, hoje faz seis meses que cortei o cabelo. Sério. E o meu sonho era estar pelo menos seis meses sem o cortar. Na última visita ao cabeleireiro sofri um grande desbaste e não achei assim tanta piada quanto isso. Na altura até fiz post, não lamentando, mas confessando que nem gostava lá muito da minha aparência, contudo quiçá fosse falta de hábito e mais não sei o quê. Pronto, na verdade queria distanciar-me do desapontamento, por isso abordei o assunto pelo lado positivo. Tempos depois decidi que procuraria um cabeleireiro diferente, um salão diferente, um bairro diferente, um estilo diferente. Durante este tempo o cabelo cresceu imenso, pois claro, afinal passou meio ano, e acho que já vai dar para mudar de corte. É o que quero. Há muitos anos que o meu corte de cabelo anda à volta do bob, umas vezes mais bob que outras, bem sei, mas é sempre um bob, que é um corte caracterizado por ter as mechas laterais mais compridas do que as de trás. Ora andei eu nas minhas pesquisas Pinterest afora e tal e tal, e eis senão quando dou comigo num armazém de cortes para cabelo curto e médio-curto, onde as mechas se pavoneiam ao contrário: compridas na nuca, curtas nas laterais. Rah-ah! É isto que quero! Bom! Aliás: muito bom!
Durante o tempo em que me decidi a mudar de salão e

Dia 5, dezoito de Janeiro
Ainda há pouco lá passei, no tal cabeleireiro. Na última entrada terminei o texto abruptamente e, se bem me lembro, e lembro, ia escrever desses arredores. É um pacato bairro de Lisboa, ruas estreitas e de um só sentido na maioria, prédios de, no máximo, dois andares, mas também há vivendas com quintais bem tratados. Ao longo dos anos tenho visto esse bairro ser recauchutado, é comum obras neste ou naquele ponto e o certo é que há obras no prédio onde mora o dito salão. Antes de o ter elegido passei por várias outras ideias. Pensei, por exemplo, abordar o cabeleireiro que agora gere o salão onde antigamente eu ia, quando lá estava o Miguel, que foi o meu cabeleireiro durante uma boa meia dúzia de anos, só que depois perdi-lhe o rasto. Achei, na verdade continuo a achar, que o cabeleireiro que agora ocupa aquele salão tem um ar deveras simpático. Pensei, também, num outro - Um dia, numa dessas ruas de Lisboa que por vezes percorro, aliás: nem era dia, era quase noite, por isso é que vi tão nitidamente que dentro de um salão um homem vestido de preto (cor comum na indumentária dos cabeleireiros, não sei se já alguém reparou) aparava a cabeleira de uma mulher. Pareceu-me simpático, também. Obviamente isto de eu percepcionar simpatia por parte de pessoas só porque lhes observo os gestos mecânicos pode não ser certeiro, afinal o homem estava a trabalhar, como emanar simpatia com uma tesoura na mão? Mas cortar o cabelo não dói... Será que sou simpática enquanto retiro pedaços de metal a uma chave com uma frese que só não corta pescoços porque não é preciso e ninguém quer isso para si? Não sei. Bom, então. Entretanto, resistindo ao ímpeto de entrar, o que aconteceu é que nunca mais vi o homem dentro do salão. É que nem sem estar de tesoura na mão, quanto mais.

Dia 6, dezanove de Janeiro
Isto de eu andar à procura de um cabeleireiro diferente está a acontecer por via de questões que, não sendo impublicáveis, são somenos. Ou seja: não quero gastar o tempo que dedico à escrita com essas questões, registo apenas que decidi mudar porque me decepcionei com a cabeleireira que frequentei no último ano.
Ora bem, onde é que eu ia...? Já expus tantas coisas que não malembra o que mais falta... Ah, já sei!
Durante este processo de apuramento e consequente escolha andei a bisbilhotar outro género de salões, os de bairro, os típicos, aqueles que têm lá dentro uma cabeleireira com um corte radical ou, no mínimo, estranho, ou um cabelão com madeixas amarelas. Ou vermelhas. Ou o cabelo alisado à força de calor. Enfim, logo ao início disse tudo, um salão de cabeleireiro sem pretensões a tratamento VIP e outras merdices. Espreitei vários, como já disse. Por vezes ia por aí e avistando um desses logo me lembrava, ulha! Avagava o passo. Aspirava o ar. Espreitava de soslaio. Recebia vibrações. Fui eliminando um e outro, restando poucos. Pouquíssimos – três, precisamente.
Um tem uma boa energia, vejo o movimento lá dentro, o modo como se encara as clientes.
Um tem uma cabeleireira simpática, vejo-a lá dentro e cá fora, sorri e fala destemidamente.
Um tem uma mulher com uma aparência singular. O cabelo é comprido, grisalho e não forçadamente esticado. É natural, pronto. Já a vi despedindo-se de clientes e tem um ar leve e despretensioso.
Este último seria uma boa aposta, não duvido que seria bem recebida e tratada convenientemente. Mas, por sugestão de Mr. Google mediante as minhas buscas, aterrei na página do tal salão que quero experimentar. Observando os comentários e o

Dia 7, quatro de Fevereiro
Ena, tantos dias que há que não ponho coisinhazinhas neste post. Reparei agora que terminei o parágrafo acima abruptamente, pois paciência, quiçá algum cliente me interrompeu. Ao momento tenho o cabelo já bastante crescido, no outro dia até sonhei que o tinha mais comprido do lado esquerdo. Não é mentira de todo, até tenho, só que no sonho a diferença era gritante e, na vida, nota-se uma beca, vá. É daquelas coisas, se eu não chamar a atenção para isso, ninguém me vem dizer que o cabelo está desfasado, mesmo notando.

Dia 8, sete de Fevereiro
Na última entrada deste longo registo já não tive tempo para dizer que quando publicar no blogue tenho que colocar um link para o sonho. O mais engraçado é que à data corrente o dito sonho ainda não figura no blogue, contudo, e obviamente, conto tê-lo já a postos de link aquando desta mesma publicação.
Bom, continuando a descrever esta saga. Ultimamente tem-me dado uma certa vontade de me decidir mas é por aquela cabeleireira dos longos cabelos brancos, acho-a peculiar, há algo nela de confiável. Por outro lado gostava muito de experimentar outro género de salão, embora saiba que sou meio que à parte no que toca ao tipo de frequentador habitual de lugares assim. Depois há todo um rol de questões, como a novidade, o desconhecimento, a dúvida. A novidade mora no profissional, na pessoa em si. O desconhecimento assenta no facto de não ser conhecida por essa pessoa. A dúvida está sobretudo nisto: explicarei bem o que pretendo?

Dia 9, onze de Fevereiro
E pronto, está efectivado o lavar, o cortar e o secar! Estou contente, digo, para já, que «estou pois!»

Dia 10, doze de Fevereiro
Ai pá, na entrada anterior acabei por não escrever praticamente nada. Entretanto tenho tantas coisas para contar que tenho dúvidas que as consiga deixar todas neste dia. Até tenho dúvidas que as consiga deixar todas, uma vez que já passaram dias e a memória esfuma-se. Enfim. Mas jogo-me já. No dia oito de Fevereiro, uma terça-feira, um dia em que palmilhei Lisboa (vinte e quatro mil e não sei quantos passos dei eu!) estipulei que num dos percursos passaria novamente pelo salão especial, o escolhido, e entraria, desse por onde desse. Tinha era que arranjar coragem, principalmente porque o cabelo estava já numa figura desgraçada. Mas não estava lá ninguém, e a passagem deu-se em duas vezes nesse dia. Fiquei desolada, oh porra, eu que ia tão cheia de coisas como coragem e saber. Bom, na segunda desilusão lembrei-me da cabeleireira de longos cabelos brancos, pensando: se ela estiver lá, entro, falo e marco. E estava.

Dia 11, treze de Fevereiro
Continuando:
E lá estava a grisalha senhora. Mas ocupada, pincel numa mão, pente de cabo fino na outra. Aplicava tinta na cabeleira de uma cliente. Falavam. Desisti. Ia lá agora interromper o trabalho e, ainda por cima, a conversa das duas... Não. No dia seguinte dediquei-me a encontrar coragem para entrar no salão eleito (o tal especial, que sai fora do costume e mais não sei o quê), isto em a porta estando aberta e, ou, com alguém lá dentro. E estava. Estavam, quero eu dizer, pois tanto estava a porta encostada, como estava alguém lá dentro. A tal menina de cabelo apanhado. E desocupada. Abri a porta, cumprimentei-a, retribuiu, expus que queria cortar o cabelo, perguntou o que pretendia, expliquei. Queria parecer confiante e consistente, o que é um erro - não tenho nada que querer parecer seja lá o que for, tenho é que ser. Obviamente não serei porra nenhuma sem antes o ter querido, mas o melhor é ser e não querer parecer. Bom, expliquei então que queria mudar de corte de cabelo, inclusivamente passar a usar risco ao meio, que dispenso o secar do cabelo porque não gosto do secador e tal e tal. Marcámos para daí a dois dias. Fiquei toda contente. No caminho de regresso ia passando em revista o que dissera e o que ouvira, duvidando de mim e dela. Duvidando de tudo. Duvidando, pronto.
No dia acordado encaminhei-me, chegando três minutos antes da hora. É questão comum em mim, revela ansiedade. A cliente que me precedia fazia o seu pagamento e despediu-se da gente as duas com um «bom fim de semana» porque era sexta-feira. A propósito, hoje é domingo. Neste diário não tenho posto os dias da semana e agora lamento. Gosto pra caraças desses preciosismos. Passámos à ação. Cabelo lavado, hora do corte – tric-tric; tric-tric. A cabeleireira... Tenho que lhe arranjar um nome... Dominique fica-lhe bem. A Dominique foi cortando e tal e tal e durante o processo fui contando - como quem lembra em voz alta – que por alturas da minha adolescência este era o corte da moda, que tenho uma foto de mim com o cabelo assim. Pronto, o secador. Caraças. Ora bem, não lhe pude fugir, sob pena de o creme de caracóis não surtir qualquer efeito. Espantei-me, não sabia que podia usar creme de caracóis. Ou seja, a pessoa pode usar o que quiser, ok, mas pensei que não fosse indicado, ou até fosse creme para não cumprir com nada num cabelo como o meu, que é mais liso do que outra coisa. Ela então explicou que o meu cabelo não é realmente liso, tem textura, por isso recebe efeito de um creme deste género. Depois secou o cabelo, não sem antes me pedir que lhe dissesse o que realmente não gosto no secador, se é o barulho, se é a temperatura, se é o quê. Expus então a minha questão o mais assertivamente que consegui. Não é assim tão difícil ser assertiva quando no interlocutor não lampeja nem um pouco de censura. E a questão é que:
não gosto da aparência de 'cabelo arranjado'
não gosto do puxar do cabelo para o esticar
não gosto da temperatura
E também disse que não gosto do barulho, mas aqui foi mais em surdina. Agora que escrevo isto e que já passaram uns dias, percebo que talvez seja o fulcro, isto do barulho, se foi aqui que me senti enfiada em mim, falando em surdina. Então ela

Dia 12, dezasseis de Fevereiro
Passaram três dias desde a última entrada. Enfim, vai aos bochechos. Vai como for e pronto.
Seguidamente a Dominique anunciou que ia secar-me o cabelo mas com difusor, e o verbo é esse, anunciar, nada de pedir, lembrar. Não. Anunciar é que é. E eu que sim, numa mistura de resignação (ok, eu aguento) com curiosidade (como será que fico...?). Foi difícil, não vou armar-me de uma valentia rebuscada, e ficou-me o cabelo engraçado, lá isso. Agradou-me o resultado final, o corte e a textura do cabelo. Saí satisfeita de lá. Fiz foto e vídeo do depois, junto ao muro de pedra, e já havia feito foto e vídeo do antes, no mesmo lugar.
De momento não sei o que dizer mais. Posso adiantar que ninguém reparou na diferença que mostro ao mundo há alguns dias, o que me leva a crer que afinal não estou assim tão diferente. Há muitos anos que não tinha risco ao meio. Muitos. Trinta. Tenho por ora uma cabeleira como tinha quando casei, comprido na nuca, curto nas laterais. Ando a escrever este texto há tanto tempo que já nem sei se estará algures aqui metido qual o corte que queria fazer... Termino estes 'dias de uma grafómana' por aqui, estou a sentir que já não arranjo novidades acerca deste tema. Ah, só mais uma coisinhazinha: em cada dia que dei entrada neste texto, não me pus a reler o que já cá constava, de maneiras que é bem capaz de haver itens e, ou, ideias repetidas. Este aviso é sobretudo para ti, ó Gina do futuro. E sim, vou reler esta merdice toda antes de publicá-la. Até já.

Dia 13, vinte e um de Fevereiro
Olá. Pensei que já não voltava mas, como tenho demorado a publicação, venho. No dia acima, depois de expor o que queria, fui ler tudinho. Emendei gralhas, alterei umas construções, mas coisa pouca. Agora sinto-me meio que estranha por ter um post velho e novo em simultâneo. Enfim, cenas de «Gina, a mulher que tem um blogue»> (isto é uma brincadeira com o título deste post, pois, se repito o título do próprio blogue, porque não terminar com o título de um outro blogue que tive e que, bem vistas as coisas, também me define, né? Poi zé.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

ulha, agulha! ulha, trafulha!

ulha, agulha!
Em tempos fui costureira, já disse, tenho uma peça de vestuário para confecionar, já disse, o tecido está em cima da máquina de costura, já disse. Só não disse que ainda! está.
ulha, trafulha!
Não sou trafulha, no geralmente desta vida não sou. Tanto que, um dia, indo eu a uma entrevista, cuja ocupação profissional não me agradava, muito embora fosse obrigatório comparecer, logo que apanhei uma brecha revelei tudo à entrevistadora. Tudo. No meio da explicação dos meus motivos disse uma parolice qualquer e incrivelmente a senhora encontrou-lhe piada. Incrivelmente. Não nos demorámos mais, ela liberou-me logo ali. Logo. Como diz o povo, é bem melhor 'cair em graça do que ser engraçado'.

sábado, 29 de maio de 2021

Porque hoje é sábado

Podia dizer que não ligo a ponta dum corno às estatísticas que o blogger apresenta – nomeadamente se houve visitas - mas ligo, ligo é pouco, e ligo pouco porque não as acho credíveis - podem os cliques não passarem de visitas e visitas não serem, afinal, leituras. Hoje tenho publicado as minhas coizinhazinhas ao desbarato, tinha para aqui um montão de rascunhos a impedirem-me de ser feliz, a encher-me a folha do que está pronto a seguir para a lbogosfera... - ulha! também aqui troco as letras! - ai perdão, blogosfera, a caotizar a minha delicada existência, e vai disto, tudo para lá! Entretanto, consultando então o tal gráfico de coisas acontecidas ao blogue, noto que cada um dos posts publicados hoje tem três visitas e ainda só passaram três ou quatro horas, ademais, pasme-se, é sábado! Oh.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Cheiro

Há pouco, em recados, passei por quatro pessoas que fumavam ganza e podia ter chegado ao estaminé com uma moca do caraças. Só que não. Isto por conta da máscara cirúrgica, claro, pois, quando não, já se sabe. Entretanto lembrei-me:
ulha! o pessoal que fuma está dispensado da máscara quando vai na rua!
Ainda vou falar com o meu colega, dizer-lhe que o melhor é a gente sucumbir aos avanços dos dealers aqui do pedaço...

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

'noites duma grafómana'

dia um
Acordei às três e picos já não dormi. Levantei-me às seis e tal. Por entre, olhei para o relógio às três e não sei quê, às três e cinquenta e nove, às quatro e coiso e às cinco e tal. Pensei em descongelar as bananas para o batido. Pensei em arrumar a cozinha. Pensei em pôr a roupa em sabão. Pensei, por último, em escrever as merdas do costume.
dia dois
Acordei às cinco e trinta e sete e já não dormi. Levantei-me às sete e coisa e fui pôr a água ao lume para fazer o chá. Escolhi o de funcho, do qual gosto quase nada. Quando a chama do bico do fogão apareceu gostei de ver o azul a sobrepor-se ao branco. Ainda não tinha acendido a luz, daí o realce. Na carícia que fiz à minha cadela, a número trezentos e vinte e nove deste dia, julguei que teria sido boa ideia usar o tempo que estive a olhar para o escuro do tecto para a passear. Agora que até nem está assim tanto frio, nem nada.
dia três
Tive uma noite diferente. Embora tenha acordado várias vezes, não tive tanto tempo a mirar o escuro. Miraria o tecto, não estivesse tão escuro. Repito-me, bem sei. Digo: aquilo do tecto.
dia quatro
Acordei aos montes. Montes e montes de vezes. Em certa dessas vezes senti frio e calor em simultâneo. Se nunca pus no blogue que já tive esta sensação em outras noites, então foi porque me esqueci, e tanto queria ter posto, como realmente aconteceu. Noite afora fui sentindo um forte cheiro a café, que identifiquei como sendo da chávena que tinha em cima da mesinha-de-cabeceira. O remanescente da bebida tinha secado, dado o número de horas ocorridas desde a toma.
dia cinco
Ena! Acordei bem mais próximo à hora devida. Mas fui acordando na mesma e sei lá quantas vezes. Apercebi-me que sou também grafómana quando de noite. Deixo a questão na memória, só por dizer que não memorizo tudo, que é lá isso. Que seria? O que seria era eu levantar-me e pôr-me a escrever, pois seria. Já faltou mais para encontrar esse alento, já. Vou até intitular este post de 'noites duma grafómana'.
dia seis
Ena, ena, ena! Ena tantas 'enas'... Pá, acordei à hora que é justo acordar se fizer as contas com a hora que tenho que sair. Claro que acordei ressacada, mas e depois, né?
dia sete
Acordei. Acoredi... ai perdão, acordei. Acordada. Incómodo. Porra. E escrevi aos bués cá por dentro. Só me lembro do 'terrau! terrau!', nada do que me levou aí. Sei que era uma ideia apresentada sucintamente – duas frases – e intercalada com o 'terrau! terrau!'. Eu sei, eu sei, seria um post do caraças, mesmomesmomesmo imperdível, mas.
dia oito
Dormi quase toda a noite. Tem-me acontecido dormir melhor nas noites que sucedem os treinos. Nem sempre isto aconteceu assim, era até o contrário. Mas é claro que folgo que assim tenha acontecido.
dia nove
Acordei às cinco e coiso e já mal dormi. Mas dormi. Em certas noites de estar alerta (debalde, sem causa capaz, pois claro) ouço um despertador aí por volta das seis. Mas não foi o caso d' hoje, qu' hoje é domingo.
dia dez
Acordei à uma e não sei quê. O (bem, neste caso, um) vizinho fazia barulhos do tipo desencaixotar coisas e fazer por agrupá-las. Parecia que organizava qualquer coisa de porte médio, pelo barulho de pousar no chão. Acordei às quatro e fui dormindo e acordando desde aí. Na última vez que acordei já era dia. Ah, que estranho... Ulha! Claridade! Toca a levantar!
dia onze
Acordei rente às seis e ouvi alguém a tomar banho. Quero dizer: presumo muito presumidamente (se é que isto tenha escala) que era banho, é que, vamos lá a ver, aquilo não parava de jorrar. Quero dizer: presumo, também em alta escala (podendo ser), que era jorrar do cano e não ir pelo cano. Quero dizer: o ir e o vir sempre tem algumas diferenças.
dia doze
Acordei às 0:34, sei que sim, mas sem saber porquê. Ou seja: também não há razão nenhuma para acordar às quatro ou às cinco, só por dizer que à meia-noite e meia é ainda mais desarrazoado. Podia, para estender esta noite, expor o que pensei, como fiz em outras, mas é que, tirando este espanto da desrazão, não me lembro de mais porra nenhuma para pôr aqui.
noite treze
Pois, noite → 'noite treze'. Vejam lá que hoje é que me lembrei que não são dias, qual quê, são noites. Ora então vamos lá: 
Acordei às 0:54 mas com motivo. Quero dizer: acho eu, já que ouvi aqueles barulhos todos coisos – arrastar de cadeiras, correr de gavetas, desembrulhar de pacotes. Enfim. Adormeci algures na noite e voltei a acordar pelas quatro, não voltando a adormecer. Sério. Até me levantei bem mais cedo que o meu costume porque a cama já me estava a ser maléfica.
noite catorze
Acordei às 23: 40... Quê?! Isso. Mas por que raio acordei eu meia hora depois de adormecer? Mas anda-me a questão a piorar?! Oh ca porra! Adormeci montes de tempo depois, isso sei eu, e voltei a acordar às quatro e sei lá quê e, sei lá também, se dormi mais.

Pois, é isso, sei lá que mais. Termino mas é com este diário versus noitiário e pronto. Ao início gostei muito de o construir, depois foi-se-me esvaindo o gosto e, por ora, está a ser verdadeiramente chato construí-lo. Seja lá como for, tinha idealizado que este empenhamento duraria duas semanas, e durou.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Brincadeiras

Encontrei uma parte de brinquedo num dos cimos do estaminé (foto). Em tempos, o que não faltou foi a presença dos ricos filhos pelo estaminé e não duvido que esta rodinha tenha ido parar lá acima porque, pá, pronto, sossegados como eles eram, que não se entretiam com coisa nenhuma, oh pobres crianças... 
Quando dei com a dita comentei com o meu colega:
«Ulha! Já viste o que aqui está?»
E ele que sim, por várias vezes, mas deixa ficar, faz de recordação de um tempo passado. Concordei. Imitei. Recordarei. E, doravante, está até no blogue.



 

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Lixo(s)

Afinal não ficou no local das férias, a caneta de tampa verde, decidi-me a pô-la no contentor dos plásticos, quer-me cá parecer que aquilo é material desse. E pronto, és mesmo especial, ó caneta de tampa verde, olha que não há muitas coisas a que dê tanta visibilidade, se bem que dou, ai dou, visibilidade a muitas coisas. E também a pessoas, mas a par, não menos, não mais.
Sem nada a ver - mas já agora e porque não? ora essa -, encontrei o contentor amarelo deitado ao chão por conta dos velozes ventos dos últimos dias, e logo caído de boca para baixo, impedindo a entrada aos materiais recicláveis, o que fez com que a (re)dita caneta fosse jogada no contentor cinzento.
Outra coisinhazinha: o malão que percorreu quase tanto mundo quanto eu também está no lixo e os motivos não são óbvios porque aquilo ainda ia dando. Podia agora inventar-me de pessoa minimalista mas mentiria conscientemente e isso aborrece-me.
Ulha! À conta do lixo lembrei-me de outra coisinhazinha! Há anos que não entrava um bebé cá em casa, o que aconteceu há umas horas. Essa visita especial fez com que
ponto número um
descobri que há chuchas reflectoras, aceleram a questão de as encontrar no escuro, é essa a maior vontade de qualquer progenitor/cuidador que acorde com o choro de um bebé
ponto número dois
descobri que há vídeos no Youtube que reproduzem sons uterinos, acalmam os bebés porque os transportam para a vida pré-natal, o mais engraçado é que o som é um horror, parece mais um aspirador desafinado do que outra coisa, mas a verdade é que vi que o bebé acalmou o seu choro sonolento em segundos
ponto número três
descobri três fraldas usadas no lixo... pá, pronto, eu disse que tinha que ver com lixo

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Dia de

Por alturas de ouvir dizer na Radio (sim, este é um post atrasado aos bués) que era 'dia de recordar o melhor amigo' e a locutora ir jogando para o ar 'porque não recordar as loucuras que fizemos com os melhores amigos', pensei de mim para comigo:
Ulha! Tenho duas loucuras dessas. Que me lembre, são duas, quem sabe haja mais uma catrefada, refundidas no escuro da minha mente... Não há nada, no escuro da minha mente há as loucuras que me lembro que não fiz.

Uma foi que me lancei na demanda de ir a um baile sem que a minha mãe soubesse. Não lhe pedi porque achei que ela não ia deixar, de maneiras que à socapa.
Claro que fui descoberta. Mas enfim, nada de consequências de maior.
Duas foi que me lancei na demanda de comprar um maço de cigarros e escondê-lo num arbusto ao pé de casa. Pá, com a idade que eu tinha, tinha mesmo que ser às escondidas, uma coisa assim.
Claro que fui descoberta. Mas enfim, nada de consequências de maior.

Coloquei as histórias sobre mim mas tive companhia nestas demandas, até porque a ideia era contar 'loucuras feitas com os nossos amigos'. Pronto, sabem como é, é melhor não chamar para aqui ninguém e tal, que isto que contei são atitudes do mais infâmias que podem ser.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

As limalhas são aurélias*




*...


Pois, as limalhas são aurélias. No post acima linkado saltei a parte de o relacionar com o Dia Mundial da Criança, uma vez que era esse o dia e o post era acerca dos ricos filhos, que embora estejam já distantes da infância, faço sempre gosto em ligá-los, afinal foram as minhas crianças. Quando hoje notei o aglomerado (foto) na bancada do estaminé, surgiu-me a ideia de que as limalhas são aurélias e pensei: ulha! E decidi: é hoje!

sábado, 6 de junho de 2020

Quimera




Ulha! O cesta da gávea! Pois, pois, era a quimera, era. E eu na utopia e na utopia, era só o que me ocorria. Nada disso. Dantes tinha uma série de lugares lisboetas, lugares de poleiro e, ou, de poderio, com os quais sonhava abundantemente, visitá-los-ia num futuro, longe ou perto, pouco me importava, e mais não sei o quê. Descobri o post, datado de 30 de Maio de há quatro anos, do qual transcrevo parte:


O setenta e dois e o trinta e nove da avenida são oponentes. Um deles é quimera para mim, o outro não. No que deixou de ser quimera, deixou de o ser quando estive lá em cima mirando a cidade (de longe) e as copas das árvores da avenida (pertinho, pertinho).
Posso tirar fotografias, perguntei eu à cliente.
Pode. Tire as fotografias que quiser!
(...)
Isto das quimeras são também desejos antigos, ai eu quero ir lá acima, ai eu quero ver como é de cima para baixo porque de baixo para cima já conheço, ai eu quero atirar-me dali e esborrachar-me no chão. Pumba, acabava-se-me a tristeza. É a esperança apoiada na tragédia. Pois.


nota:
nem o setenta e dois nem o trinta e nove são os números da torre com o cesto da gávea

quinta-feira, 4 de junho de 2020

São três

Joguei no lixo três papéis:

1. o círculo com o mapa-mundi desenhado
2. a flor em papel branco sem desenho nenhum
3. o peixinho em forma de mini-bloco

O círculo e a flor não me lembro de onde vieram, o mini-bloco veio das mãos da Carminho, há anos. É certo que ainda restavam três ou quatro folhinhas no lboco... - ulha! atã nã é que tamãe troco as letrinha ao bloco?! - ... ai perdão, bloco mas pronto, cansei-me de o ver para ali exposto, desconhecedor de o estar.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Material cirúrgico

Doravante chamarei mascaralha à máscara cirúrgica. É bem que não é máscaro que se chama, né? Digo mascaralha porque, num repente, malembrou da mascarilha. E também porque sim. E vou eu e:
ulha! pois! mascaralha! claro!
Mas pronto, por mor de não sobrecarregar o mundo com tamanha obscenidade, que o pobre, disso, não está precisado, não colocarei a mascaralha em título algum.
Entretanto este fica como sendo um post três em um, fica já aqui duas coisinhazinhas acontecidas há uns dias, quando eu ia 'dentro' de uma mascaralha.

Quando na rua, armada de mascaralha e de óculos escuros, aproximei-me de uma passadeira. O senhor condutor não me viu e não parou. Porém, que é o mesmo que pôr em, desculpou-se vocalmente, e duas vezes.
Desculpe, minha senhora. Desculpe.
Depois aconteceram coisas em mim:
1 - fiz um gesto de cabeça
2 - sorri
Mas não se viu nada. Fui branda, esqueci-me que estava de mascaralha e de óculos. Por ora, a gente querendo ser interpretada em gestos, há que os enfatizar até mais não. Meneares amplos, gestos largos. Calhando, falar, até. Podia eu ter respondido ao cavalheiro:
Ora essa, caro senhor, ora essa.
Pois está claro que podia.

Entrei na grande loja e lembrei-me de espirrar. Pá, saiu. Como sabem, agora é ofensivo espirrar para a frente. O pior foi o pingo a escorrer e eu a enfiar o lenço por baixo da mascaralha e o pingo todo mal limpo e a querer entrar no buraco logo abaixo. Pois é, ou não é, não é nada bonito de se ver, mas aconteceu tudo por baixo da mascaralha, ninguém me viu a lamber ranho.